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	<title>Arquivos Peter Sarsgaard - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Peter Sarsgaard - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica A Noiva!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2026 06:34:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A reinvenção é sempre um desafio. Nas artes, especialmente na literatura e no cinema, quando essa proposta envolve um clássico, tudo se torna ainda mais espinhoso. Logo, a coragem para mergulhar de cabeça num projeto que tem como mote recontar uma história conhecida pelo público é um caminho que poucos escolhem seguir, mas Maggie Gyllenhaal (A Filha Perdida, de 2021) parece não se importar com os percalços do trajeto. A atriz, roteirista e diretora traz aos cinemas brasileiros, nesta quinta-feira [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A reinvenção é sempre um desafio. Nas artes, especialmente na literatura e no cinema, quando essa proposta envolve um clássico, tudo se torna ainda mais espinhoso. Logo, a coragem para mergulhar de cabeça num projeto que tem como mote recontar uma história conhecida pelo público é um caminho que poucos escolhem seguir, mas Maggie Gyllenhaal (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-filha-perdida-netflix/"><em>A Filha Perdida</em></a>, de 2021) parece não se importar com os percalços do trajeto. A atriz, roteirista e diretora traz aos cinemas brasileiros, nesta quinta-feira (5), sua visão sombria, tortuosa e cheia de vida sobre a mística narrativa de Mary Shelley, intitulada <strong><em>A Noiva!</em></strong>. O longa-metragem escancara uma estética e uma proposta audaciosa que dividirá opiniões, mas, sem sombra de dúvidas, marca a carreira da cineasta.</p>
<p>O segundo longa da diretora leva ao público um delírio criativo que ultrapassa barreiras narrativas e foge de qualquer limitação de gênero. <strong><em>A Noiva! </em></strong>é uma injeção de ânimo nas mesmices seguras dos grandes estúdios de Hollywood. É o cinema reanimando as possibilidades de adaptações sem medo (aparentemente) de se perder. É um delírio primaveril do que poderia ser essa história se uníssemos criador e criatura. E é assim que, com erros e acertos, Gyllenhaal entrega uma versão corajosa, coerente e insana inspirada na história de Shelley, ao mesmo tempo que parece beber diretamente de outros clássicos &#8211; dessa vez do cinema &#8211; como <em>Bonnie e Clyde &#8211; Uma Rajada de Balas (1967)</em>. Não só isso. A coragem de se perder em sua própria loucura torna esse filme uma versão incomparavelmente melhor de um casal de revolucionários insanos do que o segundo <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa-delirio-a-dois/"><em>Coringa &#8211; Delírio a Dois (2024)</em></a> tenta ser &#8211; e falha miseravelmente.</p>
<p>Assinando também o roteiro, Gyllenhaal costura as partes da sua própria criatura, a partir dos restos mortais (e eternos) da obra de Shelley e do longa de James Whale, de 1935. Antes de acionar a voltagem para dar vida ao seu monstro, a cineasta estadunidense molda as engrenagens de sua mais nova obra com ideais modernos que fazem toda a diferença para a trama &#8211; e, principalmente, para que o filme se encaixe na filmografia da diretora. <strong><em>A Noiva! </em></strong>não tem medo do excesso. O sangue, o suor, a bile do labor cinematográfico transbordam em cada cena &#8211; para o bem e para o mal. Com isso, a diretora acaba entregando momentos narrativos ou certos desenvolvimentos de personagens, que deixam a desejar &#8211; como a falta de solidez e clareza do 3º ato.</p>
<p>O problema, no entanto, está no mesmo lugar que é a força do projeto: o excesso. É uma faca de dois gumes. Em momentos, o exagero e os delírios criativos que <em><strong>A Noiva!</strong></em> traz para a narrativa são essenciais e originais, mas logo em seguida pode ter algo que falta uma lapidada. Definitivamente essa não é uma produção &#8211; dentro dos moldes hollywoodianos &#8211; que fugiu dos riscos. As imagens grotescas, os momentos verborrágicos, as estranhezas aparentemente sem propósito. O filme não é uma ode ao livro de Shelley, ele é uma carta aberta ao desafio de criar, ao risco de quem acredita em sua ideia e consegue levá-la adiante.</p>
