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	<title>Arquivos Nicolas Winding Refn - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Nicolas Winding Refn - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Demônio de Neon</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Oct 2016 17:14:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Demônio de Neon]]></category>
		<category><![CDATA[Elle Faning]]></category>
		<category><![CDATA[Jena Malone]]></category>
		<category><![CDATA[Keanu Reeves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Integrante da seleção oficial da mais recente edição do Festival de Cannes, Demônio de Neon não agradou muito a audiência presente em suas sessões. Dirigido pelo dinamarquês Nicolas Winding Refn, que cinco anos atrás levou o prêmio de melhor direção no mesmo festival com o irretocável Drive, Demônio de Neon é mesmo um longa difícil, repleto de elementos que potencialmente brecam a relação do espectador com o próprio filme (e me refiro a públicos com os mais variados repertórios). Na sua [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Integrante da seleção oficial da mais recente edição do Festival de Cannes, <i>Demônio de Neon </i>não agradou muito a audiência presente em suas sessões. Dirigido pelo dinamarquês Nicolas Winding Refn, que cinco anos atrás levou o prêmio de melhor direção no mesmo festival com o irretocável <i>Drive</i>, <i>Demônio de Neon </i>é mesmo um longa difícil, repleto de elementos que potencialmente brecam a relação do espectador com o próprio filme (e me refiro a públicos com os mais variados repertórios).</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Na sua estética, <i>Demônio de Neon </i> tem a impressão digital do seu realizador, conhecido pela composição requintada dos seus quadros. Em meio a tudo isso, Refn quer tratar sobre os percalços de uma modelo <i>newcomer, </i>como uma versão de <i>Cisne Negro </i>ou <i>Whiplash</i> no mundo da moda, com direito a &#8220;modelos canibais&#8221; e passagens repletas de simbolismo. O resultado sugere uma riqueza de informações, porém, se refletirmos um pouco mais sobre tudo que fora visto nesse universo neon de Refn, muito pouco se aproveita para além do seu preciosismo plástico.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>No filme, Elle Faning (de <i>Super 8</i>) é uma aspirante a modelo recém chegada a Los Angeles que passa por toda sorte de provações nos bastidores da moda, desde a truculência do administrador do condomínio &#8220;pé de chinelo&#8221; no qual passa a morar, interpretado por Keanu Reeves (<i>De Volta ao Jogo</i>), até a inveja das suas colegas de trabalho e a cobiça sexual de profissionais do ramo, como a maquiadora Ruby vivida por Jena Malone (da franquia <i>Jogos Vorazes</i>). Ao longo do filme, o espectador vai acompanhar a transformação dessa jovem, que deixa a inocência de lado e passa a jogar as regras desse jogo.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"> <img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6820" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/10/neon.jpg" alt="neon" width="610" height="348" /></div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Refn traz elementos do terror para <i>Demônio de Neon</i> transformando-o em uma grande alegoria sobre os meandros espinhosos da afirmação profissional durante a fase de transição da adolescência para a vida adulta, mas também quer abordar questões típicas do mundo <i>fashionista</i> como o lugar da beleza, a vaidade, a fama etc. Refn faz isso através de composições visuais sofisticadas e dotadas de inventividade, fazendo com que cada quadro do filme tenha muito potencial simbólico.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>É uma pena que, se de um lado, <i>Demônio de Neon </i>nos fascina plasticamente, deixe a desejar no desenvolvimento dos seus próprios temas que têm essas construções pictóricas como porta de acesso. Se pensarmos sobre o que o filme tem a nos dizer a respeito dos seus temas mais caros, percebemos que ele não acrescenta absolutamente nada a tudo que já foi dito. Isso faz com que o longa se localize no terreno do senso comum sobre a selvageria do mercado de trabalho, o fascínio que temos com o belo e a consequente formação de uma sociedade perversa e artificial em torno dessas questões.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Do filme, fica o registro dos esforços de Elle Faning, que demonstra muita segurança na maneira como conduz a tortuosa trajetória da protagonista Jesse. No mais, assim como acontecera no longa anterior do diretor, <i>Só Deus Perdoa</i>, <i>Demônio de Neon </i>parece o resultado do trabalho de um realizador que perde tempo demais na contemplação da sua própria habilidade de construir quadros plasticamente arrojados. Quando paramos para pensar em tudo o que foi visto, claro que reconhecemos a destreza de Refn nesse propósito, mas questionamos o próprio êxito do filme quando todas as questões que parecem caras a história são abordadas na superfície.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/yz7RJOqgkVw" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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		<title>Resenha TV: Só Deus Perdoa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Aug 2014 01:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Kristin Scott Thomas]]></category>
		<category><![CDATA[Nicolas Winding Refn]]></category>
		<category><![CDATA[Ryan Gosling]]></category>
