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	<title>Arquivos Gael García Bernal - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Gael García Bernal - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Cassandro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Sep 2023 22:33:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Hit do Festival de Sundance de 2023, Cassandro chega com exclusividade ao serviço do Amazon Prime Video. O filme traz Gael García Bernal (Viva &#8211; A Vida é uma Festa) como o lutador de lucha libre Cassandro, cuja carreira iniciada no final dos anos de 1980 &#8220;decolou&#8221; quando ele começou a se apropriar nos ringues de uma abordagem drag para suas apresentações. A produção dirigida por Roger Ross Williams, do documentário Love to Love You, Diana Ross, narra especificamente essa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Hit do Festival de Sundance de 2023, <em><strong>Cassandro</strong> </em>chega com exclusividade ao serviço do <em>Amazon Prime Video</em>. O filme traz Gael García Bernal (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-viva-a-vida-e-uma-festa/"><em>Viva &#8211; A Vida é uma Festa</em></a>) como o lutador de lucha libre Cassandro, cuja carreira iniciada no final dos anos de 1980 &#8220;decolou&#8221; quando ele começou a se apropriar nos ringues de uma abordagem drag para suas apresentações. A produção dirigida por Roger Ross Williams, do documentário <em>Love to Love You</em>, Diana Ross, narra especificamente essa chave de virada na vida do lutador mexicano, que passou a adotar a personalidade de Cassandro como forma de curar o sentimento de rejeição que nutria pela forte homofobia do pai.</p>
<p><em><strong>Cassandro</strong> </em>é uma cinebiografia bem intencionada que na maior parte do tempo sofre do mesmo mal de tantos outros filmes do gênero, o excesso de pasteurização na abordagem narrativa, suavizando ou romantizando as glórias do seu personagem principal, por vezes rendendo-se ao clichê do retrato inspiracional &#8220;baseado em eventos reais&#8221;. Entretando, em muitos outros momentos o filme ganha o espectador pela performance carismática de Gael García Bernal como Saúl Armendáriz, o Cassandro, e também por encontrar um tema para sua narrativa, evitando a tradicional pincelada genérica em todos os eventos da vida do cinebiografado, como também é comum no gênero.</p>
<p>Com a direção menos afeita possível a intervenções criativas, Roger Ross Williams entrega o êxito da sua obra nas mãos do olhar sensível de Bernal para seu protagonista. O ator o retrata como uma figura forte e resiliente, ao mesmo tempo que, com esses traços, evita transformar Saúl (ou Cassandro) em um super-humano, acima das suas próprias dores e cicatrizes. É perfeitamente sensível na tela as dores desse personagem, como também fica latente o seu caminho de cura, ou seja, como ele sublima o sentimento de rejeição através da sua arte/esporte. É interessante perceber como esse personagem lida com sua própria sexualidade assumida e como percebe e usa a sua performance nos ringues de lucha libre como um movimento de afirmação, empreendendo uma revolução no seu nicho de atuação.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17238" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3718542.jpg" alt="Cassandro" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3718542.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3718542-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3718542-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3718542-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Cassandro representava o tipo de personagem que na lucha libre foi chamado pejorativamente de &#8220;exótico&#8221;, lutadores gays que se apresentavam de maneira exuberante, com figurinos e maquiagem chamativas, e que nessas apresentações propositalmente eram &#8220;escada&#8221; para as vitórias dos seus oponentes &#8220;machões&#8221;, apanhando ao vivo como forma de externalizar a homofobia da sua audiência. Com Cassandro, Saúl desejava sair desse esquema, se apresentando do jeito que queria, ou seja, de forma que expressasse sua verdadeira identidade (com todo o brilho e irreverência possíveis), mas que isso não implicasse reduzir sua competitividade no ringue frente aos seus oponentes, estando no páreo tanto quanto eles.</p>