<figure id="attachment_20506" aria-describedby="caption-attachment-20506" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20506" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-Noiva-2.jpg-750x422.jpeg" alt="A Noiva! (2026)" width="750" height="422" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-Noiva-2.jpg-750x422.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-Noiva-2.jpg-1536x864.jpeg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-Noiva-2.jpg-770x433.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-Noiva-2.jpg-1400x788.jpeg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-Noiva-2.jpg.jpeg 1920w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20506" class="wp-caption-text">Christian Bale e Jessie Buckley em cena de &#8216;A Noiva! (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Apesar dos tropeços, a bravura da cineasta em fazer sua história sair do papel evoca o outro lado do lâmina. É a inebriante confusão do roteiro que permite que Jessie Buckley (<em>Hamnet: A Vida Antes de Hamlet</em>, de 2025) brilhe. <strong><em>A Noiva!</em></strong> é impactante porque é uma narrativa insana estrelada por uma atriz que sustenta o desafio com maestria. Buckley eleva as cenas, ela transporta o público para essa caótica jornada de anti-heróis. O patamar é outro, especialmente quando ela precisa encarnar a espécie de esquizofrenia possessiva desenhada pelo roteiro de Gyllenhaal. Mias uma vez, a atriz prova que seu alcance de interpretação não tem limites e que o desafio é o que a alimenta.</p>
<p>Outro destaque no longa é Christian Bale (<em>O Pálido Olho Azul</em>, de 2022). Sua versão do monstro de Frankenstein é tocante, sensível e cuidadosa. Como de costume, Bale parece medir cada movimento e trejeito de seu personagem, como parte da sua lógica de construção, mas, num filme como <strong><em>A Noiva!</em></strong>, é preciso abraçar o caos e ele o faz muito bem. Talvez os seus melhores momentos em cena são os de cumplicidade com Buckley durante os grandes delírios da narrativa &#8211; como uma sequência coreografada no 2º ato.</p>
<p>Assim como Bale, Annette Bening (<em>Nyad</em>, de 2023) é outro presente para o espectador. Ver um rosto tão querido e talentoso num projeto voraz e corajoso como esse dá um fôlego a mais. Além, é claro, da presença de Bening aterrar a trama com sua experiência e maestria como atriz. Contudo, Bening também se permite brincar com as nuances que a proposta traz para sua personagem. Ela consegue se equilibrar ao lado de Jessie Buckley para que sua contracena seja coesa e redonda. Com isso, talvez as melhores cenas do filme envolvem os três, em qualquer que seja a combinação de contracena,  <strong><em>A Noiva!</em></strong> dá ao público um frescor ao ter três artistas tão competentes e entregues ao projeto como eles.</p>
<p>Na contramão do trio principal, existe um outro trio no filme, mas seus momentos não são tão felizes como os de Buckley-Bale-Bening. Peter Sarsgaard (<em>Setembro 5</em>, de 2024), Penélope Cruz (<em>Ferrari</em>, de 2023) e Jake Gyllenhaal (<em>Matador de Aluguel</em>, de 2024) estão no hall das estranhezas negativas do longa. Seus personagens não são tão bem desenvolvidos e parecem ter uma condução direção-elenco menos crível que seus colegas de cena &#8211; ainda que eles façam monstros ressuscitados. Há um claro esforço na tentativa de incorporá-los ao máximo à trama, mas isso não chega de forma limpa como deveria. <strong><em>A Noiva!</em></strong> peca por não ser capaz de encaixar seus personagens mais comuns numa narrativa sobre o que não é nada banal.</p>
<p>Fechando o time responsável pelas belas composições imagéticas de Maggie Gyllenhaal estão os departamentos de fotografia e arte. Ambos atuando <span style="font-weight: 400;">em total consonância</span>. Quando necessário, é a arte e a foto que ajudam a tornar tudo ainda mais insano ao mesmo tempo que são capazes de controlar o caos. Acima de tudo, <strong><em>A Noiva!