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	<title>Arquivos Festival Internacional de Cinema de Brasília - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Festival Internacional de Cinema de Brasília - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>7º BIFF: The French Teacher – Um Amor a Três</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2020 15:31:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É muito difícil falar sobre um filme que possui diversas potencialidades, mas que se encaminha para seu pior lado possível. Em The French Teacher – Um Amor a Três o público acompanha a vida de Cleo (Marie Laurin), uma mulher que parece um tanto baqueada com a vida. Entre traumas, perdas e constante angústia, ela conhece um rapaz mais jovem que se apaixona por ela. O tema da diferença de idade não é algo novo de ser abordado no cinema, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É muito difícil falar sobre um filme que possui diversas potencialidades, mas que se encaminha para seu pior lado possível. Em <strong><em>The French Teacher – Um Amor a Três</em></strong> o público acompanha a vida de Cleo (Marie Laurin), uma mulher que parece um tanto baqueada com a vida. Entre traumas, perdas e constante angústia, ela conhece um rapaz mais jovem que se apaixona por ela. O tema da diferença de idade não é algo novo de ser abordado no cinema, muito menos na ficção. Contudo, o como isto poderia ter sido feito ou até a exploração de outras chaves da narrativa de Cleo seria a chance de obter um resultado um tanto mais positivo.</p>
<p>No entanto, não é isto que acontece. No meio da projeção até há uma esperança de melhora, mas, pelo contrário, a situação piora bastante. Todo o incômodo vivido durante as 1h30 de exibição pode começar a ser justificado pelo roteiro que é completamente perdido. Clara Gabrielle (<em>Nada em Comum</em>) e a Laurin (<em>A Criatura</em>) não demonstram saber que história elas desejam contar. Os diálogos são expositivos e/ou tiram o espectador da própria realidade criada naquele universo ficcional. Um exemplo é na passagem do velório. Cercando a personagem intensamente, a questão entre Cleo e seu pai é abordada com nenhuma delicadeza e num rompante que não faz sentido algum. Isto porque o passado não foi suficientemente explicado, para um problema que tão grave e que é jogado na tela de supetão, com uma gritaria aleatória.</p>
<p>Além disso, os elementos vão sendo postos no enredo numa espécie de pistas falsas, chegando mais do que no texto e aparecendo em quase todas as searas da produção. Um local que mais chama atenção é a confusão com uso das temperaturas. No início, as escolhas parecem coerentes. A melancolia de Cloe combina com suas vestes azuis e com a luz ciano que a cerca. Quando o rapaz de seu interesse amoroso entra em cena, o vermelho e o magenta vão crescendo. Até que tudo isso some e os elementos ficam todos misturados e não soa como algo proposital.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12763" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/894d3e_fea83c6d8837486abd98841d03f63d97_mv2.jpg" alt="The French Teacher – Um Amor a Três" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/894d3e_fea83c6d8837486abd98841d03f63d97_mv2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/894d3e_fea83c6d8837486abd98841d03f63d97_mv2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/894d3e_fea83c6d8837486abd98841d03f63d97_mv2-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O mesmo pode ser dito sobre a montagem. Em algumas sequências, fica uma sensação de que há um buraco entre uma situação e outra. Utilizando fades in e out constantemente, uma cena nega a outra imediatamente, deixando um pensamento sobre quais as intenções da equipe com aquelas seleções artísticas para a obra. O ápice desta percepção chega principalmente quando a figura da filha da personagem principal, a Sophie (Anna Maiche) surge na trama. Em certo momento, as duas estão jantando e brigam sem nenhum motivo aparente ou que tenha sido bem construído. Logo depois, elas estão tranquilas, papeando sobre amenidades. Esses tipo de ação é repetido o tempo inteiro até o desfecho do longa, sempre com uns cortes sem muita ligação e atuações sem um pingo de organicidade. Mas, claro, não dá para culpar os atores que precisam tirar repentinamente emoções, pausas, gritos e respiros.</p>
