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	<title>Arquivos Fernanda Montenegro - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Fernanda Montenegro - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica Velhos Bandidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 12:33:09 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os anos 2000 carregam uma forte memória afetiva do <em>boom</em> do cinema nacional, especialmente com comédias que marcaram gerações, como <em>O Auto da Compadecida (2000)</em>, <em>Lisbela e o Prisioneiro (2003)</em>, <em>Se Eu Fosse Você (2006)</em>, <em>Ó Paí, Ó (2007)</em> e <em>Saneamento Básico, O Filme (2007)</em>. Esse estilo de filme parece ter perdido espaço ao longo dos anos, sendo ocupado por longas-metragens de ação e suspense. O cineasta Cláudio Torres (<em>O Homem do Futuro</em>, de 2011), no entanto, parece tentar virar esse jogo com o seu mais novo projeto. Produzido pela Conspiração Filmes e distribuído pela Paris Filmes, <em><strong>Velhos Bandidos</strong></em> chega aos cinemas nesta quinta-feira (26) como uma promessa de resgate do tom cômico dos anos 2000.</p>
<p>Recheados de rostos conhecidos, o novo longa de Torres é a união entre o dinamismo de uma ação cinematográfica simples e objetiva com a comicidade das desventuras e atropelos do acaso com o grupo de criminosos liderados por Fernanda Montenegro (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ainda-estou-aqui/"><em>Ainda Estou Aqui</em></a>, de 2024). Co-escrito pelo diretor e por Renan Flumian (<em>Amores Pandêmicos</em>, de 2023) e Fábio Mendes (<em>Dom</em>, de 2021-24), o filme desenvolve uma narrativa que não inova, nem surpreende com suas reviravoltas, mas que agrada com a entrega de seu elenco. Ainda que conte com situações inusitadas &#8211; algumas que beiram o absurdo -, <em><strong>Velhos Bandidos</strong></em> conta com a qualidade da contracena de seu elenco principal para guiar a história.</p>
<p>A naturalidade e a cumplicidade da troca entre o elenco é a força desse projeto. Conseguir reunir Montenegro, Ary Fontoura (<em>Patos!</em>, de 2023), Vladimir Brichta (<em>Pedaço de Mim</em>, de 2024), Bruna Marquezine (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-besouro-azul/"><em>Besouro Azul</em></a>, de 2023) e Lázaro Ramos (<em>Medida Provisória</em>, de 2022) num enredo leve, engraçado e com o que aparenta ser uma liberdade para brincar em cena é a grande sacada da produção. No auge dos seus 96 anos, dona Fernandona parece estar se deleitando com as cenas. Ao seu lado, Ary também aparenta curtir cada momento de sua participação em <strong><em>Velhos Bandidos</em></strong> e é o carisma dessa dupla que conquista o público logo nos primeiros momentos do longa.</p>
<figure id="attachment_20530" aria-describedby="caption-attachment-20530" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20530" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-750x500.jpeg" alt="Velhos Bandidos (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-750x500.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-1536x1024.jpeg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-2048x1365.jpeg 2048w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-720x480.jpeg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-770x513.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-1400x933.jpeg 1400w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20530" class="wp-caption-text">Bruna Marquezine e Vladimir Brichta em cena de &#8216;Velhos Bandidos (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ao lado de Montenegro e Fontoura, Brichta e Marquezine também são responsáveis por ajudar com o apelo carismático. O <em>timing</em> cômico de Vladimir já é de conhecimento do espectador por conta de sua carreira e ele é conduzido pelos seus mestres em cena para um divertimento que chega em quem está assistindo. Bruna, apesar de ser a mais nova do quinteto principal, tem um vasto currículo e esteve se debruçando em projetos que lhe deram as ferramentas para aproveitar esse longa e se mostrar uma atriz inteligente em cena. Com o quarteto numa sintonia hilária, só falta observar o antagonista deles em <em><strong>Velhos Bandidos</strong></em>: o policial interpretado por Lázaro Ramos.</p>