<p>Em <em><strong>Cassandro</strong></em>, Bernal tem uma performance física extasiante na qual o ator personifica a irreverência, a dramaticidade, o tom provocador e a força do seu personagem. Ao mesmo tempo, fora do ringue, o ator traz uma resiliência não comiserativa para Cassandro, jamais explorando de maneira piegas as dores latentes de uma realidade que sempre foi muito difícil para Saúl. <em><strong>Cassandro</strong> </em>traz para as telas um Gael García Bernal maduro, que carrega o filme nas costas sem achar que seu desempenho é maior do que a história do próprio cinebiografado, retratando-o como uma figura humana perfeitamente passível de identificação.</p>
<p>O ponto frágil de <strong><em>Cassandro</em> </strong>é justamente uma condução que não faz justiça ao olhar sensível de Bernal e que utiliza artifícios excessivamente expositivos quando a história já dizia muito com as sutilezas da performance do ator e com a sua presença em um ambiente notadamente homofóbico. A transição para a glória de Cassandro representada por uma participação sua em um talk show na qual um fã adolescente do astro da lucha libre se manifesta na plateia, agradecendo ao trabalho do protagonista e falando como ele foi importante no momento em que decidiu se assumir gay para o pai, verbaliza questões que o longa já havia colocado de maneira muito mais original e completa no retrato que fez do gênero esportivo e da subversão provocada por Saúl nele. Nesse sentido, <em><strong>Cassandro</strong> </em>se entrega a reiterações e chavões desnecessários quando tudo já havia sido entregue pelo trabalho impecável de Gael García Bernal.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Roger Ross Williams</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Gael García Bernal, Roberta Colindrez, Bad Bunny</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/XgbTiYNUvw8" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Lobisomem na Noite</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Oct 2022 22:37:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Disney Plus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lobisomem na Noite é um projeto diferenciado dentro das ambições de construção de universo compartilhado da Marvel. Ainda assim, cabe frisar, tudo aqui possui um certo grau de controle do estúdio. Trata-se do primeiro especial da Marvel no Disney Plus, criado como parte da celebração do Halloween. A obra reverencia a estética do cinema de monstros da Universal nos anos 1930 com sua fotografia em preto e branco, a performance teatralizada de parte do seu elenco e até mesmo recursos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Lobisomem na Noite</em></strong> é um projeto diferenciado dentro das ambições de construção de universo compartilhado da Marvel. Ainda assim, cabe frisar, tudo aqui possui um certo grau de controle do estúdio. Trata-se do primeiro especial da Marvel no Disney Plus, criado como parte da celebração do Halloween. A obra reverencia a estética do cinema de monstros da Universal nos anos 1930 com sua fotografia em preto e branco, a performance teatralizada de parte do seu elenco e até mesmo recursos como maquiagem lembram aqueles títulos, como evidencia o visual do lobisomem título. Essa ambição estética cheia de personalidade se alia a sequências violentas nas quais os corpos são mutilados pela criatura do título. Como autoria e violência nunca foram as diretrizes da Disney para o estúdio, o resultado, claro, chama a atenção.</p>
<p>Podemos dizer que <strong><em>Lobisomem na Noite</em></strong> é um dos títulos mais &#8220;fora da curva&#8221; na história da Marvel. Ainda assim, nem toda ideia é exercida com total independência desse grande projeto narrativo que o estúdio sempre tem como horizonte. A violência é permitida em <em>Lobisomem na Noite</em> porque eles contam com uma fotografia em preto e branco que suaviza a visualidade do sangue e da carnificina. Nesse mesmo sentido, por mais que se apresente como uma pocket história isolada, existe em dado momento pontos de conexão com tudo o que foi construído pelo estúdio, ou seja, a ideia de universo expandido está presente de alguma forma também nesse especial.</p>
<p>Mesmo com suas concessões, não podemos afirmar que <strong><em>Lobisomem na Noite</em></strong> peca em suas ambições, pelo contrário. O grande trunfo desse projeto é justamente encontrar uma brecha no esquema pasteurizante do seu estúdio para conseguir fazer um projeto singular e que mexe um pouco com aquela sensação de &#8220;chover no molhado&#8221; que a atual fase da Marvel trouxe para o seu público.</p>
