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	<title>Arquivos Jack O&#039;Connell - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Jack O&#039;Connell - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Back to Black</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 May 2024 17:41:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Se você não testemunhou o fenômeno Amy Winehouse surgir na cena musical nos anos 2000 ou sequer ouviu falar da cantora, certamente, Back to Black não é a melhor fonte de informações sobre a mesma. Dirigido por Sam Taylor-Johnson (Cinquenta Tons de Cinza), a cinebiografia de Amy Winehouse que chega aos cinemas em 2024 reforça tudo aquilo que foi em parte responsável pela derrocada da artista, culminando com sua morte precoce aos 27 anos em julho de 2011. Claro que, os problemas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Se você não testemunhou o fenômeno Amy Winehouse surgir na cena musical nos anos 2000 ou sequer ouviu falar da cantora, certamente, <em><strong>Back to Black</strong></em> não é a melhor fonte de informações sobre a mesma. Dirigido por Sam Taylor-Johnson (Cinquenta Tons de Cinza), a cinebiografia de Amy Winehouse que chega aos cinemas em 2024 reforça tudo aquilo que foi em parte responsável pela derrocada da artista, culminando com sua morte precoce aos 27 anos em julho de 2011.</p>
<p>Claro que, os problemas emocionais, o vício pelas drogas e a relação tóxica com o ex-marido Blake Fielder foram combustíveis para a Amy Winehouse falecer de forma tão trágica ainda muito jovem, mas o sensacionalismo com que a mídia especializada abordou a vida privada da artista foi um grande gatilho para suas maiores crises, ofuscando o seu grande talento e sua contribuição artística para a música. <em><strong>Back to Black</strong></em> parece endossar a todo momento a perspectiva de grandes tablóides sensacionalistas sobre Amy Winehouse.</p>
<p>Abordando parte da vida e da carreira de Amy Winehouse, do seu surgimento com o álbum Frank em 2003 a sua meteórica ascensão com <em><strong>Back to Black</strong></em>, obra que lhe rendeu cinco Grammys, <em>Back to Black</em> passa a impressão de não ter o menor apreço ou cuidado pela sua biografada. O filme de Sam Taylor-Johnson resume a história da artista a inúmeros episódios de recaídas e &#8220;loucuras&#8221; com o ex Blake Fielder.</p>
<p>Sam Taylor-Johnson parece hipnotizada pelos momentos mais tristes da trajetória de Winehouse, sequer contextualizando sua contribuição artística, algo completamente dissolvido e explicado de forma breve no primeiro ato do longa. No momento em que Amy conhece Blake, a narrativa de <em><strong>Back to Black </strong></em>parece obcecada em capturar os pontos mais baixos da vida da artista, resumindo a trajetória de Winehouse a um relacionamento fadado à tragédia por ser marcado pela toxicidade. É certo que este é um episódio da vida da artista, mas Winehouse não é apenas isso e como pretensa cinebiografia da vida da cantora <em>Back to Black</em> falha nesse intento.</p>
<p>Para piorar o cenário, o olhar de Taylor-Johnson para a condição de um dependente químico é o mais estereotipado possível, fazendo o longa soar como uma obra concebida por um grupo de senhoras conservadoras pertencentes a alguma liga religiosa defensora da moral e dos bons costumes, obstinado em retratar a vida de Amy Winehouse como um alerta para os jovens não caírem no mesmo erro daquela celebridade sabotada pelo &#8220;descaminho&#8221; das drogas. No final das contas, não há muita diferença entre <em><strong>Back to Black</strong></em> e um especial do Fala que eu te escuto que abordaria a fama como um componente maléfico que leva jovens para o caminho sem volta das drogas. É difícil encarar em 2024 uma visão tão quadrada e insensível sobre a dependência química, a depressão e relacionamentos amorosos tóxicos como a que vemos Taylor-Johnson empregar em <em>Back to Black</em>.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18126" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-6.png" alt="Back to Black" width="751" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-6.png 751w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-6-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-6-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 751px) 100vw, 751px" /></p>
<p>O elenco faz o que pode com uma obra com tantos deslizes. Marisa Abela incorpora com dedicação Amy Winehouse, dentro e fora dos palcos. A veterana indicada ao Oscar Lesley Manville (Trama Fantasma) tem bons momentos ao lado da jovem atriz como a tia que foi fonte de inspiração para Winehouse. Jack O&#8217;Connell também está bem como Blake Fielder, trabalhando com sintonia ao lado de Abela. Contudo, nenhum deles é capaz tornar <em><strong>Back to Black</strong></em> um filme leve ou denso em seu olhar para a trajetória da cinebiografada.</p>