<p>Ramos, ao contrário de seus colegas, é contraponto da narrativa. Um investigador obstinado que aparenta não descansar até desmascarar os bandidos, custe o que custar. Mesmo com sua extensa experiência com comédia, Lázaro acaba sendo, por boa parte do filme, a sobriedade que a narrativa pede para se manter fiel a ideia da ação policial. No entanto, seus momentos de troca com o restante do elenco desenham ainda mais o abismo entre tons que o longa carrega &#8211; o que, ora gera momentos engraçados, ora gera um leve desconforto por soar deslocado. Ainda assim, <em><strong>Velhos Bandidos</strong></em> se mantém funcionando por ter no <em>front</em> esse quinteto de qualidade que guia o filme.</p>
<p>A produção da Conspiração Filmes ainda conta com um elenco secundário de peso, um alto investimentos em efeitos especiais e um jogo de ação através da direção que prende a atenção. Ao fim da sessão, mesmo que sem nenhuma grande inovação ou surpresa, <em><strong>Velhos Bandidos </strong></em>acaba por agradar. É um filme Sessão da Tarde para arrancar algumas boas risadas por conta do seu elenco. A ação é bem executada dentro da proposta, mas o forte mesmo do projeto é o valor da contracena do quinteto e como eles se deliciam ao estarem em cena. Cada troca é um convite ao público para relaxar na poltrona e aproveitar a troca equilibrada que eles entregam.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Cláudio Torres</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Vladimir Brichta, Bruna Marquezine, Lázaro Ramos, Reginaldo Faria, Nathalia Timberg, Laila Garin, Vera Fischer, Tony Tornado, Teca Pereira, Hugo Bonemer, Mary Sheila, Guida Vianna e Hamilton Vaz Pereira</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/PRaDV-PaG4s?si=9SS3aZB2WS5Ns9xO" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vitória</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Apr 2025 16:55:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Inspirado no caso real de uma idosa que denunciou um grupo criminoso atuante na comunidade em frente a sua casa no Rio de Janeiro, Vitória tem a seu favor a escalação de Fernanda Montenegro para viver esta personagem. O drama dirigido por Andrucha Waddington tem muitas faltas, especialmente no roteiro, mas a presença de Montenegro como a personagem-título muitas vezes supre ou camufla as falhas do projeto. O longa é inspirado na história de Joana Zeferino da Paz, uma idosa de 80 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Inspirado no caso real de uma idosa que denunciou um grupo criminoso atuante na comunidade em frente a sua casa no Rio de Janeiro, <em><strong>Vitória </strong></em>tem a seu favor a escalação de Fernanda Montenegro para viver esta personagem. O drama dirigido por Andrucha Waddington tem muitas faltas, especialmente no roteiro, mas a presença de Montenegro como a personagem-título muitas vezes supre ou camufla as falhas do projeto.</p>
<p>O longa é inspirado na história de Joana Zeferino da Paz, uma idosa de 80 anos que em 2005, da janela de sua casa, registrou com uma câmera o cotidiano de um grupo criminoso que agia violentamente na sua vizinhança. Joana tentou denunciar o caso para a polícia, mas só viu a queixa gerar algum tipo de comoção nas autoridades quando contou com a ajuda da imprensa. Tendo sido posteriormente protegida pelo Programa de Apoio à Testemunha, Joana teve sua identidade mantida em sigilo, só vindo à tona no ano de seu falecimento, 2023, quando as filmagens de <em><strong>Vitória </strong></em>já haviam terminado.</p>
<p>A princípio, <em><strong>Vitória </strong></em>era um projeto do diretor e roteirista Brenno Silveira, mas o longa acabou nas mãos de Andrucha Waddington (Eu Tu Eles e Casa de Areia) após o falecimento do cineasta às vésperas das filmagens. A troca não prejudicou o resultado de <em><strong>Vitória</strong></em>, que tem um diretor se esforçando ao máximo para suprir carências do roteiro, dando sutileza, sensibilidade e buscando até mesmo alguma profundidade na construção psicológica das personagens.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19303" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-2-1.png" alt="Vitória" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-2-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-2-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-2-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Waddington acerta sobretudo ao valorizar os momentos nos quais o público acompanha apenas Fernanda Montenegro em cena. Existem longas sequências em que <em><strong>Vitória </strong></em>se resume ao cotidiano de Nina, nome criado para a protagonista do filme, em seu apartamento, vivendo o seu cotidiano. Quando <em><strong>Vitória </strong></em>é centrado em Fernanda Montenegro, o filme tem os seus melhores momentos porque a atriz valoriza cada gesto da personagem em cena, traz riqueza para os sentimentos e a personalidade daquela mulher.</p>
