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	<title>Arquivos Dev Patel - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Dev Patel - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Fúria Primitiva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 May 2024 12:47:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enfim chegou o dia do público conhecer outra faceta de Dev Patel (A Lenda do Cavaleiro Verde, de 2021, e A Incrível História de Henry Sugar, de 20233). Fúria Primitiva marca a estreia do artista britânico como diretor e roteirista de um longa-metragem e ele não poderia ter tido um primeiro projeto mais interessante. Com estreia marcada nos cinemas brasileiros para esta quinta-feira (23), o longa de Patel é uma feliz prova do seu talento para além da arte da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Enfim chegou o dia do público conhecer outra faceta de Dev Patel (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-lenda-do-cavaleiro-verde-prime-video/"><em>A Lenda do Cavaleiro Verde</em></a>, de 2021, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-incrivel-historia-de-henry-sugar-netflix/"><em>A Incrível História de Henry Sugar</em></a>, de 20233). <strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> marca a estreia do artista britânico como diretor e roteirista de um longa-metragem e ele não poderia ter tido um primeiro projeto mais interessante. Com estreia marcada nos cinemas brasileiros para esta quinta-feira (23), o longa de Patel é uma feliz prova do seu talento para além da arte da interpretação.</p>
<p><strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> é uma eletrizante história de vingança repleta de camadas sociais e políticas costuradas por sua narrativa. O roteiro, que vem de uma história de Patel, foi co-escrito por ele, Paul Angunawela e John Collee. O trio de roteiristas conseguiu desenhar um texto denso, potente e representativo. Ainda que seu foco seja na busca pela vingança do personagem principal, o roteiro consegue amarrar pontos relevantes da política na Índia.</p>
<p>Sem desmerecer os dilemas sociais e políticos do país, a narrativa tem uma clara missão de ser uma espécie de <em>John Wick (2013-)</em> com camadas mais trabalhadas. Não só pela presença dos elementos de ação, luta e dinâmica do filme, mas <strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> instiga o público a acompanhar uma motivação muito similar. Esse desejo inato e um tanto selvagem de fazer justiça com as próprias mãos ressoa em ambas produções &#8211; ainda que no longa de Patel venha coberto com contextos que dialogam com problemas reais do país.</p>
<p>Ao trazer elementos similares aos da franquia estrelada por Keanu Reeves (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-john-wick-4-baba-yaga/"><em>John Wick 4: Baba Yaga</em></a>, de 2023), <strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> abraça o público de ação, ao mesmo tempo em que desenha uma trama que permite um mergulho um pouco mais profundo nas motivações dessa vingança. A jornada do personagem principal até se tornar o verdadeiro <strong><em>Monkey Man</em></strong> (título original) vai além de ser apenas um produto da violência que lhe foi afligida. As vidas que esbarram na dele constroem mais e mais camadas para elevar sua narrativa justamente por ressoarem nele e em sua constante evolução.</p>
<figure id="attachment_18148" aria-describedby="caption-attachment-18148" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-18148" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furia-Primitiva-2-750x500.jpg" alt="Fúria Primitiva (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furia-Primitiva-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furia-Primitiva-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furia-Primitiva-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furia-Primitiva-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furia-Primitiva-2.jpg 1013w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18148" class="wp-caption-text">Dev Patel em cena de &#8216;Fúria Primitiva&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p>Regado de cultura e ancestralidade, o desenho dessa jornada do herói (não tão heroica assim) é estrelado por ninguém mais, ninguém menos que o próprio Dev Patel. Assim como diretores a exemplo de Clint Eastwood (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cry-macho-o-caminho-para-a-redencao/"><em>Cry Macho: O Caminho para a Redenção</em></a>, de 2021), o ator e cineasta britânico se divide bem entre o papel da direção e da interpretação. Na verdade, ele consegue ir além. Ele é o filme em todos os níveis que se pode imaginar. <strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> é potente, lindamente doloroso e verdadeiro graças ao desempenho total de Patel.</p>
