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	<title>Arquivos Negrum3 - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Especial: Curtas- XV Panorama Internacional Coisa de Cinema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Nov 2019 21:09:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre os dias 30 de outubro e 06 de novembro, aconteceu, em Salvador e Cachoeira, o Festival Internacional Panorama Coisa de Cinema. Em sua 15ª edição, o evento trouxe a exibição de longas e curtas-metragens baianos, nacionais e internacionais. Baseando-se nos oito dias de projeções acompanhadas em terras soteropolitanas, a autora deste especial selecionou os curtas que mais chamaram a sua atenção, dentro das obras escolhidas pela curadoria do próprio Panorama. Entre trabalhos das competitivas com obras brasileiras e especificamente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre os dias 30 de outubro e 06 de novembro, aconteceu, em Salvador e Cachoeira, o <em><strong>Festival Internacional Panorama Coisa de Cinema</strong></em>. Em sua 15ª edição, o evento trouxe a exibição de longas e curtas-metragens baianos, nacionais e internacionais. Baseando-se nos oito dias de projeções acompanhadas em terras soteropolitanas, a autora deste especial selecionou os curtas que mais chamaram a sua atenção, dentro das obras escolhidas pela curadoria do próprio Panorama.</p>
<p>Entre trabalhos das competitivas com obras brasileiras e especificamente apenas da Bahia, cinco produções foram destacadas neste texto. Confira!</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11892" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1394844.jpg" alt="Negrum3" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1394844.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1394844-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1394844-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Negrum3</strong>: Trafegando por diferentes linguagens para retratar um mesmo tema, o diretor Diego Paulino traz em seu trabalho o que significa a existência e a ocupação de espaço dos corpos negros, principalmente daqueles que fazem parte da comunidade LGBTQ+. Trazendo o afro futurismo, Paulino inicia a projeção com uma performance da protagonista, que se olha o espelho, num cenário neutro, cheio de figurinos. Inicialmente, os quadros são mais parados, majoritariamente com planos médios. Enquanto os discursos sobre o racismo, homofobia e transfobia vão sendo expostos no filme, a dinâmica torna-se uma crescente, que explode na tela, junto com as angústias da personagem, seguidas do letreiro inicial. A partir daí, chega a parte dois e vê-se a Eric mais delineada dentro de algo mais voltado para seu cotidiano, suas preferências de maquiagem e estilo, suas vivências. A estética chega mais próxima do documental. É possível perceber também que os coloridos começam a adentrar nas sequências. Por fim, vem o clímax do trabalho, quando a Aretha Sadick e a Eric cantam e dançam, em um espetáculo de cores, temperaturas e musicalidade. Apesar da estrutura blocada trazer uma sensação de falta de amarração na costura da narrativa, cada ato se basta e poderia ser uma produção audiovisual com elementos técnicos e discursivos de qualidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11890" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/20190902-ilhas-de-calor-papo-de-cinema-3-750x421.jpg" alt="Ilhas de Calor" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/20190902-ilhas-de-calor-papo-de-cinema-3-750x421.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/20190902-ilhas-de-calor-papo-de-cinema-3-750x421-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/20190902-ilhas-de-calor-papo-de-cinema-3-750x421-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Ilhas de Calor:</strong> Adolescência, risadas, solidões e preconceitos. Iniciando o curta com a poesia de Fabrício, personagem central de trama, o diretor Ulisses Arthur (<em>CorpoStyleDanceMachine</em>) instala imediatamente o tom da obra. O cineasta traz um olhar realista, porém sensível sobre as homofobias e transfobias “cotidianas”, aquelas que aparecem em uma risada ou uma exclusão dentro de alguma atividade diária que poderia ser vivida com tranquilidade. Apresentando-se como uma pessoa quieta e observadora, Fabrício traz o silêncio consigo, mas isto é transmitido sem trazer uma personalidade preenchida de passividade. Pelo contrário, a sua firmeza vem até acompanhada de embates físicos e verbais, quando seu corpo ou seu caminho são invadidos por algo ou alguém. Mesmo com uma temática forte e dolorosa, o espírito da juventude está presente. Seja no <em>rap</em>, que revela preocupações dos jovens contemporâneos, no empurra empurra para ver quais colegas estão ficando na área escondida da escola ou na <em>crush</em> incerta que Fabrício tem por Anderson. Ao mesmo tempo, a obra não equipara a vida e sentimentos de todos os estudantes aos de Fabrício, que em sua poesia, sua postura corporal e o grito quase final em forma de canção cravam na tela que o olhar e as atitudes da sociedade chegam-lhe diferentes e machucam, mas não sem ter muita luta para enfrentar tudo isto. Para contar esta história e transmitir estas sensações, a equipe se vale dos usos dos <em>zooms in</em> e <em>out</em>, do jogo com ambientes mais ensolarados e mais escuros e a câmera mais estática ou que se movimenta em <em>travelings</em> ou câmera na mão, enclausurando e libertando a personagem principal a todo instante.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone" title="Rã" src="https://scontent.fssa2-2.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/70999999_10157525600284297_9139464314514571264_n.jpg?_nc_cat=100&amp;_nc_oc=AQl2CUuSz6-WnfkFrGorGbyrFKFTNiTP6bePylBc6CQbUxyx_B-n8KrTTw2q6b4ayfQ&amp;_nc_ht=scontent.fssa2-2.fna&amp;oh=aeccd2702d62bfa8c8b520b8a6015703&amp;oe=5E5521AB" alt="Rã" width="960" height="539" /></p>
