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	<title>Arquivos Queer - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Queer - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica Labirinto dos Garotos Perdidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 23:09:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Fazer cinema de gênero é um desafio, especialmente quando esse gênero é o horror. O cenário se aperta ainda mais quando o filme retrata o terror como uma fantasia derivativa do real. O uso dos tropos do horror para revelar a finura do véu que divide a ficção e a realidade tem sido uma escolha cada vez mais comum &#8211; no entanto, não menos arriscada. Produzir uma narrativa que abarque esse cenário e funcione quase como uma ode aos temores [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Fazer cinema de gênero é um desafio, especialmente quando esse gênero é o horror. O cenário se aperta ainda mais quando o filme retrata o terror como uma fantasia derivativa do real. O uso dos tropos do horror para revelar a finura do véu que divide a ficção e a realidade tem sido uma escolha cada vez mais comum &#8211; no entanto, não menos arriscada. Produzir uma narrativa que abarque esse cenário e funcione quase como uma ode aos temores da vida real é a aposta feita pelo diretor e roteirista Matheus Marchetti (<em>Verão Fantasma</em>, de 2022) em seu mais novo projeto: <strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong>.</p>
<p>A proposta do cineasta paulista é fazer um horror <em>queer</em> totalmente brasileiro e real, a partir de suas experiências e descobertas de sua sexualidade. Os passos cruzados entre o real e o ficcional são a engrenagem que faz <strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong> rodar e são, igualmente, o seu ponto forte. No entanto, as escolhas de Marchetti revelam muito mais do que suas vivências numa São Paulo hostil e fria para um jovem rapaz gay, elas abrem um portal para o perigo que mora dentro. A fantasia que faz a história dançar é o lindo véu que inebria o espectador e nos faz mergulhar nos delírios, exageros e absurdos da noite intensa vivida por Miguel (interpretado por Giuliano Garutti). O longa estreia nesta quinta-feira (4) nos cinemas nacionais, distribuído pela Filmicca.</p>
<p><strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong> descreve a jornada de um jovem do interior vivendo uma noite regada de prazeres e estranhezas numa grande cidade. Cada vez mais mergulhado na escuridão, Miguel (Garutti) se vê perdido no meio de assombrosos acontecimentos que o cercam e perseguem, revelando que há algo à espreita lhe observando.</p>
<p>Talvez o grande mérito do filme de Marchetti seja justamente a sua coragem de ser. Sua essência como cineasta está desenhada há muito em seus projetos, mas, aqui, ela grita tão alto quanto o desejo pulsante dos jovens rapazes retratados em tela. O véu que comentei embala a narrativa em uma espécie de Alice no País das Maravilhas sexual, densa e esteticamente formidável. As cores vibram na tela tanto quanto aqueles corpos suados (e reais) que se desejam cada vez mais num <em>looping</em> de tesão sem fim e inconsequente &#8211; custando, inclusive, a própria vida. <strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong> é um belo esforço criativo sobre acreditar em sua ideia e levá-la adiante, com uma equipe que, claramente, abraçou os desejos de um jovem diretor <em>queer</em> que quis falar de sua história da melhor forma que sabe: fantasiando os temores da vida através da ficção.</p>
<figure id="attachment_20679" aria-describedby="caption-attachment-20679" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20679" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-750x500.jpg" alt="Labirinto dos Garotos Perdidos (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263.jpg 2048w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20679" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;Labirinto dos Garotos Perdidos (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>É sempre um prazer assistir às histórias de Marchetti &#8211; e aqui não é diferente. Ele consegue, com muita irreverência, caminhar pelo lúdico e sombrio. A corda bamba proposta em <strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong> é um deleite para quem sente falta de fábulas na atualidade &#8211; especialmente quando essa narrativa dá espaço para figuras tão marginalizadas nesse tipo de fantasia. Na contramão de todo esse universo fantástico, está o amor do diretor pelo horror. Seu arcabouço de referências, como cinéfilo e cineasta, demonstra seus interesses e suas preferências, desenhando perfeitamente os caminhos de seus roteiros.</p>
