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	<title>Arquivos Globo Filmes - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Grande Sertão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 May 2024 12:45:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Fora das telonas por mais de uma década, Guel Arraes (O Auto da Compadecida, de 2000, e O Bem Amado, de 2010) retorna aos cinemas com seu mais novo filme. Grande Sertão, inspirado no livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, foi dirigido pelo cineasta pernambucano e co-escrito por ele e Jorge Furtado (Vai Dar Nada, de 2022).  Assim, o longa-metragem da Paranoïd Filmes em coprodução com a Globo Filmes marca esse momento de Guel voltando a fazer seu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Fora das telonas por mais de uma década, Guel Arraes (<em>O Auto da Compadecida</em>, de 2000, e <em>O Bem Amado, de 2010</em>) retorna aos cinemas com seu mais novo filme. <em><strong>Grande Sertão</strong></em>, inspirado no livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, foi dirigido pelo cineasta pernambucano e co-escrito por ele e Jorge Furtado (<em>Vai Dar Nada</em>, de 2022).  Assim, o longa-metragem da Paranoïd Filmes em coprodução com a Globo Filmes marca esse momento de Guel voltando a fazer seu cinema fantástico e sensível.</p>
<p>Com estreia marcada nos cinemas brasileiros para esta quinta-feira (30), <strong><em>Grande Sertão</em></strong> transforma o texto modernista de Guimarães Rosa e remonta a história em um futuro distópico sobre a periferia urbana. Essa mudança, por si só, já é um risco que merece ser observado. Adaptar um clássico literário e deslocar completamente a sua história e seu tempo é uma difícil e delicada missão. Por um lado, essa atualização vestida de fantasia futurista é extremamente interessante por dialogar ainda mais com temas sociais atuais. Por outro, gera um certo estranhamento ao deslocar uma história tão sertaneja para algo tão eixo Rio-São Paulo.</p>
<p>A escolha dos roteiristas, no entanto, é bem paga por conseguirem imprimir o resultado visual e textual dessa periferia (ainda mais) refém da violência, do crime e da política. E, para completar as escolhas arriscadas do roteiro, Arraes e Furtado ainda escolhem manter parte do texto original inalterado, o que pode gerar um estranhamento inicial, mas que tem uma força cênica absurda. Por essa razão, <strong><em>Grande Sertão</em></strong> acaba se aproximando de <em>Romeu + Julieta (1996)</em>, de Baz Luhrmann (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><em>Elvis</em></a>, de 2022). A diferença entre as duas obras é que, no longa de Guel Arraes, a inserção desse texto mais clássico é incorporada de uma forma mais eficaz e convincente &#8211; mérito também do elenco extraordinário.</p>
<p>Com esse texto e pano de fundo, Guel pôde fazer o que faz de melhor: mergulhar no fantástico. A filmografia do diretor pernambucano sempre flertou com as possibilidades desse gênero, mas agora, graças ao contexto criado para o filme, Guel conseguiu cair de cabeça nesse universo. O resultado desse mergulho é um trabalho visual extremamente cuidadoso e impactante. Existem cenas que falam por si só e, como já disse Villeneuve (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna-parte-2/"><em>Duna: Parte 2</em></a>, de 2024), no cinema, as imagens devem bastar &#8211; e Guel faz isso como ninguém em <em><strong>Grande Sertão</strong></em>.</p>
<figure id="attachment_18202" aria-describedby="caption-attachment-18202" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-18202 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-750x500.jpg" alt="Grande Sertão (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18202" class="wp-caption-text">Eduardo Sterblitch em cena de &#8216;Grande Sertão&#8217; (2023) | Foto: Divulgação/Helena Barreto</figcaption></figure>
<p>Existe uma teatralidade e espetacularização em cena que só Guel consegue criar. Assim como vemos em filmes anteriores do diretor, existe um quê de exagero milimetricamente calculado, que compõe e guia a narrativa e suas performances. E é justamente nesse campo que o elenco e os departamentos de fotografia e arte conseguem brilhar. <em><strong>Grande Sertão</strong></em> é uma produção que chama atenção. Seja pelo seu texto original, pelas suas escolhas de adaptação ou pelas suas cores e dores em cena. Não há como sair da sessão sem sentir esse impacto.</p>
<p>O elenco é quem complementa e coloca em cena esse universo distópico-fantástico. Com conhecidos nomes das telinhas e telonas como Luisa Arraes (<em>Aos Teus Olhos</em>, de 2017), Caio Blat (<em>O Debate</em>, de 2022), Rodrigo Lombardi (<em>Carcereiros: O Filme</em>, de 2019), Luis Miranda (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-pai-o-2/"><em>Ó Paí, Ó 2</em></a>, de 2023) e Eduardo Sterblitch (<em>Dois é Demais em Orlando</em>, de 2024), as performances merecem uma atenção especial. Sob essa rege da teatralidade tão gueliniana, os artistas entregam cenas com emoções viscerais. É palpável cada dor e conquista vista em tela. Essa troca só engrandece ainda mais o texto e o resultado de <strong><em>Grande Sertão</em></strong>.</p>
<p>É preciso, portanto, pontuar algumas pessoas que se destacam no elenco. Mariana Nunes (<em>Alemão 2</em>, de 2022), apesar de ter uma rápida participação, consegue entregar uma performance de tirar o fôlego. Ao seu lado, narrativamente e cenicamente falando, está Blat que brilha como Riobaldo, especialmente nos segmentos sobre o futuro em <strong><em>Grande Sertão</em></strong>. O público se encanta e teme, porém, pelos personagens vividos por Miranda e Sterblitch. Os dois no campo no vilania, cada um com suas camadas de desejos e anseios &#8211; e até com momentos de redenção -, ambos personagens chamam o público para uma conexão imediata (ainda que essa seja de repulsa).</p>
