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	<title>Arquivos James Gray - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos James Gray - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Armageddon Time</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Nov 2022 20:01:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Para James Gray, Armageddon Time é seu filme mais pessoal. Adaptando as memórias do diretor em uma infância dos anos 1980, Gray conta a história de Paul Graff, o filho caçula de uma família de imigrantes judeus de Nova York. Paul acaba se aproximando de um colega de turma chamado Johnny, um menino negro que sofre racismo na escola. Quando Paul recebe uma advertência do diretor do colégio, ele é mandado por seus pais para a mesma escola privada do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Para James Gray,<strong><em> Armageddon Time</em></strong> é seu filme mais pessoal. Adaptando as memórias do diretor em uma infância dos anos 1980, Gray conta a história de Paul Graff, o filho caçula de uma família de imigrantes judeus de Nova York. Paul acaba se aproximando de um colega de turma chamado Johnny, um menino negro que sofre racismo na escola. Quando Paul recebe uma advertência do diretor do colégio, ele é mandado por seus pais para a mesma escola privada do seu irmão mais velho, um ambiente mais rigoroso, afastando-se da companhia do amigo. A infância dos dois será marcada pela iminência do governo do republicano Ronald Reagan, que durou quase uma década (1981-1988).</p>
<p>Para entender <em><strong>Armageddon Time</strong></em> é importante compreender um pouco o seu contexto histórico. O governo Reagan ficou conhecido por sua política extremamente conservadora, marcada sobretudo pela redução de gastos com programas sociais, aumento da desigualdade entre as classes, alto investimento no exército e luta contra o comunismo no mundo. Para um país recém-saído da década de 1970 e do governo do democrata Jimmy Carter foi um baque e tanto, especialmente para a geração de imigrantes europeus que ainda assimilavam os espólios da guerra, como o avô de Paul interpretado por Anthony Hopkins, e uma outra mais jovem que vivia sob a frustração da não realização do &#8220;sonho americano&#8221;, especificamente, os pais do protagonista vividos por Anne Hathaway e Jeremy Strong.</p>
<p><strong><em>Armageddon Time</em></strong> tem qualidades natas dos primeiros trabalhos de James Gray, a economia de recursos visuais e narrativos e a profunda humanidade das suas histórias. Em tese, o filme tem um enredo simples sobre ritos de passagem, mas, aos poucos, vai revelando outras camadas. Gray trabalha de maneira sutil e efetiva com o contexto histórico de <em>Armageddon Time</em>, fazendo com que a trajetória dos seus personagens gradativamente &#8220;conversem&#8221; com a chegada do conservador Ronald Reagan na presidência dos EUA. É interessante sobretudo como o longa cria para o protagonista conflitos éticos que o fazem se perceber como parte de uma &#8220;minoria social&#8221; e a emergência da consciência dessa identidade como fonte de força para superar contextos mais duros como os que virão. E o diretor faz tudo isso sem muito alarde, redundância dramática, é tudo sempre tão elegante, sensível, orgânico, como em seus melhores filmes (Amantes, por exemplo).</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16129" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Armageddon Time" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>Armageddon Time</em> </strong>também conta com ótimos atores. O garoto Banks Repeta que dá vida ao protagonista Paul tem uma maturidade cênica impressionante. Anne Hathaway e Jeremy Strong estão excelentes como os pais do protagonista. Com a chegada da adolescência de Paul e as expectativas que ambos nutrem sobre o futuro do garoto (que ao menos sua geração tenha mais sucesso do que a deles), Esther (Hathaway) e Irving (Strong) às vezes perdem as estribeiras, erram na condução da educação do menino, mas fazem tudo acreditando acertar. É muito honesto e crível esse olhar de James Gray para os pais. O diretor vai na contramão daquela visão idílica de maternidade ou paternidade. Ao mesmo tempo, com anos nas constas, o avô Aaron Rabinowitz parece ter os conselhos mais lúcidos da família e Anthony Hopkins traz muita doçura para esse personagem.</p>
