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	<title>Arquivos HBO Max - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos HBO Max - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Está Tudo Bem Comigo?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jun 2024 01:33:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Sair do armário&#8221; não é um processo fácil para qualquer LGBT+. Na adolescência, pode ser uma jornada solitária e dolorosa, hostil se o ambiente externo não contribui para a autoaceitação. Na vida adulta, então, parece que esses problemas se multiplicam e tudo é ainda mais desafiador. Ao mesmo tempo que você se sente velho demais, envergonhado e culpado pela suposta falta de &#8220;timing&#8221; da sua jornada na comparação com a dos outros, sentindo-se ocupando lugares tardiamente, você também se entende [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Sair do armário&#8221; não é um processo fácil para qualquer LGBT+. Na adolescência, pode ser uma jornada solitária e dolorosa, hostil se o ambiente externo não contribui para a autoaceitação. Na vida adulta, então, parece que esses problemas se multiplicam e tudo é ainda mais desafiador. Ao mesmo tempo que você se sente velho demais, envergonhado e culpado pela suposta falta de &#8220;timing&#8221; da sua jornada na comparação com a dos outros, sentindo-se ocupando lugares tardiamente, você também se entende como alguém &#8220;deslocado&#8221; entre os seus e se questionando sobre como deverá se portar de agora em diante, quais são as suas expectativas e a dos outros. Há o vigor da juventude e a sensação de estar pronto para explorar sua sexualidade, mas também um medo muito grande de tudo que virá a partir daí. É nesse estágio da vida que encontramos Lucy, personagem de Dakota Johnson na comédia romântica <strong><em>Está Tudo Bem Comigo?</em></strong>.</p>
<p><strong><em>Está Tudo Bem Comigo?</em></strong> conta a história de Lucy (Dakota Johnson), uma design que trabalha em um spa e está em crise com os relacionamentos que vem estabelecendo com homens até então. É nesse momento que ela revela para a melhor amiga Jane (Sonoya Mizuno) que tem dúvidas sobre sua orientação sexual. Ao mesmo tempo, Jane está prestes a se mudar para Londres depois de receber uma promoção no trabalho, algo que deixa Lucy ainda mais insegura sobre uma jornada que, antes disso, já parecia desafiadora o suficiente. Como irá passar por tudo isso sem Jane ao seu lado?</p>
<p>O filme de Tig Notaro e Stephanie Allynne é na essência uma comédia romântica, com toda a leveza inerente ao gênero, explorando aquele &#8220;american way of life&#8221; de jovens adultos estadunidenses. Acontece que, no meio dessas convenções, o roteiro de Lauren Pomerantz explora muito bem a temática LGBT+ através da jornada de Dakota Johnson. Além da personagem ser muito bem defendida pela atriz, que consegue dimensionar com sensibilidade todas as inseguranças de Lucy em seu processo de descoberta de si, o texto de Pomerantz cumpre muito bem a função de explorar a experiência singular dessa protagonista, poucas vezes abordada nas telas &#8211; normalmente essas histórias são sempre contadas pelo ponto de vista de personagens adolescentes.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18294" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-7.png" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-7.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-7-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-7-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É uma pena que o mesmo roteiro que seja responsável pelo tratamento exemplar da personagem de Johnson se complique no desenvolvimento da relação desta protagonista com sua melhor amiga Jane, interpretada por Sonoya Mizuno. Logo, <strong><em>Está Tudo Bem Comigo?</em></strong> deixa de ser um filme sobre &#8220;saídas de armário&#8221; para ser um longa sobre a força da amizade dessas suas personagens, colocando uma sombra sobre aquilo que a comédia romântica tinha de mais original.</p>
<p>Em dado momento, existe até uma dubiedade sobre a personagem de Mizuno (e confesso que até o encerramento dessa crítica, essa dúvida paira na cabeça deste que vos escreve). Em dada passagem da história, depois de uma experiência mal sucedida de Lucy em um bar lésbico, Jane entra em crise com a própria amiga: seria <strong><em>Está Tudo Bem Comigo?</em></strong> uma história de amor entre amigas que se descobrem apaixonadas uma pela outra? Logo, toda a inquietação de Jane (Mizuno) é atribuída à sensação de que os dilemas de Lucy estavam ocupando um espaço muito grande enquanto ela própria vivia um momento crucial em sua vida. Nesse &#8220;desvio de rota&#8221;, <em>Está Tudo Bem Comigo?</em> perde pontos com o espectador e parece dois filmes em um só.</p>
