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	<title>Arquivos Festival Olhar de Cinema - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Festival Olhar de Cinema - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>15º Olhar de Cinema: Entrevista com o cineasta Marcus Curvelo</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/15o-olhar-de-cinema-entrevista-com-o-cineasta-marcus-curvelo/</link>
					<comments>https://coisadecinefilo.com.br/15o-olhar-de-cinema-entrevista-com-o-cineasta-marcus-curvelo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 14:07:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[15º Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Marcus Curvelo]]></category>
		<category><![CDATA[Reparação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Falando sobre luto e memória, Marcus Curvelo revela detalhes sobre seu novo longa-metragem. De acordo com o cineasta, em Reparação, são convocados sentimentos profundos sobre a perda de seus pais. Através do uso da autoficção, Curvelo explica como juntou o desejo de homenagear seus pais com o amadurecimento de uma linguagem cinematográfica. O artista revela que se inspira em um universo fantasmagórico e em cineastas que mesclam o ficcional com o “real”. Sobre a escolha pelo documentário, Curvelo afirma que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Falando sobre luto e memória, Marcus Curvelo revela detalhes sobre seu novo longa-metragem. De acordo com o cineasta, em <i>Reparação</i>, são convocados sentimentos profundos sobre a perda de seus pais.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Através do uso da autoficção, Curvelo explica como juntou o desejo de homenagear seus pais com o amadurecimento de uma linguagem cinematográfica.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O artista revela que se inspira em um universo fantasmagórico e em cineastas que mesclam o ficcional com o “real”. </span><span style="font-weight: 400;">Sobre a escolha pelo documentário, Curvelo afirma que o próprio contexto de sua carreira fomentou esse caminho.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">“Pelo modelo de produção, pela maioria desses filmes teriam sido feitos sem dinheiro”. </span><span style="font-weight: 400;">Para o artista, descristalizar o seu cinema e se colocar vulnerável foram pontos centrais para <em>Reparação</em>. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Mesclando declaração sobre processo artístico e emoções complexas de seu cotidiano, o bate-papo com Curvelo se desenvolveu. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ENTREVISTA COMPLETA</b></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Enoe Lopes Pontes </b><span style="font-weight: 400;">&#8211; Eu queria começar um pouco tentando conectar a sua trajetória com como você chega a esse filme. Como é que você chega até esse momento desse filme? Você sente uma diferença estilística, temática? </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Marcus Curvelo</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Tem um curta que eu acho que é mais próximo desse longa, que é </span><i><span style="font-weight: 400;">A destruição do planeta Live</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não sei se você viu esse.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211;  Vi! Eu sou “Curveler”. (Risos).</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Ele é preto e branco também, e tem meus pais também. Inclusive tem um plano que eu repito, que é meu pai sentadinho, aí eu pego a sacolinha com a arma dele. É o mesmo plano.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211;  Ah! </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Que está nos dois filmes. Mas, eu comecei a pensar no </span><i><span style="font-weight: 400;">Reparação</span></i><span style="font-weight: 400;">, porque eu estava já com os materiais dos meus pais e eu queria fazer um filme sobre eles. Porque fui sentindo eles envelhecendo, veio a pandemia e tinha passado já muitos anos fora de casa. Eu acho que sempre houve uma pesquisa,  uma prática na autoficção, desde alguns curtas. Eu sei que teve um período que essa autoficção estava mais dentro da ficção mesmo, com personagens fictícios, o Joder. Mas, eu acho que desde a distribuição do </span><i><span style="font-weight: 400;">Planeta Live</span></i><span style="font-weight: 400;">, que eu tô mais indo pro documentário, para a autoficção. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Sim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Dentro dessas tentativas, desses experimentos, eu fui entendendo que eu queria aprofundar mais o documentário, até também por modelo de produção, pela maioria desses filmes teriam sido feitos sem dinheiro.  Eu acho que combina mais, talvez, com o meu estilo, com o que eu estou fazendo, com equipes reduzidas, filmar às vezes em tempos mais espaçados e não necessariamente fazer um filme de forma linear.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Ah, sim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; E eu senti necessidade de me distanciar. Eu estou muito no filme, claro, mas senti uma necessidade de distanciar, dessa coisa tão central no personagem, que era Joder o ser o que guiava. O filme é sobre alguma coisa que acontece com esse personagem. Ele atravessa isso, mas ele não é o centro. E fiz, uns curtas, uma coisa que torna um estilo, que é humor, a autoironia, de brincar com a própria precariedade.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Sim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Mas, aqui, nesse filme, eu acho que, juntando esses elementos, ele é menos identitário, no sentido de Joder, esse cara branco, idiota, esquecido à margem, empolgado e deixado de lado. E </span><i><span style="font-weight: 400;">Reparação</span></i><span style="font-weight: 400;">, é meu primeiro longa solo, porque </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu, empresa</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o Leon (Sampaio) e lançado na pandemia. Eu não pude também estar presente, então, agora é uma sensação de primeiro longa.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Você nota que tem uma progressão da melancolia nos seus filmes? Como é que você lida com isso?</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; É. Acho que tem. Tanto pela própria maturidade, de idade mesmo, de estar ficando mais velho, e da própria vida nos últimos anos, que foi um pouco mais difícil. Pelas perdas, pelos lutos, pela própria pandemia, que a gente fala pouco, mas foi… Pouco não, mas parece que passou há muito tempo, mas teve um impacto muito grande nas nossas vidas, e na minha, especialmente, foi um ano terrível, 2020.