<p>No longa, acompanhamos os preparativos de uma cerimônia que envolve um clã de caçadores de monstros, entre eles, a filha do antigo líder do grupo. Eles se envolverão em uma disputa pelo comando do clã e acabam se deparando com o surgimento de um lobisomem à meia-noite. A história do especial é toda centrada em uma única noite com esses personagens presos nesse cenário e ameaçados pela criatura que surge.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15977" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Elsa-Bloodstone-Lobisomem-na-Noite.jpg" alt="Lobisomem na Noite" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Elsa-Bloodstone-Lobisomem-na-Noite.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Elsa-Bloodstone-Lobisomem-na-Noite-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Elsa-Bloodstone-Lobisomem-na-Noite-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Elsa-Bloodstone-Lobisomem-na-Noite-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>Lobisomem na Noite</em></strong> tem vilões superficiais, especificamente a ex-esposa do líder do grupo de caçadores, mas possui dois protagonistas interessantes que encontram um elo inesperado no desfecho, os personagens de Gael Garcia Bernal e Laura Donnelly. O especial tem senso estético apurado sem soar derivativo ou autoindulgente. É um projeto que sabe delimitar o que é da ordem da inspiração e quando deve alçar voos próprios.</p>
<p>Todo o resultado aqui é mérito do seu diretor Michael Giacchino. Ele fez uma passagem muito segura para outra função no processo de realização cinematográfica &#8211; estamos falando do compositor de trilhas de sucesso como as de Up: Altas Aventuras e Batman (2022). Giacchino já havia dirigido um episódio de Star Trek em 2019 e um curta em 2018, mas aqui ele tem um protagonismo mais determinante na função de diretor.</p>
<p>É claro que, em outro contexto, Giacchino poderia ter dado vazão a ambições maiores que emular planos dos filmes de terror clássicos da Universal ou fazer referência à gradual coloração da imagem de O Mágico de Oz. Porém, dentro dos termos propostos pela Marvel, o diretor faz um projeto que vibra na tela com momentos extasiantes, o principal deles, claro, a transformação e o ataque do lobisomem do título aos membros odiosos do clã. É tão bom que termina e o espectador fica com aquele desejo de que Giacchino poderia ter se alongado mais e ter feito desse material um longa-metragem. Melhor impressão final do que esta, o diretor não poderia ter deixado.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Michael Giacchino</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Gael García Bernal, Laura Donnelly, Harriet Sansom Harris</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/8uzyWaH68XY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Dica do Dia: Wasp Network: Rede de Espiões (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2020 19:05:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Wasp Network: Rede de Espiões se apropria de eventos que realmente aconteceram no início da década de 1990. O longa conta a história de um grupo de cubanos que atuaram como espiões infiltrados nos EUA com o intuito de desmantelar ações que visavam manchar a reputação do país e isolá-lo do restante do mundo, tudo como retaliação às políticas implementadas por Fidel Castro. O roteiro é baseado no romance histórico de Fernando Morais (o mesmo autor de Olga), Os Últimos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Wasp Network: Rede de Espiões</strong></em> se apropria de eventos que realmente aconteceram no início da década de 1990. O longa conta a história de um grupo de cubanos que atuaram como espiões infiltrados nos EUA com o intuito de desmantelar ações que visavam manchar a reputação do país e isolá-lo do restante do mundo, tudo como retaliação às políticas implementadas por Fidel Castro. O roteiro é baseado no romance histórico de Fernando Morais (o mesmo autor de <em>Olga</em>), <em>Os Últimos soldados da Guerra Fria</em>.</p>
<p>O projeto conta com um elenco de estrelas de países de língua espanhola já estabelecidas em Hollywood como Penélope Cruz (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-todos-ja-sabem/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Todos Já Sabem</em></a>) e Gael Garcia Bernal (<em>Acusada</em>), com outras latinas já em ascensão, como o brasileiro Wagner Moura (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-sergio/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Sergio</em></a>) e a cubana Ana de Armas (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-entre-facas-e-segredos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Entre Facas e Segredos</em></a>), além de Édgar Ramírez (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-garota-no-trem/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>A Garota no Trem</em></a>), já bastante conhecido por atuar em produções americanas como <em>O Assassinato de Gianni Versace</em>. A direção coube ao francês Olivier Assayas, em momento inspirado de sua carreira depois de êxitos como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-acima-das-nuvens/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Acima das Nuvens</a> e <em>Personal Shopper</em>.