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	<title>Arquivos Paul Thomas Anderson - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Paul Thomas Anderson - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Licorice Pizza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Feb 2022 19:17:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por onde começar quando se deve tratar sobre um filme vindo de um cineasta com uma obra constantemente cultuada e que trouxe tanto para o cinema mundial? Boogie Nights (1997), Magnólia (1999), Sangue Negro (2007) etc, Paul Thomas Anderson é conhecido por sua qualidade ao criar imagem e texto, entregando produções inventivas em termos de roteiro e direção. No entanto, seus dois últimos títulos são materiais que incomodam esta que vos escreve, por motivos bastante específicos. Um deles é Trama [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por onde começar quando se deve tratar sobre um filme vindo de um cineasta com uma obra constantemente cultuada e que trouxe tanto para o cinema mundial? <em>Boogie Nights</em> (1997), <em>Magnólia</em> (1999), <em>Sangue Negro</em> (2007) etc, Paul Thomas Anderson é conhecido por sua qualidade ao criar imagem e texto, entregando produções inventivas em termos de roteiro e direção. No entanto, seus dois últimos títulos são materiais que incomodam esta que vos escreve, por motivos bastante específicos.</p>
<p>Um deles é <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-trama-fantasma/"><em>Trama Fantasma</em></a>, admirado longa-metragem de Paul, indicado a 6 Oscar, e vencedor do prêmio na categoria de Melhor Direção de Arte, para Mark Bridges. Bem escrito e realizado, a questão que arruinava qualquer chance deste material ser bem visto por esta crítica aqui é o seu teor de misoginia injustificável. Esta é uma questão extremamente complexa e que merece um texto por si só. Todavia, o foco neste momento é outro, é justamente o novo longa do Paul: <strong><em>Licorice Pizza</em></strong>.</p>
<p>Aqui, uma repetição qualitativa. Na escrita, Thomas Anderson não subestima o espectador e entrega um desenvolvimento narrativo corajoso, com timing cômico preciso e que deixa que o público vá completando os rumos da trama em sua mente. Os cortes descontínuos são favoráveis para que se olhe para o ponto central da narrativa: a relação de Gary (Cooper Hoffman) e Alana (Alana Haim).</p>
<p>Para fortalecer essa conexão da dupla, Anderson aposta em sequências nas quais a energia e mentalidade de uma juventude transbordam da tela. Gary e Alana passam inúmeros momentos correndo, seja um para o outro, para chegar em lugares, porque eles querem simplesmente correr. Isto pode parecer um detalhe, mas a vibração juvenil, este corre corre inteiro, essa pressa de viver, dita bastante o tom do longa.</p>
<p>Esta estratégia também está na direção de arte e figurino, que são efetivas em impor uma atmosfera juvenil e ao marcar quem são os adultos, através da seleção de usar menos quantidade de cor neles, em suas casas e cenários. Por outro lado, as crianças e adolescentes trajam vestes e estão inseridos em ambientes coloridos. Já Alana flerta com os dois mundos e, mesmo sendo uma mulher, está constantemente posta como infantil e pertencente ao Universo teen. É nesta lógica que habita o desconforto com <strong><em>Licorice Pizza</em></strong>.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15256" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1644535473165843-0.jpg" alt="Licorice Pizza" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1644535473165843-0.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1644535473165843-0-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1644535473165843-0-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1644535473165843-0-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Todos estes aspectos formais positivos são feitos para contar que tipo de história? Todo este esmero para acompanhar o quê senão uma romantização de um relacionamento amoroso de uma mulher de 25 anos com um garoto de 15. Ainda que haja um teor de inspiração em fatos reais de pessoas próximas a Anderson e que dentro da história exista o questionamento sobre a diferença de idade, os encaminhamentos do enredo e seu desfecho acabam por compactuar com o estabelecimento deste namoro.</p>