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Entendo. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; E eu acho também de um lugar que vai se contendo, vai se domando a urgência, porque você já vai fazendo muita coisa, parece que tem ali uma demanda reprimida de falar, de fazer filme, de não esperar editar, mas aí chega num ponto que você fez dez curtas e pensa: já pode ir para um lugar mais elaborado. Não estou dizendo que vou parar de fazer curta, que vou fazer menos filmes, não. É que eu fazia três por ano. (Risos). Mas, talvez, acessar lugares mais profundos mesmo. E também se deixar ser mais vulnerável, porque acho que a coisa do humor é muito um escudo, para você não falar exatamente o que você quer por medo de ser ridículo, medo de ser julgado, medo de ser exposto. Aí quando você ri, você fala: ah, eu sei que eu estou sendo ridículo, então, eu vou rir também aqui.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Sim!</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; E aí acho que cheguei num lugar, talvez, de falar: vou me mostrar mais vulnerável mesmo, sem precisar esconder tanto através do humor. Mas aí, às vezes, era uma coisa de me colocarem como Joder em um lugar até social mesmo. Falavam: ah, lá vai esse cara privilegiado, com white people &#8216;s problem. Eu fiquei pensando: será que eu quero ser visto assim? Que esse seja meu legado? Por isso que eu pensei que tinha que ser um pouco mais vulnerável, para sair desse lugar, porque eu sentia que estava criando um bloqueio, em alguns nichos. A forma de ver meu filme estava muito cristalizada. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Ah, sim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; E aí eu pensei em dar essa variada. Não que não seja white people &#8216;s (risos), acho que ainda é.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Não, mas é porque não tem como não ser white people &#8216;s problem, se você é white.Eu já comecei a encarar isso também na minha vida. Inclusive, uau, agora que estamos falando sobre white people &#8216;s problem, isso é um white people’s problem! </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Exatamente!</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Nossa, que barra, que barra. (Risos). </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Metalinguagem! (Risos).</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Mas, voltando aqui, em termos de forma, acho que </span><i><span style="font-weight: 400;">Reparação</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem algo de fantasmagórico também. Para mim foi um filme muito difícil. Por questões minhas. E teve a surpresa mesmo de você ter quebrado essa coisa que a gente está falando aqui. Como foi que você construiu a decupagem? Porque parece que tem uma coisa assim nos seus filmes, espontânea. Mas não é.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; É, você falou fantasmagórico?</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Sim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Achei muito massa, porque eu sou muito fã de Apichatpong (Weerasethakul, diretor). Ele tem um naturalismo, que parece quase documental. E também tem um texto de uma mostra que teve sobre ele no Rio. Eu esqueci o nome da autora,  mas ela fala de naturalismo e realismo fantasmagórico.  Então, eu queria muito fazer um filme que tivesse essa espontaneidade, que fosse muito de filme diário e documentário. Mas, que tivesse uma encenação pensada. Gosto muito dos filmes do Affonso Uchôa e do Adirley Queirós também nesse lugar, do documentário, que é muito performado. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Sim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Tem a minha tentativa de realmente fazer algo diferente. Até o </span><i><span style="font-weight: 400;">Planeta Live,</span></i><span style="font-weight: 400;"> está muito em um lugar menos encenado. Tem alguns planos que eu pensei, mas tem muita coisa que foi capturada do momento. A câmera era ligada e a gente gravava o que estava ali na hora. E esse eu queria fazer isso.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>ELP</strong> &#8211; Entendi.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>MC</strong> &#8211; Porque eu pensei em como fazer esse filme ser um filme que também fale para o mundo, sendo um filme sobre meus pais, sobre algo muito pessoal, mas que consiga ter um apoio estético. E que eu conseguisse ter uma temática também, alguma simbologia maior, que desse para ser acessado também como obra, como um filme, que não fosse só um processo individual.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Entendi.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Então eu acho que essa tentativa de encenar mais, de encontrar tanto aquela cena mais performante, mais fantasmagórica, com o salitre, mas até os planos em casa. Eu pensei numa decupagem mais clássica, para tentar fazer algo mais universal. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Para finalizar, sabe o que eu gostaria de saber sobre os aspectos de filmagem mesmo e como foi que você direcionou sua mãe? </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Ah, eu não direcionei muito ela não, eu só conversei com ela. Tudo espontâneo. Eu acho que ela já estava acostumada, porque eu já a filmava há muito tempo. Eu ligava a câmera um pouquinho antes, quando eu ligava a câmera ela ficava olhando para ela. Então, precisava fazer todo um processo. Ela está no </span><i><span style="font-weight: 400;">Joderismo</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela faz uma foto dela. Eu pedi para ela: pergunta meu pai se ela acredita em um purgatório. É um áudio que estava no </span><i><span style="font-weight: 400;">Joderismo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que em </span><i><span style="font-weight: 400;">Reparação</span></i><span style="font-weight: 400;"> também. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Verdade! </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Aí eu falei, aí depois eu quero que você faça uma selfie. Aí ela me mandou uma foto super arrumada, maquiada, não sei o quê (risos). Falei, mas é uma coisa cotidiana, assim, tipo você fazendo um muxoxo, em casa. E aí para ela chegar e deixar filmar ela sem cabelo e tal, foi um processo, assim, de ganhar a confiança dela e entender que era natural. E eu filmei também coisas que eu gostaria para ela, coisas pessoais, tipo festa de aniversário, réveillon. Eu fiz filmes que não necessariamente tinham sentido para mim estar nesse filme agora, mas que ela se viu também, ela se acostumou com a imagem dela sendo filmada por mim. Então, foi uma confiança e uma relação construída ao longo da minha carreira inteira.