<p>Afastando-se das epopeias que representaram seus últimos longas, Z: A Cidade Perdida e Ad Astra, James Gray procura na sua infância um relato mais intimista. <em><strong>Armageddon Time</strong> </em>quer abordar o despertar para questões que acenam para a vida adulta, mas também conta a história de um país e do mundo, o exato momento em que três gerações entram em confronto com suas expectativas sobre a vida, avaliam sua caminhada até aqui e elaboram o que podem fazer a seguir. James Gray faz um filme tocante, com um elenco afiado, marcado pela sua habitual maestria e elegância como diretor e roteirista.</p>
<p>Aparentemente, perde um pouco da sua universalidade ao contar uma história particularmente estadunidense, com elementos de contexto que, talvez, somente eles possam entender instantaneamente. Todavia, ao compreendermos todo esse background sutilmente sugerido pelo realizador ao longo da história, <em><strong>Armageddon Time</strong></em> adquire empatia e demonstra dedicação a questões identificáveis sobre conhecer-se, não reproduzir os erros do passado e manter-se fiel a sua identidade e princípios em contextos políticos não tão humanos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> James Gray</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Anne Hathaway, Jeremy Strong, Banks Repeta, Jaylin Webb, Anthony Hopkins, Ryan Sell</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/aawoA1o7jLY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Ad Astra &#8211; Rumo às Estrelas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Sep 2019 14:56:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde os tempos das tragédias gregas — ou melhor, desde a existência da humanidade — a relação entre pai e filho é representada conturbadamente, como em Édipo Rei. Existe uma inerente cobrança, tanto interna quanto externa, do filho ser um fiel espelho de seu progenitor. Afinal, ele é seu primeiro referencial e modelo a ser seguido. Assim, tal sentimento cresce com o garoto, se tornando uma obsessão e frustração quando ele percebe não ser uma cópia do pai. Aliás, o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde os tempos das tragédias gregas — ou melhor, desde a existência da humanidade — a relação entre pai e filho é representada conturbadamente, como em <em>Édipo Rei</em>. Existe uma inerente cobrança, tanto interna quanto externa, do filho ser um fiel espelho de seu progenitor. Afinal, ele é seu primeiro referencial e modelo a ser seguido. Assim, tal sentimento cresce com o garoto, se tornando uma obsessão e frustração quando ele percebe não ser uma cópia do pai. Aliás, o uso do gênero masculino até aqui não é coincidência. Há um masculinidade tóxica envolvida que não permite uma total troca de afetos entre ambos, virando até uma lógica de tensão, de certo modo. Bem, mas o que isso tudo tem a ver com <em><strong>Ad Astra</strong></em>, um <em>sci-fi?</em></p>
<p>Assim que <em><strong>Ad Astra</strong></em> começa, um letreiro vermelho diante de um fundo escuro anuncia o recorte temporal da narrativa, o futuro: um lugar de esperança e conflitos. Posteriormente, essa imensidão preta permanece e estamos diante de Roy McBride (Brad Pitt, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-era-uma-vez-em-hollywood/"><em>Era Uma Vez em Hollywood</em></a>) trabalhando em uma estação espacial, com a azulada Terra ao fundo. Após o acidente, a câmera de James Gray (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-z-a-cidade-perdida/"><em>Z: A Cidade Perdida</em></a>, <em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-era-uma-vez-em-nova-york/">Era Uma Vez Em Nova</a></em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-era-uma-vez-em-nova-york/"> York</a>) capta a queda do astronauta à Terra, alternando entre contemplativos planos gerais, que demonstram sua pequenez diante do espaço, e frenéticos planos subjetivos, que rodopiam e chacoalham que nem o astronauta.</p>
<p>Sem nem estar totalmente recuperado, Roy descobre uma revelação chocante. A falha na estação havia sido graças a Sobrecarga, uma energia vinda de Saturno e que ameaça toda a vida no sistema solar. Não só isso, mas ela também estaria sendo causada por um veterano e pioneiro astronauta considerado morto, ao sair para buscar vida extraterrestre anos atrás. Sem mais delongas, trata-se de Clifford McBride (Tommy Lee Jones, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-jason-bourne/"><em>Jason Bourne</em></a>), seu pai. Portanto, Roy parte em uma jornada emocional para achá-lo.</p>
