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	<title>Arquivos Laura Linney - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Laura Linney - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Suncoast</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Feb 2024 18:09:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Seguindo uma tradição de dramas indies estadunidenses sobre a adolescência, Suncoast é o típico filme com selo da Fox Searchlight que chega ao Brasil diretamente no catálogo do serviço de streaming Star+. O elenco do drama conta com nomes conhecidos como Laura Linney e Woody Harrelson, mas como acontece na maioria desses projetos, ambos estampam os pôsteres da produção para gerar algum tipo de interesse no título (ainda que Linney tenha uma presença relativamente marcante neste aqui). O foco da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Seguindo uma tradição de dramas indies estadunidenses sobre a adolescência, <strong><em>Suncoast</em> </strong>é o típico filme com selo da Fox Searchlight que chega ao Brasil diretamente no catálogo do serviço de streaming Star+. O elenco do drama conta com nomes conhecidos como Laura Linney e Woody Harrelson, mas como acontece na maioria desses projetos, ambos estampam os pôsteres da produção para gerar algum tipo de interesse no título (ainda que Linney tenha uma presença relativamente marcante neste aqui). O foco da produção é mesmo na sua protagonista mais nova, Nico Parker, a &#8220;nepobaby&#8221; da vez, filha da atriz Thandie Newton e do diretor Ol Parker.</p>
<p><em><strong>Suncoast</strong> </em>narra a história de Dóris, uma adolescente que mora com a mãe e o irmão, que vive com cuidados paliativos em virtude do seu quadro de paralisia cerebral. Em casa, Dóris sempre foi relegada a segundo plano pela mãe em decorrência da atenção que o irmão requer constantemente, sobretudo no momento em que os acompanhamos no longa, onde ele se encontra nos seus últimos dias de vida. Acompanhando o irmão e a mãe no mesmo hospital que Terri Schiavo está internada (jovem que foi símbolo do movimento a favor da eutanásia), Dóris aproveita a ocasião para fazer algumas reuniões com os colegas de escola em sua casa e viver um pouco a adolescência.</p>
<p><strong><em>Suncoast</em> </strong>é um filme com boas intenções e boas ideias em torno de discussões sobre a vida de pacientes em estado vegetativo e a situação dos seus entes, estabelecendo um contraponto interessante entre a morte e a vontade de viver que é típica da juventude, algo negado a sua protagonista. Por força das circunstâncias, Dóris teve que assumir responsabilidades muito cedo e se anular no seio da própria família, uma situação estimulada pela própria mãe da personagem.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17724" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-2-2.png" alt="Suncoast" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-2-2.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-2-2-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-2-2-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-2-2-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O filme também é marcado por boas atuações. A jovem Nico Parker desenvolve com correção essa protagonista e explora bem os seus conflitos ao longo do filme. Laura Linney, por sua vez, exibe a competência que lhe é habitual no desenvolvimento de uma mulher se desdobrando em mil para dar atenção ao filho, mas que não consegue fazer o mesmo com Dóris. A personagem de Linney não consegue equilibrar o afeto da sua maternidade entre os dois filhos, sendo extremamente afetuosa e dedicada com o rapaz, mas omissa e muitas vezes cruel com Dóris. Linney imprime uma objetividade e secura, mas também sabe utilizar as emoções à flor da pele a favor da personagem sempre que lhe é requerido, nunca colocando aquela mulher como vilã ou como um modelo materno, localizando aquela figura apropriadamente em uma zona cinzenta cheia de humanidade.</p>
<p>O grande problema de <em><strong>Suncoast</strong> </em>é aquele que afeta a maior parte das produções similares a ela. Mesmo sendo um filme independente, é curioso perceber como Suncoast segue um padrão narrativo para se tornar palatável: a típica cartilha do &#8220;drama familiar leve sobre a adolescência com pitadas de temas urgentes&#8221;, contendo a contundência e a gravidade das suas questões com um &#8220;freio&#8221; para não afugentar um público que poderia rejeitar qualquer tipo de abordagem mais realista e menos pasteurizada daquela realidade. Trata-se de um approach replicado em tantos outros títulos estadunidenses que parecem formatados para a seleção de uma edição qualquer do Festival de Sundance, evento cinematográfico conhecido por receber muito bem esse tipo de projeto.</p>
