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	<title>Arquivos Felipe Rocha - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Felipe Rocha - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Livro dos Prazeres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Sep 2022 21:24:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A prosa de Clarice Lispector é um desafio para qualquer cineasta que se arrisca adaptá-la para as telas. A autora possui obras de um existencialismo intenso que demandam habilidade na conversão para mídias audiovisuais. A diretora e roteirista Marcela Lordy mergulha nessa corajosa empreitada e é muito bem-sucedida com a versão para as telas de Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, que na versão cinematográfica ganha o título de O Livro dos Prazeres apenas. Com o roteiro escrito em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A prosa de Clarice Lispector é um desafio para qualquer cineasta que se arrisca adaptá-la para as telas. A autora possui obras de um existencialismo intenso que demandam habilidade na conversão para mídias audiovisuais. A diretora e roteirista Marcela Lordy mergulha nessa corajosa empreitada e é muito bem-sucedida com a versão para as telas de Uma Aprendizagem ou <em><strong>O Livro dos Prazeres</strong></em>, que na versão cinematográfica ganha o título de <em>O Livro dos Prazeres</em> apenas.</p>
<p>Com o roteiro escrito em co-autoria com Josefina Trotta, mexendo na medida do necessário na obra original de Lispector, afinal estamos falando de um romance que por mais transgressor que fosse na sua época foi pensado há mais de 50 anos atrás, <strong><em>O Livro dos Prazeres</em></strong> traz a história de Lóri, personagem assumida pela sempre radiante Simone Spoladore, para os nossos tempos. No longa, Lóri é uma professora infantil que se apaixona por um professor universitário de Filosofia, papel do argentino Javier Drolas, mas esbarra na sua própria dificuldade de se entregar a uma relação mais estável e íntima.</p>
<p><em><strong>O Livro dos Prazeres</strong></em> de Marcela Lordy não tem pudores ao abordar de forma extremamente franca a sexualidade feminina. Tampouco de explorar a realização amorosa como uma possibilidade legítima para uma personagem tão transgressora e independente. Lóri opta por preencher sua vida com relações sexuais sem compromisso com desconhecidos e quando não encontra um parceiro, não tem pudores em recorrer à masturbação. Tudo isso é abordado sem condenações pela obra e vivenciado em plenitude pela protagonista. Acontece que a Lóri de <em>O Livro dos Prazeres</em> começa a passar por uma profunda crise existencial, se dando conta de que, naquele estágio da sua vida, isso talvez já não lhe satisfaça por completo ou que talvez precise de um novo componente para que a sua vida sexual volte a fazer sentido. A descoberta do amor de Ulisses acaba sendo um ponto desestabilizador para Lóri.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15917" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM.png" alt="O Livro dos Prazeres" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Marcela Lordy tem uma sensibilidade ímpar para captar a densidade da turbulência de pensamentos e sentimentos que tomam conta da sua protagonista, algo que poderia ser difícil de transpor para as telas. A diretora consegue isso sobretudo por valorizar os recursos dramáticos de sua protagonista, a atriz Simone Spoladore. Como Lóri, Spoladore interpreta uma mulher esquiva, que não gosta de aprofundar suas relações, parecendo estar sempre ausente nos ambientes e nas interações. É interessante que mesmo que Spoladore traga de maneira tão sobressalente esses traços da personagem, em momento algum ela afasta o público da protagonista de<strong><em> O Livro dos Prazeres</em></strong>, a atriz evita torná-la fria a ponto do espectador não conseguir se conectar com Lóri. Fica evidente desde o princípio que apesar de Lóri ser uma personagem tão transgressora, ela é marcada por diversos medos, sobretudo o de se machucar ao se entregar afetivamente, ainda mais que do outro lado da relação está um homem &#8211; e, bem, a história da humanidade depõe muito contra esse tipo de indivíduo.</p>