<p>O arremate final para o desagrado ao assistir <strong><em>The French Teacher – Um Amor a Três</em></strong> é o fato de que existe uma tentativa de evocar um triângulo amoroso entre Cleo, seu <em>crush</em> e a sua filha. Além da surpresa em consumir um trabalho com tanta mulheres envolvidas e a aposta central para o conflito ser a rivalidade feminina, é um tanto desconcertante como é realizado o atrito entre eles. Um exemplo é a cena da cama, em que os três dormem juntos e depois tomam café em silêncio. No mínimo, esquisito e totalmente desnecessário.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Stefania Vasconcellos<br />
<strong>Elenco:</strong> Marie Laurin, Anna Maiche, Sean Patrick McGowan, Maude Bonanni, Michelle Arthur, Roberto Bonanni, Sean Patrick McGowan, Tina Masafret</p>
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		<title>7º BIFF: O Livro de Lila</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2020 15:17:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Buscando criar uma metáfora sobre memória, infância e crescimento, a diretora e roteirista colombiana Marcela Rincón traz a aventura de Lila (Sofía Montoya). Em O Livro de Lila, o público acompanha como a garota, que era uma personagem literária, tem sua história roubada por pássaros e passa a viver no mundo real, desvanecendo lentamente. A partir desta premissa, vê-se a menina se juntando aos amigos Manuela (Estefanía Giraldo) e Ramón (Antoine Marín) para tentar resgatar o que lhe foi tirado, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Buscando criar uma metáfora sobre memória, infância e crescimento, a diretora e roteirista colombiana Marcela Rincón traz a aventura de Lila (Sofía Montoya). Em <em><strong>O Livro de Lila</strong></em>, o público acompanha como a garota, que era uma personagem literária, tem sua história roubada por pássaros e passa a viver no mundo real, desvanecendo lentamente. A partir desta premissa, vê-se a menina se juntando aos amigos Manuela (Estefanía Giraldo) e Ramón (Antoine Marín) para tentar resgatar o que lhe foi tirado, para que esta não possa ser esquecida.</p>
<p>Com uma trama que revela gradativamente a intenção de chamar a atenção dos espectadores, principalmente das crianças, sobre a importância da leitura e da imaginação, há  certa coragem de Rincón em tratar de temas pesados, como a morte e o luto, através de alegorias e cenas delicadas. A passagem que estabelece a relação de Ramón com sua mãe, seguida da perda dela, é um dos momentos chaves dessa sensibilidade da realizadora.</p>
<p>A construção de Lila, a diferença dela e de seu mundo para aqueles que vivem fora da ficção também é um destaque. Algumas características são óbvias, como as cores vibrantes do universo da protagonista ou seu cabelo lilás. Outros traços são mais sutis, como a maneira que ela fala, os seus diálogos e a forma de encarar as situações. Estas características transmitem um reforço para o tom de fantasia presente nela, para além da própria construção ficcional da animação em si.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12759" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/LILA_Still_05.jpg" alt="O Livro de Lila" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/LILA_Still_05.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/LILA_Still_05-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/LILA_Still_05-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>No entanto, alguns incômodos aparecem durante a projeção. A primeira questão que salta aos olhos é a justificativa para Lila precisar de Ramón. Esta soa um tanto fraca e arbitrária. No longa é dito que os dois têm uma ligação, porque o menino lia a historinha que foi furtada. Depois da partida de sua mãe, ele foi a esquecendo gradativamente. Contudo, qualquer outra criança poderia ocupar aquele cargo e é estranho como a explicação acontece. Após este direcionamento, fica uma sensação de que caminhos mais fáceis para encurtar o trabalho do texto estão sendo tomados, como a concha que contém todas as soluções para a personagem principal, adiantando o desfecho do conflito.</p>
<p>Outro ponto que não encaixa muito em <strong><em>O Livro de Lila</em></strong> são as canções que aparecem na produção. Além de nem todas serem bem performadas, elas são muito espaçadas e um tanto expositivas. Este último fator talvez seja o mais significativo, pois em uma obra na qual o metafórico se sobrepõe e há uma tentativa de evocar discussões e diálogos apostando nos símbolos, uma música que vem para dar uma explicaçãozinha reduz os esforços anteriores e posteriores a elas.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Marcela Rincón</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Sofía Montoya, Estefanía Giraldo, Antoine Marín</p>