<p>Todas essas forças narrativas, de produção e contextos são envelopadas com uma visualidade bem interessante. O trabalho da arte e da fotografia são claros diferenciais na produção. Há uma preocupação em desenhar essas cores, dores e amores que revestem a história. Existe um coração que pulsa nessa produção e isso é arrebatador. Não há como o espectador sentar em uma poltrona de cinema e passar por uma sessão de <strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> sem perceber essa potência de talento, representação e profundidade.</p>
<p>Para completar esse envelopamento que, por si só, já chama atenção, o filme ainda é co-produzido pela Monkeypaw Productions, do ilustre Jordan Peele (<em>Não! Não Olhe!</em>, de 2022). Assim, a chancela de qualidade só aumenta e cria ainda mais expectativas no público. Nesse caso, para a alegria dos investidores e de quem vai assistir, essas impressões criadas sobre o filme serão realizadas com louvor. Dev Patel, em seu longa de estreia, conseguiu entregar um clássico arco de jornada do herói bem desenhado, dirigido e executado. <strong><em>Fúria Primitiva</em></strong> é tudo o que se esperava e falava &#8211; e muito mais.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Dev Patel</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Dev Patel, Sharlto Copley, Pitobash, Vipin Sharma, Sikandar Kher, Adithi Kalkunte, Sobhita Dhulipala, Ashwini Kalsekar, Makarand Deshpande, Jatin Malik e Zakir Hussain</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/en_RsIqMxtA?si=qVi-WCxTcQu6ZHuQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Incrível História de Henry Sugar (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Feb 2024 17:46:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Baseando-se no conto homônimo de Roald Dahl, o cineasta Wes Anderson (Asteroid City) chega à Netflix com uma adaptação coesa e vibrante. A Incrível História de Henry Sugar tem todos os traços estilísticos de Anderson, desde a paleta de cores marcadas pelos tons pastéis ou as atuações não convencionais – com certa imobilidade corporal e expressões faciais quase passivas, que se apegam ao colorido tonal da voz –, mas há também espaço para a personalidade da literatura de Dahl, cheia de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Baseando-se no conto homônimo de Roald Dahl, o cineasta Wes Anderson (</span><i><span style="font-weight: 400;">Asteroid City</span></i><span style="font-weight: 400;">) chega à Netflix com uma adaptação coesa e vibrante. <strong><i>A Incrível História de Henry Sugar</i></strong></span><span style="font-weight: 400;"> tem todos os traços estilísticos de Anderson, desde a paleta de cores marcadas pelos tons pastéis ou as atuações não convencionais – com certa imobilidade corporal e expressões faciais quase passivas, que se apegam ao colorido tonal da voz –, mas há também espaço para a personalidade da literatura de Dahl, cheia de fantasias e um toque mágico ou quase mágico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É por isso que, aqui, o trabalho de Wes se destaca,  e por dois motivos. O primeiro é o seu roteiro, que consegue se apropriar do mundo ficcional de Dahl e transmitir todos os detalhes de uma história complexa com precisão e nitidez. Através dos relatos das personagens, o espectador vai imergindo na trama, juntando os pedaços das informações, que são entregues progressivamente. Mas, esta conexão do público com o enredo também se dá na própria dinâmica de trabalho criativo de Wes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E aí é que está o segundo destaque da obra! Através de elementos marcantes da visualidade “Wesandersoniana”, o mundo literário parece saltar da tela, como se quem assiste estivesse virando as páginas de um livro ilustrado. Nesta lógica, a escolha da razão de aspecto 4:3 e o fato dos intérpretes olharem para a câmera na maioria dos momentos elevam essa sensação. A centralização das personagens em sequências de viradas, pequenas ou grandes, também é uma forma de direcionar o olhar da plateia durante a exibição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, há uma genialidade de Wes neste seu média-metragem, porque o diretor consegue transformar as palavras de Roald em imagem, mantendo sua linguagem e prendendo a atenção de seu público. Essa triangulação não é fácil, muito menos a precisão de passar texto escrito para tela seja necessário. No entanto, Anderson o faz em seu novo filme e mostra destreza e confiança ao realizar seu intento. De certo, a seleção do conto a ser adaptado também foi inteligente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em algumas produções recentes de Wes, a sua forma de manejar a narrativa soa forçada, quase que como se a narrativa estivesse à serviço do processo criativo do autor e não o contrário. Contudo, em Henry Sugar tudo se encaixa, não apenas nas escolhas da direção, mas também nos outros setores da técnica. Para que essa combinação visual e textual (falada) funcionasse, Wes Anderson garantiu, mais uma vez, uma boa equipe nos bastidores. </span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17721" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-5.png" alt="A Incrível História de Henry Sugar" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-5.