<p>Com um roteiro e uma direção sem muito brilho, mas disposto a conferir pontualmente momentos bem recompensadores, <strong><em>Suncoast</em> </strong>está longe de ser um filme ausente de méritos, mas também não faz muito para buscar qualquer tipo de singularidade no contexto da produção cinematográfica. É um filme que, para o bem e para o mal está em uma zona de conforto, podendo render uma sessão descompromissada e satisfatória nesses termos, mas que pode decepcionar quem espera qualquer tipo de personalidade nesse tipo de história ou quem já está mais do que cansado desse tipo de produção.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Laura Chinn</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Woody Harrelson, Laura Linney, Nico Parker, Ella Anderson, Daniella Perkins</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/mAf68vZH4DA?si=HOLskrXikPHd9C5T" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Animais Noturnos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Dec 2016 15:15:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Aaron Taylor-Johnson]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Animais Noturnos é um longa estranho de se olhar. Dirigido por Tom Ford, conhecido estilista que estreou como cineasta no sensível Direito de Amar, protagonizado por Colin Firth e Julianne Moore, Animais Noturnos é baseado no romance de Austin Wright e traz como base para a construção da sua narrativa a já conhecida abordagem da história dentro de outra história. As camadas narrativas aqui são catalisadoras  da redenção dos seus principais personagens que se apropriam da ficção para isso. Em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>Animais Noturnos </i>é um longa estranho de se olhar. Dirigido por Tom Ford, conhecido estilista que estreou como cineasta no sensível <i>Direito de Amar</i>, protagonizado por Colin Firth e Julianne Moore, <i>Animais Noturnos </i>é baseado no romance de Austin Wright e traz como base para a construção da sua narrativa a já conhecida abordagem da história dentro de outra história. As camadas narrativas aqui são catalisadoras  da redenção dos seus principais personagens que se apropriam da ficção para isso.</p>
<p>Em linhas gerais, há dois filmes em <i>Animais Noturnos</i> aquele do &#8220;mundo real&#8221; e outro que é a ficção nas páginas do livro lido pela personagem de Amy Adams. No fundo, uma única história acaba interessando, a dessa mulher e seu relacionamento mal resolvido com o ex-marido, papel de Jake Gyllenhaal, que, por sinal, é o autor da obra que a protagonista lê e que também dá título ao filme que estamos vendo.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Assim, se <i>Animais Noturnos </i>for pensado como um drama sobre um relacionamento fracassado e as diferentes maneiras que seus protagonistas enxergam de expurgá-lo, ela através da reconciliação efetiva fora das páginas do livro e ele limando antigos &#8220;eus&#8221; e situações traumáticas na sua ficção da maneira mais drástica e violenta, o filme se resolve, sobretudo por uma cena final que sugere a continuidade da falta de comunicação entre os personagens centrais da história. Há ainda o acerto do filme no seu departamento plástico, centrado no olhar sofisticado da personagem de Adams, que como diretora de uma grande galeria de arte vive em ambientes dotados de uma estética particular, ao mesmo tempo, <i>Animais Noturnos </i>confere uma leitura asséptica ao conto sobre violência escrito pelo ex-parceiro da protagonista. Nada mais natural, afinal, é a visão dela sobre os acontecimentos do livro.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7094" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/12/noct.