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	<title>Arquivos O Despertar de Motti - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Despertar de Motti</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Oct 2019 21:16:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Filmes que abordam a religião judaica estão presentes no cinema desde seus primórdios. Afinal, os judeus tiveram participação crucial na transformação da simples Hollywood em uma casa do cinema norte-americano. Assim como toda temática, o judaísmo pode ser abordado dentro de diversos gêneros. Por exemplo: um musical, como O Cantor de Jazz (1927), ou até um suspense psicológico, como Pi (1998). E assim como todo outro assunto, ele pode ser satirizado. Neste sentido, O Despertar de Motti é o longa-metragem escolhido para representar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Filmes que abordam a religião judaica estão presentes no cinema desde seus primórdios. Afinal, os judeus tiveram participação crucial na transformação da simples <em>Hollywood</em> em uma casa do cinema norte-americano. Assim como toda temática, o judaísmo pode ser abordado dentro de diversos gêneros. Por exemplo: um musical, como <em>O Cantor de Jazz (</em>1927), ou até um suspense psicológico, como <em>Pi </em>(1998). E assim como todo outro assunto, ele pode ser satirizado. Neste sentido, <em><strong>O Despertar de Motti </strong></em>é o longa-metragem escolhido para representar a Suíça no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.</p>
<p>Mordechai (Joel Basman, <em>Terra de Minas</em>) — ou para os íntimos, Motti — é um jovem judeu de família ortodoxa que vive com os pais. Longe de ser uma figura independente, sua mãe Judith (Inge Maux, <em>Murer</em>) tem total controle de sua vida. A religiosa fanática se intromete tanto em atividades banais como na escolha de seu óculos, roupas e barba, quanto marcar <em>shidduchs —</em> encontro amoroso entre dois judeus — para que o filho encontre uma namorada. No entanto, para seu desgosto, Motti conhece Laura (Noémie Schmidt, <em>Versailles</em>), uma <em>shiksa</em> (não-judia), na faculdade.</p>
<p>Assim como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-lavanderia/"><em>A Lavanderia</em></a><em>, <strong>O Despertar de Motti </strong></em>quebra a quarta parede e coloca seu protagonista para nos explicar todas as tradições judaicas. Por um lado, isso vai de encontro com um lado da história marcado por um tom caricatural, como a exagerada Judith. No entanto, o filme cai para o lado dramático em diversos momentos e esse didatismo impede uma maior imersão do público neste sentido.</p>
<p>Ainda que o filme faça uma crítica ao fanatismo religioso personificado na figura da mãe de Motti, há um certo perigo na maneira como ele ridiculariza um relacionamento completamente tóxico e abusivo. Além disso, há pouco aprofundamento na personagem, que nunca tem seu fundamentalismo explicado, tornando-se unidimensional. Até por isso, quando há um confronto entre mãe e filho no ápice da narrativa, a força que este momento esperava ter nunca se concretiza.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11727" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/O-Despertar-de-Motti-750x500.jpg" alt="O Despertar de Motti" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/O-Despertar-de-Motti.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/O-Despertar-de-Motti-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/O-Despertar-de-Motti-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Naturalmente, <em><strong>O Despertador de Motti </strong></em>também cai na categoria de um <em>coming-of-age </em>(amadurecimento) e há incongruências neste aspecto. Primeiramente, há uma rapidez no avançar da trama que impede qualquer desenvolvimento além do personagem principal. De tal modo, é impossível acreditar que aquela rápida viagem para Israel tenha sido o suficiente para despertar uma profunda mudança no comportamento de Motti. Uma interessante saída seria, através de uma montagem dinâmica, mostrar mais momentos dele no país.</p>
<p>Apesar de tudo isso, Joel Basman faz um trabalho bem convincente no papel principal. É certo que filmes sobre adultos infantis e virgens já estão um pouco datados e fora do novo contexto social, mas o ator consegue passar de maneira genuína uma persona extremamente frágil, inocente e repleta de inseguranças, por meio de diversos cacoetes. De mesmo modo, as atrizes também cumprem o que é exigido delas: Inge Maux é uma ótima caricatura vilanesca; e Schmidt e Meytal Gal — faz Jael, que Motti conhece em Israel — são as meninas que ajudam a abrir a mente do protagonista. Porém, nenhuma delas é desenvolvida propriamente e sequer possuem um final. Resumidamente, o elenco feminino só está ali para desenvolver o masculino.</p>
<p><em><strong>O Despertar de Motti </strong></em>é um longa previsível para todos já acostumados com histórias de evolução. Tampouco, quando usa a comédia para criticar os perigos do fanatismo, não consegue arranhar mais do que sua superfície. Com uma direção apenas eficiente de Michael Steiner (<em>Sennentuntschi</em>) — que lembramos que existe apenas nas nebulosas cenas de festa — o filme pelo menos não tenta vender uma complexidade que não existe, se entregando aos diálogos expositivos e as conveniências narrativas — toda garota bonita que Motti encontra quer beijá-lo? No fim, é uma comédia palatável ao público geral, mas é negativamente surpreendente que esse seja o escolhido para representar a Suíça no Oscar. Não quero nem imaginar as outras opções do país.</p>
<p><strong>Direção: </strong>Michael Steiner</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Joel Basman Noémie Schmidt, Inge Maux, Meytal Gal</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=u4OJt8WlboY&amp;w=750&amp;h=500]</p>
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