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Você acha que é uma reparação mesmo?</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Para eles? </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Para eles.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Boa pergunta. Eu acho que eu fiz o que eu podia nesse lugar de tentar homenageá-los, claro. Tentar também deixar ali um legado deles para o mundo. Claro que ele é centrado muito no meu luto, a partir do meu luto e da minha visão sobre eles. Eu nunca quis fazer um filme sobre os meus pais, mas eu acho que dentro dessa proposta, sim. Porque, especialmente, minha mãe e eu, a gente era muito conectado. Eu não sou exatamente religioso, mas eu sou ecumênico. Então, os contatos que eu tive, que pessoas tiveram, eu sonhei com somente alguém que é espírita sempre falavam assim, que minha mãe estava bem, mas muito preocupada comigo. E eu entendo que dentro da natureza dela, que minha mãe era assim, eu imagino que é verdade. </span></p>
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		<title>15º Olhar de Cinema: Anistia 79</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 18:56:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[15º Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Anistia 79]]></category>
		<category><![CDATA[Anita Leandro]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Olhar de Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É surpreende quando uma obra com um tema político e social tão profundo se revela como um “filme de churrasco”. Apesar de toda a sua relevância para a luta contra ao apagamento histórico das barbáries cometidas pela ditadura militar, Anistia 79 traz alguns incômodos técnicos. O filme peca por focar demasiadamente nas relações interpessoais das figuras centrais da narrativa. Durante toda a sessão nomes emblemáticos para a anistia são revelados sem grandes explicações. É assim que se percebe que esta [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">É surpreende quando uma obra com um tema político e social tão profundo se revela como um “filme de churrasco”. Apesar de toda a sua relevância para a luta contra ao apagamento histórico das barbáries cometidas pela ditadura militar, <em>Anistia 79</em> traz alguns incômodos técnicos.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O filme peca por focar demasiadamente nas relações interpessoais das figuras centrais da narrativa. Durante toda a sessão nomes emblemáticos para a anistia são revelados sem grandes explicações. </span>É assim que se percebe que esta é uma produção específica, sobre um grupo específico e para esse mesmo grupo específico.</p>
<p style="font-weight: 400;">A grande questão é que, apesar do cinema não dever grandes explicações (não como obrigação), é difícil pensar no contexto político e social brasileiro e esperar que toda a plateia vá procurar descobrir quem foi o senador italiano Lelio Basso e quem é Denise Crispim.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A condescendência pode aumentar e se dizer que saber quem eles são também não é preciso, mas este texto não chegará a tanto. Contudo, é preciso lembrar também que o cinema precisa criar uma relação com seu público, mas, aqui, toda a projeção parece um diálogo interno e não convidativo.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">E isso também se dá porque a estrutura de “cabeças flutuantes” não é a das mais empolgantes. </span>Bom, depois de quatro parágrafos dissertando sobre os incômodos, vale ressaltar que <em>Anistia 79, </em>apesar de tropeços, não é uma produção ruim, mal feita ou mal pensada.</p>
<p style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que fica esse nó na garganta de imaginar que esse doc foi feito para mostrar no almoço de domingo dos envolvidos com a obra, existem elementos estéticos e discursivos que elevam a potencialidade do filme. <span style="font-weight: 400;">A primeira questão é básica: todo e qualquer produto midiático que vá reforçar o perigo de uma ditadura, de forma honesta e cuidadosa, será sempre bem-vindo.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Dentro desta lógica, Anita Leandro (Retratos de Identificação) consegue mostrar a personalidade de sua direção, através das escolhas de planificação e ângulos das entrevistas (de câmera e de direcionamento de perguntas). Há também uma criatividade dentro desta forma tradicional escolhida por ela. </span></p>
<p style="font-weight: 400;">Há uma mescla interessante entre as filmagens de arquivo da Conferência Internacional pela Anistia no Brasil, de 1979, e entrevistas atuais com figuras importantes para o movimento. Isto porque os paralelos escolhidos em cada instante da projeção, cria o sentido de trama, com início, meio e fim e todos os elementos necessários para um enredo redondo.</p>
<p style="font-weight: 400;">O uso dessas imagens e sons, com pausas contemplativas, idas e vindas no vídeo e reflexão dos entrevistados também ajudam a direcionar o olhar de quem assiste para as questões centrais que a equipe deseja convocar. Existe uma aparente vontade de humanizar essas figuras históricas, fazendo com que se compreenda ainda mais a importância que o movimento teve no período.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Leandro dá a chance da plateia processar as informações e suas próprias emoções diante dos relatos trazidos para a tela. Quadros longos dos participantes do documentário observando a conferência ampliam o espaço para essa reflexão. A fotografia de Bené Machado também ajuda a criar uma atmosfera mais contemplativa e até mesmo de tensão em alguns momentos.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A ambientação das conversas com os entrevistados se assemelha a de filmes de tribunais, o que aumenta a imersão no universo do sistema de justiça e das burocracias das leis brasileiras. Mas, claro, as personagens aqui são as vítimas que relatam impunidades do sistema ditatorial e as lutas pela Anistia.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, as figuras que aparecem no ecrã deixam nítida a seriedade e profundidade do que estava envolvido naquele momento. </span><span style="font-weight: 400;">Principalmente em pessoas como </span><span style="font-weight: 400;">Hamilton dos Santos, Luiz Eduardo Greenhalgh, Heloísa Greco, Branca Moreira Alves e Denise Crispim, as descrições em texto verbal, juntamente com as gravações da época, criam uma narrativa imagética paralela.