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12930" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/3707071.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Wasp Network" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/3707071.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/3707071.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/3707071.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><em><strong>Wasp Network</strong> </em>talvez seja o momento mais vacilante da carreira de Assayas nos últimos anos. A trama política e repleta de fatos históricos, como acontece em casos similares, claramente exibe pouco fôlego em uma versão dramatizada com elenco de estrelas. Para justificar o <em>cast</em> e a escolha do formato, <em><strong>Wasp Network</strong></em> insere em seu interessante relato histórico dramas familiares pouco interessantes e que versam basicamente sobre famílias separadas em razão do exílio. Essa veia melodramática do filme, semelhante a tantos outros que já trataram de temáticas similares reduz as participações do seu interessante elenco a personagens que vivem situações nada originais.</p>
<p><em><strong>Wasp Network</strong></em> só engata de fato em seus momentos finais, quando toda a trama de espionagem atinge a família do personagem de Édgar Ramírez e quando ficção e realidade finalmente se fundem com a inserção de imagens de arquivo, como a entrevista de Fidel Castro a uma televisão americana ou o depoimento de Bill Clinton em uma coletiva de imprensa. Isso só serve par confirmar que o projeto tem sim uma trama bem interessante que talvez teria sido melhor servida se fosse apresentada ao público como um documentário. O longa tem momentos de fôlego investigativo e propõe algumas reflexões complexas sobre os temas que levanta, sobretudo a imagem estigmatizada de Cuba que sempre tivemos, mas se perde um pouco quando tenta transformar tudo em um novelão cujo interesse central é o futuro da relação dos personagens de Penélope Cruz e Édgar Ramírez.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Olivier Assayas<br />
<strong>Elenco:</strong> Édgar Ramírez, Penélope Cruz, Wagner Moura, Ana de Armas, Leonardo Sbaraglia, Gael Garcia Bernal, Tony Plana, Nolan Guerra, Osdeymi Pastrana</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/miKvHXrkfM4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Zoom</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-zoom/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Mar 2016 14:40:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Alison Pill]]></category>
		<category><![CDATA[Claudia Ohana]]></category>
		<category><![CDATA[Gael García Bernal]]></category>
		<category><![CDATA[Jason Prietsley]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Ximenes]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Morelli]]></category>
		<category><![CDATA[Zoom]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em linhas gerais, Zoom, novo filme do brasileiro Pedro Morelli, que ficou conhecido no circuito por Entre Nós, pode ser categorizado como uma comédia que trata das nossas obsessões com as aparências ou mesmo sobre a quantidade de esforços que mobilizamos para mostrar para os outros que não somos quem aparentamos ser ou pensamos que aparentamos ser. Ficou confuso? Não tem importância, o filme de Morelli segue a lógica dessas reflexões transversais e ainda assim consegue ser muito claro quanto [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Em linhas gerais, <i>Zoom</i>, novo filme do brasileiro Pedro Morelli, que ficou conhecido no circuito por <i>Entre Nós</i>, pode ser categorizado como uma comédia que trata das nossas obsessões com as aparências ou mesmo sobre a quantidade de esforços que mobilizamos para mostrar para os outros que não somos quem aparentamos ser ou pensamos que aparentamos ser. Ficou confuso? Não tem importância, o filme de Morelli segue a lógica dessas reflexões transversais e ainda assim consegue ser muito claro quanto aos seus objetivos. Portanto, o espectador não terá muita dificuldade para detectar o propósito por trás do mosaico de personagens e tramas criados pela mente fervilhante de ideias de Pedro Morelli e do seu co-roteirista Matt Hansen em um filme tão criativo e inteligente em suas soluções dramáticas que em determinados momentos sofre severas consequências do seu ímpeto inventivo e, porque não dizer, brilhantismo &#8211; nada que comprometa a experiência interessante de acompanhar <i>Zoom </i>do início ao fim, que fique bem claro.