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	<title>Arquivos Caco Ciocler - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Caco Ciocler - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>30º Cine PE: Resta Um</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 21:59:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É fundamental que se entenda algo na arte: se você destaca tudo, nada se destaca. Em sua primeira direção de longa-metragem, Fernando Ceylão revela essa urgência em dirigir e usar todas as suas referências e seus conhecimentos, deixando a sessão cansativa. Para além da ingenuidade do roteiro, o que realmente incomoda durante a sessão é o trabalho de Ceylão. Apesar do artista se demonstrar empolgado com a linguagem audiovisual, as suas escolhas são exageradas. Existe o fato da mise-en-scène ser [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h6 style="font-weight: 400;"><span style="font-size: 16px;">É fundamental que se entenda algo na arte: se você destaca tudo, nada se destaca. Em sua primeira direção de longa-metragem, Fernando Ceylão revela essa urgência em dirigir e usar todas as suas referências e seus conhecimentos, deixando a sessão cansativa.</span></h6>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Para além da ingenuidade do roteiro, o que realmente incomoda durante a sessão é o trabalho de Ceylão. Apesar do artista se demonstrar empolgado com a linguagem audiovisual, as suas escolhas são exageradas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Existe o fato da mise-en-scène ser confusa. Em diversas sequencias, há desfoque no rosto de justamente da personagem que está mostrando emoção. Na maioria dos momentos, Ceylão coloca a câmera em algum lugar disruptivo &#8211; atrás de uma estante, do corredor, do outro lado parede etc. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Dentro dessa lógica, falta respiro de tal forma que a fruição fica comprometida. Velocidades distintas fazem o ritmo, já os ângulos e planos plurais são bem-vindos, mas a câmera parada, em um take longo também é importante. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Esse é o papel de um cineasta, na verdade, saber as doses de cada ação, intenção e do que colocar dentro da narrativa. Mas, para além disso, a luz incomoda em alguns instantes. O rosto das personagens negras não são iluminadas da mesma forma, que das brancas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Por isso, existem sequências que estes intérpretes não podem ser vistos em sua totalidade. Todavia, é necessário pontuar o esforço do elenco. Eles possuem fé cênica e nitidamente acreditam naquele projeto. Por isso, por mais que as cenas se estendam em planos longos de tal maneira que os atores saem do papel, no geral o resultado é positivo. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">E o que é isso exatamente? Os atores geralmente não param de atuar até o diretor dizer corta. Desta maneira, neste longa, o montador e/ou a direção deixaram o público ver esse pedaço quando o elenco já saiu praticamente do papel:</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Assim, <em>Resta Um</em> é um tanto amador. Mesmo que consiga gerar alguma conexão da plateia com o espectador, isso se dá menos pela qualidade da obra em si e mais pelo carisma e talento do elenco.</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Fernando Ceylão</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Caco Ciocler, Maria Ribeiro, Perla Carvalho</p>
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		<title>XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: A vida de cada um</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 20:05:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É impressionante como um realizador que foi diretor de fotografia de obras como Árido Movie (2005) e Dona Flor e seus dois maridos (1976) possa estar no comando de um longa-metragem como A vida de cada um. Falta cinema aqui, em sua mais básica concepção. É por isso que para falar deste filme é necessário pedir licença à cara leitora*, para uma pequena digressão. O que seria a arte cinematográfica se não uma mistura de linguagem e discurso? A técnica [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">É impressionante como um realizador que foi diretor de fotografia de obras como <em>Árido Movie</em> (2005) e <em>Dona Flor e seus dois marido</em>s (1976) possa estar no comando de um longa-metragem como <em>A vida de cada um</em>. Falta cinema aqui, em sua mais básica concepção. É por isso que para falar deste filme é necessário pedir licença à cara leitora*, para uma pequena digressão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que seria a arte cinematográfica se não uma mistura de linguagem e discurso? A técnica audiovisual possui lógicas. É necessário que o público enxergue uma história através de imagem e um som pensados. Existem regras para que tal objetivo seja alcançado, regras essas que podem ser quebradas, caso a prática seja estratégica, lógica e esteja à serviço da narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aí, então, tem-se ele, o discurso. Este é imprescindível para qualquer produto midiático que se preze. Ele precisa ser coerente, amarrado e, obviamente, necessita estar embebido do progresso das ideias. Mentalidades ofensivas, visões estapafúrdias e preconceituosas de indivíduos e comunidades são inquestionavelmente dispensáveis e, muitas delas, podem ser até crime (racismo, transfobia, msoginia etc.).