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	<title>Arquivos Cinema - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Cinema - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Diabo Veste Prada 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 13:32:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pisar num terreno que fez tanto sucesso no passado não é fácil. A decisão de voltar com esse filme 20 anos depois do marco icônico que foi o primeiro longa foi uma escolha corajosa, para dizer o mínimo. Mas afinal, tinha como O Diabo Veste Prada 2 dar errado mesmo trazendo todo o elenco principal original? Até tinha como ficar ruim, mas já adianto que isso não aconteceu. O filme é, sim, muito divertido e cheio de escolhas acertadas. O [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Pisar num terreno que fez tanto sucesso no passado não é fácil. A decisão de voltar com esse filme 20 anos depois do marco icônico que foi o primeiro longa foi uma escolha corajosa, para dizer o mínimo. Mas afinal, tinha como<strong><em> O Diabo Veste Prada 2</em></strong> dar errado mesmo trazendo todo o elenco principal original?</p>
<p>Até tinha como ficar ruim, mas já adianto que isso não aconteceu. O filme é, sim, muito divertido e cheio de escolhas acertadas. O que é um grande bálsamo para os fãs mais fervorosos, como essa jornalista que aqui escreve. Andy Sachs (Anne Hathaway) passou anos vivendo o seu sonho de escrever histórias relevantes, política, economia, sociedade. Ela é uma jornalista renomada e reconhecida pelo seu trabalho investigativo. Mas nem isso a consegue blindar do trator que é o capitalismo e a necessidade constante de “cortar os custos”.</p>
<p>Os tempos são outros e essa nova realidade de inteligência artificial, produções online e rapidez líquida fez com que o jornalismo de verdade, aquele que tem tempo de pesquisar, entrevistar, fosse colocado em segundo plano. São tempos incertos. Inclusive para Miranda Priestly (Meryl Streep), que do outro lado da moeda, sofre as consequências do trabalho mal feito de sua equipe jornalística, o que pode levar ao seu declínio do topo da Runway (que a essa altura já se tornou uma revista muito mais on-line).</p>
<p>Em meio a essas nuances de cada personagem, o reencontro acontece através da necessidade de ambas. Cada uma de uma ponta, convergindo com o mesmo propósito.</p>
<p>É curioso perceber como mesmo depois de tantos anos, Andy ainda fica nervosa e insegura ao lado de Miranda. É como se ela ativasse aquela jornalista recém formada lá do começo, que tinha que se provar o tempo todo. Ela precisa ser constantemente lembrada que ela ocupa, hoje, um outro espaço e uma outra posição.</p>
<p>Já Miranda segue com a sua personalidade altiva, mas sendo convocada o tempo todo a acessar momentos de mais humanidade. Ela entende (ou é forcada a entender) que o topo é solitário, mas não precisa necessariamente ser. Que por mais que ela esteja sempre jogando com as peças deste quebra-cabeça que é comandar uma revista que dita a moda do mundo todo, o tabuleiro pode contar com outros jogadores.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-20638" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image.png" alt="O Diabo Veste Prada 2" width="751" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image.png 751w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 751px) 100vw, 751px" /></p>
<p>Minha preocupação com o trailer, onde achei as personagens muito caricatas, por sorte não se confirmou. O roteiro não foi para o caminho de exploração até a última gota de quem é Miranda Priestly e sua indiferença com o próximo. E claro que Meryl Streep faz toda a diferença neste quesito, mas acredito que podemos colocar o resultado nas costas do diretor David Frankel, responsável também pelo primeiro longa.</p>
<p>Aqui em<em><strong> O Diabo Veste Prada 2</strong> </em>a rivalidade feminina é substituída por uma parceria construída de maneira muito natural. As personagens entendem que precisam convergir no mesmo propósito, já que o “universo” (leia-se aqui “capitalismo masculino”) não está disposto a isso.</p>
<p>Mesmo assim, ainda temos a rivalidade feminina apresentada, mas muito mais como um resquício de vingança ou uma necessidade de se provar suficiente pelo passado que viveu ali naquele espaço. Fico triste apenas que o roteiro quis redimir essa personagem no final, completamente sem necessidade. Era melhor ter assumido o seu lado vingativo e seguido com isso.</p>
<p>Para a dupla principal, vemos outras facetas de suas personalidades. Existe uma profundidade maior das personagens, uma exploração mais detalhada de quem cada uma é.</p>
<p>É uma mudança que eu achei legal foi Miranda estar num casamento bacana e amoroso, com um cara que entende a sua posição, enquanto Andy está solteira, mas sem a necessidade de busca pelo masculino. Ela está bem, feliz, completa, sem aquele ar de demanda de relacionamento, mas também sem a sombra da solidão. Isso vai de encontro com o machismo habitual de alguns roteiros, o que é ótimo!</p>
<p>O filme também é um grande serviço para os fãs do primeiro. Ele bebe da mesma fonte, traz milhares de referências claras (e outras sutis), mas sem deixar de lado uma personalidade muito própria. <em><strong>O Diabo Veste Prada 2</strong> </em>é uma grata surpresa em uma época que as continuações tardias são tão rasas e sem propósito. O longa entrega excelentes atuações, uma história legal, nostalgia, looks incríveis e uma leveza necessária. Vale muito a pena!</p>
<p><strong>Direção:</strong> David Frankel</p>
<p><strong>Roteiro:</strong> Aline Brosh McKenna</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci, Kenneth Branagh, Lucy Liu, Simone Ashley, Justin Theroux</p>