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Em <i>Zoom</i>, Pedro Morelli centra a sua narrativa em três núcleos dramáticos formados por histórias paralelas protagonizadas pelos personagens dos atores Alison Pill, Gael García Bernal e Mariana Ximenes. Pill interpreta Emma, uma modeladora de bonecas infláveis que sonha em colocar uma prótese de silicone nos seios. Bernal vive Edward, um cineasta cheio de si que começa a apresentar conflitos pessoais quando enfrenta problemas recorrentes em suas aventuras sexuais nos bastidores e fora dos sets do seu mais novo filme. Já Ximenes interpreta Michelle, uma modelo brasileira de carreira internacional que tem a aspiração de tornar-se escritora e para isso abandona o seu casamento com um americano.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Não é preciso nem dizer que as tramas dos três personagens centrais do filme se entrelaçam, mas esse encontro ocorre da maneira mais inesperada possível. Desde o início do longa, Morelli encontra soluções interessantes e surpreende o espectador com a maneira como conecta os seus três núcleos de personagens. A criatividade do diretor e do seu co-roteirista Matt Hansen é tamanha que em dados momentos fica perceptível que <i>Zoom </i>cria para si uma quantidade de demandas das quais possivelmente não dará conta em seu desfecho. É verdade que a solução encontrada pelos roteiristas satisfaz, mas acaba soando como simples demais diante de toda a energia e empenho que os mesmos depositaram na construção de seus três eixos dramáticos, todos igualmente interessantes. Contudo, a leve escorregada de Morelli e Hansen não compromete a experiência como um todo e <i>Zoom </i>demonstra um vigor e uma inventividade raras no cinema que é feito (ou que chega ao grande público) hoje em dia.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-5777" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/03/zoom-divulgacao-06-alta_c8db-750x377.jpg" alt="zoom-divulgacao-06-alta_c8db" width="750" height="377" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Do curioso conflito vivido por Emma (Pill) após submeter-se a cirurgia de implante de silicone, passando pela tragicômica jornada de Edward (Bernal), enfrentando um problema sexual e driblando o direcionamento que produtores norte-americanos querem dar para o seu filme, até chegar a Michelle (Ximenes) e sua jornada de isolamento em busca da sua própria identidade, <i>Zoom </i>consegue cativar o espectador que se propõe embarcar na sua trama. Para os três núcleos, Morelli opta por tons e estéticas bem distintas que, curiosamente, não soam como dissonantes ou desarmônicas, pelo contrário, a diferença entre as tramas fica ainda mais interessante e soa como mais um artifício engendrado com inteligência pelo realizador. Assim, a abordagem de novela policial repleta de humor do núcleo de Emma, a animação em formato de HQ da trama de Edward e o verniz &#8220;publicitário&#8221; da história de Michelle não só condizem com a própria gênese dessas narrativas individualmente como estão à serviço dos próprios objetivos da obra e das revelações que ela reserva ao público no seu último ato, quando os três focos dramáticos do filme se encontram.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Com uma história cheia de energia e extrema em suas decisões de direção e roteiro, mas sempre cativante, divertido e estimulante ao raciocínio do espectador, <i>Zoom </i>é um filme singular que chega no circuito comercial e que merece ser visto o quanto antes, afinal é difícil saber quanto tempo ficará em cartaz. Marcado por atuações seguras de um elenco formado não apenas por Alison Pill, Mariana Ximenes e Gael García Bernal, mas também por Claudia Ohana, Michael Eklund (ótimo como um dos clientes da personagem de Pill) e Jason Prietsley (sim, o Brandon do seriado <i>Barrados no Baile </i>está no filme e faz parte de algumas das melhores sacadas de Morelli), o longa tem a seu serviço um roteiro inteligente que rende boas surpresas  ao seu público e uma condução repleta de vigor por um cineasta que está apenas em seu segundo longa-metragem.</p>
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