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	<title>Arquivos Maria Fernanda Cândido - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Maria Fernanda Cândido - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica O Agente Secreto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Nov 2025 03:57:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de todo o fervor vivido pelo cinema brasileiro no último ano com o sucesso estrondoso, dentro e fora do país, com Ainda Estou Aqui (2024), a estreia do filme do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho eleva essa sensação à máxima potência. O novo longa-metragem do diretor substitui o filme de Walter Salles como a produção nacional mais comentada do momento. O clima de copa do mundo já está criado e a estreia de O Agente Secreto nos cinemas, que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de todo o fervor vivido pelo cinema brasileiro no último ano com o sucesso estrondoso, dentro e fora do país, com <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ainda-estou-aqui"><em>Ainda Estou Aqui (2024)</em></a>, a estreia do filme do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho eleva essa sensação à máxima potência. O novo longa-metragem do diretor substitui o filme de Walter Salles como a produção nacional mais comentada do momento. O clima de copa do mundo já está criado e a estreia de <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> nos cinemas, que acontece nesta quinta-feira (6), reacende a chama popular da torcida pelo Brasil em uma nova corrida nos maiores prêmios do mundo cinematográfico.</p>
<p>Saído do Festival de Cannes como o filme mais premiado do ano, <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> é essencialmente brasileiro até seu último milésimo de segundo e isso é hipnotizante. O ritmo frenético estabelecido por Kleber em seu roteiro e direção empolgam, conduzem e surpreendem o espectador a cada virada de chave em sua narrativa. Como de costume, o cineasta constrói um pastiche de histórias que se cruzam em suas dores, desejos e missões, desenhando a história do Brasil de um determinado período.</p>
<p>Os filmes de Kleber funcionam como uma colcha de retalhos de histórias que se entrelaçam e são costuradas a partir de uma sucessão de fatos inesperados, dolorosamente reais e essencialmente brasileiros  &#8211; e isso não é diferente em <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>. No longa, acompanhamos a vida de Marcelo (interpretado por Wagner Moura), que, durante o auge da ditadura militar e seus desmandos no Brasil de 1977, se muda para Recife. Ele vai até a capital pernambucana tentando se esconder de um passado violento, na esperança de encontrar um novo futuro. O que ele encontra lá são, no entanto,  as sombras de seu passado, à espreita, esperando uma oportunidade para dar cabo de sua vida.</p>
<p>Em seu novo <em>thriller</em> político, Kleber remonta a dor e a nostalgia da vida no Brasil da década de 1970. Na mesma medida que <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> é capaz de nos arrepiar com os horrores e absurdos da ditadura, o filme nos relembra, em seguida, pelo que tantas pessoas lutaram. O projeto bate bem nessa tecla: que mesmo em tempos de desesperança há sempre com quem contar. E isso vem por meio dos afetos (d)escritos por Kleber em seu roteiro. Talvez esse seja o maior mérito da filmografia do diretor, o equilíbrio entre a sutileza, a paixão e a dor do existir.</p>
<p>Os contextos das perseguições à oposição da ditadura, o cercear a liberdade e o medo do inimigo que literalmente mora ao lado são os grandes fantasmas que acompanham o público durante a sessão. Seja através da ludicidade ou das ironias tão conhecidas nos trabalhos do diretor, <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>empolga a cada instante por não sabermos o que pode acontecer. O roteiro de Kleber não é previsível porque ele preza pelo tensionamento dos sentidos. O inesperado é a chave mestra da genialidade de seu roteiro. Ou seja, de tédio não morreremos.</p>
<figure id="attachment_20046" aria-describedby="caption-attachment-20046" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20046" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-750x500.jpg" alt="O Agente Secreto (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3.jpg 1715w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20046" class="wp-caption-text">Wagner Moura em cena de &#8216;O Agente Secreto (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Para além dos louros de Kleber, tanto no roteiro quanto em sua direção, a fotografia, a arte e a montagem do filme pulsam junto com sua narrativa. A direção de arte, comandada por Thales Junqueira (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-baby"><em>Baby</em></a>, de 2024), consegue desenhar as texturas, vibrações e os perigos do Brasil na ditadura. Em complemento, a fotografia de Evgenia Alexandrova (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-sem-coracao"><em>Sem Coração</em></a>, de 2023) captura essas imagens e faz com que elas pulsem de forma hipnótica, tornando essa dobradinha de visualidade um primor do filme. Para fechar o resultado visual de <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>, a montagem de Eduardo Serrano e Matheus Farias (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bacurau"><em>Bacurau</em></a>, de 2019) tensiona e eleva cada um desses elementos, dando vida à obra de Kleber da melhor forma que o público poderia pedir.</p>