<p>O cerne da questão não é que ela é dez anos mais velha que ele e sim que Gary é menor de idade e está no ensino médio. Talvez, os leitores pensem que seja absurdo tentar argumentar sobre esta temática, já que o casal é apresentado no filme de forma tão jovial, romântica e ingênua. Contudo, o problema é justamente este. Há uma espécie de pensamento generalizado na sociedade de que meninos estão se beneficiando ao se relacionarem com adultas.</p>
<p>Desta maneira, a sessão, ainda que floreada por toda a qualidade técnica proporcionada pela equipe, pode ser um desafio para algumas pessoas. Apesar de todo o talento de Paul Thomas Anderson, os seus últimos longas confirmam que a habilidade de realização não apaga o fato de que é preciso se olhar para o que está sendo contado, além de analisar o como está sendo contado.</p>
<p>De todo modo, falar sobre uma produção como essa é sempre um grande desafio. Escolher sob que ótica vai se abordar um conteúdo artístico é uma escolha e é preciso ser justo ao se avaliar qualquer obra. Desta maneira, <strong><em>Licorice Pizza</em></strong> possui os seus méritos individuais, seja em termos de trabalho do elenco ou do restante da equipe. Contudo, é impossível escapar do fato de que é uma sessão que pode gerar desconforto por ter uma argumentação de mais de 2 horas de duração sobre um tipo de casal injustificável. Não tem como achar graça ou celebrar o fato de que uma mulher decidiu ficar com um garoto menor de idade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Paul Thomas Anderson</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Cooper Hoffman , Alana Haim, James Kelley, Bradley Cooper, Sean Penn, John C. Reilly, Maya Rudolph, Tom Waits</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/aMM-KvDnTKI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial Oscar 2018 &#8211; Direção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Mar 2018 01:10:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Direção]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Guillermo Del Toro]]></category>
		<category><![CDATA[Jordan Peele]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Diretor]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2018]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Thomas Anderson]]></category>
		<category><![CDATA[Steven Spielberg]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas tem o costume de deixar dúvidas em algumas de suas principais categorias. Na 90º edição, entretanto, o tão estimado prêmio de &#8220;Melhor Direção&#8221; parece ser algo certo. Dentre as diversas performances interessantes do ano de 2018, a que tem um destaque maior pelo conjunto da obra entregue ao público foi feita pelo gênio mexicano Guillermo Del Toro. Dos seus colegas nomeados, aquele cujo mais se aproxima de sua qualidade no projeto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas tem o costume de deixar dúvidas em algumas de suas principais categorias. Na 90º edição, entretanto, o tão estimado prêmio de &#8220;Melhor Direção&#8221; parece ser algo certo. Dentre as diversas performances interessantes do ano de 2018, a que tem um destaque maior pelo conjunto da obra entregue ao público foi feita pelo gênio mexicano Guillermo Del Toro. Dos seus colegas nomeados, aquele cujo mais se aproxima de sua qualidade no projeto recente é Jordan Peele, diretor de <i>Corra!</i>. Apesar de suas grandiosas e importantes apresentações em seus respectivos trabalhos, Greta Gerwig, Christopher Nolan e Paul Thomas Anderson não representam uma forte ameaça a vitória do mexicano. Peele poderá ser a única &#8220;surpresa&#8221; da noite quanto aos diretores indicados.</p>
<p>O olhar usado pela Academia para escolher seus vencedores é algo subjetivo e situacional, fazendo com que a missão de criar um padrão para estudo ou previsões 100% certas seja quase impossível. Às vezes surpreendente, outras, nem tanto, mas sempre é um dos momentos-chave da belíssima cerimônia. E nessa edição de aniversário, nada será diferente. Os indicados se encaixam em diversas opções de acontecimentos anteriores cujo levaram outros artistas a conquistarem a estatueta. Existe a revelação que surpreende com simplicidade e inteligência, mas falta maturidade temática; tem o mestre da técnica que usa a beleza para mascarar uma obra que falta no conteúdo; e há o diretor prestigiado, porém, estéril. Esses são os indicados cuja probabilidade de ganhar nas atuais circunstancias é menor. Já os dois que disputam a estatueta são duas outras adaptações de outros eventos anteriores: como o diretor que saiu da zona de conforto e impressionou a todos e o estrangeiro que teve o mundo e todo o preconceito tendo que reconhecer o seu brilhantismo.</p>