<p><strong>Assista ao <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/trailer/">trailer</a>!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/_iZSY8lE1bI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>7º BIFF: Até Que Você Me Ame</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2020 18:56:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Desde os primeiros minutos de projeção é possível notar a importância das cores em Até Que Você Me Ame. Com os planos iniciais preenchidos de branco, as outras temperaturas vão se fazendo presentes lentamente, delineando os sentimentos e lembranças da protagonista e as emoções de seu antagonista. Por um longo tempo, tudo que o espectador vê são duas perspectivas. De um lado, a tensão de Ruby (Ingvild Deila) em descobrir porque foi capturada e mantida em cativeiro por um suposto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde os primeiros minutos de projeção é possível notar a importância das cores em <strong><em>Até Que Você Me Ame</em></strong>. Com os planos iniciais preenchidos de branco, as outras temperaturas vão se fazendo presentes lentamente, delineando os sentimentos e lembranças da protagonista e as emoções de seu antagonista. Por um longo tempo, tudo que o espectador vê são duas perspectivas. De um lado, a tensão de Ruby (Ingvild Deila) em descobrir porque foi capturada e mantida em cativeiro por um suposto desconhecido e de entender o que está acontecendo com ela e sua mente.  Do outro, existe Tom (Stuart Mortimer), um homem que se mostra frio, calculista e no controle de tudo.</p>
<p>O maior ganho do longa está na progressão do estabelecimento da tensão, como as peças do quebra-cabeça vão sendo colocadas e como são desvendadas. Juntamente com a protagonista, o espectador compreende a força da relação das duas personagens principais e o medo da próxima ação nunca abandona o jogo entre eles. As pistas não são falsas e o pacto com o público é estabelecido e respeitado. O que ocorre é uma lenta descoberta ao lado de Ruby. Parte disto vem do trabalho entre Deila e Mortimer, que jogam com os olhares e os gestos de um para o outro.</p>
<p>A movimentação pelo espaço cria esta sensação de suspensão e é difícil prever o passo posterior de cada um. Seria um abraço ou um empurrão? Um beijo ou um ataque? Entre fluidez e e corte, têm as surpresas do que pode vir a aparecer em cada quadro. Contudo, o diretor e roteirista Edward A. Palmer se esforça para não romantizar o possível relacionamento doentio entre os dois, em <em><strong>Até Que Você Me Ame</strong></em>. Sempre é relembrado que Ruby não está se apaixonando por seu sequestrador, como a jovem é sagaz e procura o tempo inteiro tomar de volta o comando.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12754" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Ate-que-voce-me-ame_interno1.jpg" alt="Até Que Você Me Ame" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Ate-que-voce-me-ame_interno1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Ate-que-voce-me-ame_interno1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Ate-que-voce-me-ame_interno1-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A produção demonstra grande potencial, principalmente à medida que o passado da dupla vai sendo revelado e pela coragem e efetividade de Palmer em fazer uma obra com tão poucos elementos e que consegue passar tudo o que ele parece desejar transmitir. No entanto, quando o enredo começa a se encaminhar para o final a sua qualidade vai caindo. O não dito, as suposições e dúvidas é que instalavam a atmosfera de apreensão. Além disso, as reais intenções do vilão não interessam muito. A dinâmica criada ali é muito maior do que qualquer coisa que possa ter acontecido no passado.</p>
<p>O caminho de contar explicitamente como eles, teoricamente, chegaram naquele ponto subestima o espectador. Tudo isto é quase jogado fora alguns instantes depois, confirmando mais fortemente que, de fato, todo o discurso do terceiro ato é desnecessário. Alguns elementos da atuação de Stuart Mortimer também chamam atenção negativamente. Ele parece ter uma vontade grande de representar um homem frio e é precisamente quando ele perde a organicidade que o papel precisa. A obviedade das tonalidades fortes que tomam toda a tela é uma característica forte no começo da exibição. Vermelho como sendo o perigo, por exemplo. Mas, estes significados vão sendo diluídos e ressignificados, equilibrando melhor as escolhas de Palmer para <strong><em>Até Que Você Me Ame</em></strong>.