<p>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/r3_gZDsy1iQ?si=4JfTUyL0iCtK7tJB" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>15ª edição do Festival Olhar de Cinema abre inscrições</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 18:15:53 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[15º Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Gonçalves Jr]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Até o dia 26 de fevereiro, cineastas do mundo inteiro podem se inscrever em um dos festivais mais renomados do Brasil, o Olhar de Cinema. O evento, que ocorre na cidade de de Curitiba, faz a chamada para produções que desejam participar das mostras competitivas do Olhar, através do site: www.olhardecinema.com.br . Longas e curtas-metragens inéditos no países são bem-vindos e estão aptos a participar do intento, sem restrições contra gêneros ou tipologias cinematográficas. Além da categoria de competição, são [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Até o dia 26 de fevereiro, cineastas do mundo inteiro podem se inscrever em um dos festivais mais renomados do Brasil, o Olhar de Cinema. O evento, que ocorre na cidade de de Curitiba, faz a chamada para produções que desejam participar das mostras competitivas do Olhar, através do site:<a href="http://www.olhardecinema.com.br"> www.olhardecinema.com.br</a> . Longas e curtas-metragens inéditos no países são bem-vindos e estão aptos a participar do intento, sem restrições contra gêneros ou tipologias cinematográficas.</p>
<p>Além da categoria de competição, são escolhidas obras para integrarem as sessões de abertura e encerramento, além das mostras Exibições Especiais, que destaca o cinema mundial e também filmes brasileiros não inéditos; a Novos Olhares, dedicada a filmes com diferentes e inventivas propostas estéticas; a Mirada Paranaense, voltada a cineastas paranaenses e filmes feitos no Paraná; Olhar Retrospectivo, que destaca um grande nome do cinema mundial e algumas de suas produções; a Olhares Clássicos, com um panorama de obras que marcaram a história do cinema e a Mostra Pequenos Olhares, com filmes direcionados ao público infantil.</p>
<p>O festival acontece entre os dias 04 a 13 de junho, em diversas salas de projeção curitibanas, como as do Cine Passeio, do Cine Guarani, da Cinemateca de Curitiba, entre outras. De acordo com dados da produção do Olhar, em 2025, aconteceram 120 sessões, com um número superior a 32 mil pessoas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Serviço</strong>:</p>
<p>Inscrições 15º Olhar de Cinema &#8211; Festival Internacional de Curitiba</p>
<p><strong>Inscrições</strong>: até 26 de fevereiro</p>
<p>Onde: www.olhardecinema.com.br<br />
15º Olhar de Cinema &#8211; Festival Internacional de Curitiba<br />
<strong>Quando</strong>: 4 a 13 de junho</p>
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		<title>Crítica: Nada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Aug 2025 16:38:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em meio ao silêncio e à memória, Adriano Guimarães (Filme Ensaio) entrega um longa-metragem contemplativo e introspectivo. Essa escolha de roteiro e direção causam um espaço para o que espectador reflita profundamente sobre a narrativa. No entanto, apesar de uma boa intenção da produção, a sutileza que ele parece propor se esvai na artificialidade da encenação. Este filme é uma adaptação da peça homônima e diversos elementos da mesma parecem ter vazado para o longa. Esta que vos escreve não [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em meio ao silêncio e à memória, Adriano Guimarães (<em>Filme Ensaio</em>) entrega um longa-metragem contemplativo e introspectivo. Essa escolha de roteiro e direção causam um espaço para o que espectador reflita profundamente sobre a narrativa. No entanto, apesar de uma boa intenção da produção, a sutileza que ele parece propor se esvai na artificialidade da encenação. Este filme é uma adaptação da peça homônima e diversos elementos da mesma parecem ter vazado para o longa. Esta que vos escreve não gosta de usar a frase &#8220;é muito teatral&#8221;, porque isso pode ser um fator positivo. Mas, nesta obra, esta característica chega negativa.</p>
<p>Como imprimir suavidade com atuações exageradas e diálogos artificiais? O roteiro de Emanuel Aragão (<em>Minha Vida em marte</em>) falha é reproduzir o realismo necessário para a composição estética e as sensações que a produção precisa convocar. Enquanto a fotografia de André Carvalheira (<em>Capitão Astúcia</em>) é profunda e elegante, o texto e a mise-en-scène entregam demais. Ou melhor, a mais. Neste sentido, os deslocamentos do elenco deveriam ser menos marcados. Falta fluidez nestas movimentações. É por isso que <em>Nada</em> ganha bastante quando os planos são mais longos e as personagens estão paradas.</p>
<p>Ao mesmo tempo, Bel Kowarick (Ana) e Denise Stutz (Tereza) viram presenças difíceis na tela, principalmente Bel, que possui mais falas. Para que algo tenha ritmo é necessário que se proponha uma variação de velocidades. O elenco do longa f-a-l-a t-u-d-o c-o-m p-a-u-s-a-s. Quando tudo é frisado, tudo deixa de chamar atenção. É por esta razão, principalmente, que a sessão se transforma em exaustiva e sacal. As expressões faciais fomentam essa sensação, deixando um desejo de observar mais delicadeza nessas composições. Há uma ausência também de realocar toda essa força na elaboração das irmãs Ana e Teresa.</p>
<p>Apesar do distanciamento da dupla, cenas podem ser construídas através de um jogo cênico entre intérpretes. As atuações parecem todas individualizadas, solitárias, sem uma dinâmica mais pensada de contracena. E onde que o teatral entra nisso tudo? Justamente no uso equivocado do aumento de gestos e da intensidade dos deslocamentos. A câmera capta tudo!! Não é necessário que se faça força para que a  &#8220;senhorinha lá do fundo da plateia&#8221; veja. Falta aqui toda a suavidade que é imposta pelo silêncio e pelas temperaturas usadas no filme. E que é importante destacar como fator positivo neste contexto.</p>
<p>A mescla de cores terrosas com ciano embalam o público nessa melancolia aterrada, de quem é afetado por lembranças, como em um rito fantasmagórico. Essa construção de sentido da luz e das tonalidades, misturada com a decupagem de Guimarães, estabelecem certo clima de terror, de medo pelo o que foi e pelo que virá, como acontece na vida, porém aqui com uma duração estendida, para que o pensamento corra no caminho das profundezas reflexivas da alma. É uma pena que toda essa ambientação seja interrompida pelo exagero dos outros quesitos da obra. Mas, ainda há mais um ponto positivo em <em>Nada</em>.</p>