<p>O desempenho de Montenegro supre algumas lacunas deixadas pelo roteiro de <em><strong>Vitória</strong></em>. Há reticências no passado da protagonista e detalhes como as motivações profundas daquela mulher que poderiam ser melhor esmiuçadas pelo roteiro a fim de valorizar o clímax dramático daquela história. Nina é só uma mulher querendo fazer o bem e ter paz e isso é o suficiente para <em>Vitória</em>, mas não para o espectador, que poderia ter uma relação mais engajante com o longa caso o filme mergulhasse de fato no passado dessa protagonista. A resolução do conflito entre Nina e a ameaça violenta da sua vizinhança também é pouco elaborada passando a impressão de apressar a ação a fim de que o filme tenha enfim o seu desfecho.</p>
<p><em><strong>Vitória</strong></em> é o tipo de experiência que só é minimamente satisfatória porque Fernanda Montenegro consegue trazer a densidade e a urgência necessárias para engajar o espectador na trajetória da sua protagonista. Entendemos <em><strong>Vitória </strong></em>como um evento cinematográfico porque Fernanda Montenegro está nele e aproveita cada oportunidade para confirmar seu nome como um dos maiores das nossas artes dramáticas. De outra forma, o teor fugidio e superficial do roteiro deste drama ficaria mais evidente e tornaria mais emperrada a experiência de assistir o longa.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Andrucha Waddington</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Fernanda Montenegro, Silvio Guindane, Jeniffer Dias</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/3Zr6YJ02r5g?si=sVQfxS_pwShsTxb_" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Ainda Estou Aqui</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-ainda-estou-aqui/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Nov 2024 14:35:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ainda Estou Aqui está nos cinemas brasileiros levando multidões para as salas, especialmente depois de todo o hype em cima do filme, por conta das redes sociais e a torcida para que Fernanda Torres seja indicada ao Oscar de Melhor Atriz do próximo ano. Mas será que o filme vale todo esse alvoroço? Não vou aqui criar qualquer tipo de mistério, pois SIM, Ainda Estou Aqui merece toda a atenção que vem recebendo. E não sou eu, mera crítica de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Ainda Estou Aqui</strong> </em>está nos cinemas brasileiros levando multidões para as salas, especialmente depois de todo o hype em cima do filme, por conta das redes sociais e a torcida para que Fernanda Torres seja indicada ao Oscar de Melhor Atriz do próximo ano. Mas será que o filme vale todo esse alvoroço?</p>
<p>Não vou aqui criar qualquer tipo de mistério, pois SIM, <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong> </em> merece toda a atenção que vem recebendo. E não sou eu, mera crítica de cinema, que vou te convencer disso. É o próprio filme, desde as primeiras cenas, até a sua conclusão. No Rio de Janeiro dos anos 1970, uma família grande composta por casal e cinco filhos vive normalmente suas vidas, na beira da praia. A dinâmica de normalidade se inverte completamente quando o patriarca, Rubens, é levado por homens que se dizem do governo brasileiro. O longa se passa justamente na ditadura militar.</p>
<p>Desde o início do filme, logo quando falamos da data e o roteiro especifica a situação da ditadura, sabemos os caminhos tortuosos que a história vai levar. E estou falando isso mesmo para o espectador mais desconectado da história de <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong></em>, que talvez nem tenha assistido ao trailer. A sensação de que algo vai dar errado é constante desde a primeira cena, mas o filme não tem pressa em chegar nesta parte. E que bom que isso acontece.</p>
<p>Nos conectar com a família Paiva é o que torna o filme tão mais intenso e verdadeiro. À medida que o diretor Walter Salles vai nos apresentando cada personagem, traçando as suas individualidades, ganhamos apreço por todos e sabemos o quanto isso será doloroso lá na frente. E é isso que faz toda a diferença quando falamos de nos conectar com a história, entender seus pormenores e defender todos eles.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18957" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-6.png" alt="Ainda Estou Aqui" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-6.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-6-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-6-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Eunice (Fernanda Torres) é uma mãe de família determinada e participativa. Ainda que seja dona da casa, ela não se restringe a isso. Tem uma relação de parceria com o marido e um romance presente, mesmo após quase 20 anos de casada. Rubens (Selton Mello) é aquele clássico pai dos anos 1970. Fuma, bebe, tem barrigão, é acolhedor, dedicado à família e ao trabalho. Ele é engenheiro e está sempre com projetos em cima da mesa do escritório.</p>
