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	<title>Arquivos Panorama - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Panorama - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Deyse Ex machina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 16:59:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É impressionante como se confunde muito ter um brainstorming promissor com uma boa ideia de filme. Deyse ex machina é um abarrotado de idéias, mal filmadas, que se salva apenas por um único fator: a atriz protagonista. O que a equipe do curta-metragem de Jasmelino de Paiva quer contar? A história gira em torno de Deyse, que decide parar de fumar, no dia de seu aniversário de 55 anos. E é isso. Nada mais. O único conflito explorado é a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É impressionante como se confunde muito ter um brainstorming promissor com uma boa ideia de filme.</p>
<p style="font-weight: 400;">Deyse ex machina é um abarrotado de idéias, mal filmadas, que se salva apenas por um único fator: a atriz protagonista.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O que a equipe do curta-metragem de Jasmelino de Paiva quer contar? A história gira em torno de Deyse, que decide parar de fumar, no dia de seu aniversário de 55 anos. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">E é isso. Nada mais. O único conflito explorado é a vontade de fumar de Deyse. </span><span style="font-weight: 400;">Apesar de alguns elementos sobre a vida dela serem jogados na trama, eles não são desenvolvidos.</span></p>
<p>Não existe aqui uma construção de narrativa coesa e concreta, apesar da obra se apresentar dentro de uma lógica cinematográfica tradicional.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">As vivências, os conflitos e o cotidiano da personagem principal são trazidos, ou melhor, comentados brevemente, sem trazer reflexão ou investigação. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Um exemplo é a questão do filho de Deyse, que parece um problema, mas ao final da exibição, não fica nítida a razão de sua angustia pela ausência do menino. Ele aparece faceiro e risonho apenas.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Na verdade, Deyse passa o curta inteiro de um lado para o outro, porém ela não tem um propósito definido e não sofre nenhuma transformação.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, olhando para toda essa lógica ,a produção poderia ofertar um prazer sensorial estético. O cinema tem dessas! </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">No entanto, visualmente o filme também incomoda. O constante uso de câmera na mão tira o ritmo das cenas. </span>Se não existe equilíbrio visual e de velocidade, não há um resultado rítmico apropriado.</p>
<p style="font-weight: 400;">Na maioria das vezes, é necessário parar, criar um respiro, e situar o público sobre a história que se quer contar.</p>
<p style="font-weight: 400;">Além disso, o uso da luz parece equivocado. <span style="font-weight: 400;">Além da iluminação estar quase sempre direcionada para o lugar de menor atenção, ela não cria sentido junto com os enquadramentos.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"> Um exemplo, é a cena em que Deyse conversa em uma mercearia. Atrás das atrizes centrais para a sequência, tudo está estourado. Já elas, ficam no escuro.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Durante toda a sessão resta essa impressão de que a equipe fez tudo de forma muito amadora, que falta zelo narrativo e apuro estético. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Mas, a exibição não é um pesadelo dantesco, porque Diva Gonçalves aparece para criar o mínimo de sentido dramatúrgico para sua personagem.</span></p>
<p style="font-weight: 400;">Com consciência de como se posicionar para câmera, Diva consegue criar retenção e deslocamento coesos, mesmo com a ausência de steadicam, que faz a imagem não para de se mexer.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Enquanto a intérprete dirige ou caminha, a sua respiração é trabalhada de tal forma que sua voz sai com organicidade.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A plateia consegue vislumbrar quem Deyse é, porque Diva traz elementos da personalidade desta figura de forma vibrante. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Um exemplo é quando ela encontra seu amigo Pão de Mel. A cadência da fala se transforma, enquanto o rapaz vai dialogando com ela.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que Diva imprime tensão, ela convoca vulnerabilidade ao seu papel, ao mesclar titubear com tons graves na fala. