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	<title>Arquivos Peter Farrelly - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Peter Farrelly - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Operação Cerveja</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Oct 2022 18:49:54 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de vencer um Oscar controverso de melhor filme com Green Book em 2018, um longa que rendeu inúmeras discussões sobre a ideia do white savior (o herói branco), Peter Farrelly poderia ter a chance de se redimir com o público em <em><strong>Operação Cerveja</strong></em>, seu filme seguinte que está disponível no Apple TV +. O longa tem muitas qualidades, mas não consegue enxergar as potencialidades da sua narrativa e, sobretudo, do seu protagonista, o ator Zac Efron (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-baywatch-s-o-s-malibu/"><em>Baywatch</em></a>), em momento inspirado. No saldo, esse novo longa do diretor apresenta até mais prós do que contras em comparação com seu filme anterior, mas nem por isso deixa menos evidente os tropeços da condução do realizador com suas histórias, sobretudo quando ele se leva a sério demais.</p>
<p><em><strong>Operação Cerveja</strong></em> conta a história de Chickie Donohue (Zac Efron), um jovem estadunidense que viaja para o Vietnã em plena guerra no final da década de 1960, com um projeto bem-intencionado, mas obviamente estúpido: oferecer cervejas aos soldados do seu país, a maioria amigos de vizinhança de Chickie, como forma de agradecimento e apoio à sua bravura. Quando chega na zona de guerra, o rapaz percebe que a realidade do conflito não é como ele imaginava e que os governantes do seu país, que ele tanto defendia e em quem tanto acreditava, estão mentindo para a população sobre a situação no Vietnã.</p>
<p>No âmago, <em><strong>Operação Cerveja</strong></em> apresenta Chickie Donohue como um sujeito fora da realidade, alienado, do tipo que acredita piamente no seu presidente sem contestar, excluindo a realidade que o cerca como parâmetro para avaliar as falas e ações do governo do seu país. Em dada discussão com o jornalista de guerra interpretado por Russell Crowe (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-thor-amor-e-trovao/"><em>Thor: Amor e Trovão</em></a>), o personagem chega a dizer que a imprensa não deveria propagar notícias ruins sobre o conflito pois estas deixam o povo estadunidense desesperançoso, ou seja, lobotomizado pela retórica do seu presidente, Chickie acredita piamente que esconder a realidade engendra algum tipo de força motora no bem-estar da população. Acredito que até aqui o leitor já tenha identificado esse perfil de figura na atual realidade do nosso país, fazendo com que algumas ideias de <em>Operação Cerveja</em> sobre a sociedade da desinformação, a pós-verdade das fake news de whatsapp, sejam atemporais na condução de governos autoritários e manipuladores.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15966" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Operação Cerveja" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Zac Efron interpreta muito bem o protagonista de<em><strong> Operação Cerveja</strong></em>, o típico estadunidense médio. Efron sabe lidar com o comportamento absurdo desse sujeito bitolado por ideias nacionalistas que acredita nas teorias da conspiração mais sem fundamento possíveis, ao mesmo tempo que compreende que o humor aqui surge como efeito colateral e não como força-motora desse personagem. Com isso, Efron consegue tornar Chickie Donohue uma figura muito crível e não uma caricatura, uma armadilha fácil na composição desse tipo de sujeito. Mesmo dando humanidade a esse sujeito, o ator não afasta essa composição de uma crítica social e política que flerta com a ironia na representação do extrato social que ele representa. Há decisões muito inteligentes no trabalho de Efron em <em>Operação Cerveja</em>.</p>
<p>O problema do longa é que Peter Farrelly parece colocar o filme o tempo todo em conflito. O diretor e roteirista não sabe se olha com simpatia para esse protagonista, que muda de percepção sobre a guerra na medida em que vivencia a violência do conflito, ou se ironiza aquele sujeito. O filme parece se colocar no fogo cruzado entre a crítica e a necessidade de construir uma jornada de redenção cheia de momentos piegas e inorgânicos para seu protagonista.</p>
<p>Nos minutos finais de <em><strong>Operação Cerveja</strong></em>, a inconsequência de Chickie Donohue assume ares heroicos com sua regeneração. Farrelly prefere fincar as raízes do seu filme no drama fácil do que no teor irônico que sua história parece sugerir pontualmente e que a transformaria em uma obra bem mais interessante do que é. O longa até peca na forma ingênua como constrói a jornada de regeneração de Chickie com direito até a discursos inflamados do mesmo quando ele retorna aos EUA.</p>
<p>Esta já é a segunda empreitada de Farrelly em temáticas mais sérias. Egresso de comédias como <em>Quem vai ficar com Mary?, Debi e Lóide, Eu, Eu Mesmo e Irene e O Amor é Cego</em>, talvez fizesse melhor ao diretor pensar no seu retorno à comédia. Dado o resultado de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-green-book-o-guia/"><em>Green Book</em></a> e agora em <em><strong>Operação Cerveja</strong></em>, filmes que soam como um apelo de um diretor para ser levado à sério, se moldando a fórmulas dramaturgicamente anacrônicas, é o momento de Farrelly dar vazão ao seu lado mais ácido e assumidamente cômico. Os momentos em que <em>Operação Cerveja</em> brilha são quando o diretor explora a falta de noção latente em Chickie Donohue através do desempenho certeiro de Efron. O resto do filme parece ruído e resultado da necessidade de um diretor que parece ainda buscar aprovação da crítica e dos prêmios.