<p>Com toda a sua pompa e circunstância, Christopher Nolan chega ao Oscar carregando o seu novo filho, mas com muito cuidado porque ele é bem frágil. Sua falta de força e liga não são suficientes para contornar as faltas que existem e, muito menos, para serem compensadas apenas com uma beleza técnica admirável. O trabalho de direção de <i>Dunkirk</i> deixa mais a desejar do que em qualquer uma de suas obras. A falta de sentimentalidade em suas películas finalmente afetou o cineasta. E a queda desse gigante será estrondosa e tão agoniante como a falta de sensibilidade na obra sobre a Operação Dínamo.</p>
<figure id="attachment_8722" aria-describedby="caption-attachment-8722" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-8722" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/02/gettyimages-844916070.jpg" alt="" width="610" height="348" /><figcaption id="caption-attachment-8722" class="wp-caption-text">Guillermo Del Toro é um dos favoritos na premiação deste ano</figcaption></figure>
<p>Paul Thomas Anderson traz um problema diferente. Seus filmes costumam impactar, emocionar e levar o público a loucura com sua perfeição técnica e olhar delicado sobre o mundo. Com trabalhos comumente conhecidos por sua estética diferenciada, <i>Trama Fantasma</i> se destaca da mesma forma no quesito design e figurino, uma pena que a narrativa deixe a desejar. E por se tratar de um diretor cujo também roteiriza suas obras, a coesão textual e da imagem são quesitos fortemente cobrados pela Academia. O inovador Paul Thomas pode estar consagrado no meio da sétima arte com filmes como <i>Magnólia</i>, de1999, e <i>Sangue N</i><i>egro</i>, de 2007, mas o indicado desse ano falta uma consistência nos fatos que faça jus a sua carreira, tornando-se incompleto. Paul muito se preocupou com a forma do seu croqui e esqueceu do conteúdo dele.</p>
<p>A estreia de Greta Gerwig foi perfeita. A temática e a simplicidade de seu primeiro longa-metragem como roteirista e diretora fizeram com que ela pudesse encontrar a sua estrada de tijolos amarelos. Com modéstia e talento, Greta prova que sua capacidade vai muito além do que pessoas podem imaginar; ela é o que ela quiser. Com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça &#8211; como já disse o sábio Glauber Rocha – ela é capaz de alçar grandes voos. <i>Lady Bird &#8211; </i><i>A Hora de Voar</i> não é, entretanto, o trabalho que lhe renderá o seu primeiro Oscar por direção; Gerwig precisa de uma proposta mais madura para mostrar tudo o que ela é capaz. O seu espaço vai apenas crescer agora que o mundo já viu do que ela é capaz e, num futuro próximo, ler o nome de mulheres na disputa por prêmios como o de &#8220;Melhor Direção&#8221; será algo do cotidiano. Greta Gerwig: um nome para ser gravado.</p>
<p>Jordan Peele se mostrou um caso à parte dos demais citados. <i>Corra!</i>, obra dirigida, roteirizada e produzida por Peele se mostrou um trabalho maduro – em especial para alguém que está estreando como diretor. Além do debute à frente de uma película, Jordan também entra num universo completamente diferente do seu. Conhecido por seus trabalhos no Comedy Central, o diretor toma para si o comando de um projeto onde o foco é um terror. Com um roteiro invejável, a trama tem fluidez e qualidade para prender o espectador do início ao fim. E, no final das contas, Jordan Peele não seria uma má escolha da academia para premiar.</p>
<figure id="attachment_8724" aria-describedby="caption-attachment-8724" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-8724" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/02/poltrona-Jordan-Peele-Get-Out.jpg" alt="" width="610" height="348" /><figcaption id="caption-attachment-8724" class="wp-caption-text">Jordan Peele marcou presença forte com o longa Corra!</figcaption></figure>
<p>Guillermo Del Toro é o mestre das fábulas sombrias. O homem que reinventou o universo da ficção fantástica é o candidato mais forte na disputa pelo Oscar de &#8220;Melhor Direção&#8221; de 2018. Com seu romance que percorre todos os gêneros da sétima arte, <i>A Forma da Água</i> é uma perspectiva encantadora e irreal sobre a vida e todas as opressões que as pessoas sofrem. Por fazer uma ode aos humilhados, nada mais justo do que sua indicação viesse seguida de uma vitória bela e merecedora. Há cerca de 15 anos que o mundo cinematográfico tem contato com a magia e beleza de suas criaturas e lugares. Del Toro criou seu nome há muito e já está mais do que na hora de tê-lo sendo ovacionado por algo conservador como o Oscar. Anunciar que ele é o diretor campeão no Academy Awards é uma forma de reafirmar a mensagem que o seu roteiro passa: não importa como você seja ou se pareça, você será agraciado como merece. O momento de exaltação chegou para este homem que é um mexicano cuja história é uma inspiração para todos os que sofrem um preconceito ou queiram desistir de seus sonhos. Guillermo del Toro e seu longa são a prova viva de que onde há amor e fantasia, tudo é possível.</p>
