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	<title>Arquivos Martin Scorsese - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Martin Scorsese - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Assassinos da Lua das Flores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Oct 2023 15:48:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Assassinos da Lua das Flores é o mais novo filme do cineasta Martin Scorsese (Silêncio) que chega aos cinemas com elenco de peso. Seu ator favorito Leonardo DiCaprio (Era uma Vez em&#8230; Hollywood) encabeça o protagonista Ernest Burkhart, um homem de pouca instrução que vai morar junto com o irmão, Byron Burkhart (Scott Shepherd, X-Men: Fênix Negra) e o tio, William Hale (Robert De Niro, O Irlandês) próximo à tribo indígena de Osage, uma terra rica em petróleo. Na localidade, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Assassinos da Lua das Flores</strong> é o mais novo filme do cineasta Martin Scorsese (Silêncio</em>) que chega aos cinemas com elenco de peso. Seu ator favorito Leonardo DiCaprio (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-era-uma-vez-em-hollywood/"><em>Era uma Vez em&#8230; Hollywood</em></a>) encabeça o protagonista Ernest Burkhart, um homem de pouca instrução que vai morar junto com o irmão, Byron Burkhart (Scott Shepherd, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-x-men-fenix-negra/"><em>X-Men: Fênix Negra</em></a>) e o tio, William Hale (Robert De Niro, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-irlandes/"><em>O Irlandês</em></a>) próximo à tribo indígena de Osage, uma terra rica em petróleo. Na localidade, são os indígenas que possuem o dinheiro e o poder, se tornando alvo de brancos interesseiros.</p>
<p>Inspirado no best-seller homônimo do escritor David Grann (que usou uma história real como base), o filme segue traçando todos os detalhes do caminho que levam Ernest a casar com uma indígena muito rica e de sangue puro, algo muito almejado naquela região. Em meio a isso, uma série de assassinatos misteriosos acontecem na região, sem que ninguém dê bola aos fatos, já que a maioria são pessoas de pouca importância. A coisa começa a tomar outro rumo quando as mortes chegam na família de Mollie (Lily Gladstone, <em>Certas Mulheres</em>), a nova esposa do nosso protagonista.</p>
<p>O que vemos à seguir em tela é uma trama sendo criada em cima da ambição daqueles homens brancos em querer enriquecer às custas das indígenas e suas caras heranças do petróleo. Embora Ernest tenha um perfil trambiqueiro duvidoso, ele realmente se envolve emocionalmente com Mollie, o que podemos ver na maior parte do tempo com o cuidado dele com a saúde da esposa. Por isso é tão difícil para ela perceber quando ele começa a aplicar o golpe mais absurdo por sua fortuna, já que no dia a dia ele é um bom marido (na medida das possibilidades da época).</p>
<p>Seu tio, por outro lado, não tem qualquer tipo de escrúpulo ao determinar mortes que lhes sejam proveitosas. Ele vive por nutrir uma boa relação com os indígenas, o que faz com que eles não suspeitem nem um pouco de suas reais intenções por traz daqueles falsos sorrisos. Pelas costas, é racista. Ele faz todos de marionetes no seu tabuleiro sangrento (inclusive Ernest), cujo único objetivo é o enriquecimento.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17380" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528.jpg" alt="Assassinos da Lua das Flores" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O que Scorsese nos apresente é uma dualidade constante no casal protagonizado brilhantemente por DiCaprio e Gladstone, onde vemos uma teia de amor e traição que está sempre em cima de uma linha tênue da moralidade. A ambição leva o marido de colocar a família da esposa como alvo, ainda que ele não esteja completamente de acordo com aquilo. A sua incapacidade de conduzir a própria vida e tomar decisões sem influências só mostra o quanto ele é fraco de espírito. Pelo menos, até o final.</p>
<p>O ritmo de <em><strong>Assassinos da Lua das Flores</strong> </em>é algo que requer uma boa atenção. Para um filme de 3h26 de duração, acredito que ele consegue manter o espectador entretido. Tenho uma ressalva durante cerca de 40 minutos que são dedicados aos criminosos e suas tramoias, que faz com que a energia caia drasticamente. Algo que é recuperado na sequência, mas que incomoda. O fato é que o auge do longa é o casal e a sua história. Quando eles não estão no foco, a trama fica meio sem gosto.</p>
<p>Nada que prejudique o resultado final, por certo. É muito interessante ver como a relação de interesses é estabelecida desde o começo. Mollie percebe o olho grande de Ernest em sua herança, mas ele surge como a possibilidade dela ser cuidada e criar uma família. Ela entende que o seu estado de saúde convoca companhia e ele está disposto a oferecer aquilo (por dinheiro). Então, não há nenhum traço de ingenuidade quando a indígena concorda em seguir em frente.</p>