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-5-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-5-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-5-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A quantidade de integrantes que trabalha na arte do média é imensa. O design de produção é assinado por Adam Stockhausen (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Hotel Budapeste</span></i><span style="font-weight: 400;">), que é quem geralmente comanda a função nos filmes de Anderson. Já a direção de arte é encabeçada por Claire Peerless (</span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Policia</span></i><span style="font-weight: 400;">l) e Richard Hardy (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Bela e a Fera</span></i><span style="font-weight: 400;">). O figurino está nas mãos de Kasia Walicka Maimone (</span><i><span style="font-weight: 400;">Capote</span></i><span style="font-weight: 400;">). Já a maquiagem é realizada por uma extensa lista de profissionais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda esta listagem aparece nesta crítica para dizer que além de ser meticuloso, este setor do filme conta com uma boa quantidade de membros também. Números altos não significam sempre qualidade, porém em </span><i><span style="font-weight: 400;">Henry Sugar</span></i><span style="font-weight: 400;"> este é o caso. A cenografia dialoga com a direção de fotografia, que é uma parceria fundamental para que a construção de sentido seja não apenas eficaz, mas que funcione visualmente, para além do desejo de imprimir camadas narrativas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, cada mudança de cenário é equilibrada ou acentuada pela temperatura. Um exemplo é a sequência do hospital, na qual se tem uma impressão imediata de luz estourada. Todavia, aos poucos, é trazida a informação sobre a personagem do Ben Kingsley que faz com que o uso dos tons dos figurinos e do espaço sejam compreendidos em sua totalidade. Além desta construção imagética bem feita, o elenco (super experiente, é bem verdade) dá conta de uma história que poderia levar as atuações para o caricato exagerado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, seja difícil explicar que há certa caricatura dentro desta obra, mas não é algo histriônico, que desconecte o indivíduo de sua espectatorialidade. É mais um uso de arquétipos visuais – algo recorrente nos filmes de Wes – do que uma ausência de elaboração de camadas de complexidades. Assim,</span><strong><i> A Incrível História de Henry Sugar</i></strong><span style="font-weight: 400;"> é uma sessão prazerosa, que gera curiosidade, pela própria ideia criada por Dahl, mas que também tem seus elementos instigantes fomentados por Anderson. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre todos os acertos, a única questão que incomoda são as reiterações em certas falas do roteiro. Esta característica demonstra que o espectador está sendo um pouco subestimado. De longe, não é algo que compromete o resultado total, mas diminui, de certo, a qualidade geral. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Wes Anderson</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Benedict Cumberbatch, Ralph Fiennes, Dev Patel, Ben Kingsley</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/eSvYMo_D-eM?si=5YgjLcHTLWZGHA_H" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Lenda do Cavaleiro Verde (Prime Video)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jan 2022 19:03:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com uma indústria incerta sobre seus próprios rumos (a grande pergunta a ser respondida na década é: qual o futuro do cinema? &#8211; sobretudo com o streaming), uma empresa que segue apostando em obras ambiciosas e autorais como a A24 passa a ser uma espécie de oásis para a geração cinéfila do nosso tempo. Dali saíram filmes cultuados, sobretudo do gênero horror, como A Bruxa e Hereditário. Esta reverência quase que religiosa da cinefilia com o estúdio por vezes não [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com uma indústria incerta sobre seus próprios rumos (a grande pergunta a ser respondida na década é: qual o futuro do cinema? &#8211; sobretudo com o streaming), uma empresa que segue apostando em obras ambiciosas e autorais como a A24 passa a ser uma espécie de oásis para a geração cinéfila do nosso tempo. Dali saíram filmes cultuados, sobretudo do gênero horror, como A Bruxa e Hereditário. Esta reverência quase que religiosa da cinefilia com o estúdio por vezes não corresponde aos seus filmes. Em algumas situações, a A24 vira uma espécie de grife que torna exagerada a aclamação de alguns dos seus títulos. Particularmente, acredito que esse seja o caso de <em><strong>A Lenda do Cavaleiro Verde</strong></em> do diretor David Lowery, cuja projeção com Sombras da Vida de 2017 foi na própria A24.</p>
