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	<title>Arquivos Jennifer Ehle - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Jennifer Ehle - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Ela Disse</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Dec 2022 05:15:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Chegou aos cinemas nesta quinta-feira, 8 de dezembro, o longa Ela Disse, que conta a história da investigação jornalística que resultou no escândalo de crimes sexuais praticados pelo produtor Harvey Weinstein, ao longo de décadas de trabalho. Acompanhamos aqui duas jornalistas do New York Times que tiveram a coragem de mexer onde ninguém mais queria se infiltrar, por medo de ameaças e retaliações. O fato de sabermos o desfecho da história não a faz menos interessante de acompanhar. A diretora [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Chegou aos cinemas nesta quinta-feira, 8 de dezembro, o longa <strong><em>Ela Disse</em></strong>, que conta a história da investigação jornalística que resultou no escândalo de crimes sexuais praticados pelo produtor Harvey Weinstein, ao longo de décadas de trabalho. Acompanhamos aqui duas jornalistas do New York Times que tiveram a coragem de mexer onde ninguém mais queria se infiltrar, por medo de ameaças e retaliações.</p>
<p>O fato de sabermos o desfecho da história não a faz menos interessante de acompanhar. A diretora Maria Schrader (<em>O Homem Ideal</em>) consegue trilhar um caminho que mantém o espectador focado a todo momento, criando expectativa sobre quais os próximos passos que as personagens reais vão dar.</p>
<p>Além disso, ela adotou estratégias que muito me agradam no quesito apresentação de personagens. Diferente do que estamos acostumados, onde a mulher que é extremamente focada no trabalho normalmente é punida na vida afetiva e familiar, aqui temos protagonistas que lidam com os dois lados da moeda de maneira mais natural. Ambas lidam com suas próprias vidas particulares, sem deixar o trabalho de lado e contando com o apoio de seus maridos e filhos. Considero isso particularmente incrível, pois mostra que a mulher não precisa sofrer as consequências da escolha de uma carreira de poder e influência. Ela pode, sim, ser tudo o que quiser.</p>
<p>Dito isso, humanizar aquelas mulheres é fazer com que nos envolvamos ainda mais com as suas narrativas. Elas defendem com unhas e dentes aquela inicial possibilidade de história, pois acreditam que podem mudar o curso de uma sociedade doentia que privilegia os abusadores e vira as costas para as vítimas. É algo, inclusive, que fica bem claro em <strong><em>Ela Disse</em></strong>. Por mais que Harvey Weinstein seja um predador sexual, o sistema que o envolve é tão culpado quanto, ao criar circunstâncias para que ele continue se portando desta forma, sem sofrer as consequências.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16206" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4450642.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Ela Disse" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4450642.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4450642.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4450642.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4450642.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Quando Jodi Kantor (Zoe Kazan, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doentes-de-amor/"><em>Doentes de Amor</em></a>) e Megan Twohey (Carey Mulligan, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bela-vinganca/"><em>Bela Vingança</em></a>) começam a investigar e entendem toda a teia de dezenas de mulheres que estão envolvidas, percebem o quanto é fundamental que aquele trabalho siga acontecendo, apesar de todas as dificuldades que aparecem no caminho. O nome do filme, inclusive, faz uma alusão a isso, pois a maioria das vítimas falam sobre si e sobre as outras conhecidas, mas ninguém efetivamente quer dar uma declaração oficial.</p>
<p>Vale pontuar aqui a incrível combinação entre essas duas atrizes de alto escalão. Não há trabalho que Mulligan não faça com perfeição e dedicação e aqui não é diferente. Ela vive a jornalista mais madura e com experiência de uma investigação que não teve o resultado esperado, além de ter que lidar com uma depressão pós-parto. Já Zoe está na pele da profissional menos experiente e cheia de sangue nos olhos para trazer uma boa matéria investigativa. A química da dupla é excelente de acompanhar, ainda mais que é cerca de um elenco igualmente competente.</p>
