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	<title>Arquivos Tahar Rahim - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Tahar Rahim - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Festival do Rio no Telecine: O Mauritano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Aug 2021 13:48:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Benedict Cumberbatch]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Baseado na trajetória de Mohamedou Ould Slahi (Tahar Rahim, Maria Madalena), O Mauritano contém um ganho bastante importante quando se pensa na história do cinema mundial. Além de servir com uma recordação eterna dos erros cometidos pelos estadunidenses, ao lidar com os muçulmanos, principalmente depois do 11 de setembro, o filme chega como uma inversão da costumeira lógica de que são os Estados Unidos que irão salvar o dia. Aqui, eles são os vilões. Não à toa, este é um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Baseado na trajetória de Mohamedou Ould Slahi (Tahar Rahim, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-maria-madalena/"><em>Maria Madalena</em></a>), <strong><em>O Mauritano</em></strong> contém um ganho bastante importante quando se pensa na história do cinema mundial. Além de servir com uma recordação eterna dos erros cometidos pelos estadunidenses, ao lidar com os muçulmanos, principalmente depois do 11 de setembro, o filme chega como uma inversão da costumeira lógica de que são os Estados Unidos que irão salvar o dia. Aqui, eles são os vilões. Não à toa, este é um enredo que se pauta na realidade.</p>
<p>Através da decupagem, é possível enxergar o olhar do protagonista para os seus algozes. Ainda que ele não esteja em cena, por meio de planos detalhes e movimentações de câmera – como o <em>travelling in</em>, que passa da fresta da grade até o mar ou na cena do restaurante, com o quadro fechado nos pratos –, os militares e os políticos dos EUA conferem perigo e são demonstrados em toda sua sordidez. De um lado, se vê a pequenez, a insegurança e o abuso do poder de uma nação que se enxerga como dona do mundo, do outro, um cidadão que não pôde, por muito tempo, contar com um julgamento, que sofreu tortura e passou quatorze anos preso.</p>
<p>Entre idas e vindas do sofrimento de Mohamedou, as tentativas das advogadas humanistas Nancy Hollander (Jodie Foster, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-hotel-artemis/"><em>Hotel Artemis</em></a>) e sua parceira de trabalho Teri Duncan (Shailene Woodley, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-ultima-carta-de-amor-netflix/"><em>A Última Carta de Amor</em></a>), que desejam comprovar a ausência de seu envolvimento na queda das Torres Gêmeas, o roteiro, ainda que traga consigo informações relevantes, falha ao não trazer uma narrativa fluída e de ritmo contínuo. A força da trama está majoritariamente em seu início. Ao chegar à sua metade, <strong><em>O Mauritano</em></strong> passa a se tornar repetitivo, com situações semelhantes. Após o estabelecimento da atmosfera e a compreensão dos fatos, talvez o ideal fosse avançar, progressivamente, nos acontecimentos mostrados.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14387" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ir-the-mauritian.jpg" alt="O Mauritano" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ir-the-mauritian.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ir-the-mauritian-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ir-the-mauritian-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ir-the-mauritian-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>No entanto, o que ocorre é o oposto. Dando voltas para chegar ao ponto central, o julgamento de Mohamedou, no momento no qual o público se depara com o tão esperado momento, tudo precisa ser corrido para que o desfecho chegue. É por esta razão que alguns detalhes necessitam ser amarrados em uma cartela em seu encerramento. Esta é uma solução comum no cinema, porém, ainda que restassem detalhes futuros para complementar o enredo, o esgarçamento temporal anterior, juntamente com a corrida para alcançar sua conclusão, dão uma ideia de que falta uma mão mais certeira para uma seleção mais apropriada do que foi colocado na tela.</p>
<p>Ainda assim, é notável o desempenho da direção, que mescla sequências mais simples, com closes e plano e contraplano, e cenas com mais deslocamentos e inventividade. Além disso, Foster e Woodley apresentam construções contidas, mas efetivas. Seja em seus gestos ou olhares, há precisão e tônus em seus corpos. Ambas parecem ter feito uma pesquisa sobre Hollander e Duncan, respectivamente, porém não convocam uma representação delas, mas a própria interpretação de cada uma das duas figuras. Desta maneira, no geral, <strong><em>O Mauritano</em></strong> é um importante relato sobre os absurdos de um governo sem limites e apresenta qualidades técnicas e de discurso. Mas, ele carrega consigo algumas irregularidades, que enfraquecem um pouco de seu resultado.