</em></strong>  é uma obra de desafios. Acreditar na ideia, angariar pessoas e financiadores para que o filme aconteça, e orquestrar tudo isso sem perder a sua criatividade é de tirar o chapéu, especialmente quando lembramos que esse é apenas o segundo longa-metragem da carreira de Gyllenhaal como diretora. Dividindo ou não opiniões, é imprescindível entender que colocar esse projeto no mundo foi preciso acreditar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Maggie Gyllenhaal</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jessie Buckley, Christian Bale, Peter Sarsgaard, Annette Bening, Penélope Cruz, Jake Gyllenhaal, John Magaro, Matthew Maher, Jeannie Berlin e Zlatko Burić</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Yk8oW7wky1g?si=pjDi9TC6ggNGhmVr" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Batman</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Mar 2022 03:05:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enfim chegamos ao lançamento do aguardado Batman, produção que já surgiu com a polêmica da presença do ator Robert Pattinson (Tenet), cuja escolha foi bem criticada pelos fãs mais fervorosos do herói. Mas como todo hater gratuito, esse se mostrou mais uma vez infundado. O britânico não apenas entregou muito bem no papel, como mostrou que é apto para qualquer personagem que lhe é proposto. Neste longa, Bruce Wayne tem o perfil mais obscuro e retraído. Ele não gosta muito dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Enfim chegamos ao lançamento do aguardado <em><strong>Batman</strong></em>, produção que já surgiu com a polêmica da presença do ator Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tenet/"><em>Tenet</em></a>), cuja escolha foi bem criticada pelos fãs mais fervorosos do herói. Mas como todo <em>hater</em> gratuito, esse se mostrou mais uma vez infundado. O britânico não apenas entregou muito bem no papel, como mostrou que é apto para qualquer personagem que lhe é proposto.</p>
<p>Neste longa, Bruce Wayne tem o perfil mais obscuro e retraído. Ele não gosta muito dos holofotes, amargura os acontecimentos do passado e se dedica ao objetivo de tentar aliviar os horrores que sua cidade passa. Ele é um justiceiro nato que trabalha junto com as forças policiais almejando dar um pouco de tranquilidade às ruas violentas de Gothan.</p>
<p>Sombrio e apático, a atenção do Batman é chamada pelo novo vilão, o Charada (Paul Dano, <em>Os Suspeitos</em>), que mata políticos importantes e faz questão de deixar sua marca registrada em todos os crimes. Ele é misterioso e, ao mesmo tempo, extravagante, deixando a cidade em polvorosa com a situação. Wayne rapidamente decide investigar as suas motivações e qual seria a sua identidade verdadeira.</p>
<p>Com um cenário obscuro do submundo do crime, o filme tem uma paleta de poucas cores, contrastada apenas pela existência de belíssimas fotografias de pôr-do-sol, em momentos chaves que conversam diretamente com mudanças de trajetórias do protagonista. É quase que uma vibe emo bem divertida de acompanhar. Mas não espere que o filme seja engraçadinho. Embora ele tenha seus momentos de alívio, normalmente traçados pelo sarcasmo, quase não vemos sorrisos ao longo da trama.</p>
<p>Assombrado pelo seu passado, Bruce mostra que tem pouquíssima paciência para lidar com a sociedade. Ele tem consciência da sua presença e não se furta de chegar nos lugares como se fosse dono deles. Nada se torna um empecilho para que ele investigue aqueles crimes e descubra quem é o charada. É como se sua dor fosse completamente convertida em proatividade na hora de tomar decisões e agir. Ainda assim, o diretor Matt Reeves (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-planeta-dos-macacos-a-guerra/"><em>Planeta dos Macacos: A Guerra</em></a>) faz questão de deixar claro que aquela é uma versão juvenil do personagem. Portanto, ele toma decisões erradas e foge de lidar com as burocracias do dia a dia.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15294" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O surgimento da Mulher-Gato é um bom ápice da trama, que passeia com muita naturalidade em todas as introduções de personagens. Zoë Kravitz (<em>Big Little Lies</em>) veste perfeitamente o papel, se dedicando à intensidade das emoções e confusões da personagem. Ela e Pattinson têm uma excelente química de cena, tornando todos os momentos juntos como um grande alívio ao espectador. A projeção do romance entre eles é igualmente gostosa de acompanhar.</p>