<p><strong>Rã:</strong> Dirigido por Ana Flávia Cavalcanti e Juli Zakia, o filme mostra a história de uma família, composta por uma mãe e duas filhas, e a casa que elas moram. Este ambiente é uma espécie de <em>start</em> para a trama. A partir dali, vê-se um cotidiano de luta por parte da matriarca para manter as suas crias. A relação dela com os amigos também parece ser de laços fortes. A forma como a narrativa se encaminha, numa crescente &#8211; ainda que também comece com uma cena forte -, revela a consciência sobre progressão impressa no roteiro. A aproximação com a realidade de lares brasileiros também vem do fato de Cavalcanti trazer para o audiovisual uma lembrança de sua infância e do momento de felicidade que teve, apesar do pouco dinheiro que tinha. Este tipo de detalhe relacionado aos recursos financeiros das personagens é notado também na equipe de Direção de Arte e Figurino. O olhar é minucioso ao mostrar, por exemplo, com o quê as meninas brincam, a farda que é também é usada como pijama ou nas bacias nas quais a carne é levada. A direção é correta e simples, sem grandes firulas, assim como o enredo. Mas, o ganho aqui é na sensibilidade de como contar a história e as miudezas que engrandecem o relato filmado e aproximam o espectador da vivência das pessoas que estão sendo retratadas na produção.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11894" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1_EoKa2jVJ8eoghC-IXjptJA.jpeg" alt="Eu, Minha Mãe e Wallace" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1_EoKa2jVJ8eoghC-IXjptJA.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1_EoKa2jVJ8eoghC-IXjptJA-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1_EoKa2jVJ8eoghC-IXjptJA-360x240.jpeg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Eu, Minha Mãe e Wallace:</strong> Dirigido pelos Irmãos Carvalho (<em>Chico</em>), o filme mostra um pai que encontra a sua filha e a mãe dela, depois de passar onze anos preso. Apesar do curta demorar um tanto para engatar e não entregar o protagonismo que o título parece demonstrar com o “Eu”, a obra está nesta lista por alguns fatores. O primeiro ponto destacável são as atuações de Noemia Oliveira (<em>A Guiana Sumiu</em>) e Fabrício Boliveira (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-simonal/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Simonal</em></a>). Entre pausas e olhares que se encontram e se afastam, a dupla consegue demonstrar a dinâmica de um casal que esteve junto, mas há muito tempo, como se a conexão ainda existesse entre os dois, porém com o medo e a dúvida também se fazendo presente, além dos embates de olhares. Outro fator importante é a fotografia de Safira Moreira (<em>Travessia</em>), que demonstra a consciência de que está é uma produção na qual a foto tem um alto significado, as escolhas de Moreira transmitem a mistura de nostalgia, melancolia e esperança que as personagens parecem demonstrar em seus diálogos, corpos e expressões. Algo que também pode fazer o público lembrar da própria relação com a fotografia analógica, a memória e a família.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-11893 size-full" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/75196curta-metragem-baiano-e-selecionado-para-festival-de-cinema-internacional-3.jpg" alt="Panorama Internacional Coisa de Cinema" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/75196curta-metragem-baiano-e-selecionado-para-festival-de-cinema-internacional-3.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/75196curta-metragem-baiano-e-selecionado-para-festival-de-cinema-internacional-3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/75196curta-metragem-baiano-e-selecionado-para-festival-de-cinema-internacional-3-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Necropolis</strong>: Em um mundo distópico, apocalíptico e cheio de zumbis, Milena (Ruth Maciel) precisa sobreviver no semiárido nordestino. Preenchido de recursos estilísticos do terror, como uma panorâmica vertical, com <em>zoom out</em> que traz um plano geral, ao lado de uma música incidente de tensão, que revela que o local na qual história se passa está inóspito, assim como acontece no início desta projeção. O diretor, ítalo Oliveira, consegue transmitir o medo e a luta da protagonista, não apenas nos instantes de desespero dela, como nas escolhas de locação, de caracterização da personagem e dos momentos que os ruídos em meio ao silêncio aparecem. O único ponto que a qualidade da obra cai é no <em>flashback,</em>com diálogo expositivo e atuação artificial, que traz um tom didático e de fala arrastada, quase como se buscasse desenhar para o público o discurso que deseja ser transmitido. Porém, sem esta sequência, <em>Necropolis</em> já é claro no que ele pretende tratar, seja de luta, resistência ou força.</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-curtas-xv-panorama-internacional-coisa-de-cinema/">Especial: Curtas- XV Panorama Internacional Coisa de Cinema</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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