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Assim, a atriz revela um conhecimento de criação de personagens e entrega um bom resultado. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ainda que <em>Deyse ex machina</em> não siga o mesmo caminho que o de Diva, a projeção pode ser proveitosa para alguns. </span>Talvez, atrizes e atores iniciantes possam olhar para este título como um material de estudo.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Porque, a verdade do audiovisual é que nem sempre as melhores condições de trabalho serão entregues, diversas vezes as equipes possuem ideias inexequíveis, porém a entrega do elenco tem que ser profunda e completa. E Diva mostra aqui como é que se faz!</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Jasmelino de Paiva</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Diva Gonçalves, Juliana Sena, Nilton Resende</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="Deyse Ex Machina (trailer)" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/HRpFpE-N-Yc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>XVI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: A Metamorfose dos Pássaros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Mar 2021 14:03:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com narrações que seguem o fluxo da narrativa, A Metamorfose dos Pássaros é um docudrama sobre amor e memória. Com uma quase ausência de diálogos, o longa-metragem português, escrito e dirigido por Catarina Vasconcelos, amarra sua trama através dos pontos de vista de cada personagem, em períodos distintos. Inspirada em sua própria família, Vasconcelos revela lentamente os sentimentos que unem machucam, sufocam e aliviam aqueles que lhes são tão caros. Esta explosão de sensações, no entanto, é posta de maneira [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com narrações que seguem o fluxo da narrativa, <strong><em>A Metamorfose dos Pássaros</em></strong> é um docudrama sobre amor e memória. Com uma quase ausência de diálogos, o longa-metragem português, escrito e dirigido por Catarina Vasconcelos, amarra sua trama através dos pontos de vista de cada personagem, em períodos distintos. Inspirada em sua própria família, Vasconcelos revela lentamente os sentimentos que unem machucam, sufocam e aliviam aqueles que lhes são tão caros. Esta explosão de sensações, no entanto, é posta de maneira poética e sensível. Nesta mescla de temporalidades, colocadas em transições marcadas por mudanças de narrador e de faixa etária dos atores que representam estes familiares, há também uma mistura de composições de tons.</p>
<p>Ao explorar imagens externas de espaços da natureza, em paralelo à capturas da residência antiga de seus familiares, Vasconcelos consegue imprimir toda a melancolia presente no processo de perda e luto, mas também em revelar o carinho guardado que todos nós podemos ter e como as emoções e recordações moram também nos detalhes. Em um dos depoimentos que surgem durante a projeção, por exemplo, escutamos a falta que Jacinto (Henrique Vasconcelos) sente em dizer a palavra “mãe”. Enquanto ele conta isso, o quadro está fixo em um rio onde uma mulher se banha.</p>
<p>Uma possível interpretação – dentro deste contexto tão cheio de mensagens diretas, porém com amplitudes de significados pela maneira como são trazidas –, é que a natureza faz parte de nós e continuamos a existir para todo sempre. Em uma das passagens do longa, inclusive, este pensamento é transmitido em um texto sobre longevidade de cada espécie do planeta. Há na produção todo um questionamento sobre a existência e as surpresas, positivas e negativas, que aparecem pelo caminho. Toda esta complexidade que transborda na tela vem de uma aparente consciência de Vasconcelos com o material que ela tem nas mãos.</p>
<p>A começar por sua capacidade de costurar as vivências de cada figura importante para a trama, manejando aspectos práticos da escrita, sem perder a sensibilidade necessária para o universo ficcional que foi criado. A cada passagem temporal, o público conhece mais alguém daquela família: avô, avó, pai, a própria Catarina – aqui chamada de Beatriz – e seu irmão. A confirmação da consciência de sua construção chega ainda dentro do filme, quando Catarina conversa com Henrique sobre suas escolhas de roteiro. “Por que o nome Jacinto?”, seu pai questiona. E ela dialoga com ele, em poucos instantes, explicando alguns detalhes sobre suas estratégias para o roteiro, deixando  mais nítido que os elementos selecionados ali não foram por acaso. Talvez, estas informações entreguem um pouco demais sobre o processo de criação, mas isto não diminui a obra. Pelo contrário. Há tanta sutileza, que esta chamada para a realidade palpável fomenta mais a complexidade do filme.