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	<title>Arquivos Lin-Manuel Miranda - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Lin-Manuel Miranda - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Tick, Tick&#8230; Boom! (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Dec 2021 19:25:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O dramaturgo e compositor Jonathan Larson ficou conhecido por revolucionar os musicais da Broadway com Rent, espetáculo que, na contramão de tendências do gênero, abordava temas graves com um grupo de amigos da Nova York dos anos 80: o desemprego, o consumo de drogas e, sobretudo, o crescimento da AIDS. Larson conseguiu seu sucesso aos trinta e poucos anos, batalhou muito por isso e teve diversas crises pessoais e profissionais, mas não conseguiu &#8220;saborear&#8221; esse momento pois faleceu pouco tempo de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O dramaturgo e compositor Jonathan Larson ficou conhecido por revolucionar os musicais da Broadway com Rent, espetáculo que, na contramão de tendências do gênero, abordava temas graves com um grupo de amigos da Nova York dos anos 80: o desemprego, o consumo de drogas e, sobretudo, o crescimento da AIDS. Larson conseguiu seu sucesso aos trinta e poucos anos, batalhou muito por isso e teve diversas crises pessoais e profissionais, mas não conseguiu &#8220;saborear&#8221; esse momento pois faleceu pouco tempo de um tipo raro de aneurisma.</p>
<p>A história de Larson é contada em <strong><em>Tick, Tick&#8230; Boom!</em></strong>, musical autobiográfico de autoria do próprio compositor. Nele, Larson conta o período em que criava um musical chamado Superbia para um workshop em Nova York e chamou a atenção de figurões da área, como o recém-falecido Stephen Sondheim (de <em>West Side Story </em>e <em>Sweeney Todd</em>). Esta produção off-Broadway de Larson narra os anseios de jovens adultos que vivem as ansiedades e cobranças de não cumprirem a utopia da ascensão profissional antes dos 30 anos. Larson começa a ser tentado pela ideia de abandonar os seus sonhos para encontrar alguma atividade que lhe dê retorno financeiro mais imediato. Ao mesmo tempo, o compositor vê diversos dos seus amigos morrerem por complicações decorrentes da AIDS.</p>
<p><strong><em>Tick, Tick&#8230; Boom! </em></strong>é o primeiro filme dirigido por Lin-Manuel Miranda, que a esta altura já deixou de ser uma figura conhecida apenas no seu nicho, já que tem assinado os créditos como compositor de uma série de recentes produções do gênero no cinema, de <em>Em um Bairro de Nova York</em>, passando ainda pelas animações <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-encanto/"><em>Encanto</em></a>, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-moana-um-mar-de-aventuras/"><em>Moana</em> </a>e <em>Vivo: Um Amigo Show</em>. O mais célebre trabalho de Miranda é, sem dúvida, Hamilton, cuja versão filmada em 2020 para o Disney + foi um sucesso e que assim como Rent de Larson também é tido por muitos especialistas como um musical revolucionário pelo teor das suas composições.</p>
<p>A adaptação de <strong><em>Tick, Tick&#8230; Boom!</em></strong> tem como mérito captar o dilema de jovens profissionais das artes. São personagens que exercem algo que contraria o imaginário sobre o sucesso profissional meteórico. Ao longo do musical temos exemplos de jovens adultos que desistem dos seus sonhos, como é o caso do melhor amigo do protagonista, outros que os adaptam, o exemplo da namorada de Larson, e nosso personagem central que persiste na sua vocação, mas vê suas convicções pontualmente fragilizadas diante dos &#8220;nãos&#8221; recebidos e por testemunhar todos ao seu redor encontrando meios e alternativas de sobreviver diferente das suas, algumas bem mais exitosas, por sinal. Às vésperas de completar 30 anos e não estar no lugar que se esperava estar nesse momento da sua vida, Larson é consumido pela sensação de correr contra um tempo que o atropela.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14868" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/TICK-TICK-BOOM-scaled-1.jpg" alt="Tick, Tick... Boom!" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/TICK-TICK-BOOM-scaled-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/TICK-TICK-BOOM-scaled-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/TICK-TICK-BOOM-scaled-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/TICK-TICK-BOOM-scaled-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>Tick, Tick&#8230; Boom!</em></strong> é o tipo de experiência que talvez somente profissionais de áreas não tão prestigiadas socialmente conseguem dimensionar, mas que tem lá a sua universalidade. <strong><em>Tick Tick&#8230; Boom!</em></strong> fala da forma violenta como somos absorvidos por essas narrativas ilusórias de sucesso meteórico e como nossa visão romantizada sobre nossas respectivas trajetórias podem ser frustradas pela realidade em si. Ao mesmo tempo, é um material que celebra a resposta a uma vocação e como isso enche de sentido nossa própria existência e jornada.</p>
