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	<title>Arquivos Brendan Gleeson - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Brendan Gleeson - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Coringa &#8211; Delírio a Dois</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 14:00:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Acredito que um projeto audiovisual deva justificar sua existência, no sentido de garantir o seu propósito para com o público, especialmente quando se é um longa-metragem de indústria. Essa justificativa não precisa ser nada filosófica ou profunda, um filme pode simplesmente se justificar pelo propósito da diversão, do entretenimento. O que é difícil de engolir é um projeto que só existe por dinheiro e/ou hype. Tendo isso em mente, Coringa: Delírio a Dois é um ótimo exemplo do que Hollywood ama [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que um projeto audiovisual deva justificar sua existência, no sentido de garantir o seu propósito para com o público, especialmente quando se é um longa-metragem de indústria. Essa justificativa não precisa ser nada filosófica ou profunda, um filme pode simplesmente se justificar pelo propósito da diversão, do entretenimento. O que é difícil de engolir é um projeto que só existe por dinheiro e/ou <em>hype</em>. Tendo isso em mente, <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> é um ótimo exemplo do que Hollywood ama produzir: enlatados sem sentido ou propósito para arrecadar mais alguns milhões de dólares.</p>
<p>O filme é, do início ao fim, um desperdício de tempo e esforço criativo dos envolvidos. E, para agravar ainda mais a situação, a continuação ainda desmerece toda a força dialética do seu antecessor. É claro que a experiência do cinema é algo individual e de momento e essa insatisfação descrita pode parecer pessoal, mas vai além disso. <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> soa como uma explicação que ninguém pediu sobre o longa de 2019. A narrativa, que estreia nesta quinta-feira (3) nos cinemas brasileiros, apenas surfa na onda do sucesso que o primeiro projeto teve e vive com ajuda de aparelhos durante seus 138 minutos.</p>
<p>Nem mesmo a atuação oscarizada de Joaquin Phoenix (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Coringa</em></a>, de 2019) ou a presença magnética de Lady Gaga (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-casa-gucci/"><em>Casa Gucci</em></a>, de 2021) em cena como a Lee Quinzel são capazes de salvar esse navio afundando. Não há nada que sustente <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> e o justifique. A fotografia comandada por Lawrence Sher (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adao-negro/"><em>Adão Negro</em></a>, de 2022) e a arte, por Mark Friedberg (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-baleia/"><em>A Baleia</em></a>, de 2022), são outros pontos altos na produção que também não conseguem sustentar um roteiro sofrível. Não existe um ponto da produção que não seja afetado por esse texto sem fôlego e força.</p>
<p>O retorno da co-escrita entre Scott Silver e Todd Phillips não teve os mesmos frutos que no longa de 2019. Dessa vez eles se perderam em sua própria história, numa missão suicida de fazer da sequência uma grande explicação para suas escolhas brilhantes do primeiro filme. Na época do lançamento do filme sobre o icônico vilão do Batman, muito se falou sobre os perigos da &#8216;mensagem&#8217; do filme de Todd. Até mesmo a polícia ficou de prontidão em alguns cinemas com medo do projeto gerar reações extremas do público &#8211; coisa que não aconteceu. E parece que <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> veio como uma resposta a isso<em><strong>.</strong></em></p>
<p>A sensação que fica ao final da sessão é que a continuação é um pedido de desculpas para todos que criticaram a suposta &#8216;mensagem&#8217; de <strong><em>Coringa (2019)</em></strong>. O texto nada mais é do que um mastigar do primeiro filme, com o claro objetivo de justificar cada uma das escolhas feitas para o antecessor, tornando <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> uma carta aberta que não deixa dúvidas sobre suas intenções. O que havia de narrativamente incendiário no primeiro longa se perde. O que teve de novidade ficou para trás. E o que resta ao público é uma enfadonha história que questiona a inteligência do espectador e que vive pelas migalhas do que foi <strong><em>Coringa</em></strong>.</p>