<p>No papel que cumpre de representar uma jornada LGBT+ poucas vezes explorada em mídias audiovisuais, <strong><em>Está Tudo Bem Comigo?</em></strong> tem qualidades inegáveis. Mesmo na leveza típica de uma comédia romântica, tem um enfrentamento complexo para a trajetória da sua protagonista. Por outro lado, é um filme que apresenta uma lacuna ruidosa no seu terceiro ato, sabotando parte do seu exitoso esforço inicial.  Nesse desequilíbrio, o filme prejudica a experiência do espectador que ficou bastante intrigado com a ótima abordagem inicial das cineastas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Tig Notaro, Stephanie Allynne</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Dakota Johnson, Sonoya Mizuno, Jermaine Fowler</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/yV5EUFYyvYo?si=iGKoDJzgO0YTgSGE" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Crescendo Juntas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Nov 2023 18:57:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Narrativas sobre ritos de passagem existem aos montes na história recente do cinema, mas ainda são poucas aquelas que dedicam esse tipo de conto a protagonistas femininas e abordagens mais leves, conseguindo conciliar uma ótica humana para o assunto, mas divertida. Crescendo Juntas preenche esses requisitos e revela-se como uma história que pode ser apreciada por pais e filhas, contemplando todos os dilemas possíveis que surgem na pré-adolescência de uma garota. O longa dirigido e roteirizado por Kelly Fremon Craig [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Narrativas sobre ritos de passagem existem aos montes na história recente do cinema, mas ainda são poucas aquelas que dedicam esse tipo de conto a protagonistas femininas e abordagens mais leves, conseguindo conciliar uma ótica humana para o assunto, mas divertida. <em><strong>Crescendo Juntas</strong></em> preenche esses requisitos e revela-se como uma história que pode ser apreciada por pais e filhas, contemplando todos os dilemas possíveis que surgem na pré-adolescência de uma garota.</p>
<p>O longa dirigido e roteirizado por Kelly Fremon Craig a partir do livro de Judy Blume conta a história de uma menina de 11 anos que se muda com os pais de Nova York passando a morar no subúrbio de Nova Jersey, bem longe da avó judia. É nesse momento que Margaret passa por um processo de adaptação, mas adequar-se à nova escola e aos novos colegas passa a ser o menor dos seus problemas diante das diversas questões que lhe surgem como desafios.</p>
<p><em><strong>Crescendo Juntas</strong></em> aborda temas como o primeiro sutiã, os primeiros amores, menstruação e intolerância através da trajetória de uma protagonista construída com sensibilidade e doçura por Kelly Fremon Craig. O mérito do trabalho da cineasta é jamais subestimar os dilemas da sua personagem principal, ainda que trate todas essas questões com aquela ótica ingênua da infância.</p>
<p>A menina Margaret está sempre se dirigindo a um Deus que nunca fez parte da sua vida, já que seus pais (um judeu e uma católica) decidiram que a filha só optaria por uma religião quando fosse adulta em virtude dos conflitos severos que o assunto legou ao núcleo familiar. A cineasta utiliza esse recurso não como uma muleta para construir uma narrativa religiosa, mas como um mecanismo bem humorado e que reforça a inocência da protagonista, ampliando ainda mais nossa compreensão sobre o estado de ebulição de emoções de Margaret. A garota vive um momento tão limítrofe que recorre a uma intervenção divina nunca antes aventada.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17486" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1.jpg" alt="Crescendo Juntas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Além do círculo de transformação enfrentado pela personagem principal, o longa aborda as mudanças vivenciadas pela mãe da protagonista na medida em que esta toma contato com o processo da própria filha. A personagem em questão é interpretada com sensibilidade por Rachel McAdams. Como a filha Margaret, a mãe interpretada por McAdams encontra um ponto de independência e se desvencilha de ideias socialmente impostas sobre &#8220;mães de família&#8221; na década de 1970.</p>
<p>É claro que, além de McAdams, outros atores têm momentos muito bons na história como Kathy Bates, cuja avó judia cheia de vida (e roupas e joias exuberantes) enche o filme de alegria e ironia quando surge na tela, ou Benny Safdie, intérprete do pai carinhoso de Margaret, mas o elenco infantil do longa é quem tem grande destaque. O filme é encabeçado por Abby Ryder Fortson, uma jovem atriz que dá cadência e personalidade a todos os dilemas de Margaret, passando ainda pelo grupo de amigas da protagonista liderado Nancy Wheeler, interpretada de maneira extremamente inteligente por Elle Wheeler. Wheeler dá vida a uma garota insegura, mas com espírito de liderança e lealdade.</p>