<p>Apesar der ser muito tocante na condução da sua temática, <strong><em>Tick, Tick&#8230; Boom!</em></strong> exibe um Lin-Manuel Miranda inseguro sobre as possibilidades narrativas do seu musical. A ideia de transformar os números em apresentações off-Broadway do próprio Larson, vivido lindamente por Andrew Garfield, é um dos pontos altos das decisões de Miranda e que nos remete a própria gênese de <strong><em>Tick Tick&#8230; Boom!</em></strong>(originalmente, ele foi montado desta forma). Ao mesmo tempo, o longa é tomado por números que extrapolam esse recurso e tomam o cotidiano dos personagens ou ainda por insights criativos supérfluos, como o clipe da MTV que surge em dado momento.</p>
<p>Há também um fator que faz o filme ter muitos altos e baixos, as canções de <strong><em>Tick, Tick&#8230; Boom!</em></strong> são mais inspiradoras do que o longa como encenação em si. Quando deixa de lado as apresentações de Larson para sua plateia, o musical fica um pouco desinteressante e até mesmo tem dificuldade para amarrar os eventos da biografia do compositor, funcionando melhor como divagações cantadas sobre a vida do protagonista do que como um encadeamento de eventos bem correlacionados. Há relações e personagens que atravessam a vida de Jonathan Larson que ou tornam-se dispensáveis dadas as proporções que ganham, como o romance com Susan, personagem de Alexandra Shipp, ou que mereciam mais espaço de tela, como é o caso do melhor amigo de Larson, Michael, interpretado pelo ótimo Robin de Jesus.</p>
<p><strong><em>Tick Tick&#8230; Boom!</em></strong> é um longa que deixa o espectador em conflito o tempo todo. Ao mesmo tempo que apresenta de forma tocante o dilema central do seu personagem principal e o faz com composições belíssimas, é um filme que pelas características do próprio musical (uma série de divagações de Jonathan Larson sobre a vida) tem dificuldade para se mostrar interessante como narrativa. Há ótimos momentos e outros que carecem de uma melhor evolução na história tendo em vista que aqui os acontecimentos extrapolam a lógica da apresentação intimista no palco.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Lin-Manuel Miranda</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Andrew Garfield, Vanessa Hudgens, Bradley Whitford, Alexandra Shipp, Judith Light, Joshua Henry, Noah Robbins</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/gOSGZGdp0lI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Retorno de Mary Poppins</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Jan 2019 18:36:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A mente infantil é mais sagaz do que parece. O público mais novo se mostra cada dia mais exigente e, consequentemente, cobra do mercado cinematográfico novidades em suas tramas. O público mais novo leva a indústria cinematográfica ao infindável processo de inovação e criação. Por isso, os estúdios têm tentado fazer coisas novas nos últimos tempos, em função dessa cobrança do consumidor jovem. Algumas vezes a “saída criativa” encontrada pelas produtoras para captar a atenção desses espectadores não dá muito [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A mente infantil é mais sagaz do que parece. O público mais novo se mostra cada dia mais exigente e, consequentemente, cobra do mercado cinematográfico novidades em suas tramas. O público mais novo leva a indústria cinematográfica ao infindável processo de inovação e criação. Por isso, os estúdios têm tentado fazer coisas novas nos últimos tempos, em função dessa cobrança do consumidor jovem. Algumas vezes a “saída criativa” encontrada pelas produtoras para captar a atenção desses espectadores não dá muito certo – como foi o caso da terrível animação <em>Emoji: O Filme</em> (2017). Outras, a simples reinvenção de uma história é o suficiente para renovar uma franquia e retomar a atenção desse público – a exemplo de <em>Bumblebee</em> (2018) que conseguiu se desvincular dos fracassos recentes de <em>Transformers</em> e abriu um leque de oportunidades futuras para o universo dos <em>autobots</em>.</p>
<p>Existe ainda uma saída mais perigosa: a revisitação de uma narrativa. Seja através de uma releitura ou refilmagem, esse é um dos caminhos mais incertos quando se fala da criação de um produto comercial. O resultado é incerto, pode ser um sucesso estrondoso ou um fracasso completo. E é nessa categoria de reinvenção que o longa-metragem <em><strong>O Retorno de Mary Poppins</strong></em>, produzido pela Walt Disney Pictures, se encaixa. A sequência do musical clássico de 1964 teve a difícil missão de emplacar seu sucesso individual sem ser ofuscado pelo antecessor.</p>
<p>Anos após sua primeira aparição, Mary Poppins (Emily Blunt) surge para, mais uma vez, ajudar a família Banks. Agora, a babá encantada chega em meio ao caos na família, onde Michael Banks (Bem Whishaw) está a um passo da falência. Sua irmã, Jane (Emily Mortimer), tem feito de tudo para ajudá-lo desde que ele perdeu a esposa e passou a cuidar sozinho das crianças. Mary Poppins será o lampião de esperança na vida de Annabel (Pixie Davies), John (Nathanael Saleh) e Georgie (Joel Dawson) e os levará, ao lado do seu amigo Jack (Lin-Manuel Miranda), numa jornada repleta de magia e felicidade para que eles reencontrem os caminhos e ajudem a família nesse momento difícil.</p>