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Edward A. Plamer</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Ingvild Deila, Stuart Mortimer</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/a6-8i7Fyeb4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Dica do Dia: Assim Estava Escrito</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2020 22:28:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Catálogo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Assim Estava Escrito, dirigido por Vincente Minnelli (Sinfonia de Paris),  tem ares grandiosos, principalmente quando se olha para o elenco. Este elemento é algo recorrente na obra de Minnelli que, diferentemente da maioria dos realizadores da época, trabalha com um número grande de intérpretes na cena e consegue dar destaque para cada um, não possuindo apenas uma quantidade grande de indivíduos preenchendo o ecrã, mas figuras de destaque dentro da história. No filme, o espectador já começa com a informação [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Assim Estava Escrito</strong>,</em> dirigido por Vincente Minnelli (<em>Sinfonia de Paris</em>),  tem ares grandiosos, principalmente quando se olha para o elenco. Este elemento é algo recorrente na obra de Minnelli que, diferentemente da maioria dos realizadores da época, trabalha com um número grande de intérpretes na cena e consegue dar destaque para cada um, não possuindo apenas uma quantidade grande de indivíduos preenchendo o ecrã, mas figuras de destaque dentro da história.</p>
<p>No filme, o espectador já começa com a informação de que Jonathan (Kirk Douglas) deseja  rodar um longa-metragem com três pessoas de seu passado: o cineasta Fred Amiel (Barry Sullivan), a atriz Georgia (Lana Turner) e o escritor James (Dick Powell). Desta maneira, tem-se, assim, três núcleos diferentes. Durante a projeção, o ponto de vista de cada peça do trio é revelado e as facetas, defeitos e armadilhas da personagem de Douglas vão sendo mostrados. Para exibir tal enredo, a direção de Minnelli é inventiva. Juntamente com o fotógrafo Robert Surtees (<em>Ben Hur</em>), diversos planos e movimentos de câmera são colocados a favor das cenas. Um exemplo são as panorâmicas que deixam uma sensação de proximidade com a realidade que está sendo mostrada. Também há os <em>plongées</em> e <em>contra-plongées</em> que mostram quem está em situação de vantagem em determinadas sequências.</p>
<p>No entanto, em certos momentos, a <em>mise-em-scène</em> de <em><strong>Assim Estava Escrito</strong></em> parece um tanto bagunçada. Muitos elementos cênicos, juntamente com a quantidade de gente no quadro e movimentos de câmera, “sujam” as sequências e deixam uma sensação de desordem, como na cena da jogatina. Esta questão não é algo que comprometa o todo, mas pode gerar algum desconforto ao espectador. Contudo, existe algo que realmente atrapalha o resultado final da obra: a estrutura narrativa repetitiva. Quando o público segue os múltiplos enredos postos no roteiro, as circunstâncias ficam compreendidas para, em seguida, serem reiteradas. No terceiro ato fica um cansaço pela previsibilidade dos acontecimentos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12748" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/18854998.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Assim Estava Escrito" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/18854998.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/18854998.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/18854998.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É bem verdade que os autores Charles Schnee (<em>A Cena do Crime</em>) e George Bradshaw (<em>Dúvidas de um Coração</em>) procuram imprimir uma nova situação no momento da perspectiva de James, porém o desfecho desta parte é semelhante ao que já foi visto. Assim, a produção vai caindo e resta uma ansiedade para saber qual será a conclusão de tudo. No entanto, a maneira como acontece o encerramento do conflito é seguro. Ele deixa o imaginário aberto para criar e reforça a potencialidade do protagonista diante do contexto que o cerca e seu poder de manipulação. Um dos pontos altos da sequência final de <em><strong>Assim Estava Escrito</strong></em> é também o trabalho de Lana Turner, que cria olhares e gestos precisos e intensos, marcando bem as opiniões de sua Georgia.</p>