<p>Kelly Fremon Craig fez de <em><strong>Crescendo Juntas</strong></em> um filme leve e sensível sobre uma fase complicada da vida de qualquer pessoa, procurando universalidade e empatia no tratamento dessa história, mas evitando qualquer tipo de estereotipia na construção das suas personagens. É um longa perfeitamente recomendável para adultos e pré-adolescentes que certamente encontrarão pontos de entendimentos para dilemas que são recorrentes nessa fase de transição para a a vida adulta.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kelly Fremon Craig</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Rachel McAdams, Kathy Bates, Benny Safdie, Abby Ryder Fortson, Elle GrahamJecobi, SwainKaren Aruj</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/eSm3S9-3Fg4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Spree (HBO Max)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 May 2022 13:54:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O mundo hiperconectado da multiplicidade de telas e as consequências psicológicas da lógica da acumulação de fortunas pelos influenciadores digitais têm sido explorados com uma certa frequência por séries e filmes em tramas que oscilam entre a fantasia e uma incomoda verossimilhança. Spree é parte natural desse processo de assimilação da realidade da comunicação digital no nosso cotidiano pela ficção. O longa conta sua história de maneira engenhosa por intermédio do artifício que impulsiona sua temática, integrando nossos mecanismos de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo hiperconectado da multiplicidade de telas e as consequências psicológicas da lógica da acumulação de fortunas pelos influenciadores digitais têm sido explorados com uma certa frequência por séries e filmes em tramas que oscilam entre a fantasia e uma incomoda verossimilhança. <strong><em>Spree</em> </strong>é parte natural desse processo de assimilação da realidade da comunicação digital no nosso cotidiano pela ficção. O longa conta sua história de maneira engenhosa por intermédio do artifício que impulsiona sua temática, integrando nossos mecanismos de audiovisualizar o cotidiano (celulares, câmeras de segurança, players de YouTube) para contar a história de um influenciador digital frustrado que usa seu atual emprego de motorista de aplicativo para dar o seu &#8220;tiro de misericórdia&#8221; em busca de seguidores, likes e views: ele transmitirá em tempo real o assassinato de alguns dos seus passageiros.</p>
<p>Através de um protagonista que gradualmente se revela como um perigo para a sociedade, o longa escrito e dirigido por Eugene Kotlyarenko critica o vazio existencial e os efeitos psicológicos da perseguição por métricas na web. No entanto, o mais instigante desse longa, apontado por alguns como uma espécie de Psicopata Americano dos nossos tempos &#8211; e as comparações são bastante pertinentes já que, tal qual o personagem de Christian Bale no filme de 2000, temos contato com um protagonista de natureza doentia e que representa um perigo para a sociedade &#8211; é a maneira interessante como filme incorpora a lógica das múltiplas telas na construção da sua narrativa.</p>
<p>Imagens horizontais e verticais, multiplas perspectivas que dividem uma mesma tela representada por stories ou lives de Instagram, câmeras de segurança e perfis no Twitter ou rotas do aplicativo <strong><em>Spree</em> </strong>que dá título ao filme, um similar do Uber, dá a <strong><em>Spree</em> </strong>uma verve contemporânea de narrativa audiovisual, mas nenhum desses recursos soa como supérfluo. O longa de Eugene Kotlyarenko sabe, como poucos títulos que utilizaram esse recurso, se apropriar da gramática da realização e consumo de audiovisual na web para contar sua história de horror contemporâneo. <strong><em>Spree</em> </strong>tem uma lógica engenhosa de montagem que sabe aproveitar cada uma dessas possibilidades de registro audiovisuais, tornando o aparato evidente e determinante para o comportamento dos seus personagens, que, claramente se transformam quando percebem a sua presença e que existe público para seus atos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15495" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/GAC_Spree3.jpg" alt="Spree" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/GAC_Spree3.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/GAC_Spree3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/GAC_Spree3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/GAC_Spree3-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Conforme o protagonista Kurt Kunkle vai colocando em prática seu experimento online (e aquele apresentado em Nerve vai soando &#8220;fichinha&#8221; perto desse aqui), o ator Joe Keery conduz esse sujeito a um estágio incontrolável de loucura. O intérprete do Steve Harrington de Stranger Things tem um desempenho impressionante nesse filme lidando muito bem com a instabilidade emocional do protagonista, um sujeito despreparado para as negativas da vida, criado em um lar completamente disfuncional, e que, gradualmente, vai perdendo a sua humanidade e se tornando uma ameaça assustadora para as figuras que encontra pelo caminho. Nem mesmo o pai do protagonista interpretado por David Arquette escapa da loucura do digital influencer.</p>