<p>Quando o fatídico dia acontece, o desespero familiar já nos engloba como parte. Rubens é levado pelos homens que se dizem militares e Eunice tem que lidar com o medo da ausência do marido e a tentativa de trazer certa normalidade dentro da casa, especialmente para os filhos menores. O bolo na garganta da personagem se transfere para nós e te afirmo que ele perdura até a última cena. É como se a gente estivesse o tempo todo segurando uma emoção que nos foi proibida de sentir.</p>
<p>Eu poderia discorrer todo tipo de elogio aqui à Fernanda Torres e isso ainda não seria suficiente para expressar o que ela confere à personagem. É como se não houvesse separação de atriz e personagem. As duas são uma só, em uníssono. Todas as nuances emocionais que Eunice vive, Fernanda consegue nos transportar. O desespero pela ausência do marido, o silêncio pela proteção dos filhos, o cuidado em tentar trazer uma normalidade, ainda que a situação não tenha nada de normal. E um outro detalhe tão importante, que só sentimos ao ver <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong></em>: além de todo o contexto, estamos falando também de uma história de amor. Um amor sincero que foi interrompido como um nada, num último beijo, sem chance de retorno. Eunice passa a vida sofrendo esse luto em silêncio.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18955" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-3.png" alt="Ainda Estou Aqui" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-3.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-3-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-3-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Gostaria de dedicar um momento também para enaltecer a caracterização e ambientação do longa que é simplesmente impecável. Ainda que eu não tenha vivido nos anos 1970, fui à sessão com minha mãe que viveu e ficou impressionada com tamanha semelhança com tudo na época. Ela falava que até as cores, o ar, a sensação. Tudo a transportava para aquela época, mostrando o quão acertado e bem estruturado foi o filme.</p>
<p>A necessidade que temos de falar mais da ditadura é urgente, porque aquilo que não é reiterado, pode ser esquecido. Um filme como <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong> </em>nos mostra outras facetas. Ele fala sobre a tortura, sobre os direitos cerceados, mas o foco dele é em como as famílias foram individualmente afetadas. Não são apenas números que foram torturados e perderam vidas. São maridos, esposas, pais, mães, filhos, primos, tios, etc. São pessoas reais cujo sumiço afetou toda uma cadeia.</p>
<p>Então, não, não há nada de exagero no hype em cima de <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong></em>, porque o filme nos entrega todas as intensidades que a história merece. Se será candidato ao Oscar ou até mesmo se conseguirá alguma estatueta, esse é um mero detalhe. O reconhecimento do longa, em si, já é incrível e merecido. Como Fernanda Torres sabiamente disse: &#8220;para nós, brasileiros, só a indicação já seria uma grande vitória&#8221;. E eu realmente acho que ela vai acontecer.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Walter Salles</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Selton Mello, Maeve Jinkings, Humberto Carrão, Carla Ribas, Dan Stulbach, Valentina Herszage</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/qddo7XLa3Tc?si=11RzkgjoujOxltQ7" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Juízo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Dec 2019 13:47:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Temos vivido um momento do gênero horror marcado por uma alta produtividade ou, pelo menos, de um destaque maior dos seus títulos. O Brasil não escapa desse momento com títulos importantes nos últimos anos, como As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra, A Sombra do Pai, de Gabriela Amaral Almeida, e Morto não fala, de Dennison Ramalho. Andrucha Waddington (Sob Pressão) e Fernanda Torres (A Mulher Invisível) embarcaram na primeira empreitada pelo gênero com O Juízo, ele na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Temos vivido um momento do gênero horror marcado por uma alta produtividade ou, pelo menos, de um destaque maior dos seus títulos. O Brasil não escapa desse momento com títulos importantes nos últimos anos, como <em>As Boas Maneiras</em>, de Juliana Rojas e Marco Dutra, <em>A Sombra do Pai</em>, de Gabriela Amaral Almeida, e <em>Morto não fala</em>, de Dennison Ramalho.</p>