<p>A estratégia de emular um documentário é uma boa ideia, porque cria respiros para a plateia e eleva a geração de sentido. Além das personagens que aparecem nestes trechos terem uma prosódia com maior fluidez, a lógica de relato aproxima quem assiste do que está sendo contado, contribuindo para um conteúdo com um resultado mais relacional. Por isso, à medida que a história avança, uma aproximação é criada, melhorando a qualidade da sessão. Ainda assim, é difícil avaliar <em>Nada</em>. Enquanto existe uma premissa relevante e um desejo iminente de criar uma suspensão com silêncios perturbadores, falta trama aqui.</p>
<p>Consequentemente, falta jornada do herói e desenlace. Ao final da projeção há uma percepção de que o tempo se foi e não houve investigação. Os fatos são postos, porém não são explorados. Adriano Guimarães revela um talento bruto, mas ele necessita olhar mais para os recursos cinematográficos de encenação e da linguagem do cinema.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção</strong>: Adriano Guimarães</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Bel Kowarick, Denise Stutz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="Nada | trailer oficial | 31 de julho nos cinemas" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/jcrCwZL-lWY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>36º Kinoforum: O medo tá foda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Jul 2025 14:39:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No novo curta-metragem de Esaú Pereira (AoMar), o espectador se depara com um mundo distópico, cheio de metáforas, angústias e libertações sobre o sistema e uma pitada de poesia. De maneira geral, a produção satisfaz a fruição do espectador, pela beleza imagética dos quadros. Com cores que mesclam temperaturas pastéis, com pontos específicos de tons escuros, há um equilíbrio visual, que se destaca por emitir uma força junto com a suavidade. Esta sensação está quase posta também pelo discurso, que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No novo curta-metragem de Esaú Pereira (<em>AoMar</em>), o espectador se depara com um mundo distópico, cheio de metáforas, angústias e libertações sobre o sistema e uma pitada de poesia. De maneira geral, a produção satisfaz a fruição do espectador, pela beleza imagética dos quadros. Com cores que mesclam temperaturas pastéis, com pontos específicos de tons escuros, há um equilíbrio visual, que se destaca por emitir uma força junto com a suavidade. Esta sensação está quase posta também pelo discurso, que é direto e subtextual, ao mesmo tempo. Neste sentido, Esaú sabe como elaborar complexidade para sua trama. Todavia, falta amarrar toda essa profundidade em um caminho mais coeso.</p>
<p>Quando o público terminar a sessão, talvez sinta essa ausência de conclusão da argumentação central. O objetivo do herói é alcançado, porém apenas enquanto ação. Porque existe uma tentativa de criticar as modalidades opressoras do patriarcado branco e rico dentro do roteiro. Através de uma metáfora na qual os seres do planeta são figuras habitadas por coisas &#8211; borboletas ou os cosmos, por exemplo -, esses elementos convocam sensações nas personagens, que se portam como inquietas e com um desejo de transformar a realidade na qual vivem. No entanto, qual seria essa experiência que eles rejeitam de fato? Esse ponto não é tocado diretamente e somente paira no ar, como uma indicação de perturbação e medo.</p>
<p>Além disso, todos vivem em um deserto, seco e permeado de calor. Revo, papel principal na trama, foge o tempo inteiro de uma organização que controla a população daquele Universo. Contudo, o que há por trás de toda a situação vivida por Revo não é investigada e explorada com maior propriedade. Falta aqui menos introdução de elementos e mais observação e tempo para tratar daquelas inserções. Há muito mistério e momentos bonitos, mas sem o desenvolvimento necessário para que, ao final da projeção, esses pontos colocados na narrativa se conectem e criem um significado tão plural e relevante quanto as imagens feitas por Esaú.</p>
<p>Assim, enxugar alguns encontros também poderia ser uma solução ou revisitar os diálogos, transformando em um fomento maior do que está sendo defendido na produção. Um produto midiático pode ser despretensioso, simples e tratar de questões triviais. No entanto, é preciso compreender que todo cenário é construído para emitir sentido e em O medo tá foda a plateia encontra uma conversa entre Revo e as pessoas que ele encontra no caminho, que parecem ser com quem assiste, porém são apenas introduções. A cada passagem algo é trazido, impresso na tela e nos corações do receptor, porém esse &#8220;algo&#8221; é interrompido, a todo instante, para que Revo siga seu caminho.</p>
<p>Desta maneira, o curta não completa seu ciclo com plenitude, mas, ainda assim é uma animação que consegue emocionar em alguns momentos e que encanta pelas visualidades que traz em sua encenação. Falta um tanto de amadurecimento para Esaú Pereira, porém parece estar em um bom caminho.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Esaú Pereira</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Mateus Honori, Mateus Franklin, Maria Adelino e Bruno Paes</p>