<p>Ao longo de quase 3h de duração, <strong><em>Batman</em> </strong>consegue manter o espectador atento o tempo inteiro, sem perder ritmo ou cansar. É um tempo justificado pela profundidade da história e como o surgimento do personagem em si foi configurado. É o tipo do filme que nem lembramos de olhar no relógio.</p>
<p>A junção de fotografia com trilha sonora impecável conferem uma tensão constante no espectador, que está sempre querendo antecipar qualquer ação. Até mesmo no começo do filme, antes do próprio Batman aparecer, já estamos na ansiedade de entender qual dinâmica ele será inserido.</p>
<p>Mas finalmente, Pattinson cumpriu o papel? Brilhantemente. Ele deixa de lado todo o estigma que ainda poderia restar e adentra numa nova era comercial. Isso porque ele já vem mostrando uma excelente qualidade de cena há algum tempo, mas escolhendo sabiamente produções mais independentes. Agora ele retorna ao circuito mais vendável com um apelo muito bom em relação ao preconceito que algumas pessoas ainda tinham por conta de sua participação em <em>Crepúsculo</em>. Como ele mesmo disse em entrevista recente, &#8220;odiar Crepúsculo é tão anos 2010&#8221;.</p>
<p><em><strong>Batman</strong> </em>é um filme sobre o início do trabalho do herói. Ele começou a atuar assim recentemente e ainda está entendendo seu objetivo naquilo tudo. Ao final, vemos ele descobrir que a vingança crua não vai te trazer o conforto que espera e somente dando esperanças às pessoas é que ele terá esse sentimento genuíno. Foi um filme que valeu a espera, em todos os sentidos!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Matt Reeves</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Robert Pattinson, Zoë Kravitz, Paul Dano, Jeffrey Wright, John Turturro, Colin Farrell, Jayme Lawson, Andy Serkis, Peter Sarsgaard</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/rsQEor4y2hg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Filha Perdida (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jan 2022 19:47:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua estreia na direção de longas-metragens, Maggie Gyllenhaal (Feito em Casa) convida os espectadores a entrarem em um mundo ficcional de narrativa não linear e que transmite sensações múltiplas e complexas. É possível dizer que A Filha Perdida trata sobre diversos temas. Ela é uma produção sobre maternidade, sobre um peso específico que as mulheres cis carregam, sobre as relações humanas ou tudo isto junto também. É preciso encarar, no entanto, que esta não é uma obra fácil. Mas, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em sua estreia na direção de longas-metragens, Maggie Gyllenhaal (<em>Feito em Casa</em>) convida os espectadores a entrarem em um mundo ficcional de narrativa não linear e que transmite sensações múltiplas e complexas. É possível dizer que<strong><em> A Filha Perdida</em></strong> trata sobre diversos temas. Ela é uma produção sobre maternidade, sobre um peso específico que as mulheres cis carregam, sobre as relações humanas ou tudo isto junto também. É preciso encarar, no entanto, que esta não é uma obra fácil.</p>
<p>Mas, em que sentido especificamente? Adaptação da obra homônima de Elena Ferrante – feita pela própria Gyllenhaal –, há aqui uma atmosfera desconfortável criada, seja como consequência da decupagem ou por marcas imagéticas simbólicas. A começar pela seleção de planos extremamente fechados, com câmera na mão, que passam esta impressão de sufocamento vivido pelas personagens e, principalmente, por sua protagonista, Leda (Olivia Colman/Jessie Buckley).</p>
<p>A iluminação fomenta a sensação de aprisionamento presente naquele contexto mostrado e  se enxerga mais do que as cercam do que elas mesmo.  Não há luz alguma em seus rostos, nestes closes completamente fechados, por exemplo Imediatamente depois, Gyllenhaal abre o quadro para o geral e é possível ver com mais nitidez o que esta acontecendo na cena.</p>