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Nela, o espectador consegue visualizar os acontecimentos de maneira palpável. </span>Talvez fosse necessário trazer a presença de Crispim bem antes. A sua caminhada para a conferência com a filha é repetida diversas vezes durante a exibição, porém a plateia só tem contato com a personagem mais emblemática da narrativa no final do doc.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">É neste cenário de motivações coerentes que <em>Anistia 79</em> se torna um título relevante da cinematografia brasileira, mesmo que conte com irregularidades qualitativas em termos cinematográficos. Seria interessante que a proximidade com as pessoas da história fosse geral e não particular. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Contudo, se o público pesquisar direito, encontra as devidas informações para preencher as lacunas do filme de Leandro e consegue ressignificar a produção antes ou após a consumir. Já as/os nerds de história, faz a pipoca porque essa obra é toda para você!</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Anita Leandro</p>
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		<title>15º Olhar de Cinema tem abertura lotada e vai até o dia 13 deste mês</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2026 22:03:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[15º Olhar de Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na quinta-feira (04), o Festival Olhar de Cinema abriu os seus trabalhos em uma cerimonia de abertura que, de acordo com dados da produção do evento, reuniu mais de 1500 pessoas. Com a exibição do longa-metragem Yellow Cake, de Tiago Melo, a sessão ocorreu na Ópera de Arame, em Curitiba, no Estado do Paraná.  Com múltiplos espaços de projeção, o Olhar segue até o dia 13 de junho, com uma programação que possui produções locais, nacionais e internacionais, mostras competitivas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Na quinta-feira (04), o Festival Olhar de Cinema abriu os seus trabalhos em uma cerimonia de abertura que, de acordo com dados da produção do evento, reuniu mais de 1500 pessoas.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Com a exibição do longa-metragem <em>Yellow Cake</em>, de Tiago Melo, a sessão ocorreu na Ópera de Arame, em Curitiba, no Estado do Paraná. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Com múltiplos espaços de projeção, o Olhar segue até o dia 13 de junho, com uma programação que possui produções locais, nacionais e internacionais, mostras competitivas e paralelas. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Para saber mais informações sobre locais, horários das sessões e valores dos ingressos: acesse: </span><a href="http://www.olhardecinema.com.br/"><span style="font-weight: 400;">http://www.olhardecinema.com.br/</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Serviço</b><span style="font-weight: 400;">:</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>15º Olhar de Cinema &#8211; Festival Internacional de Curitiba</b></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Data: </b><span style="font-weight: 400;">4 a 13 de junho</span></p>
<p style="font-weight: 400;">
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		<title>14º Festival Olhar de Cinema revela produções selecionadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 May 2025 18:41:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[14º Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[14º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste 07 de maio, quarta-feira, foram revelados os filmes selecionados para o 14º Festival Olhar de Cinema &#8211; Festival Internacional de Curitiba. Com exibições em múltiplas salas da cidade, a grande novidade é a presença do evento no MON &#8211; Museu Oscar Niemeyer (Auditório Poty Lazzarotto). Outros espaços que acolhem o intento são a Ópera de Arame, o Cine Passeio, no Teatro da Vila, o Cine Guarani e a Cinemateca. Ao todo foram escolhidas mais de 80 produções, que integram [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Neste 07 de maio, quarta-feira, foram revelados os filmes selecionados para o <strong>14º Festival Olhar de Cinema &#8211; Festival Internacional de Curitiba</strong>. Com exibições em múltiplas salas da cidade, a grande novidade é a presença do evento no MON &#8211; Museu Oscar Niemeyer (Auditório Poty Lazzarotto). Outros espaços que acolhem o intento são a Ópera de Arame, o Cine Passeio, no Teatro da Vila, o Cine Guarani e a Cinemateca. Ao todo foram escolhidas mais de 80 produções, que integram as seguintes <strong>competitivas</strong> do festival: Competitiva Brasileira, Competitiva Internacional, Novos Olhares, Mirada Paranaense, Exibições Especiais, Olhar Retrospectivo, Olhares Clássicos, Foco, Pequenos Olhares. Além disso, são apresentados os longas de abertura e encerramento. A maioria das sessões são pagas, com ingressos vão de R$8 (meia-entrada) a R$16. No entanto, é possível entrar gratuitamente no Teatro da Vila, na CIC, e no Cine Guarani, no bairro Portão. Para maiores informações sobre o Olhar e para conferir a programação completa, acesse o site oficial: <a href="http://www.olhardecinema.com.br/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://www.olhardecinema.com.br&amp;source=gmail&amp;ust=1746913825931000&amp;usg=AOvVaw2dUBYdPE00fKSQOyqGE9Mh">www.olhardecinema.com.br</a>.</p>
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		<title>Festival Olhar de Cinema abre inscrições para todo Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jan 2025 16:16:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre janeiro e março deste ano, cineastas de todo o Brasil podem enviar suas produções para o 14º Festival Olhar de Cinema. Através do link olhardecinema.com.br é possível saber todos os detalhes das inscrições, bem como realizar a submissão do curta, média ou longa-metragem. O Olhar conta com diversas mostras competitivas e não-competitivas, sendo elas Mostra Novos Olhares; a Mirada Paranaense; Olhar Retrospectivo; Olhares Clássicos; a Mostra Pequenos Olhares e a Mostra Foco. </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre janeiro e março deste ano, cineastas de todo o Brasil podem enviar suas produções para o <strong>14º Festival Olhar de Cinema</strong>. Através do link <a href="http://www.olhardecinema.com.br"><strong><em>olhardecinema.com.br</em></strong></a> é possível saber todos os detalhes das inscrições, bem como realizar a submissão do curta, média ou longa-metragem. O Olhar conta com diversas mostras competitivas e não-competitivas, sendo elas <span data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Mostra Novos Olhares</span>; a <span data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Mirada Paranaense</span>; <span data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Olhar Retrospectivo</span>; <span data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Olhares Clássicos</span>; a <span data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Mostra Pequenos Olhares</span> e a <span data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Mostra Foco. </span></p>