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Todavia o filme cai em uma armadilha. Ao trazer uma segunda ficção para sua história e levá-la para além das folhas de papel &#8211; percebam como durante a leitura a personagem de Adams começa a ser atravessada por acontecimentos estranhos que sugerem perigo ou temor (o pássaro morto após bater no vidro da área externa da casa da protagonista ou o vídeo da babá da sua assistente aparecendo diante da câmera enquanto cuida da criança) -, <i>Animais Noturnos </i>cria para si a obrigação de ser igualmente eficiente e minimamente interessante nessa chave de comunicação com o espectador, o que não acontece. A trama policial do livro do personagem de Jake Gyllenhaal é oca e pouco envolvente, o que nos faz: a) duvidar do talento do mesmo para a coisa; b) achar que qualquer leitor com o mínimo de critério e bagagem literária consegue achar a trama aborrecida; e c) duvidar do &#8220;bom gosto&#8221; da personagem de Adams que passa cenas e cenas do filme entretida com a tal história (tá certo que em algum momento ela encontra conexões com sua vidas, mas&#8230;).</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Há ainda outra armadilha em <i>Animais Noturnos</i>, mesmo trazendo ideias interessantes na costura da sua trama central (o relacionamento do casal de protagonistas), o filme ainda apresenta ranhuras. Por mais coerente que seja a leitura de Ford para os dois personagens e que o recurso da ficção como canal para exorcisar demônios pessoais funcione na história, se pararmos para pensar a fundo na composição dos personagens, seus conflitos e trajetórias, <i>Animais Noturnos </i>é um filme demasiadamente superficial. Tão superficial e frio quanto o universo de Susan Morrow (Adams). É uma pena porque todos esperavam bem mais da segunda incursão de Ford no cinema, ainda mais com um elenco desse calibre (juntam-se a Adams e Jake, Michael Shannon, Aaron Taylor-Johnson, Laura Linney, Michael Sheen, Andrea Riseborough, Isla Fisher e Armie Hammer). Fica para a próxima.</p>
</div>
<p><strong>Assista ao trailer do filme: </strong><br />
<iframe src="https://www.youtube.com/embed/MA4wBYcgEUQ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Sully &#8211; O Herói do Rio Hudson</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Dec 2016 15:30:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Aaron Eckhart]]></category>
		<category><![CDATA[Clint Eastwood]]></category>
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		<category><![CDATA[Sully: O Herói do Rio Hudson]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Hanks]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Sully: O Herói do Rio Hudson, Clint Eastwood (Menina de Ouro) nos narra o episódio verídico envolvendo o capitão Chesley &#8220;Sully&#8221; Sullenberger que, em janeiro de 2009, após sair do aeroporto de La Guardia em Nova York e ter as turbinas do avião que pilotava danificadas por uma revoada de pássaros, faz um pouso forçado no rio Hudson e salva os 150 passageiros a bordo da aeronave. Instantaneamente, como manda o circo midiático, Sully se transforma em um herói [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em <i>Sully: O Herói do Rio Hudson</i>, Clint Eastwood (<i>Menina de Ouro</i>) nos narra o episódio verídico envolvendo o capitão Chesley &#8220;Sully&#8221; Sullenberger que, em janeiro de 2009, após sair do aeroporto de La Guardia em Nova York e ter as turbinas do avião que pilotava danificadas por uma revoada de pássaros, faz um pouso forçado no rio Hudson e salva os 150 passageiros a bordo da aeronave. Instantaneamente, como manda o circo midiático, Sully se transforma em um herói nacional, trazendo para si todos os louros, mas também todo o peso que o título impõe.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Como bom exemplar da filmografia do seu realizador, <i>Sully </i>conta com o olhar elegante de Clint Eastwood para os fatos narrados e para o próprio orgulho americano que inescapavelmente transpira por todos os seus poros, caso contrário não seria um filme de Eastwood. O diretor sempre confere um tom patriótico a suas histórias e a jornada dos seus protagonistas, flertando sem grandes receios com a emoção em alta intensidade, mas, como ocorre nos seus melhores longas, evita as afetações dos seus colegas. Assim, Eastwood consegue transformar <i>Sully </i>numa história eminentemente americana, mas sem a histeria, as frases de efeito e a agressividade nacionalista de alguns realizadores que trafegam por uma mesma chave de discurso que a sua.