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	<title>Arquivos Maggie Civantos - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Influência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Oct 2019 20:31:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Hereditário é uma das obras de terror mais aclamadas da década. A produção de Ari Aster se destacou pela minuciosa direção, uma poderosa atuação de Toni Collete e toda sua ambientação macabra. Assim, seu roteiro era o que menos importava. Infelizmente, Influência — nova produção espanhola da Netflix — não conseguiu compreender a obra anterior. Pior do que isso, pois tornou-se uma cópia sem alma de seu enredo, mas que falhou em todos os outros aspectos. Influência começa quando Alicia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-hereditario/"><em>Hereditário</em></a> é uma das obras de terror mais aclamadas da década. A produção de Ari Aster se destacou pela minuciosa direção, uma poderosa atuação de Toni Collete e toda sua ambientação macabra. Assim, seu roteiro era o que menos importava. Infelizmente, <em><strong>Influência </strong>—</em> nova produção espanhola da <em>Netflix</em> <em>— </em>não conseguiu compreender a obra anterior. Pior do que isso, pois tornou-se uma cópia sem alma de seu enredo, mas que falhou em todos os outros aspectos.</p>
<p><em><strong>Influência</strong> </em>começa quando Alicia (Manuela Vellés, <em>Um Caminho de Luz) </em>volta para a antiga casa da família com o objetivo de cuidar de sua idosa mãe, que respira por aparelhos e é auxiliada pela outra filha, Sara (Maggie Civantos, <em>Vis a Vis</em>). Junto com sua filha, Nora (Claudia Placer, <em>Vis a Vis</em>), e o marido, Mikel (Alain Hernández, <em>O Fotógrafo de Mauthausen</em>), Alicia descobrirá que uma força oculta impede a morte da matriarca, ao mesmo tempo que fantasmas e traumas de seu passado retornam.</p>
<p>Dirigido e escrito por Denis Rovira van Boekholt, o longa é, primeiramente, refém de seu próprio ritmo. Apenas com uma hora de película que, de fato, a narrativa engrena e o diretor decide adotar um terror visual mais intenso (<em>gore</em>). Antes disso, só provocações habituais, com <em>jumpscares </em>bobos, como o marido que surpreende a esposa por trás e a edição de som realça o momento com um grande barulho.</p>
<p>Além do mais, as escolhas estéticas de Rovira são extremamente questionáveis e gratuitas. Marcado pelo vermelho no interior da casa e pelo verde nas locações exteriores, essa excessiva coloração no design de produção acaba saindo como um tiro na culatra. Com o tempo, a visão do espectador se acostuma com a paleta e o caráter místico da casa perde toda sua força.</p>
<p>De mesmo modo, o realizador espanhol usa uma lente <em>fisheye</em> no meio de uma cena que, ainda que naquela situação crie uma sensação de perda de profundidade, torna-se desproposital dentro da obra como um todo. Não só isso, como a câmera, quando certo personagem vai arrombar uma porta, acompanha o movimento de um machado uma vez para depois não repetir o movimento.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11553" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Influência-750x500.jpg" alt="Influência" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Influência.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Influência-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Influência-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Entretanto, para não dizer que tudo é um desastre, Rovira adota um paralelismo visual com um plano aéreo ao longo de <em><strong>Influência</strong></em> que possui uma satisfatória justificativa no terceiro ato. Por outro lado, há diversos planos-detalhes que fingem ser um efeito <em>Kuleshov — </em>quando a câmera foca em um objeto da trama que será importante posteriormente — e diversas subtramas que ameaçam surgir, mas jamais possuem a importância explanada. Só para exemplificar: a máquina de costura que liga sozinha; o facão na parede; o <em>walkie-talkie;</em> a máscara preta; o trauma do primo; o machucado na mão; o <em>bullying</em> sofrido por Nora; o marido dançando <em>heavy metal; </em>a morte do eletricista. Ufa.</p>
<p>A pretensão é tanta, que é como se o diretor estivesse deslumbrado por comandar um longa-metragem pela primeira vez. Aliás, há uma cena de violência com animais que também não possui outro propósito, senão chocar. Neste sentido, nos poucos minutos que <em><strong>Influência </strong></em>se assume como um terror do subgênero de bruxaria, é que ele realmente assusta, através de uma ótica de simbolismos marcados por caveiras e aranhas. No resto do tempo, ele insiste na ingenuidade de achar que uma senhora numa cama e uma meninininha são ameaças horripilantes o suficiente para sustentá-lo. Similarmente, o filme é marcado por transições abruptas, o que também sabota o pouco de temor causado pela história, uma vez que tira completamente o público de sua imersão.</p>
<p>Quanto as atuações, Vellés e Civantos, apenas com olhares e pelo modo de falar de suas personagens, conseguem demonstrar que há conflitos do passado não resolvidos, mas no fundo desejam se reconciliar. Todavia, quando vai para o terror, nenhuma das duas conseguem trazer credibilidade o suficiente, seja Vellés com seus gritos histéricos ou Civantos pelos olhos arregalados. Enquanto isso, Hernández faz o típico marido <em>macho man</em> e a menina Placer está longe de entrar no <em>hall</em> das crianças assustadoras do cinema.</p>
<p>Por fim, <em><strong>Influência </strong></em>é um bom exercício para estudantes de cinema aprenderem a como não fazer horror. Nem uma possível subcamada de abuso maternal traz profundidade à produção espanhola, que prefere chocar por chocar. Curioso que, se há uma conclusão a se tirar do longa, é como Ari Aster possui muitos méritos. Afinal, o diretor pegou um fraco esqueleto de roteiro e o transformou numa referência para o terror moderno. Ao passo que nas mãos erradas, um total desastre se tornou real.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Denis Rovira van Boekholt<br />
<strong>Elenco: </strong>Manuela Vellés, Maggie Civantos, Alain Hernández, Claudia Placer</p>
<p><strong>Assista ao <a href="https://coisadecinefilo.com.br/category/trailers/">trailer</a>!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=xtlfJHsjGBQ]</p>
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