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	<title>Arquivos Shahadi Wright Joseph - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Nós</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Mar 2019 21:12:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O mistério do desconhecido é pauta para muitos filmes, em especial os de terror. Mas este fato por si só não rende uma grande película. É preciso saber traçar um bom caminho no roteiro para que a trama não caia na falta de imaginação. Nós consegue cumprir este propósito de maneira exemplar, nos oferecendo um thriller completamente tenso e verdadeiramente assustador. O diretor Jordan Peele retorna com mais um filme de terror, depois do sucesso de Corra! (2017), longa que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O mistério do desconhecido é pauta para muitos filmes, em especial os de terror. Mas este fato por si só não rende uma grande película. É preciso saber traçar um bom caminho no roteiro para que a trama não caia na falta de imaginação. <em><strong>Nós</strong></em> consegue cumprir este propósito de maneira exemplar, nos oferecendo um <em>thriller</em> completamente tenso e verdadeiramente assustador.</p>
<p>O diretor Jordan Peele retorna com mais um filme de terror, depois do sucesso de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-corra/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong><em>Corra!</em></strong></a> (2017), longa que fala muito sobre o racismo e a ideia de supremacia de raças, associado ao medo. Naquele longa, o cineasta já nos mostrou o quanto de potencial tem para dirigir este modelo de trama, onde criou uma tensão constante no espectador, tanto a partir da construção da narrativa, quanto no uso de recursos técnicos como enquadramentos de câmeras, trilha sonora, fotografia e figurino.</p>
<p>Em <strong><em>Nós</em></strong> a situação não foi diferente. Peele, que assina como roteirista, produtor e diretor, traz uma família comum composta pelos pais, um filho e uma filha, todos negros de classe média, curtindo o verão na casa de praia. Mas isso só é feito depois que um elemento aterrorizante é introduzido na trama. A garotinha que se perde dos pais no começo do filme e se vê assustada ao entrar em uma sala de espelhos num parque de diversões.</p>
<p>O filme logo nos mostra que Adelaide é a menina que cresceu e viveu ao longo de tantos anos com o trama causado naquele dia. Ela desconfia de tudo que acontece ao seu redor e não ignora as coincidências dos fatos, como números e pessoas aleatórias que surgem no seu caminho. A complexidade de sua personagem vai sendo desvendada aos poucos, mas de maneira contundente. Ela é determinada em tudo o que faz, principalmente no papel de salvar sua família.</p>
<p>Vale ressaltar, inclusive, que o elemento feminino é valorizado na construção da trama de <strong><em>Nós</em></strong>. Os homens que surgem ao longo da história, sejam eles o pai da menina, o marido ou o amigo, são completamente dispensáveis. Não no quesito de construção de enredo, mas no sentido de cooperação com o que acontece. Quem decide tudo, quem se defende, quem toma as decisões e as rédeas da situação são as mulheres, em absolutamente todos os momentos.</p>
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<p>Tudo isso faz parte de uma imensa colcha de retalhos que vai sendo construída muito sabiamente por Peele. O filme dá margem a interpretações, mas deixa muito claro seu raciocínio e objetivo. Ele faz uso do cinema de horror e absurdo, choca o espectador com as cenas de violência e perseguição. Tudo isso muito bem orquestrado com a trilha sonora marcante e a fotografia cuidada com esmero. Vale aqui o destaque à paleta de cores claras que é utilizada por Lupita. Isso reforça visualmente todo o sangue que surge ao longo da trama, além de fazer uma referência ao lado bom da protagonista.</p>
<p>Falando em atores, temos uma excelente escolha de elenco, principalmente os coadjuvantes. Elizabeth Moss (<em>The Handmaid&#8217;s Tale</em>) tem uma breve participação com uma personagem afetada, mas o faz com maestria, se destacando nas cenas em que aparece. O mesmo vale para a novata Shahadi Wright Joseph, que interpreta a filha da protagonista. A garota vai evoluindo na trama, passando de assustada à determinada em salvar a própria vida, independente dos traumas que estão surgindo.</p>
<p>No entanto, é Lupita Nyong&#8217;o (<em>12 Anos de Escravidão</em>) que conduz toda a trama e nos presenteia com uma atuação impecável. Ela consegue variar entre tantas emoções e perfis, passeando pela dor, amor, medo, sofrimento e determinação em segundos. Isso sem falar na personagem Red, que deixa qualquer espectador acuado na poltrona do cinema. Verdadeiramente assustadora.</p>
<p><strong><em>Nós</em></strong> é um filme que transita pela arte e pelo comercial com equilíbrio. Acompanhamos o desenvolver da trama que vai muito além do ápice de encontro dos duplos. Ele brinca com a ideia de que tudo aquilo se trata da mesma pessoa e as personalidades boa e ruim que vivem dentro dela. Peele faz isso com pinceladas de humor macabro, onde efetivamente rimos de nervoso do que está acontecendo. São respiros necessários para a trama, que deixa o espectador efetivamente sem ar.</p>
<p>Alguns elementos tornam-se desnecessários, principalmente na segunda metade da trama. Explicações que não precisavam ser dadas e que poderiam ser conferidas a imaginação do espectador. Tanto que a revelação ao final do filme não chega a ser tão surpreendente. Ela funciona muito mais para bagunçar a história (de maneira positiva e acertada). <em><strong>Nós</strong></em> é um verdadeiro filme de terror, na melhor definição do gênero.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jordan Peele<br />
<strong>Elenco:</strong> Lupita Nyong&#8217;o, Winston Duke, Elisabeth Moss, Shahadi Wright Joseph</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/fQ19DupGfzk" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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