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ofensa em <em>A Vida de cada um</em> não chega a ser violenta ao ponto de ser criminosa, ainda bem, mas ele é um exercício doloroso para as vistas e os ouvidos. Veja bem, leitora* que ainda não desistiu deste texto, a primeira coisa que se nota quando a projeção se inicia é que a saturação está baixa e o contraste alto. </span><span style="font-weight: 400;">Este fator  incomoda, porque ou a luz não foi pensada para aquela setagem ou a equipe queria criar uma sensação de penumbra, que não funciona, porque fica difícil enxergar o que está acontecendo em cena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa também passa uma impressão de baixo valor de produção, justamente por essa escolha de tonalidades. Além disso, inserir essa opacidade e tom sombrio antes de que exista uma relação estabelecida entre produto e público faz com que pareça um efeito pelo efeito, uma vontade de criar tensão, que não foi elaborada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante refletir que encontrar uma exibição com imagem lavada e sem personalidade é frustrante, mas o exagero disso também é incômodo, sobretudo quando ferramentas técnicas não são usadas de forma coesa com a narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, tá, se esse fosse todo o problema de <em>A vida de cada um</em> essa crítica seria mais enxuta, porém esse só é o começo de um exercício escrito sobre esta produção, pelo assombro, de fato, que acometeu esta crítica de cinema, enquanto a assistia. </span><span style="font-weight: 400;">Dois pontos cruciais, repito: cruciais, do audiovisual são jogados ao léu aqui. Decupagem e montagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, é um tanto árduo afirmar com exatidão qual foi o maior erro neste contexto. O que é possível dizer é que os quadros e movimentos de câmera, salvo em raras sequências, não ajudam na criação de universo ficcional ou a traduzir as emoções das personagens. </span><span style="font-weight: 400;">Os pontos de corte são escolhidos da pior maneira possível. E o que isso quer dizer, professora? Quer dizer que a plateia perde a noção de continuidade da cena, não apenas de temporalidades, porém do que está efetivamente acontecendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E quando essas situações constrangedoras de edição ocorrem, não pense você, cara leitora*, que aparece no ecrã algo disruptivo, que elabora um sentido plural e profundo. </span><span style="font-weight: 400;"> Não, é erro mesmo, de você olhar para tela e perceber que algo está estranho. Essa percepção pode chegar também porque os eixos são invertidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dado momento, no qual a protagonista conversa sobre um esquema com seu paquera, a troca de eixos fica insuportável e já não se sabe o que se passando de fato, se o tempo vai passar, se algo vai acontecer, ou se o troca-troca de lado é apenas uma fatídica escolha. </span><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, as mudanças de época são desconfortáveis também, porque não são feitas de forma fluida e coesa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As informações de passado e presente não aparecem de maneira a entregar pistas da vida da personagem principal. Esse quebra-cabeça deveria ser para compreende as motivações dela e o que supostamente ocorreu com sua mãe. Não, na realidade, nem mesmo quando as situações se passam na mesma linha temporal existe uma coerência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, a intenção fosse não subestimar o espectador e isso é louvável, mas faltou criar sentido conexo. O pai de Flávia  vai fugir, vai morrer, vai matar, vai se vingar, vai o quê? Flávia (Bianca Comparato, <em>Irmã Dulce</em>) vai vender cocaína, já vendeu, não vai mais vender, mas vai sim vender, só que agora vai ser vereadora, porém vai vender cocaína, não, pera, não vai mais não, porque…é, porque…</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ninguém sabe exatamente qual o motivo de enfiarem tantas ações amontoadas no roteiro, de Salles com  Leo Garcia, que não desenvolvem as figuras dramáticas e nem a trama. Mas, para não abusar do espaço digital que abriga esta critica, caminhemos para o desfecho deste material observando o quanto o discurso de <em>A vida de cada um</em> é problemático. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de fazer um esforço hercúleo para ser progressista, quem assiste observa aqui uma visão branca e elitizada do tráfico de drogas e da favela. Longe desta que vos escreve palpitar sobre a vida pregressa de Salles e Garcia, mas a história aqui parece refletir quem eles são. Assim, a impressão que a obra passa é de que ela foi escrita por pessoas que não conhecem o ambiente retratado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> A sensação é de que <em>Tropa de Elite</em> encontrou <em>Cidade de Deus</em>, eles ficaram confusos e não souberam o que fazer, porque os diálogos são permeados de gírias e palavrões e ninguém saber o que está dizendo ou fazendo, mas estão ali no morro, com policiais corruptos, brigas por boca e&#8230;? Quem são essas pessoas? Ninguém sabe. </span><span style="font-weight: 400;">Essas discussões de certo renderiam longas conversas, mas vamos fazer um exercício socrático e deixar nesta crítica perguntas que podem iluminar o pensamento sobre qual é a razão do longa de Salles convocar tanta angústia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como são representadas as personagens negras? Qual o objetivo da produção ao passar o bastão do homem branco corrupto para a mulher branca corrupta, pensando no sentido de avaliação sobre o patriarcado em relação às mulheres? </span><span style="font-weight: 400;">Por que todos os arquétipos de quem nasceu e sobe o morro são negativos? Cadê as mulheres moradoras do morro? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou, ainda, </span><span style="font-weight: 400;">não há saída para quem mora em comunidade? Por que não há nenhuma representação aprofundada dos sentimentos das figuras dramáticas que estão na tela, a não ser a do pai da “mocinha”? Por que em 2026 lançaram um filme de brancos sobre brancos que sobem o morro? Por que fizeram isso e ainda fizeram mal e porcamente?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São muitas perguntas, mas para não dizer que 110 minutos foram surrupiados da plateia, é importante enaltecer a construção de papel feita por Bianca Comparato. Ela é uma excelente intérprete em tudo que faz, mas aqui ela merece uns pontos a mais, por tudo que está ao seu redor. A</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">inda que a direção de elenco não tenha visto os buracos enormes e as quedas de dinâmica de contracena, Comparato sustenta a sua Flávia. </span>A artista imprime uma mistura de carisma e odiosidade para Flávia, que, de certa maneira, prende a atenção de quem acompanha o enredo. Assim, A vida de cada um é ruim, mas, é melhor assistir a filme ruim nacional do que estrangeiro, ok?</p>
<p>Além do mais, em tempos de red pills e jogo do tigre, é melhor ver o esforço de Salles para denunciar mazelas da sociedade do que ver qualquer coisa de pessoas contemporâneas que são realmente ofensivas no sentido criminoso da palavra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>*leitore/leitor</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Direção: Murilo Salles</p>
<p>Elenco: Bianca Comparato, Caco Ciocler, Drico Alves</p>
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		<title>Crítica: Meu Sangue Ferve por Você</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 May 2024 14:57:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Teu, todo teu Minha, toda minha Juntos, essa noite Quero te dar todo meu amor* Conhecido por suas canções intensas e apaixonadas, Sidney Magal, o maior amante latino do Brasil, ganha uma cinebiografia, que vibra no tom de sua personalidade. Ainda que Meu Sangue Ferve por Você, o longa-metragem de Paulo Machline (Trinta), não seja dos melhores, a energia do romance, do brega, de amores infinitos – possíveis ou impossíveis –, das dores de corno, das lamentações e alegrias das [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Teu, todo teu</span></i></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Minha, toda minha</span></i></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Juntos, essa noite</span></i></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Quero te dar todo meu amor*</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecido por suas canções intensas e apaixonadas, Sidney Magal, o maior amante latino do Brasil, ganha uma cinebiografia, que vibra no tom de sua personalidade. Ainda que <strong><em>Meu Sangue Ferve por Você</em></strong>, o longa-metragem de Paulo Machline (<em>Trinta</em>), não seja dos melhores, a energia do romance, do brega, de amores infinitos – possíveis ou impossíveis –, das dores de corno, das lamentações e alegrias das paixões das canções de Magal estão todas ali, impressas no ecrã.