<p>A tese de Taylor-Johnson (&#8220;as drogas são um caminho sem volta&#8221;) e sua perspectiva condenatória para Amy Winehouse parece consumir qualquer lampejo de positividade na obra. Mesmo nos momentos em que Taylor-Johnson valoriza o desempenho de Abela como Amy Winehouse nos palcos, ensaiando momentos positivos sobre a vida da artista, algo que parece rememorar ao público a potência musical que foi a cantora, a montagem do filme imediatamente interrompe esses esforços para privilegiar algum instante mais down da sua protagonista. Enfim, difícil defender.</p>
<p>Se longas como Bob Marley: One Love e I wanna dance with somebody falharam por abafar polêmicas dos seus protagonistas, preferindo adotar uma narrativa de &#8220;colcha de retalhos&#8221; que parecia mais um clipe cheio de reconstituições de momentos das vidas dos seus cinebiografados, <em><strong>Back to Black </strong></em>vai em um caminho oposto, mas igualmente ruim. O longa de Sam Taylor-Johnson sobre Amy Winehouse é escandaloso e tem um olhar impiedoso para uma artista cujos escândalos injustamente sufocaram sua contribuição na música.</p>
<p>Se a intenção do projeto era prestar uma homenagem, o resultado visto na tela não é este. <em><strong>Back to Black</strong></em> até disfarça com um momento ou outro de respiro na vida de Amy Winehouse, mas no fundo, quer mesmo explorar sua derrocada e observa isso com um olhar conservador impiedoso que potencializa um juízo condenatório sobre sua protagonista.</p>
<p>O filme é um grande desserviço ao legado artístico de uma cantora cujo talento era tão fora da curva que a tornou insubstituível. Quer conhecer mais Amy Winehouse, sua vida e obra, sua contribuição artística para o mundo da música, mas também seus percalços pessoais? O documentário Amy de Asif Kapadia lançado em 2015 segue definitivo nesse intuito.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Sam Taylor-Johnson</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Marisa Abela, Jack O&#8217;Connell, Eddie Marsan</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/jd8xw47ZPzc?si=2B5uJra_lCTzFXD2" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Amante de Lady Chatterley</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Dec 2022 13:54:16 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Emma Corrin]]></category>
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		<category><![CDATA[Jack O'Connell]]></category>
		<category><![CDATA[Laure De Clermont-Tonnerre]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Adaptação do clássico homônimo da literatura escrito por D. H. Lawrence, O Amante de Lady Chatterley conta a história de uma jovem aristocrata que se apaixona por um dos empregados do seu marido e vive um tórrido caso com ele. Na ocasião em que foi publicado, o livro escandalizou pelas descrições explícitas dos encontros sexuais da sua protagonista. O romance basicamente narra como Connie se liberta sexualmente nessa relação extraconjugal que vive com Oliver, um simples camponês que foi traído [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Adaptação do clássico homônimo da literatura escrito por D. H. Lawrence, <strong><em>O Amante de Lady Chatterley</em></strong> conta a história de uma jovem aristocrata que se apaixona por um dos empregados do seu marido e vive um tórrido caso com ele. Na ocasião em que foi publicado, o livro escandalizou pelas descrições explícitas dos encontros sexuais da sua protagonista. O romance basicamente narra como Connie se liberta sexualmente nessa relação extraconjugal que vive com Oliver, um simples camponês que foi traído pela esposa enquanto estava na guerra.</p>
<p>Esta não é a primeira vez que <strong><em>O Amante de Lady Chatterle</em></strong>y ganha uma versão para as telas. Já foram inúmeras adaptações, entre elas, uma minissérie de 1993 estrelada por Joely Richardson, que também está nesta versão da Netflix, porém como a governanta Mrs. Bolton (uma das melhores interpretações do filme, por sinal), e um filme com Sylvia Kristel no papel de Connie em 1981. Para a protagonista clássica do romance, a diretora Laure de Clermont-Tonnerre (de The Mustang) escala Emma Corrin, recém-saída da sua exitosa performance como a jovem princesa Diana na temporada de 2020 de <em>The Crown</em>. Essa versão de Lady Chatterley já acerta com sua escalação principal: Emma Corrin consegue desenvolver todas as nuances e a complexa teia de desejos e descobertas que tomam de assalto o arco de Lady Chatterley na história.</p>