<p>Em tempos de soft porns que preenchem o tempo de um longa-metragem com um amontoado de cenas de sexo sem vida, <strong><em>O Livro dos Prazeres</em></strong> resolve muito bem esse pudor do cinema com a sexualidade das personagens ao conciliar o afetivo e o carnal no terceiro ato da jornada de Lóri. E mesmo antes dessa catarse final, quando vemos uma protagonista feminina se apresentar na tela para o público através da sua sexualidade com uma economia sensível de diálogos, o longa subverte uma lógica longeva nas narrativas audiovisuais de anular os desejos carnais de mulheres quando toda a história deve conduzir à realização amorosa, assim aprendemos que funciona uma comédia romântica, por exemplo. Amor e sexo parecem não se conciliar na nossa criação ocidental cristã, o cinema, como outros produtos culturais foi reflexo dessa mentalidade por anos. O Livro dos Prazeres desconstrói todos esses paradigmas ao mergulhar com propriedade na complexa teia de anseios da sua protagonista, alguém que, no final das contas, para ser quem se é, não anula seus prazeres ou seus afetos, mas os concilia.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Marcela Lordy</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Simone Spoladore, Javier Drolas, Felipe Rocha, Gabriel Stauffer, Leandra Leal</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6Z6rKY2W2TY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Hebe &#8211; A Estrela do Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Sep 2019 19:28:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Andréa Beltrão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um ano que já nos ofertou a cinebiografia Simonal, sobre o cantor de sucesso que caiu no esquecimento, Hebe &#8211; A Estrela do Brasil chega com a promessa de falar um pouco mais sobre a maior apresentadora brasileira de todos os tempos. O peso da protagonista era grande, mas o diretor Maurício Farias (Vai Que Dá Certo) conseguiu fazer um bom recorte de sua história. Com foco na Hebe Camargo de meia idade que sofria com a intervenção da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em um ano que já nos ofertou a cinebiografia <em>Simonal</em>, sobre o cantor de sucesso que caiu no esquecimento, <strong><em>Hebe &#8211; A Estrela do Brasil</em> </strong>chega com a promessa de falar um pouco mais sobre a maior apresentadora brasileira de todos os tempos. O peso da protagonista era grande, mas o diretor Maurício Farias (<em>Vai Que Dá Certo</em>) conseguiu fazer um bom recorte de sua história.</p>
<p>Com foco na Hebe Camargo de meia idade que sofria com a intervenção da ditadura militar e sua censura, o filme opta por não aprofundar no surgimento dela como apresentadora. Já é fato consumado no início da trama que ela é uma artista que atrai os olhares do telespectador e que tem importância de opinião para o público. Com essa premissa, o que aconteceu no passado é apenas pincelado ao longo da trama. O que é um bom acerto.</p>
<p>A medida que a história vai evoluindo, algumas camadas de Hebe vão sendo mostradas. Seu amor pelo filho e pelo sobrinho, sua relação inconstante com o marido, sua paixão por joias. A autenticidade e personalidade forte permeiam todos os momentos, mostrando que essa irreverência tem um custo, mas que ela está disposta a pagar.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11370" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/3955416.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/3955416.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/3955416.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/3955416.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda assim, o longa também mostra que Hebe, embora bem à frente do seu tempo, se permitia aceitar padrões antigos. Isso fica muito claro no jantar de Natal em que ela recebe Paulo Maluf em sua casa e conta uma piada machista. É como se ela nadasse contra a maré, mas estivesse, invariavelmente, imersa naqueles pensamentos antiquados. O que, na verdade, ajuda a validar toda a sua luta em cena, já que mostra que ela conseguiu pensar fora da caixa, mesmo sem conseguir efetivamente sair da caixa.</p>
<p>O grande trunfo de <strong><em>Hebe &#8211; A Estrela do Brasil </em></strong>é realmente Andréa Beltrão (<em>Albatroz</em>), que tem uma energia magnética em todos os momentos que aparece. É como se a cena trouxesse o foco sempre para ela, ou para Hebe. Essas nuances acabam se misturando a todo momento, o que é uma característica muito positiva. Embora ela faça uma ótima Hebe, consegue manter a sua personalidade e trazer muito de si para a personagem. A dosagem perfeita para uma protagonista deste quilate.</p>
<p>O filme, por conta de seu recorte específico, não deixa espaço para faltas. O espectador mais atento pode perceber que alguns fios ficaram soltos ao longo da trama, mas o objetivo não era de responder todas as questões. Ao que soa, Maurício Farias queria mostrar um momento importante da vida de Hebe Camargo, mostrar sua personalidade, a mulher forte e a representatividade no cenário nacional. E assim foi feito e com maestria.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Maurício Farias<br />