<p>O enredo é ainda muito contundente em mostrar a toxicidade como foi estabelecida a relação entre brancos e indígenas nos EUA e toda a apropriação cultural e de terras que se desdobrou a partir daí. Scorsese faz uma minuciosa análise do período, com fotografia incrível e figurino cuidadoso. A caracterização de <em><strong>Assassinos da Lua das Flores</strong></em> faz toda a diferença no seu resultado final. Aliás, no fim, é como se as 3h26 passassem rápido (o que não te impede de levar um lanchinho &#8211; fica a sugestão). Vale muito a pena conferir diretamente nos cinemas!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Martin Scorsese</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Leonardo DiCaprio, Lily Gladstone, Robert De Niro, Jesse Plemons, John Lithgow, Brendan Fraser, William Belleau, Tatanka Means</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/T22WRjooZn4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial Oscar 2020: Melhor Direção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Feb 2020 12:29:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com a proximidade do grande dia, as apostas para as categorias do Oscar 2020 vão se afunilando. A exigente e problemática Academia de Artes e Ciências Cinematográficas teve um dos anos mais controversos em suas indicações. A falta de representatividade feminina e negra nas principais categorias do Academy Awards movimentou a mídia e o público no início do mês passado quando foram anunciados os indicados. Na categoria de Melhor Direção a polêmica foi ainda maior. 2019 foi um ano recheado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com a proximidade do grande dia, as apostas para as categorias do <strong><em>Oscar 2020</em></strong> vão se afunilando. A exigente e problemática <em>Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</em> teve um dos anos mais controversos em suas indicações. A falta de representatividade feminina e negra nas principais categorias do <em>Academy Awards</em> movimentou a mídia e o público no início do mês passado quando foram anunciados os indicados. Na categoria de Melhor Direção a polêmica foi ainda maior. 2019 foi um ano recheado de direções excepcionais feitas por mulheres e, ainda assim, nenhuma delas foi lembrada na noite do Oscar.</p>
<p>Greta Gerwig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adoraveis-mulheres/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Adoráveis Mulheres</em></a>), Céline Sciamma (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-retrato-de-uma-jovem-em-chamas/"><em>Retrato de Uma Jovem em Chamas</em></a>) e Lulu Wang (<em>The Farewell</em>) são os principais nomes femininos deixados de lado nessa disputa. Além delas, outro nome como Noah Baumbach (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de um Casamento</em></a>) fez falta na lista final de indicados da maior premiação do cinema. Ainda assim, as indicações causaram certas surpresas. Apesar de serem todos homens, dentre os indicados temos uma mistura um tanto inesperada. O quinteto é formado pelos estreantes Todd Phillips e Bong Joon-Ho, pelo conhecido (e diversas vezes nomeado) Quentin Tarantino e pelos únicos que já levaram o prêmio para casa uma vez, Martin Scorsese e Sam Mendes.</p>
<p>Pensando no Oscar como um todo, podemos traçar uma repetição de acontecimentos. Todd Phillips, por exemplo, surge a partir do brilhante <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><strong><em>Coringa</em></strong></a>. O longa-metragem esbanja um excesso de indicações, no qual foi nomeado para 11 categorias. O filme demonstra uma sensibilidade e um poder dramático inesperado. É claro que a intervenção de Phillips tem participação nesse resultado, mas sua condução como maestro não foi extraordinária. O diretor soube aproveitar um bom roteiro e um ator principal genial. O mérito de Todd Phillips está na sensibilidade de perceber e privilegiar seu ator. Essas escolhas de ângulo e planos foram executadas de forma excelente. Contudo, seu caminho por produções mais “a cara do Oscar” será longo. A porta foi aberta, falta saber se ele terá outras chances de mostrar seu trabalho.</p>
<p>Ainda nessa linha do que se mostrou como um padrão no 92º Academy Awards, temos as indicações pelo trabalho de uma vida. Muitos dos indicados parecem estar em alguma categoria pela sua carreira do que pela sua indicação do momento. O gênio Martin Scorsese se encaixa nesse padrão. É inquestionável o talento e o legado do diretor nova iorquino para a sétima arte.</p>
<p>Desde o início de sua carreira, Scorsese provoca o público e estende as possibilidades do fazer cinema. Contudo, o tempo passa e é inevitável comparar os trabalhos de sua carreira. Também é impossível não notar que, nos últimos anos, os filmes mais extraordinários feitos por ele são os que fogem do padrão suspense gângster. Dentre seus melhores trabalhos das últimas décadas estão <em>O Lobo de Wall Street</em> (2013), <em>A Invenção de Hugo Cabret</em> (2011) e <em>Os Infiltrados</em> &#8211; nos quais todos tiveram indicações nesta categoria, mas só levou a estatueta para casa no último. A questão aqui é: Martin Scorsese, apesar de gênio não fez nada novo. <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-irlandes/"><strong><em>O Irlandês</em></strong></a> é um filme bem feito e produzido, mas não tem nada de excepcional. Não tem nada que faça o diretor estadunidense estar entre os principais da disputa.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12348" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/Parasite-bong-joon-ho.jpg" alt="Melhor Direção" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/Parasite-bong-joon-ho.