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	<title>Arquivos Oxigênio - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Oxigênio (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 May 2021 15:06:19 +0000</pubDate>
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<p class="wp-block-paragraph">Um labirinto no qual a saída parece impossível. Na abertura de <strong><em>Oxigênio</em></strong>, o espectador pode logo entender que encontrará na narrativa a revelação de caminhos tortuosos, difíceis de se escapar. E ele não estará equivocado. Em 1h40 de projeção, o público acompanha o sufocamento e a clausura da protagonista, Liz (Mélanie Laurent, <em>Bastardos Inglórios</em>), ao se deparar presa dentro de uma câmara criogênica. Sem memória de sua vida pregressa, ela tenta escapar incessantemente daquele espaço apertado. É curioso observar as estratégias da direção e da fotografia para evocar sensações e pensamentos angustiantes em quem assiste.</p>
<p>A começar pela própria ideia de aprisionamento duplo, sendo o segundo pior que o primeiro. Quando o filme começa, acompanha-se Liz saindo de uma espécie de casulo, procurando respirar. A vontade imediata é a de que ela consiga fugir o mais rápido possível. No entanto, o que o roteiro entrega é, justamente, o oposto. Entre planos fechados e cores que oscilam entre o azul piscina e o vermelho, a progressão cresce acelerada, trazendo toda a angústia da personagem principal à tona e aumentando as suas expressões e ações corporais. Os tons vêm como alertas e relaxamentos constantes, lembrando que há a iminência de perigo, dividida entre a esperança de fuga.</p>
<p>Esta dinâmica se junta à respiração crescente de Laurent e seus movimentos corporais bruscos, ao lado de quadros fixos e fechados. Assim é construída a atmosfera ideal para este tipo de produção. Estes reforços de foco para esta situação de pânico são fomentados com pistas úteis para a personagem e para quem acompanha a sua aventura mórbida. Até a metade do longa-metragem estas dicas sobre a resolução do mistério da presença de Liz na câmara funcionam e impulsionam a qualidade do roteiro de <strong><em>Oxigênio</em></strong>.</p>
<p>No entanto, estes recursos – como as aparições de ratos de laboratório ou as ligações do policial – se tornam tão repetitivos que deixam de ser um toque sutil e passam a deixar a trama e seu desfecho cada vez mais óbvio. Após a entrada do segundo ato, os elementos que antes pareciam ser um caminho para o alcance de um ápice, até seu desenlace, ficam esgarçados, quebrando a sua velocidade e afetando o ritmo da obra como um todo. O que acontece aqui são idas e vindas desnecessárias.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14114" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Oxigenio-filme-netflix-critica.jpg" alt="Oxigênio" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Oxigenio-filme-netflix-critica.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Oxigenio-filme-netflix-critica-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Oxigenio-filme-netflix-critica-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Oxigenio-filme-netflix-critica-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Talvez, se os diálogos dos telefonemas de Liz ocorressem de forma mais direta, fosse menos cansativo vê-la perceber o que já fica nítido bem antes do final do longa. Um investimento que, provavelmente, funcionaria seria o de deixar os poucos coadjuvantes que existem ali menos rasos. Até mesmo a Liz não apresenta tanta subjetividade. Desta maneira, a produção consegue se fazer efetiva em partes, mas não sustenta a sua própria criação de universo ficcional, seja por colocar contextos pouco explorados – como no caso do colapso mundial que porá fim a humanidade na Terra –,na presença desta corporação que não aparece muito definida em suas intenções ou em Liz e em quem a cerca naquele cenário aterrorizante.</p>
<p>Há, porém, um esforço visível em utilizar a técnica à favor da criação de suspensão. Alexandre Aja (<em>Alta Tensão</em>), que possui uma carreira no gênero terror, chega em <strong><em>Oxigênio </em></strong>mais habilidoso. Desde o seu honesto <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-predadores-assassinos/"><em>Predadores Assassinos</em></a> (2019), o cineasta parece buscar focar com mais intensidade na figura humana do que no que lhes acomete. Seja na precisão na escolha de quando movimentar a sua câmera, como na decupagem no geral, Aja vem numa fase um pouco mais econômica e esta característica tem elevado a potencialidade de sua direção, pois há um equilíbrio maior agora entre os momentos de tensão e relaxamento colocados na tela.</p>
<p>Além disso, um outro ponto destacável em <strong><em>Oxigênio </em></strong>é a interpretação de Laurent, que apresenta dignidade. É notável a sua consciência em imprimir as descobertas e medos de Liz gradativamente. O seu trabalho de corpo também impressiona. Com poucas possibilidades de locomoção e com a tarefa de transmitir a sua atuação, quase completamente, com o rosto, ela não deixa de criar nuances para cada momento distinto de Liz dentro da câmara, tão pouco realiza uma tônica única de pânico. Existem distinções em suas partituras faciais e nas tonalidades vocais, fazendo com  que diversas cartelas de pavor sejam expressadas.<br /><br /><strong>Direção</strong>: Alexandre Aja</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Mélanie Laurent, Mathieu Amalric, Malik Zidi </p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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