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6998" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/11/sully.jpg" alt="sully" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em <i>Sully </i>fica evidente que Eastwood retoma um tema que lhe foi muito caro em <i>Sniper Americano</i>, seu filme anterior, as consequências de atos que aos olhos públicos são considerados como heróicos. Assim como o Chris Kyle, só que em um outro contexto, Sully vive o fardo da fama que lhe atribuem e muitas vezes entra em conflito a respeito da própria natureza do seu feito. O início de <i>Sully </i>nos apresenta seu protagonista em meio a tais questionamentos e todos eles são retomados na excelente sequência em que o personagem é julgado pela agência de regulação aérea norte-americana ao lado do seu co-piloto Jeff Skiles, interpretado por Aaron Eckhart (de <i>Batman: O Cavaleiro das Trevas</i>). Esse olhar de Eastwood para o seu protagonista beneficia a interpretação de Tom Hanks (<i>Ponte dos Espiões</i>), que vive o Capitão Sully como um homem nobre e honrado, mas evita as afetações típicas das composições do herói americano ausente de imperfeições, ou seja, uma interpretação coerente com os propósitos do filme e do seu realizador.  É uma pena, contudo, que Eastwood desperdice uma atriz do calibre de Laura Linney (<i>O Mestre dos Gênios</i>) na pele da esposa do protagonista que só contracena com o mesmo através da linha do telefone, um tipo de clichê que já deveria ter sido extinto nesse tipo de história há anos.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O longa tem uma estrutura relativamente questionável. <i>Sully </i>intercala momentos em que seu protagonista assimila o seu feito com a própria reconstituição do acidente e do pouso forçado. Esta decisão do roteiro de Todd Komarnicki no lugar de acender um interesse do espectador pelos eventos, serve apenas para causar uma estranheza pelas suas idas e vindas na linha temporal e pela repetição insistente da sequência do avião. Por sorte, temos Eastwood na direção, contornando esses problemas e evitando reiterações de emoções desnecessárias ao espectador.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p> De maneira muito discreta, elegante e emocionalmente sincera (e sem sensacionalismo), Eastwood ainda consegue inserir <i>Sully </i>em um momento da aviação norte-americana pós-11 de setembro, tornando o olhar do seu personagem para o seu próprio ato e sua forma de lidar com uma situação potencialmente traumática ainda mais urgente aos olhos do espectador. <i>Sully </i>pode não ser um dos grandes feitos da carreira de Eastwood, mas ao menos reitera com acertos as marcas do realizador.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/9n6hcBc4bgE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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		<title>Crítica: O Mestre dos Gênios</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Oct 2016 17:12:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Jude Law]]></category>
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		<category><![CDATA[Nicole Kidman]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O cinema já nos ofertou diversos filmes sobre o processo de criação pela perspectiva do escritor. Temos pouca lembrança de um longa que aborde a criação literária pelo ponto de vista do editor, figura importante para estabelecer a comunicação entre obra e público. O Mestre dos Gênios é um longa que tem como mérito e distinção o reconhecimento que dá a esse profissional ao contar a história da relação de cumplicidade entre o editor Max Perkins, interpretado por Colin Firth [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O cinema já nos ofertou diversos filmes sobre o processo de criação pela perspectiva do escritor. Temos pouca lembrança de um longa que aborde a criação literária pelo ponto de vista do editor, figura importante para estabelecer a comunicação entre obra e público. <i>O Mestre dos Gênios </i>é um longa que tem como mérito e distinção o reconhecimento que dá a esse profissional ao contar a história da relação de cumplicidade entre o editor Max Perkins, interpretado por Colin Firth (<i>O Bebê de Bridget Jones</i>), e o escritor Thomas Wolfe, autor de livros como <i>Look Homeward, Angel </i>e <i>O Menino Perdido </i>vivido aqui por Jude Law (<i>A Espiã que Sabia de Menos</i>). O filme trata da descoberta de Wolfe por Perkins a partir de um manuscrito encaminhado para a editora Scribner pela namorada do escritor, a figurinista de teatro Aline Bernstein, papel de Nicole Kidman (<i>Olhos da Justiça</i>).