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/Parasite-bong-joon-ho-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/Parasite-bong-joon-ho-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Agora a disputa começa a se acirrar. A aparição de Bong Joon-ho entre os nomeados para Melhor Direção demonstra a potência de seu mais recente longa. <strong><em>Parasita</em></strong> expira genialidade de todas as formas. O diretor sul coreano criou uma das obras mais fortes e contundentes dos últimos anos. Sua discussão sobre sociedade e os limites do ser humano extrapolam a tela. A estética crítica, o preciosismo nos detalhes e a beleza das imagens mais duras sobre o dia a dia o colocam nessa disputa como um dos favoritos. Contudo, a sua maestria se encontra muito mais no roteiro feito por ele e Han Jin-won do que em sua direção. Não que haja algum problema ou falta de originalidade em seu trabalho, mas o seu roteiro ultrapassa qualquer outra parte dessa produção.</p>
<p>Aqui está uma das maiores surpresas do ano. <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-era-uma-vez-em-hollywood/"><strong><em>Era uma Vez em… Hollywood</em></strong></a> mostra que até os mais consagrados diretores, cujas marcas criativas são bem definidas, podem ir além. Quentin Tarantino ousou e deu vida a um de seus trabalhos mais primorosos. O longa carrega uma sensibilidade jamais antes vista. A condução da narrativa é magistral e encantadora. Mesmo vindo de um roteiro que fala por si só, o trabalho de Tarantino ultrapassa as palavras digitadas em sua própria criação e alcançam um outro patamar. Seu filme mais indicado, que traça um caminho próprio em sua carreira e é uma produção que fala de memória afetiva. Sem dúvidas um dos trabalhos mais sublimes, sensíveis e corajosos do diretor.</p>
<p>Seria esse o momento que finalmente Tarantino levaria a estatueta de Melhor Direção para casa? Seria o caso se Sam Mendes não estivesse no páreo. O diretor inglês tem uma história com o <em>Academy Awards</em>. Em sua estreia nos cinemas, Mendes trouxe para a sétima arte uma das obras mais belas sobre o vazio dos costumes. Numa forte crítica ao “<em>american way of life</em>”, o diretor estreou com um longa-metragem que marcou a história do cinema. <em>Beleza Americana</em> foi um sucesso de crítica, público e de prêmios. Além de levar o troféu de “Melhor Filme” para casa, o longa ainda concedeu ao realizador britânico a estatueta de “Melhor diretor” em seu primeiro trabalho para o cinema.</p>
<p>20 anos após esses eventos, Sam Mendes volta para a disputa do Oscar com outro trabalho colossal. Enquanto Joon-ho e Tarantino tem roteiros magistrais, Sam Mendes tem um roteiro muito simples. Toda a potência de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-1917/"><strong><em>1917</em></strong> </a>está em sua parte técnica. Um dos trabalhos mais completos do ano, tecnicamente falando. O longa traz uma profusão de sensações graças ao trabalho de direção. Sem a condução brilhante de Mendes esse filme não se comportaria da mesma forma. Fica claro que foi uma escolha da produção focar na técnica e estética do que na história. E é nessa escolha que reside o poder e a genialidade do trabalho feito pelo diretor. <em><strong>1917</strong></em> é um dos longas mais imersivos da história do cinema. O uso da câmera como um personagem somado aos planos-sequência belíssimos criam uma das direções mais sensações da década.</p>
<p>Apesar dos fortes indícios da vitória, a corrida pela estatueta de ouro para Melhor Direção é sempre incerta. Talvez Mendes saia vitorioso de lá como aconteceu nas principais premiações da temporada. Talvez algo inesperado aconteça. Basta esperar e ver quais surpresas a noite de 9 de fevereiro guarda. Agora resta aguardar para ver se o diretor inglês sairá invicto de suas indicações por direção ou se outro colega de profissão roubará a cena. Para saber dessas e mais apostas para o Oscar, fique ligado no Coisa de Cinéfilo!</p>
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		<title>Crítica: O Irlandês</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Nov 2019 19:29:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando O Irlandês (The Irishman) acabou, sua trama e as três horas e meia — que fluem organicamente — acabaram sendo um mero detalhe. Não que a história tenha sido fraca, pelo contrário, mas a única coisa que eu conseguia assimilar era como este filme é uma grande carta aberta e sentimental de Martin Scorsese. Aos 77 anos, ele reflete sobre a morte, seu legado e o futuro do cinema. O Irlandês abre com Frank Sheeran (Robert De Niro, Coringa), em um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando <em><strong>O Irlandês </strong>(The Irishman) </em>acabou, sua trama e as três horas e meia — que fluem organicamente — acabaram sendo um mero detalhe. Não que a história tenha sido fraca, pelo contrário, mas a única coisa que eu conseguia assimilar era como este filme é uma grande carta aberta e sentimental de Martin Scorsese. Aos 77 anos, ele reflete sobre a morte, seu legado e o futuro do cinema.</p>
<p><em><strong>O</strong></em> <em><strong>Irlandês</strong> </em>abre com Frank Sheeran (Robert De Niro, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Coringa</em></a>), em um asilo, narrando sua trajetória de vida. Ele volta aos tempos de seu serviço militar na 2ª Guerra Mundial e vai até sua ascensão na Máfia. Sua passagem pela ilegalidade começou quando passou a se envolver em um esquema de desvio de caminhões de carne para <em>gangsters</em>.</p>
