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	<title>Arquivos Marco Dutra - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Marco Dutra - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Festival de Gramado: Todos os Mortos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2020 14:36:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um período no qual a abolição da escravatura era ainda mais recente, um pouco mais de dez anos, os brancos continuavam enxergando os negros como suas propriedades. Neste contexto é que se passa a história de Todos os Mortos, novo filme de Marco Dutra (As Boas Maneiras) e Caetano Gotardo (O Que Se Move). Dentro da trama, a partir das tensões raciais, é possível notar uma tentativa de crítica social à branquitude e suas ações egoístas e perversas. Ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em um período no qual a abolição da escravatura era ainda mais recente, um pouco mais de dez anos, os brancos continuavam enxergando os negros como suas propriedades. Neste contexto é que se passa a história de <strong><em>Todos os Mortos</em></strong>, novo filme de Marco Dutra (<em>As Boas Maneiras</em>) e Caetano Gotardo (<em>O Que Se Move</em>). Dentro da trama, a partir das tensões raciais, é possível notar uma tentativa de crítica social à branquitude e suas ações egoístas e perversas.</p>
<p>Ao mesmo tempo, é perceptível a busca por situações vivenciadas por negros neste período, trazendo personagens como João (Thomas Aquino). Ele é um jovem miscigenado, que procura seu lugar na sociedade racista e elitista; Iná (Mawusi Tulani), uma mãe, que precisa proteger seu filho e que conhece bem a família branca retratada, pois já foi escravizada por eles; ou João (Agyei Augusto), um menino que, ainda desconhece os perigos de conviver com racistas e vive no meio destas tensões raciais.</p>
<p>Apesar de existir este trabalho no roteiro na construção de personagens complexas para os negros, trazendo uma representação um tanto menos genérica do que aquela que o audiovisual costuma empregar, há um incômodo com os rumos que a trama apresenta. Me colocando como mulher branca, que precisa escrever sobre esta obra, procurarei expor meu olhar ao relatar a indisposição que tive durante a projeção, posso afirmar que aqui fica um engasgo no momento no qual o longa não consegue avançar e ter coragem para colocar o poder de ação nas personagens negras.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-13253 aligncenter" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos.jpg" alt="Todos os Mortos" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Enquanto o clima de suspense é estabelecido, o clímax se aproxima e são os brancos que dominam o destino e encaminhamento dos conflitos e finalizações. Um exemplo é quando João, que deseja se casar com Ana, caucasiana, recita um poema e comenta como Cruz e Sousa parece francês. A jovem diz que não concorda com ele, pois viu uma foto do escritor no jornal. O poeta é negro e foi isso que Ana quis elucidar para João. Será que a branca precisava mesmo ocupar esse lugar, dizendo isto para um rapaz negro?</p>
<p>Partido para os aspectos da forma, <strong><em>Todos os Mortos</em></strong> consegue estabelecer uma atmosfera de terror, principalmente em relação às questões sociais e de raça. Há uma suspensão no ar, onde a qualquer momento algo pode vir a acontecer. Até o seu segundo ato, o filme também apresenta uma progressão e os acontecimentos chegam lentamente, até alcançar em seu ápice. A mise-en-scène colabora com esta construção da opressão e dos embates expostos ali.</p>
<p>No entanto, o clímax ocorre um tanto antes do necessário e, em seguida, ele não consegue manter a sua dinâmica e passa a se tornar cansativo. No geral, a projeção tem bons momentos, como a sequência do piano ou no retorno de Iná para a sua religião. Contudo, há desequilíbrio de ritmo, evocando a aceleração e os respiros em momentos descasados, bem como na visão determinista, que retira o poder das personagens negras.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Marco Dutra e Caetano Gotardo<br />
<strong>Elenco</strong>: Mawusi Tulani, Agyei Augusto, Carolina Bianchi</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ftTjVfAns1g" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Entrevista (XIII Panorama): Juliana Rojas e Marco Dutra, de As Boas Maneiras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Nov 2017 12:00:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[As Boas Maneiras]]></category>