</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Esse reconhecimento do lugar do editor presente em  <i>O Mestre dos Gênios</i> não é detectado pelo simples fato do filme ter como um de seus protagonistas Max Perkins, mas porque o longa de Michael Grandage, estreando no cinema após anos dedicados aos palcos, esmiúça de maneira delicada e respeitosa o processo da edição de uma obra literária, colocando-o ao lado da própria escrita. Ao longo do filme, Grandage e o roteirista John Logan (<i>A Invenção de Hugo Cabret</i>) costuram uma história de cumplicidade entre o escritor e seu editor a ponto dessa intimidade gerar um mal estar no reconhecimento do próprio mérito da autoria dos livros de Wolfe, tendo em vista a difícil escrita do autor contornada graças aos esforços de Perkins. Nesse momento, o longa acerta ao investir no seu olhar para o ofício da edição de um livro, reforçando como ele não deixa de ser um processo criativo tão árduo e valoroso quanto a própria escrita, mas também quando se dedica a examinar a relação profissional e de amizade estabelecida entre Wolfe e Perkins, proporcionando interpretações empenhadas de Jude Law e, sobretudo, Colin Firth.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6824" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/10/genius3.jpg" alt="genius3" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O longa também tenta discutir a interferência do processo na vida privada de Wolfe e Perkins, trazendo para a história a esposa do editor, interpretada por Laura Linney (de <i>Sr. Sherlock Holmes</i>), e, como antecipado, Aline Bernstein, namorada do escritor norte-americano. Nesse departamento, <i>O Mestre dos Gênios</i> tem uma execução mais vacilante já que, de um lado temos uma interessante dinâmica entre Jude Law e Nicole Kidman, que dá contornos dramáticos a sua Aline Bernstein e é beneficiada por um roteiro que lhe dá ótimos momentos, mas do outro nos deparamos com  a pálida relação dos Perkins através de uma parceria entre Colin Firth e Laura Linney, subaproveitada no papel da esposa devotada do editor da Scribner.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Evitando a pretensão que costuma dominar o trabalho de alguns diretores de primeira viagem, Michael Grandage torna <i>O Mestre dos Gênios </i>um filme sem firulas visuais, apoiado estritamente na relação das suas personagens e nos desempenhos dos seus atores. Portanto, o longa não possui grandes afetações e é respeitoso com os seus biografados, sem omitir sobre as ranhuras das suas próprias personalidades, como a natureza egocêntrica e estridente de Thomas Wolfe e o questionável tratamento que ele reserva a namorada. O filme pode não ter muitos picos, nem ser uma obra excepcional em todas as suas frentes, mas mantém a sua integridade e cumplicidade com a plateia através da sensibilidade com que constrói o seu elemento humanizador. O que <i>O Mestre dos Gênios </i>tem como brilho mesmo é o reconhecimento que dá a Max Perkins e a quem tem como ofício a generosa tarefa de tornar as obras passíveis de comunicação com o público.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme: </strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/1DwX4Fhvnzw" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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		<title>Crítica: As Tartarugas Ninja &#8211; Fora das Sombras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jun 2016 18:20:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[As Tartarugas Ninja - Fora das Sombras]]></category>
		<category><![CDATA[As Tartarugas Ninjas]]></category>
		<category><![CDATA[Laura Linney]]></category>
		<category><![CDATA[Megan Fox]]></category>
		<category><![CDATA[Stephen Amell]]></category>
		<category><![CDATA[Will Arnett]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2014, a versão do produtor Michael Bay para As Tartarugas Ninja estreava nos cinemas recebendo duras e merecidas críticas negativas. Equivocado na maneira como interpretava os icônicos personagens das HQs e da série animada e seu universo, o filme dirigido por Jonathan Liebesman (do igualmente ruim Invasão do Mundo &#8211; Batalha de Los Angeles) conferia um caráter sombrio e sério a uma trama que possuia elementos inverossímeis e exigia do seu realizador um tom mais irreverente e cartunesco. As Tartarugas Ninja de 2014 se apresentava ao público como uma interpretação dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
