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	<title>Arquivos Rooney Mara - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Rooney Mara - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Beco do Pesadelo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jan 2022 14:08:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Beco do Pesadelo é uma adaptação do Guillermo Del Toro para o romance homônimo de William Lindsay Gresham publicado em 1946 e que, por sua vez, já tinha rendido um filme muito famoso dirigido por Edmund Goulding em 1947. Del Toro teve o primeiro contato com o romance quando o ator Ron Perlman, que está no filme como uma figura paterna para a personagem de Rooney Mara, o presenteou com um exemplar do livro em 1992 no set de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> é uma adaptação do Guillermo Del Toro para o romance homônimo de William Lindsay Gresham publicado em 1946 e que, por sua vez, já tinha rendido um filme muito famoso dirigido por Edmund Goulding em 1947.</p>
<p>Del Toro teve o primeiro contato com o romance quando o ator Ron Perlman, que está no filme como uma figura paterna para a personagem de Rooney Mara, o presenteou com um exemplar do livro em 1992 no set de Cronos, primeira parceria dos dois nas telas antes mesmo de Hellboy.</p>
<p>O romance de Gresham é um material que faz todo sentido cair nas mãos do diretor. Toda a sua trama de corrupção apresenta uma atmosfera sobrenatural, mesmo que paire uma dúvida sobre a presença dessas manifestações na tela. Além disso, um dos cenários de <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> é um circo na tradição freakshow, tipo de atração bem comum na primeira metade do século passado e que rendeu obras do horror como Monstros de Todd Browning e a quarta temporada de American Horror Story. E lidar com essa temática é uma das especialidades do diretor, vide seu último longa, o vencedor do Oscar A Forma da Água.</p>
<p><em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> acaba sendo um conto moral à moda antiga, no qual o cineasta reverencia obras do passado, a própria primeira adaptação do romance e o cinema noir, trazendo essa história de um homem que cai em desgraça a partir do momento em que cede à ambição e ao enriquecimento a partir da exploração da fé alheia.</p>
<p>Bradley Cooper vive um rapaz que vai trabalhar em um circo e aprende alguns truques com um grande ilusionista interpretado por David Strathairn (Boa Noite e Boa Sorte). Mesmo alertado pelo seu mentor de que o uso indevido desse conhecimento pode levá-lo à desgraça, o personagem de Cooper utiliza tudo o que aprende para enganar gente poderosa quando vai para cidade grande. Só que ele acaba se encrencando cada vez mais, sobretudo quando ele começa a se deparar com figuras mais ardilosas que ele.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15139" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539.jpg" alt="O Beco do Pesadelo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Desde que migrou em definitivo para o grande esquema de produção cinematográfica hollywoodiano, o cinema de Del Toro passou por uma adaptação. É evidente que filmes como A Forma da Água, A Colina Escarlate ou <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> estão à sombra de obras como A Espinha do Diabo ou O Labirinto do Fauno, indubitavelmente mais espontâneos e menos pasteurizados. Ainda assim, Del Toro consegue encontrar brechas em <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em>.</p>
<p>Aqui, Del Toro acerta sobretudo por não ter grandes ambições com sua história, querer extrair grandes temáticas ou se preocupar excessivamente em mostrar o poder de fogo do cineasta com composições imagéticas mais estilísticas. Em <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em>, Del Toro não tem vergonha alguma de abraçar o clássico. Mesmo que no começo, o momento em que o protagonista tem sua experiência no circo, o filme soe perdido em suas diversas histórias paralelas, sempre em busca de algum fiapo de trama central, <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> acaba nos levando a um resultado claramente mais satisfatório que títulos como A Forma da Água e A Colina Escarlate.</p>
<p>Um dos pontos altos do longa é o desempenho de Bradley Cooper, que faz um sujeito completamente desprezível. É interessante como Del Toro segura até o fim a verdadeira natureza desse personagem, tudo para nos seduzir com aquela figura. Desde trabalhos como O Lado Bom da Vida, Sniper Americano e Nasce uma Estrela, Bradley só se supera. Aqui o ator tem a oportunidade de interpretar um grande vilão, um homem inescrupuloso e sem redenção, mostrando assim uma faceta inesperada para o público. No fim das contas, através desse personagem tão bem delineado pelo ator, Del Toro nos apresenta o processo gradual de bestificação do homem em uma jornada desenhada com muito esmero e didatismo por Cooper.</p>
<p>O filme tem no elenco três atrizes formidáveis: Rooney Mara, Toni Collete e Cate Blanchett, mas as todas elas são subaproveitadas pelo tratamento raso que o roteiro dá as suas personagens. Entre elas, Blanchett tem os seus momentos como uma psicóloga que seduz o personagem do Cooper, mas é um tipo de papel que a gente já espera ver a atriz dominar como ninguém na tela e é um pouco frustrante para o espectador notar que ela não extrapola essa expectativa. Ainda assim, há momentos brilhantes da atriz, sobretudo quando Del Toro sequer registra o rosto de Blanchett no quadro e ela só tem a voz como instrumento de expressão nas sessões de análise do personagem de Cooper.</p>
<p>De uma maneira geral é um super-produção, um ótimo entretenimento adulto fugindo das opções usuais do cinema atual, como filmes de super heróis e derivados. <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> é bem dirigido por Guillermo Del Toro e, sobretudo, confirma Bradley Cooper como um intérprete versátil.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guillermo del Toro</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Bradley Cooper, Cate Blanchett, Toni Collette, Willem Dafoe, Richard Jenkins, Rooney Mara, Ron Perlman, Mary Steenburgen</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6mifhKKpHTI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Maria Madalena</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Mar 2018 17:49:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Chiwetel Ejiofor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mundo vive um período de mudança. A luta pela igualdade e contra o preconceito tem apenas se fortalecido durante os últimos anos. E no universo cinematográfico não poderia ser diferente. O ano de 2018 se iniciou com uma corrente em prol das mulheres artistas do cinema. A iniciativa Time&#8217;s Up foi o ponta pé inicial para uma longa caminhada que visa a quebra dos costumes machistas, preconceituosos e desumanos que existem nos bastidores da sétima arte. E em meio [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo vive um período de mudança. A luta pela igualdade e contra o preconceito tem apenas se fortalecido durante os últimos anos. E no universo cinematográfico não poderia ser diferente. O ano de 2018 se iniciou com uma corrente em prol das mulheres artistas do cinema. A iniciativa <em>Time&#8217;s Up</em> foi o ponta pé inicial para uma longa caminhada que visa a quebra dos costumes machistas, preconceituosos e desumanos que existem nos bastidores da sétima arte. E em meio a essa alvorada de justiça, eis que surge um filme para corrigir uma iniquidade milenar, permitindo que o público ao redor do planeta passe a conhecer a história não contada sobre Maria Madalena.</p>