		<category><![CDATA[Juliana Rojas]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[XIII Panorama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na abertura da 13ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema, que acontece em Salvador e Cachoeira entre os dias 08 e 15 de novembro, foi exibido As Boas Maneiras, que já passou pela recente edição do Festival do Rio e pelo Festival de Locarno, angariando alguns prêmios. Os diretores e roteiristas do longa Juliana Rojas e Marco Dutra estiveram em Salvador para promover o filme e participar dos debates após a sessão. Aproveitamos a oportunidade e conversamos brevemente com os realizadores [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na abertura da 13ª edição do <b>Panorama Internacional Coisa de Cinema</b>, que acontece em Salvador e Cachoeira entre os dias 08 e 15 de novembro, foi exibido <i>As Boas Maneiras</i>, que já passou pela recente edição do Festival do Rio e pelo Festival de Locarno, angariando alguns prêmios. Os diretores e roteiristas do longa Juliana Rojas e Marco Dutra estiveram em Salvador para promover o filme e participar dos debates após a sessão.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Aproveitamos a oportunidade e conversamos brevemente com os realizadores sobre o filme, suas carreiras e sobre a recente leva de filmes de terror. Confira abaixo o nosso bate-papo:</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><b>Coisa de Cinéfilo: </b>Em <i>As Boas Maneiras </i>vocês têm como questão norteadora da história a gravidez de uma das personagens. Inevitavelmente irão surgir paralelos entre o filme e <i>O Bebê de Rosemary </i>do Roman Polanski no público que se deparar com a sinopse do filme. Como vocês enxergam essa comparação?</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><b>Juliana Rojas: </b><i>O Bebê de Rosemary </i>não foi uma referência direta para o filme. Acho que uma das principais inspirações foi uma peça do Brecht chamada <i>O Círculo de Giz Caucasiano</i> na qual ele discute a maternidade adquirida, a adoção e a biológica. Esta foi uma das inspirações para nós. Eu entendo que as pessoas estabeleçam essa relação com o filme do Polanski porque tem uma gravidez e é um filme de horror, mas acho que vai para um caminho totalmente diferente porque o <i>As Boas Maneiras </i>é um longa que fala de uma relação com essa criatura que está sendo gestada por uma das personagens e é um filme sobre concessão de maternidade, sobre um afeto. <i>O Bebê de Rosemary </i>é mais um filme de paranoia da personagem sobre a própria vivência dela, do que a cerca. O filme do Polanski é muito interessante mas o público vai perceber que ele trabalha com outras questões. Não foi uma das nossas principais referências.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><b>Coisa de Cinéfilo: </b>Vocês estão voltando a trabalhar juntos com <i>As Boas Maneiras</i>. O que existe nesse projeto que fez com que vocês se unissem novamente? Como ele foi pensado?</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><b>Marco Dutra: </b>Esse filme é anterior aos filmes que fizemos separadamente. Começamos a discuti-lo na época do <i>Trabalhar Cansa. </i>Eu compartilhei um sonho que tive com a Ju, era uma imagem de duas mulheres cuidando de um bebê num lugar isolado. Nós discutimos um pouco essa imagem e a vontade de fazer um filme sobre maternidade, sobre a relação dessa família estranha, do que seria esse bebê. As ideias foram desenvolvidas até virar esse filme. A primeira versão era bem diferente, mas as ideias base da história que a gente vê hoje já estavam lá. Conforme a gente se envolvia com outros filmes, a Ju com o <i>Sinfonia da Necrópole </i>e eu com <i>Quando eu era vivo </i>e <i>O Silêncio do Céu</i>, nunca paramos de desenvolver o roteiro e captar dinheiro pro <i>As Boas Maneiras</i>. Foi um filme que levou tempo, tivemos co-produção com a França&#8230; Então o tempo de gestação foi longo, mas foi uma ideia que surgiu quando fizemos o primeiro filme juntos a partir desse sonho que eu tive.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><b>Coisa de Cinéfilo: </b>Vocês têm sido apontados como referência para uma nova geração no gênero, sobretudo quando ele estreita essa relação com a crítica social. A gente vem numa crescente de títulos que conseguiram êxito internacional nesse sentido, como a própria obra de vocês, recentemente o <i>Corra! </i>do Jordan Peele&#8230; A que vocês atribuem esse movimento e como vocês percebem o cinema que fazem nesse contexto?