		<category><![CDATA[Só Deus Perdoa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Ambientado em um universo diferente, Só Deus Perdoa mantém alguns traços do último trabalho do diretor Nicolas Winding Refn, Drive, que o consagrou com o prêmio de melhor diretor em Cannes no ano de 2011. Refn parece interessado em fazer experiência com gêneros cinematográficos e toda a sua trama é calcada na sede de vingança dos seus personagens. É o &#8220;olho por olho, dente por dente&#8221;, todos eles têm contas a acertar e parece não sobrar pedra sobre pedra [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1646" aria-describedby="caption-attachment-1646" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/ONLY-GOD-FORGIVES-ryan-gosling.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1646 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/ONLY-GOD-FORGIVES-ryan-gosling-620x331.jpg" alt="ONLY-GOD-FORGIVES-ryan-gosling" width="620" height="331" /></a><figcaption id="caption-attachment-1646" class="wp-caption-text">Com as próprias mãos: Vingança, honra e laços familiares dão o tom no banho de sangue promovido por Refn e Ryan Gosling ao longo do filme.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ambientado em um universo diferente, <em>Só Deus Perdoa </em>mantém alguns traços do último trabalho do diretor Nicolas Winding Refn, <em>Drive, </em>que o consagrou com o prêmio de melhor diretor em Cannes no ano de 2011. Refn parece interessado em fazer experiência com gêneros cinematográficos e toda a sua trama é calcada na sede de vingança dos seus personagens. É o &#8220;olho por olho, dente por dente&#8221;, todos eles têm contas a acertar e parece não sobrar pedra sobre pedra no final da história. No entanto, as semelhanças param por aqui. <em>Só Deus Perdoa, </em>que por enquanto só teve os seus direitos de exibição adquiridos para a TV a cabo no Brasil (nada de distribuidora no cinema ou no mercado doméstico), tem muito menos viço do que a empreitada anterior do realizador.</p>
<p>Toda a narrativa de <em>Só Deus Perdoa </em>se passa em Bangkok e acompanha a jornada de Julian, papel de Ryan Gosling, na tentativa de honrar o nome da sua família. O irmão mais velho de Julian foi assassinado após estuprar e matar uma jovem prostituta. A mãe do rapaz e chefe de uma organização criminosa articulada em Bangkok dá ordens expressas ao seu grupo e a Julian: eles devem procurar o assassino do seu primogênito e o matar com requintes de crueldade. A partir dai a rivalidade interna e externa do grupo começa a desencadear um rastro de sangue que parece não ter fim. Ao mesmo tempo, Julian tem que lidar com um conflito interno antigo, a mágoa e o sentimento de rejeição que tem do relacionamento com sua mãe.</p>
<figure id="attachment_1648" aria-describedby="caption-attachment-1648" style="width: 617px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/kristin-scott-thomas-only-god-forgives.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1648" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/kristin-scott-thomas-only-god-forgives.jpg" alt="kristin-scott-thomas-only-god-forgives" width="617" height="315" /></a><figcaption id="caption-attachment-1648" class="wp-caption-text">Matriarca implacável: Kristin Scott Thomas brilha como a chefe de uma organização criminosa em Bangkok.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se <em>Drive </em>flertava com o <em>western </em>e buscava referências oitentistas, <em>Só Deus Perdoa </em>dialoga com o cinema oriental e com os filmes de gângsters. Refn apresenta algumas abordagens interessantes, como acontecia em <em>Drive</em>, na tentativa de fazer algumas leituras pessoais sobre os gêneros, mas cai em uma excessiva e escancarada auto-apreciação. Durante todo o longa a sensação que se tem sobre Refn é que ele está contemplando a si próprio e suas habilidades e inventividades cinematográficas, fazendo reverência a cada segundo por um &#8220;<em>insight</em>&#8221; qualquer que tenha ao longo de <em>Só Deus Perdoa</em>, o que torna o filme emperrado. Esteticamente, <em>Só Deus Perdoa </em>é impecável. Desde a direção de arte que valorizou as referências orientais, passando pela fotografia que prioriza o lugar das cores e da luz, não há o que se questionar sobre o longa nesses departamentos. O empenho de Refn e sua equipe é louvável nesse sentido, mas o êxito localizado não ameniza um dos maiores defeitos da obra que é o de olhar para o próprio umbigo. A todo momento temos a impressão de que Refn está gritando pela atenção e reconhecimento a qualquer feito técnico, o mínimo que seja. Tudo isso torna a &#8220;viagem&#8221; em <em>Só Deus Perdoa </em>enfadonha e ausente de propósito.</p>
<p>Ryan Gosling faz um tipo muito parecido com o que interpretou em <em>Drive</em>. Julian surge em cena cansado (parece levar o peso de uma vida), entediado, calado e, ao mesmo tempo, capaz de cometer atrocidades. No entanto, Refn prefere manter o personagem no subtexto e a interpretação de Ryan Gosling, como aconteceu em outros momentos com essa mesma orientação porém com resultados melhores (<em>Tudo pelo Poder </em>e o próprio <em>Drive</em>), não funciona, parece faltar alguma peça na engrenagem e Julian tem menos camadas do que sugere o filme. Kristin Scott Thomas, por sua vez, é a força motriz desse longa, a sua melhor &#8220;peça&#8221;. Como uma grande chefe do tráfico, a personagem é interpretada por Thomas como uma daquelas mulheres dominadoras, implacável com sua cria e fria com o sentimento alheio. A atriz está soberba no papel e é sempre motivo para manter o espectador fiel ao longa, aguardando os seus próximos passos, sempre imprevisíveis.</p>
<figure id="attachment_1647" aria-describedby="caption-attachment-1647" style="width: 612px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/OnlyGodForgivesGoslingFightbig5993.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1647" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/OnlyGodForgivesGoslingFightbig5993.jpg" alt="OnlyGodForgivesGoslingFightbig5993" width="612" height="329" /></a><figcaption id="caption-attachment-1647" class="wp-caption-text">Entre erros e acertos: Filme tem um excelente acabamento técnico, mas derrapa como narrativa pelos excessos do diretor.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Só Deus Perdoa </em>acaba sendo uma jornada auto-centrada de Nicolas Winding Refn após o interessante <em>Drive. </em>O novo longa do diretor é uma embalagem ornada de belíssimos atrativos, mas ausente de um conteúdo que dê sentido a sua própria existência. Talvez da próxima vez, Refn se redima de um trabalho como esse e volte a nos surpreender. Com <em>Só Deus Perdoa</em> ele só conseguiu a indiferença.</p>
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