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de um musical que narra como Magal (Felipe Bragança) conheceu, apaixonou-se e começou um relacionamento com a sua atual esposa, Magali West (Giovana Cordeiro), a produção transforma o casal em uma dupla de mocinhos alegres, que dançam e cantam, pelas ruas de Salvador. Sim, estamos falando de um musical (mais um acerto da obra), passado em terras soteropolitanas!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de alguns sotaques sofríveis (até mesmo quem é baiano dá aquela forçada), a exploração da geografia da cidade acontece de forma eloquente, algo que deveria ser óbvio, mas que é geralmente deturpado no audiovisual nacional. Neste lógica, as dinâmicas de contracena do elenco, junto com a química do par romântico central, ajudam a construir um senso de empatia e torcida para as personagens.</span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Toda, minha vida (sim)</span></i></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Eu, te procurei (nanananana)</span></i></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Hoje, sou feliz</span></i></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Com você que é tudo o que sonhei…</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também é preciso reconhecer o esforço de Felipe Bragança e Caco Ciocler, que fazem Magal e seu agente, respectivamente. Com uma escrita tão farsesca e exagerada, o seus papéis corriam o (sério) risco de beirarem ao ridículo, o que não ocorre aqui. Por estas razões que, majoritariamente, a sessão é divertida. No entanto, os tropeços são maiores que os acertos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não tem trabalho de ator talentoso e consciente da criação de gênese e relação de personagem que salve execuções ruins da técnica. O roteiro é básico, aposta não apenas em uma narrativa clássica, como em clichês de filmes de romance, alguns diálogos expositivos, um desenvolvimento que não explora camada das personagens, todos são arquétipos rasos e a trama é completamente previsível. Aí, o leitor pode pensar: e os números musicais, Enoe?</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18173" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-7.png" alt="Meu Sangue Ferve por Você" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-7.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-7-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-7-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bom, depois de uns 10 segundos de iniciados, eles ficam bons, porém acabam, imediatamente quando isso ocorre. </span><span style="font-weight: 400;">Sim, é abrupto. Nem o início e nem o final das canções possuem coesão visual, textual – verbal ou não – com a história. A montagem também não colabora – bem, talvez não houvesse um bom ponto de corte, mas só é possível julgar o resultado, não é mesmo? O impacto destas interrupções desconectam e cansam o público, tanto no início quanto no final das canções.</span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Ah, eu te amo</span></i></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Ah, eu te amo meu amor</span></i></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Ah, eu te amo</span></i></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">E o meu sangue ferve por você</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a <em>mise-en-scéne</em> (coitada) é completamente confusa. De certo havia um frisson da equipe que, contaminados pelo espírito do ritmo “magalzesco”, se deixou levar por uma intuição falha – ou é o que esta que vos escreve prefere acreditar -, pois a aceleração é confundida com ritmo. Além disso, direção e direção de coreografia se equivocam, deixando espaços abertos, criando uma sensação de pouco ensaio, falta de noção espacial e de enquadramento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse último elemento citado é o pior de todos. Distribuição de elenco e objetos de cena é criação artística 101! Seja no teatro amador ou profissional, no cinema experimental, hollywoodiano, indie ou de guerrilha, não importa&#8230; A construção estética e imagética das cenas (ou sequências) precisa funcionar!!!! E o que isto quer dizer? É preciso que exista uma concepção de direção (de todas elas, geral, de fotografia, de arte etc), que pense em como serão as ações de atores, colocação de câmera, distribuição de material cênico nos espaço, entre outros.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Meu sangue ferve por você</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece traduzir o real significado de furdunço para tela. O que seria compreensível, pensando nesta atmosfera caótica de comédia romântica musical, que a equipe parece querer convocar. Mas, na arte, meus caros, o furdunço tem que ser organizado, porque cinema (teatro, dança e assim por diante) não é bagunça. É por isso que a exibição se torna frustrante. Falta <em>know-how</em>, tempo ou talento para criar um bom resultado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porque quando a plateia vai ao cinema ver uma farofinha romântica, ela quer se divertir. Não é preciso que uma obra se leve muito a sério ou que traga o roteiro mais inventivo do mundo. Mas, se vão fazer o básico, que façam com cuidado, respeito e dignidade, ainda mais se for uma obra nacional com recursos financeiros mais avantajados do que o de costume.</span></p>