<p>Na condução, Clermont-Tonnerre faz aquilo que recentes e medíocres adaptações de romances eróticos não conseguiram nos últimos anos (nomeadamente <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cinquenta-tons-de-cinza/"><em>Cinquenta Tons de Cinza</em></a> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-365-dni-netflix/"><em>365 Dias</em></a>): aliar romance e erotismo em um arco consistente, crível e passível de identificação de desenvolvimento psicológico de suas personagens. <strong><em>O Amante de Lady Chatterley</em></strong> de Laure de Clermont-Tonnerre explora toda a odisseia sexual da sua protagonista dando substância à complexa psicologia de personagens que, de fato, se revelam cheias de camadas e se transformam através das suas aventuras sexuais. Tanto Connie, quanto seu amante Oliver, interpretado por Jack O&#8217;Connell (de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-invencivel/"><em>Invencível</em></a>), de fato se descobrem através de um encontro que, inicialmente. era estritamente sexual e passa a tomar novos sentidos, o do amor.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16223" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4371899.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Amante de Lady Chatterley" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4371899.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4371899.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4371899.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4371899.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Além de conseguir sustentar a complexa psiquê das suas personagens, a diretora conduz com realismo cenas de sexo que estão longe da artificialidade dos exemplares já citados. Nesse sentido, é impressionante como uma obra publicada em 1928 consegue inspirar um filme repleto de erotismo de forma que dois romances contemporâneos jamais conseguiram em suas franquias.</p>
<p>Um dos traços positivos desta adaptação de <strong><em>O Amante de Lady Chatterley</em></strong> é a maneira madura com a qual ela consegue problematizar a dissociação entre sexo e amor na mentalidade da nossa sociedade. Enquanto parte das produções audiovisuais explora a sexualidade como algo sujo e que, por uma lógica reducionista, não consegue combinar com o amor, tido como algo puro, etéreo,<strong><em> O Amante de Lady Chatterley</em></strong> transita entre essas duas chaves com uma organicidade impressionante. Aqui, o amor também é matéria, orna com o desejo carnal de Connie e Oliver. Em momento algum, sua diretora parece reservar olhares condenatórios para a maneira como sua protagonista explora sua sexualidade ao longo da sua jornada no filme. É libertador perceber a naturalidade com a qual Clermont-Tonnerre retrata sem pudores os desejos carnais e afetivos da sua heroína. Delicadeza, naturalidade e maturidade são ideias que sintetizam a condução de Clermont-Tonnerre para esse clássico romance erótico, reverencia assim a personagem e a obra de D. H. Lawrence como de fato merecem.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Laure De Clermont-Tonnerre</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Emma Corrin, Jack O&#8217;Connell, Matthew Duckett</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/KpJxCpWc37o" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Seberg Contra Todos (Looke)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2020 23:03:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A trama de Seberg contra Todos é, ao mesmo tempo, uma história da atriz americana Jean Seberg, imortalizada na nouvelle vague por Acossado, de Jean-Luc Godard, e uma história de outros, o movimento pelos direitos civis nos EUA. O longa de Benedict Andrews (o mesmo de Una, com Rooney Mara) é uma biografia que conta parte da vida da atriz. Particularmente, a obra se concentra no período em que ela volta para os EUA para fazer um filme, conhece as [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A trama de <em><strong>Seberg contra Todos</strong></em> é, ao mesmo tempo, uma história da atriz americana Jean Seberg, imortalizada na <em>nouvelle</em> vague por <em>Acossado</em>, de Jean-Luc Godard, e uma história de outros, o movimento pelos direitos civis nos EUA. O longa de Benedict Andrews (o mesmo de <em>Una</em>, com Rooney Mara) é uma biografia que conta parte da vida da atriz. Particularmente, a obra se concentra no período em que ela volta para os EUA para fazer um filme, conhece as ações do Partido dos Pantera Negra, apoia financeiramente algumas obras sociais do grupo, se envolve afetivamente com um dos seus líderes e passa a ser alvo de toda uma campanha de difamação do FBI de J. Edgar Hoover.</p>
<p><em><strong>Seberg contra Todos</strong></em> quer mostrar os danos que as ações persecutórias do FBI legaram a Seberg, contribuindo com sua morte precoce aos 40 anos. Em virtude da sua passagem pelos EUA, Seberg adquiriu uma série de problemas de ordem psicológica que a levaram ao aborto e a ter graves crises pessoais. A atriz, como retrata o próprio longa, foi uma vítima desse sistema, claro, mas há um grupo cuja história é incomodamente abafada em prol desse fascínio do longa pela celebridade biografada e sua trágica trajetória.</p>