<p>Andrucha Waddington (<em>Sob Pressão</em>) e Fernanda Torres (<em>A Mulher Invisível</em>) embarcaram na primeira empreitada pelo gênero com <em><strong>O Juízo</strong></em>, ele na direção e ela no roteiro. Surpreendentemente, o resultado do filme é marcado por algumas irregularidades que prejudicam de maneira severa a obra, pelo ponto de vista da construção da sua trama.</p>
<p>O longa conta a história de um homem (Felipe Camargo, <em>O Rastro</em>) que muda-se com sua esposa (Carol Castro, <em>Um Suburbano Sortudo</em>) e filho (Joaquim Torres Waddington) para uma propriedade rural herdada. Lá ele se depara com o &#8220;passado maldito&#8221; dos seus antepassados, que volta para lhe atormentar.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12016" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/0991797.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Juízo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/0991797.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/0991797.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/0991797.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Felipe Camargo protagoniza a história ao lado de Carol Castro, mas há coadjuvantes de luxo no longa, como Fernanda Montenegro (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-vida-invisivel/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>A Vida Invisível</em></a>) e Lima Duarte (<em>Colegas</em>). Todo o elenco está muito bem no filme e faz aquilo que seus personagens demandam, conferindo autenticidade aos sentimentos das suas personagens e ao desenvolvimento deles ao longo da história. Vale destacar a participação de Criolo (<em>Jonas</em>) no projeto, com uma interpretação muito marcante e objetiva. O problema do título, definitivamente, não está nesse departamento.</p>
<p>Waddington consegue conferir uma atmosfera soturna em <strong><em>O Juízo</em></strong>, que encontra eco no isolamento social desses personagens. Tudo nessa ambiência rural mitológica brasileira representada por esse casarão de passado escravocrata. Ele manifesta-se de maneira sobrenatural para cobrar a dívida dos seus personagens brancos. O problema é que o roteiro escrito por Torres anda em círculos, &#8220;cozinhando&#8221; o espectador até oferecer aquilo que de fato interessa a história. Ao mesmo tempo, Waddington não consegue resolver esse impasse do script com soluções visuais que poderiam tornar a narrativa, ao menos, visualmente simbólica, avançando algum tipo de acréscimo imagético ao filme.</p>
<p>Assim, <em><strong>O Juízo</strong></em> acaba resultando em um capítulo frágil na carreira dos seus responsáveis com credenciais acima da média. Falta ao longa, o vigor cinematográfico marcante em alguns filmes da carreira de Waddington, em especial, <em>Eu Tu Eles</em> e <em>Casa de Areia</em>. Além disso, o projeto também carece da cadência narrativa que Torres usualmente confere em seus textos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Andrucha Waddington<br />
<strong>Elenco:</strong> Felipe Camargo, Carol Castro, Joaquim Torres Waddington, Criolo, Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Fernando Eiras, Kênia Bárbara</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/AseYLSef7f8" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AseYLSef7f8">.</a></p>
