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	<title>Arquivos Andy Muschietti - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Andy Muschietti - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: The Flash</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jun 2023 18:41:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mais um longa de super-herói chega aos cinemas. Esta é a vez de The Flash, aguardado filme que promete um desfecho do universo da DC, que já avisou recentemente que dará um reboot na maioria dos personagens. Notícia essa que já me deixou bastante inconformada, já que não consigo visualizar outros atores na pele de Superman e Mulher-Maravilha, que não sejam Henry Cavill (Enola Holmes) e Gal Gadot (Alerta Vermelho), respectivamente. Lamentos a parte, aqui em The Flash, Barry Allen, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um longa de super-herói chega aos cinemas. Esta é a vez de <strong><em>The Flash</em></strong>, aguardado filme que promete um desfecho do universo da DC, que já avisou recentemente que dará um <em>reboot</em> na maioria dos personagens. Notícia essa que já me deixou bastante inconformada, já que não consigo visualizar outros atores na pele de Superman e Mulher-Maravilha, que não sejam Henry Cavill (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-enola-holmes-netflix/"><em>Enola Holmes</em></a>) e Gal Gadot (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-alerta-vermelho-netflix/"><em>Alerta Vermelho</em></a>), respectivamente.</p>
<p>Lamentos a parte, aqui em <strong><em>The Flash</em></strong>, Barry Allen, interpretado pelo polêmico Ezra Miller (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-animais-fantasticos-os-segredos-de-dumbledore/"><em>Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore</em></a>) simplesmente não consegue largar a história da morte da mãe e, consequente, prisão do pai. Em um momento de dor e frustração, ele acaba descobrindo que a sua velocidade permite que ele viaje no tempo e espaço, o que o faz querer voltar no passado e salvar sua mãe. Claramente as coisas não saem conforme o esperado e ele acaba imerso no desespero do multiverso.</p>
<p>Particularmente, não aguento mais filmes que coloquem o multiverso como cerne da questão. É como se nada mais fosse definitivo, já que o personagem pode simplesmente voltar em algum momento em que o roteiro entender que isso seja interessante. Essa equação do multiverso só funciona quando utilizada em doses homeopáticas e não é isso que vem acontecendo ultimamente. Até o filme que ganhou o Oscar, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tudo-em-todo-lugar-ao-mesmo-tempo/">Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo</a>, fez uso desta técnica. Ou seja, já vejo este mercado como saturado. Porque agora você tá me dizendo que o personagem X morreu, mas pode ser que daqui uns anos, se isso for conveniente, ele possa ressurgir das cinzas com essa desculpa. Acho bem problemático.</p>
<p>Aqui especificamente em <em><strong>The Flash</strong></em>, acredito até que o uso foi bem dosado e com uma argumentação válida. O que move o protagonista neste sentido é a dor do luto nunca superado. E nada mais justo que isso para fazer qualquer pessoa tentar o impossível. Outro ponto importante é que obviamente não dá certo e o personagem sofre as diversas consequências de seus atos. Não há impunidade para quem quer mudar o fio do tempo e as coisas não vão sair exatamente como esperamos.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16806" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/06/5573879.jpg" alt="The Flash" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/06/5573879.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/06/5573879-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/06/5573879-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/06/5573879-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Nesta tentativa de resolver tudo e consertar os erros, Barry enfia mais ainda os pés pelas mãos. É uma sucessão de remendos que tornam cada vez mais complicado o cenário. Sozinho e desamparado, já que o multiverso te rouba as pessoas que mais confia, ele precisa seguir seu instinto de tentar reduzir os danos e tomar as decisões corretas. Tudo isso enquanto tenta controlar a si mesmo, como um paradoxo interessante da nossa dualidade interior.</p>