<p>Isso fez com que ele conhcesse Russell (Joe Pesci, <em>Os Bons Companheiros</em>), um chefe local, com quem desenvolve uma grande amizade. Realizando bicos como assassino e cobrando dívidas locais, ele também passa a se relacionar com o poderoso Jimmy Hoffa (Al Pacino, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Era uma Vez em Hollywood</em></a>), líder sindical de personalidade forte. Quando Hoffa começa a ter seus problemas com o resto da Máfia, Sheeran precisa escolher sua lealdade.</p>
<p>Retornando ao subgênero do drama de máfia já visto em <em>Os Bons Companheiros </em>e <em>Cassino</em>, Scorsese adota uma abordagem diferente. Não há a brutalidade visceral do passado, mas uma espécie de distanciamento. A violência  é seca e fria, não se prolongando demais. Ela interrompe a trama abruptamente — como se não fosse convidada ou nem incentivada — mas rapidamente vai embora.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11872" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/O-Irlandês.jpg" alt="O Irlandês" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/O-Irlandês.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/O-Irlandês-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/O-Irlandês-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Assim, é quase como se a câmera afastada estivesse julgando aqueles atos, indicando um amadurecimento no próprio diretor, que olha para seu filme de uma maneira muito mais intimista e familiar, com a máfia sendo só mais um pano de fundo daquele enredo. Quando o personagem de De Niro começa a envelhecer, apesar de suas palavras ecoarem as glórias do passado, vai ficando visível que não sobrou nada. O tempo levou tudo. E de que adiantou aquela jornada de sangue? Não que Scorsese glorificasse os foras-da-lei em suas obras anteriores, mas acaba sendo uma visão muito mais cética e madura daquele submundo.</p>
<p>A complexidade política de <em><strong>O</strong> <strong>Irlandês</strong></em> — que envolve até o assassinato do presidente Kennedy — e todo aquele jogo de ameaças trocadas por homens de terno acabam sendo um grande desvio para os momentos mais marcantes do longa. Mesmo com pouco tempo de tela, a relação de Sheeran com sua família e, principalmente sua filha, Peggy (Anna Paquin, <em>X-Men</em>), é muito significante. Sem precisar dizer muitas palavras, Peggy faz esse julgamento silencioso do pai e seu estilo de vida, valendo mais do que qualquer diálogo do filme. A personagem é esta espécie de bússola moral para o público, que, à primeira vista, pode glorificar a violência do protagonista em certas situações (até pelo carisma de De Niro), mas rapidamente é lembrado de que os fins não justificam os meios.</p>
<p>Conforme o fim vai se aproximando, fica clara a aproximação de <em><strong>O Irlandês</strong></em> com a espiritualidade e a religiosidade. Logo, é muito difícil não pensar no próprio Scorsese. Como católico, ele sente o peso e o valor da família. Há este sentimento de culpa cristã acumulado por uma vida inteira. Seria possível um homem, que cometeu diversos pecados ao longo da vida, ser perdoado na reta final?</p>
<p>Recentemente envolvido em opiniões controversas sobre o que seria cinema ou não, Scorsese acaba que traz um pouco disso ao seu novo projeto. Amadurecido, ele busca entender o mundo atual e o lugar de sua filmografia dentro dele. Ele sabe que as tradições não são mais respeitadas e estão sendo desafiadas, algo personificado no próprio Tony Pro (Stephen Graham, <em>Hellboy),</em> personagem caricato que está sempre atrasado e com roupas inapropriadas para os encontro da Máfia, algo que tira Jimmy Hoffa do sério.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11928" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0507561.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Irlandês" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0507561.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0507561.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0507561.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Justamente aí que entra a função da tecnologia de rejuvenescimento em <em><strong>O Irlandês</strong></em>. Trazendo um estranhamento visual de início, ela rapidamente se torna natural ao olho humano (o que é beneficiado pela longa duração). Ao mesmo tempo que Scorsese assimila as novas tecnologias disponíveis na produção cinematográfica, existe uma próprio sentido em sua existência no filme. Não só Frank Sheeran parece fugir dos pensamentos sobre a proximidade e a inevitabilidade da morte, neste fluxo entre passado e presente, mas é o próprio Scorsese que, com o rejuvenescimento, remete a aparência dos atores em seus tempos de glória. Infelizmente, não dá mais para voltar aos tempos de <em>Os Bons Companheiros</em>.</p>
<p>Para um longa que fala tanto sobre morte, <strong><em>O Irlandês </em></strong>é uma digna resposta para os que dizem que o crescente uso dos efeitos especiais irá matar o cinema. Aqui, o renomado diretor consegue utilizá-la, não só de um ponto de vista impecável tecnicamente, como também para mostrar que ela pode ser uma enorme aliada do enredo, sendo muito mais do que adereço para enfeitar o filme através de um embelezamento artificial.</p>