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13837" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/A-metamorfose-dos-passaros_destaque.jpg" alt="A Metamorfose dos Pássaros" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/A-metamorfose-dos-passaros_destaque.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/A-metamorfose-dos-passaros_destaque-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/A-metamorfose-dos-passaros_destaque-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/A-metamorfose-dos-passaros_destaque-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Outra característica importante de ser ressaltada é a decupagem. Os planos compõem os textos falado. É como se o espectador escutasse vozes lendo um livro (ou um diário) e as imagens no ecrã são quase como que criadas pela imaginação. Os enquadramentos mais fechados em olhos e em detalhes do cenário aproximam o público da narração e ampliam esta sensação de que somos nós que criamos com nossa mente a junção de imagens ali montadas. Desta maneira, o resultado geral de<strong><em> A Metamorfose dos Pássaros</em></strong> é intenso e provocativo. Ele desafia quem assiste a se desprender do real, para contar algo que foi, de fato, inspirado na realidade.</p>
<p>Em sua linguagem preenchida de metáforas, há um refinamento imagético, seja pela criatividade em conseguir traduzir o que está sendo dito, sem ilustrar ou reiterar a narração, o maior ganho aqui é a contraposição da forma direta como o texto é escrito e dito, com a poeticidade das imagens. Se algo um pouco incômodo pudesse ser apontado, talvez seria o esgarçamento de suas estratégias e até mesmo da continuidade da história. Em um dado momento, chega uma impressão de que a conclusão passou do ponto.</p>
<p>Na tentativa de não deixar algumas coisas de fora, a dinâmica da obra se torna previsível. Nesta previsibilidade, há uma queda qualitativa e perda do impacto que as mudanças de narrador conseguem realizar anteriormente. Outra questão importante é a exposição excessiva em partes específicas do enredo. Vasconcelos não subestima o seu consumidor na maior parte do tempo. Contudo, certas explicações são repetidas da maneira exaustiva. Ainda assim, não são caminhos que comprometem <strong><em>A Metamorfose dos Pássaros</em></strong> em sua totalidade.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Catarina Vasconcelos</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/H6MtkI0JS0Q" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Confira nossas críticas de festivais <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/festival/"><em><strong>aqui</strong></em></a>!</p>
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		<title>XVI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Vil, Má</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Mar 2021 22:15:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Continuando a sua tradição de trazer documentários focados em uma única personagem central – como em Lembro mais dos Corvos e Rosa Azul de Novalis – , Gustavo Vinagre agora conta a história de Edivina Ribeiro, também chamada de Wilma Azevedo, seu pseudônimo, em Vil, Má. Jornalista e escritora, Edivina ficou conhecida por suas publicações de histórias eróticas, vinculadas desde os anos 1970. Com 74 anos, na época em que o filme foi rodado (2014), ela conta um pouco de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando a sua tradição de trazer documentários focados em uma única personagem central – como em Lembro mais dos Corvos e Rosa Azul de Novalis – , Gustavo Vinagre agora conta a história de Edivina Ribeiro, também chamada de Wilma Azevedo, seu pseudônimo, em <em><strong>Vil, Má</strong></em>. Jornalista e escritora, Edivina ficou conhecida por suas publicações de histórias eróticas, vinculadas desde os anos 1970. Com 74 anos, na época em que o filme foi rodado (2014), ela conta um pouco de sua trajetória, tanto sobre sua vida pessoal como profissional.</p>
<p>Em uma mescla entre realidade e ficção, Vinagre nos convida a olhar para essa mulher, para seus dramas, polêmicas, fortalezas e fragilidades. De maneira um tanto simples, as memórias de Edivina/Wilma se tornam palpáveis para o espectador. Os recursos evocados podem não ser tão inventivos, como se é esperado do realizador, mas eficazes, no geral. A figura central da obra é vista, majoritariamente, sentada, em uma cadeira pomposa, em um ambiente com elementos dourados e parede rosa. Esta estratégia de ser enxuto em sua forma funciona até certo ponto. Há, aqui, uma garantia de imersão com a trama, pois o foco fica sendo inteiramente dela.</p>