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		<title>Crítica: A Vida Invisível</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Nov 2019 12:29:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vencedor do prêmio de melhor filme na mostra paralela Un Certain Regard do último Festival de Cannes, A Vida Invisível foi escolhido como o representante brasileiro a disputar uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano que vem. O filme tem como &#8220;competidor&#8221; a entusiasmada recepção de Bacurau, longa de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dorneles que se transformou em um verdadeiro fenômeno cultural no país, cuja crítica social apresenta uma urgência que dialoga de maneira intensa com [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vencedor do prêmio de melhor filme na mostra paralela <em>Un Certain Regard</em> do último Festival de Cannes, <em><strong>A Vida Invisível</strong></em> foi escolhido como o representante brasileiro a disputar uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano que vem. O filme tem como &#8220;competidor&#8221; a entusiasmada recepção de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bacurau/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Bacurau</em></a>, longa de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dorneles que se transformou em um verdadeiro fenômeno cultural no país, cuja crítica social apresenta uma urgência que dialoga de maneira intensa com o momento político que vivemos.</p>
<p><em>Bacurau</em> teve como oponente o conservadorismo da sociedade brasileira dos nossos tempos, assim como todo pensamento ou expressão inclinada ao progressismo. <strong><em>A Vida Invisível</em></strong> de Karim Aïnouz (<em>Madame Satã</em>), também tem um componente que enfrenta as esferas conservadoras com sua perspectiva sobre a trajetória feminina em uma sociedade patriarcal, contudo, é um filme que pode ser lido superficialmente na sua narrativa sobre duas irmãs, flertando com chaves de comunicação não tão bem aceitas por fãs da vanguarda, um nicho cinematográfico taxado comumente de cafona e pejorativamente como filme para mulher, o melodrama. Ambos tem suas próprias batalhas a travar. Ambos são obras importantes do nosso cinema contemporâneo que chegam às salas de exibição com uma ótima recepção internacional, num momento no qual a importância da arte é diminuída.</p>
<p>O filme de Aïnouz tem uma poética e se apoia em detalhes que o transformam em uma obra de grande apelo emocional, esmero estético e clínica no olhar que tem a oferecer sobre estruturas sociais viciosas e nocivas que silenciam &#8220;minorias&#8221;. <em><strong>A Vida Invisível</strong> </em>é uma adaptação de um romance de Martha Batalha e conta a história de duas irmãs que são afastadas por uma sociedade opressora. Enquanto Eurídice desiste do sonho de estudar piano em Viena para se casar e ter uma vida protocolar como dona de casa, Guida se aventura em um romance com um grego, é renegada pelo próprio pai, abandonada pelo homem que ama e tem que se virar como pode para sustentar um filho. Cada uma passa parte da sua vida imaginando a jornada de grandes feitos da outra, quando na verdade ambas têm destinos muito parecidos de silenciamento e invisibilidade dos seus próprios desejos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11843" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Vida Invisível" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Em <em><strong>A Vida Invisível</strong></em>, Aïnouz se apropria do melodrama com uma eloquência que poucos cineastas conseguem ter, realizando uma história tecida pela narrativa das cartas trocadas pelas irmãs Gusmão e as desventuras de uma trama de folhetim. Usando um gênero ocasionalmente associado ao conservadorismo em seus olhares para as relações entre homem e mulher em sociedades heteronormativas, Aïnouz faz sua singela e pontual narrativa sobre um feminino. Enfatizando sua crítica ao lugar relegado às mulheres por uma estrutura social, sem soar panfletário e superficial em sua análise, Aïnouz observa a perpetuação de costumes familiares que não favorecem um bem-estar social ao contrário do que alardeiam seus defensores.</p>
<p>Tanto Eurídice quanto Guida são figuras que não conseguem dar vazão a todo o potencial humano que apresentam dentro de si, abrindo mão de carreiras, afetos e das suas próprias existências por um ilusório projeto de sociedade que tolhe suas respectivas espontaneidades. Guida amadurece no sofrimento e torna-se uma figura marginalizada depois de ser rejeitada pela família. Eurídice, por sua vez, é castrada por um matrimônio abusivo, entrando em grande melancolia e reproduzindo na educação da sua filha todo um senso de subalternização feminina que fora dominante no seu convívio familiar.</p>