<p><em>*Utilizamos trechos da canção Meu Sangue Ferve por Você, de Sidney Magal.</em></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Paulo Machline</span></p>
<p><strong>Elenco:</strong> Felipe Bragança, Giovana Cordeiro, Caco Ciocler</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="MEU SANGUE FERVE POR VOCÊ | Trailer Oficial" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/ojv-Gh22QNM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Simonal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Aug 2019 19:35:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Junto às comédias, as cinebiografias representam algumas das obras brasileiras mais populares nas bilheterias nos últimos anos, rendendo, na maioria, derivados seriados na Rede Globo. Simonal é o mais recente título do filão e traz o ator Fabrício Boliveira como o músico Wilson Simonal um dos maiores artistas da música popular brasileira. O longa é dirigido por Leonardo Domingues, que estreia na função após ter feito carreira como montador em filmes como Serra Pelada e Onde a Coruja Dorme. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Junto às comédias, as cinebiografias representam algumas das obras brasileiras mais populares nas bilheterias nos últimos anos, rendendo, na maioria, derivados seriados na Rede Globo. <em><strong>Simonal</strong> </em>é o mais recente título do filão e traz o ator Fabrício Boliveira como o músico Wilson Simonal um dos maiores artistas da música popular brasileira.</p>
<p>O longa é dirigido por Leonardo Domingues, que estreia na função após ter feito carreira como montador em filmes como <em>Serra Pelada</em> e <em>Onde a Coruja Dorme</em>. A cinebiografia toca em aspectos extremamente controversos da história de Simonal, como sua personalidade difícil, sua aversão à monogamia e, sobretudo, sua relação com a ditadura diante de acusações de que o artista era um delator de colegas no período, algo que custou caro a Simonal até a sua morte.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11039" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/2755506.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/2755506.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/2755506.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/2755506.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Como a maioria dos títulos nacionais desse filão com o selo Globo Filmes, <em><strong>Simonal</strong> </em>obedece a cronologia linear desse tipo de narrativa, construindo a ascensão e queda do seu biografado. Entretanto, a produção encontra muita dificuldade em seu início para construir a carreira do músico, não conseguindo dimensionar sua singularidade no meio artístico nacional e apelando para alguns chavões presentes em diálogos que sempre parecem artificiais.</p>
<p>O longa é marcado por alguns desempenhos ruins do seu elenco. Entre eles, Leandro Hassum, excessivo como Carlos Imperial, e Isis Valverde, que interpreta Tereza, a esposa de Simonal, no piloto automático. O longa peca ao abordar de maneira tímida o racismo na trajetória de Simonal, que, certamente, deveria incomodar bastante uma sociedade brasileira ainda mais preconceituosa que a atual. Há uma menção numa cena em que Simonal é entrevistado por um jornalista e a vinculação disso às dificuldades do artista ao longo de sua carreira fica subentendido. De excepcional mesmo em Simonal somente a atuação de Boliveira, o único elemento do projeto que consegue dimensionar a grandeza do músico para o espectador.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Leonardo Domingues<br />
<strong>Elenco:</strong> Fabrício Boliveira, Isis Valverde, Leandro Hassum, Mariana Lima, Caco Ciocler, Silvio Guindane, Bruce Gomlevsky, João Velho</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/9zZw9-9UTx0" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Banquete</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Sep 2018 14:09:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Bruna Linzmeyer]]></category>
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		<category><![CDATA[Chay Suede]]></category>
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		<category><![CDATA[Cinema Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Daniela Thomas]]></category>