<p>A estrutura narrativa de <em><strong>Ad Astra</strong></em> é simples: o protagonista vai pulando de nave em nave e planeta em planeta até chegar ao seu destino, em uma linda jornada. Todavia, isso não significa que o filme seja apenas uma viagem contemplativa e de autoconhecimento. Para trazer dinamismo, o roteiro de Gray encaixa algumas sequências de ação, mostrando a versatilidade do diretor ao filmar tensas sequências, como a da perseguição espacial pirata à la <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mad-max-estrada-da-furia/"><em>Mad Max: Estrada da Fúria</em></a>.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11386" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Ad-Astra1-750x500.jpg" alt="Ad Astra" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Ad-Astra1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Ad-Astra1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/Ad-Astra1-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Sem dúvidas, um dos motivos de seu sucesso (e o que torna obrigatório assisti-lo no cinema) é a forma como cada cenário é um mundo à parte. Futurista, limpo e até meio depressivo, o excelente <em>design</em> de produção é como um filho entre <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-blade-runner-2049/"><em>Blade Runner 2049</em></a> e <em>2001: Uma Odisseia no Espaço. </em>As cores são muito variadas e auxiliam nessa diferenciação: há o azul melancólico de Netuno e da Terra vistos do espaço; o amarelo e o vermelho quentes de Marte; o roxo, verde e laranja se alternando na iluminação interna das espaçonaves. Além disso, em um momento de revelação para Roy, a sala holográfica em que está vai variando de cor conforme seus sentimentos.</p>
<p>Entender o rumo que <em><strong>Ad Astra </strong></em>toma passa por compreender a cosmologia presente na carreira de James Gray. Com 6 trabalhos, os temas sobre uma família disfuncional e, consequentemente, a busca por aprovação, são muito importantes para o diretor. Em <em>Z: Cidade Perdida</em>, juntamente com <em>Amantes (</em>uma obra de arte), ele já trazia um outro tópico crucial que é retomado: a obsessão pelo inalcançável.</p>
<p>Por consequência, a odisseia de Gray vai além de um espetáculo visual. Ela é, principalmente, uma viagem introspectiva na mente de Roy, que vive em conflito interno e na ânsia de conhecer o pai. Como é um protagonista calado e isolado, o filme usa de <em>voice-overs</em> e repetidas cenas em que precisa se autoavaliar emocionalmente para uma inteligência artificial. Apesar da <em>narração em off</em> fazer sentido dentro da solidão do personagem no infinito espacial, ela soa deveras expositiva e, por mais poética que seja, impede a catarse em certos momentos.</p>
<p>Em outras palavras, a atuação de Brad Pitt é fundamental para toda a organicidade de <strong>Ad Astra</strong>. Provando que é um dos maiores nomes de sua geração, os <em>close-ups</em> de Gray deixam o astro trabalhar a personalidade insegura de Roy. Vivendo às sombras do pai, considerado um ídolo por todos da <em>NASA (</em>o que o roteiro faz questão de exagerar propositalmente), é possível enxergar como ele se encontra perdido em uma encruzilhada. Ao mesmo tempo que quer rever sua figura modelo, ele parece temer a iminência de tal encontro, que acabaria com a imagem idealizada de Clifford.</p>
<p>Já Tommy Lee Jones, guardado para o último ato, consegue em pouco tempo mostrar como seu personagem chegou no ponto que se encontra. Neste sentido, é interessante a forma como Gray apresenta Clifford, mostrado de baixo para cima, ressaltando sua figura idealizada, e atrás de uma grade, representando o afastamento. Quem cumpre a lacuna paterna deixada por ele é Thomas Pruitt (Donald Sutherland, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-jogos-vorazes-a-esperanca-o-final/"><em>Jogos Vorazes: A Esperança &#8211; O Final</em></a>), servindo de mentor para Roy.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11377" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/ad-astra-cinepop2-1280x720-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/ad-astra-cinepop2-1280x720.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/ad-astra-cinepop2-1280x720-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/ad-astra-cinepop2-1280x720-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Misteriosa, Helen Lantos (Ruth Negga, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-warcraft/"><em>Warcraft &#8211; O Primeiro Encontro de Dois Mundos</em></a>) surge como <em>Deus Ex Machina</em> para dar informações cruciais do passado. Entretanto, Eve (Liv Tyler, franquia <em>Senhor dos Anéis</em>), mulher de Roy, é deixada de lado, o que não seria surpreendente se não fosse a escalação de uma atriz desse porte.</p>