</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><b>Juliana Rojas: </b>Eu acho que o horror existe desde o cinema mudo e sempre vai existir. Tem um fascínio humano por isso, por sentir medo, por investigar a morte, o sobrenatural. Isso é meio o que mantém a gente vivo a isso, a nossa curiosidade. Acho que é da natureza humana se sentir atraído por esse tipo de narrativa. Mesmo antes do cinema tinha a literatura, os mitos e as lendas. No cinema tem os ciclos. Há momentos em que o gênero está muito em alta, depois ele é renegado e tratado como filme menor, daí volta a ter uma alta. É uma alta mais no sentido comercial do que no reconhecimento artístico porque o cinema de horror ainda sofre muito preconceito, como se não fosse propriamente cinema, mas &#8220;cinema de horror&#8221;. Acho que a gente está num ciclo de alta, um momento no qual os filmes estão muito populares. Você percebe isso pelo número séries de TV e filmes feitos e recepcionados. São os títulos que fazem grande sucesso. Então está sendo muito bom viver essa fase na qual o que a gente gosta de fazer tá sendo reconhecido. Espero também que seja uma fase que possibilite um fomento maior de produções brasileiras desse conteúdo para cinema e TV e que a gente fortaleça mais a nossa cinematografia de horror.</p>
<p><b>Créditos da imagem que abre a matéria:</b> Divulgação (Patrícia Almeida)</p>
</div>
</div>
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		<title>Crítica (XIII Panorama): As Boas Maneiras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Nov 2017 11:48:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[As Boas Maneiras]]></category>
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		<category><![CDATA[Marjorie Estiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O terror não pode ser confinado ao show de atrações do cinema dos sustos e violência gráfica adolescente, ainda que não haja problema algum quando ele ocasionalmente se restrinja a isso. Quando consciente da sua potência simbólica, o gênero e suas histórias flertam com o fantástico para explorar problemas sociais ou se debruçar sobre a psicologia fragilizada dos seus protagonistas num exercício de estudo de personagem, mergulhando sua narrativa na zona perigosa dos medos humanos. Desde Trabalhar Cansa, Marco Dutra e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O terror não pode ser confinado ao show de atrações do cinema dos sustos e violência gráfica adolescente, ainda que não haja problema algum quando ele ocasionalmente se restrinja a isso. Quando consciente da sua potência simbólica, o gênero e suas histórias flertam com o fantástico para explorar problemas sociais ou se debruçar sobre a psicologia fragilizada dos seus protagonistas num exercício de estudo de personagem, mergulhando sua narrativa na zona perigosa dos medos humanos.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Desde <i>Trabalhar Cansa</i>, Marco Dutra e Juliana Rojas intentam esse tipo de comunicação com o público através das suas histórias. Com <i>As Boas Maneiras</i>, a dupla de cineastas encontra uma forma de compor um inspirado conto de horror sobre lendas brasileiras que em alguns momentos flerta com a fábula &#8211; e até mesmo com o musical &#8211; para costurar a história de uma natureza reprimida que gradualmente dá sinais da necessidade de externar seus instintos. A ideia central é que nenhum sujeito consegue viver muito tempo lutando contra suas vontades por receio dos estragos que as mesmas possam fazer na sociedade que o cerca. Ao mesmo tempo, <i>As Boas Maneiras </i>quer abordar a maternidade biológica e adotiva e como os vínculos criados com o ser que está sendo gestado no corpo de uma de suas personagens é estabelecido de diferentes maneiras por suas protagonistas.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">No filme, Ana, personagem de Marjorie Estiano, está prestes a dar a luz ao seu primeiro filho e para isso conta com a ajuda de Clara, a ótima Isabél Zuaa. Ana contrata Clara para ser sua empregada após uma exaustiva rodada de entrevistas com diversas candidatas. A relação entre as duas fica cada vez mais próxima e Clara começa a perceber que a gravidez de Ana não é uma gestação como outra qualquer, sobretudo quando a patroa passa a apresentar estranhos sinais, como sonambulismo e, consequentemente, outros atos bizarros sob a luz da lua cheia. Os laços entre Ana e Clara ficam ainda mais fortes quando a primeira dá luz à criança e sua cuidadora se depara com uma importante decisão a ser tomada.