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kevin Macdonald</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Tahar Rahim, Jodie Foster, Shailene Woodley, Benedict Cumberbatch</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/AFB2eqX2ovo" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Um Inverno em Nova York</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Apr 2021 18:21:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Um Inverno em Nova York]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um Inverno em Nova York lança uma “tese” para o espectador no seu título original (The Kindness of Strangers, no português A Bondade de Estranhos) que será desenvolvida pela cineasta Lone Scherfig ao longo do filme. Para Scherfig, em metrópoles como Nova York, formada por recém-chegados em constante dificuldade para sobreviver, cada um desses indivíduos conta com ajuda uns dos outros. Integram a trama da diretora uma jovem fugindo com os filhos do marido agressor (Zoe Kazan, de Doentes de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Um Inverno em Nova York</strong> </em>lança uma “tese” para o espectador no seu título original (<em>The Kindness of Strangers</em>, no português <em>A Bondade de Estranhos</em>) que será desenvolvida pela cineasta Lone Scherfig ao longo do filme. Para Scherfig, em metrópoles como Nova York, formada por recém-chegados em constante dificuldade para sobreviver, cada um desses indivíduos conta com ajuda uns dos outros. Integram a trama da diretora uma jovem fugindo com os filhos do marido agressor (Zoe Kazan, de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doentes-de-amor/"><em>Doentes de Amor</em></a>), uma enfermeira que se dedica a terapias em grupo (Andrea Riseborough, de <em>Mandy</em>), um imigrante que trabalha na cozinha de um hotel (Tahar Rahim, atualmente em <em>O Paraíso e a Serpente</em>) e um rapaz que vive de bicos após perder o emprego (Caleb Landry Jones, de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tres-anuncios-para-um-crime/"><em>Três Anúncios para um Crime</em></a>).</p>
<p>A diretora propõe uma história multitrama nos moldes de Robert Altman com uma narrativa sem um grande protagonista e com tramas que se conectam impulsionadas pela grande temática do longa. Trata-se de uma novidade na carreira de Scherfig, que oscila entre obras inspiradas como <em>Educação</em>, longa que revelou em 2009 a atriz Carey Mulligan, e títulos medianos como o romance <em>Um Dia </em>de 2011 com Anne Hathaway no elenco. Talvez, <em><strong>Um Inverno em Nova York</strong> </em>seja o ponto mais baixo do seu currículo.</p>
<p>O longa aborda temas delicados como a situação da população sem-teto da maior cidade dos Estados Unidos, além da violência doméstica, motivo o suficiente para potencializar na obra uma atmosfera pesada. Scherfig procura suavizar a tensão desse contexto, o que é uma intenção até positiva da realizadora. No entanto, a maneira como ela faz isso em <strong><em>Um Inverno em Nova York </em></strong>soa como se Scherfig quisesse colocar para “debaixo do tapete” todas essas questões sérias que inevitavelmente acabam submergindo na história.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14053" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1.jpg" alt="Um Inverno em Nova York" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A perversidade do ser humano, seu lado violento e egoísta, que contrariam a “tese” da realizadora de que “há pessoas boas no mundo”, por mais que ela tente sufocar, uma hora surge e traz ruídos para uma história que convoca esse traço sombrio da nossa existência mas quer preenche-la de positividade. Essa tensão está presente nas telas na maneira como, por exemplo, Scherfig pasteuriza a relação abusiva e marcada pela violência doméstica sofrida pela personagem de Zoe Kazan ou mesmo sua experiência como sem-teto entrando de penetra em grandes eventos para roubar o <em>buffet </em>e alimentar seus filhos.</p>
<p>Além do que já fora apontado, algo que incomoda bastante em <em><strong>Um Inverno em Nova York</strong> </em>é a maneira estranha com que seus personagens se relacionam. Não há química alguma em um elenco que supostamente deveria inspirar sinergia, isso é ainda mais severo quando o encontro amoroso passa a ser uma pauta da história com a completa falta de sintonia entre Zoe Kazan e Tahar Rahim ou entre Andrea Riseborough e Jay Baruchel. É também estranho como essas mesmas figuras, que passaram por maus bocados em suas biografias sejam construídas na obra como figuras que são indiferentes às suas próprias dores, resultado da maneira atabalhoada com que o filme lida com o aspecto sombrio de suas existências, conforme traçamos anteriormente.</p>
<p>Com frieza e distanciamento, ao mesmo tempo em que estranhamente convoca um certo sentimentalismo, <strong><em>Um Inverno em Nova York </em></strong>se apresenta para o espectador como um filme sem “sangue nas veias”. É daquele tipo de filme cujas boas intenções colidem com a execução das suas ideias.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Lone Scherfig</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Zoe Kazan, Tahar Rahim, Andrea Riseborough, Bill Nighy, Caleb Landry Jones</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/TeH9-3gmOEM" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Passado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 May 2014 22:28:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Asghar Farhadi]]></category>
		<category><![CDATA[Bérénice Bejo]]></category>