<p>Aïnouz narra essa história de intensas emoções e ressentimentos pessoais com uma poesia bucólica que reverbera na maneira como registra a década de 1950. A atmosfera de folhetim faz bem ao drama e a construção de suas personagens, conseguindo sublinhar a simplicidade de sua narrativa, a intensidade de sentimentos em voga e uma história que se torna mais rica nos detalhes da direção apurada do cineasta. Carol Duarte e Julia Stockler têm ótimas interpretações na pele das duas protagonistas, Fernanda Montenegro está soberba no ato final da história com um plano fechado que somente uma atriz da sua magnitude conseguiria executar com tamanha complexidade e Gregório Duvivier (<em>O Homem do Futuro</em>) é um ponto alto do elenco, interpretando o patético esposo de Eurídice, uma figura que incomodo por seu ar retrógrado, inconveniente, presunçoso e sem noção. A interpretação de Duvivier é um ponto alto do filme, já que ele evita a redundância da composição cartunesca e transforma Antenor na representação de um mal social que é nocivo por seu aparente caráter inofensivo.</p>
<p>Karim Aïnouz se caracterizou por ser um cineasta que compreende o tom que seus protagonistas demandam às suas histórias, basta comparar, a título de exemplo como o diretor interpreta as distintas demandas de longas como <em>Madame Satã</em> e <em>Praia do Futuro</em>. <em><strong>A Vida Invisível</strong> </em>é um filme pautado pela observação e pela inquietação que causa a violência inofensiva exercida no cotidiano sem a menor aparência de monstruosidade. É um filme que utiliza o melodrama para criticar aspectos estruturais da sociedade, alguns dos seus costumes mais nocivos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Karim Aïnouz<br />
<strong>Elenco:</strong> Carol Duarte, Julia Stockler, Gregório Duvivier, Fernanda Montenegro, Marcio Vito, Flávia Gusmão, Maria Manoella, Bárbara Santos</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/rJKYzthGQ6s" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial: A Vida Invisível &#8211; Pontos Fortes e Fracos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Nov 2019 13:24:59 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[A Vida Invisível]]></category>
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		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dirigido por Karim Aïnouz (O Céu de Suely), A Vida Invisível foi o longa escolhido para representar o Brasil no Oscar 2020. A obra é baseada no romance de Martha Batalha: “A Vida Invisível de Euridice Gusmão”. Estrelado por Carol Duarte (Segunda Chamada) e Julia Stockler (Rótulo) e com a participação de Fernanda Montenegro (Central do Brasil) no elenco, a projeção venceu a Mostra Olhar, no Festival de Cannes. No geral, o que salta aos olhos durante a exibição é [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dirigido por Karim Aïnouz (<em>O Céu de Suely</em>), <em><strong>A Vida Invisível</strong></em> foi o longa escolhido para representar o Brasil no Oscar 2020. A obra é baseada no romance de Martha Batalha: “A Vida Invisível de Euridice Gusmão”. Estrelado por Carol Duarte (<em>Segunda Chamada</em>) e Julia Stockler (<em>Rótulo</em>) e com a participação de Fernanda Montenegro (<em>Central do Brasil</em>) no elenco, a projeção venceu a <em>Mostra Olhar</em>, no Festival de Cannes.</p>
<p>No geral, o que salta aos olhos durante a exibição é a sua história potente e intensa, bem como os rumos possíveis das vidas femininas, a partir das interferências masculinas, do poder do patriarcado e da invasão que os homens acabam performando pelo direito  que eles acreditam ter. O resultado entregue é algo elaborado em sua técnica, principalmente em questões como direção de arte e música. No entanto, alguns incômodos podem ser apontados.</p>
<p>Pensando nisso, o <a href="https://coisadecinefilo.com.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>Coisa de Cinéfilo</strong></a> traz agora uma reunião de elementos que falam sobre os pontos altos e baixos do filme. Confira!</p>
<h5><strong>PONTOS FORTES</strong></h5>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11845" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0058762.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0058762.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0058762.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0058762.