<p>Esta estratégia parece pensada para causar este impacto entre o que há de interno e externo nas personagens e a dinâmica se mantém até o desfecho da projeção, aumentando o potencial das metáforas e significados passados na tela. Outro ponto destacável é a presença de elementos que podem criar certa repulsa, como as frutas podres ou o inseto que está no travesseiro de Leda.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15021" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/a-filha-perdida-netflix-0122-1400x800_6.jpg" alt="A Filha Perdida" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/a-filha-perdida-netflix-0122-1400x800_6.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/a-filha-perdida-netflix-0122-1400x800_6-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/a-filha-perdida-netflix-0122-1400x800_6-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/a-filha-perdida-netflix-0122-1400x800_6-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Este fator, juntamente com as seleções da direção, constroem um filme de terror em cada minuto de exibição, inclusive desde o seu início, quando Leda é colocada em uma situação de perigo intenso. A linguagem do gênero, combinada ao drama vivenciado por Leda, seja no presente ou no passado, complexificam a estrutura do enredo e criam uma suspensão durante a sessão.</p>
<p>Ao mesmo tempo em que há esta elaboração de suspense e medo do que está por vir na vida de Leda, as emoções dela e de seus coadjuvantes vão sendo exploradas. Existe um tempo para que as ações ocorram. Os olhares, gestos e movimentações dos intérpretes são investigados pela câmera que, mesmo em movimento, revela os sentimentos plurais de cada figura posta ali. O trabalho do elenco contribui ainda mais para esta característica, principalmente os das atrizes Olivia Colman (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-meu-pai/"><em>Meu Pai</em></a>), Jessie Bluckey (<em>Estou Pensando em Acabar com Tudo</em>) e Dakota Johnson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cinquenta-tons-de-cinza/"><em>50 Tons de Cinza</em></a>).</p>
<p>Há todo um foco em emitir mais sentido no silêncio aqui. Desta maneira, as respirações e olhares são utilizados de forma meticulosa. O texto falado, em diversas sequências, é dito quase casualmente, pois são as expressões faciais que contam direta e fortemente o que estas mulheres estão pensando. São nestes detalhes que o longa cria todo um universo repleto de camadas e força.</p>
<p>Talvez, o único incômodo em<em> <strong>A Filha Perdida</strong></em> seja a repetição dos artifícios criados pela direção e pela fotografia. É bem verdade que eles funcionam, porém a partir do final do segundo ato e início do terceiro, a reincidência desta lógica cansa um pouco, pois deixa a trama empacada, girando em círculos. No entanto, o seu desfecho é amarrado, diminuindo o impacto desta demora.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Maggie Gyllenhaal</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Olivia Colman, Dakota Johnson, Jessie Buckley, Ed Harris, Peter Sarsgaard, Dagmara Dominczyk, Paul Mescal</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/8y2Tz6iFetI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>4 filmes recém lançados na Netflix!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Jun 2017 18:56:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Anne Heche]]></category>
		<category><![CDATA[Catfight]]></category>
		<category><![CDATA[Dakota Fanning]]></category>
		<category><![CDATA[Ewan McGregor]]></category>
		<category><![CDATA[Felicity Jones]]></category>
		<category><![CDATA[Jennifer Connelly]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[O Experimento Milgram]]></category>
		<category><![CDATA[Pastoral Americana]]></category>
		<category><![CDATA[Peter Sarsgaard]]></category>
		<category><![CDATA[Sandra Oh]]></category>
		<category><![CDATA[Sete Minutos Depois da Meia-Noite]]></category>
		<category><![CDATA[Sigourney Weaver]]></category>
		<category><![CDATA[Winona Ryder]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pastoral Americana Adaptar uma obra do escritor Philip Roth é tarefa ingrata. Como acontece com o trabalho de qualquer autor cultuado que vai para as telas, Pastoral Americana convive com esse comparativo. Qualquer cineasta que se aventura em uma empreitada como essa sempre terá que lidar com as injustas comparações com o material de origem. Estando ciente que nenhum realizador cinematográfico conseguirá conferir a fidelidade precisa à escrita do autor, o debut de Ewan McGregor como diretor poderia ter sido visto com olhos mais compreensivos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Pastoral Americana</strong></p>