<p>Muitos personagens antigos e afetivos aparecem neste meio do caminho. O principal, claro, é o Batman de Michael Keaton (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-os-7-de-chicago-netflix/"><em>Os 7 de Chicago</em></a>). Ele não apenas traz de volta o seu personagem dos anos 1989, como toda a atmosfera que o envolve. Um homem-morcego mais tradicional, com várias gambiarras tecnológicas, morcegos voando ao redor e os bat-móveis característicos. É realmente fantástico e inserido de uma maneira assertiva.</p>
<p>Não há como ignorar, no entanto, toda a polêmica que envolve Ezra Miller. Ainda que ele nos ofereça uma boa atuação, como é de seu costume, é complicado esquecer que ele foi envolvido em inúmeros casos problemáticos de violência, agressão e abuso, dos quais vários ele chegou a confessar. Fica muito claro que ele só está ali por dois motivos simples: dinheiro e é branco. Porque se fosse um ator negro e o filme não estivesse pronto, as consequências viriam antes de qualquer confirmação, como no caso de Jonathan Majors (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-creed-iii/"><em>Creed III</em></a>).</p>
<p>Seguindo o fluxo, <strong><em>The Flash</em></strong> é uma boa finalização de uma era bem bacana da DC. Ainda que eu lamente as decisões do estúdio quanto aos seus protagonistas, esse filme consegue dar um desfecho minimamente respeitoso e lógico. Via de regra, sempre acabo achando que as produções da DC são superiores, especialmente em roteiro, do que as da Marvel, que só ganha mais notoriedade pela quantidade absurda de filmes que são lançados. Aqui eu vejo mais equilíbrio e sensatez.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Andy Muschietti</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jeremy Irons, Ezra Miller, Sasha Calle, Luke Brandon Field, Michael Shannon, Ron Livingston, Maribel Verdú, Ben Affleck, Michael Keaton</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Am7va7_gOlo" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: It &#8211; Capítulo 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Sep 2019 16:07:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A história do palhaço Pennywise chega ao segundo e último episódio com It &#8211; Capítulo 2, pelas mãos do diretor Andy Muschietti, o mesmo responsável pelo primeiro longa, It &#8211; A Coisa. A história se passa 27 anos depois que as crianças do Clube dos Otários destruíram a Coisa e fizeram um pacto perpétuo para sempre protegerem uns aos outros e a cidade, caso ele voltasse. Quase todos os integrantes do grupo saíram de Derry depois dos eventos fatídicos e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A história do palhaço Pennywise chega ao segundo e último episódio com <strong><em>It &#8211; Capítulo 2, </em></strong>pelas mãos do diretor Andy Muschietti, o mesmo responsável pelo primeiro longa, <em>It &#8211; A Coisa</em>. A história se passa 27 anos depois que as crianças do Clube dos Otários destruíram a Coisa e fizeram um pacto perpétuo para sempre protegerem uns aos outros e a cidade, caso ele voltasse.</p>
<p>Quase todos os integrantes do grupo saíram de Derry depois dos eventos fatídicos e seguiram sua vida em outras cidades. Isso permitiu que eles esquecessem a maior parte dos acontecimentos daquele período. Menos Mike (Isaiah Mustafa), que continuou morando no mesmo lugar e lembrando constantemente de tudo que passou.</p>
<p>No primeiro filme, o grupo de crianças funcionava perfeitamente bem. O elenco era muito equilibrado, com ótimas atuações de todos e características peculiares de cada personagem. Nos envolvemos individualmente com eles, o que poderia tornar difícil a tarefa do segundo filme de inserir novos atores para os mesmos personagens.</p>
<p>Um dos pontos altos de <strong><em>It &#8211; Capítulo 2</em></strong> é, definitivamente, o <em>casting</em>. Conseguiram escolher precisamente os atores que eram fisicamente mais parecidos com as crianças e que pudessem transmitir as mesmas sensações, com as características peculiares de cada um. E isso, por si só, já torna o filme bom, já que acertou no ponto principal.</p>
<p>James McAvoy (<em>Fragmentado</em>) e Jessica Chastain (<em>A Hora Mais Escura</em>) são nomes mais fortes do elenco e que conseguem vestir bem as personalidades de seus papéis, mesmo que eles acabem tendo um pouco menos de holofote do que poderiam. O destaque fica mesmo por conta de James Ransone (<em>A Rebelião</em>) e Bill Hader (série <em>Barry</em>), que são definitivamente o foco nas cenas em que aparecem. Não apenas a construção de personagem está bem feita, como a história que cruza os dois de maneira sutil e assertiva.</p>
