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	<title>Arquivos Mostra de Cinema de Tiradentes - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Mostra de Cinema de Tiradentes - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>25ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Azulscuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jan 2022 17:23:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Existem muitos riscos corridos dentro de Azulscuro. Um deles se dá pelo fato da verticalização da tela durante toda a sua duração. O que é assumido como estratégia, poderia ficar cansativo ou repetitivo, mas aqui funciona por dialogar o objetivo principal da obra: o de colocar o público mais próximo da perspectiva da personagem principal. A escolha de convocar a ideia de que se está acompanhando tudo que aparece na tela do celular da protagonista, Sofia (Larissa Bocchino), o tempo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Existem muitos riscos corridos dentro de <em><strong>Azulscuro</strong>. </em>Um deles se dá pelo fato da verticalização da tela durante toda a sua duração. O que é assumido como estratégia, poderia ficar cansativo ou repetitivo, mas aqui funciona por dialogar o objetivo principal da obra: o de colocar o público mais próximo da perspectiva da personagem principal. A escolha de convocar a ideia de que se está acompanhando tudo que aparece na tela do celular da protagonista, Sofia (Larissa Bocchino), o tempo inteiro, remete ao clássico <em>A Bruxa de Blair</em> (1997) ou até mesmo ao recente <em>Host</em> (2020).</p>
<p>O fato é que este tipo de estratégia também pode falhar por evocar alguma artificialidade, por não sustentar a tensão necessária ou por esvaziar o sentido da própria narrativa. Neste curta-metragem de terror mineiro, tudo que há é suspensão. Desde o início do filme, a construção da atmosfera de medo é bem elaborada. A utilização da figura mística ao fundo de Sofia, as luzes que falham ou a expectativa de uma mensagem de celular, que pode ser assustadora, as estratégias para criar progressão nos acontecimentos e a instalação do pânico em Sofia funcionam.</p>
<p>As seleções dos enquadramentos e as escolhas de iluminação são as chaves para que os efeitos alcancem os resultados desejados. A estrutura do roteiro também fomenta esta característica da produção.  O arco de Sofia e o seu conflito por não saber o que realmente ocorreu com sua irmã – que morreu de forma misteriosa – são trabalhadas de tal maneira para que espectador vá descobrindo o que é este fenômeno sobrenatural, juntamente com ela. Não há nada de novo aqui, porém são caminhos antigos utilizados conscientemente.</p>
<p>O único problema em <em><strong>Azulscuro</strong></em>, que acaba por comprometer a sua qualidade, é que em toda a compreensão de decupagens de obras de terror e de construção de universo ficcional, o foco para o enredo vai se perdendo. O que os roteiristas Evandro Caixeta – também um dos diretores aqui – e André Oliveira queriam contar? Para além dos sustos e de deixar a plateia nervosa em seus quinze minutos de projeção, qual é verdadeiramente o conflito de Sofia e Alice e para qual local esta história quer chegar?</p>
<p>Em meio aos jogos de luzes e diálogos sobre uma ameaça que está por vir, da figura demoníaca e dos textos com frases de impacto, a obra parece vazia de sentido concreto. No final das contas, o pavor se dissipa ao final da sessão e torna a experiência menos prazerosa, justamente porque parece que o curta não sabia com o que estava lidando e a sua conclusão acaba por fomentar isto. Chega a ser um tanto bobo seu encerramento de <em><strong>Azulscuro</strong></em>, que tenta deixar um espaço para que quem assista complete o enigma, porém faltaram peças durante exibição para que a estratégia funcionasse.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Evandro Caixeta e João Gilberto Lara</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Larissa Bocchino, Lavínia Bocchino</p>
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		<title>25ª Mostra de Cinema Tiradentes: O Resto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jan 2022 13:16:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dona Iolanda vai para uma consulta médica e lá fica ciente de que foi considerada pelo Estado como morta. Diante desta descoberta, ela começa a tentar a reverter a situação. É sobre esta luta da protagonista em voltar para vida que trata o documentário de Pedro Gonçalves Ribeiro. Todavia, o curta-metragem O Resto é mais que isso. Em um misto de sensibilidade, tom poético, reflexões sobre Belo Horizonte e o próprio processo de envelhecimento, a figura central da obra é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Dona Iolanda vai para uma consulta médica e lá fica ciente de que foi considerada pelo Estado como morta. Diante desta descoberta, ela começa a tentar a reverter a situação. É sobre esta luta da protagonista em voltar para vida que trata o documentário de Pedro Gonçalves Ribeiro. Todavia, o curta-metragem <em><strong>O Resto</strong> </em>é mais que isso.</p>
<p>Em um misto de sensibilidade, tom poético, reflexões sobre Belo Horizonte e o próprio processo de envelhecimento, a figura central da obra é tratada com pluralidade. Entre imagens de Iolanda, a revolta e incredulidade da mesma diante da sua situação e suas memórias, o Universo mostrado na tela é expandido.</p>