<p>Em meio ao turbilhão de caminhos que o diretor poderia perseguir com uma história como essa, Marchetti escolhe por brincar ainda mais com suas possibilidades. A sátira dos momentos desconfortáveis na afetividade masculina, especialmente na fase de descoberta, permitem que o personagem principal viva os horrores da vida real, onde os relacionamentos, como sempre nos lembra Bauman, são mais dissolutos do que nunca. Ainda nessa lógica, existe uma sensação que persegue o público do início ao fim da sessão de <strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong>. Colocando o horror fantástico de lado, o filme opera como um diário secreto do diretor em seus primeiros anos de descoberta sexual. O olhar a vida íntima pelo buraco da fechadura citada por Nelson Rodrigues é elevado à outro patamar com essa narrativa.</p>
<p>Toda a fabulação sobre os temores de ser um homem gay em busca de um par é maravilhosamente costurada com humor e beleza &#8211; marca registrada do diretor. Como de costume, <strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong> é construído por meio de uma Montagem instigante, uma Fotografia argentoniana espetacular e uma Arte que desenha as atmosferas de fantasmagoria costumeiras nas narrativas do cineasta. Mais uma vez, Matheus Marchetti se despe diante da câmera (dessa vez, também no sentido literal), mostrando suas ansiedades, memórias e excitações.</p>
<p>As possibilidades mostradas pelo diretor e roteirista provam que o horror <em>queer</em> segue vivo e pulsante. Além, é claro, de se mostrar disposto a ser visto de forma crua e natural, sem pudores e hipocrisias, dando espaço para que um público muito marginalizado possa ver seus sonhos mais frequentes (ou pesadelos mais obscuros) na telona. Tudo isso feito com humor afiado, apreço visual belíssimo e muito (mas MUITO) tesão. E tenho dito: se você tiver a oportunidade de se deliciar com <em><strong>Labirinto dos Garotos Perdidos</strong></em>, especialmente nos cinemas, nunca mais conseguirá olhar para um pepino do mesmo jeito. Esteja avisado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Matheus Marchetti</p>
<p><strong>Roteiro:</strong> Matheus Marchetti</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Giuliano Garutti, Lucas Bocalon, Henrique Natálio, Gabriela Gonzalez, Gabriel Muglia, Matheus Marchetti, Tony Germano, Gustavo Brait, Julio Mourão, Igor Patrocínio, Tuna Dwek</p>
<p>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/1n8STYlz_q8?si=VaKkHNGC_JmxBdm3" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Queer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jan 2025 15:37:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos cineastas mais produtivos da atualidade, o italiano Luca Guadagnino entrega Queer no mesmo ano do excelente Rivais. O mais recente trabalho do diretor é protagonizado por Daniel Craig na pele de um escritor estadunidense na Cidade do México nos anos 1940. Enquanto tem encontros sexuais descompromissados com alguns rapazes, o protagonista acaba se apaixonando perdidamente por um jovem misterioso vivido por Drew Starkey, ator mais conhecido pela sua participação na série Outer Banks da Netflix. Queer é uma adaptação do romance homônimo de William [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos cineastas mais produtivos da atualidade, o italiano Luca Guadagnino entrega <em><strong>Queer </strong></em>no mesmo ano do excelente Rivais. O mais recente trabalho do diretor é protagonizado por Daniel Craig na pele de um escritor estadunidense na Cidade do México nos anos 1940. Enquanto tem encontros sexuais descompromissados com alguns rapazes, o protagonista acaba se apaixonando perdidamente por um jovem misterioso vivido por Drew Starkey, ator mais conhecido pela sua participação na série Outer Banks da Netflix.</p>
<p><em><strong>Queer </strong></em>é uma adaptação do romance homônimo de William S. Burroughs e leva em seu título a denominação atribuída a pessoas que não se identificam com a heteronormatividade. Comumente, &#8220;queer&#8221; também é um termo associado a homens gays, é, por exemplo, uma denominação que não sai da boca da maioria dos personagens desse longa para fazer referência uns aos outros.</p>
<p>Dividido em três capítulos, a nova obra de Guadagnino é mais bem-sucedida em seu início do que no seu desenvolvimento e desfecho, reservando à primeira parte os melhores e mais promissores momentos de toda a história. Está longe de ser um filme ruim, mas é uma narrativa que perde sua vitalidade gradualmente.</p>