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		<title>Crítica: June e John</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jun 2025 23:49:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Luc Besson é um realizador corajoso, ousado e, às vezes, até disruptivo. Em títulos como O profissional (1994), O quinto elemento (1997), Lucy (2014) ou até mesmo no clipe Love Profusion, da Madonna, Besson explora mais do que uma identidade visual única, ele transpõe na tela seus sentimentos em relação ao mundo e a partir disso imprime a estilística. Em June e John não seria diferente. Aqui ele convoca seu estilo para explicar o que entende sobre o mundo contemporâneo. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Luc Besson é um realizador corajoso, ousado e, às vezes, até disruptivo. Em títulos como <em>O profissional</em> (1994), <em>O quinto elemento</em> (1997), <em>Lucy</em> (2014) ou até mesmo no clipe <em>Love Profusion</em>, da Madonna, Besson explora mais do que uma identidade visual única, ele transpõe na tela seus sentimentos em relação ao mundo e a partir disso imprime a estilística. </span><span style="font-weight: 400;">Em <em><strong>June e John</strong></em> não seria diferente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui ele convoca seu estilo para explicar o que entende sobre o mundo contemporâneo. É curioso observar como a direção começa seca. Ao lado do diretor de fotografia Tobias Deml (<em>Hell, Calofornia</em>), há poucas sombras. Tudo parece chapado no ambiente higienizado do protagonista John (Luke Stanton Eddy). O azulado representa a melancolia de John e todos os objetos bege e cobertos pelo ciano confirmam a sua infelicidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No figurino, peças e cores clássicas de opressão: terno cinza e pasta marrom. Mas todos os signos tradicionais sobre a discussão do conformismo e do sufoco do capitalismo vão sendo fomentados pela narrativa insana que vai ganhando espaço na trama. </span><span style="font-weight: 400;">A começar pela ampliação real da discussão da sordidez cínica da sociedade. O uso de aparelhos celulares é reduzido, apesar da discussão sobre as redes estarem também presentes na tela, o roteiro de Besson é inteligente ao ir além do problema atual da humanidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O uso das redes e da vontade de se mostrar nela é um sintoma de algo mais profundo, que já habita este planeta faz tempo. Assim, entre discursos bem diretos sobre como as grande empresas, os ricos e o sistema como um todo são predadores da liberdade, visualmente os planos gerais revelam centenas de carros, prédios gigantes em contra-plongée. </span><span style="font-weight: 400;">Todos elementos repressivos atingem John. O jovem está mergulhado até o pescoço neste cotidiano opressivo, pálido e azulado. Contudo, ele está infeliz. A exaustão da personagem está em cada elemento de sua composição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É possível reconhecer isto nos olhos cansados e na postura corporal do ator, na encenação que fecha os planos no seu rosto para frisar suas expressões faciais e abre o quadro para mostrar as ruas avacalhadas de Los Angeles de desabrigados, carros e vida banal. </span><span style="font-weight: 400;">Mas, até metade da projeção o espectador pode ficar desconfiado. Afinal, não há nada de novo nem na estética e nem na argumentação do longa-metragem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As produções não precisam reinventar a roda, porém a constância na rotina de John e a leve progressão da sua exaustão perante sua vida anunciam que algo está para acontecer: uma reviravolta. Por isso, pode soar estranho o reforço desta dinâmica de John e sua vida esgotante. </span><span style="font-weight: 400;">Nesta lógica de longa sobre jovem enclausurado pelo sistema, que lembra muito obras dos anos 1990, é a entrada de June (Matilda Price) que estabelece a genialidade de Besson. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A jovem surge repentinamente na vida do rapaz e, com ela, as imagens vão gradativamente ganhando camadas de estilo. </span><span style="font-weight: 400;">O casal passa a ser visto em angulações múltiplas, as texturas vão se complexificando e cores quentes sendo inseridas. Ao mesmo tempo, situações completamente extra-cotidianas se iniciam. </span>De roubo a um banco até casamento em Vegas e fuga da polícia, o enredo parece extrapolar todos os limites do real e extraordinário para estabelecer um argumento.</p>
<p>Porque essa dicotomia entre o enfadonho do empresarial burocrático com a insanidade em quebrar as regras do sistema parece ser a questão central aqui. O que é louco de verdade? Ao que está se submetendo a humanidade? É melhor morrer ao desperdiçar a vida?  <span style="font-weight: 400;">Ou, ainda, seria melhor viver do que morrer pelo cinismo e as correntes do capitalismo? Na realidade, a esperança &#8211; desta que vos escreve &#8211; é que haja um equilíbrio. Mas, de fato, a conexão com a natureza, a melhor hierarquização do tempo e o desapego exacerbado ao capital precisam ser olhados de frente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É por isso que, mesmo com uma ruptura entre as duas partes da projeção, que parecem descoladas uma da outra e do male gaze exagerado de Besson, <strong><em>June e John</em></strong> se revela urgente. </span>Urgente por encarar um novo mundo sob uma ótica corajosa, por convocar uma linguagem que mescla temas tão antigos, porém tão contemporâneos, com o mesmo olhar. Neste sentido, é difícil ser sucinta ao falar desta ou produção ou entregar um texto coeso.</p>
<p><em>June e John</em> é rebelde demais e ao mesmo tempo tão igual a tantas outras obras que falam sobre o sistema e como rompê-lo que o que o torna especial é o como é feito e o relacionamento do casal central. <span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o final da sessão deixa um gosto amargo, porque resta, ao desfecho da exibição, uma pergunta cruel: daqui há 20, 30 anos, o problema ainda vai ser o mesmo? Entre Felicidades que não se compram, Thelmas e Louises e Doces Novembros, o mundo ainda sofrerá. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, pensar nas rupturas e no equilíbrio dentro do próprio sistema que adoece o mundo inteiro também é uma função da arte e Besson realiza seu intento com coragem e sensibilidade.