<p>Portanto, Scorsese está reinventando, ressignificando, experimentando e até quebrando os próprios estigmas de sua filmografia. Por exemplo, quem diria que Joe Pesci, em uma atuação tocante, traria um dos personagens mais sensíveis e delicados de toda a carreira de Scorsese.</p>
<p>Próximo do fim de sua vida, é possível que Martin Scorsese esteja com medo do legado que deixará quanto se for. O que não deixa de ser irônico, pois sua própria modéstia — e até uma visão pessimista e humilde de si mesmo — apenas reforça seu nome como um dos maiores cineastas da história ao trazer mais uma obra de arte.</p>
<p><strong>Direção: </strong>Martin Scorsese</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Al Pacino, Robert De Niro, Joe Pesci, Harvey Keitel, Ray Romano, Jesse Plemons, Anna Paquinn, Boby Cannavale</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=ZxuTltUvvkI&amp;w=750&amp;h=500]</p>
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		<title>Crítica: Silêncio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Mar 2017 13:07:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Adam Driver]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Garfield]]></category>
		<category><![CDATA[Liam Neeson]]></category>
		<category><![CDATA[Martin Scorsese]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Martin Scorsese costuma ser um diretor associado a histórias que tentam dar conta da trajetória do crime organizado nos EUA como nos longas Os Bons Companheiros, Caminhos Perigosos e Os Infiltrados, mas pouca gente se dá conta de que o realizador costuma trafegar por gêneros e propostas bem ecléticas, indo do romance de época A Época da Inocência, passando pelo conto infantil de A Invenção de Hugo Cabret e pela biografia em O Aviador. Tudo obra de Scorsese. Em seu mais recente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Martin Scorsese costuma ser um diretor associado a histórias que tentam dar conta da trajetória do crime organizado nos EUA como nos longas <i>Os Bons Companheiros, Caminhos Perigosos </i>e <i>Os Infiltrados</i>, mas pouca gente se dá conta de que o realizador costuma trafegar por gêneros e propostas bem ecléticas, indo do romance de época <i>A Época da Inocência</i>, passando pelo conto infantil de <i>A Invenção de Hugo Cabret </i>e pela biografia em <i>O Aviador</i>. Tudo obra de Scorsese. Em seu mais recente trabalho, <i>Silêncio</i>, Scorsese comprova mais uma vez seu desejo de diversificar os mares navegados e nos traz um longa ambientado no Japão do século XVII que tem como propósito central discutir a resistência da fé e das convicções religiosas diante do abalo que a crueldade do ser humano pode trazer para as mesmas.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>No longa, dois jesuítas portugueses (Andrew Garfield, recém indicado ao Oscar por <i>Até o último Homem</i>, e Adam Driver, de <i>Star Wars: O Despertar da Força</i>) vão ao Japão em um período de intensa perseguição ao catolicismo a fim descobrir o paradeiro do mentor de ambos, o padre Ferreira, vivido por Liam Neeson (<i>Busca Implacável</i>). Chegando ao país, os dois acabam enfrentando situações que colocam suas próprias convicções religiosas em cheque, fazendo com que ambos tenham que tomar decisões extremas que implicarão em uma reavaliação das suas relações com a Igreja Católica.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7482" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/03/silence-main-review.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Com um roteiro menos propenso a exposição de diálogos que o habitual, Martin Scorsese comanda um filme levemente introspectivo em sua primeira hora, só começando a ganhar ênfase e demonstrar a que veio mesmo a partir da sua segunda hora. O roteiro de Jay Cocks (que já havia trabalhado com o realizador em <i>Gangues de Nova York </i>e <i>A Época da Inocência</i>) e do próprio Scorsese, que raramente assume esta função, costura gradualmente a tensão emocional do seu protagonista, que aos poucos se depara com uma situação limite, ganhando intensidade na mediada em que o estágio do seu conflito pessoal se agrava, uma crescente recompensadora e coerente do ponto de vista da dramaticidade da sua história, mas que de fato pode causar um estranhamento inicial do espectador a sua história (mas é preciso frisar, seja fiel ao longa até o seu fim, vale a pena).</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>No seu percurso de intensificação dramática, <i>Silêncio </i>ganha uma força descomunal e evidencia um realizador que provoca mais do que oferece respostas prontas ao seu espectador. No lugar de um discurso óbvio e cínico contra a Igreja Católica ou de uma sentença abonadora das ranhuras sociais e históricas que são próprias da fé religiosa, Scorsese opta por uma via interessante: a da proposição de questionamentos que têm suas respostas mas que se mostram como cartas abertas para discussões muito mais amplas ao final da sessão. Diante de tantos atos de violência presenciados pelo personagem de Garfield no longa, é como se o realizador, indo e vindo nas certezas do mesmo sobre as suas próprias convicções religiosas, se colocasse na condição de filósofo do próprio tema que traz a luz com <i>Silêncio </i>para entender o lugar da fé diante de uma realidade marcada pela intolerância e pela demonstração cabal da falta de esperança no resquício de humanidade da nossa espécie. É possível perseguir a fé depois de tudo? Em caso positivo, isso é sintoma do que?