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		<title>13º Festival Olhar de Cinema: Tijolo por Tijolo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jul 2024 20:48:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Criatura, a vida é doce, mas não é mole nãoÉ pôr a mão na massa e começar de novoTijolo por tijolo eu vou quebrando pedra”. Personagens. Elas são as almas das ficções. No documentário, muitas vezes, é tudo que uma produção tem. Aqui, esse não é exatamente o caso. Ainda que a família central da história seja cativante e emocionante, há um zelo da direção (Victoria Alvares e Quentin Delaroche) em criar estratégias visuais na decupagem do longa-metragem. Seja com [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h5 style="text-align: right;">“Criatura, a vida é doce, mas não é mole não<br aria-hidden="true" />É pôr a mão na massa e começar de novo<br aria-hidden="true" />Tijolo por tijolo eu vou quebrando pedra”.</h5>
<p>Personagens. Elas são as almas das ficções. No documentário, muitas vezes, é tudo que uma produção tem. Aqui, esse não é exatamente o caso. Ainda que a família central da história seja cativante e emocionante, há um zelo da direção (Victoria Alvares e Quentin Delaroche) em criar estratégias visuais na decupagem do longa-metragem. Seja com formatos distintos, com movimentações ou efeitos de câmera, a rotina de Cris Martins, seu marido e filhos é colocada de tal forma, que o especador se sente íntimo daquela realidade.</p>
<p>Um dos caminhos certeiros para que esta sensação aconteça é o agenciamento que a equipe dá para os protagonistas de <strong><em>Tijolo por Tijolo</em></strong>. Seja pelas imagens gravadas pelo garoto Caíque ou pelo uso dos stories de Cris e Albert, o olhar é entregue também para quem centraliza a narrativa, fazendo com que não apenas a observação externa da família principal seja observada, mas como a própria visão deles sobre eles mesmo.</p>
<p>Amarrado ao visual, há o discursivo que é orgânico e, ao mesmo tempo, conduzido. As complexidades das figuras dramáticas são notadas em inserções que se completam. Há a lamentação pela demolição do primeiro lar do casal, há a presença do uso de máscara e menções à pandemia, o desafio de Cris de estar na quarta gravidez e precisar lutar para conseguir realizar a sua sonhada laqueadura.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18469" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/CRIS_CEL-900x506-1.jpg" alt="Tijolo por Tijolo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/CRIS_CEL-900x506-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/CRIS_CEL-900x506-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/CRIS_CEL-900x506-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>No entanto, também é possível acompanhar as brincadeiras das personagens, seus momentos de alegria &#8211; como quando conseguem ligar a energia elétrica do segundo andar da casa que estão construindo -, de fé, na passagem no culto, do nascimento da nova filha, das comidas doados para quem tem fome. Todos estes instantes constroem sentido e não é preciso criar nenhum cenário marcado por falas que reiterem absolutamente nada.</p>
<p>Nos silêncios ou em frases pontuais presentes nos relatos do filme que o caráter de Cris e seus familiares saltam na tela, bem como a dedicação que eles possuem um com o outro. A união é revelada justamente dentro da seleção da equipe sobre o que convocar para o ecrã sobre aquelas vivência. São as escolhas que são fundamentais para a plateia, porque cria uma trama equilibrada, na qual existem as suspensões, com clímaxes e os desenlances. A ideia de um documentário consciente sobre cinema é um traço qualitativo mais importante de <strong><em>Tijolo por Tijolo</em></strong>.</p>
<p>Porque não adianta ter algo curisoso para contar ou personagens cativantes, se a tecnicidade é deixada de lado. Com um roteiro estruturado em sua lógica de narrativa e uma decupagem que direciona o olhar de quem assiste para a análise e aproximação com o enredo colocado em voga, que o longa possui um resultado geral positivo. Ainda que falte evidenciar as sombras das persongaens, essa escolha no compromete a sessão.</p>
<p><strong><em>Tijolo por Tijolo</em></strong> é louvável por conseguir mesclar tantos contextos e emoções em um só projeção, fazendo-o de forma, aparentemente, consciente. Quando isto ocorre, bons documentários são entregues! Assim, fica o desejo de ver este entendimento se espalhar dentro do audiovisual como um todo, para que histórias boas sejam contadas e como serão contadas não seja deixado de lado.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Victoria Alvares, Quentin Delaroche</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Cris Martins, Albert Ventura, Caique de Souza Ventura</p>
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 "></p>
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		<title>13º Festival Olhar de Cinema anuncia vencedores de 2024</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jun 2024 19:52:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após uma semana de exibições de longas e curtas-metragens, o 13º Olhar de Cinema &#8211; Festival Internacional de Curitiba celebrou os vencedores da edição de 2024, na Capela Santa Maria. O festival, que contou com projeções em múltiplas salas de cinema de Curitiba, entregou troféus para obras de todo Brasil. O júri oficial de longas nacionais selecionou filmes nas categorias: melhor filme, direção, roteiro, atuação, direção de arte, fotografia, som e montagem. Já nos curtas brasileiros e na competitiva internacional, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/13o-festival-olhar-de-cinema-anuncia-vencedores-de-2024/">13º Festival Olhar de Cinema anuncia vencedores de 2024</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Após uma semana de exibições de longas e curtas-metragens, o <strong>13º Olhar de Cinema &#8211; Festival Internacional de Curitiba</strong> celebrou os vencedores da edição de 2024, na Capela Santa Maria. O festival, que contou com projeções em múltiplas salas de cinema de Curitiba, entregou troféus para obras de todo Brasil. O júri oficial de longas nacionais selecionou filmes nas categorias: melhor filme, direção, roteiro, atuação, direção de arte, fotografia, som e montagem.</p>