<p>Toda a primeira parte de <em><strong>Queer</strong></em>, reservada ao início do relacionamento entre o escritor William Lee e o jovem Eugene é espetacular: psicologicamente bem desenvolvida, guarda um erotismo muito bem dosado e ambienta muito bem a trama temporal e geograficamente. No entanto, o longa perde bastante em seus segmentos seguintes. Há uma sensação de prolongamento desnecessário do tempo de duração dessa história e Guadagnino se perde em meio a metáforas visuais do universo interno do seu protagonista como um esforço de representar suas principais emoções em imagens, algumas iniciativas são interessantes, outras são redundantes, mas existem algumas bem dispensáveis.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19074" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-3.png" alt="Queer" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-3.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-3-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-3-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Não resta dúvidas que em <em><strong>Queer</strong></em>, o público terá contato com a interpretação mais madura da carreira do ator Daniel Craig. Como William Lee, Craig vive um homem que se contenta com suas relações casuais até ser consumido pela paixão por um jovem extremamente misterioso. Interpretando a outra parte dessa relação, Drew Starkey também está ótimo como Eugene, um rapaz escorregadio e reticente, cuja sexualidade é envolta por um mistério que fascina e destrói Lee. A partir desses personagens, Guadagnino traça um olhar complexo para relações marcadas pela dificuldade de comunicação decorrente das diferentes expressões da sexualidade de Lee e Eugene, elaborando uma interessante análise sobre a experiência sexual e afetiva de um homem gay.</p>
<p>Craig interpreta um sujeito disponível, capaz de qualquer coisa pela atenção de Eugene, sendo em alguns momentos excessivamente submisso, completamente fascinado por aquele rapaz. Enquanto isso Starkey vive Eugene com um minimalismo extremamente sedutor, enigmático, fazendo o público entender o porquê do personagem de Craig se apaixonar de forma tão intensa por aquele sujeito. No primeiro capítulo do filme, a dinâmica entre eles é captada por Guadagnino através de gestos singelos, as iniciativas e os desejos reprimidos de ambos. Isso é um grande acerto do longa, entender que, nessa relação, os detalhes mais sutis dizem muito sobre ambos e sobre o relacionamento que está sendo formado.</p>
<p>O problema é que <em><strong>Queer </strong></em>tem um desenvolvimento emperrado no segundo capítulo sobre a passagem de Lee e Eugene pela América Latina e um momento ainda mais complicado quando o casal passa pela Amazônia para encontrar uma estudiosa de ervas interpretada por uma irreconhecível Lesley Manville, atriz britânica nomeada ao Oscar pelo seu desempenho em Trama Fantasma. Na terceira parte da história, o personagem de Craig está interessado em usar uma erva para acessar aquilo que desde sempre lhe pareceu impenetrável, a cabeça de Eugene. A ideia do terceiro capítulo é boa, mas na prática resulta em diversos momentos lisérgicos dos personagens de Craig e Starkey que só prejudicam a experiência do espectador.</p>
<p><em><strong>Queer </strong></em>tem rendido muitas menções a prêmios para o ator Daniel Craig, eleito o melhor desempenho de um protagonista masculino em 2024 pelo National Board of Review e indicado ao Globo de Ouro de melhor ator em um filme drama, vislumbrando um potencial para render a primeira indicação do ator ao Oscar. É um reconhecimento merecido, ainda que a escalação do ator (um homem conhecidamente hétero, um ex-James Bond) para interpretar um homem gay tenha um &#8220;q&#8221; de chamariz midiático. Craig faz um belo trabalho em <em>Queer</em>.  Nesse novo longa de Guadagnino, a interpretação dele e de Drew Starkey merecem destaque. O filme como um todo, no entanto, representa um ponto vacilante na carreira de um diretor que até então vinha realizando obras surpreendentes ano após ano. Acontece, não se pode ser excelente o tempo todo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Luca Guadagnino</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Daniel Craig, Drew Starkey, Jason Schwartzman</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/KJ0bfJPrnKg?si=W6exRPUsedtNoHrZ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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