</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>É certo que há o incomodo habitual de termos como personagens centrais portugueses que falam o tempo inteiro inglês, tendo em vista a escalação de atores feita por Scorsese composta pelo excelente Andrew Garfield, Adam Driver e Liam Neeson. Contudo, é preciso salientar que esta gafe reiterada do cinema norte-americano não retira o brilho e os méritos de <i>Silêncio</i>, um filme que provoca e que acerta ao potencializar o prolongamento de suas discussões. Com isso, <i>Silêncio </i>é prova de que aos 74 anos de idade Martin Scorsese ainda é um realizador que consegue continuar surpreendendo e fascinando um público que certamente ficaria mais satisfeito com um Scorsese de praxe. É reconfortante perceber que um diretor com a estrada e o público cativo que ele tem ainda almeja a não repetição e testar a si próprio com diversificados horizontes narrativos.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/susGd0Jd-CE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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		<title>Guia Oscar 2014: Diretores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Feb 2014 21:03:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Premiações]]></category>
		<category><![CDATA[12 Anos de Escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[Alexander Payne]]></category>
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		<category><![CDATA[Diretores]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>David O. Russell – “Trapaça” O diretor David O. Russel concorre ao Oscar de Melhor Diretor por seu trabalho em “Trapaça”. O cineasta vem, nos últimos anos, apresentando trabalhos extremamente bem sucedidos, como “O Vencedor”, em 2010, e “O Lado Bom da Vida”, em 2012. Em ambos os casos, ele foi indicado na categoria, além do filme concorrer em diversas outras e ganhar algumas premiações. É o caso da parceria com Jennifer Lawrence, que já aconteceu duas vezes e com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/american-hustle-david-o-russel-christian-bale.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-375" alt="american-hustle-david-o-russel-christian-bale" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/american-hustle-david-o-russel-christian-bale.jpg" width="611" height="350" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>David O. Russell</strong> – “<em>Trapaça</em>”</p>
<p>O diretor David O. Russel concorre ao Oscar de Melhor Diretor por seu trabalho em “<em>Trapaça</em>”. O cineasta vem, nos últimos anos, apresentando trabalhos extremamente bem sucedidos, como “<em>O Vencedor</em>”, em 2010, e “<em>O Lado Bom da Vida</em>”, em 2012. Em ambos os casos, ele foi indicado na categoria, além do filme concorrer em diversas outras e ganhar algumas premiações. É o caso da parceria com Jennifer Lawrence, que já aconteceu duas vezes e com sucesso, rendendo à jovem sua primeira estatueta em tão pouco tempo de profissão. Ele também já trabalho três vezes com Mark Wahlberg, como no filme “<em>Três Reis</em>”, de 1999, “<em>Huckabees &#8211; A Vida é uma Comédia</em>”, de 2004, e “<em>O Vencedor</em>”, ao lado de Christian Bale, que levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Apesar do pouco tempo de produção e direção, o cineasta já mostrou para o que veio e está entrando no rol de melhores da sua geração. “Eu faço todo filme e cena como se fossem meus últimos”, pontuou certa feita. Seu trabalho em “<em>Trapaça</em>”, no entanto, não é memorável e dificilmente levará a melhor no prêmio.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/gravity3.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-376" alt="gravity3" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/gravity3.jpg" width="611" height="350" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Alfonso Cuarón</strong> – “<em>Gravidade</em>”</p>
<p>O cineasta Alfonso Cuarón começou como um dos favoritos para ganhar o prêmio de Melhor Diretor no Oscar, mas recentemente perdeu espaço para Steve McQueen, com “<em>12 Anos de Escravidão</em>”. O mexicano eclético pode ser visto na direção de filmes com orçamento independente, como “<em>Biutiful</em>” e “<em>O Labirinto do Fauno</em>”, e até em grandes produções cinematográficas, como “<em>007 – Quantum of Solace</em>” e “<em>Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban</em>”, provando que consegue fazer excelentes trabalhos sob qualquer circunstância. Em “<em>Gravidade</em>”, ele mostra uma produção bem diferente e propriamente sua, com um filme que consegue prender o espectador com apenas um personagem e basicamente o mesmo cenário o tempo todo. Vale ressaltar que ele já levou o Globo de Ouro por seu trabalho neste filme e ainda “disputa” para levar o Oscar. Nos resta aguardar para saber.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/3944.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-377" alt="3944" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/3944.jpg" width="611" height="350" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Steve McQueen</strong> – “<em>12 Anos de Escravidão</em>”</p>