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção</strong>: Luc Besson</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Matilda Price; Luke Stanton; EddyRyan Shoos</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="JUNE E JOHN | Trailer Legendado" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/RhQHQPci6WM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Mulher no Jardim</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 May 2025 22:37:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Mulher no Jardim narra a história de Ramona, uma viúva mãe de dois filhos interpretada por Danielle Deadwyler. Vivendo em uma casa construída e planejada por ela e pelo falecido esposo, Ramona enfrenta séria dificuldade para dar continuidade nas coisas mais básicas da rotina doméstica dando sinais de ainda não ter superado o luto. Certo dia, Ramona e os filhos são surpreendidos pela aparição de uma misteriosa figura feminina trajando um vestido e um véu preto, sentada em uma cadeira [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>A Mulher no Jardim</strong></em> narra a história de Ramona, uma viúva mãe de dois filhos interpretada por Danielle Deadwyler. Vivendo em uma casa construída e planejada por ela e pelo falecido esposo, Ramona enfrenta séria dificuldade para dar continuidade nas coisas mais básicas da rotina doméstica dando sinais de ainda não ter superado o luto. Certo dia, Ramona e os filhos são surpreendidos pela aparição de uma misteriosa figura feminina trajando um vestido e um véu preto, sentada em uma cadeira no jardim fitando a janela da família. É nesse instante que Ramona e os filhos testemunham estranhos e perigosos fenômenos.</p>
<p><em><strong>A Mulher no Jardim</strong></em> é dirigido por Jaume Collet-Serra, cineasta espanhol que acabou ganhando notoriedade no gênero terror com filmes como A Órfã e A Casa de Cera, mas que também conseguiu se adaptar a outros tipos de narrativa, sendo por isso bastante requisitado pelos estúdios. Apesar da notoriedade, o resultado do trabalho de Collet-Serra costuma ser oscilante e <em><strong>A Mulher no Jardim</strong></em> é representativo daquilo que por vezes não dá certo na direção que o realizador costuma empregar em suas narrativas.</p>
<p>O longa tem um ponto de partida promissor, mas parece andar em círculos com a sua premissa, não sabendo como progredir com os recursos minimalistas à disposição da sua história. A ação de <em><strong>A Mulher no Jardim</strong></em> é concentrada nas tensões entre a protagonista e seus filhos, poucos personagens, confinados em um espaço de proporções reduzidas, a casa da família.</p>
<p>O drama familiar presente no filme é dos menos inspirados. Ainda que conte com uma atriz do calibre de Danielle Deadwyler, nome promissor por desempenhos em longas como Till e Piano de Família, a história em torno do luto da personagem revela questões protocolares nesse tipo de trama. Como experiência estética, <em><strong>A Mulher no Jardim</strong></em> rende momentos mais exitosos, como toda a sequência que envolve a presença da mulher de preto através de sombras na casa da família da protagonista, revelando uma interessante referência do expressionismo alemão. Ainda assim, é um respiro de genialidade que custa aparecer no filme.</p>
<p>No terceiro ato, <em><strong>A Mulher no Jardim</strong></em> causa ainda uma péssima impressão por exibir uma certa confusão na forma como encerra sua história e revela alguns dos principais mistérios da trama, sobretudo o vínculo entre a protagonista Ramona e a mulher no jardim do título. O mais recente trabalho de Collet-Serra tem uma premissa interessante, bons atores e boas ideias visuais, mas o realizador parece não lidar muito bem com a junção de tantos indícios positivos, resultando em um filme que oras parece arrastado, oras encontra-se confuso sobre a própria história que tem em mãos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jaume Collet-Serra</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Danielle Deadwyler, Okwui Okpokwasili, Russell Hornsby</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/BE5A4J4-Pf0?si=vI7xL37nssuVM8Za" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Virgínia e Adelaide</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 May 2025 02:07:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriela Correa]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Furtado]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Sophie Charlotte]]></category>
		<category><![CDATA[Virgínia e Adelaide]]></category>
		<category><![CDATA[Yasmin Thayná]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É uma pena que as boas intenções não fazem bons filmes, caso contrário Virgínia e Adelaide seria um grande longa-metragem. Com experimentações estéticas em sua mise-en-scène e um discurso necessário sobre a inauguração da psicanálise no Brasil e sobre racismo e antissemitismo, a produção peca por tentar demais ser disruptiva e esquecer da coesão. Por este motivo há uma ausência de criação de relação com a plateia. Uma sensação de vazio paira no ar porque nem o debate sobre análise [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">É uma pena que as boas intenções não fazem bons filmes, caso contrário <strong><em>Virgínia e Adelaide</em></strong> seria um grande longa-metragem. Com experimentações estéticas em sua mise-en-scène e um discurso necessário sobre a inauguração da psicanálise no Brasil e sobre racismo e antissemitismo, a produção peca por tentar demais ser disruptiva e esquecer da coesão.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Por este motivo há uma ausência de criação de relação com a plateia. Uma sensação de vazio paira no ar porque nem o debate sobre análise nem o tempo para se olhar para as duas mulheres que dão nome ao título do filme têm espaço aqui. Além disso, o roteiro tem um texto difícil de ser pronunciado com organicidade do cinema.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Os diálogos soam como falas a serem anunciadas, talvez, funcionassem melhor em um espetáculo teatral. Na realidade, as ações físicas trazidas no roteiro também poderiam funcionar mais apropriadamente em um palco italiano, com uma luz à pino.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A montagem tenta até passar essa impressão de discurso dito por duas atrizes com um foco de luz em cima do palco. Todavia, a edição acaba colaborando como um fomento a esse estranhamento — que ocorre não de uma forma positiva.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Assim, o que se tem aqui são blocos com saltos temporais imensos, que desconectam o espectador da obra. </span>Este é um filme que trata sobre duas mulheres que fundaram a psicanálise no Brasil: Virgínia Bicudo e Adelaide Koch. A trajetória da dupla, pessoal e profissional, é instigante.</p>