<figure id="attachment_18771" aria-describedby="caption-attachment-18771" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-18771" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-750x500.jpg" alt="Coringa - Loucura a Dois (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1.jpg 1011w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18771" class="wp-caption-text">Joaquin Phoenix em cena de &#8216;Coringa &#8211; Loucura a Dois (2024)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ironicamente, o que mais preocupava o público de uma forma geral era o enquadramento que Phillips daria às cenas musicais em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em>. Muito se especulou, criticou e questionou essa escolha, mas ela é uma das melhores feitas no novo filme. Diria até que é um dos poucos (se não o único) acerto de novidade trazida para o novo projeto. A música sempre foi um elenco presente no primeiro filme, que sempre esteve associado aos momentos de maior delírio do personagem-título. Tendo isso claro, é possível entender a progressão que é feita na sequência com a expansão desse elenco que já era vital.</p>
<p>Em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em>, a música se torna um elemento mais presente e vivo em cena. Além disso, a música demarca esse outro sentimento do personagem principal: o amor por sua parceira do crime. Ainda que no plano da imaginação, as cenas musicais entram como uma forma de visualização do que se passa na mente perturbada do personagem de Phoenix. Dos momentos astairianos aos lalalandianos, as cenas musicais do roteiro prestam uma homenagem a esse tipo de cinema hollywoodiano, ao mesmo tempo que criam um artifício narrativo interessantíssimo.</p>
<p>Para além de uma homenagem ao gênero cinematográfico, as cenas musicais também dizem respeito ao que se passa na mente de Arthur Fleck. Do amor aos delírios de grandeza até chegar no medo da traição. Esse trânsito imaginativo composto pelas músicas consegue materializar um vislumbre do que havia de criativo e interesse no primeiro filme. Ele é capaz de compor uma complexidade em um roteiro tediosamente didático e verborrágico. Talvez, o último flash de esperança criativa em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> esteja nessas cenas, que foram vastamente criticadas durante a produção do filme.</p>
<p>Para tristeza de muitos, a sequência será uma decepção. Desde seu lançamento no Festival de Veneza que o longa divide opiniões entre a crítica e deve seguir por esse caminho. Ainda assim, o fôlego desse filme não deve alcançar o do seu antecessor. O longa será uma surpresa para muitos. Surpreenderá com as cenas musicais fazendo sentido e sendo um respiro na mediocridade que rodeia o filme e, da mesma forma, surpreenderá por ser uma decepção tamanha por outros motivos que não essa escolha estética das músicas. A vida útil de <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> parece ter prazo de validade &#8211; e ele não deve estar longe de vencer.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Phillips</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Joaquin Phoenix, Lady Gaga, Brendan Gleeson, Catherine Keener e Zazie Beetz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/exeVIM3j3y0?si=61zbjjjSpi96XN9V" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Os Banshees de Inisherin</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Feb 2023 21:40:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Os Banshees de Inisherin se passa na Irlanda dos anos 1920, quando a Primeira Guerra Mundial estava em curso, e conta a história de Pádraic (Colin Farrell, Batman), um gentil homem que tem a sua rotina abalada pela abrupta mudança de comportamento de seu melhor amigo, Colm (Breendan Gleeson, A Tragédia de Macbeth). Com cenários belíssimos da ilha fictícia de Inisherin, acompanhamos o desenrolar curioso e chocante desta história de amor fraterno. Começamos com a leveza e curiosidade de um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Os Banshees de Inisherin</strong></em> se passa na Irlanda dos anos 1920, quando a Primeira Guerra Mundial estava em curso, e conta a história de Pádraic (Colin Farrell, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-batman/"><em>Batman</em></a>), um gentil homem que tem a sua rotina abalada pela abrupta mudança de comportamento de seu melhor amigo, Colm (Breendan Gleeson, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-tragedia-de-macbeth-apple-tv/"><em>A Tragédia de Macbeth</em></a>). Com cenários belíssimos da ilha fictícia de Inisherin, acompanhamos o desenrolar curioso e chocante desta história de amor fraterno.</p>