<p>Em contrapartida, quem espera que <strong>Ad Astra </strong>seja repleto de elementos futuristas irá se decepcionar. Antes de tudo, ele é uma belíssima e existencialista obra sobre drama familiar. Neste sentido, é injusto — e perda de tempo — cobrar da narrativa uma fidelidade técnica<em>, </em>que volta e meia é abandonada em detrimento de uma liberdade poética. Aliás, se em <em>Z: Cidade Perdida</em>, Gray mostrou a Amazônia de maneira mais intimista, ele faz o oposto desta vez. O espaço faz um interessante contraste com a busca de Roy, amplificando o sentimento de vazio, solidão e pequenez.</p>
<p>Construída gradualmente, a catarse através da dor chega tanto para o protagonista quanto para o público. Não é de hoje que o gênero de ficção científica é usado como pano de fundo para explorar a natureza humana. Felizmente, James Gray compreende perfeitamente isso. Por fim, <strong>Ad Astra</strong> é emocionante para todos aqueles que buscam uma aprovação que nunca precisaram, além de trazer uma mensagem para toda a humanidade. O ser humano é um fim em si mesmo, até que ponto a busca pelo inatingível irá acrescentar algo? Menos foco no além e mais foco no que está ao nosso redor.</p>
<p><strong>Direção:</strong> James Gray<br />
<strong>Elenco:</strong> Brad Pitt, Tommy Lee Jones, Liv Tyler, Ruth Negga, Donald Sutherland</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong><br />
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=0kfRv-L-vqg&amp;w=750&amp;h=500]</p>
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		<title>Crítica: Z &#8211; A Cidade Perdida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jun 2017 22:08:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Charlie Hunnam]]></category>
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		<category><![CDATA[Z - A Cidade Perdida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já mencionei isso certa feita em outro texto sobre outra obra do mesmo realizador desse Z: A Cidade Perdida:  James Gray é um cineasta de trajetória peculiar. Contemporâneo de diretores como David Fincher, Christopher Nolan, Darren Aronofsky ou Paul Thomas Anderson, Gray tem o reconhecimento da cinefilia e da crítica, mas está longe de circular pelas grandes premiações ou assumir o protagonismo na seleção de qualquer festival mais cobiçado, ainda que sempre esteja vez ou outra na seleção de algum deles. Ao que tudo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Já mencionei isso certa feita em outro texto sobre outra obra do mesmo realizador desse <i>Z: A Cidade Perdida</i>:  James Gray é um cineasta de trajetória peculiar. Contemporâneo de diretores como David Fincher, Christopher Nolan, Darren Aronofsky ou Paul Thomas Anderson, Gray tem o reconhecimento da cinefilia e da crítica, mas está longe de circular pelas grandes premiações ou assumir o protagonismo na seleção de qualquer festival mais cobiçado, ainda que sempre esteja vez ou outra na seleção de algum deles. Ao que tudo indica, o realizador também não deseja empreender esforços por mais visibilidade, parece se contentar com o tímido burburinho que suas obras costumam causar quando estreiam, ocasionalmente em espaços menos badalados do calendário cinematográfico como abril ou setembro. É nessas águas calmas que <i>Z: A Cidade Perdida </i>consagra-se como mais uma grande obra do realizador que também tem no currículo trabalhos primorosos e igualmente discretos em sua repercussão, como <i>Amantes, Os Donos da Noite </i>e <i>Era uma vez em Nova York</i>.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em <i>Z: A Cidade Perdida</i>, Charlie Hunnam (visto recentemente em <i>Rei Arthur: A Lenda da Espada</i>) interpreta Percy Fawcett um explorador britânico que no início do século XX parte em uma viagem rumo a Amazônia, na fronteira Bolívia-Brasil, a fim de ajudar no reconhecimento geográfico da região. Durante a expedição, Fawcett descobre vestígios do que seria uma civilização que se encontra &#8220;perdida&#8221; no meio da floresta. Quando chega na Inglaterra, o explorador é ridicularizado por toda a comunidade cientifica, mas persiste com a sua ideia de ir a fundo nessa empreitada, sacrificando sua vida familiar com uma longa e perigosa jornada.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7747" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/C2PI1jxWQAE51r8.