<p>O elenco, como de costume, é um show à parte. Já que o cinema de Kleber é tão fortemente composto por um pastiche de histórias e vidas, seu elenco costuma ser robusto em quantidade e avassalador em potência. Contudo, <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>talvez tenha alcançado um novo patamar de <em>casting</em> nas produções do cineasta pernambucano. Parece que cada pessoa foi escolhida a dedo. E cada uma delas tem seu momento de brilhar.</p>
<p>Carlos Francisco, Robério Diógenes, Roney Villela, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes, Isabél Zuaa, Igor de Araújo, Ítalo Martins, Luciano Chirolli e Udo Kier são alguns dos artistas que vibram em cena e fazem a história ser viva e pulsante. Dois nomes, no entanto, precisam ser comentados à parte. Mesmo com a potência dos nomes anteriores, nada se compara com o magnetismo de dona Tânia Maria e de Wagner Moura (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-guerra-civil"><em>Guerra Civil</em></a>, de 2024) em cena. Não existiria <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>sem a força gravitacional que os dois atores geram no espectador.</p>
<p>Dona Tânia tem uma pureza magnética do realismo de sua interpretação que rouba a cena incessantemente. Basta ter segundos de tela que os olhares do público imediatamente recaem sobre sua naturalidade quase infantil. Há uma pureza de liberdade em sua interpretação que faz dela um dos pontos mais altos durante <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>. Realmente acredito que a escolha de escalar dona Tânia Maria para o papel de Dona Sebastiana foi tão acertado quanto a escalação de Wagner.</p>
<p>O ator baiano é outra força em cena. Sua interpretação prende o espectador por trazer outra chave, igualmente magnética: a do medo. Wagner carrega em seu olhar um peso, uma dor e um desespero que são palpáveis. Ele entretém o espectador em uma construção de personagem que grita uma profundidade, ainda que ele só demonstre a superfície. E os olhos, como é dito em <em>Scarface (1983)</em>, eles nunca mentem. E Moura, mais uma vez, escancara a suas habilidades interpretativas por demonstrar um turbilhão a partir da sutileza de um olhar.</p>
<p>Com o longa, portanto, o diretor consegue entregar uma narrativa absurdamente coesa, ritmada e surpreendente que passa voando durante seus quase 160 minutos. O filme pode ser o ápice do cinema de Kleber por beber de todos os temas e nuances tão caros à ele ao longo de sua carreira. E isso é feito a partir de uma condução primorosa que merece um pergaminho de elogios e saudações por sua excelência. Não há melhor forma de ver <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>a não ser como a epítome do cinema de Kleber Mendonça Filho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kleber Mendonça Filho</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Wagner Moura, Carlos Francisco, Tânia Maria, Robério Diógenes, Roney Villela, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes, Isabél Zuaa, Thomás Aquino, Laura Lufési, Igor de Araújo, Ítalo Martins, Luciano Chirolli, João Vitor Silva, Licínio Januário e Udo Kier</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/AOBPXs_euPA?si=AUyJM-jQ_dl9TBq7" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vermelho Monet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 May 2024 19:23:02 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de uma trajetória bem-sucedida em comédias como Cine Holliúdy e O Shaolin do Sertão, o cineasta cearense Halder Gomes aposta no drama sobre o universo das artes Vermelho Monet, uma aposta ambiciosa que, na tela, apresenta alguns problemas de desenvolvimento. Gomes narra a história de um falsificador de quadros em crise depois de anos desencantado com a própria arte. O caminho do personagem cruza com o de uma marchand e uma atriz cujos cabelos ruivos o remetem ao passado, quando trabalhava ao lado da sua [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de uma trajetória bem-sucedida em comédias como Cine Holliúdy e O Shaolin do Sertão, o cineasta cearense Halder Gomes aposta no drama sobre o universo das artes <em><strong>Vermelho Monet</strong></em>, uma aposta ambiciosa que, na tela, apresenta alguns problemas de desenvolvimento. Gomes narra a história de um falsificador de quadros em crise depois de anos desencantado com a própria arte. O caminho do personagem cruza com o de uma marchand e uma atriz cujos cabelos ruivos o remetem ao passado, quando trabalhava ao lado da sua companheira, sua grande musa inspiradora.</p>