		<category><![CDATA[Drica Moraes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Banquete é ambientado no início dos anos 1990, época do governo de Fernando Collor de Melo. No centro da narrativa do filme de Daniela Thomas está um grupo de personagens pertencentes a uma classe média alta que participa de um jantar em comemoração ao aniversário de 10 anos de casamento de uma atriz e um jornalista. Aos poucos, o drama de Daniela Thomas traz à tona uma série de relações mal resolvidas que envolvem casamentos frustrados, traições e inveja. Claustrofóbico, O [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><i><b>O Banquete </b></i>é ambientado no início dos anos 1990, época do governo de Fernando Collor de Melo. No centro da narrativa do filme de Daniela Thomas está um grupo de personagens pertencentes a uma classe média alta que participa de um jantar em comemoração ao aniversário de 10 anos de casamento de uma atriz e um jornalista. Aos poucos, o drama de Daniela Thomas traz à tona uma série de relações mal resolvidas que envolvem casamentos frustrados, traições e inveja.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Claustrofóbico, <i>O Banquete </i>é completamente encenado na sala de jantar da casa de Nora, personagem de Drica Moraes, ocasionalmente transferindo sua ação para a cozinha, onde o jovem funcionário de um <i>buffet </i>interpretado por Chay Suede prepara o jantar para o grupo. A princípio, a diretora parece ter em mãos um projeto promissor, construindo gradualmente as tensões desse filme e anunciando um clímax.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O público toma ciência do casamento cheio de problemas entre Nora e Plínio, vivido por Caco Ciocler; o caso extraconjugal de Mauro, um dos homenageados da noite interpretado por Rodrigo Bolzan, com a crítica cultural Maria, de Fabiana Gugli; o interesse sexual do colunista Lucky, vivido por Gustavo Machado, no jovem Ted (Suede) e seu insistente assédio&#8230; Contudo, diante de tantos conflitos em potencial, a informação mais curiosa que o público tem acesso &#8211; e que promete amarrar todos esses pontos de tensão &#8211; é uma carta escrita pelo jornalista Mauro contra o governo Collor. Revelações à parte, com o passar do tempo, Thomas não faz muito sobre o assunto, frustrando o espectador.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-9310 size-full" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/09/O-Banquete_.jpg" alt="crítica filme O Banquete" width="610" height="348" /></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O filme tem inspiração no caso envolvendo o jornalista da <i>Folha de S. Paulo</i> Otavio Frias Filho, que de fato fez um editorial cheio de críticas a Collor em 1991 para o jornal. Frias Filho faleceu no mês de agosto, o que fez a diretora de <i>O Banquete </i>solicitar a retirada do longa da seleção do último Festival de Gramado. No final das contas, fica imprecisa a conexão entre o caso e os segredos dos personagens de <i>O Banquete </i>revelados ao longo da história. A realizadora tem declarado em entrevistas que cada uma das personagens femininas do filme tem um pouco dela mesma, no entanto, sabe-se que algumas delas são inspiradas em figuras notórias no cenário intelectual e das artes brasileiras, tornando o longa um jogo de códigos no qual somente Thomas e seus íntimos podem extrair algo de fortemente significativo.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O filme se prolonga demais nas suas situações que exibe e ainda assim não consegue ser satisfatório no tratamento de algumas personagens, como a aspirante a atriz interpretada por Bruna Linzmeyer e o rapaz da cozinha vivido por Chay Suede. Ao longo da trama, o jovem vivido pelo ator parece ser uma &#8220;carta na manga&#8221; da diretora, mas, no final das contas, a personagem de Suede acaba não trazendo nada de muito concreto para a história. É certo que Thomas está cercada pelo melhor elenco possível, mas o ritmo que a diretora confere a sua história e a falta de polimento no arco de algumas personagens não condiz com as promessas que suas tensões dramáticas sugerem no decorrer da projeção.</p>
<p>É um filme que tem dificuldade para deixar claro o que de fato quer transmitir ao espectador geral e que não é obrigado a ter conhecimento sobre o círculo social da realizadora na época, até porque, a própria não revela muitas dessas informações &#8211; e está nesse direito. Assim, fica parecendo que <i>O Banquete </i>é uma festa privada e que nós espectadores somos os grandes penetras do evento de Daniela Thomas, não compreendendo muitas das entrelinhas jogadas na tela pela realizadora através das suas personagens.</p>
<p><strong>Assista ao trailer:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/dAq8uflqZNU" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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