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8391" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/11/AsBoas-Maneiras.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O centro da narrativa de Dutra e Rojas é, até certo ponto, a dinâmica entre Ana e Clara, suas personalidades distintas, mas também complementares. A faísca entre as personagens fica por conta dos desempenhos inspirados da dupla de atrizes Marjorie Estiano e Isabél Zuaa. Como Ana, Estiano explora a inconsequência e a falta de rumo de uma mulher que de repente se vê tendo que administrar uma gravidez inesperada e indesejada por sua família. Lidando com a frustração do seu destino e não sabendo administrá-lo, Ana encontra suporte em Clara, vivida com fibra, mas também ternura adquirida por uma fenomenal Isabél Zuaa, que brilha na tela, sobretudo quando assume a maternidade adotiva no segundo momento da história. Mais do que isso prometo não contar para não estragar as surpresas.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O roteiro de Rojas e Dutra traça um percurso fluido para seu conto de horror que apesar de estender-se um pouco no terceiro ato desenvolve toda uma cadeia de acontecimentos capaz de manter o espectador grudado na tela, envolvido com as personagens que preenchem <i>As Boas Maneiras </i>de afeto. Mesmo os momentos mais graficamente violentos da trama não são marcados pelo vazio dos gratuitos litros de sangue, mas por uma relevância dentro do universo da história contada e são alternados por circunstâncias que fortalecem a relação de Ana e Clara com o bebê, tornando o espectador cúmplice de sentimentos que ganham complexidade e âncoras muito bem construídas.  Ao mesmo tempo, o olhar da dupla de realizadores para os eventos narrados é sofisticado do ponto de vista estético, com uma atenção aos elementos que compõem os quadros como objetos cênicos e a paleta de cores adotada, mas também evitando que isso se sobreponha ao evidente enfoque narrativo do filme.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Ao mesmo tempo em que fornece ao espectador uma história marcada por simbologias, <i>As Boas Maneiras </i>pode ser vivenciado como uma narrativa destacada do terreno semiológico com suas relações e personagens que funcionam por afetos bem estabelecidos no universo proposto na tela. Para além dos elementos soturnos que transformam <i>As Boas Maneiras </i>num conto urbano com traços tipicamente barasileiros (e nesse sentido a ambiência da história no São João e no universo rural  foram certeiros), a jornada de Clara é humana pelos conflitos que a mesma vivencia ao se afeiçoar de maneira tão visceral pelas personagens que conhece ao longo da história. Independente do olhar que se tenha para o filme, <i>As Boas Maneiras</i> deixa ótimas impressões no espectador pelo esmero com que sua narrativa é lapidada por seus realizadores e pela qualidade do desempenho dos seus atores, especialmente Isabél Zuaa, o coração desse filme.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Filme assistido no XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema. Para mais informações sobre a programação do evento que vai até dia 15 de novembro,<a href="http://coisadecinema.com.br/xiii-panorama/" data-blogger-escaped-target="_blank"> clique aqui. </a></p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/2x4vMoyqzkE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Silêncio do Céu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2016 00:34:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Carolina Dieckmann]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo Sbaraglia]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[O Silêncio do Céu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Silêncio do Céu começa com uma cena forte que acompanhará espectador e protagonistas ao longo de suas quase duas horas de duração: Diana, personagem de Carolina Dieckmann, é estuprada por dois homens dentro da sua própria casa. Vivendo o trauma de um ato tão brutal, ela decide não contar para ninguém o ocorrido, nem mesmo para o seu marido Mario, vivido pelo argentino Leonardo Sbaraglia (Relatos Selvagens), que, logo na sequência da cena de abertura do thriller, descobrimos ter testemunhado a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><i>O Silêncio do