<p><em><strong>Vermelho Monet</strong></em> tem como cenário a Europa, por onde a personagem de Maria Fernanda Cândido transita, articulando as negociações da sua arte. O filme de Gomes lança um olhar cínico para esse universo, ajustando-se à perspectiva frankfurtiana sobre os problemas de uma indústria cultural que coopta a prática criativa, transformando-a em mercadoria, integrante de uma lógica de realização próxima da industrial pela reprodução. Enfim, ideias que seguem em discussão, mas que não ficaram &#8220;estacionadas&#8221; na primeira metade do século passado, auge da Escola de Frankfurt. Há revisões sobre esse pensamento porque, enfim, estamos em 2024, mas o filme de Gomes parece preso às bases fundamentais desses conceitos, andando em círculos com a crítica e com um certo saudosismo sobre a &#8220;verdadeira arte&#8221;. Os apontamentos do filme são válidos, mas seria preciso um aprofundamento maior sobre essas questões. O que a obra faz é, na verdade, reproduzir essas ideias, já exploradas de tantas outras formas na literatura e no próprio cinema.</p>
<p>O grande problema de <em><strong>Vermelho Monet</strong></em> é o anacronismo do filme. Não só no âmbito do desenvolvimento da sua crítica sobre as artes, mas em outros elementos da sua história. Encantado com o cenário europeu e com a &#8220;atmosfera artística&#8221; que aquele lugar evoca, Gomes insere em seu drama todo tipo de referência: o fado (bem, estamos em Portugal), Vermeer, Frida Kahlo&#8230; Tudo é bem-vindo. O longa parece um exemplar da entressafra da Retomada, um cinema nacional que ainda buscava sua identidade no novo século. O que se vê é uma obra com menos personalidade que os títulos anteriores do cineasta, insegura sobre suas próprias pretensões e que parece buscar a aprovação do público sobre o valor dos seus intentos o tempo todo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18122" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-5.png" alt="Vermelho Monet" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-5.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-5-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-5-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Um dos sustentáculos da trama de <em><strong>Vermelho Monet </strong></em>é a já tão explorada relação entre o artista e sua musa, algo que acaba recaindo na dinâmica entre um homem mais velho e os seus desejos ambíguos por uma jovem. Parte do longa explora esse momento em que a realização artística extrapola ou se confunde com a sexualidade das suas personagens.</p>
<p><em><strong>Vermelho Monet</strong></em> reitera tudo que contempla essa perseguição de um homem pela sua grande musae ainda faz da personagem de Samantha Müller uma espécie de fantoche dos caprichos dos personagens de Maria Fernanda Cândido e Chico Diaz. No fundo, a jovem atriz interpretada por Müller segue a tradição objetificadora desse tipo de personagem, sem nenhum outro atributo ou característica que possa construir em torno dela qualquer tipo de complexidade. Eventualmente, descobrimos que há um grande laboratório para um trabalho da personagem por trás da relação que ela estabelece com os demais, mas esse plot só serve para piorar ainda mais a situação do roteiro, que se perde em mais um desenvolvimento que não consegue sustentar.</p>
<p>Revelando-se como uma amálgama de &#8220;chavões&#8221; sobre a arte, <em><strong>Vermelho Monet</strong></em> não consegue se aprofundar em nenhuma das ideias &#8220;ventiladas&#8221; e parece inebriado por uma própria ideia de &#8220;filme de arte&#8221; que já nem mais condiz com o estágio atual da nossa produção. Sem a cobrança de fazer algo mais grandioso, sério e intelectualmente robusto, Halder Gomes foi muito mais bem-sucedido em seu cinema. Aqui, o diretor parece fora de prumo, disperso no meio de um &#8220;oceano&#8221; de ideias das quais se apropria e não sabe muito bem o que quer dizer com todas elas para além do óbvio.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Halder Gomes</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Maria Fernanda Cândido, Chico Diaz, Samantha Heck Müller</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/WIkI82D00O0?si=cBmawBvpa5nJUxYk" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>26º Festival Cine PE: Vermelho Monet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Dec 2022 17:25:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como empregar força para uma história? Um dos elementos mais relevantes para o estabelecimento de ritmo ou de intensidade é a criação do equilíbrio. Seja na maneira como as velocidades são utilizadas ou na importância de empregar uma dinâmica que transite entre forte e suave, é necessário que uma produção saiba a hora de convocar seus momentos de intensidades e de respiros. Para que tal objetivo seja alcançado, é fundamental reconhecer o real sentido do que se deseja transmitir. Mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Como empregar força