<p><strong><em>Ela Disse</em> </strong>traz muito da essência de filmes sobre jornalismo investigativo, como é o caso de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-the-post-a-guerra-secreta/"><em>The Post &#8211; A Guerra Secreta</em></a> e do bem-sucedido <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-spotlight-segredos-revelados/"><em>Spotlight &#8211; Segredos Revelados</em></a>, que venceu o Oscar de Melhor Filme em 2016. Para mim, como jornalista, é como lembrar dos motivos que nos levam a se apaixonar pela profissão. Ainda que aqui no Brasil o cenário seja bem diferente e bem menos glamourizado. O filme traz ainda importantes reflexões sobre a palavra da mulher na sociedade e como ela é sempre posta em dúvida, privilegiando a honra e a reputação dos homens que nos cerca. Filme de alta qualidade que vale a pena conferir!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Maria Schrader</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Carey Mulligan, Zoe Kazan, Patricia Clarkson, Samantha Morton, Andre Braugher, Jennifer Ehle, Ashley Judd, Hilary Greer, Elle Graham</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/2e9Fs_5jsWI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Mau Exemplo de Cameron Post</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Apr 2019 15:39:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Os centros de conversão da homossexualidade vinculados a igreja evangélica estão em voga na ficção cinematográfica com Boy Erased: Uma Verdade Anulada e também com O Mau Exemplo de Cameron Post, sensação do Festival de Sundance que chega para o público brasileiro aos cinemas, um destino bem diferente do filme de Joel Edgerton. O longa de Desiree Akhavan tem um sensível tom de denúncia sobre sua causa e não merece a alcunha de &#8220;polêmico&#8221; por abordar a política desses lugares [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os centros de conversão da homossexualidade vinculados a igreja evangélica estão em voga na ficção cinematográfica com <em>Boy Erased: Uma Verdade Anulada</em> e também com <strong><em>O Mau Exemplo de Cameron Post</em></strong>, sensação do Festival de Sundance que chega para o público brasileiro aos cinemas, um destino bem diferente do filme de Joel Edgerton. O longa de Desiree Akhavan tem um sensível tom de denúncia sobre sua causa e não merece a alcunha de &#8220;polêmico&#8221; por abordar a política desses lugares preparados para a &#8220;cura gay&#8221;, mas sim de alerta sobre uma prática criminosa desconhecida da maior parte da sociedade e que causa danos severos a suas vítimas.</p>
<p>Baseado no livro homônimo de Emily M. Danforth,<strong><em> O Mau Exemplo de Cameron Post</em></strong> conta a história de uma adolescente mandada para esse lugar após ser descoberta aos beijos com uma colega de escola por sua avó. No centro, Cameron entra em contato com um grupo de jovens que como ela sofrem o conflito pela recriminação da homossexualidade no seio da igreja, instituição que exerce forte influência sobre suas respectivas famílias. É então que Cameron conhece Jane Fonda e Adam, jovens que se tornam seus amigos e a ajudam a sobreviver no local.</p>
<p>O filme de Desiree Akhavan é conciso, tocando de maneira direta, mas não sucinta a ponto de deixar de explorar a complexidade do tema. Akhavan também não envolve sua produção de intervenções na câmera ou exibicionismos estéticos, deixando claro desde o primeiro instante que sua jornada é psicológica, centrando suas atenções na trajetória da sua protagonista, que, ao longo do filme amadurece e fortalece sua compreensão de si.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10428" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/1982755.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="O Mau Exemplo de Cameron Post" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/1982755.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/1982755.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/1982755.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A diretora e co-roteirista do filme conta com um excelente elenco a começar por Chloë Grace Moretz, que, sem dúvida, tem o melhor desempenho da sua carreira. Moretz constrói Cameron Post como uma adolescente segura da sua condição, alguém que tem inseguranças mas que se fortalece através da sua passagem pelo centro, onde se depara com inúmeras histórias parecidas com as suas e com diferentes formas de lidar com a sexualidade, da repressão, negação e punição à completa aceitação e naturalidade com a questão. O desempenho de Moretz funciona pela chave da observação, fazendo a personagem se formar com a costura da sua própria experiência mas também através da percepção que tem dos demais personagens. Há outras interpretações que cabem destaque como Jennifer Ehle, que dá vida à coordenadora do centro, e a jovem Emily Skeggs, intérprete da colega de quarto de Post.</p>