Céu </i>começa com uma cena forte que acompanhará espectador e protagonistas ao longo de suas quase duas horas de duração: Diana, personagem de Carolina Dieckmann, é estuprada por dois homens dentro da sua própria casa. Vivendo o trauma de um ato tão brutal, ela decide não contar para ninguém o ocorrido, nem mesmo para o seu marido Mario, vivido pelo argentino Leonardo Sbaraglia (<i>Relatos Selvagens</i>), que, logo na sequência da cena de abertura do <i>thriller</i>, descobrimos ter testemunhado a ação. Assim, o terceiro longa-metragem de ficção do paulista Marco Dutra, de <i>Trabalhar Cansa </i>e <i>Quando Eu Era Vivo, </i>acompanha seu casal de protagonistas atormentados com a lembrança do crime que silenciam pelo tabu que o próprio tema tem no ambiente doméstico e social e que, consequentemente, levará um deles a cometer um ato extremo para estancar a ferida.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O filme é baseado no romance do argentino Sergio Bizzio, que, por sinal, já teve algumas das suas obras adaptadas para o cinema em filmes como <i>Rabia </i>e <i>XXY</i>, protagonizado por Ricardo Darín. Apresentado ao espectador como um suspense, o filme orquestra bem a cartela de efeitos do gênero, tendo Dutra como um mestre na arte de criar a atmosfera necessária para mergulhar personagens e espectador em uma situação de crescente tensão na qual o destino de todos surge como completamente imprevisível.</p>
<p>O roteiro, co-escrito por Bizzio, consegue costurar com destreza os caminhos percorridos por Diana e pelo seu esposo Mario na medida em que assimilam a situação que viveram e elaboram como vão lidar com ela dali em diante. A presença do cônjuge na rotina após o ocorrido é um fator psicologicamente desestabilizador para o casal pois ambos não sabem como e se devem falar sobre o ocorrido com o parceiro, especialmente ele que não consegue articular uma abordagem mais direta e sensível da questão com a mulher.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6753" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/10/silencioceu.jpg" alt="silencioceu" width="610" height="348" /></p>
<p>O longa consegue conduzir a sua trama através de momentos localizados em que priveligiam a perspectiva de ambos personagens sobre o drama. Com um material como o de <i>O Silêncio do Céu</i>, Dutra consegue converter em imagens a memória dilacerante do estupro pelo ponto de vista de Diana, que vivencia o horror do seu trauma em situações triviais como uma singela brincadeira dos filhos ou no momento íntimo do banho, sempre mediado pelo olhar distante e repleto de culpa de uma Carolina Dieckmann impecável na condução da personagem.</p>
<p>Dutra também é igualmente habilidoso na maneira como capta a obsessão de Mario pelos estupradores da sua esposa, o que abre caminho para uma interpretação igualmente avassaladora de Leonardo Sbaraglia. O diretor reforça a perspectiva do personagem sobre os eventos com <i>close-ups</i> nos seus olhos inquietos e cheios de medo e na maneira como enquadra a ambiência de Mario pelos cômodos da casa, externando uma atmosfera de inquietante conflito interno em espaços carregados pela sombra e pela sensação de  um perigo ilusório. Com essa abordagem, Dutra utiliza muito bem recursos típicos do suspense tais quais jogos de luzes e a exploração de sons diegético (uma chaleira esquentando ou o barulho do motor de um carro) como elementos que acentuam a tensão da história.</p>
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<p>Ainda assim, <i>O Silêncio do Céu </i>é arrebatador mesmo na maneira como compreende a dinâmica do casal principal e como o crime em questão é apenas um catalisador dos problemas de comunicação deles. Ao contar com atores aplicados em cena como Dieckmann e Sbaraglia, o filme de Marco Dutra ganha ainda mais em intensidade e cumplicidade do espectador. O longa não mede esforços em sua investigação da ferida exposta, tratando do trauma feminino à paralisia, machismo e fraqueza masculina no enfrentamento da questão. Portanto, <i>O Silêncio do Céu </i>prende o espectador na resolução do seu conflito principal como um bom exemplar de suspense, mas proporciona ao público um complexo mergulho na psicologia de personagens dilacerados por um dos crimes mais bárbaros que alguém pode imaginar ser vítima.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/frY3iDxzNlE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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