<p>O tom de <strong><em>Spree</em> </strong>é exageradamente elevado. Os passageiros de Kurt são figuras ausentes de qualquer simpatia, a maioria representa o que existe de pior na nossa sociedade (e na internet, claro). Assim como Kurt, todos agem como se estivessem entorpecidos pela fama online. O tom elevado é típico da sátira que <strong><em>Spree</em> </strong>propõe. No entanto, vivemos em uma realidade no qual sátiras como esta e a tão afamada Black Mirror se aproximaram tanto da nossa sociedade que o que vemos é uma imagem espelhada e ela assusta. <strong><em>Spree</em> </strong>sabe narrar muito bem esse conto de horror contemporâneo no limite entre a ironia, a crítica e o pavor que toda essa lógica de sociabilidade digital tem legado para nossa realidade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Eugene Kotlyarenko</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Joe Keery, Sasheer Zamata, David Arquette, Mischa Barton, Kyle Mooney, Linas Phillips, Jessalyn Gilsig, Randy Vasquez</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/d10epBHU2Ag" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<item>
		<title>Minissérie dirigida por cineasta Bruno Barreto estreia na HBO Max</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Sep 2021 14:26:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[HBO Max]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No início do século XX, o brasileiro Marechal Rondon fez um convite para o presidente estadunidense Theodore Roosevelt para a realização de uma expedição pela Amazônia. Procurar mostrar os detalhes de toda esta jornada é o foco central da minissérie O Hóspede Americano, que conta com um elenco formado por Chico Díaz, Aidan Quinn, Dana Delany e Chris Mason. A produção tem quatro episódios, exibidos semanalmente pela HBO ou on demand, pela HBO Max. Para o realizador Bruno Barreto (Flores [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No início do século XX, o brasileiro Marechal Rondon fez um convite para o presidente estadunidense Theodore Roosevelt para a realização de uma expedição pela Amazônia. Procurar mostrar os detalhes de toda esta jornada é o foco central da minissérie <em><strong>O Hóspede Americano</strong>,</em> que conta com um elenco formado por Chico Díaz, Aidan Quinn, Dana Delany e Chris Mason. A produção tem quatro episódios, exibidos semanalmente pela HBO ou <em>on demand</em>, pela HBO Max.</p>
<p>Para o realizador Bruno Barreto (<em>Flores Raras</em>) há um fato que o instigou a desenvolver este projeto: o frescor que ele enxerga na personalidade de Theodore Roosevelt. Barreto ainda pensa que o fato de Theodore ter vivido há mais de 100 anos e possuir ideias consideradas por Bruno tão múltiplas é impressionante. Estes fatores, fazem o diretor enxergar um caráter de complexidade na personagem, o que fomentou ainda mais o seu desejo de rodar a minissérie. “A obra é contada pela perspectiva de Theodore, porque ele é alguém que vem com seu filho para Amazônia, ele é um peixe fora d’àgua”.</p>
<p>Dentro das possibilidades do que poderia ser contado a respeito da trajetória de Roosevelt no Brasil, o roteirista Matthew Chapman explica que a dualidade do político também chamou a sua atenção intensamente. Chapman enxerga Theodore Roosevelt como um homem agressivo, mas também um revolucionário, no sentido de que ele, mesmo em suas características polêmicas, brigou por questões que o artista enxerga como essenciais para o que existe em questões de direitos das mulheres e dos trabalhadores nos Estados Unidos, mas também no quesito de proteção ambiental.</p>
<p>Nesta lógica de procurar revelar os passos de Theodore em solos brasileiros e toda uma construção de um indivíduo aparentemente polêmico há, ainda, um espaço para algo além das aventuras da Expedição Científica Rondon-Roosevelt. <em><strong>O Hóspede Americano</strong></em> também trata sobre o relacionamento de Theodore e sua esposa Edith. A atriz Dana Delany considera os caminhos percorridos pelo casal, as dificuldades e conquistas dos dois e o sentimento que nutriam um pelo outro emocionantes, que estas memórias acabaram ficando perdidas com o tempo e merecem este espaço que ganham agora, com a série.</p>
<p>Com todos estes encaminhamentos, <strong><em>O Hóspede Americano</em></strong> leva o espectador a encontrar um dos olhares possíveis para a Expedição de Theodore e Rondon e tem seus episódios exibidos sempre aos domingos, às 23h, e nas segundas-feiras, às 02h, diretamente pela HBO ou a qualquer hora, pelo streaming HBO Max.