<p>Já nos curtas brasileiros e na competitiva internacional, foram escolhidos o melhor filme e prêmio especial do júri. O Olhar também trouxe premiações da ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) e o AVEC-PR Ari Cândido Fernandes, bem como o prêmio do público.  Para conferir a lista completa de ganhadores, desça a tela para baixo.</p>
<h4><strong>Ganhadores Olhar de Cinema 2024:</strong></h4>
<h5><strong><u data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Mostra Competitiva Brasileira | Longas</u></strong></h5>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio Olhar de Melhor longa-metragem</strong></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Greice”, direção de Leonardo Mouramateus</em></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio de Melhor Direção</strong></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Tijolo por tijolo”, Victoria Alvares, Quentin Delaroche</em></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio de Melhor Roteiro</strong></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Greice”, Leonardo Mouramateus</em></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio de Melhor Atuação</strong></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Greice”, Amandyra</em></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio de Melhor Direção de Arte</strong></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Praia Formosa”, Ana Paula Cardoso</em></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio de Melhor Direção de Fotografia</strong></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Praia Formosa”, Flávio Rebouças</em></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio de Melhor Som</strong></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">A mensageira”, Lucas Carvalho, Ana Penna, Vinicius Barreto, David Terra</em></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio de Melhor Montagem</strong></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Tijolo por tijolo”, Quentin Delaroche</em></p>
<h5><strong><u data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Competitiva Brasileira | Curtas</u></strong></h5>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio Olhar de Melhor Curta-metragem</strong></p>
<p data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“<em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Caravana da Coragem”, direção de Pedro B. Garcia</em></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio Especial do Júri</strong></p>
<p data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“<em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Povo do Coração da Terra”, direção de Coletivo Guahu&#8217;i Guyra</em></p>
<h5><strong><u data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Competitiva Internacional</u></strong></h5>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio Olhar de Melhor longa-metragem</strong></p>
<p><strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</em></strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Pepe”, direção de Nelson de los Santos Arias</em></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio Especial do Júri</strong></p>
<p><strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</em></strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">As Noites Ainda Cheiram a Pólvora”, direção de Inadelso Cossa</em></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio Olhar de Melhor curta-metragem</strong></p>
<p><strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</em></strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Minha Pátria”, direção de Tabarak Abbas</em></p>
<h5><strong><u data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Novos Olhares</u></strong></h5>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio Olhar de Melhor longa-metragem</strong></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Idade da Pedra”, direção de Renan Rovida</em></p>
<h5><strong><u data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio do Público</u></strong></h5>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Melhor longa-metragem</strong></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Caminhos Cruzados”, direção de Levan Akin</em></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Melhor curta-metragem</strong></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Viventes”, direção de Fabrício Basílio</em></p>
<h5><strong><u data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio da Crítica Abraccine</u></strong></h5>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Melhor longa-metragem</strong></p>
<p><strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</em></strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Tijolo por Tijolo”, direção de Victoria Alvares e Quentin Delaroche</em></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Melhor curta-metragem</strong></p>
<p><strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</em></strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Cavaram uma Cova no Meu Coração”, direção de Ulisses Arthur</em></p>
<h5><strong><u data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Prêmio AVEC-PR Ari Candido Fernandes</u></strong></h5>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Melhor filme</strong></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Quarto Vazio”, direção de Julia Vidal</em></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Menção Honrosa</strong></p>
<p><strong data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">“</strong><em data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">Baobab”, direção de Bea Gerolin</em></p>
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		<title>10º Olhar de Cinema: O Dia da Posse</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Oct 2021 16:17:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[10º OLHAR DE CINEMA – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURITIBA]]></category>
		<category><![CDATA[Allan Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Festival]]></category>