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Uma das principais qualidades de <i>Z: A Cidade Perdida </i>é que James Gray desde o princípio parece querer narrar a jornada do seu protagonista com uma clara admiração pelo seu feito e biografia, mas sem que esse sentimento transforme seu filme numa grandiloquente e escandalosa narrativa histórica. No lugar de sublinhar os feitos do seu protagonista com recursos diversos como uma trilha sonora imponente ou diálogos excessivamente expositivos, James Gray faz aquilo que esperamos do seu cinema, deixa que o percurso dos seus personagens fale por si só, pincelando em momentos localizados sua contribuição na construção de planos marcados por uma economia e uma riqueza simbólica que só seus filmes conseguem compor. Essa elegância do diretor acompanha <i>Z: A Cidade Perdida</i>  do início ao fim, desde o momento que somos introduzidos na jornada de Fawcett com uma imagem noturna e distante de uma tribo indígena à margem do rio até o inspirado plano que encerra a narrativa e é protagonizado pela esposa do protagonista.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Gray transforma <i>Z: A Cidade Perdida </i>numa daquelas histórias de grandes feitos realizados por personagens inspiradores, mas sem as afetações de colegas que já utilizaram essa chave interpretativa para a vida dos seus personagens biografados. Realizando um relato da vida de Percy Fawcett, Gray deixa claro a todo momento sua admiração por aquele homem e pela perspectiva da vida que o mesmo tinha ao transformar sua busca incessante pela cidade perdida de Z numa jornada que trouxe um propósito louvável para sua vida, sem que essa admiração redimisse seu protagonista das suas eventuais faltas como cidadão, marido e pai.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em quatro momentos marcados por toda uma atmosfera épica (vemos Fawcett voltar três vezes a Amazônia e ainda ir ao <i>front </i>da Primeira Guerra Mundial), dimensionamos uma história que busca dar conta da própria vida (e consegue isso). No final das contas, <i>Z: A Cidade Perdida </i>é um relato histórico, mas também um filme sobre nossa existência no mundo e o que a preenche de significado. Assim, mais uma vez, James Gray nos oferece um filme cheio de fôlego e sensibilidade dando ainda a oportunidade para atores como Charlie Hunnam e Sienna Miller exibirem os desempenhos mais inspirados das suas carreiras (há ainda Robert Pattinson e Tom Holland no elenco, ambos também muito bons).</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/6aWpLX3gxaI" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-z-a-cidade-perdida/">Crítica: Z &#8211; A Cidade Perdida</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Crítica: Era uma vez em Nova York</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-era-uma-vez-em-nova-york/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Sep 2014 15:47:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Era uma vez em Nova York]]></category>
		<category><![CDATA[James Gray]]></category>
		<category><![CDATA[Jeremy Renner]]></category>
		<category><![CDATA[Joaquin Phoenix]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Era uma vez em Nova York é o tipo de projeto que já nasce com grandes chances de dar certo. O filme tem um excelente diretor, o pouco reconhecido James Gray, mas que dirigiu filmes cultuados por instâncias da crítica como Amantes e Os Donos da Noite e aqui, assim como fez no primeiro longa citado, assina o roteiro com Ric Menello. Além disso, o longa conta com o elenco dosado pela sensibilidade de Marion Cotillard e pela entrega [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1913" aria-describedby="caption-attachment-1913" style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/the-immigrant.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1913" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/the-immigrant.jpg" alt="the-immigrant" width="604" height="308" /></a><figcaption id="caption-attachment-1913" class="wp-caption-text">Lobo em pele de cordeiro: Bruno (Joaquin Phoenix) consegue que Ewa (Marion Cotillard) entre nos EUA, mas a que custo?</figcaption></figure>
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<p><em>Era uma vez em Nova York </em>é o tipo de projeto que já nasce com grandes chances de dar certo. O filme tem um excelente diretor, o pouco reconhecido James Gray, mas que dirigiu filmes cultuados por instâncias da crítica como <em>Amantes </em>e <em>Os Donos da Noite </em>e aqui, assim como fez no primeiro longa citado, assina o roteiro com Ric Menello. Além disso, o longa conta com o elenco dosado pela sensibilidade de Marion Cotillard e pela entrega de Joaquin Phoenix. Para completar, uma equipe competente formada, entre outros, pelo diretor de fotografia Darius Khondji (<em>Seven</em>) e pela figurinista Patricia Norris (<em>12 Anos de Escravidão</em>), que fazem uma reconstituição de época apurada, com escolhas que não só nos leva a uma viagem no tempo, mas também dialogam com as emoções dos personagens e com os caminhos que o realizador pretende percorrer na história. No entanto, ao contrário do que vinha acontecendo na carreira de Gray até então &#8211; como já sinalizado, apesar do aval da crítica, a carreira do diretor parecia permanecer em alguma zona desconhecida do grande público -, a morna recepção a <em>Era uma vez em Nova York </em>parece ser justa. Não se trata do melhor exemplar da carreira do seu realizador.</p>