<p>O diretor Steve McQueen é o atual favorito para o Oscar de Melhor Diretor por “<em>12 Anos de Escravidão</em>”. Apesar de seu trabalho ter sido criticado em muitos momentos e divido opiniões de público e imprensa, o cineasta prova que a dedicação leva à perfeição. Com apenas três filmes no seu acervo cinematográfico, com “<em>Fome</em>”, de 2008, e “<em>Shame</em>”, de 2011, a qualidade do seu trabalho mostra que ele é grande merecedor da indicação. Em todos os casos, o britânico lidou com orçamentos apertados, com US$ 20 milhões em “<em>12 Anos de Escravidão</em>”, por exemplo, sendo que os filmes costumam ter mais de US$ 100 milhões para a produção. Ainda assim, ele mostra um filme emocionante e com conteúdo forte, trazendo à tona mais uma vez, porém com diferencial, o debatido tema da escravidão e relação com os negros nos Estados Unidos. Como ator favorito declarado, ele tem Michael Fassbender, que esteve presentes em todos os seus trabalhos nos principais papéis e concorre ao Oscar como Melhor Ator Coadjuvante.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/nebraska-bruce-dern-alexander-payne.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-379" alt="????????" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/nebraska-bruce-dern-alexander-payne.jpg" width="611" height="350" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Alexander Payne</strong> – “<em>Nebraska</em>”</p>
<p>O diretor Alexander Payne ficou conhecido por seu trabalho em “<em>Sideways – Entre Umas e Outras</em>” e “<em>Eleição</em>”. Nos dois filmes, o cineasta foi indicado a diversas premiações, como Melhor Roteiro Adaptado no Oscar, tanto para “<em>Sideways – Entre Umas e Outras</em>”, quanto para “<em>Os Descendentes</em>”, com quem fechou parceria com George Clooney e também concorreu como Melhor Diretor. Nascido na cidade de Omaha, no estado de Nebraska, o diretor traz um filme com apelo pessoal e a sutileza do uso de preto e branco na tela, que reforça a narrativa do longa, que conta a história de um senhor que recebeu uma carta de promoção e acredita ter ganhado uma bolada em dinheiro. Apontado como um de seus melhores trabalhos, “<em>Nebraska</em>” concorre a seis indicações e conta com o apoio de críticos especializados, que ressaltam a delicadeza do filme e personagens envolventes.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/margot-robbie-leonardo-dicaprio-and-martin-scorsese-on-set-of-the-wolf-of-wall-street.jpg"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-380" alt="margot-robbie-leonardo-dicaprio-and-martin-scorsese-on-set-of-the-wolf-of-wall-street" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/margot-robbie-leonardo-dicaprio-and-martin-scorsese-on-set-of-the-wolf-of-wall-street.jpg" width="611" height="350" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Martin Scorsese</strong> – “<em>O Lobo de Wall Street</em>”</p>
<p>Martin Scorsese retoma a muitíssimo bem sucedida parceria com Leonardo DiCaprio e apresenta “<em>O Lobo de Wall Street</em>”, um filme que passeia pela ironia e sátira de uma realidade bem americana. Apesar de ter sido indicado a premiações diversas vezes, entre Globo de Ouro, Oscar e BAFTA, o cineasta conquistou pela primeira vez o Oscar de Melhor Diretor apenas em 2007, com o filme “<em>Os Infiltrados</em>”. No seu acervo, grandes sucessos do cinema como “<em>A Invenção de Hugo Cabret</em>”, “<em>O Aviador</em>”, “<em>Gangues de Nova York</em>”, “<em>A Ilha do Medo</em>”, entre outros. A parceira com DiCaprio aconteceu pela primeira vez em “<em>Gangues de Nova York</em>”, em 2002, e já se repetiu por outros quatro filmes, substituindo seu antigo pupilo, que era o ator Robert De Niro. Com quase 3h de duração, “<em>O Lobo de Wall Street</em>” prova que quando o filme é excelente, o tempo torna-se irrelevante e traz para DiCaprio a tão sonhada possibilidade de ganhar seu primeiro Oscar de Melhor Ator.</p>
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		<title>O Lobo de Wall Street traz um Martin Scorsese contundente e irônico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Feb 2014 21:35:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo DiCaprio]]></category>
		<category><![CDATA[Martin Scorsese]]></category>
		<category><![CDATA[O Lobo de Wall Street]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dirigindo-se a um auditório cheio de indivíduos ávidos por uma resposta para seus problemas financeiros, Jordan Belfort oferece a cada um uma caneta e pede para que eles o convençam a comprá-la de alguma maneira. Belfort não ouve uma única resposta convincente, um fala sobre as qualidades estéticas do objeto, o outro fala sobre a sua durabilidade, mas nenhum deles lança a resposta que o jovem palestrante recém saído da cadeia e em condicional queria ouvir e que ele mesmo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/leonardo-dicaprio-wolf-of-wall-street.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-256 alignleft" alt="THE WOLF OF WALL STREET" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/leonardo-dicaprio-wolf-of-wall-street-600x400.jpg" width="360" height="240" /></a>Dirigindo-se a um auditório cheio de indivíduos ávidos por uma resposta para seus problemas financeiros, Jordan Belfort oferece a cada um uma caneta e pede para que eles o convençam a comprá-la de alguma maneira. Belfort não ouve uma única resposta convincente, um fala sobre as qualidades estéticas do objeto, o outro fala sobre a sua durabilidade, mas nenhum deles lança a resposta que o jovem palestrante recém saído da cadeia e em condicional queria ouvir e que ele mesmo daria para a questão caso fosse indagado: &#8220;Compre a caneta porque você precisa dela!&#8221;. Essa sequência que encerra O Lobo de Wall Street traz a ideia que norteia toda a crítica à sociedade do consumo que Martin Scorsese, esbanjando a mesma vitalidade cinematográfica de alguns dos seus mais icônicos trabalhos, traz para um filme que não mede esforços ao mostrar o que existe de pior no ser humano, a sua ganância, moldada pela dependência por necessidades de consumo artificiais fabricadas por uma logística financeira que não poupa ninguém.</p>