<p>Reforçando gradualmente seu caráter de denúncia sem soar imaturo ou artificial como militância, <strong><em>O Mau Exemplo de Cameron Post </em></strong>é um retrato preciso sobre o preconceito, que, na maior parte das vezes, não incorpora ares diabólicos de personagem de desenho animado ou telenovela mexicana, mas sim de uma cultura que injeta gradualmente na sociedade uma rejeição ao &#8220;diferente&#8221;. Assim, sem maniqueísmos, o longa de Akhavan trata da homofobia externa e interna como questões complexas que escapam da superficialidade com a qual costumam ser tratadas, tomando-as, por esse motivo, como questões difíceis de serem expelidas. Daí a importância de filmes como esse, que, além de tudo, é muito bem concebido como narrativa e relato íntimo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Desiree Akhavan<br />
<strong>Elenco:</strong> Chloë Grace Moretz, Sasha Lane, Forrest Goodluck, John Gallagher Jr., Jennifer Ehle</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/LYE-ExJRHBQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vox Lux &#8211; O Preço da Fama</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Mar 2019 20:46:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Celeste é uma estrela pop forjada por uma tragédia tipicamente americana. Depois que sobrevive a um atentado cometido por um adolescente armado na sua escola, a garota tem um vídeo com uma apresentação musical sua ao lado de sua irmã durante o funeral dos colegas viralizado. Imediatamente a adolescente é cooptada por empresários e jogada no mundo da fama com o seu primeiro álbum pop. Dali em diante, Celeste vira um grande ídolo americano e Vox Lux &#8211; O Preço [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Celeste é uma estrela pop forjada por uma tragédia tipicamente americana. Depois que sobrevive a um atentado cometido por um adolescente armado na sua escola, a garota tem um vídeo com uma apresentação musical sua ao lado de sua irmã durante o funeral dos colegas viralizado. Imediatamente a adolescente é cooptada por empresários e jogada no mundo da fama com o seu primeiro álbum pop. Dali em diante, Celeste vira um grande ídolo americano e <strong><em>Vox Lux &#8211; O Preço da Fama</em></strong> acompanha um período de quase vinte anos da sua trajetória.</p>
<p>Dirigido e roteirizado por Brady Corbet (<em>Acima das Nuvens</em>), que ganhou um prêmio no Festival de Veneza por sua estreia com <em>A Infância de um Líder</em>, <strong><em>Vox Lux</em> </strong>é tecido como um épico tipicamente americano ao centrar suas atenções na jornada de sua protagonista em meio a elementos comuns à história do país: violência, cultura das celebridades e neuroses privadas. Corbet confere grandiosidade ao vazio existencialista da vida de Celeste, utilizando sabiamente a locução de Willem Dafoe (<em>Projeto Flórida</em>)para conferir ainda mais pomposidade artificial à odisseia de sua heroína involuntária, nascida como uma fênix da tragédia para ser transformada em ídolo de uma geração.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10346" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/0872429.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="Vox Lux - O Preço da Fama" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/0872429.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/0872429.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/0872429.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Como uma breve história do país representada pela trajetória de sua protagonista, <strong><em>Vox Lux</em></strong> possibilita a Natalie Portman (<em>Cisne Negro</em>) mais uma performance excepcional. Com Celeste, Portman faz o retrato de uma estrela que procura camuflar a sua insegurança emocional com seu jeito verborrágico e, por vezes, agressivo, algo que jamais é controlado pelo <em>staff</em> composto pelo agente interpretado por Jude Law (<em>Closer &#8211; Perto Demais</em>), pela empresária vivida por Jennifer Ehle (<em>O Discurso do Rei</em>) e pela irmã mais velha interpretada por Stacy Martin (<em>Ninfomaníaca</em>).</p>
<p>Mais interessante que a estreia do seu diretor, mas não menos afetado, <em><strong>Vox Lux &#8211; O Preço da Fama</strong></em> é um grande palco para sua protagonista oferecer mais uma grande interpretação e procura tecer considerações pontuais sobre algumas décadas da história dos EUA. A potencialidade que os americanos têm de transformar a tragédia em espetáculo faz Corbet transformar em épica a mistura de crítica social com estudo de personagem, rendendo uma história peculiar sobre um tema recorrente na filmografia do país, a clássica narrativa sobre o nascimento de uma estrela, mas dessa vez em sua versão bem mais sombria.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Brady Corbet<br />
<strong>Elenco:</strong> Natalie Portman, Jude Law, Stacy Martin, Jennifer Ehle, Raffey Cassidy</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/njvCrtTXkxg" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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