<p>Começamos com a leveza e curiosidade de um homem que tem o hábito diário de beber num pub local com o seu amigo de longas datas. Quando de repente esta estrutura muda, o protagonista fica perdido e sem rumo. Seu único objetivo é recuperar a amizade querida. Doce, simplório e cuidadoso, ele acredita que a insistência levará ao sucesso. Porém, ele não poderia imaginar que encontraria do outro lado a intransigência e amargor de um velho sem muita perspectiva de vida.</p>
<p>Em meio a um ritmo que mescla a melancolia com a diversão, o roteiro de Martin McDonagh (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tres-anuncios-para-um-crime/"><em>Três Anúncios para um Crime</em></a>) vai nos apresentando personagens agradáveis e bons de acompanhar. Com sutileza, adentramos um pouco mais nas suas histórias, o suficiente para se envolver e criar empatia. Iniciamos o longa como uma comédia e seguimos na melancolia e tristeza de um drama que propõe reflexões.</p>
<p>O mote principal de <strong><em>Os Banshees de Inisherin</em></strong> é, no entanto, a aceitação da falta de controle que temos sobre o mundo ao nosso redor. Ainda que possamos fazer diversos esforços em prol de algo, não há garantia alguma que o objetivo será alcançado, pois ele não depende apenas de nós. E isso é igualmente frustrante e libertador. E vemos essa frustração nos olhos de Pádraic. Não há nada que ele possa fazer sobre aquela amizade, por mais que ele sinta falta absurdamente e por mais que ele não tenha feito especificamente nada.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16397" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/3765935.jpg" alt="Os Banshees de Inisherin" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/3765935.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/3765935-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/3765935-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/3765935-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A libertação vem quando entendemos que a única coisa que podemos fazer e controlar são as nossas próprias atitudes e, a partir daí, pensar em alguma mudança no mundo ou no comportamento das pessoas que nos cercam. Focar em si mesmo, entender as suas ânsias e angústias e propor uma mudança interna. Isso é um tanto libertador.</p>
<p>A medida que o filme avança, vemos a transformação dos personagens, através dos seus limites sendo testados. O completo surto da parte de Colm para provar seu ponto, revelando a sua falta de empatia e incapacidade de se colocar no lugar do próximo. O desespero de Pádraic em tentar resolver a situação, simplesmente piorando tudo a cada instante. A aldeia que acompanha o caso perplexa e chocada com o avançar das escolhas.</p>
<p>Com atuações incríveis da dupla principal (e também dos coadjuvantes), <strong><em>Os Banshees de Inisherin</em></strong> honra todas as suas 9 <a href="https://coisadecinefilo.com.br/saiu-a-lista-de-indicados-ao-oscar-2023-confira/"><em>indicações ao Oscar</em></a> deste ano. Na verdade, poderiam até ser 10, pois considero um absurdo este filme não ter sido indicado na categoria de Melhor Fotografia. É cada cenário de tirar o fôlego. Envolto em sorrisos, abraços, lamentos e melancolia, o longa é um presente ao telespectador despretensioso e vale cada minuto de sua atenção.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Martin McDonagh</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Colin Farrell, Brendan Gleeson, Kerry Condon, Barry Keoghan, Gary Lydon, Pat Shortt</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/I3N_Am8mP0E" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Frankie</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Feb 2020 23:10:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Durante uma viagem por Sintra com três gerações da sua família, a atriz Françoise Crémont, chamada de Frankie pelos mais chegados, passa a olhar para sua vida e avaliar o impacto de uma notícia naquele núcleo de relações. O diretor e roteirista americano Ira Sachs (de Deixe a Luz Acesa e O Amor é Estranho) retorna em Frankie, um mosaico de personagens tomado por diálogos triviais extremamente reveladores e por um olhar nada denotativo para a jornada turística empreendida por [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Durante uma viagem por Sintra com três gerações da sua família, a atriz Françoise Crémont, chamada de Frankie pelos mais chegados, passa a olhar para sua vida e avaliar o impacto de uma notícia naquele núcleo de relações. O diretor e roteirista americano Ira Sachs (de <em>Deixe a Luz Acesa</em> e <em>O Amor é Estranho</em>) retorna em <strong><em>Frankie</em></strong>, um mosaico de personagens tomado por diálogos triviais extremamente reveladores e por um olhar nada denotativo para a jornada turística empreendida por Frankie e seus familiares.</p>