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		<category><![CDATA[O Dia da Posse]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde as eleições de 2018, o país caminha para uma ruína anunciada. Entre decretos absurdos, impactos econômicos e a chegada de uma pandemia mundial &#8211; completamente mal gerenciada pelo governo -, brasileiros procuram sobreviver de alguma maneira. Todos estes sentimentos de angústia, desespero, mesclados ao isolamento estão presente no filme de Allan Ribeiro, O Dia da Posse. Para convocar estas discussões, Ribeiro faz isto através de uma figura central: Brendon Washington. Em um roteiro assinado pela dupla, Ribeiro e Washington, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde as eleições de 2018, o país caminha para uma ruína anunciada. Entre decretos absurdos, impactos econômicos e a chegada de uma pandemia mundial &#8211; completamente mal gerenciada pelo governo -, brasileiros procuram sobreviver de alguma maneira. Todos estes sentimentos de angústia, desespero, mesclados ao isolamento estão presente no filme de Allan Ribeiro, <strong><em>O Dia da Posse</em></strong>. Para convocar estas discussões, Ribeiro faz isto através de uma figura central: Brendon Washington.</p>
<p>Em um roteiro assinado pela dupla, Ribeiro e Washington, o público encontra a trajetória de Brendon, as suas vivências, reflexões, sonhos, decisões e brincadeiras presentes em seu imaginário. Vindo de uma origem humilde, nordestino e de uma geração que cresceu nos governos PT, Brendon tem em seu discurso reflexões pungentes sobre política, cultura e direitos humanos. A grande questão aqui é justamente este jogo criado por Allan Ribeiro para contar esta história, para mostrar a personagem carismática e assertiva que Brendon é.</p>
<p>Em sua decupagem, a direção se vale recorrentemente de planos mais fechados, nos quais o espectador consegue enxergar cada detalhe do rosto ou do corpo de seu protagonista. Desde seus olhos que se movimentam velozmente ou sua respiração descompassada, há uma intimidade criada a cada plano. Já nos cortes para quadros mais abertos  as janelas dos vizinhos ou de pássaros que voam são revelados, por exemplo, emitindo um tipo de tom poético, que causa uma mistura de sentimentos em quem assiste <strong><em>O Dia da Posse</em></strong>.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14637" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pbm.jpg" alt="O Dia da Posse" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pbm.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pbm-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pbm-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pbm-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Isto porque Ribeiro é cuidadoso em juntar falas fortes e apaixonadas de Brendon com o que há de externo ao redor deles, que estão inseridos neste aprisionamento de um apartamento, durante o período da pandemia. Os instantes de voyeurismo do cineasta também contribuem para esta lógica de dimensão do real que ele parece desejar causar. Enquanto Ribeiro filma um Brendon supostamente distraído, identificações podem ser criadas. Nas chamadas de vídeo do rapaz com os colegas de faculdade, todas as situações recentes das eternas ligações por Zoom, das aulas e reuniões remotas e das frustrações pela derrocada da educação brasileira são postas na obra sem um grande esforço aparente.</p>
<p>É aquele velho pensamento ganhando vida: o que as pessoas estavam fazendo de suas vidas enquanto a sua nação desmoronava? A resposta está, de alguma forma, neste média-metragem: o que todes fazem é procurar seguir e encontrar formas de resistir aos caos, à um sistema corrompido que visa derrubar as massas oprimidas pela sociedade. Contudo, tudo isto não está posto em um tom pesado, é válido ressaltar. Pelo contrário, a dinâmica de <strong><em>O Dia da Posse</em></strong> reside em registrar a ótica de Brendon diante deste cenário.</p>
<p>É uma perspectiva de partes específicas da população, aqui reunidas neste jovem do Nordeste, homossexual, de poucos recursos financeiros, que foi morar no Rio de Janeiro para estudar Direito e Medicina, porque via na televisão a cidade como algo mágico e especial. Não à toa, ele diz em um dado momento que se sente “carioca de alma” e fantasia com sua entrada no reality show Big Brother Brasil. Todavia, é dentro desta própria construção, que algumas questões fazem com que o resultado geral não seja tão efetivo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14638" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pbm-2.jpg" alt="O Dia da Posse" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pbm-2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pbm-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pbm-2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pbm-2-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Em termos de enredo, a inserção da família de Ribeiro, por meio de chamadas de vídeo, é um jeito de criar algum respiro desta carga energética alta de Brendon. No entanto, estes momentos interferem na progressão do filme e se distanciam do objetivo central, pois quebram com atmosfera que vinha sendo construída. Há uma imersão forte e estabelecida com aquele universo da dupla, o que vem de fora parece sobrar. Até porque o que vem nesses diálogos de Allan com os parentes é só um reforço falado, do que anteriormente se foi dito imageticamente. Talvez, diminuir a quantidade de ligações fosse uma saída para a redução desta sensação de interrupção em <strong><em>O Dia da Posse</em></strong>.</p>
<p>Além disso, a câmera de Allan Ribeiro parece um tanto ansiosa e incerta. A seleção de planos e movimentos tem seu lado positivo, mas há uma demora de estabilização da imagem. Em algumas sequências, isto faz parte do jogo entre Ribeiro e Washington e imprime efeito cômico. Contudo, no geral, as trocas de foco, as mudanças fortes de luz e os zooms repentinos são quase como um susto durante toda a projeção. Este fator é frisado, porque esta é uma história que precisa de uma imersão e quando o desenlace com ela é contínuo, a sessão parece se alongar e a mente a divagar para outros lugares.</p>