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Premissa e trama</strong>: O filme conta a história de duas irmãs, Guida (Stockler) e Euridice (Duarte), que são separadas pela vida e sonham em se encontrar novamente. A forma como o <em>plot</em> é trazido e colocado, no geral e inicialmente, demonstra as possíveis imagens e caminhos que uma mulher poderia passar e percorrer, em meados do século XX, no Brasil. As tensões e posicionamentos geravam resultados intensos e, muitas vezes desesperadores. A imagem que ele passa é que não havia muito como fugir de certas imposições do patriarcado que buscava – e busca ainda – empurrar forçadamente a sua validação e forma de ver e controlar o mundo. Este discurso é claro e evidente dentro da narrativa. Seja pela presença abusiva e controladora de Manoel (Atónio Fonseca), pai das meninas, pelo marido da protagonista que traz aquele rapaz conservador e perverso, que performa a figura do cara de bem, além de outras personagens menos centrais que demonstram como enxergam o poder masculino na sociedade. Em certo aspecto isto é positivo, o &#8220;porém&#8221; destas escolhas está na próxima sessão&#8230;</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11844" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0116575.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Vida Invisível" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0116575.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0116575.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0116575.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Direção de Arte, Figurino e Fotografia</strong>: Estes três elementos poderiam render textos por si, mas reunindo-os é possível destacar como eles conversam e fazem parte da história. As cores selecionadas para a Arte estão praticamente sempre contraponto com as das vestimentas. Entre o bege e marrom, o vermelho e azul se destacam em pontos específicos da cena, seja numa cortina, numa camiseta, na tinta da parede. Uma possível interpretação seria a disputa entre a melancolia e dor das imposições da vida para as mulheres com o calor das suas lutas e conquistas. Talvez. Já nos enquadramentos, o olhar parece focar na tensão entre sufocamento e liberdade. Na cena, por exemplo, em que Euridice e Guida dançam, há uma câmera parada, em um plano médio e a temperatura mais próxima de cores frias. A impressão que fica da sequência é dessa dualidade que a dupla vive, entre o livre e a clausura. Por isso, estas questões foram aqui elencadas como destaque positivo.</p>
<h5><strong>PONTOS FRACOS</strong></h5>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11843" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Vida Invisível" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Premissa e história:</strong> Assim como pode ser considerado como algo bem realizado, existem questões que enfraquecem a obra em sua narrativa. A condução da trama de Euridice e Guida vai caindo enquanto a projeção avança e a seleção de acontecimentos torna-se repetitiva e o espectador pode sentir falta de elementos de força do enredo. Além disso, em alguns momentos, paira a dúvida se as personagens não estão se encaminhando para uma planificação. Elas parecem não avançar, principalmente os coadjuvantes. Ana, a mãe das jovens, por exemplo, não esboça força perante a repressão do marido, seja no seu texto ou em sua atuação, deixando-a como uma pessoa passiva, quase uma observadora do sofrimento das filhas. Ainda que ela respeitasse a decisão de Manoel, poderia demonstrar qualquer tipo de sentimento dual ou menos simplificado. Este fator é visto em outras personas também, que quase se transformam meramente em tipos. Contudo, de alguma forma, isto não compromete a totalidade do longa.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11842" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2640127.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Vida Invisível" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2640127.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2640127.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2640127.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Elasticidade temporal e artificialidade</strong>: Ao assistir ao filme, notam-se momentos de “buraco” nas cenas. Inicialmente, a questão parece estar voltada para a atuação, como se os intérpretes deixassem barriga que criam artificialidade no tom das sequências. No entanto, escolhas de direção e montagem poderiam sanar este efeito, com uma maior quantidade de cortes ou enquadramentos que não revelassem os corpos um tanto soltos. Este fator não é algo contínuo, são em alguns momentos, que parecem faltar verdade no que está sendo encenado ali. Um exemplo é a cena do detetive (Flavio Buraqui) com Euridice e existe um desconforto ali, podendo deixar uma sensação de que a equipe possuía uma falta de crença no que estava sendo posto.</p>
<p><strong>Confira o trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/f6tM3lGJRVU" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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