<p>Na verdade, toda a construção de Turner é cuidadosa e eficaz. Ela parece compreender bem que Georgia é luz na vida de Jonathan e isto já vem desde o seu figurino e na iluminação da cena. A sensibilidade de Lana vem de saber passar essa característica e equilibrar tudo isto com o lado mais sombrio da personagem. A maneira como ela encarna uma mulher talentosa, mas que vive presa em suas inseguranças e no vício do álcool é cheia de camadas e não se direciona para nada clichê ou representativo. Porque seus olhares são vivos e expressivos, juntamente com a tonicidade corporal necessária para cada momento.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Vicente Minnelli</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Lana Turner, Kirk Douglas, Walter Pidgeon</p>
<p><strong>Assista ao <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/trailer/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">trailer</a>!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/SXHSgNZzogY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>7º BIFF: Anna Karina, Para Você Lembrar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2020 22:23:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[Anna Karina Para Você Lembrar]]></category>
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		<category><![CDATA[Dennis Berry]]></category>
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		<category><![CDATA[Festival Internacional de Cinema de Brasília]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">Com imagens de arquivo e uma narrativa que segue uma linha cronológica, o diretor e roteirista Dennis Berry (<em>Laguna</em>) nos apresenta o trabalho e a vida da artista europeia Anna Karina, através de seu documentário de 2017. Em menos de uma hora de projeção, Berry e seus parceiros de escrita (Sophie Pouleau e Jean Breschand) vão da tenra infância da protagonista até os seus trabalhos mais recentes.</p>
<p>Com um currículo que traz as funções de atriz, realizadora, escritora e cantora, Anna Karina acumulou talentos em seus longos anos de carreira. Ainda assim, o longa parece se prender bastante ao tempo em que a intérprete passou casada com o cineasta Jean-Luc Godard. Não é a menção em si que incomoda, mas a quantidade de minutos de exibição que são gastos, para que em seguida, mais próximo do final, as coisas pareçam mais corridas. Além disso, mesmo depois de já ter abordado consideravelmente o período de Anna com Godard, ele aparece em algumas menções posteriormente. Quem é a estrela da obra se não a Anna Karina, não é? Eles parecem esquecer deste fato em alguns momentos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12709 size-full" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Anna-Karina.jpg" alt="" width="750" height="400" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Anna-Karina.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/Anna-Karina-610x325.jpg 610w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><br />Este elemento é incômodo, porém ele não atrapalha a projeção como um todo. As imagens selecionadas para ilustrar a trajetória de Karina são certeiras, podendo deixar o espectador mais imerso no passado e nos caminhos de sua vida. Outro fator que aproxima o público são as inserções de trechos com entrevistas, principalmente as que foram gravadas para o filme. Além disto, Berry põe capturas de Anna em locais que relembram momentos de sua vida e de cenas suas em trabalhos marcantes. Este encaminhamento marca ainda mais o quanto a energia de Anna Karina é vibrante. As cores que a cercam quando ela está em um cinema, por exemplo, enquanto se vê sequências e fotografias são o ponto alto do longa, justamente pela forma como ela reage e fala sobre si.</p>
<p>No entanto, há um detalhe um tanto negativo que não passa despercebido: a narração, feita pelo próprio Dennis Berry. Esta soa um tanto monocórdica, quase como se ele estivesse lendo um texto do Wikipédia para os amigos. Nessa mescla de figura potente e imagens de força, com desvio de olhar para o homem famoso do passado da protagonista com texto lido em tom entediante, há um equilíbrio no resultado final do filme. No geral, ele é um documento importante, que traz informações relevantes sobre uma persona talentosa, carismática e importante para a história do cinema.</p>
<p><strong>Diretor</strong>: Dennis Berry</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Anna Karina, Dennis Berry, Sophie Pouleau.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/8EZxpb9jbeo" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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