<p>Categoricamente denominada como prostituta e pecadora, Maria Madalena foi execrada pela Igreja Católica com o simples propósito de manter os princípios patriarcais, impedindo que mulheres pudessem fazer parte do clero. Em 2016, contudo, após diversos estudos sobre os textos do Velho Testamento, o Papa Francisco reconheceu a figura de Maria Madalena como uma apóstola de Jesus, apagando toda a mentira criada nos primórdios da Igreja sobre a vida dela. E a partir do ano de 2018, o mundo conhecerá esta inspiradora e poderosa história nas telonas.</p>
<p>Nascida em Magdala – daí vem o &#8220;Madalena&#8221; (em inglês, &#8220;Magdalene&#8221;) –, Maria (Rooney Mara) nunca se comportou de acordo com os padrões. Destinada a algum muito maior e além da sua imaginação, Maria Madalena não se adaptava aos costumes machistas e opressores que lhes eram impostos. Contrariando a todos, Maria Madalena decide seguir um caminho completamente diferente do que os costumes previam. Após se encantar com a palavra e os milagres Jesus (Joaquin Phoenix), Maria decide largar sua família e para seguir o profeta e ajudar espalhar a palavra dele como um de seus apóstolos.</p>
<p>Em seu segundo longa-metragem, Garth Davis (diretor de <i>Lion &#8211;</i> <i>Uma Jornada para Casa</i>, de 2016), levará para as telonas a verdadeira história sobre a apóstola de Jesus Cristo, tendo Rooney Mara – cujo trabalhou com Davis em <i>Lion</i> – estrelando essa película. <i>Maria Madalena</i> é um veredito de absolvição para essa mulher que tanto foi caluniada durante milhares de anos. Com uma narrativa muito bem elaborada, Mara emociona com sua força e simplicidade ao encenar uma das histórias mais conhecidas no mundo.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-8795" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/03/1309303.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>Assinado por Helen Edmundson e Philippa Goslett, o roteiro da película se mostra preciso em seu propósito maior que é recontar a história desta mulher, dando uma outra perspectiva sobre esse momento. E, mesmo remetendo a um momento bíblico, <i>Maria Madalena</i> está longe de ser um filme religioso; ele representa muito mais que isso. A humanização de personagens como Maria Madalena e Judas – interpretado por Tahar Rahim – permite que o espectador crie um olhar mais sensível aos significados da mensagem espiritual que está por trás desse cenário. E, para isso, o público repensa as mensagens de Jesus através do olhar de Madalena, causando a identificação de quem assiste com a personagem.</p>
<p>Com um elenco incrível, as passagens sobre fé, força e perseverança se tornaram algo ainda melhor. As cenas de confronto entre as personagens de Rooney Mara e Chiwetel Ejiofor (cujo interpreta o apóstolo Pedro) são as mais tocantes possíveis, uma vez que elas representam a luta contra a opressão criada pelo patriarcado. Além deles, Tahar Rahim emociona o público com o seu Judas humano e saudoso. Para completar, o talento de Joaquin Phoenix ajuda a criar uma atmosfera ainda maior de paz e compaixão nas sequências onde Jesus e os apóstolos estão disseminando os pensamentos de Deus.</p>
<p><i>M</i><i>aria Madalena</i> funciona como uma lição de vida em diversos aspectos. E, mesmo visando a correção mostrar a verdadeira Madalena, o filme não perde o seu aspecto bíblico dando, durante um breve momento do filme, protagonismo para a personagem de Phoenix. Contudo, há um cuidado nítido e uma precisão ao retomarem o foco para Maria. Do início ao fim como figura central, <i>Maria Madalena</i> é um drama bíblico diferente de tudo o que já foi feito nesse subgênero. Sua função social de estabelecer justiça e ressignificar palavras de compaixão e fé são fundamentais num momento onde isso é o que mundo mais precisa ouvir e abraçar.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/L8u8QkIy7es" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Carol</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jan 2016 11:10:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Dos cultuados cineastas norte-americanos contemporâneos, Todd Haynes talvez seja um dos que mais dê preferência a histórias centradas em fortes personagens femininas, e talvez também seja um dos que mais saiba manejá-las. De Longe do Paraíso à minissérie da HBO Mildred Pierce, sem falar em outros trabalhos do diretor como Mal do Século, Não estou lá e Velvet Goldmine, que abordam questões que estão fora dessa esfera temática, o realizador dimensiona como poucos os reflexos dos preconceitos de uma sociedade machista [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_4406" aria-describedby="caption-attachment-4406" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4406 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/carol-1-620x310.jpg" alt="carol" width="620" height="310" /><figcaption id="caption-attachment-4406" class="wp-caption-text">Romance: Personagens de Cate Blanchett e Rooney Mara vivem história de amor em Carol</figcaption></figure>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>Dos cultuados cineastas norte-americanos contemporâneos, Todd Haynes talvez seja um dos que mais dê preferência a histórias centradas em fortes personagens femininas, e talvez também seja um dos que mais saiba manejá-las. De <i>Longe do Paraíso</i> à minissérie da HBO <i>Mildred Pierce</i>, sem falar em outros trabalhos do diretor como <i>Mal do Século</i>, <i>Não estou lá</i> e <i>Velvet Goldmine</i>, que abordam questões que estão fora dessa esfera temática, o realizador dimensiona como poucos os reflexos dos preconceitos de uma sociedade machista nas esferas subjetivas das suas protagonistas. Convidado por Cate Blanchett para dirigir um projeto que há anos a atriz queria ver ser levado para o cinema, a adaptação de <i>O Preço do Sal, </i>livro da escritora Patricia Highsmith (de <i>O Talentoso Ripley</i>), Haynes retorna a esse tipo de narrativa que lhe é tão familiar e realiza <i>Carol</i>.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Baseado no livro de Highsmith, longa traz o romance entre a jovem Therese Belivet, uma vendedora de uma loja de departamento interpretada por Rooney Mara, com a sofisticada dona de casa Carol Aird, papel de Cate Blanchett, nos EUA do início da década de 1950. Carol passa por um tumultuado processo de divórcio com o pai da sua filha, enquanto Therese começa a se descobrir como mulher a partir da sua relação com ela. O amor entre as duas começa a passar por turbulências quando Carol enfrenta alguns problemas com o seu marido a respeito da guarda da filha e todas as convenções e preconceitos sociais da época passam a ser uma ameaça para a felicidade de ambas.</p>
</div>