<p><em><strong>A Lenda do Cavaleiro Verde</strong></em> é um conto fantástico medieval sobre um cavaleiro interpretado por Dev Patel. O protagonista aceita o desafio de um duelo com uma criatura que invade o seu reino e lhe propõe revanche um ano depois. Quando o lapso temporal chega ao fim, o herói parte em uma jornada rumo ao seu destino e se depara com algumas situações que lhe colocam à prova.</p>
<p>O longa de Lowery tem uma atmosfera e uma estética que camuflam suas faltas como narrativa. O filme apresenta um protagonista com motivações vagas para empreender a jornada que participa, ainda que conte com um Dev Patel empenhado em transmitir alguma emoção na tela. Há em <strong><em>A Lenda do Cavaleiro Verde</em></strong> um excessivo compromisso estético de Lowery, que não se contenta com o clássico, deseja fazer uma obra arrojada como projeto artístico. Na maioria das vezes, isso deixa a história do filme travada e arrastada, refém de inúmeras divagações, reticências e metáforas visuais do diretor. No lugar de desenvolver a história e suas personagens, Lowery tenta o tempo inteiro superar o brilhantismo de um plano ou movimento de câmera anterior e isso faz de A Lenda do Cavaleiro Verde um filme incomodamente autoindulgente.</p>
<p>No seu desfecho, <em><strong>A Lenda do Cavaleiro Verde</strong> </em>compensa algumas faltas tornando mais forte a grande moral do seu conto, trazer uma história sobre honra e sobre o trágico fantasma do arrependimento. No entanto, isso é posto nos vinte minutos finais do filme, demonstrando que as arrastadas duas horas e cindo minutos de duração poderiam ser satisfatoriamente transformadas em um curta caso seu diretor tivesse mais preocupação com a experiência do público, mas sobretudo com a história que está sendo contada.</p>
<p><strong>Direção:</strong> David Lowery</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Dev Patel, Alicia Vikander, Joel Edgerton, Sarita Choudhury, Barry Keoghan, Sean Harris</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/lC_FxxizKlI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Lion &#8211; Uma Jornada para Casa</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-lion-uma-jornada-para-casa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Feb 2017 23:34:17 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Sunny Pawar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com apenas cinco anos de idade, o pequeno Saroo perdeu-se de seu irmão mais velho em uma estação de trem de Calcutá. Sem saber a localização precisa da sua casa, o menino perambulou pelas ruas da Índia sem destino certo até ser adotado por um abastado casal de australianos, Sue e John Brierley. Quando completou 25 anos de idade, mesmo com todo o conforto e afeto que encontrou no lar dos Brierley, Saroo passa a ser tomado pelo desejo de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com apenas cinco anos de idade, o pequeno Saroo perdeu-se de seu irmão mais velho em uma estação de trem de Calcutá. Sem saber a localização precisa da sua casa, o menino perambulou pelas ruas da Índia sem destino certo até ser adotado por um abastado casal de australianos, Sue e John Brierley. Quando completou 25 anos de idade, mesmo com todo o conforto e afeto que encontrou no lar dos Brierley, Saroo passa a ser tomado pelo desejo de reencontrar a família biológica, retomando uma jornada que na verdade nunca fora interrompida pois as imagens da sua infância difícil volta e meia surgiam na vida do rapaz.</p>
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<p>Toda a trajetória do protagonista de <i>Lion: Uma Jornada para Casa </i>é baseada em fatos reais e funciona como um rolo compressor de emoções. O relato da infância de Saroo Brierley possui uma força emocional que não precisaria de muitos esforços para arrancar lágrimas do mais resistente e amargo dos espectadores. Graças a sensibilidade do diretor estreante em longas Garth Davis, <i>Lion </i>não é apelativo, pelo contrário. Do início ao fim, Davis tem plena segurança do poder da sua história e do seu protagonista, se agarra nele com unhas e dentes  e com tamanho respeito que evita qualquer produção artificial de emoção ao longo da narrativa, deixando que a conexão genuína de afeto entre seus personagens (Saroo e seu irmão, ele e suas mães biológica e adotiva) dê o tom desejado no filme. Isso tudo dá a <i>Lion </i>a comunicação com o público que o filme sempre buscou e que não pode ser encarado como demérito: emocionar o público. É emoção genuína que <i>Lion </i>almeja e é isso que ele consegue.</p>