para uma história? Um dos elementos mais relevantes para o estabelecimento de ritmo ou de intensidade é a criação do equilíbrio. Seja na maneira como as velocidades são utilizadas ou na importância de empregar uma dinâmica que transite entre forte e suave, é necessário que uma produção saiba a hora de convocar seus momentos de intensidades e de respiros. Para que tal objetivo seja alcançado, é fundamental reconhecer o real sentido do que se deseja transmitir. Mais ainda, é vital que a equipe esteja completamente coesa e em função da narrativa. Porque é para ela e por ela que tudo deve ser planejado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente, este não é o caso de <strong><em>Vermelho Monet</em></strong>. Aqui, há uma explosão tão cósmica de exageros, que saber por onde começar a falar sobre ele é uma tarefa árdua. Dirigido  por Halder Gomes (</span><i><span style="font-weight: 400;">Cine Holliúdy</span></i><span style="font-weight: 400;">), o longa-metragem tenta criar toda uma atmosfera artística &#8211; ou, pelo menos, do que se é considerado como tal. Seja pelas próprias personagens, pela trama, os cenários, figurinos, música etc há um esforço em mostrar uma &#8220;alta cultura&#8221; &#8211; e o uso deste termo desagradável é mais para deixar nítido o que está presente na tela. </span><span style="font-weight: 400;">Assim, em cada milímetro da projeção são encontradas marcas fortes de uma arte cânone. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é aí que os problemas começam. </span><span style="font-weight: 400;">Com tantas referências fortes, como <em>Für Elise</em>, de Beethoven, ou nas menções imagéticas e faladas de pintores e artistas plásticos clássicos,  sentidos isolados são criados. </span>Ao escutar e visualizar obras que já têm interpretações e lugares profundos no imaginário da sociedade, o público pode criar uma relação extra fílmica de tal maneira que sinta um afastamento completo com o filme. Para conseguir não perder o espectador, no meio de uma chuva de citações diretas e indiretas, o ideal seria alguma dose de contenção em outros elementos inseridos no projeto.</p>
<p>Todavia, não há para onde fugir em <em><strong>Vermelho Monet</strong>. </em>Um dos fatores mais complicados são as atuações exageradas, com criações de tipos, colocados de maneira não orgânica na tela. O Johannes Van Almeida de Chico Díaz é a caricatura da caricatura de um pintor. <span style="font-weight: 400;">Com uma partitura corporal que incluiu tremedeiras e olhos piscando recorrentemente, a sensação que Díaz passa é a de que o seu processo passou por uma construção racional e cerebral demais. Isto acaba evocando uma representação e não uma interpretação. Todos os traços de Johannes são externos, soltos, sem tonicidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As intenções do texto são sim compreendidas, mas com o alto custo da artificialidade nas movimentações e diálogos. </span><span style="font-weight: 400;">Na verdade, esta análise do trabalho do Chico poderia ser usada para tratar de quase todo o elenco. </span>No entanto, em alguns momentos, a protagonista consegue sair desta atmosfera de caricatura. Samantha Müller, em seu primeiro longa, revela habilidade em deixar o seu texto mais fluido e crível. Isto não acontece durante toda a projeção, porém o fato de Müller passar alguma fé cênica neste cenário caótico mostra algum potencial da intérprete. Todavia, a maior carga da responsabilidade não é dos atores e sim do roteiro.</p>
<p>Para além de tentar forçar uma história de amor e crime &#8211; que já não é algo original -, os diálogos são o que mais comprometem a fruição e também o que interfere negativamente nas atuações. Há uma tentativa de pompa, de criar uma ambientação de intelectualidade. <span style="font-weight: 400;">No uso desta estratégia, a ligação empática que a plateia poderia criar com a história se quebra. Porque há distanciamento demais quando os sentimentos  e sensações das personagens são colocadas em textos que soam como se fossem mais para serem lidos do que falados. </span><span style="font-weight: 400;">O uso da fala não cotidiana poderia ser bem-vinda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, a questão central é que aqui esta escrita hiper elaborada e pomposa não funciona, justamente porque nada neste material parece estar em função da narrativa em si. E é por esta razão que os diálogos são truncados e sem organicidade. O que acontece com <strong><em>Vermelho Monet</em></strong> é que ele é uma tentativa de mostrar demais. </span>Nesta turbulência de querer impor uma força de cores, entonações e emoções, o resultado é o oposto ao que parece ter sido a vontade do realizador e de sua equipe. Há toda uma boa intenção, mas o resultado é cansativo e indigesto.</p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Halder Gomes</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Samantha Müller, Chico Díaz, Maria Fernanda Cândido</span></p>
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