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<p>Em 2014, a versão do produtor Michael Bay para <i>As Tartarugas Ninja </i>estreava nos cinemas recebendo duras e merecidas críticas negativas. Equivocado na maneira como interpretava os icônicos personagens das HQs e da série animada e seu universo, o filme dirigido por Jonathan Liebesman (do igualmente ruim <i>Invasão do Mundo &#8211; Batalha de Los Angeles</i>) conferia um caráter sombrio e sério a uma trama que possuia elementos inverossímeis e exigia do seu realizador um tom mais irreverente e cartunesco. <i>As Tartarugas Ninja </i>de 2014 se apresentava ao público como uma interpretação dos personagens que ia na leva de <i>blockbusters</i> marcados pela crença de que o tom certo para qualquer título do seu nicho é a seriedade e o caráter sombrio que tanto fizera bem ao Batman e seu universo na trilogia <i>O Cavaleiro das Trevas</i>, de Christopher Nolan. Acontece que as tartarugas ninja mutantes adolescentes (!!!!!!) Michelangelo, Donatello, Raphael e Leonardo estão longe de se aproximar da figura trágica e soturna que é Bruce Wayne e o tom do filme passava a ser esquisito e descolado das demandas da sua própria história.</p>
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<p><i>As Tartarugas Ninja &#8211; Fora das Sombras </i>não vai corrigir por completo os problemas do filme de 2014, mas ao menos esta continuação, que foi parar nas mãos do diretor Dave Green (de <i>Terra para Echo</i>), consegue ser muito mais coerente com a história que pretende contar e com o caráter absurdo dos seus personagens que o antecessor. No longa, as tartarugas lidam com as consequências do anonimato das suas ações heróicas e com o desejo de se tornarem humanos quando se deparam com uma ameaça fruto das ações dos vilões Destruidor e Krang.</p>
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<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"> <img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6175" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/06/teenage.jpg" alt="teenage" width="610" height="348" /></div>
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<p><i>As Tartarugas Ninja &#8211; Fora das Sombras </i>é levemente superior ao anterior por abraçar o humor e a despretensão cartunesca que o material exige e que tanto lhe fez falta no primeiro. A entrada de personagens clássicos como os capangas Bebop e Rocksteady, um javali e um rinoceronte, respectivamente, trouxe um pouco da comédia que a franquia precisava. Ao mesmo tempo, o filme também consegue aplicar leveza e humor &#8220;retardado&#8221;, se é que podemos assim defini-lo, no tratamento dos demais personagens e suas relações, como é perceptível nas dinâmicas entre o grupo de tartarugas, entre os vilões Destruidor e Krang e na adição de Casey Jones (personagem de Stephen Amell, da série <i>Arrow</i>) ao grupo de heróis. Ainda assim, mesmo que a continuação se incline mais para a comédia de ação do que o seu estranho e soturno antecessor, a sensação que fica em <i>As Tartarugas Ninja &#8211; Fora das Sombras </i>é que os idealizadores da nova franquia ainda não têm a coragem de abraçar por completo a gramática do desenho animado e permanecem se sustentando em uma estética realista, o que enfraquece um pouco o resultado dos seus esforços. Tudo ainda é muito sombrio, sujo, realista&#8230;</p>
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<p>Tendo como prioridade o talento dramático de uma atriz como Megan Fox, que não interpreta April O&#8217;Neal, mas simplesmente vive a imagem de um fetiche adolescente, e utilizando como participação de luxo uma profissional do calibre de Laura Linney, o foco de <i>As Tartarugas Ninja &#8211; Fora das Sombras </i>é mesmo nos seus personagens animados. Em razão disso e por não se desapegar por completo dessa estética realista e sombria, esta continuação ainda não se apresenta como um exemplar satisfatório sobre seus personagens e suas histórias para as novas gerações. Mesmo que estes seres fantásticos ganhem mais humor e estejam muito mais na zona do absurdo do que no filme anterior, a insistência da franquia em construir um contexto que não &#8220;lhe cai bem&#8221; é uma sombra. <i>As Tartarugas Ninja &#8211; Fora das Sombras </i>está mais próximo do que se esperava de um filme como esse, mas ainda não é exatamente aquilo que o seu material-base demanda.</p>
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<p><strong>Assista ao trailer: </strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/NgYefBWDFnc" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Resenha DVD/Blu-Ray: O Quinto Poder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Jun 2014 22:14:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Benedict Cumberbatch]]></category>
		<category><![CDATA[Bill Condon]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Brühl]]></category>
		<category><![CDATA[Laura Linney]]></category>