<p>Por fim, é possível dizer que mesmo que Brendon Washington seja embebido de tanto carisma e um passado relevante de ser explorado, a escolha de realizar um média de 70 minutos, dentro de uma mesma residência, com cenas bastante similares é um tanto complicada. Todas as ações caminham para um fluxo circular, na qual sempre se retorna para um mesmo lugar e se caminha para as mesmas direções. Isto faz com que a própria narrativa não seja tão amarrada como poderia, deixando o desfecho solto. Ainda assim, <strong><em>O Dia da Posse</em></strong> é uma experiência especial por apresentar um homem tão semelhante ao povo brasileiro, mas tão singular em sua caminhada.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Allan Ribeiro</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Brendon Washington</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="vimeo-player" src="https://player.vimeo.com/video/622505509?h=92e4c7a5c3" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Festival Olhar de Cinema: Mary, Mary So Contrary</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2020 21:54:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Festival Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Mary Mary So Contrary]]></category>
		<category><![CDATA[Nelson Yeo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Reunindo imagens de arquivo de Spring in a Small Town, de Fei Mu e A Dama Oculta, de Alfred Hitchcock, o curta-metragem Mary, Mary So Contrary, dirigido por Nelson Yeo, evoca uma história melancólica, poética, irônica e um tanto angustiante. Começando e encerrando da mesma maneira, com um rebanho de ovelhas, o espectador vê uma mulher que se divide em duas. Há uma realidade múltipla, que mescla sonho e realidade. Traçando conexões e misturando obras originais, uma ocidental e outra [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Reunindo imagens de arquivo de <em>Spring in a Small Town</em>, de Fei Mu e <em>A Dama Oculta</em>, de Alfred Hitchcock, o curta-metragem <em><strong>Mary, Mary So Contrary</strong></em>, dirigido por Nelson Yeo, evoca uma história melancólica, poética, irônica e um tanto angustiante. Começando e encerrando da mesma maneira, com um rebanho de ovelhas, o espectador vê uma mulher que se divide em duas. Há uma realidade múltipla, que mescla sonho e realidade. Traçando conexões e misturando obras originais, uma ocidental e outra oriental, há uma constante transição de sentimentos e pensamentos dentro da mente desta protagonista Ma Li/Mary.</p>
<p>Neste fluxo de imagens mescladas, há uma investigação profunda sobre as tensões das relações humanas, as linhas entre o dito mal e bem e as perspectivas de raça, localidade e gênero. Yeo monta uma espécie de fábula e consegue criar uma narrativa coesa, cheia de particularidades. O que salta aos olhos é a capacidade do cineasta lidar com materiais tão distintos e de propósitos artísticos diferentes e criar esta nova trama. E esta é uma intenção que fica bastante clara durante a projeção. Há uma vontade de revelar os conflitos, olhares e possibilidade, a partir de uma origem branca ou não branca.</p>
<p>O ponto alto aqui é o sarcasmo presente nas transições de Ma Li para Mary. As idas e vindas desta personagem que aparenta ser tão perdida, mas também curiosa e sagaz. As temperaturas inseridas na tela também evocam sensações que contribuem para a construção desta personalidade ambígua, das atmosferas que imprime o real e o fantástico em poucos segundos. As sequências espelhadas despertam também a ideia de confusão mental e de transição destes corpos, algo necessário para a composição da obra, da Ma Li/Mary.</p>
<p>Nesta manipulação de imagens, <em><strong>Mary, Mary So Contrary</strong></em> dialoga e conversa com o público, através desta junção de culturas e cinemas tão distintos. Há, assim, uma abertura de interpretações, a partir desta construção, que imprime uma produção que ainda que sai de um fluxo narrativo “lógico”, é bem amarrado e estruturado, dentro daquilo mesmo que cria.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Nelson Yeo</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/8j45d0u7-MU" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Festival Olhar de Cinema: E no Rumo do Meu Sangue</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2020 15:40:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[E no rumo do meu sangue]]></category>
		<category><![CDATA[Festival]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Borges]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em pouco mais de 4 minutos, o realizador Gabriel Borges reúne imagens de filmes nacionais do Cinema Novo e as reorganiza, trazendo novos sons também. Entre os cortes e mesclas de produções do passado, a figura de Zózimo Bulbul (Alma no Olho) é o centro desta narrativa recriada por Borges. Nesta apropriação, a produção consegue trazer um debate sobre racismo e o audiovisual para o contemporâneo. Na verdade, a marca deste curta-metragem pode ser, justamente, a discussão do que se [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Em pouco mais de 4 minutos, o realizador Gabriel Borges reúne imagens de filmes nacionais do Cinema Novo e as reorganiza, trazendo novos sons também. Entre os cortes e mesclas de produções do passado, a figura de Zózimo Bulbul (<em>Alma no Olho</em>) é o centro desta narrativa recriada por Borges. Nesta apropriação, a produção consegue trazer um debate sobre racismo e o audiovisual para o contemporâneo.</p>
<p>Na verdade, a marca deste curta-metragem pode ser, justamente, a discussão do que se foi atingido em termos de representatividade e representação e quais o alcance das obras deste período, qual a efetividade na construção deste olhar do público. O maior ganho de<strong><em> E no Rumo do Meu Sangue</em></strong> é esta multiplicidade de questionamentos que surgem em breves minutos de projeção, através desta montagem de cortes secos e vozes de atores do período.</p>
<p>Ao intercalar os gestos de Zózimo, que possui apenas uma personagem ocupando o ecrã e com a câmera parada que o observa, com outras sequências de mais movimentos, enquadramentos e ações coletivas há uma impressão de pluralidade e criação de ritmo que Borges consegue em sua montagem. Dentro deste contexto, a última camada, que vem para fomentar o discurso que Borges procura imprimir, se trata destes depoimentos de radialistas, impregnados de racismo em suas falas.</p>
<p>A força dos olhares e corpos que se movimentam na tela cresce, pois demonstra que aquele espaço foi e continua sendo também de resistência e lutas. No entanto, há um detalhe que escapa Gabriel Borges que é o desfecho do enredo criado por ele, que fica um tanto frouxo. Apesar do último quadro dialogar com o primeiro, o ciclo de <em><strong>E no Rumo do Meu Sangue</strong></em> se encerra sem que a trama tenha chegado a tal momento.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Gabriel Borges</p>
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