<p style="font-weight: 400;">A luta de Virgínia contra o racismo e a fuga de Adelaide de uma Alemanha nazista renderiam longas por si só. <span style="font-weight: 400;">O encontro das duas e as suas individualidades se enfraquecem porque o roteiro de Jorge Furtado quer dar conta de muito mais do que da própria narrativa que esta produção parece pedir. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A trama poderia focar mais, por exemplo, nas questões de Virgínia. </span><span style="font-weight: 400;">Ela é o ponto de partida e o fio condutor do enredo. As suas transformações não convencem e soam artificiais por conta dos saltos de época. Ao mesmo tempo, as sequências de denúncia, com uma projeção no fundo ou de simulação de entrevista “gastam” esse tempo de desenvolvimento das personagens, durante a história corrida.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19481" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image-1.png" alt="Virgínia e Adelaide" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O recurso de quebra, um tanto brechtiana, não é em si uma má ideia. No entanto, a quantidade de vezes que são colocadas em <strong><em>Virgínia e Adelaide </em></strong>estabelece mais uma desconexão da plateia. Além disso, os trechos são repetitivos e a entonação das atrizes é monocórdica nestes momentos. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Por fim, também é possível dizer que a encenação — no que ela é enquanto definição clássica dos autores estudiosos do cinema — falha por parecer ingênua e um tanto egóica. Yasmin Thayná e Jorge Furtado embarcam em uma lógica de inserir planificações e efeitos de câmera mais “expressivos” para tentar construir ritmo.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Como a produção aposta na verborragia, a direção investe em trazer um dolly zoom aqui, um zenital ali, para que a visualidade ajude a inserir respiros. Esta estratégia enquanto ideia é excelente e até funciona em dados momentos. Contudo, este é, de fato, um longa intimista. </span></p>
<p>Portanto, a inserção de alguns enquadramentos ou movimentos e efeitos de câmera cortam a investigação das emoções das personagens. E esta é a chave para entender porque a produção não funciona como deveria. Falta deixar espaço para que o público se aproxime delas e consiga olhar com calma para suas vivências e sensações.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o carisma de Gabriela Correa e Sophie Charlotte tornam a sessão mais tolerável. O poder da relevância de <strong><em>Virgínia e Adelaide</em></strong> também são bons propulsores para que quem assiste fique atento até o final da exibição.</p>
<p>Desta maneira, mesmo com uma tonalidade monocórdica, tanto na fala quanto na estética &#8211; é um filme todo com cores blocadas na Arte. Tudo azulado, preto ou salmão —, as figuras centrais ajudam a criar um conteúdo um tanto interessante.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Charlotte e Correa entregam um trabalho minimamente digno. Seja no sotaque de Adelaide, que poderia ser trágico, mas é convencível, ou nos bifões panfletários que ambas precisam dizer, a suavidade das intenções das intérpretes ajudam a deixar os textos mais orgânicos.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Yasmin Thayná; Jorge Fernando</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Gabriela Correa, Sophie Charlotte</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="font-weight: 400;"><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/jRYw48YcPH0?si=d2nSqYSf8b45CLjb" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>14º Festival Olhar de Cinema revela produções selecionadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 May 2025 18:41:01 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[14º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste 07 de maio, quarta-feira, foram revelados os filmes selecionados para o 14º Festival Olhar de Cinema &#8211; Festival Internacional de Curitiba. Com exibições em múltiplas salas da cidade, a grande novidade é a presença do evento no MON &#8211; Museu Oscar Niemeyer (Auditório Poty Lazzarotto). Outros espaços que acolhem o intento são a Ópera de Arame, o Cine Passeio, no Teatro da Vila, o Cine Guarani e a Cinemateca. Ao todo foram escolhidas mais de 80 produções, que integram [&#8230;]</p>
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<p>Neste 07 de maio, quarta-feira, foram revelados os filmes selecionados para o <strong>14º Festival Olhar de Cinema &#8211; Festival Internacional de Curitiba</strong>. Com exibições em múltiplas salas da cidade, a grande novidade é a presença do evento no MON &#8211; Museu Oscar Niemeyer (Auditório Poty Lazzarotto). Outros espaços que acolhem o intento são a Ópera de Arame, o Cine Passeio, no Teatro da Vila, o Cine Guarani e a Cinemateca. Ao todo foram escolhidas mais de 80 produções, que integram as seguintes <strong>competitivas</strong> do festival: Competitiva Brasileira, Competitiva Internacional, Novos Olhares, Mirada Paranaense, Exibições Especiais, Olhar Retrospectivo, Olhares Clássicos, Foco, Pequenos Olhares. Além disso, são apresentados os longas de abertura e encerramento. A maioria das sessões são pagas, com ingressos vão de R$8 (meia-entrada) a R$16. No entanto, é possível entrar gratuitamente no Teatro da Vila, na CIC, e no Cine Guarani, no bairro Portão. Para maiores informações sobre o Olhar e para conferir a programação completa, acesse o site oficial: <a href="http://www.olhardecinema.com.br/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://www.olhardecinema.com.br&amp;source=gmail&amp;ust=1746913825931000&amp;usg=AOvVaw2dUBYdPE00fKSQOyqGE9Mh">www.olhardecinema.com.br</a>.</p>