<p>O roteiro acerta ainda em esmiuçar os personagens na individualidade, além do grupo como um todo. Cada um tem seu medo particular, seus traumas e marcas na vida que justifiquem seus comportamentos e decisões. Isso traz mais realidade para a história e fluidez para os atos.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11208" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-otarios-estao-mais-velhos-em-it-capitulo-2-1567516790225_v2_1920x1080-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-otarios-estao-mais-velhos-em-it-capitulo-2-1567516790225_v2_1920x1080.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-otarios-estao-mais-velhos-em-it-capitulo-2-1567516790225_v2_1920x1080-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-otarios-estao-mais-velhos-em-it-capitulo-2-1567516790225_v2_1920x1080-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Pontos polêmicos são tratados ao longo da trama, como a homofobia, o suicídio, o <em>bullying</em>, relacionamentos abusivos, etc. Falta um pouco de cuidado em alguns pontos, com excessivas piadas de gordo, uma relativa falta de tato com o suicídio ou o simples ignorar de um casamento abusivo. No entanto, ao tocar nestes assuntos, mesmo que não da melhor forma, as temáticas já propõe um debate necessário e um olhar do espectador para pontos constantemente deixados de lado.</p>
<p>O filme se demora demais em momentos desnecessários, alongando cenas que não têm tanta representatividade. Tudo isso rendeu um longa de quase 2h50, que poderia muito bem ter 30 minutos a menos de duração, sem nenhum prejuízo. Por mais que seja intercalado com cenas de susto e muito nojo, a experiência fica prejudicada e cansativa no meio da história.</p>
<p>Como filme de terror, um ponto muito importante é o susto e o medo que implica no espectador. Neste quesito, um ótimo acerto. Cenas nojentas e repugnantes, sustos em momentos certeiros e o medo que transpassa por toda a narrativa, fazem com que <em><strong>It &#8211; Capítulo 2</strong> </em>cumpra o seu objetivo principal de causar horror. Mesmo assim, ele contem pinceladas de riso e romance que funciona como um respiro necessário na narrativa.</p>
<p>O mote principal do longa é o medo e como ele pode aniquilar sonhos, transformar vidas e destinos. A finalização de filme é outro ponto alto. Eles conseguem fazer de maneira grandiosa e honesta, respeitando toda a trajetória que foi construída até ali e dando o devido desfecho aos personagens.</p>
<p>Com um pouco de excesso de nostalgia, o roteiro mescla os adultos com as crianças, unificando cada dupla e nutrindo um carinho entre as partes. Tanto quanto poderia se esperar. Mesmo que funcione muito bem, o sentimento de que o primeiro filme é melhor fica conosco o tempo todo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Andy Muschietti<br />
<strong>Elenco:</strong> Bill Skarsgård, James McAvoy, Jessica Chastain, Bill Hader, Jay Ryan, Isaiah Mustafa, James Ransone, Andy Bean, Jaeden Martell, Sophia Lillis, Wyatt Oleff, Jack Dylan Grazer, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jeremy Ray Taylor</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/9hTiR6qD3Ow" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: It &#8211; A Coisa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Sep 2017 22:01:32 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Bill Skarsgard]]></category>
		<category><![CDATA[It: A Coisa]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Um sótão escuro durante a madrugada, pessoas disformes num antigo quadro do gabinete de casa, matérias de jornal relatando eventos reais macabros, uma figura paterna incontestavelmente repugnante, palhaços&#8230; Os medos de criança assumem diversas formas em <i>It: A Coisa </i>e é sobre a sua fonte de construção no real e consequente transporte para a fantasia infantil que a mais recente adaptação de uma das mais aclamadas obras literárias de Stephen King quer tratar. Quem aguarda a obra desde o lançamento do primeiro trailer pode ficar sossegado, o diretor Andy Muschietti fez um filme muito sólido que consegue compreender o espírito preciso do material que o originou e honrar com maturidade o propósito do seu próprio gênero de classificação. Esta história não é sobre sustos e criaturas apavorantes, ainda que elas façam parte de todo o espetáculo de horror que <i>It </i>proporciona, mas sobre o enfrentamento e a superação de traumas, fobias e culpas.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">No filme, o público acompanha a história de um grupo de crianças que vive numa cidade com um histórico recente de desaparecimentos. Denominado de &#8220;clube dos otários&#8221;, as crianças começam a ser atormentadas por uma série de aparições associadas à imagem de um palhaço chamado Pennywise. As crianças descobrem que tudo faz parte de uma antiga maldição e que precisam quebrar um ciclo de tragédias que toma conta do local a cada 27 anos para poderem viver em paz e evitar que outras pessoas se tornem vítima dessas aparições.