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Peter Farrelly</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Zac Efron, Russell Crowe, Bill Murray, Kyle Allen</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/FT9vaIdGTbg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Green Book &#8211; O Guia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jan 2019 18:37:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Chega aos cinemas nesta quinta-feira, 24 de janeiro, o longa Green Book &#8211; O Guia. Indicado em cinco categorias no Oscar 2019, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator, o filme conta a história verídica de Tony, um descendente de italiano boa praça que vive de pequenos empregos para sustentar a esposa e os dois filhos. Racista e sem emprego, depois que a boate que trabalhava teve que fechar para reforma, ele se depara com uma oportunidade de ouro que paga [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Chega aos cinemas nesta quinta-feira, 24 de janeiro, o longa <strong><em>Green Book &#8211; O Guia</em></strong>. Indicado em cinco categorias no <a href="https://coisadecinefilo.com.br/saiu-a-lista-de-indicados-ao-oscar-2019-confira/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong><em>Oscar 2019</em></strong></a>, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator, o filme conta a história verídica de Tony, um descendente de italiano boa praça que vive de pequenos empregos para sustentar a esposa e os dois filhos. Racista e sem emprego, depois que a boate que trabalhava teve que fechar para reforma, ele se depara com uma oportunidade de ouro que paga bem. No entanto, seu chefe, o músico Don Shirley, é negro e ele terá que embarcar em uma viagem de dois meses na estrada.</p>
<p>Com uma notória relação com <em>Conduzindo Miss Daisy</em> (1989), <strong><em>Green Book &#8211; O Guia</em> </strong>traz em si o diferencial de inversão de papéis. Enquanto o primeiro era uma senhora branca conduzida por um motorista negro (implícito aí a relação de subordinação), neste aqui o motorista é branco, interpretado por Viggo Mortensen, enquanto o chefe rico e bem posicionado é o negro, vivido por Mahershala Ali.</p>
<p>Mesmo com relutância, principalmente pelo fato de que terá que trabalhar diretamente com um negro e ser subordinado a ele, Tony aceita o emprego pela necessidade de dinheiro. Embora seja um tipo de &#8220;picareta do bem&#8221;, ele realmente se preocupa com a família e quer oferecer o melhor para ela. A medida que a trama evolui, vamos adentrando ainda mais na relação de amor entre Tony e a esposa, Dolores, interpretada por Linda Cardellini.</p>
<p>Tratando de um tema complicado como o racismo nos anos 1960 nos Estados Unidos, onde muitas regiões ainda obrigavam os negros a usar banheiros diferentes e se recusavam a hospedá-los em seus estabelecimentos, o filme consegue suavizar o clima através da desenvoltura do personagem Tony. Ele consegue dar leveza nas cenas e até mesmo em Don, que é sisudo e excessivamente sistemático.</p>
<p>A medida que a narrativa avança, vemos que Don Shirley vive muitas crises dentro de si. Ele é rico e da alta sociedade, mas é rejeitado por essa mesma sociedade pelo fato de ser negro. Embora ela crie uma fachada de aceitação, no fundo o racismo é o mesmo, só que velado. Por outro lado, a comunidade negra mais humilde e sem posses também não o aceita, já que falta identificação. Ele não sabe nem como se comportar perante os semelhantes.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9832" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/01/1059581.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="green book" width="610" height="348" /></p>
<p>Vivendo neste limbo, ele vai aceitando a maioria dos comportamentos em uma clara necessidade de ser minimamente aceito em sua condição. Isso fica muito claro, inclusive, quando conta à Tony que gostaria de tocar Chopin, mas que acabou seguindo o caminho da música popular, porque os brancos não estavam preparados para aceitar um pianista negro tocando música clássica. Por isso então, era necessário criar aquele ar de &#8220;comédia&#8221; em torno da situação, para que fosse mais aceito e pudesse tocar livremente.</p>
<p>Ainda que o foco da narrativa seja o preconceito sofrido por Don ao longo da viagem, o protagonista de todos os momentos é Tony e sua relação com todas as situações em que se envolve. Ele vai aos poucos tendo que lidar com seu próprio preconceito e vendo de perto os problemas que Don sofre simplesmente pela cor de sua pele. Tudo aquilo vai mudando o comportamento de Tony, que vai se fidelizando cada vez mais ao chefe e o admirando.</p>
<p>Viggo Mortensen está completamente transformado no papel de Tony, de uma maneira nunca antes vista em sua carreira. Esqueça qualquer papel ou trejeito que já viu nele antes. Este é um personagem completamente novo e surpreendente. Cena após cena ele vai encantando o espectador com uma atuação incrível, que o torna um excelente candidato ao Oscar de Melhor Ator.</p>
<p>Com tons de humor, onde nos vemos rindo bastante com a quantidade de comida que o motorista come em contraposição com a falta de paciência do chefe em lidar com as situações, <strong><em>Green Book &#8211; O Guia</em></strong> consegue tratar do racismo de uma maneira leve e acertada. Entre um riso e outro, refletimos e nos emocionamos com essa trajetória tão envolvente e verdadeira dos personagens.</p>
<p>O diretor Peter Farrelly conseguiu dosar muito bem todas as emoções e trazer o espectador pra junto, neste que é o trabalho mais diferenciado de sua carreira (ele fez longas como <em>O Amor é Cego</em> e <em>Debi &amp; Lóide 2</em>). <strong><em>Green Book &#8211; O Guia</em></strong> é, definitivamente, um forte concorrente ao Oscar pelo seu equilíbrio em todas as categorias e coerência do roteiro. Encantador, engraçado, reflexivo e emocionante. Vale a pena!</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/zvVUiA17a-g" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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