<strong>Elenco:</strong> Andréa Beltrão, Marco Ricca, Danton Mello, Daniel Boaventura, Caio Horowicz, Gabriel Braga Nunes, Stella Miranda, Felipe Rocha, Otávio Augusto, Karine Teles, Ivo Müller</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/-wszp43lfBw" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: La Vingança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Mar 2017 00:19:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Furlan]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Co-produção entre Brasil e Argentina, La Vingança é um longa que tem um objetivo bem claro desde o princípio. Os diretores Fernando Fraiha e Jiddu Pinheiro pretenderam explorar a rivalidade entre brasileiros e argentinos, típica do futebol, no campo amoroso através de uma comédia na estrada com marcações dramáticas típicas do gênero. Ciente de que não dá para esperar nenhuma subversão do formato, o espectador consegue arrancar ao menos uma experiência descompromissada no cinema com La Vingança. A trama do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Co-produção entre Brasil e Argentina, <i>La Vingança </i>é um longa que tem um objetivo bem claro desde o princípio. Os diretores Fernando Fraiha e Jiddu Pinheiro pretenderam explorar a rivalidade entre brasileiros e argentinos, típica do futebol, no campo amoroso através de uma comédia na estrada com marcações dramáticas típicas do gênero. Ciente de que não dá para esperar nenhuma subversão do formato, o espectador consegue arrancar ao menos uma experiência descompromissada no cinema com <i>La Vingança</i>.</p>
</div>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">A trama do filme tem início quando Caco (Felipe Rocha, de <i>Nise: O Coração da Loucura</i>), um dublê de cinema, recebe no seu celular uma mensagem da sua namorada (Leandra Leal, de <i>O Lobo Atrás da Porta</i>) dizendo que tem urgência em vê-lo. Quando finalmente consegue se encontrar com ela, Caco a flagra com um chef de cozinha argentino famoso por sua participação em um <i>reality show</i>. Ele e seu melhor amigo, Vadão (Daniel Furlan, de <i>A Noite da Virada</i>), resolvem partir para a Argentina para que Caco se vingue da traição.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Comparado com outras comédias que possuem pretensões semelhantes, atingir o público mais amplo possível, <i>La Vingança </i>é um produto correto no mercado nacional. O longa possui um roteiro que não cria armadilhas para si com tramas ambiciosas, não possui grandes furos. É certo que apresenta personagens rasos e calcados em estereótipos, mas que também não apresentam nenhuma falha grave em suas representações, fugindo do humor ofensivo e dos lugares que costumam ser reservados a homens e mulheres no tipo de filme que ele é, uma narrativa que conta a história de amigos dispostos a &#8220;enfiar o pé na jaca&#8221; após uma desilusão amorosa.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7488" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/03/35008.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Acontece que isso também não redime <i>La Vingança </i>de certos deslizes. Apesar de Felipe Rocha conseguir fazer de Caco um protagonista crível e eficiente em cena, sempre com um semblante de frustração (a típica <i>persona </i>do <i>looser</i>), Daniel Furlan, seu principal parceiro na aventura <i>on the road</i>, tem uma presença que beira a irritação. Coadjuvante no longa, o personagem de Furlan parece sempre disposto a tomar o protagonismo do seu parceiro de cena se escorando na sua função de alívio cômico do filme o tempo inteiro, algo que jamais funciona tendo em vista que o ator tem um <i>timing </i>cômico questionável e cansa o espectador com sua verborragia inquieta e difícil de acompanhar.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Com participações de Leandra Leal e das argentinas Ana Pauls (<i>O Médico Alemão</i>) e  Aylin Prandi (<i>Gianni e le donne</i>), <i>La Vingança </i>rende uma sessão inofensiva ao público. E em se tratando de tempos nos quais alguns realizadores cinematográficos acreditam que para fazer comédia popular é necessário apelar para todo tipo de grosseria isso é muito.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p class="separator" style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ugiJUANH5RE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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