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>It: A Coisa </i>tem uma qualidade inconteste das melhores histórias de terror já criadas na telona, consegue compreender que antes da exposição gráfica de horrores fantásticos, corpos dilacerados e toda sorte de escatologia é importante construir seus personagens e fortalecer suas relações de maneira que toda essa &#8220;costura&#8221; seja capaz de gerar empatia na plateia, que não apenas torce pelo êxito dos seus protagonistas, como também consegue se relacionar com seus principais dilemas. Na adaptação de Andy Muschietti isso está presente na maneira como o roteiro de Cary Fukunaga, Chase Palmer e Gary Dauberman consegue contemplar cada uma das crianças que fazem parte do &#8220;clube dos otários&#8221;, estabelecendo ainda uma dinâmica espontânea e fluida quando aparecem em cena e interagem.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8184" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/09/it-movie-pennywise-losers.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O trio de roteiristas é certeiro quando dimensiona a origem dos principais dramas desses personagens, como Bill, atormentado pela culpa de ter contribuído com o desaparecimento do irmão mais novo, ou Beverly, que, prestes a se tornar adolescente, passa a ser alvo do preconceito de toda uma sociedade machista. Nesse sentido, não só o roteiro, mas a própria direção de Muschietti é hábil ao construir uma atmosfera ameaçadora tanto nas sequências em que a &#8220;coisa&#8221; surge em cena materializada na figura de Pennywise e toda sorte de fontes do horror, como também na ambiência do real, basta notar, por exemplo, como a casa de Beverly e os planos nos quais aparecem seu pai, sempre envolto por sombras, trazem uma sensação de temor e angústia, ou seja, tanto o esgoto que abriga o palhaço, quanto ambientes que supostamente deveriam oferecer proteção são espaços completamente apavorantes deixando os garotos vulneráveis à própria sorte. Isso está presente de maneira reiterada, afinal todas as crianças do grupo de alguma forma estão acuadas em suas próprias vidas, até mesmo os valentões da escola.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O filme quer abordar problemas típicos da faixa etária de suas personagens, como o <i>bullying</i>, e alguns dilemas da transição para a adolescência, além de mostrar como é extremamente difícil exercitar a infância diante de um contexto tão hostil, seja na escola quanto em casa, ambientes que muitas vezes coibem a imaginação e introduzem sem cerimônias a dura realidade da vida adulta. Ainda assim, é um filme que sublinha a importância de se preservar valores e sentimentos que parecem fluir espontânea e desinteressadamente nessa fase de nossas vidas. Portanto, <i>m</i>esmo com toda a densa e por vezes soturna carga dramática inerente ao seu material, <i>It</i> é uma experiência agradável e leve para o público pois traz o olhar de crianças para os eventos narrados. O filme é repleto de momentos de respiro nos quais seus personagens assimilam os eventos que protagonizam e processam suas conclusões sobre os mesmos, exercitando sua infância com brincadeiras e descobertas típicas da idade.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Entendendo que a alma da sua história é o &#8220;clube dos otários&#8221; e não o palhaço assustador que popularizou o material desde os anos 80 na versão de Tim Curry para a minissérie homônima da TV, <i>It: A Coisa </i>ainda conta com um elenco que confere viço a sua narrativa. Como um típico exemplar dos anos 80, alguns carregando o DNA do próprio Stephen King, o que interessa aqui é entender e dimensionar a experiência de partilhar as descobertas do mundo, suas angústias e superações na infância. O grupo de meninos encabeçado por figurinhas já conhecidas do público como Jaeden Lieberher, de <i>Um Santo Vizinho</i>, e Finn Wolfhard, da série <i>Stranger Things</i>, aliado a expressiva Sophia Lillis, intérprete de Beverly, enchem o filme de emoção, ao mesmo tempo em que Bill Skarsgard na pele de Pennywise consegue ser o porta voz dos horrores que surgem neste conto. É uma combinação harmônica de esforços e elementos bem orquestrados que rendem uma experiência cinematográfica para ficar na memória em 2017.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/UllUiLEXB_g" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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