<p>Nova York, 1921. Ewa (Cotillard) é uma polonesa recém chegada que é afastada da irmã pois esta contraiu uma doença pulmonar durante a viagem e, por motivos de segurança, teve que ser isolada em quarentena. A vinda de Ewa para os EUA é obstacularizada ainda por suspeitas de que ela seja uma mulher de &#8220;vida fácil&#8221;. A polonesa é salva por Bruno Weiss (Phoenix) que consegue a liberação dela no país. Contudo, para permanecer em Nova York e vislumbrar a possibilidade de se reencontrar com sua irmã, Ewa terá que trabalhar para Bruno como cortesã junto ao grupo que ele agencia nos becos da cidade. O destino de Ewa se transforma quando ela conhece Orlando (Jeremy Renner), um jovem mágico que se apresenta na casa de shows onde Bruno leva suas garotas. Logo, Bruno e Orlando disputam Ewa, que fica dividida entre a possibilidade de libertar-se daquela vida e a oportunidade de ver novamente Magda, sua irmã doente.</p>
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<figure id="attachment_1914" aria-describedby="caption-attachment-1914" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/the-immigrant-jeremy-renner.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1914 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/the-immigrant-jeremy-renner-620x298.jpg" alt="the-immigrant-jeremy-renner" width="620" height="298" /></a><figcaption id="caption-attachment-1914" class="wp-caption-text">A terceira ponta do triângulo: O mágico Orlando (Jeremy Renner) apresenta-se a Ewa como sua &#8220;tábua de salvação&#8221;.</figcaption></figure>
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<p>O que mais impressiona em <em>Era uma vez em Nova York </em>é como James Gray se perde nas armadilhas do melodrama de tal maneira que chega um momento do filme em que ele passa a sensação para o espectador de que não sabe resolver sua trama e de que não tem segurança sobre a natureza ou sobre as transformações dos seus personagens. Na dúvida, o cineasta recorre ao clichê da &#8220;moça sofrida&#8221; e joga toda a responsabilidade do filme nos colos de Marion Cotillard, que a despeito da tentativa de construir um personagem minimamente multidimensional (e ela tenta ao retratar Ewa como uma mulher simples e, por vezes, submissa), acaba &#8220;caindo&#8221; em armadilhas que a tornam aborrecida.</p>
<p>Gray até que se redime na sua cena final e consegue, com um duelo entre Joaquin Phoenix e a própria Cotillard, conferir uma certa substância a sua história, mas até chegar a esse momento, o realizador se perde tanto e arrasta tanto a sua trama que o desfecho acaba se tornando um <em>insight </em>tardio. Entre os esforços de Marion Cotillard e Joaquin Phoenix (louváveis), está um Jeremy Renner completamente dispensável, cujo personagem não diz a que veio. Como já mencionado no parágrafo de abertura, o longa vence pelo seu rigor estético, técnico, mas carece de um rumo mais consistente.</p>
<figure id="attachment_1915" aria-describedby="caption-attachment-1915" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/the_immigrant.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1915 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/the_immigrant-620x331.jpg" alt="the_immigrant" width="620" height="331" /></a><figcaption id="caption-attachment-1915" class="wp-caption-text">Trama emperrada: Diretor não consegue encontrar a solução para diversos problemas, apesar dos esforços da sua equipe técnica e dos seus atores.</figcaption></figure>
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<p>Curioso notar que um diretor que fez um dos filmes mais maduros e realistas sobre os relacionamentos amorosos do cinema contemporâneo, <em>Amantes</em>, evitando por completo o sentimentalismo, mas não abandonando a sensibilidade, tenha sido seduzido pelas teias de um melodrama mal feito em <em>Era uma vez em Nova York. </em>Talvez não seja um terreno para James Gray, talvez ele tenha que retornar a seus dramas policiais familiares ou a simplicidade dos relacionamentos humanos&#8230; Com esse filme, a sensação que fica é de que a responsabilidade de atender a tantas demandas &#8211; demandas essas que talvez nem ele mesmo esperava &#8211; o levou a um labirinto sem saída.</p>
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