<p>Nomes que não foram nem citados, como o de Joe Wright por <i>O Destino de Uma Nação</i> ou Martin McDonagh pelo maravilhoso <i>Três anúncios para um </i><i>crime</i>, são sentidos nessa categoria. Até mesmo o gênio Spielberg e seu belo filme jornalístico (<i>The </i><i>Post – A Guerra Secreta</i>) ficou de fora dessa corrida pelo ouro. Contudo, por mais que esses nomes façam falta, há uma nuvem de aceitação quanto os indicados. Com ou sem defeitos; perfeitas ou não, as direções das películas foram bem ricas. Por essas e outras &#8216;n&#8217; questões, o óbvio pode vir a não acontecer. A imprevisão e as surpresas estão sempre presentes nas últimas edições dessa premiação e esse ano podem estar ainda mais. Como dito anteriormente, nada é 100% certeza quando se trata da Academia, agora o que resta é esperar até o dia 4 de março para que o mundo saiba o resultado desse glorioso embate.</p>
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		<title>Crítica: Trama Fantasma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Feb 2018 16:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Thomas Anderson]]></category>
		<category><![CDATA[Premiação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O longa Trama Fantasma do diretor Paul Thomas Anderson traz uma grande e profunda explanação sobre relacionamentos tóxicos e suas consequências nas percepções das pessoas. O cuidado do cineasta em criar uma atmosfera crescente de sentimentos confusos é visto em cada cena, resultando em um trabalho primoroso. O filme se passa na década de 1950 e foca na vida de Reynolds Woodcock, vivido por Daniel Day-Lewis, um renomado estilista da alta sociedade que vai se revelando uma pessoa perturbada e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O longa <em>Trama Fantasma</em> do diretor Paul Thomas Anderson traz uma grande e profunda explanação sobre relacionamentos tóxicos e suas consequências nas percepções das pessoas. O cuidado do cineasta em criar uma atmosfera crescente de sentimentos confusos é visto em cada cena, resultando em um trabalho primoroso.</p>
<p>O filme se passa na década de 1950 e foca na vida de Reynolds Woodcock, vivido por Daniel Day-Lewis, um renomado estilista da alta sociedade que vai se revelando uma pessoa perturbada e cheia de manias. Ele segue na sua busca por uma musa para seus vestidos e se depara com Alma, na pele de Vicky Krieps, uma garçonete frágil e sem autoestima que parece ser a escolha perfeita para suas necessidades.</p>
<p>A trama se desenrola de maneira sagaz, traçando o perfil emocional e a personalidade de cada personagem. Os transtornos de Woodcock vão sendo revelados com cautela, enquanto a força de Alma vai sendo descoberta aos poucos. O espectador vai vendo a sua transformação de coitadinha em protagonista de sua própria narrativa. E Anderson faz isso da melhor maneira possível.</p>
<p>A relação de simbiose vai surgindo aos olhos do espectador e transformando a percepção dos personagens. Temos ainda a irmã de Woodcock, interpretada por Lesley Manville, que possui uma relação estranha e doentia com o irmão, que às vezes lembra o incesto. Ela também tem participação importante no andamento da trama, que não tem pressa mas não fica na monotonia.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-8697" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/02/1394760.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>A dupla principal vai criando uma relação de dependência entre eles, ficando cada vez mais nocivo. É difícil ter certeza se existe amor entre eles, ou apenas a necessidade de nutrir suas ambições e invejas. Woodcock trata as pessoas como coisas que ele pode possuir e mover de um lado ao outro, sem se preocupar com qualquer consequência. Todos estão ali para servi-lo, inclusive Alma, na visão dele.</p>
<p>No entanto, ela pensa de outra forma. Por mais que tenha uma fidelidade nata ao estilista, não pretende se submeter às suas loucuras e impõe sua opinião em diversos momentos, o que causa muito desconforto na relação. O que vemos é o protagonista perdendo seu poder aos poucos e ficando perdido com as mudanças que nunca quis em sua vida.</p>