<p>Adaptar uma obra do escritor Philip Roth é tarefa ingrata. Como acontece com o trabalho de qualquer autor cultuado que vai para as telas, <i>Pastoral Americana </i>convive com esse comparativo. Qualquer cineasta que se aventura em uma empreitada como essa sempre terá que lidar com as injustas comparações com o material de origem. Estando ciente que nenhum realizador cinematográfico conseguirá conferir a fidelidade precisa à escrita do autor, o <i>debut </i>de Ewan McGregor como diretor poderia ter sido visto com olhos mais compreensivos quando estreou no Festival de Toronto ano passado. No longa, McGregor dá vida a um ex-atleta sueco que possui todos os predicados para construir uma vida perfeita nos moldes americanos. Ele se casa com a ex-miss New Jersey, se muda para o interior do país, tem um negócio estável&#8230; O casal, no entanto, tem uma linda filha chamada Merry, que acaba representando a derrocada de todo esse sonho americano. Desde que viera ao mundo, Merry não era &#8220;perfeita&#8221;, sofria de gagueira e na adolescência vivida nos anos de 1970 em plena guerra do Vietnã passa a nutrir ideais muito fortes e discrepantes do protótipo de vida ambicionado por seus pais. No seu conto sobre a derrocada do sonho americano, <i>Pastoral Americana </i>é implacável em todas as suas frentes e com todos os seus personagens, todos eles desconstruídos em suas crenças e ideais aos olhos do público. A adaptação de McGregor perde um certo vigor entre  o final do seu segundo ato e início do terceiro, mas não deixa de ser notável o desempenho dele como diretor, sublinhando a crítica social do trabalho-fonte sem torná-lo panfletário e excessivamente didático.</p>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-7793 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/a-monster-calls-tiff-2.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Sete Minutos depois da Meia-Noite</strong></p>
<p>Não há alívios para o espectador em <i>Sete Minutos depois da Meia-Noite</i>. Mesmo quando a mais recente empreitada do diretor J.A. Bayona (de <i>O Impossível</i>, <i>O Orfanato </i>e da futura sequência de <i>Jurassic World</i>) deseja ser terna, ela é implacável e realista sobre um episódio de dor extrema na infância. O longa baseado no romance de Patrick Ness (que também roteiriza o filme) traz a história de um garoto visitado constantemente por um monstro às zero horas e sete minutos. A intenção da criatura é ajudar o menino a suportar o avanço da doença da sua mãe e entender porque muitas vezes a vida é tão dura conosco. Nesse conto de fantasia com lições morais, o jovem protagonista interpretado com sensibilidade pelo garoto Lewis McDougall aprende como a natureza humana é complexa  e que, em momentos extremos, muitas vezes, somos tomados por demônios que precisam ser liberados de alguma forma. Sem suavizar sua história e facilitar a vida do seu protagonista, Bayona encontra um equilíbrio interessante entre o reforço do drama dos seus personagens e uma atmosfera sombria, algo que beneficia e muito a sua mensagem.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7794" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/experimenter.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>O Experimento Milgram</strong></p>
<p>Polêmico até os dias atuais pelos resultados da sua pesquisa e por seus métodos, Stephen Milgram revolucionou os estudos da psicologia social ao tentar encontrar respostas para a obediência coletiva nas relações sociais. Inspirado pelo evento que antecedeu sua investida acadêmica, a Segunda Guerra Mundial, Milgram tentou demonstrar como há situações nas quais autoridades são obedecidas mesmo que tais ordens contradigam desejos pessoais. O filme de Michael Almereyda (também roteirizado pelo próprio) tem o mérito de levar a público a trajetória intelectual de Milgram. Ainda que traga informações sobre a vida pessoal do biografado, o filme prefere adotar um certo afastamento emocional e se concentra na pesquisa de Milgram. Por um lado, tal decisão é bem-vinda pois Almereyda encontra formas criativas de tornar interessante o percurso exploratório de Milgram em sua questão de pesquisa, como o uso de projeções no lugar de cenários ou a quebra da quarta parede com o excelente Peter Sarsgaard sempre se dirigindo à câmera e, consequentemente, ao espectador. Contudo, a relação do protagonista com sua esposa interpretada por Winona Ryder é deixada para segundo plano, o que torna sua presença uma incógnita no filme, afinal, algumas questões desse relacionamento estão lá, mas jamais são exploradas a contento.  Assim, <i>O Experimento de Milgram </i>mostra-se didaticamente exemplar, porém dramaticamente vacilante.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7795" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/catfight-tiff.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Catfight</strong></p>