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		<title>Crítica Thunderbolts*</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 May 2025 12:59:51 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Wyatt Russell]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde o final da Saga do Infinito com a estreia de Vingadores: Ultimato (2019), o Universo Cinematográfico Marvel (MCU) não tem tido bons resultados em suas produções. A Saga do Multiverso começou bem com WandaVision (2021), mas logo em seguida começou a se perder pela quantidade de produções e pelos questionamentos sobre sua qualidade. De lá para cá, poucas coisas fizeram sucesso suficiente para convencer o público geral sobre a nova fase da Marvel Studios, assim como não renderam boas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o final da Saga do Infinito com a estreia de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/"><em>Vingadores: Ultimato (2019)</em></a>, o Universo Cinematográfico Marvel (MCU) não tem tido bons resultados em suas produções. A Saga do Multiverso começou bem com <em>WandaVision (2021)</em>, mas logo em seguida começou a se perder pela quantidade de produções e pelos questionamentos sobre sua qualidade. De lá para cá, poucas coisas fizeram sucesso suficiente para convencer o público geral sobre a nova fase da Marvel Studios, assim como não renderam boas bilheterias. 2025, no entanto, chegou com a promessa de ser esse novo momento, iniciado com a estreia de <em><strong>Thunderbolts</strong></em>.</p>
<p>A promessa é de que o novo longa-metragem do MCU, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (1º), seja diferente de tudo que a Marvel já fez. Mas será que é mesmo? <em><strong>Thunderbolts </strong></em>traz a comicidade e a ação esperada de um projeto da franquia, tem as referências a algumas das histórias pregressas que costuram eixos narrativos do filme e se baseiam em alguns personagens já conhecidos dos fãs. Até então, uma estrutura bem básica e comum para o estúdio. Há, contudo, um olhar mais voltado para a construção dos personagens nesse longa do que em outros.</p>
<p>A costura de <em><strong>Thunderbolts </strong></em>é feita a partir justamente da relação desse grupo disfuncional de criminosos anti-heroicos. Isso por si só já é um elemento um pouco diferente do comum por tornar o novo projeto da Marvel guiado por personagens e não pelo problema. Ainda assim, não é como se fosse a primeira vez que isso é feito e nem é a vez mais bem trabalhada. A produção traz um pouco mais de camadas do que é usual nas dinâmicas narrativas do MCU, mas ainda deixa muito a desejar, especialmente quando pensamos no cerne que move as figuras centrais da história.</p>
<p>O roteiro de Eric Pearson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-viuva-negra/"><em>Viúva Negra</em></a>, de 2021) e Joanna Calo (<em>Rixa</em>, de 2023) se esforça para desvendar um pouco mais das nuances psicológicas dos personagens, especialmente de Yelena e Bob (interpretados, respectivamente, por Florence Pugh e Lewis Pullman). Mesmo com essa preocupação clara, ainda é pouco para o que a narrativa escancara como dilema moral e pessoal para essas personagens. No caso de Yelena e Bob, eles têm claramente indicativos de ansiedade e depressão e isso, ainda que posto, segue na superfície, diante do que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> se propõe a ser.</p>
<p><figure id="attachment_19409" aria-describedby="caption-attachment-19409" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-19409" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-750x500.jpg" alt="Thunderbolts* (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2.jpg 1200w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19409" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;Thunderbolts* (2025)&#8217;</figcaption></figure></p>
<p>Quando um filme tem como vilão esse vazio que nos corrói por dentro, é preciso que o projeto mergulhe de cabeça num drama existencial e psicológico. O filme até tenta elencar momentos-chave para debater de forma mais aprofundada esses elementos, mas não tem a força suficiente para isso. A sensação é que <em><strong>Thunderbolts </strong></em>varia de uma comédia ácida da relação disfuncional desses ex criminosos para um drama existencial sensível e delicado que nunca se concretiza de forma plena.</p>
<p>E eis que este é o maior problema de produzir histórias hoje em dia para o MCU. Há muito o que se comparar. Já foram mais de 20 filmes e mais de 10 séries e minisséries e é inevitável que o público esteja cansado de ver as mesmas histórias com roupagens diferentes. Além da repetição, o Universo Compartilhado Marvel sofreu muito com esse excesso de produções nos primeiros anos da Saga do Multiverso, o que reverbera até hoje &#8211; e <em><strong>Thunderbolts</strong></em> não consegue sair ileso disso. A fórmula de sucesso da Marvel não parece fazer tanto sentido como em sua primeira década.</p>
<p>Diante de tudo isso, ainda há o fator do controle criativo. Kevin Feige é essa figura que representa a Marvel Studios e todo o seu controle criativo. O plano de comando do MCU, liderado por Feige, por mais que diga o contrário, não permite extrapolações de verdade. Seja por medo de não agradar ou por acreditarem que há limites para os tipos de produções dentro do emblema do MCU, a Marvel não dá liberdade criativa de verdade para seus realizadores. E, das poucas vezes que deu &#8211; como em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-eternos/"><em>Eternos (2021)</em></a> -, o público mais radical destruiu as obras com críticas. E, com todo esse cenário, é claro que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> acaba sendo castrado criativamente também.</p>