<p>A finalização do filme é ainda mais interessante do que todo o desenvolvimento. É maquiavélico e retrata muito bem a noção de relacionamentos destrutivos para a alma das pessoas. É um final dramático travestido de final feliz, trazendo à tona quão tóxicas as pessoas podem se tornar, nos contextos em que se inserem.</p>
<p>O diretor Paul Thomas Anderson nos apresenta um trabalho cuidadoso e aparado, sendo apreciado na trilha sonora, no figurino, na fotografia e nos diálogos. Isso tudo justificando muito bem as seis indicações ao Oscar deste ano, por Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora Original. E, embora não seja um favorito, faz jus a todas essas indicações.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ZlrwcTsv6Xs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vício Inerente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Apr 2015 21:55:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Benicio DelToro]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Joaquin Phoenix]]></category>
		<category><![CDATA[Josh Brolin]]></category>
		<category><![CDATA[Owen Wilson]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Thomas Anderson]]></category>
		<category><![CDATA[Reese Whiterspoon]]></category>
		<category><![CDATA[Vício Inerente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Provavelmente uma das tarefas mais ingratas que já tive foi escrever sobre um filme do Paul Thomas Anderson que não gostei, no caso, seu mais recente longa Vício Inerente. Anderson é um dos meus cineastas favoritos, portanto me deparar com uma obra do diretor que não mexa comigo é particularmente difícil. Vício Inerente quebra este pacto que estabeleci com filmes como Boogie Nights, Magnólia, Sangue Negro, O Mestre e até mesmo o seu subvalorizado Embriagado de Amor, obras marcadas pela inventividade e energia narrativa do seu realizador. Vício Inerente traz [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_2771" aria-describedby="caption-attachment-2771" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/inherent-vice.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2771 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/inherent-vice-620x348.jpg" alt="inherent-vice" width="620" height="348" /></a><figcaption id="caption-attachment-2771" class="wp-caption-text">Trip: Joaquin Phoenix e a novata Katherine Waterson em cena de &#8220;Vício Inerente&#8221;</figcaption></figure>
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<p>Provavelmente uma das tarefas mais ingratas que já tive foi escrever sobre um filme do Paul Thomas Anderson que não gostei, no caso, seu mais recente longa <i>Vício Inerente</i>. Anderson é um dos meus cineastas favoritos, portanto me deparar com uma obra do diretor que não mexa comigo é particularmente difícil. <i>Vício Inerente </i>quebra este pacto que estabeleci com filmes como <i>Boogie Nights</i>, <i>Magnólia</i>, <i>Sangue Negro</i>, <i>O Mestre </i>e até mesmo o seu subvalorizado <i>Embriagado de Amor</i>, obras marcadas pela inventividade e energia narrativa do seu realizador. <i>Vício Inerente </i>traz o mesmo Paul Thomas Anderson desses projetos, um diretor preocupado em testar a linguagem cinematográfica através de ângulos narrativos improváveis, porém, pela primeira vez, o realizador concebe tão e somente um exercício de estilo, o que é uma pena.</p>
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<p>Baseado no cultuado romance policial de Thomas Pynchon, <i>Vício Inerente </i>é ambientado na Califórnia da década de 1970 e tem início quando Shasta Fey vai ao encontro do seu ex-namorado, o detetive Larry &#8220;Doc&#8221; Sportello, para lhe pedir um favor. Ela quer que &#8220;Doc&#8221; a ajude a sair de uma trama que envolve o seu amante, um magnata do ramo imobiliário, sua esposa e o homem com quem ela o trai. A dupla pede a ajuda de Shasta para que eles consigam dar um sumiço no empresário e ficar com todo o patrimônio dele. O caso leva &#8220;Doc&#8221; a um enredo muito mais complicado que envolve um esquema de venda de drogas, o FBI e um saxofonista impedido de ver a sua família.</p>
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<figure id="attachment_2772" aria-describedby="caption-attachment-2772" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/inherent_vice-1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2772 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/inherent_vice-1-620x345.jpg" alt="INHERENT VICE" width="620" height="345" /></a><figcaption id="caption-attachment-2772" class="wp-caption-text">&#8220;Cameos&#8221; : Reese Whiterspoon integra um elenco de peso que faz participações no longa</figcaption></figure>