<p>A tal da rivalidade feminina parece ter sido uma constante em 2017. Na TV tivemos <i>Feud: Bette e Joan </i>e <i>Big Little Lies</i>, no cinema aquele catastrófico e esquecível <i>Paixão Obsessiva </i>com Rosario Dawson e Katherine Heigl no elenco. <i>Catfight</i> explora com ironia essa temática em um filme de pretensões modestas, mas com um tratamento curioso ao optar pelo humor como chave de condução e por ter atrizes do calibre de Sandra Oh e Anne Heche, que nem sempre recebem as oportunidades que merecem na indústria. Oh e Heche interpretam duas colegas de escola que se detestam e que a partir de uma briga violenta têm suas vidas transformadas drasticamente. O filme de Onur Tukel tem uma mistura interessante de fantasia, humor negro e drama social que pode soar estranha e incomoda para muitos, afinal é, sem o menor vestígio de dúvidas, completamente &#8220;fora da casinha&#8221;. As cenas de agressão entre Oh e Heche são inteiramente absurdas e bem inquietantes por seu flerte sem concessões com a violência. A partir de certo ponto da história fica claro para o espectador que com todo aquele show de excentricidade Tukel quer lançar um holofote para a imaturidade de uma rivalidade que não tem fundamento pois suas duas protagonistas parecem feitas do mesmo &#8220;barro&#8221;. O público ainda vai se deliciar com uma ótima participação de Alicia Silverstone como a namorada da personagem de Heche.</p>
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		<title>Crítica: Sete Homens e um Destino</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Sep 2016 03:00:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antoine Fuqua]]></category>
		<category><![CDATA[Chris Pratt]]></category>
		<category><![CDATA[Denzel Washington]]></category>
		<category><![CDATA[Ethan Hawke]]></category>
		<category><![CDATA[Peter Sarsgaard]]></category>
		<category><![CDATA[Sete Homens e um Destino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hollywood já captou as demandas da sua atual geração de consumidores. Já não dá mais para se apoiar em antigos modelos de narrativa e construção de personagens que relegam ao plano secundário determinados grupos que antes eram tratados tropegamente por suas produções. Ainda que estejamos longe de desconstruir determinados estragos simbólicos que certas construções fizeram na formação de gerações passadas e alguns estratos sociais ainda sejam tabus (os transgêneros, por exemplo), grandes produções como Mad Max: Estrada da Fúria, Star [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Hollywood já captou as demandas da sua atual geração de consumidores. Já não dá mais para se apoiar em antigos modelos de narrativa e construção de personagens que relegam ao plano secundário determinados grupos que antes eram tratados tropegamente por suas produções. Ainda que estejamos longe de desconstruir determinados estragos simbólicos que certas construções fizeram na formação de gerações passadas e alguns estratos sociais ainda sejam tabus (os transgêneros, por exemplo), grandes produções como <i>Mad Max: Estrada da Fúria</i>, <i>Star Wars: O Despertar da Força</i>, <i>Caça-Fantasmas </i>e, futuramente, <i>Mulher-Maravilha</i>, conforme sublinha o seu primeiro trailer, são títulos que contemplam como protagonistas personagens que há um tempo atrás não teriam tanto tempo na tela, fazendo com que suas presenças na trama sejam uma pertinente crítica a modelos de representação da antiga Hollywood.</p>