		<category><![CDATA[O Quinto Poder]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; O australiano Julian Assange foi uma das figuras mais controversas da última década. Fundador do WikiLeaks, organização que publica em um endereço da Internet informações sigilosas de governos e empresas fornecidas por fontes anônimas, Assange deu início a discussões sobre a confidencialidade e a vigilância em tempos nos quais os jornais não têm a primazia da informação e esta pode ser fornecida não apenas por aqueles que detém o controle de grandes grupos de comunicação, mas por qualquer cidadão. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1376" aria-describedby="caption-attachment-1376" style="width: 638px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/benedict-cumberbatch-in-the-fifth-estate-movie-5.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1376" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/benedict-cumberbatch-in-the-fifth-estate-movie-5.jpg" alt="benedict-cumberbatch-in-the-fifth-estate-movie-5" width="638" height="368" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/benedict-cumberbatch-in-the-fifth-estate-movie-5.jpg 1122w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/benedict-cumberbatch-in-the-fifth-estate-movie-5-750x433.jpg 750w" sizes="(max-width: 638px) 100vw, 638px" /></a><figcaption id="caption-attachment-1376" class="wp-caption-text">O fascínio pelo misterioso Julian Assange: filme sustenta-se com a interpretação esforçada de Benedict Cumberbatch</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>O australiano Julian Assange foi uma das figuras mais controversas da última década. Fundador do WikiLeaks, organização que publica em um endereço da Internet informações sigilosas de governos e empresas fornecidas por fontes anônimas, Assange deu início a discussões sobre a confidencialidade e a vigilância em tempos nos quais os jornais não têm a primazia da informação e esta pode ser fornecida não apenas por aqueles que detém o controle de grandes grupos de comunicação, mas por qualquer cidadão. O que permanece é um corolário, informação é poder. E com isso em mente e sua página do WikiLeaks a todo vapor, Julian Assange cravou o seu nome no debate internacional ao tornar públicos, por exemplo, uma série de relatórios norta-americanos que revelavam a morte indiscriminada de civis durante as ações dos EUA no Afeganistão e no Iraque.</p>
<p>Não demoraria muito para que produtores de cinema se interessassem pela história de Assange e da origem do WikiLeaks, sobretudo depois dele tornar-se um dos homens procurados pela Interpol com duas acusações de estupro nas costas e de correr o risco de ser extraditado para os EUA e acusado de espionagem, fraude e abuso de computadores pela Justiça norte-americana após perder a cidadania sueca. O porta-voz do WikiLeaks mobilizou defensores da liberdade ao acesso de informações  oficiais, que levantam a bandeira de que o site contribuiu para desmascarar determinadas ações escusas dos governos de diversos países, mas também inspira seus &#8220;inimigos&#8221; a contestarem seu discurso de messias do século XXI e os reais benefícios desse escancaramento de informações. O responsável por cuidar desse &#8220;pepino&#8221; é o diretor Bill Condon, que popularizou-se com os três últimos filmes de <em>Crepúsculo</em>, mas que antes disso fez  <em>Deuses e</em> Monstros, <em>Kinsey</em>, o <em> </em>musical <em>Dreamgirls</em> e cuidou do roteiro do vencedor do Oscar <em>Chicago</em>.</p>
<figure id="attachment_1377" aria-describedby="caption-attachment-1377" style="width: 657px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/stanley-tucci-the-fifth-estate.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1377" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/stanley-tucci-the-fifth-estate.jpg" alt="stanley-tucci-the-fifth-estate" width="657" height="368" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/stanley-tucci-the-fifth-estate.jpg 1093w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/stanley-tucci-the-fifth-estate-750x420.jpg 750w" sizes="(max-width: 657px) 100vw, 657px" /></a><figcaption id="caption-attachment-1377" class="wp-caption-text">Participações ilustres: Laura Linney e Stanley Tucci vivem algumas das &#8220;vítimas&#8221; do WikiLeaks de Assange.