<figure id="attachment_4407" aria-describedby="caption-attachment-4407" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4407 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/carol_cate-620x329.jpg" alt="carol_cate" width="620" height="329" /><figcaption id="caption-attachment-4407" class="wp-caption-text">Personagens femininas: Como em parte da filmografia de Todd Haynes, o filme é centrado em fortes mulheres</figcaption></figure>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>À primeira vista, <i>Carol </i>pode parecer um romance frio sobre o relacionamento entre duas mulheres, já que muita pouca coisa é dita entre elas sobre sentimentos e não há momentos de arrebate emocional. Ao contextualizarmos a obra ao período em que ela se passa, entendemos as razões para que as emoções e os desejos das personagens, sobretudo os de Therese que está descobrindo a própria sexualidade, fiquem em constante estado de tensão e nas entrelinhas. Se em pleno século XXI já é complicado assumir uma relação, se descobrir e se aceitar como homossexual, imaginem na década de 1950. Nesse sentido, Haynes é impecável na condução do seu romance, permitindo não apenas que tenhamos uma dimensão da maneira como a sociedade tratava o assunto na sua época, mas lançando um olhar para as consequências disso na relação e na própria trajetória das suas duas personagens, sem apelar para didatismos históricos.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"> Sem sensacionalismo ou estardalhaço sobre o assunto, Todd Haynes conduz <i>Carol </i>com muita elegância, permitindo que o filme contenha uma reflexão sobre a homossexualidade e as consequências individuais da reprovação social sobre o assunto, sem apelar para discursos e sequências redundantes. O melhor de tudo é que o realizador consegue tratar essa questão sem perder de vista a relação entre Carol e Therese, o grande foco de toda a narrativa do filme. Assim, <i>Carol </i>mostra-se como uma obra socialmente contundente ao abordar de maneira delicada o preconceito social como um obstáculo para suas personagens, ao mesmo tempo em que estabelece muito bem um pacto com gêneros ou escolas cinematográficas às quais o diretor costuma se filiar como o melodrama, algo que ele já havia feito muito bem em <i>Longe do Paraíso </i>e <i>Mildred Pierce. </i>Em suma, assim como fez nesses trabalhos citados, Haynes utiliza em <i>Carol</i> o gênero como uma forma de investigar como a sociedade cria mecanismos para jogar indivíduos em calabouços, podando seus sentimentos, sua liberdade e impossibilitando a própria felicidade.</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"></div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"></div>
<figure id="attachment_4408" aria-describedby="caption-attachment-4408" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4408 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/carollll-620x323.jpg" alt="carollll" width="620" height="323" /><figcaption id="caption-attachment-4408" class="wp-caption-text">Performances: Dupla de protagonistas mantém a qualidade da obra com ótimas interpretações</figcaption></figure>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>Como costuma ser uma regra em todos os filmes de Todd Haynes, <i>Carol </i>é um filme marcado por poderosas performances dos seus atores. Dessa vez, Haynes permite que Cate Blanchett e Rooney Mara nos conduzam de maneira sensível à redentora relação entre Carol Aird e Therese Belivet. Blanchett talvez tenha uma das melhores performances de sua carreira no filme. Com uma personagem que evita que a atriz incorra em um <i>overacting</i>, algo que, por vezes, a australiana acaba cedendo, Blanchett faz de Carol Aird uma figura etérea, provavelmente por um mecanismo de defesa, mas muito sedutora e repleta de dignidade. Já Rooney Mara conduz de forma impecável o processo de descoberta da sexualidade e do amor de Therese Belivet. Mara tem momentos maravilhosos no filme, sobretudo quando coloca em evidência as incertezas e inseguranças da personagem sobre o que sente verdadeiramente por Carol. Entre os dois desempenhos maravilhosos das protagonistas, estão outros excelentes atores que são fundamentais para a história e que também merecem a menção, entre eles Sarah Paulson, que merecia mais atenção por sua discreta interpretação como uma ex-namorada de Carol, e Kyle Chandler, ótimo em diversos momentos como o marido da personagem de Blanchett.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Na filmografia de Todd Haynes, <i>Carol </i>pode não apresentar o mesmo ímpeto vanguardista de obras como <i>Longe do Paraíso </i>ou <i>Não estou lá</i>, mas demostra um diretor que sempre conduz com sensibilidade questões que lhe são caras em formatos conhecidos. Natural em suas próprias convicções e no seu caráter humanista, <i>Carol </i>é um romance calibrado pelas excelentes performances de Cate Blanchett e Rooney Mara e pelo olhar de um diretor que consegue entender a fundo as suas personagens sem perder de vista a elegância narrativa. <i>Carol </i>é uma belíssima extensão da própria carreira de Todd Haynes, um diretor que como poucos sabe utilizar as convenções de um gênero narrativo em prol de questões sociais que estão em suas entrelinhas mas que se impõem como bandeiras necessárias através das batalhas pessoais empreendidas por suas personagens para simplesmente ser o que são e buscar aquilo que todo ser humano merece: a felicidade.</p>
</div>
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		<title>Crítica: Peter Pan</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2015 22:30:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Peter Pan, no original somente Pan, nasceu como um projeto que traria para o público as origens dos personagens criados por J.M. Barrie em seu homônimo. Como Peter foi parar na Terra do Nunca? Como ele se tornou o líder dos Garotos Perdidos? E, ainda, como Peter conheceu aquele que mais tarde viria a ser o seu maior inimigo, o capitão Gancho? O filme, portanto, se apresenta como uma variação de uma tendência recente em Hollywood de adaptações de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_3747" aria-describedby="caption-attachment-3747" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/panandhook_780x430.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3747 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/panandhook_780x430.jpg" alt="panandhook_780x430" width="600" height="331" /></a><figcaption id="caption-attachment-3747" class="wp-caption-text">A origem: A amizade entre Peter Pan e Gancho é o mote de Peter Pan</figcaption></figure>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<p><i>Peter Pan</i>, no original somente <i>Pan</i>, nasceu como um projeto que traria para o público as origens dos personagens criados por J.M. Barrie em seu homônimo. Como Peter foi parar na Terra do Nunca? Como ele se tornou o líder dos Garotos Perdidos? E, ainda, como Peter conheceu aquele que mais tarde viria a ser o seu maior inimigo, o capitão Gancho? O filme, portanto, se apresenta como uma variação de uma tendência recente em Hollywood de adaptações de contos de fadas em <i>live action</i>. Em <i>Peter Pan</i>, ao invés de preservar a história tal qual a conhecemos, o diretor Joe Wright e os produtores responsáveis resolveram buscar nas origens do personagem a verdadeira razão de ser do filme em meio a tantas leituras do mesmo universo. As intenções são muito bem-vindas e até certo ponto Wright consegue imprimir uma certa originalidade na sua versão de <i>Peter Pan</i>, o problema é que depois de meia hora de projeção a história desanda e o que o público acompanha é um exemplar genérico e completamente supérfluo do gênero fantasia que não cumpre nem a metade da sua proposta inicial.</p>
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<p>Como já adiantamos, <i>Peter Pan </i>traz a história da origem do personagem icônico das histórias infantis. O diretor Joe Wright e o roteirista Jason Fuchs iniciam a sua trama com Peter sendo deixado pela sua mãe em um orfanato administrado por freiras. Peter cresce em meio às injustiças e maus tratos do lugar até que durante uma madrugada é capturado por piratas a mando do perverso capitão Barba Negra, para quem passa a trabalhar nas minas da Terra do Nunca. Lá, Peter conhece um jovem chamado James Gancho e descobre que está predestinado a liderar o povo da Terra do Nunca contra as maldades de homens como Barba Negra.</p>