		<category><![CDATA[O Passado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Durante uma discussão, Marie (Bérénice Bejo) e Samir (Tahar Rahim) acabam confessando um ao outro a verdadeira natureza do relacionamento que estabeleceram ao longo de oito meses. Ambos são parceiros substitutos, escolhidos para suprir amores mal resolvidos no passado. No entanto, por mais que se esforcem para refazer as suas próprias trajetórias, acabam não percebendo que sustentam no presente seus respectivos passados na esperança de que um dia as coisas retornem a ser como antes. Ilusão&#8230; O Passado, novo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_882" aria-describedby="caption-attachment-882" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/image_6720.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-882 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/image_6720-620x344.jpg" alt="image_6720" width="620" height="344" /></a><figcaption id="caption-attachment-882" class="wp-caption-text">Parceiros substitutos: Marie (Bérénice Bejo) e Samir (Tahar Rahim) se unem para superar o desgosto de relacionamentos fracassados.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Durante uma discussão, Marie (Bérénice Bejo) e Samir (Tahar Rahim) acabam confessando um ao outro a verdadeira natureza do relacionamento que estabeleceram ao longo de oito meses. Ambos são parceiros substitutos, escolhidos para suprir amores mal resolvidos no passado. No entanto, por mais que se esforcem para refazer as suas próprias trajetórias, acabam não percebendo que sustentam no presente seus respectivos passados na esperança de que um dia as coisas retornem a ser como antes. Ilusão&#8230; <em>O Passado</em>, novo filme do iraniano Asghar Farhadi, que em 2012 venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro por <em>A Separação</em>, traz temas recorrentes na carreira do diretor: famílias disfuncionais tragadas por situações que escapam às suas próprias vontades, desgastando e dissolvendo todos pólos desse núcleo familiar. Em todos eles, o amor não é o suficiente para manter uma família unida, pelo contrário, torna as tentativas de resolução dos conflitos ainda mais dolorosas e traumáticas.</p>
<p><em>O Passado </em>começa com o retorno do iraniano Ahmad (Ali Mosaffa) a Paris para assinar os papéis do divórcio com Marie (Bérénice Bejo). No momento, Marie planeja se casar com Samir (Tahar Rahim), com quem vive desde que sua esposa entrou em coma após atentar contra a própria vida. O casal recebe Ahmad na sua casa, onde vivem também as filhas dela e o único filho de Samir, Fouad (Elyes Aguis). Quando era casado com Marie, Ahmad estabeleceu um elo de amizade muito forte com a filha mais velha dela, Lucie (Pauline Burlet), que, por sua vez, guarda uma raiva profunda da mãe pela instabilidade de sua vida amorosa e pelas idas e vindas do seu padrasto mais amado a Paris.</p>
<figure id="attachment_830" aria-describedby="caption-attachment-830" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-830 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/528f55f4addcc-620x338.jpg" alt="528f55f4addcc" width="620" height="338" /><figcaption id="caption-attachment-830" class="wp-caption-text">O pequeno Fouad (Elyes Aguis) é o que mais sofre no meio do caos provocado pelos adultos: desempenho notável do garoto.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Essa teia de relacionamentos truncados faz toda a engrenagem de <em>O Passado </em>funcionar com muita fluidez e humanidade. Todos os dramas e perspectivas apresentadas são próximos da realidade de qualquer espectador. Com essa mesma destreza, Asghar Farhadi conduziu <em>A Separação </em>e <em>À Procura de Elly</em>, demonstrando firmeza na condução dos seus personagens e na compreensão de suas motivações a cada novo desdobramento da trama. Evitando sobrepor-se a sua própria história com qualquer subterfúgio visual, Farhadi concentra seus esforços no elemento humano, o seu forte e o enfoque da sua narrativa.</p>
<p>O diretor ainda encontra apoio no seu afiado elenco. Bérénice Bejo mostra-se uma atriz interessante ao compor uma personagem tensa que parece ter perdido todo o viço tamanho o cansaço com a inconstância de sua vida afetiva. O desempenho de Tahar Rahim vai por um caminho bem parecido, mantendo discretamente a expectativa, ainda que remota, de uma reviravolta na sua história. Contudo, o personagem mais interessante do triângulo pertence a Ali Mosaffa, Ahmed parece não querer cortar o elo que o ligou a Marie por tantos anos. Mosaffa preenche o seu personagem com uma dignidade que transborda cada cena e torna crível a razão pela qual Marie não conseguiu superar os entraves do casamento dos dois. Para completar, ainda somos agraciados com o desempenho surpreendentemente maduro do garoto Elyes Aguis que reage com rebeldia e incompreensão a tamanha confusão amorosa que se estabelece entre os adultos que fazem parte da sua vida.</p>
<figure id="attachment_832" aria-describedby="caption-attachment-832" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/the-past2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-832 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/the-past2-620x334.jpg" alt="the past2" width="620" height="334" /></a><figcaption id="caption-attachment-832" class="wp-caption-text">Bem diferente da Peppy Miller de &#8220;O Artista&#8221;, Bejo oferece uma performance dramática que lhe rendeu a Palma de Ouro em Cannes (2013).</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Conferindo dinamicidade e vivacidade a esses personagens tão vulneráveis e falhos, o elenco dá vida e transforma o roteiro muito bem desenhado pelo próprio realizador em um filme sensível e próximo das platéias. <em>O Passado </em>não cria empatia com o espectador através de artifícios visuais, o que não seria condenável caso fosse essa a sua proposta, mas por intermédio de histórias à flor da pele sobre indivíduos que sofrem de um mal comum que assola a contemporaneidade, a dificuldade de amar ou de fazer um sentimento nobre sobreviver em meio a tantos estímulos negativos e empecilhos do mundo material, físico. Se Asghar Farhadi continuar fazendo histórias como essa, com esse elevado fator humano e que tanto fazem falta no cinema contemporâneo, onde quer que venha filmar, já terá seus seguidores e admiradores fiéis.</p>
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