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<p>Para contar esta trama policial que insere o <i>noir </i>no universo <i>hippie </i>e de conspirações políticas dos EUA dos anos 1970, Paul Thomas Anderson tenta se aproximar do espírito do livro de Thomas Pynchon realizando um trabalho cujo êxito merece inquestionavelmente o reconhecimento. Todo o longa é marcado por uma ausência de linearidade narrativa e até mesmo pela falta de logicidade, características que são antíteses por excelência do gênero no qual o filme se enquadraria, o suspense ou o filme policial. O objetivo de Pynchon &#8211; e, de quebra, Anderson &#8211; é conferir à história a perspectiva que o seu narrador, &#8220;Doc&#8221; Sportello, tem dos eventos que presencia, e claro que é uma perspectiva completamente alucinógena tal qual os efeitos do coquetel pesado de drogas que ele consome. O grande problema é que, a despeito desta coerência, esse exercício narrativo de Anderson acaba entrando em atrito com a própria linguagem cinematográfica e <i>Vício Inerente </i>assume um discurso auto-indulgente e torna-se um filme com mais de duas horas de duração que exigem paciência do espectador sem conseguir estabelecer nenhum vínculo com o público, que nem mesmo se sente envolvido com a trama na tentativa de decifrá-la já que, no fim das contas, muito mais do que lançar pistas visuais todo e qualquer movimento da história tem sua dose de &#8220;trip&#8221; <i>non sense </i>do protagonista, ou seja, não necessariamente requer uma tentativa de leitura, é simplesmente um delírio narrativo .</p>
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<p>Desde <i>Magnólia</i> Anderson não trabalhava com um elenco tão grande. Há participações pontuais e muito positivas de Owen Wilson, Reese Whiterspoon, Benicio Del Toro, Maya Rudolph, Jena Malone e Eric Roberts. Ainda assim, o centro da história é o personagem de Joaquin Phoenix, que nem foi a primeira opção para viver &#8220;Doc&#8221; (a primeira foi Robert Downey Jr.), mas que mostra-se como uma daquelas escalações que caem como uma luva no personagem. Phoenix tem dois grandes parceiros de cena nesse filme: Josh Brolin, interessante como o policial &#8220;Pé Grande&#8221; Bjornsen; e a revelação do longa, Katherine Waterson, encarnando com precisão a versão <i>femme fatale </i>do romance de Pynchon, a confusa, &#8220;indefesa&#8221; e irresistível Shasta Fey.</p>
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<figure id="attachment_2773" aria-describedby="caption-attachment-2773" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/inherent-vice-owen-wilson-joaquin-phoenix.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2773 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/inherent-vice-owen-wilson-joaquin-phoenix-620x371.jpg" alt="inherent-vice-owen-wilson-joaquin-phoenix" width="620" height="371" /></a><figcaption id="caption-attachment-2773" class="wp-caption-text">Conspirações e muitas drogas: Trama policial envolve um esquema complexo de venda de drogas e personagens reféns dele, como é o caso daquele vivido por Owen Wilson.</figcaption></figure>
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<p><span style="color: #000000;">No final das contas, </span><i style="color: #000000;">Vício Inerente </i><span style="color: #000000;">não é uma grande tragédia cinematográfica como alguns anunciam, está longe de ser e provavelmente merece ser constantemente revisitado. Por enquanto, e particularmente, o que pode ser dito é que é um filme de acesso emperrado que parece preferir enclausurar-se na definição de exercício narrativo do que estabelecer algum diálogo com o público. Se nos longas anteriores de Anderson o espectador de alguma forma se sentia tocado por personagens cuja humanidade e empatia transbordavam na tela, em </span><i style="color: #000000;">Vício Inerente </i><span style="color: #000000;">essas figuras e a história que protagonizam parecem rarefeitos. Assim, a filmografia do diretor até então, marcada por histórias que mesmo depois dos créditos finais deixavam suas marcas no espectador, tem um grande corte com </span><i style="color: #000000;">Vício Inerente</i><span style="color: #000000;"> uma mera &#8220;piração&#8221; ou &#8220;trip&#8221; coletiva de Anderson, Pynchon e &#8220;Doc&#8221; Sportello, É isso, apenas uma &#8220;trip&#8221;.</span></p>
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