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<figure id="attachment_3748" aria-describedby="caption-attachment-3748" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/PanBar640.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3748 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/PanBar640-620x351.jpg" alt="IMG_1779.DNG" width="620" height="351" /></a><figcaption id="caption-attachment-3748" class="wp-caption-text">Vilão: Hugh Jackman encarna o perverso Capitão Barba Negra</figcaption></figure>
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<p>&nbsp;</p>
<p>À primeira vista, Joe Wright parece ser o diretor ideal para conduzir a releitura de qualquer clássico. O realizador fez maravilhas com sua &#8220;trilogia&#8221; protagonizada por Keira Knightley, tornando possível não apenas a adaptação para as telonas de textos de autores tão diversos e difíceis como Jane Austen (<i>Orgulho e Preconceito</i>), Ian McEwan (<i>Desejo e Reparação</i>) e Leo Tolstoy (<i>Anna Karenina</i>) como também pertinente o seu olhar cinematográfico particular para a proposta desses escritores em seus respectivos livros. Em <i>Peter Pan</i>, o Joe Wright inquieto e inventivo parece estar presente apenas em meia hora de projeção para logo ceder lugar a um diretor que está apenas cumprindo a sua função de empregado de um estúdio interessado em fornecer ao espectador um <i>blockbuster </i>genérico.</p>
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<p>O início de <i>Peter Pan </i>é relativamente interessante. A dinâmica de Peter e os garotos no orfanato, o sequestro do protagonista pelo grupo do Barba Negra e a apresentação do vilão de Hugh Jackman ao som de &#8220;Smells like teen spirit&#8221; do Nirvana são os pontos altos do filme. Logo em seguida <i>Peter Pan </i>se transforma em um remedo de tramas e ações que não capturam a atenção do espectador, que fica indiferente ao destino do seu protagonista até o desfecho do filme.</p>
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<figure id="attachment_3749" aria-describedby="caption-attachment-3749" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/panmovie2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3749 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/panmovie2.jpg" alt="panmovie2" width="600" height="315" /></a><figcaption id="caption-attachment-3749" class="wp-caption-text">Tropeços: Filme falha por não levar a sério a sua proposta inaugural de narrar a origem da fábula de maneira inventiva</figcaption></figure>
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<p>Há uma série de referências ao clássico de J. M. Barrie, entre eles a origem dos nomes Gancho, Sininho e Garotos Perdidos, mas tudo é tão evidente que nenhum desses momentos chega a ser fruto do brilhantismo dos seus realizadores, por exemplo, O que fica mais evidente, no entanto, é a maior lacuna em <i>Peter Pan: </i>o longa não entrega as razões para a transformação do Gancho no vilão que conhecemos. Acreditando pretensiosa e gananciosamente que o filme terá uma continuação direta (o que hoje não é uma garantia), os envolvidos resolvem postergar o momento, fazendo com que <i>Peter Pan </i>perca o seu principal mote e aquele que poderia ser um clímax dramático que tiraria a narrativa da completa pasmaceira.</p>
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<p>Com atores do porte de Hugh Jackman, Garrett Hedlund e Rooney Mara sem ter muito o que fazer em cena e com Levi Miller como um jovem protagonista que não compromete o longa, mas também não consegue cativar a plateia, <i>Peter Pan </i>mostra-se como um filme completamente banal, algo inédito na carreira de Wright, que mesmo em filmes considerados medianos e de pouca repercussão como <i>O Solista </i>ou <i>Hanna </i>fazia questão de deixar sua forte personalidade prevalecer na história. O que vemos em <i>Peter Pan </i>é um filme que não consegue cumprir o que prometera ao seu público. O longa parece preferir perder o seu tempo com sequências de ação redundantes, romances que não dizem a que veio e referências ao original jogadas de qualquer jeito na tela ao invés de gerar qualquer empatia espontânea na sua plateia.</p>
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		<title>Confira primeiro trailer do longa Carol, com Cate Blanchett e Rooney Mara</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Aug 2015 11:26:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Trailers]]></category>
		<category><![CDATA[Carol]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Saiu o primeiro trailer do filme Carol, protagonizado por ninguém menos que Cate Blanchett e Rooney Mara. As primeiras cenas oficiais mostram o início do relacionamento entre as personagens principais, em uma Nova York dos anos 1950 e com histórias bem diferentes. Blanchett é Carol, uma mulher que tem seu poder de sedução e vive presa em um casamento infeliz e sem amor. Já Mara é Therese, uma jovem de 20 e poucos anos que trabalha em uma loja [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_3377" aria-describedby="caption-attachment-3377" style="width: 532px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/carol-cate-rooneyx750.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3377 size-large" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/carol-cate-rooneyx750-532x400.jpg" alt="carol-cate-rooneyx750" width="532" height="400" /></a><figcaption id="caption-attachment-3377" class="wp-caption-text">A dupla vai viver um romance no filme</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Saiu o primeiro trailer do filme <em>Carol</em>, protagonizado por ninguém menos que Cate Blanchett e Rooney Mara. As primeiras cenas oficiais mostram o início do relacionamento entre as personagens principais, em uma Nova York dos anos 1950 e com histórias bem diferentes. Blanchett é Carol, uma mulher que tem seu poder de sedução e vive presa em um casamento infeliz e sem amor. Já Mara é Therese, uma jovem de 20 e poucos anos que trabalha em uma loja de departamento e almeja uma vida melhor.</p>
<p>Dirigido pelo diretor Todd Haynes, o mesmo de <em>Longe do Paraíso</em> e <em>Mildred Pierce</em>, o longa foi aclamado pela crítica no Festival de Cannes deste ano e segue tendo alta aprovação dos jornais especializados. Esse primeiro trailer já dá uma pequena mostra do imenso potencial do filme e da certeza de que teremos um show de interpretações. A estreia no Brasil está prevista para dezembro deste ano.</p>
<p>Confira o trailer!</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Lt-WC9xa7qs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Oct 2014 00:38:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Martin Sheen]]></category>
		<category><![CDATA[Rooney Mara]]></category>
		<category><![CDATA[Selton Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Stephen Daldry]]></category>