<p><em><strong>Seberg contra Todos</strong> </em>mostra como o envolvimento de Jean com os Pantera Negra foi, inicialmente, uma espécie de capricho e não deixa de frisar a todo instante que a atriz apoia uma causa por um capricho que instintiva e ingenuamente põe em prática por rebeldia. Seberg tinha traumas de Hollywood, a considerava frívola e nunca se sentiu muito bem no papel de estrela de cinema no qual insistentemente tentavam enquadrá-la, mesmo depois das suas escolhas profissionais, todas na contramão do ideal hollywoodiano. Nesse sentido, Seberg assume como sua uma causa que não lhe é própria e acaba sendo alvo do FBI. Hoover e companhia a usam para atingir o movimento dos Pantera Negra, mas no fim das contas a vítima do filme acaba sendo única e exclusivamente a atriz.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13164" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3188095.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Seberg Contra Todos, Coisa de Cinéfilo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3188095.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3188095.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3188095.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Mesmo que frise o tempo inteiro que as ações do FBI têm consequências para além da esfera pessoal da estrela de cinema biografada no drama, no fim das contas <em><strong>Seberg contra Todos</strong></em> se esquece de um contexto macro e absorve as lógicas dos tabloides que durante boa parte da trama critica. Ao fim, os Pantera Negra são deixados de lado e o trágico conto de Seberg assume o protagonismo com toda sorte de trivia desse tipo de material que acaba impressionando o público dada a singularidade da história da atriz. Até um agente do FBI cheio de remorso está presente na história para frisar o drama de Seberg.</p>
<p>As intenções da obra são boas, mas há um efeito colateral incomodo pelo apagamento de outros personagens, que ficam à sombra da protagonista. O desempenho de Kristen Stewart é bom, não tão bom quanto trabalhos como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-acima-das-nuvens/"><em>Acima das Nuvens</em></a> ou <em>Na Estrada</em>, a atriz se empenha nas nuances da personagem ainda que o roteiro a sabote inúmeras vezes com construções vagas e romantizadas sobre Jean Seberg, algo que não contribui em momento algum para destacar as contradições de suas ações. É um longa cheio de ruídos no tratamento da sua história, do seu contexto e dos personagens de uma maneira geral.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Benedict Andrews<br />
<strong>Elenco:</strong> Kristen Stewart, Jack O&#8217;Connell, Anthony Mackie, Yvan Attal, Vince Vaughn, Margaret Qualley, Colm Meaney, Stephen Root</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/mUUsDIwu3hU" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Invencível</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-invencivel/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2015 22:34:56 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Angelina Jolie]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Invencível]]></category>
		<category><![CDATA[Jack O'Connell]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Angelina Jolie parece obstinada em abandonar, pouco a pouco, sua carreira de atriz e se dedicar ao cinema de uma outra maneira, como diretora. Seja qual for a razão desta transição (tédio, capricho ou inquietação artística), Jolie já está no seu segundo longa-metragem, o badalado Invencível. Diferente de Na Terra do Amor e do Ódio, sua primeira incursão atrás das câmeras em um longa de ficção, Invencível parece mais o filme de um estúdio desesperado por uma menção nessa temporada [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_2625" aria-describedby="caption-attachment-2625" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/unbroken02.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2625 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/unbroken02-620x348.jpg" alt="unbroken02" width="620" height="348" /></a><figcaption id="caption-attachment-2625" class="wp-caption-text">Incoerência: Tom do filme parece não ter relação alguma com as inclinações ideológicas da sua diretora.</figcaption></figure>
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<div style="text-align: justify;">Angelina Jolie parece obstinada em abandonar, pouco a pouco, sua carreira de atriz e se dedicar ao cinema de uma outra maneira, como diretora. Seja qual for a razão desta transição (tédio, capricho ou inquietação artística), Jolie já está no seu segundo longa-metragem, o badalado <i>Invencível</i>. Diferente de <i>Na Terra do Amor e do Ódio</i>, sua primeira incursão atrás das câmeras em um longa de ficção, <i>Invencível </i>parece mais o filme de um estúdio desesperado por uma menção nessa temporada de premiações do que um trabalho que tenha o olhar da sua cineasta. A história real do atleta olímpico e combatente de guerra Louis Zamperini é repleta de truques reconhecíveis que talvez fisgassem a Academia de Hollywood anos atrás. Existe a exaltação do herói americano, o retrato quase que cartunesco da vilania dos japoneses, os grandes cenários fotografados pelo experiente Roger Deakins e a trilha sonora surpreendentemente invasiva e que antecipa e sugere reações do espectador de Alexandre Desplat. Muito hollywoodiano, ou melhor, americano, para alguém com uma orientação política tão liberal quanto Angelina Jolie.</div>