<p>Dentro da sua fala, Edivina/Wilma conta relatos tão pesados em uma voz tão tranquila, que, de fato, os quadros parados e fixos nela, são quase uma apresentação de falta de escapatória do que está sendo contado. Sem fugas para outros elementos, não há alívios, em boa parte da projeção. Neste sentido, há um contraponto observado nisto. As informações, em toda sua intensidade, podem tornar a exibição cansativa e até repetitiva. A falta de respiro dilui a força em alguns momentos, como quando o longa traz uma espécie de reset e pontos específicos do enredo são convocados outra vez. Neste retorno, a reiteração acrescenta menos à <em><strong>Vil, Má</strong></em> do que colabora.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13832" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Vil, Má" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Há uma sensação de ausência de certeza sobre as motivações das escolhas, ainda que estas sejam conscientes. É curioso observar como o fator que marca a produção é tanto o seu elemento de maior qualidade, quanto de maior incomodo. O foco em Edivina/Wilma, o tempo de tela com o olhar voltado para ela, as idas e vindas da narrativa, prendem a atenção e a fazem escapar. No entanto, neste contexto, ainda exista uma busca para imprimir uma complexidade ali. Isto se dá a partir da presença da atriz Juliane Elting, como Wanda.</p>
<p>Elting vem para ler trechos dos contos de Wilma. Ela chega também para cumprir um papel de pessoa comandada por Wilma, em alguns trechos. Esta participação contribui para deixar transparecer mais amplamente traços da personalidade de Edivina/Wilma. Os comandos dados por ela para Elting – e até mesmo para a direção – fomentam a construção do imaginário desta mulher, do que ela foi e nunca deixou de ser. Além disso, é o que traz o mínimo de relaxamento para a projeção, em seus 90 minutos.</p>
<p>No geral, pode-se dizer que <strong><em>Vil, Má</em></strong> merece ser visto. Valendo-se da força de sua protagonista, ele captura o desejo de quem assiste de acompanhar o desenvolvimento do que está sendo mostrado. Ainda que apresente quedas e pouca engenhosidade, descobrir mais sobre Edivina Ribeiro e procurar desvendar onde está a fantasia e a realidade na obra cativam e encantam o público.</p>
<p><strong>Diretor</strong>: Gustavo Vinagre</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Edivina Ribeiro, Juliane Elting</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/iizBKmKfV-g" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>Confira nossas críticas de festivais <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/festival/"><em><strong>aqui</strong></em></a>!</p>
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		<title>Especial: Curtas- XV Panorama Internacional Coisa de Cinema</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/especial-curtas-xv-panorama-internacional-coisa-de-cinema/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Nov 2019 21:09:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre os dias 30 de outubro e 06 de novembro, aconteceu, em Salvador e Cachoeira, o Festival Internacional Panorama Coisa de Cinema. Em sua 15ª edição, o evento trouxe a exibição de longas e curtas-metragens baianos, nacionais e internacionais. Baseando-se nos oito dias de projeções acompanhadas em terras soteropolitanas, a autora deste especial selecionou os curtas que mais chamaram a sua atenção, dentro das obras escolhidas pela curadoria do próprio Panorama. Entre trabalhos das competitivas com obras brasileiras e especificamente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre os dias 30 de outubro e 06 de novembro, aconteceu, em Salvador e Cachoeira, o <em><strong>Festival Internacional Panorama Coisa de Cinema</strong></em>. Em sua 15ª edição, o evento trouxe a exibição de longas e curtas-metragens baianos, nacionais e internacionais. Baseando-se nos oito dias de projeções acompanhadas em terras soteropolitanas, a autora deste especial selecionou os curtas que mais chamaram a sua atenção, dentro das obras escolhidas pela curadoria do próprio Panorama.</p>