		<category><![CDATA[Trash - A Esperança Vem do Lixo]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Moura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Baseado no romance homônimo de Andy Mulligan, Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo expõe uma visão ingênua da sociedade brasileira. O maniqueísmo permeia a disputa entre as classes, os bons são excessivamente honestos e moralmente inquestionáveis, os maus, a &#8220;banda podre&#8221; representada pela elite de nossa sociedade. A visão do inglês Stephen Daldry não deixa de ter verdades, mas é simplista, ingênua, rasa e sua execução é ainda mais óbvia do que o teor da sua mensagem ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_2128" aria-describedby="caption-attachment-2128" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2128 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash1-620x348.jpg" alt="trash1" width="620" height="348" /></a><figcaption id="caption-attachment-2128" class="wp-caption-text">Surpresa no lixão: A vida de Rafael (Rickson Tevez) muda quando ele encontra uma carteira.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Baseado no romance homônimo de Andy Mulligan, <em>Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo </em>expõe uma visão ingênua da sociedade brasileira. O maniqueísmo permeia a disputa entre as classes, os bons são excessivamente honestos e moralmente inquestionáveis, os maus, a &#8220;banda podre&#8221; representada pela elite de nossa sociedade. A visão do inglês Stephen Daldry não deixa de ter verdades, mas é simplista, ingênua, rasa e sua execução é ainda mais óbvia do que o teor da sua mensagem ao emular o <em>favela movie </em>em seus tiques mais que esperados. No fim, o filme é uma espécie de arremedo mal feito e colorido de <em>Cidade de Deus</em>.</p>
<p>Em <em>Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo </em>três garotos do lixão encontram uma carteira com algumas notas de dinheiro, uma identificação e algumas fotos do seu suposto proprietário com uma menina contendo no seu verso uma sequência de números. Logo aparecem na região alguns policiais procurando o objeto e os meninos passam a desconfiar que existe algo por trás da busca por aquela carteira. Ajudados por dois americanos, os garotos seguem as pistas deixadas pelo dono do objeto e são levados a um perigoso esquema que envolve um candidato a prefeito do Rio de Janeiro e a polícia local.</p>
<figure id="attachment_2129" aria-describedby="caption-attachment-2129" style="width: 550px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2129 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash2.jpg" alt="trash2" width="550" height="333" /></a><figcaption id="caption-attachment-2129" class="wp-caption-text">Perseguição: Após ser encurralado por um grupo de policiais, personagem de Wagner Moura joga uma carteira em um caminhão de lixo.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Desde <em>Billy Elliot</em>, Stephen Daldry mostrou-se um exímio diretor de atores, especialmente crianças ou adolescentes. Em materiais como <em>As Horas </em>e <em>O Leitor</em>, por exemplo, o inglês, que vem do teatro, sempre soube conduzir com muita delicadeza a construção dos personagens dos seus filmes junto com o elenco. Não que em <em>Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo </em>isso não ocorra, mas pelo longa manter esse discurso que evita colocar um dedo mais profundo na ferida o diretor não consegue ir adiante na história dos indivíduos que habitam aquela trama. Mesmo o trio central formado pelos garotos Rickson Tevez, Gabriel Weinstein e Eduardo Luís, que se esforçam e conseguem com muita naturalidade provocar empatia na plateia, sofre com a superficialidade do roteiro de Richard Curtis.</p>
<p>Não há em <em>Trash </em>um único vestígio que nos remeta ao realizador que Daldry foi em seus projetos anteriores. Até ai, nada demais, afinal a necessidade da presença do diretor na obra é questionável. No entanto, sai o diretor pulsante e cheio de sensibilidade de <em>As Horas </em>e <em>O Lei</em>tor para entrar em cena um realizador pasteurizado, capaz de ceder, sem o menor embaraço, ao impulso de incluir cenas e planos desnecessários que só estão no filme para fazer a propaganda de conhecidas redes de lojas de roupas e de hotéis. Sem alma, <em>Trash</em> parece um subproduto de <em>Cidade de Deus </em>cujo propósito de realização autônoma foi dissolvido em prol do desenvolvimento de um produto para exportação com a embalagem frágil do filme política e emocionalmente engajado.</p>
<figure id="attachment_2130" aria-describedby="caption-attachment-2130" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash3.png"><img decoding="async" class="wp-image-2130 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash3-620x303.png" alt="trash3" width="620" height="303" /></a><figcaption id="caption-attachment-2130" class="wp-caption-text">Elenco e o &#8220;cinema nacional&#8221;: Apesar do destaque para os seus três jovens protagonistas, o filme se perde em meio aos clichês esperados para o Brasil nas praças estrangeiras.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>De engajado <em>Trash </em>não tem nada. O filme de Stephen Daldry oferece uma solução pouco elaborada para a problemática social que sugere ao seu espectador, desperdiça uma dúzia de atores talentosos cujos personagens não possuem personalidades e propósitos bem definidos. Se muitos achavam que <em>Tão Forte e Tão Perto </em>foi a grande derrapada da carreira de Daldry, certamente farão uma revisão de suas conclusões ao assistirem <em>Trash</em>, um filme que segue a monotonia e a obviedade discursiva até o último segundo de sua projeção.</p>
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		<title>Crítica: Amor Fora da Lei</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jul 2014 00:40:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Amor Fora da Lei]]></category>
		<category><![CDATA[Ben Foster]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Uma das principais sensações dos festivais de Sundance e Cannes no ano passado (ambos ocorrem no primeiro semestre de cada ano), Amor Fora da Lei só chega aos cinemas brasileiros agora &#8211; e ainda teve sorte de chegar nos cinemas, já que a maioria desses títulos sempre correm o risco de irem direto para DVD ou Blu-Ray. No fundo, como narrativa, o longa de David Lowery é uma cria de Sundance mesmo, apresentando todos os tiques que ficaram notórios [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1515" aria-describedby="caption-attachment-1515" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/07/aint-2.png"><img decoding="async" class="wp-image-1515 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/07/aint-2-620x341.png" alt="aint-2" width="620" height="341" /></a><figcaption id="caption-attachment-1515" class="wp-caption-text">Juntos: Ruth (Rooney Mara) e Bob (Casey Affleck) planejam uma ação criminosa.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma das principais sensações dos festivais de Sundance e Cannes no ano passado (ambos ocorrem no primeiro semestre de cada ano), <em>Amor Fora da Lei </em>só chega aos cinemas brasileiros agora &#8211; e ainda teve sorte de chegar nos cinemas, já que a maioria desses títulos sempre correm o risco de irem direto para DVD ou Blu-Ray. No fundo, como narrativa, o longa de David Lowery é uma cria de Sundance mesmo, apresentando todos os tiques que ficaram notórios no cinema &#8220;independente&#8221; norte-americano: a montagem e os diálogos entrecortados, os finais abruptos e inconclusivos e por ai vai. Junto a esses fatores, <em>Amor Fora da Lei </em>acaba sendo um <em>western </em>com alusões ao cinema de Terrence Malick, sobretudo em sua fotografia. A soma desses elementos traz ao filme alguns acertos, mas também erros que o transformam em uma obra amarrada e artificial em sua abordagem.</p>