<p>Claro que esta nova perspectiva tem relação com as atuais demandas do mercado vinculadas às palavras de ordem do momento, o &#8220;empoderamento&#8221; e a &#8220;representatividade&#8221;,  não sejamos inocentes. Claro também que parte desse ímpeto não é novo e, em outras ocasiões, minorias foram contempladas (o próprio <i>Sete Homens e um Destino </i>de 1960 é prova disso), mas não com o protagonismo simbólico que elas vêm assumindo nessas fitas que outrora eram representantes do machismo, xenofobia e toda sorte de preconceito dos seus próprios consumidores médios. Fora isso, não interessa se partidariamente você é de direita ou esquerda, representatividade importa e é positivo que as grandes produções, aquelas que são consumidas por muitas pessoas, estejam atentas e alertas sobre tais questões, afinal, elas serão referências para as futuras gerações</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O <i>remake </i>de <i>Sete Homens e um Destino</i>, que, vale sempre frisar, já era um <i>remake </i>de <i>Os Sete Samurais </i>de Akira Kurosawa,<i> </i>surge nessa leva. No seu grupo de justiceiros temos um negro (Denzel Washington, excelente), um irlandês, um índio, um mexicano, um oriental e, por tabela, uma mulher. Todos representantes de estratos que passaram por maus bocados nas mãos do homem branco endinheirado. O grupo chega aqui para cumprir a meta de fazer o seu algoz pagar por anos de humilhação sofridos na construção da América.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6705" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/09/themag.jpg" alt="themag" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>No final das contas, o novo <i>Sete Homens e um Destino </i>trata de fazer uma reparação histórica. Pela via da representatividade que o filme consegue se destacar e passar longe do estigma de que os <i>remakes </i>são sempre peças vazias de originalidade, propósito e atualização da sua própria história, ou seja, mera reprodução ou simplesmente uma grande mancha no legado e no espírito do seu original. <i>Sete Homens e um Destino </i>consegue ter respeito com os filmes de John Sturges e Akira Kurosawa, mas também encontra seu próprio caminho e não é excessivamente subserviente com o material de origem, realizando as alterações que entende serem necessárias e firmando com muito respeito ao público e aos fãs dos antecessores os seus próprios termos.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>A premissa do filme se mantém. Um grupo de pistoleiros se reúne para defender um povoado que anda sendo vítima da exploração e dos mandos e desmandos de homens violentos, aqui, comandados por um frio usurpador de terras, interpretado pelo sempre interessante Peter Sarsgaard (de filmes como <i>A orfã </i>e <i>Educação</i>). Diferente do americano de 1960, a versão do diretor Antoine Fuqua (de <i>Dia de Treinamento </i>e <i>Nocaute</i>) não tem como vítima um vilarejo de mexicanos, mas uma comunidade qualquer americana que tem como principal empreendedora da busca por justiça a obstinada viúva Emma Cullen (Haley Bennett). A composição do grupo dos sete justiceiros também é alterada e novos personagens são apresentados nessa versão, o que é bem positivo, por sinal.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Como <i>western</i>, <i>Sete Homens e um Destino </i>mostra-se formalmente aplicado. Fuqua preserva as convenções do gênero com as angulações dos seus planos, a lógica e a composição dos planos e contra planos,  os seus jogos de luzes, a sua decupagem e a encenação das suas cenas de ação. Contudo, como já sinalizado linhas atrás, o grande achado da nova versão desta história é toda a sua construção simbólica no entorno desse intuito de reparação, que fica ainda mais claro no destino do vilão do longa.</p>
<p>Mesmo que Quentin Tarantino já tenha realizado isso em um <i>western</i> com <i>Django Livre</i>, por exemplo, continua sendo Tarantino, ele é pop, mas não é do &#8220;paladar&#8221; de todo o público médio que vai ao cinema. Além disso, cá para nós, o filme de 2012 do cultuado diretor tinha um prolongamento desnecessário da sua trama. <i>Sete Homens e um Destino </i>realiza os mesmos propósitos  de maneira igualmente enfática, porém mais simples, acessível a outras plateias e sem as fortes tintas da marca do diretor-autor. É a reparação histórica à serviço do cinema comercial, do <i>blockbuster </i>médio hollywoodiano, envolto pela embalagem de um delicioso entretenimento. Isso é bastante poderoso.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/PmpOv2G1WZA" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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