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<p>Descoberto por Jane Campion (diretora de <i>O Piano</i>), Garth Davis foi seu pupilo em alguns episódios da sua série <i>Top of the Lake</i>. Lá, o diretor já demonstrava manejar com destreza um tema delicado como a pedofilia, que exigiu de Davis ser incisivo com a questão sem ser sensacionalista. Aqui, Davis consegue efeito semelhante trazendo para o espectador a história de um menino vivendo em extrema pobreza, perdido da sua família e posteriormente, já adulto, tentando reencontrá-la. Da poderosa primeira hora do filme, dominada pela revelação Sunny Pawar (o pequeno Saroo), à segunda parte do longa, assumida por Dev Patel (de <i>Quem quer ser um Milionário?</i>, o Saroo adulto), Davis demonstra saber o momento certo em que deve estimular sua cartela de emoções no espectador e quando deve sair de cena, deixando que seu elenco e a poética fotografia de Greig Fraser (de <i>Foxcatcher) </i>assuma a condução da jornada de Saroo. Há ênfase na emoção? Claro que há. Seria estranho inclusive que Davis conduzisse com distância emocional a história do seu protagonista (seria desrespeitoso com a mesma até). Contudo, nada disso faz com que o realizador transforme <i>Lion </i>em um melodrama barato.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7387" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/02/534286-lion-poster.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
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<p>A primeira hora de <i>Lion</i>, ambientada nas ruas de Calcutá,<i> </i>é inegavelmente mais poderosa e visualmente estimulante para Davis e sua equipe. O longa não procura nesse momento estetizar o lado mais pobre da Índia, mas o apresenta na perspectiva do olhar curioso e assustado de uma criança para todo aquele contexto em que é subitamente jogado. Na segunda hora, ainda que perca um pouco do viço incial ao mudar para os ares australianos, <i>Lion </i>demonstra outras qualidades. Aqui, um dos aspectos mais positivos do filme é a maneira como lida com o tema da adoção. Desmistificando visões românticas acerca da questão, Davis consegue mostrar a dificuldade de adaptação de Saroo e, mais gravemente, seu irmão Mantosh, também adotado, à nova vida, salientando que mesmo com todo o carinho dos Brierley ambos ficarão marcados e serão assombrados por toda as dificuldades que passaram. Nesse momento do filme, tanto Dev Patel, quanto Nicole Kidman, que interpreta Sue Brierley, a mãe adotiva de Saroo, são fundamentais para Davis conseguir conduzir estas questões. Patel evidencia em momentos singelos como as imagens da infância difícil de Saroo o tomam de assalto nas situações mais triviais que possam evocá-las, como quando se depara com uma iguaria indiana que nunca tivera a oportunidade de experimentar quando criança, já Kidman torna sua Sue uma das figuras mais calorosas de todo o filme.</p>
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<p>Ainda que encontre na segunda parte do longa alguns &#8220;calcanhares de Aquiles&#8221;, representado pelo uso duvidoso que faz do Google Earth (e ainda assim podemos dar um desconto, afinal, quantas vezes vemos os personagens  de outros filmes usaram equipamentos da Sony ou da Apple e ninguém saiu reclamando?) e por uma certa prolongada no roteiro, nada retira o impacto do desfecho de <i>Lion</i>, que sintetiza em um catártico registro real os sentimentos que governam o longa e aqueles que o realizaram e viveram aquela história de fato. Com muita simplicidade, <i>Lion </i>demonstra a forte conexão que uniu realidades aparentemente desconexas mas que convergiram por força de sentimentos bastante nobres e humanos. Ao final de <i>Lion </i>você só sente admiração e afeto por Saroo, por suas mães Sue e Kamla e por suas respectivas jornadas que nos remetem a olhares positivos sobre a existência humana. O cinema está ai para problematizar o mundo e expor com criticidade suas incoerências, mas também nos mostrar o que existe de mais bonito entre nós. <i>Lion </i>está ai pela segunda missão.</p>
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<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/R08HjFmDa3A" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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