<p>Por uma leitura mais literal, <em><strong>Frankie</strong> </em>é um drama de relações cotidianas envolvendo os encontros e desencontros dos personagens escritos por Sachs e pelo seu parceiro de roteiro Mauricio Zacharias. Na tela, o que vemos é a representação de uma certa classe média alta envolvida por seus dilemas existenciais enquanto conhece toda a mítica em torno da cidade histórica portuguesa apresentada por um guia local. No entanto, logo, o drama de Ira Sachs demonstra ter outras camadas que estão escondidas por trás daquilo que se vê na tela.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12450" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4685762.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Frankie" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4685762.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4685762.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4685762.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>De uma maneira geral, o cineasta faz um interessante olhar de uma protagonista que está no leito de morte para seus entes queridos, imaginando o impacto que sua ausência trará a todos. O cineasta é um pouco redundante em sua jornada existencial, mas, de uma maneira geral, ela rende ótimos momentos a seu excelente elenco e imagens deslumbrantes de Portugal que valorizam toda a aura em torno do local e a entrelaçam com a jornada da protagonista interpretada por Huppert.</p>
<p>Como de praxe, Isabelle Huppert (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-obsessao/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Obsessão</em></a>) está fabulosa na precisão com que costura alguns dos mais singelos detalhes da sua personagem e é acompanhada por atores como Marisa Tomei e Brendan Gleeson, singulares em cena. Não espere de <em><strong>Frankie</strong> </em>grandes <em>plots</em> reveladores ou um roteiro excessivamente preocupado com sua trama, o que vale aqui é a mais bruta contemplação, dos personagens do filme a cada viela de Sintra e também a cada angústia, medo e fragilidade de suas almas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Ira Sachs<br />
<strong>Elenco:</strong> Isabelle Huppert, Marisa Tomei, Brendan Gleeson, Jérémie Renier, Pascal Gregory, Vinette Robinson, Greg Kinnear, Ariyon Bakare, Carloto Cotta, Sennia Nanua</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/hso1unHjR80" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: As Sufragistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Dec 2015 16:37:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; A causa feminina foi um dos temas evidentes em 2015 na indústria cinematográfica. Das declarações de Jennifer Lawrence sobre a desigualdade de salários entre atores e atrizes em Hollywood ao mega-sucesso Mad Max &#8211; Estrada da Fúria e a icônica personagem interpretada por Charlize Theron no filme de George Miller, a Imperatriz Furiosa, nunca se discutiu tanto o lugar das mulheres nas narrativas cinematográficas como agora. As Sufragistas seria a &#8220;cereja no bolo&#8221; de toda esta atmosfera saudável de debates, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_4190" aria-describedby="caption-attachment-4190" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4190 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/12/suffragette2-large-620x349.jpg" alt="suffragette2-large" width="620" height="349" /><figcaption id="caption-attachment-4190" class="wp-caption-text">Resultado aquém do esperado: Filme não chega a ser um desastre, mas apresenta-se como um drama político ligado no automático.</figcaption></figure>