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/QYePkmJMZdU" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Confinamento (HBO Max)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Jul 2021 13:24:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Partindo da identificação do espectador com a vivência das personagens durante o isolamento social, causado pela necessidade de se proteger do Coronavírus, Confinamento é mais do que um filme sobre pandemia. Com uma mescla de subgêneros, a produção conduz o espectador sabiamente por um caminho, inicialmente, esperado até a sua surpreendente reviravolta, mas sem perder a base de sua narrativa. Neste jogo entre explorar a relação do casal principal, Linda (Anne Hathaway, Convenção das Bruxas) e Paxton (Chiwetel Ejiofor, The [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Partindo da identificação do espectador com a vivência das personagens durante o isolamento social, causado pela necessidade de se proteger do Coronavírus, <strong><em>Confinamento</em> </strong>é mais do que um filme sobre pandemia. Com uma mescla de subgêneros, a produção conduz o espectador sabiamente por um caminho, inicialmente, esperado até a sua surpreendente reviravolta, mas sem perder a base de sua narrativa. Neste jogo entre explorar a relação do casal principal, Linda (Anne Hathaway, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-convencao-das-bruxas/"><em>Convenção das Bruxas</em></a>) e Paxton (Chiwetel Ejiofor, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-the-old-guard-netflix/"><em>The Old Guard</em></a>), as angústias em relação ao vírus e os conflitos de um casamento finalizado, são construídas camadas mais profundas, a partir de cada uma dessas premissas.</p>
<p>Entre os embates de Linda e Paxton é possível conhecer mais sobre eles. Através de seus desabafos, em diálogos, majoritariamente, sucintos, quem assiste consegue mergulhar e compreender as aflições, necessidades e razões das personagens. A direção de arte, o figurino e a<em> mise-en-scène</em> fomentam esta perspectiva sobre a dupla. Alguns exemplos ilustram esta sensação que a obra passa: a decoração da casa, seja no quarto e no escritório de Linda que possuem cores mais neutras e suaves, enquanto no de Paxton os tons são mais fechados ou nas vestes e penteados de Linda que vão, lentamente, ficando mais despojados, revelando uma certa transformação dela. Ao mesmo tempo, Paxton vai ganhando confiança e restabelecendo a sua personalidade e detalhes aparecem em suas roupas também, como sua jaqueta de motoqueiro.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14275" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Locked-Down-critica-filme-HBO-Max.jpg" alt="Confinamento" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Locked-Down-critica-filme-HBO-Max.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Locked-Down-critica-filme-HBO-Max-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Locked-Down-critica-filme-HBO-Max-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Locked-Down-critica-filme-HBO-Max-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Nestas mudanças, provocadas pelas reflexões vindas da obrigatoriedade de ficar na residência, os dois parecem se reencontrar, tanto como indivíduos quanto como casal. A partir desta jornada progressiva, na qual se vê nitidamente os processos de questionamentos e modificações de perspectivas de Linda e Paxton, a produção é corajosa ao inserir dinâmicas de múltiplos gêneros dentro do enredo. Há um peso da jornada das personagens, mas, mesclado a isso, existe um humor ácido que preenche a trama. Punchlines e a seleção das músicas incidentais transmitem também as oscilações de humor de Linda e Paxton, seus distanciamentos e aproximações. Além disso, em um <em>plot twist</em>, é instalada uma atmosfera de longa-metragem de crime.</p>
<p>Quando surge a oportunidade de realizar um roubo, a dinâmica da velocidade das ações é modificada. A montagem oferece mais cortes e a direção traz mais movimentações de câmera. Assim, a inércia e as problemáticas internas que ocorrem dentro de casa, em um confinamento, são substituídas por sequências com uma adrenalina, que é instaurada repentinamente, porém que funciona, pois a quebra da lógica moral vai sendo derrubada no próprios embates entre Linda e Paxton. É a partir daí que eles parecem a encontrar um objetivo em comum e afinar os próprios sentimentos desorganizados internamente. Quando o par passa a expor a ultrapassagem dos supostos limites éticos impostos pela sociedade é que eles conseguem recordar quem são e o amor que têm um pelo o outro.</p>
<p>Desta maneira, <strong><em>Confinamento </em></strong>apresenta um resultado equilibrado e ousado, por saber convocar os momentos internos e íntimos, mas jogar também com o cômico e o absurdo. No contexto atual em que o mundo vive, cheio de conflitos políticos e uma crise sanitária grave, a extrapolação da realidade, através de um cenário, aparentemente, tão comum e relacionável, faz com que a projeção valha cada minuto.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Doug Liman</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Chiwetel Ejiofor, Anne Hathaway, Bem Kingsley, Ben Stiller, Jazmyn Simon, Dule Hill, Mark Gatiss, Lucy Boynton</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Xb9z2zGQaSk" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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