<p>Entre trabalhos das competitivas com obras brasileiras e especificamente apenas da Bahia, cinco produções foram destacadas neste texto. Confira!</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11892" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1394844.jpg" alt="Negrum3" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1394844.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1394844-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1394844-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Negrum3</strong>: Trafegando por diferentes linguagens para retratar um mesmo tema, o diretor Diego Paulino traz em seu trabalho o que significa a existência e a ocupação de espaço dos corpos negros, principalmente daqueles que fazem parte da comunidade LGBTQ+. Trazendo o afro futurismo, Paulino inicia a projeção com uma performance da protagonista, que se olha o espelho, num cenário neutro, cheio de figurinos. Inicialmente, os quadros são mais parados, majoritariamente com planos médios. Enquanto os discursos sobre o racismo, homofobia e transfobia vão sendo expostos no filme, a dinâmica torna-se uma crescente, que explode na tela, junto com as angústias da personagem, seguidas do letreiro inicial. A partir daí, chega a parte dois e vê-se a Eric mais delineada dentro de algo mais voltado para seu cotidiano, suas preferências de maquiagem e estilo, suas vivências. A estética chega mais próxima do documental. É possível perceber também que os coloridos começam a adentrar nas sequências. Por fim, vem o clímax do trabalho, quando a Aretha Sadick e a Eric cantam e dançam, em um espetáculo de cores, temperaturas e musicalidade. Apesar da estrutura blocada trazer uma sensação de falta de amarração na costura da narrativa, cada ato se basta e poderia ser uma produção audiovisual com elementos técnicos e discursivos de qualidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11890" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/20190902-ilhas-de-calor-papo-de-cinema-3-750x421.jpg" alt="Ilhas de Calor" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/20190902-ilhas-de-calor-papo-de-cinema-3-750x421.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/20190902-ilhas-de-calor-papo-de-cinema-3-750x421-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/20190902-ilhas-de-calor-papo-de-cinema-3-750x421-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Ilhas de Calor:</strong> Adolescência, risadas, solidões e preconceitos. Iniciando o curta com a poesia de Fabrício, personagem central de trama, o diretor Ulisses Arthur (<em>CorpoStyleDanceMachine</em>) instala imediatamente o tom da obra. O cineasta traz um olhar realista, porém sensível sobre as homofobias e transfobias “cotidianas”, aquelas que aparecem em uma risada ou uma exclusão dentro de alguma atividade diária que poderia ser vivida com tranquilidade. Apresentando-se como uma pessoa quieta e observadora, Fabrício traz o silêncio consigo, mas isto é transmitido sem trazer uma personalidade preenchida de passividade. Pelo contrário, a sua firmeza vem até acompanhada de embates físicos e verbais, quando seu corpo ou seu caminho são invadidos por algo ou alguém. Mesmo com uma temática forte e dolorosa, o espírito da juventude está presente. Seja no <em>rap</em>, que revela preocupações dos jovens contemporâneos, no empurra empurra para ver quais colegas estão ficando na área escondida da escola ou na <em>crush</em> incerta que Fabrício tem por Anderson. Ao mesmo tempo, a obra não equipara a vida e sentimentos de todos os estudantes aos de Fabrício, que em sua poesia, sua postura corporal e o grito quase final em forma de canção cravam na tela que o olhar e as atitudes da sociedade chegam-lhe diferentes e machucam, mas não sem ter muita luta para enfrentar tudo isto. Para contar esta história e transmitir estas sensações, a equipe se vale dos usos dos <em>zooms in</em> e <em>out</em>, do jogo com ambientes mais ensolarados e mais escuros e a câmera mais estática ou que se movimenta em <em>travelings</em> ou câmera na mão, enclausurando e libertando a personagem principal a todo instante.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone" title="Rã" src="https://scontent.fssa2-2.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/70999999_10157525600284297_9139464314514571264_n.jpg?_nc_cat=100&amp;_nc_oc=AQl2CUuSz6-WnfkFrGorGbyrFKFTNiTP6bePylBc6CQbUxyx_B-n8KrTTw2q6b4ayfQ&amp;_nc_ht=scontent.fssa2-2.fna&amp;oh=aeccd2702d62bfa8c8b520b8a6015703&amp;oe=5E5521AB" alt="Rã" width="960" height="539" /></p>