<p>Com o título original <em>Ain&#8217;t them bodies saints </em>(e mais uma vez as distribuidoras nos fazem o favor de dar títulos nacionais vergonhosos e que nada condizem com a proposta do filme), <em>Amor Fora da Lei</em> traz a história do jovem casal Bob e Ruth. Eles se envolvem em uma ação criminosa e Ruth acaba atirando em um policial. Bob assume a culpa por Ruth e fica preso por um bom tempo, tempo o suficiente para não conhecer a sua filha Sylvia. Após 5 anos, Bob foge da prisão e parte em uma jornada para reencontrar sua família.</p>
<figure id="attachment_1516" aria-describedby="caption-attachment-1516" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/07/ain-t-them-bodies-saints-rooney-mara.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1516 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/07/ain-t-them-bodies-saints-rooney-mara-620x351.jpg" alt="ain-t-them-bodies-saints-rooney-mara" width="620" height="351" /></a><figcaption id="caption-attachment-1516" class="wp-caption-text">Ruth e a pequena Sylvia: Mãe e filha ficam a espera de Bob, preso após assumir a culpa por um crime cometido por Ruth.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lowery faz de <em>Amor Fora da Lei </em>um <em>western </em>contemporâneo, toda a atmosfera do longa denuncia isso. A trilha sonora, as caracterizações dos personagens e suas dinâmicas nos dão pistas desse flerte aberto do diretor com o gênero. Contudo, um dos elementos principais do <em>western</em> faltam a <em>Amor Fora da Lei</em>, ritmo, e não é por não seguir essa norma do gênero que o filme derrapa, mas simplesmente porque sua abordagem contemplativa, com diálogos entrecortados e apreço a uma fotografia &#8220;natural&#8221; faz do longa uma história que se arrasta no seu tempo de projeção, cansando o seu espectador em seus silêncios e nas suas conclusões subentendidas. A sensação que fica é de que o realizador quer conferir valor a sua obra através de um gramática pretensiosa, &#8220;superior&#8221; a capacidade cognitiva do espectador, mas que no fundo revela-se pouco profunda. E, como sabem, o tropeço não está nessa pouca profundidade da história, mas por ela se apresentar como complexa e metafórica quando, nas suas entranhas, oferece muito pouco nesse sentido.</p>
<figure id="attachment_1517" aria-describedby="caption-attachment-1517" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/07/ain-t-them-bodies-saints10.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1517 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/07/ain-t-them-bodies-saints10-620x348.jpg" alt="ain-t-them-bodies-saints10" width="620" height="348" /></a><figcaption id="caption-attachment-1517" class="wp-caption-text">Separação: Casal é encurralado pela polícia no momento da ação criminosa.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>O trio de atores do longa, por sua vez, compensam esses equívocos, apesar de terem um material questionável em sua densidade nas mãos para trabalhar. A dupla central Rooney Mara e Casey Affleck conferem credibilidade a seus personagens e Ben Foster, na pele de um policial que se aproxima de Ruth, está soberbo como sempre. No mais, como já dito, <em>Amor Fora da Lei </em>sofre com suas repetições, pretensões e seu ritmo &#8220;devagar quase parando&#8221;, o que, no seu caso, é fatal para a experiência cinematográfica em si.</p>
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		<title>&#8220;Deu ruim&#8221;: Cinco franquias que não vingaram</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 May 2014 15:56:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[A Bússola de Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[David Fincher]]></category>
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		<category><![CDATA[Jake Gyllenhaal]]></category>
		<category><![CDATA[Jim Carrey]]></category>
		<category><![CDATA[Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[O Guia do Mochileiro das Galáxias]]></category>
		<category><![CDATA[Rooney Mara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O verão norte-americano e, consequentemente, as férias de junho/julho no Brasil, é abarrotado de séries cinematográficas. No entanto, nem toda empreitada dá certo. Várias franquias para o cinema foram emperradas por fatores diversos, boa parte deles ligados a um saldo negativo nas bilheterias. A equação mal resolvida entre valores gastos pelos estúdios e os ingressos vendidos nunca é exata, muitas vezes o filme tem que render mais que o dobro para ser considerado rentável. Selecionamos cinco títulos que nasceram com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O verão norte-americano e, consequentemente, as férias de junho/julho no Brasil, é abarrotado de séries cinematográficas. No entanto, nem toda empreitada dá certo. Várias franquias para o cinema foram emperradas por fatores diversos, boa parte deles ligados a um saldo negativo nas bilheterias. A equação mal resolvida entre valores gastos pelos estúdios e os ingressos vendidos nunca é exata, muitas vezes o filme tem que render mais que o dobro para ser considerado rentável. Selecionamos cinco títulos que nasceram com pretensões de &#8220;dar cria&#8221;, mas que acabaram tendo suas carreiras completamente podadas:</p>
<figure id="attachment_618" aria-describedby="caption-attachment-618" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Picture-82.png"><img decoding="async" class="wp-image-618" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Picture-82-620x385.png" alt="Millenium" width="620" height="385" /></a><figcaption id="caption-attachment-618" class="wp-caption-text">Craig, Mara e Fincher saíram do barco após ficarem impacientes com a indefinição da Sony sobre a continuação de &#8220;Millennium&#8221;.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>#01. Millennium</strong></p>
<p><strong>Filme: </strong> <em>Millennium &#8211; Os Homens que não Amavam as Mulheres</em></p>
<p><strong>Orçamento: </strong>90 milhões de dólares</p>
<p><strong>Bilheteria:</strong> 102 milhões (EUA) + 130 milhões (outros) = 232 milhões de dólares</p>
<p><strong>Críticas:</strong> 86% dos críticos aprovaram</p>
<p>Baseado na trilogia policial <em>Millenium</em>, do escritor sueco Stieg Larsson, que transformou-se em <em>best-seller </em>mundial logo após a morte do autor, <em>Os Homens que não Amavam as Mulheres </em>ganhou uma versão cinematográfica pelas mãos do norte-americano David Fincher, diretor já familiarizado com as tramas de assassinatos e investigações policiais semelhantes aquelas protagonizadas pelo jornalista Mikael Bomkvist e pela hacker Lisbeth Salander.</p>
<p>A primeira &#8211; e única &#8211; produção foi lançada nos cinemas em dezembro de 2011 e contava a história do desaparecimento de uma mulher na Suécia. O caso passa a ser investigado pelo jornalista Mikael Blomkvist, que trabalha em uma famosa revista no país, a Millennium. Ele é ajudado por uma hacker anti social chamada Lisbeth Salander. O filme de Fincher foi antecedido por uma trilogia cinematográfica sueca relativamente bem sucedida e que tornou conhecido o nome de Noomi Rapace, intérprete local de Salander. No entanto, não foi a existência de uma outra versão para a história que interrompeu o andamento de <em>Millenium.</em></p>
