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	<title>Arquivos Rolf Lassgård - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>51º TIFF: Arne goes to space</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Sep 2026 02:07:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua primeira direção de longa-metragem, Lars Vega (Looking for joy) em convocar uma linguagem cinematográfica tradicional e foca na investigação das relações humanas como fator de complexidade para a sua obra. É nessa estratégia que ele é sólido e eficiente. Lars fala sobre uma sociedade convencional e sentimentos humanos comuns, através da contraposição do cotidiano com o extracotidiano. Ao inserir a figura do alienígena Roland (Kiran Shah), a produção comprova que aquele vilarejo não é contra o diferente e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Em sua primeira direção de longa-metragem, Lars Vega (<em>Looking for joy</em>) em convocar uma linguagem cinematográfica tradicional e foca na investigação das relações humanas como fator de complexidade para a sua obra. É nessa estratégia que ele é sólido e eficiente.</p>
<p>Lars fala sobre uma sociedade convencional e sentimentos humanos comuns, através da contraposição do cotidiano com o extracotidiano. Ao inserir a figura do alienígena Roland (Kiran Shah), a produção comprova que aquele vilarejo não é contra o diferente e possui uma amabilidade muito maior do que eles mesmos imaginam.</p>
<p>Em todo seu singelo exercício audiovisual, Lars traz referências visuais para fomentar este discurso. Com inspirações em <em>E.T</em>. (1982) e <em>Star Wars</em> (1977), a obra aproxima o público de uma história sobre uma vila na Suécia, que tem uma cultura não será conhecida por muitos.</p>
<p>Para além da metáfora, nas referências são criados laços de familiaridade com quem assiste. Lars também ambienta o espectador no cotidiano de dois irmãos, Arne Nymam (Rolf Lassgård) e Stefan (<span class="hero__primary-text" data-testid="hero__primary-text">Lennart Jähkel</span>), mostrando o íntimo do dia a dia dos dois.</p>
<p>Essa estratégia é mais um ponto de conexão emocional da plateia com a narrativa. Para realizar tal intento, Lars mostra as tarefas da dupla, em quadros mais abertos. Os momentos de relaxamento dos dois têm planos médios e closes.</p>
<p>Desta maneira, nota &#8211; se como os quadros vão fechando quando emoções mais profundas são mostradas, criando olhares plurais para esses dois, mas mexendo com os sentimentos do público também.</p>
<p>Assim, a direção educa seu público, mostrando como ele deve se sentir durante a projeção. Esse elemento de aproximação se dá também pelo o uso de apelidos para as personagens da pequena vila.</p>
<p>Entre arquétipos das figuras dramáticas e o jogo de temperaturas claras e escuras, quando a plateia se ambienta, o extraterrestre Roland é introduzido na trama. A figura nao é apenas um ponto de tensão entre Arne e Stefan, mas também o único elemento “estranho” dentro da narrativa.</p>
<p>Todavia, o pequeno Roland se integra ao ambiente. O que mais preocupa as personagens centrais é a doença de Arne. Ao inseriri um alienígena nesse contexto, Lars provoca uma reflexão curiosa, na qual ele fundamenta seu argumento de que as relações humanas são o que verdadeiramente importam.</p>
<p>Além disso, através das suas escolhas de encenação, principalmente planificações, ele gera essa empatia e imersão que criam um laço irrompível com quem assiste, até o final da exibição. Assim, Vega não inventa a roda, mas ele usa bem essa traquitana que é o cinema.</p>
<p>É bem verdade que ele faz planos de novato, mas nada que comprometa a totalidade de seu longa. Um exemplo é quando o cineasta faz quadros de observação como se alguém visse de fora. Contudo, essa escolha não está imbricada com a trama.</p>
<p>Essa ideia de imagem distanciada soa como um comentário distante. Por que filmar Arne e Stefan pela janela se ninguém estava os vendo? Momentos assim quebram levemente a sofisticação da produção.</p>
<p>Ainda assim, <em>Arne goes to space</em> é um filme que acerta ao falar sobre um contexto que o diretor conhece, com as ferramentas que a equipe domina, mesmo que não seja um espetáculo ou passe longe de ser disruptivo. Lars prova isso, na realidade, a arte de contar historias é muito mais relacional do que inventiva!</p>
<p><strong>Direção</strong>: Lars Vega</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Rolf Lassgård, Lennart Jähkel, Kiran Shah</p>
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