<p>Apesar dessas questões, o longa de fato é mais interessante do que muitos dos últimos filmes lançados nos últimos anos. Mesmo que na superfície, os dramas psicológicos dos personagens permitem que o elenco tenha uma interação positiva que entretém e enriquece as cenas com a química evidente. Intérpretes como Florence (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna-parte-2/"><em>Duna: Parte 2</em></a>, de 2024) e Sebastian Stan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-aprendiz/"><em>O Aprendiz</em></a>, de 2024) ajudam a dar um fôlego a mais para a história, mesmo com todos os problemas que a rodeiam. No fim, apesar dos esforços do elenco e roteiro, ainda falta mais densidade nas camadas desses personagens e desse projeto que é guiado por personagem para que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> fosse tudo o que podia &#8211; e se propõe narrativamente a &#8211; ser.</p>
<p>Jake Schreier (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cidades-de-papel/"><em>Cidades de Papel</em></a>, de 2015) parece querer deixar a sua marca como cineasta no novo longa da Marvel, mas ele também sofre com esse controle criativo sob o cabresto. O diretor, ao lado dos roteiristas, tenta criar um pouco mais de nuances para diferenciar esse projeto dos demais. Para muitos, a missão provavelmente terá sido cumprida por fugir levemente dessa fórmula estanque do MCU. No entanto, basta um olhar mais atento e fica perceptível que ainda falta muito para que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> alcance o potencial que poderia. Todos esses dilemas giram em torno do controle criativo que poda e afunda a Marvel cada vez mais nessa areia movediça que ela mesmo entrou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jake Schreier</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Florence Pugh, Sebastian Stan, Wyatt Russell, Olga Kurylenko, Lewis Pullman, Geraldine Viswanathan, David Harbour, Hannah John-Kamen e Julia Louis-Dreyfus</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/4pgrNd79cnk?si=69PYf2jwVDDhxo1W" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>XX Panorama Internacional Coisa de Cinema: O Mediador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Apr 2025 15:03:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quem conhece &#8211; e gosta &#8211; o trabalho de Marcus Curvelo (Mamata, Joderismo, Eu, empresa, etc.), vai gargalhar desde o primeiro plano de O Mediador. Mas, é aquela risada nervosa, que vem junto com um nó na garganta. Curvelo tem essa capacidade de apostar em estéticas simples para dizer coisas complexas e profundas. E funciona. Em seu curta-metragem novo é exatamente assim que acontece. O artista faz um documentário híbrido, que traz imagens dos brasileiros que clamavam por um golpe [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Quem conhece &#8211; e gosta &#8211; o trabalho de Marcus Curvelo (<em>Mamata</em>, <em>Joderismo</em>, <em>Eu, empresa</em>, etc.), vai gargalhar desde o primeiro plano de <em><strong>O Mediador</strong></em>. Mas, é aquela risada nervosa, que vem junto com um nó na garganta. Curvelo tem essa capacidade de apostar em estéticas simples para dizer coisas complexas e profundas. E funciona.</p>
<p>Em seu curta-metragem novo é exatamente assim que acontece. O artista faz um documentário híbrido, que traz imagens dos brasileiros que clamavam por um golpe de Estado, após as eleições de 2022. Ao mesmo tempo, temos as reflexões políticas e sociais de Marcus, em um estúdio e em caminhadas pelas ruas de Salvador.</p>
<p>Sem muita firula na técnica, porém com uma decupagem consciente, o que impacta aqui são os questionamentos sobre a contemporaneidade. Curvelo é inteligente e corajoso e faz um jogo com a cultura do cancelamento em seu texto.</p>
<p>Ele já se desculpa por todos os caminhos discursivos que escolhe, inclusive, reconhecendo privilégios e tensionando a própria importância da sua obra. Em uma só tacada, em uma sessão de quinze minutos, o realizador esgarça todo o imediatismo, a futilidade e o esvaziamento de pautas da sociedade contemporânea.</p>
<p>A montagem do curta ajuda nesta composição de ideias associativas. Como na sequência que Curvelo diz não ser de esquerda e, logo depois, o público vê ele “fazendo o L”, todo de vermelho e com boné do MST. Desta maneira, o espectador não é subestimado em <em><strong>O Mediador</strong></em>.</p>
<p>Há um convite na produção a reconhecer as camadas dos argumentos postos na narrativa. Para quem não conhece a ironia de Curvelo &#8211; e não é obrigada a saber, porque cada obra tem que falar por si &#8211; talvez, seja, de fato, complexo saber que há tanto sarcasmo assim por ali.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Até porque, inserido neste tom jocoso, existe uma interpretação que pode levar para uma leitura de que há uma angústia e uma culpa também em toda a sua brincadeira e olhar para o outro.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Porque o autor também se implica e se coloca junto a quem assiste, durante a projeção, para pensar no que é aquele produto que ele tem em mãos. </span>É neste sentido também que o filme tem camadas de complexidade.</p>
<p style="font-weight: 400;">Porque Curvelo vai fazendo graça, vai fazendo graça, até trazer uma frase que é um soco no estômago. E esse ciclo perdura durante a exibição inteira. No entanto, essa estratégia não fica cansativa, porque um arco dramático é criado, com progressão, clímax e desenlace.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Há uma consciência, além de tudo, de roteiro em <em><strong>O Mediador</strong></em>. Por isso que essas estruturas funcionam. Assim, o curta é amarrado, cumpre o que se propõe fazer e é um título importante para a filmografia de Marcus Curvelo. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Talvez, ele peque apenas por ser irônico demais, desagradando e afastando parte da plateia. Mas, também, paciência, não é mesmo? É necessário que autores tenham seu estilo e sua voz dentro da arte e Curvelo tem! </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Marcus Curvelo</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Marcus Curvelo</span></p>
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