<p>Após <em>O Curioso Caso de Benjamin Button  </em>e <em>A Rede Social</em>, um retorno de David Fincher ao gênero que o tornou célebre era esperado com muita expectativas, afinal ele ganhou visibilidade no meio com <em>Seven</em>. Atrizes como Keira Knightley e Scarlett Johansson disputaram a tapa o papel de Lisbeth, que acabou nas mãos de Rooney Mara, dirigida por Fincher em <em>A Rede Social</em>. A dedicação de Mara na caracterização da hacker impressionava a cada foto oficial, transformando sua Salander em uma personagem visualmente mais crível que a versão sueca. Além disso, os primeiros <em>teasers </em>da produção ao som de &#8220;Immigrant Song&#8221;, de Led Zeppelin, na interpretação de Karen O. e dos inseparáveis Atticus Ross e Trent Reznor, deixaram os cinéfilos com grandes expectativas. Quando lançado, o filme recebeu excelentes críticas, mas enfrentou problemas nas bilheterias. Com orçamento de U$S 90 milhões, o longa encontrou dificuldades para superar esse valor nas bilheterias nas primeiras semanas, sobretudo por ter sido lançado em pleno Natal (conseguir publico para um filme tão denso e sombrio em dezembro foi um desafio imposto à produção que nem mesmo as cinco indicações ao Oscar, uma delas a de melhor atriz para Rooney Mara, fez concretizar). Resultado? As duas continuações, <em>A Menina que Brincava com Fogo </em>e <em>A Rainha do Castelo de Ar</em>, permaneceram no limbo por um bom tempo. O roteirista do primeiro longa Steve Zaillian esteve vinculado às continuações, mas David Fincher descartou a ligação e já engatou a adaptação de outro <em>best-seller</em>, <em>Garota Exemplar</em>, que chega aos cinemas esse ano, e sua versão de <em>20.000 Léguas Submarinas</em>. Em entrevistas concedidas a alguns veículos, a atriz Rooney Mara afirmou que a probabilidade das continuações acontecerem é bem pequena.</p>
<figure id="attachment_619" aria-describedby="caption-attachment-619" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Mrs-Coulter-mrs-coulter-5223252-1848-1080.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-619" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Mrs-Coulter-mrs-coulter-5223252-1848-1080-620x395.jpg" alt="A Bússola de Ouro" width="620" height="395" /></a><figcaption id="caption-attachment-619" class="wp-caption-text">Fronteiras da criação: Divergências criativas entre o estúdio e o director Chris Weitz foram as principais razões apontadas para o fracasso de &#8220;A Bússola de Ouro&#8221;.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong># 02. Fronteiras do Universo</strong></p>
<p><strong>Filme: </strong><em>A Bússola de Ouro</em></p>
<p><strong>Orçamento: </strong>180 milhões de dólares</p>
<p><strong>Bilheteria:</strong> 70 milhões (EUA) + 302 milhões (outros) = 372 milhões de dólares</p>
<p><strong>Críticas:</strong> 42% dos críticos aprovaram</p>
<p><em>A Bússola de Ouro </em>é um dos típicos casos em que a interferência de um estúdio que julga saber tudo sobre todos os departamentos sabotam um projeto promissor. Primeira parte da trilogia <em>Fronteiras do Universo </em>do inglês Philip Pullman, <em>A Bússola de Ouro </em>(o livro), trazia a trama de uma órfã criada em uma Universidade que descobre um universo paralelo ao seu ocultado por um grupo de fundamentalistas religiosos chamado de Magistério. Ao longo de seus livros, Pullman faz críticas severas ao catolicismo e sua relação com a Ciência e com as altas esferas de poder político, através da atuação do Magistério. Em virtude desse teor, <em>Fronteiras do Universo </em>foi execrado em algumas instâncias e recebeu inúmeras ações de boicote, inclusive quando chegou ao conhecimento de todos que um filme baseado na série literária estava sendo realizado em Hollywood.</p>
<p>Os direitos de adaptação foram comprados pela New Line, em ascensão na época após o êxito da trilogia <em>O Senhor dos Anéis</em>, de Peter Jackson, e um elenco encabeçado por Nicole Kidman, Daniel Craig e Eva Green foi escalado. Mais do que qualquer outra obra de fantasia, <em>Fronteiras do Universo </em>foi anunciada de cara como a trilogia sucessora de <em>O Senhor dos Anéis</em>. Toda a campanha de marketing salientava que o mesmo estúdio responsável pela trilogia de Tolkien, que ressucitou o interesse do público por fantasias, estava trazendo para a audiência <em>A Bússola de Ouro</em>. O primeiro teaser trailer do filme reforçava essa associação ao transformar o Um Anel de Gollum e Frodo na bússola de Lyra, protagonista de <em>Fronteiras</em>.</p>
<p>O que se sabe é que, nos bastidores, as relações entre aqueles que estavam por trás das câmeras foram muito complicadas. Dois anos após o lançamento do primeiro e único filme da trilogia, o diretor inglês Chris Weitz, realizador do longa, contou como foram tensas suas reuniões com os executivos da New Line, que faziam inúmeras exigências no tom da abordagem do filme sobre o Magistério e deletaram inúmeras cenas que poderiam ter transformado <em>A Bússola de Ouro </em>em outro filme. Uma das exclusões mais lamentadas, por exemplo, foi o desfecho da trama que traria o esperado encontro entre a grande vilã da história, a Sra. Coulter (Nicole Kidman), e do cientista Lord Asriel (Daniel Craig). A cena, que faz mais sentido como encerramento de um episódio da história, é substituída no longa que assistimos por uma conversa ingênua entre Lyra e Roger que sugeria uma continuidade dos eventos (algo como &#8220;aguardem nossas próximas aventuras!&#8221;, o que, ironicamente, nunca aconteceu).</p>
<p>Quando estreou em 2007 com um marketing massivo, <em>A Bússola de Ouro </em>foi um grande desastre comercial, ficando menos tempo que o esperado em cartaz nos cinemas norte-americanos, o que, por si só, já encerra qualquer sobrevida de futuros projetos. A tragédia financeira só não foi maior porque o longa encontrou sucesso em outras praças de exibição na Europa, América Latina etc. No entanto, a arrecadação não foi o suficiente para a New Line bancar a continuidade, que teria que ser engatada logo, afinal, sua protagonista Dakota Blue Richards estava crescendo e a história de Pullman não tem uma evolução tão drástica assim no tempo. No final, ficou tudo por isso mesmo e não houve continuidade na trama. De saldo positivo, somente a vitória surpreendente no Oscar de 2008 na categoria efeitos especiais, derrubando o grande favorito da época <em>Transformers</em>.</p>
<figure id="attachment_620" aria-describedby="caption-attachment-620" style="width: 574px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Prince-Of-Persia-Movie.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-620 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Prince-Of-Persia-Movie.jpg" alt="Principe da Pérsia" width="574" height="344" /></a><figcaption id="caption-attachment-620" class="wp-caption-text">Sem credibilidade: Fãs de &#8220;Príncipe da Pérsia&#8221; protestaram contra a escalação de Jake Gylenhaal para o protagonista.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>#03. Príncipe da Pérsia</strong></p>
<p><strong>Filme: </strong><em>Príncipe da Pérsia &#8211; As Areias do Tempo<br />
</em></p>
<p><strong>Orçamento: </strong>200 milhões de dólares</p>
<p><strong>Bilheteria:</strong> 90 milhões (EUA) + 245 milhões (outros) = 336 milhões de dólares</p>
<p><strong>Críticas:</strong> 36% dos críticos aprovaram</p>
<p>O caso de <em>A Bússola de Ouro </em>permite que a gente entenda um pouco outros casos semelhantes em que os estúdios pensam que podem aplicar &#8220;fórmulas&#8221; de êxito de outras produções em novas franquias e as coisas acabam não saindo conforme combinado. <em>Príncipe da Pérsia</em>, por exemplo,<em> &#8220;</em>morreu na praia&#8221; de forma parecida.</p>