<p>Devido aos inúmeros louros do longa estrelado, na década de 1960, por Julie Andrews, a produção precisou achar o seu suporte em alguma coisa além da nostalgia para não se tornar uma réplica. Eis que a presença de Rob Marshall (<em>Chicago</em>, de 2002, e <em>Caminhos da Floresta</em>, de 2014) faz toda a diferença para a produção. O diretor, produtor e coreógrafo traz toda a sua experiência da Broadway para as suas obras cinematográficas. Unindo as duas artes, os resultados visuais de seus trabalhos são sempre impressionantes – até mesmo quando o filme não é um musical. Assim, Marshall traz à produção nostalgia, fantasia e teatralidade as quais servem de guia e pilar de sustentação para toda a narrativa.</p>
<p>Os problemas começam quando pensamos no roteiro. A premissa do filme está muito sustentada no passado. Não existe uma desvinculação real entre o primeiro longa e a sequência. David Magee (<em>Em Busca da Terra do Nunca</em>, de 2004), apesar de sua genialidade comprovada em outros trabalhos, seguiu um caminho ruim ao dar segmento a história da babá mais emblemático da literatura e do cinema. Seja por razões dos produtores ou estúdio, decalcar o argumento de Mary Poppins (1964) para criar a base de sua sequência foi uma escolha sofrível. O resultado é uma previsibilidade sem tamanho em cada um dos acontecimentos, além do mal uso de alguns personagens e situações – como Jane Banks e as questões da Grande Depressão.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9751" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/01/3378712.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Retorno de Mary Poppins" width="610" height="348" /></p>
<p>A trilha sonora do longa é bem elaborada, mas segue a mesma estrutura do filme de 1964. As músicas compõem a mesma função narrativa sem se diferir muito na estrutura. Apesar disso, o compositor Marc Shaiman foi indicado na categoria de “Melhor Trilha Sonora” no Critics&#8217; Choice Movie Awards e no Golden Globe Awards. Em contrapartida, a direção de Rob Marshall fará a diferença outra vez. Os números musicais são encantadores e passam a magia e alegria propostas pela película. A dinâmica teatralizada ao longo das performances consegue fazer com que o público esqueça dos defeitos da produção por alguns minutos.</p>
<p>A escolha do elenco é interessante. Emily Blunt, apesar de carregar uma responsabilidade absurda, consegue dar sua própria interpretação a personagem, se distanciando completamente de Andrews. O problema da Mary Poppins de Blunt é sua falta de destaque. Apesar de ser a personagem-título do longa, ela acabou sendo colocada de lado enquanto a personagem de Lin-Manuel Miranda acabou se tornando, ao lado das crianças, a peça fundamental da história. Do início ao fim da sessão, Jack será a persona que norteará os acontecimentos, ofuscando a presença de Poppins. Ambos receberam indicações por seus papeis em diversas premiações – dentre elas Critics&#8217; Choice Movie Awards, Golden Globe Awards e Satellite Awards.</p>
<p>As crianças são adoráveis e cumprem o seu papel com a sinceridade de todo ator mirim que carrega o talento da interpretação. Seu deslumbramento nas cenas é tão real quanto o do público. Já os irmãos Banks se esforçam, porém não conseguem ter o melhor tempo de tela possível. Os dois são bons atores, mas não tiveram oportunidades cênicas para desenvolver uma performance memorável. Jane Banks, vivida por Emily Mortimer, por exemplo, tem o seu papel jogado fora por um mal aproveitamento do roteiro. Julie Walters, Colin Firth, Meryl Streep e Dick Van Dyke fazem aparições cuja única função é agradar pela presença. Walters carrega pequenas falas humorísticas que ajudam a descontrair quando são percebidas; Firth tem um papel fraquíssimo que faz a sua presença em cena ser insignificante; Meryl aparece para ser Meryl e agradar a todos apenas pela sua existência ilustre; e Van Dyke não passa de um agrado aos fãs do musical original por reverem o ator dançando por um breve momento.</p>
<p><em>Mary Poppins Returns</em> (título original) carregou uma missão quase impossível de superar o seu antecessor e ser diferente dele. O resultado dessa tentativa de distanciamento e originalidade não é dos melhores, mas isso não tira o encanto do filme. A magia, felicidade e crença no impossível – as quais sempre foram a essência da história – seguem como norte da produção. Todo o encantamento das cenas musicais, canções e animações fazem a sessão valer a pena. É verdadeiramente leve e enriquecedor a maneira como a película recarrega o pensamento puro e infantil de que tudo na vida é possível quando se acredita. Marshall conseguiu, apesar de todos os percalços, trazer de volta a magia que reinventou os musicais há mais de 50 anos atrás.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/vST_3HTWp3c" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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