<p>O Lobo de Wall Street traz a ascensão do jovem Jordan Belfort no mercado financeiro em Wall Street na década de 1980, logo após o fatídico episódio da &#8220;Segunda-feira Negra&#8221;, que fez a bolsa de Nova York despencar cerca de 500 pontos. Em meio a esse cenário, através de transações ilegais, Jordan consegue acumular uma fortuna, o que acaba chamando muita atenção para sua vida cheia de excessos e tornando-o a peça central de uma investigação promovida pelo FBI. Baseado nas memórias do próprio Belfort, Scorsese faz do longa uma narrativa episódica repleta de passagens do seu protagonista pelo mundo das drogas, dos crimes de colarinho branco, da prostituição e das festas cheias de ostentações e excentricidades, acompanhando todos esses relatos até a sua derrocada no início dos anos de 1990.</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/the-wolf-of-wall-street-leonardo-dicaprio-margot-robbie.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-257 alignright" alt="THE WOLF OF WALL STREET" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/the-wolf-of-wall-street-leonardo-dicaprio-margot-robbie-600x400.jpg" width="378" height="252" /></a>Diferente do que vêm se argumentando na imprensa norte-americana, O Lobo de Wall Street não é uma carta apaixonada de Martin Scorsese a indivíduos como Jordan Belfort, que não hesitam em cometer as maiores barbaridades em prol do benefício próprio e sequer demonstram um pingo de compaixão pelo próximo. A abordagem de Scorsese é expositiva, sem maiores interferências ou tentativas de sugerir conclusões para o seu espectador. A mensagem é muito mais sutil do que as aparências, o que o cineasta quer é através do exagero e da exposição ao ridículo dos seus personagens fazer o espectador refletir sobre a própria engrenagem de lucro, consumo e trabalho que acaba nos tornando escravos fora de si, indivíduos cegos, frios, incontrolavelmente repulsivos e sem freios. Não há adesão ou fascínio do diretor por aquele universo, muito pelo contrário. Scorsese acaba enredando o público nessa alegoria repleta de cores e atrativos para em seguida nos questionar: é por esse tipo de vida e por esse tipo de gente que vocês estão mesmo fascinados? Esse é o principal êxito de O Lobo de Wall Street.</p>
<p>Os personagens do filme são basicamente definidos por suas ações, indistintos em personalidade como uma manada de animais ensandecidos. Não há propriamente individualidades, mas o trabalho conjunto de um elenco afiado formado por Leonardo DiCaprio, Jonah Hill (os dois protagonizam uma das cenas mais absurdas já vistas no cinema e que envolve o efeito colateral de uma das drogas consumidas pela dupla), Margot Robbie, Matthew McConaughey (em participação espirituosa) e Jean Dujardin (o vencedor do Oscar por O Artista dando conta do recado). Scorsese conferiu um tom uníssono de histrionice que está à serviço da própria proposta da sua obra. Claro que Leonardo DiCaprio é o grande destaque por liderar essa embarcação que parece ter saído de um manicômio, mas não há construção individualizada de personagens multidimensionais já que todos tornam-se animais irracionais utilizando os mais baixos recursos para conseguir mais e mais dinheiro, mais e mais poder. Ou seja, mais uma decisão certeira na direção de Scorsese. Talvez a única distinção feita nesta seara seja para o personagem de Kyle Chandler, o agente do FBI que investiga Belford, não por acaso, um dos poucos corretor do grupo (aliás, uma interpretação subestimada e pouco comentada).</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/the-wolf-of-wall-street-leonardo-dicaprio-jon-bernthal.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-258 alignleft" alt="THE WOLF OF WALL STREET" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/the-wolf-of-wall-street-leonardo-dicaprio-jon-bernthal-600x400.jpg" width="378" height="252" /></a>Sem querer parecer saudosista, os anos de 1970 e 1980, somando-se a essas décadas o brilhante Os Bons Companheiros, continuam sendo a melhor fase de Martin Scorsese. No entanto, O Lobo de Wall Street por manter diálogo com algumas das melhores obras do diretor ganha lugar de destaque na sua recente filmografia. Excessivo e sem concessões, Scorsese expõe o lado mais asqueroso do ser humano através do ridículo, da ironia, e não há nenhuma apologia a isso. Caso a pura diversão e a idolatria dos personagens dominem a plateia, sem a mínima reflexão sobre os seus atos, já não é mais problema do cineasta pois ele mesmo oferece mecanismos para irmos no sentido contrário. A adesão ou não ao estilo de vida de Jordan Belford é algo que não está nas mãos de O Lobo de Wall Street, que, por sinal, traz, através do humor, muito mais uma crítica a esse tipo de comportamento do que uma carta de amor incondicional aos seus principais agentes.</p>
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