<p>A Disney bancou a adaptação do popular game como uma possibilidade de colher os mesmos frutos que colheu com o estrondoso retorno financeiro dos três longas de <em>Piratas do Caribe</em>, trilogia que reativou o interesse do estúdio no desenvolvimento de filmes em <em>live action</em>. Tradicionalmente, a Disney é a casa das animações, mas entre o final dos anos de 1990 e o início dos anos 2000 enfrentou a baixa popularidade de suas empreitadas em razão do desgaste da tradicional narrativa do estúdio (as clássicas animações musicais) e a agressiva concorrência das novas animações em 3D. Quando <em>Piratas do Caribe &#8211; A Maldição do Pérola Negra </em>foi lançado em 2003, com faturamento em bilheteria que ultrapassou largamente o seu orçamento, o estúdio vislumbrou uma tábua de salvação que se firmou nas duas continuações da franquia.</p>
<p>Com <em>Príncipe da Pérsia</em> &#8211; <em>As </em><em>Areias do Tempo </em>as desconfianças surgiram desde o início, apesar da inicial aprovação do público com a contratação do inglês Mike Newell (que foi muito bem em <em>Harry Potter e o Cálice de Fogo</em>). A escalação de Jake Gylenhaal como o príncipe fugitivo do título gerou reclamações de fãs mais fervorosos do game e de cinéfilos em geral. Gylenhaal não correspondia exatamente a descrição física de um persa. No entanto, não podemos atribuir ao ator a culpa do fiasco de <em>Príncipe da Pérsia</em>. O primeiro e único filme até que faturou bem para garantir uma possível continuação, mas como tem acontecido com as grandes produções nos últimos anos, o orçamento (o que inclui as campanhas de divulgação do longa) foi muito alto e não compensou os lucros. Assim, todos os planos iniciais de uma trilogia foram abortados.</p>
<figure id="attachment_621" aria-describedby="caption-attachment-621" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/2004_unfortunate_events_037.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-621 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/2004_unfortunate_events_037-620x400.jpg" alt="Desventuras em Série" width="620" height="400" /></a><figcaption id="caption-attachment-621" class="wp-caption-text">Indiferença: &#8220;Desventuras em Série&#8221; não fez feio, mas também não impressionou. O resultado morno não entusiasmou a Universal a dar continuidade a trama.</figcaption></figure>
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<p><strong>#04. Desventuras em Série</strong></p>
<p><strong>Filme: </strong><em>Desventuras em Série</em><em><br />
</em></p>
<p><strong>Orçamento: </strong>140 milhões de dólares</p>
<p><strong>Bilheteria:</strong> 118 milhões (EUA) + 90 milhões (outros) = 208 milhões de dólares</p>
<p><strong>Críticas:</strong> 72% dos críticos aprovaram</p>
<p>Escrita por Lemony Snicket, pseudônimo do autor Daniel Handler, <em>Desventuras em Série </em>é uma série literária composta por treze livros lançada em 1999 e que conta a história dos irmãos Baudelaire que são jogados em uma série de acontecimentos infelizes após a morte de seus pais em um trágico incêndio. A tutela de Violet, Klaus e Sunny passa pelas mãos de amigos e parentes dos seus pais e o caminho das crianças cruza com o do vilão Conde Olaf, um ator que usa suas habilidades dramáticas para enganar os tutores dos Baudelaire a fim de ganhar a guarda dos três e ficar com a fortuna herdada por eles.</p>
<p>A Universal demonstrou interesse na série, seguindo a tendência das adaptações de livros infanto-juvenis inspirada pelo sucesso de <em>Harry Potter,</em> e resolveu transformar as três primeiras obras (<em>Mau Começo</em>, <em>A</em> <em>Sala dos Répteis</em> e <em>O Lago das Sanguessugas</em>) em um único filme. Brad Silberling, diretor de <em>Gasparzinho </em>e do romance <em>Cidade dos Anjos</em>, foi contratado para comandar o longa e Jim Carrey ficou responsável por dar vida ao Conde Olaf, o que animou muita gente já que o ator seria a figura ideal para interpretar um personagem tão multifacetado quanto ele. Meryl Streep, Jude Law, Dustin Hoffman e Catherine O&#8217;Hara completaram o elenco com participações pontuais. Emily Browning (de <em>Beleza Adormecida</em>, <em>Pompeia </em>e <em>Sucker Punch</em>, criança na época), Liam Aiken e as gêmeas Kara e Shelby Hoffman foram escalados para viver os irmãos Baudelaire.</p>
<p>O filme recebeu três indicações ao Oscar (direção de arte, figurino e trilha sonora), venceu uma estatueta do prêmio (melhor maquiagem), recebeu críticas moderadas, as crianças foram aprovadas, bem como a interpretação de Jim Carrey, tudo conforme o figurino. Contudo, <em>Desventuras em Série </em>desapontou com sua pálida performance comercial e por isso também não foi adiante como franquia cinematográfica.</p>
<figure id="attachment_622" aria-describedby="caption-attachment-622" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/hitchhikers-guide-to-the-galaxy-the-20050209035518036-1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-622 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/hitchhikers-guide-to-the-galaxy-the-20050209035518036-1-620x385.jpg" alt="Guia do Mochileiro da Galáxia" width="620" height="385" /></a><figcaption id="caption-attachment-622" class="wp-caption-text">O peculiar humor ingles não ajudou &#8220;O Guia do Mochileiro das Galáxias&#8221; a ser um projeto mundialmente bem sucedido.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong># 05. O Guia do Mochileiro das Galáxias</strong></p>
<p><strong>Filme: </strong><em>O Guia do Mochileiro das Galáxias</em><em><br />
</em></p>
<p><strong>Orçamento: </strong>50 milhões de dólares</p>
<p><strong>Bilheteria:</strong> 51 milhões (EUA) + 53 milhões (outros) = 104 milhões de dólares</p>
<p><strong>Críticas:</strong> 60% dos críticos aprovaram</p>
<p>Série de ficção-científica inglesa concebida por Douglas Adams, <em>O Guia do Mochileiro das Galáxias </em>começou como um programete de rádio na <em>BBC Radio</em>, transformou-se em uma série de seis livros, série de TV, jogo de computador, HQ para só então chegar às telonas em 2005.  <em>O Guia do Mochileiro das Galáxias </em>segue a jornada de um grupo incomum pelo espaço a partir da captura de Arthur um inglês completamente azarado. Entre os personagens que o acompanham estão o deprimido e existencialista robô chamado Marvin e Trillian, uma garota que Arthur conheceu em uma festa.</p>
<p>A produção foi uma colaboração entre produtores norte-americanos e ingleses e chegou a eles a partir do êxito que a história tinha nessas diversas plataformas. No entanto, o caráter massivo do cinema, e necessário a esse tipo de produção com orçamento razoável, tornaram <em>O Guia do Mochileiro das Galáxias </em>refém dos números de bilheterias.</p>
<p>Ainda que parte da crítica tenha caído de amores pelo diretor Garth Jennings, que contou com a colaboração do próprio Adams na adaptação, e um elenco de atores promissores na ocasião &#8211; e hoje reconhecidos pelos cinéfilos como Martin Freeman (<em>O Hobbit</em>), Zooey Deschannel e Sam Rockwell, contando ainda com as vozes de Stephen Fry, Alan Rickman e Helen Mirren- , em números, o filme não agradou mundialmente. Um dos maiores entraves na popularidade do longa foi o típico humor inglês que funciona tão bem nas fronteiras do país, mas encontra resistência em mercados mundiais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Fontes: </strong>Informações referentes a orçamento e bilheteria foram retiradas do site Box Office Mojo, já as aprovações da crítica correspondem a porcentagem de críticos que deram cotações positivas aos longas no <em>RottenTomatoes.com </em></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/deu-ruim-cinco-franquias-que-nao-vingaram/">&#8220;Deu ruim&#8221;: Cinco franquias que não vingaram</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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