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<div style="text-align: justify;">Como antecipado, <i>Invencível </i>narra a trajetória do descendente de italianos Louis Zamperini, interpretado pelo pouco conhecido Jack O&#8217;Connell. Zamperini foi um atleta olímpico, ganhador da medalha de ouro, que entrou para o exército durante a Segunda Guerra Mundial. Após um acidente de avião, Zamperini e outros soldados ficaram por mais de um mês à deriva no oceano, vulneráveis a ataques aéreos dos inimigos, tormentas e tubarões. Eles são resgatados por um grupo de japoneses que os tornam reféns. Louis passa a trabalhar para eles e sofre as piores humilhações nas mãos de Watanabe, um cruel cabo japonês.</div>
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<figure id="attachment_2627" aria-describedby="caption-attachment-2627" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/unbroken-oconnell-olympics-21.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2627 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/unbroken-oconnell-olympics-21-620x300.jpg" alt="unbroken-oconnell-olympics-2" width="620" height="300" /></a><figcaption id="caption-attachment-2627" class="wp-caption-text">Revelação: Protagonista Jack O&#8217;Connell não compromete o filme de Angelina Jolie.</figcaption></figure>
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<div style="text-align: justify;">Tecnicamente, <i>Invencível </i>proporciona o espetáculo que se espera dele. Jolie conta com um dos melhores diretores de fotografia em exercício, Roger Deakins (<i>Onde os fracos não têm vez</i>, <i>007 &#8211; Operação Skyfall</i> e <i>Um Sonho de Liberdade</i>), que se aqui não faz o seu melhor trabalho, ao menos nos entrega algumas belas composições de imagens que neutralizam os elementos mais incômodos do filme em certos momentos. Na condução da sua história, Jolie parece ainda tatear esse seu novo ofício, existe em <i>Invencível </i>uma certa dificuldade de lidar com <i>flashbacks, </i>por exemplo,<i> </i>e torná-los fluidos e interessantes na narrativa &#8220;presente&#8221; (a passagem da infância e da vida de atleta de Louie é imersa em clichês, como frases de efeitos, emoções artificiais etc.).</div>
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<div style="text-align: justify;">O melhor momento de <i>Invencível </i>é aquele em que o seu protagonista fica à deriva no mar com seus amigos, talvez uma das passagens que salvam o filme de maiores embaraços, já que o terceiro ato da trama é problemático com direito à interpretação canastrona de Takamasa Ishihara, um vilão que mais parece ter saído do pior dos animes japoneses, tamanha a sua falta de motivações. O protagonista do longa, o jovem Jack O&#8217;Connell, é o menor dos problemas do filme de Angelina Jolie, ao menos ele consegue evitar uma atuação <i>over</i>, um caminho possível já que o filme opta pela grandiloquência.</div>
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<figure id="attachment_2628" aria-describedby="caption-attachment-2628" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/unbroken.jpeg"><img decoding="async" class="wp-image-2628 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/unbroken-620x342.jpeg" alt="la_ca_0415_unbroken" width="620" height="342" /></a><figcaption id="caption-attachment-2628" class="wp-caption-text">Veterano na fotografia: Trabalho de Roger Deakins é um dos destaques do drama.</figcaption></figure>
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<div style="text-align: justify;">Ao final, completando a coleção de clichês hollywoodianos, <i>Invencível </i>ainda se revela um filme de inclinações cristãs (e, repito, é difícil pensar Angelina Jolie dirigindo um filme assim). Com uma lição moral sobre o perdão e sobre a importância do sofrimento e do esforço pessoal para se alcançar a vitória (sério que ainda tem gente que acredita nesse discurso?), <i>Invencível </i>termina da pior maneira possível. O filme era bem melhor enquanto acompanhávamos a penúria de três soldados em um bote salva-vidas no meio do oceano.</div>
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<div style="text-align: justify;">P.S.: O roteiro, cuja co-autoria é atribuída aos irmãos Coen, parece mais fruto do trabalho de Richard LaGravenese (de <i>P.S. Eu te Amo</i>) e de William Nicholson (<i>Os Miseráveis</i>), do que de Joel e Ethan Coen. Os realizadores de <i>Fargo </i>e <i>Onde os fracos não têm vez </i>entraram em um estágio avançado do filme, dando polimento ao trabalho já finalizado de LaGravenese e Nicholson. Resultado, assim como o filme tem mais a cara de um estúdio do que da sua diretora, o roteiro também não tem nada dos Coen e sim dos seus outros roteiristas menos badalados. É &#8220;gato por lebre&#8221;.</div>
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