<p>A força do elenco em cena é a responsável por concretizar toda a parte técnica e a direção. A materialidade expressa pelos trechos originais do texto ou criada por determinado cenário, fotografia e enquadramento são resultado dessa cooperação completa da produção. <strong><em>Grande Sertão</em></strong> conta com uma força expressiva arrebatadora e esse é o seu maior diferencial. Faz, por momentos, até mesmo com que o espectador mais atento (ou talvez, preocupado) esqueça do sequestro da história para uma periferia que parece estar localizada no Rio de Janeiro. Seja como for essa dinâmica entre-espectador-filme, uma coisa é certa: o longa não vai ser facilmente esquecido por quem o assiste.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guel Arraes</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Luisa Arraes, Caio Blat , Rodrigo Lombardi, Luis Miranda, Mariana Nunes, Lucas Oranmian e Eduardo Sterblitch</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/O9Q-6VSzQCw?si=BqF3spAaoVWeP8X3" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Turma da Mônica &#8211; Lições</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jan 2022 19:28:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Fim de ano é tempo de relaxar e curtir com as pessoas que se ama. E que forma melhor de fazer isso do que assistindo a um bom filme? Se isso soa como uma boa ideia, a estreia da semana nos cinemas brasileiros é uma ótima opção para um passeio diferente com a família. Turma da Mônica: Lições chega nas telonas do país, nesta quinta-feira (30), recheado de boas risadas e emoção. O longa-metragem é a segunda adaptação de um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Fim de ano é tempo de relaxar e curtir com as pessoas que se ama. E que forma melhor de fazer isso do que assistindo a um bom filme? Se isso soa como uma boa ideia, a estreia da semana nos cinemas brasileiros é uma ótima opção para um passeio diferente com a família. <b><i>Turma da Mônica: Lições</i></b> chega nas telonas do país, nesta quinta-feira (30), recheado de boas risadas e emoção.</p>
<p>O longa-metragem é a segunda adaptação de um dos icônicos quadrinhos de Maurício de Sousa. Graças ao tempo, este filme pôde mostrar um nível de amadurecimento e profundidade de roteiro maior do que a primeira aparição da turminha nos cinemas. Desta vez, o público vê uma produção mais disposta a arriscar a uma narrativa mais madura. A aventura mostra o dilema de crescer ao mesmo tempo que faz uma reflexão sobre amizade, através de um pano de fundo psicológico inteligente.</p>
<p>Mônica (Giulia Benitte), Cebolinha (Kevin Vechiatto), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira) se envolvem em mais uma encrenca. O plano infalível da vez foi fugir da escola e, para variar, as coisas não correram como esperado. Em resposta à travessura das crianças, os pais de Mônica decidem tirá-la da escola, separando o grupo. Agora, os quatro amigos vão ter que enfrentar seus piores medos, enquanto tentam achar um jeito de voltarem a ser o quarteto mais amado do Brasil.</p>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-15001 aligncenter" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gravações-turma-da-mônica-lições-750x417.jpg" alt="" width="750" height="417" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gravações-turma-da-mônica-lições-750x417.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gravações-turma-da-mônica-lições-610x339.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gravações-turma-da-mônica-lições-770x428.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/gravações-turma-da-mônica-lições.jpg 800w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Talvez o maior mérito desta produção seja a sua coragem. Só se passaram dois anos que a Globo Filmes lançou o primeiro longa e existe um claro e feliz crescimento &#8211; tanto de narrativa como de proposta. Em <b><i>Turma da Mônica: Lições</i></b>, os roteiristas Thiago Dottori (<i>VIPs</i>, de 2010) e Mariana Zatz dedicam um bom tempo da história para se aprofundar nas jornadas individuais de cada um dos quatro amigos. Isso permite, além de um desenvolvimento mais homogêneo, uma oportunidade. E essa oportunidade foi abraçada com sagacidade.</p>
<p>A jogada de Dottori e Zatz foi definir os dilemas de cada um dos quatro personagens principais como uma questão relacionada a ansiedades e questões da psique. É uma grata surpresa ver num filme infantil uma discussão séria e cuidadosa sobre insegurança, fobias e compulsão alimentar. E entenda que isso não é posto de forma aterrorizante. É tudo natural. É como se finalmente certos detalhes sobre as hqs fossem esclarecidos.</p>
<p>A Mônica tem dificuldades em lidar com sentimentos e, por isso, se torna agressiva. O Cebolinha é inseguro, por isso tenta provar como lidar, criando planos mirabolantes. A Magali não aprendeu a lidar com as dificuldades da sua vida, por isso desconta na comida. E o Cascão tem fobia de água, por isso foge dela a qualquer custo. Esses problemas, vistos de longe, poderiam ser qualquer coisa, mas uma vez que são explicados, tudo se esclarece. E é essa escolha corajosa e coerente que engrandece o filme por trazer profundidade a discussão individual dos personagens.</p>
<p>Para além desses dilemas pessoais, Daniel Rezende (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bingo-o-rei-das-manhas/"><i>Bingo: O Rei das Manhãs</i></a>, de 2017, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-turma-da-monica-lacos/"><i>Turma da Mônica: Laços</i></a>, de 2019) guia o espectador numa jornada extremamente encantadora. Aqui mais personagens queridos e conhecidos são inseridos nesse universo da Turma da Mônica, prometendo um futuro interessante. Tudo isso com atuações certeiras. É importante sempre lembrar o valor de uma boa escalação e isso se torna evidente aqui. Além dos atores e atrizes adultos que são talentosos e conhecidos, a escolha de cada uma das crianças não poderia ser melhor. <b><i>Turma da Mônica: Lições</i></b> é um filme onde a diversão é garantida para todos, não importa a idade.</p>
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