<p>Se para Minas Gerais ela está morta, Minas também está morrendo para ela. Pedaço por pedaço do lugar que conhecia está sendo substituído. O seu mundo está desaparecendo progressivamente. São dois fantasmas que envelhecem, como Pedro diz em sua narração.</p>
<p>E este sentimento transborda na tela, seja pelo texto na voz do diretor, pelos planos gerais, que deixam o espectador melancólico ou pelos fluxos de pensamento de Iolanda. Há uma paciência para revelar todas estas emoções. O tom sereno de Pedro, combinado com o tempestuoso de sua personagem principal incrementam as camadas do filme.</p>
<p>No entanto, <em><strong>O Resto</strong> </em> vai além do fantasmagórico e deixa espaço para que o público se aproxime do contexto. A forma como Iolanda narra a sua desventura também é um ponto alto aqui. A impressão é de que estamos na sala da protagonista, ao lado de sua neta, em um final de tarde, ouvindo uma história impressionante – ou uma fofoca, talvez.</p>
<p>Trazer a explosão de Iolanda, que caminha ao lado de sua advogada, que tenta acalmá-la, também eleva a força da obra, que não deixa que ela pareça, em nenhum instante, passiva diante do seu problema. Neste jogo de complexidades, um único incômodo é uma ausência de um arremate no desfecho da sessão.</p>
<p>Não há também uma espécie de continuidade dada no discurso final. Desta maneira, fica uma sensação de falta de conclusão, no final das contas. Contudo, não é algo necessariamente que comprometa a sua totalidade, mas que diminui um pouco de sua potência.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Pedro Gonçalves Ribeiro</p>
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		<title>Mostra de Tiradentes: Sapatão &#8211; Uma Racha/dura no Sistema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Jan 2021 14:35:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há um tom de desabafo neste curta-metragem, Sapatão &#8211; Uma Racha/dura no Sistema. Através de uma sensação de universo distópico, mas bem próximo da realidade, existe a utilização do local urbano para estabelecer uma atmosfera que questiona arbitrariedades do sistema e como promover a quebra dele, como sugere o seu título. Com imagens que imprimem elementos do cinema experimental, o espectador se depara com o debate sobre as aproximações e distanciamentos da protagonista com a sociedade. Em doze minutos, todo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há um tom de desabafo neste curta-metragem, <em><strong>Sapatão &#8211; Uma Racha/dura no Sistema</strong></em>. Através de uma sensação de universo distópico, mas bem próximo da realidade, existe a utilização do local urbano para estabelecer uma atmosfera que questiona arbitrariedades do sistema e como promover a quebra dele, como sugere o seu título. Com imagens que imprimem elementos do cinema experimental, o espectador se depara com o debate sobre as aproximações e distanciamentos da protagonista com a sociedade.</p>
<p>Em doze minutos, todo o discurso presente na obra parece explodir e contaminar a tela. São muitas sensações evocadas aqui: corpos dissidentes que tencionam uma população normativa, o possível acúmulo de capital perdido pela exploração constante do trabalhador brasileiro, as negações de condições necessárias para a existência de uma parte da população, seja pelo dinheiro ou pelo próprio preconceito. Para trazer tudo isso, a estratégia é emular uma última postagem em uma rede social, o que pode aproximar o público com a história.</p>
<p>Existe o ar de experimento, com a personagem principal utilizando seu corpo a disposição para questionar os espaços da cidade e a sua presença nele; mesclado ao tom costumeiro visto em plataformas como <em>Instagram</em> e <em>Facebook</em>. Nesta investigação de linguagens, o curta peca um pouco por querer dizer tanto através de escolhas repetitivas. Há, de fato, muito para ser falado, diante do mundo no qual vivemos, porém resta uma sensação de falta de plano, criatividade narrativa ou diversidade sonora. A dinâmica se torna ralentada quando os recursos ficam reconhecidos e esperados.</p>
<p>Outro aspecto que enfraquece <em><strong>Sapatão &#8211; Uma Racha/dura no Sistema</strong></em> é certa ingenuidade que não permite uma amarração do conteúdo geral, deixando algumas pontas soltas sobre a construção da personagem e sobre seu desenvolvimento. O desfecho do filme também carece de força, deixando de lado a intensidade do debate promovido durante a projeção e colocando em sua finalização uma despedida que poderia ser mais um convite para uma resistência.</p>
<p>Evidentemente que a escolhas de uma realizadora possuem critérios e posicionamentos. Talvez, o lugar da crítica seja o de analisar o que existe em uma produção e não o que ela poderia ser. No entanto, aqui, como uma mulher lésbica (cis branca), acredito que posso também falar de uma espectatorialidade mais específica e que cria expectativas próprias quando mulheres <em>queer</em> estão sendo retratadas. Partindo deste ponto, a ausência de uma perspectiva de mudança deixa certo nó na garganta. Quem sabe isto não seja algo positivo?</p>
<p><strong>Direção</strong>: Dévora Mc</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Letícia Ângelo</p>
<p>Confira nossas crítica de festivais <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/festival/"><em><strong>aqui</strong></em></a>!</p>
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