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Podemos dizer que Condon ficou completamente perdido diante de tamanho &#8220;abacaxi&#8221;. A condução de <em>O Quinto Poder</em>, nome do filme em questão e que chega no Brasil diretamente para o mercado doméstico, tendo uma recepção decepcionante nos cinemas dos EUA, é complexa e espinhosa. Existem diversas demandas que os seus envolvidos devem administrar: a própria narrativa, desembaraçando um gigante novelo que se forma em torno da sua trama de espionagem global; a construção do seu personagem central em toda a sua natureza controversa, o que o diretor e o roteirista parecem deixar completamente nas mãos do incrível Benedict Cumberbatch; e, por fim, a relação da obra com o espectador, apresentando uma história complicada como essa de maneira didática, mas sem subestimar o seu público.  Assistindo o resultado final de <em>O Quinto Poder</em>, a impressão que temos é que Bill Condon e seu roteirista Josh Singer  ficaram completamente desnorteados com tantas exigências naturais ao projeto e trazem para a audiência um filme confuso, sem personalidade definida e com personagens trabalhados nas suas superfícies ou estereótipos.</p>
<p>O projeto adota como fonte de inspiração o livro de Daniel Berg, um dos colaboradores de Assange no WikiLeaks e que desvinculou-se do site por divergências com a forma como o australiano conduzia a organização. Berg é interpretado aqui pelo competente Daniel Brühl, que faz um trabalho digno e coerente como contraponto a Assange, ele mostra-se como um homem fascinado pelo poder da informação, mas temeroso pelas ambições do seu parceiro de trabalho. No entanto, é claro que as atenções recaem para o Julian Assange de Benedict Cumberbatch que está muito interessante ao retratar o fundador do WikiLeaks como uma figura antisocial, de ética questionável, mas de passado doloroso. Cumberbatch trabalha muito bem os elementos externos do personagem, como voz e expressão corporal, mas principalmente os recursos internos dele, sobretudo os seus sentimentos conflituosos, sua difícil relação com o &#8220;outro&#8221; e seu temperamento imprevisível. É uma pena que o roteiro de Singer não ofereça a esse ator que em poucos anos fez trabalhos tão interessantes um tratamento mais refinado para a personalidade de Assange. A impressão que temos é que Cumberbatch fez o possível com o material que tinha em mãos e só não avançou mais em função dessas limitações do filme. Há ainda participações pontuais de atores como Laura Linney (ótima), Stanley Tucci, Peter Capaldi e David Thewlis como personagens que transitam na órbita de Assange para caçá-lo pelo temor do seu poder ou tê-lo ao seu lado pelo fascínio que ele exerce.</p>
<figure id="attachment_1378" aria-describedby="caption-attachment-1378" style="width: 636px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/the-fifth-estate-peter-capaldi-dan-stevens-600x400.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1378" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/the-fifth-estate-peter-capaldi-dan-stevens-600x400.jpg" alt="the-fifth-estate-peter-capaldi-dan-stevens-600x400" width="636" height="355" /></a><figcaption id="caption-attachment-1378" class="wp-caption-text">Informação é poder: Dan Stevens e Peter Capaldi interpretam jornalistas do The Guardian que se rendem a competência do WikiLeaks.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>No fim das contas, a impressão que temos é que <em>O Quinto Poder </em>é o filme de um homem só, Benedict Cumberbatch, que só não decolou ainda mais com sua composição nesse projeto pelos freios e pela maneira desnorteada como a trama é conduzida pelo seu diretor e por seu roteirista. Determinadas reflexões que poderiam ser discutidas e que foram suscitadas ao longo da década passada e do início da atual sobre o WikiLeaks foram sufocadas pela inabilidade dos responsáveis pelo filme, que preferiram dar espaço a tradicional narrativa cronológica dos fatos e tiveram medo de adentrar com mais profundidade na personalidade de Assange, a grande chave das indagações sobre a ética do veículo. No final, Condon e Singer tentam se justificar intercalando uma reprodução de uma entrevista de Assange, interpretada por Cumberbatch, com a narração da atual situação dos personagens. Nela, o Assange de Cumberbatch diz que essa história não é sobre ele, mas sobre nós, ou seja, sobre a forma como somos manipulados e vendados por governos. É uma fagulha, um lampejo para o que Bill Condon poderia ter feito &#8211; e sabemos que ele tem capacidade pela sua filmografia &#8211; e não fez em <em>O Quinto Poder</em>.</p>
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