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<p>A causa feminina foi um dos temas evidentes em 2015 na indústria cinematográfica. Das declarações de Jennifer Lawrence sobre a desigualdade de salários entre atores e atrizes em Hollywood ao mega-sucesso <i>Mad Max &#8211; Estrada da Fúria</i> e a icônica personagem interpretada por Charlize Theron no filme de George Miller, a Imperatriz Furiosa, nunca se discutiu tanto o lugar das mulheres nas narrativas cinematográficas como agora. <i>As Sufragistas </i>seria a &#8220;cereja no bolo&#8221; de toda esta atmosfera saudável de debates, prometendo levar a discussão para a temporada de premiações. O grande problema é que a recepção norte-americana ao filme não foi muito calorosa e o longa teve pouquíssimas menções em prêmios que antecedem o Oscar, nem mesmo nomeações ao trabalho da atriz Carey Mulligan, que parecia uma das poucas seguranças do filme, surgiram nas listas de indicados ao Globo de Ouro ou ao SAG Awards. E não é querendo ser &#8220;agorento&#8221; não, mas esta ausência é bem merecida. Ainda que <i>As Sufragistas </i>esteja longe de ser um desastre cinematográfico, é um filme bem morno, previsível e emocionalmente mecânico.</p>
<figure id="attachment_4192" aria-describedby="caption-attachment-4192" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4192 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/12/Suffragette-620x326.jpg" alt="Suffragette" width="620" height="326" /><figcaption id="caption-attachment-4192" class="wp-caption-text">Menos de 3 minutos: Meryl Streep tem pouquíssimos minutos em cena no filme &#8220;As Sufragistas&#8221;</figcaption></figure>
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<p><i>As Sufragistas </i>é baseado em eventos reais e conta parte da trajetória do movimento feminista na Inglaterra. O filme é ambientado no início do século XX e traz o grupo reivindicando o direito ao voto através de atos coordenados para chamar a atenção das autoridades públicas. A trama é centrada na adesão de Maud Watts, um jovem trabalhadora de uma fábrica, que mesmo sem ter nenhuma formação política se envolve com o movimento.</p>
<p>A diretora Sarah Gavron dirige o seu longa com propósitos muito claros e isso fica evidente desde o início de <i>As Sufragistas</i>: mostrar o quanto a causa das suas personagens foi e continua sendo importante. É uma pena que a realizadora torne tudo muito didático, usando um leve maniqueísmo na construção dos seus personagens, e flertando com chavões de dramas políticos que tornam a trama emocionalmente fria, ainda que vez ou outra busque criar uma empatia entre o espectador e a situação das suas personagens. Gavron opta por um filme burocrático, por uma narrativa &#8220;quadradona&#8221; ao estilo de telefilmes históricos da BBC, o que enfraquece e muito <i>As Sufragistas </i>como filme.</p>
<figure id="attachment_4191" aria-describedby="caption-attachment-4191" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4191 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/12/suffragette-fr-02-670-380-620x352.jpg" alt="suffragette-fr-02-670-380" width="620" height="352" /><figcaption id="caption-attachment-4191" class="wp-caption-text">Feminista por acaso: Centro da narrativa é a operária Maud Watts, interpretada com precisão por Carey Mulligan.</figcaption></figure>
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<p>Do elenco, Carey Mulligan é o único destaque, já que a sua personagem é o centro de toda a trama de <i>As Sufragistas</i>. A atriz está muito bem como Maud Watts, optando por uma interpretação repleta de sutilezas. Ainda assim, é preciso sublinhar que não é o melhor desempenho da sua carreira (este continua sendo em <i>Shame</i>) e não mereceria menção a prêmios como alguns previram meses atrás. Os demais atores, incluindo aqui Helena Bonham Carter, Anne-Marie Duff, Romola Garai, Ben Whishaw, Brendan Gleeson e, claro, Meryl Streep, não tem grande destaque que mereça uma maior atenção, todos flanam na história de Maud Watts. Meryl Streep é o maior exemplo disso, com menos de três minutos em cena (não estou sendo exagerado, cronometrado deve dar isso mesmo), a atriz só por ter o seu nome vinculado ao projeto gera uma expectativa frustrada no público (afinal é Meryl Streep) e acaba chamando muita atenção para uma <i>cameo</i>, ofuscando a própria obra.</p>
<p>Em tom esquemático, <i>As Sufragistas </i>acaba se impondo pela própria história que busca contar &#8211; que de fato é muito importante e, mais do que nunca, merece ser conhecida. O filme  em si decepciona pela falta de personalidade da sua condução e por navegar em águas tão mornas que não fossem o seu desfecho e aquilo que antecede os seus créditos finais seria um filme esquecível, uma pena pois aquilo que lhe dá origem merecia um tratamento melhor.</p>
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