<p><strong>Rã:</strong> Dirigido por Ana Flávia Cavalcanti e Juli Zakia, o filme mostra a história de uma família, composta por uma mãe e duas filhas, e a casa que elas moram. Este ambiente é uma espécie de <em>start</em> para a trama. A partir dali, vê-se um cotidiano de luta por parte da matriarca para manter as suas crias. A relação dela com os amigos também parece ser de laços fortes. A forma como a narrativa se encaminha, numa crescente &#8211; ainda que também comece com uma cena forte -, revela a consciência sobre progressão impressa no roteiro. A aproximação com a realidade de lares brasileiros também vem do fato de Cavalcanti trazer para o audiovisual uma lembrança de sua infância e do momento de felicidade que teve, apesar do pouco dinheiro que tinha. Este tipo de detalhe relacionado aos recursos financeiros das personagens é notado também na equipe de Direção de Arte e Figurino. O olhar é minucioso ao mostrar, por exemplo, com o quê as meninas brincam, a farda que é também é usada como pijama ou nas bacias nas quais a carne é levada. A direção é correta e simples, sem grandes firulas, assim como o enredo. Mas, o ganho aqui é na sensibilidade de como contar a história e as miudezas que engrandecem o relato filmado e aproximam o espectador da vivência das pessoas que estão sendo retratadas na produção.</p>
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<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11894" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1_EoKa2jVJ8eoghC-IXjptJA.jpeg" alt="Eu, Minha Mãe e Wallace" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1_EoKa2jVJ8eoghC-IXjptJA.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1_EoKa2jVJ8eoghC-IXjptJA-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1_EoKa2jVJ8eoghC-IXjptJA-360x240.jpeg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Eu, Minha Mãe e Wallace:</strong> Dirigido pelos Irmãos Carvalho (<em>Chico</em>), o filme mostra um pai que encontra a sua filha e a mãe dela, depois de passar onze anos preso. Apesar do curta demorar um tanto para engatar e não entregar o protagonismo que o título parece demonstrar com o “Eu”, a obra está nesta lista por alguns fatores. O primeiro ponto destacável são as atuações de Noemia Oliveira (<em>A Guiana Sumiu</em>) e Fabrício Boliveira (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-simonal/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Simonal</em></a>). Entre pausas e olhares que se encontram e se afastam, a dupla consegue demonstrar a dinâmica de um casal que esteve junto, mas há muito tempo, como se a conexão ainda existesse entre os dois, porém com o medo e a dúvida também se fazendo presente, além dos embates de olhares. Outro fator importante é a fotografia de Safira Moreira (<em>Travessia</em>), que demonstra a consciência de que está é uma produção na qual a foto tem um alto significado, as escolhas de Moreira transmitem a mistura de nostalgia, melancolia e esperança que as personagens parecem demonstrar em seus diálogos, corpos e expressões. Algo que também pode fazer o público lembrar da própria relação com a fotografia analógica, a memória e a família.</p>
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<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-11893 size-full" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/75196curta-metragem-baiano-e-selecionado-para-festival-de-cinema-internacional-3.jpg" alt="Panorama Internacional Coisa de Cinema" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/75196curta-metragem-baiano-e-selecionado-para-festival-de-cinema-internacional-3.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/75196curta-metragem-baiano-e-selecionado-para-festival-de-cinema-internacional-3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/75196curta-metragem-baiano-e-selecionado-para-festival-de-cinema-internacional-3-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Necropolis</strong>: Em um mundo distópico, apocalíptico e cheio de zumbis, Milena (Ruth Maciel) precisa sobreviver no semiárido nordestino. Preenchido de recursos estilísticos do terror, como uma panorâmica vertical, com <em>zoom out</em> que traz um plano geral, ao lado de uma música incidente de tensão, que revela que o local na qual história se passa está inóspito, assim como acontece no início desta projeção. O diretor, ítalo Oliveira, consegue transmitir o medo e a luta da protagonista, não apenas nos instantes de desespero dela, como nas escolhas de locação, de caracterização da personagem e dos momentos que os ruídos em meio ao silêncio aparecem. O único ponto que a qualidade da obra cai é no <em>flashback,</em>com diálogo expositivo e atuação artificial, que traz um tom didático e de fala arrastada, quase como se buscasse desenhar para o público o discurso que deseja ser transmitido. Porém, sem esta sequência, <em>Necropolis</em> já é claro no que ele pretende tratar, seja de luta, resistência ou força.</p>
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