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	<title>Arquivos Luis Miranda - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Luis Miranda - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Auto da Compadecida 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jan 2025 19:41:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Auto da Compadecida de Guel Arraes é um dos filmes nacionais mais queridos pelos brasileiros. Não demorando muito para a tendência de sequências &#8220;tardias&#8221; cimentadas pelo desejo de consumo da nostalgia chegar ao nosso cinema, O Auto da Compadecida 2 estreia nas salas de todo o país no Natal de 2024. O longa de Guel Arraes e Flávia Lacerda até tem os seus momentos, mas fica evidente para o espectador que a falta de um material base de Ariano Suassuna prejudica consideravelmente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Auto da Compadecida</em> de Guel Arraes é um dos filmes nacionais mais queridos pelos brasileiros. Não demorando muito para a tendência de sequências &#8220;tardias&#8221; cimentadas pelo desejo de consumo da nostalgia chegar ao nosso cinema, <em><strong>O Auto da Compadecida 2</strong></em> estreia nas salas de todo o país no Natal de 2024. O longa de Guel Arraes e Flávia Lacerda até tem os seus momentos, mas fica evidente para o espectador que a falta de um material base de Ariano Suassuna prejudica consideravelmente um roteiro que acaba cedendo à tentação de replicar a história original, sobretudo no seu terceiro ato quando, mais uma vez, João Grilo tem suas ações julgadas por Jesus Cristo e pelo Diabo, sendo defendido novamente por Maria. .</p>
<p><em><strong>O Auto da Compadecida 2</strong></em> é ambientado anos depois dos eventos do primeiro filme. João Grilo não está mais em Taperoá e Chicó se vira sozinho na mesma cidadezinha como um contador de histórias, sobretudo dos feitos do seu amigo. Quando a dupla se reencontra em meio a uma corrida eleitoral entre um coronel e um empresário do ramo da comunicação, algumas situações testam novamente a ética de João Grilo e o colocam de novo sob julgamento quando, mais uma vez, sua vida fica por um triz.</p>
<p>A continuação do trabalho de <em>O Auto da Compadecida</em> tem um ótimo começo. Selton Mello e Matheus Nachtergaele demonstram não perder o espírito dos personagens que criaram há mais de vinte anos atrás, rendendo ótimos momentos juntos ou separados, sejam eles cômicos ou dramáticos, lidando muito bem com o ritmo acelerado que é tão peculiar à dramaturgia de Guel Arraes. Há algumas adições ao elenco que parecem interessantes, como o carioca trambiqueiro interpretado por Luís Miranda ou o radialista e empresário vivido por Eduardo Sterblitch. Virginia Cavendish está de volta como uma Rosinha amadurecida, dando vazão a uma mocinha contemporânea que já fazia muito bem lá na produção de 2000. O longa também ganha bastante com algumas decisões artísticas, como o cenário construído em estúdio que traz para a arquitetura e a geografia de Taperoá um estilo bem peculiar beirando os traços de uma literatura de cordel.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19085" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-2-1.png" alt="O Auto da Compadecida 2" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-2-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-2-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-2-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O grande problema da sequência de <em>O Auto da Compadecida</em> é apresentar uma série de caminhos possíveis e originais para sua trama, mas acabar recorrendo à repetição de eventos que tornaram icônico o longa original. É incompreensível esse cacoete da maioria das sequências &#8220;tardias&#8221; de grandes sucessos do cinema. Parte delas acha que basta replicar uma série de eventos do roteiro do original para conceber uma sequência que se justifique. <em><strong>O Auto da Compadecida 2</strong></em> cai na mesma armadilha e prejudica o trabalho competente do seu ótimo elenco. No lugar de olhar para o futuro, para seus novos personagens e potenciais possibilidades da sua história em 2024, <em><strong>O Auto da Compadecida 2</strong></em> opta pela zona de conforto do passado e leva seu roteiro a uma linha decrescente de qualidade.</p>
<p><strong>Atenção! A partir daqui, spoilers!</strong> <em><strong>O Auto da Compadecida 2</strong></em> repete toda a sequência de morte de João Grilo e do seu julgamento por Jesus, o Diabo e Nossa Senhora só que de forma piorada. No original, isso era muito bem construído e atrelado ao propósito da trama de Suassuna. O autor queria falar sobre a realidade brasileira, sobre a corrupção humana e o juízo que podemos fazer dela em diversas circunstâncias a partir do julgamento de diversos personagens, com backgrounds muito diversos. Aqui, somente João Grilo está no banco dos réus e tudo parece redundante se comparado ao primeiro filme. Parece que o julgamento de Grilo existe na sequência para satisfazer a nostalgia do público com o roteiro da primeira história e não porque a trama dessa sequência, que vinha em um desenvolvimento próprio com diversas possibilidades de histórias (como o triângulo amoroso de Chicó, a corrida política), estava requerendo esse momento em seu terceiro ato.</p>
<p>Definitivamente, ir ao cinema e assistir Selton Mello e Matheus Nachtergaele como Chicó e João Grilo em <em><strong>O Auto da Compadecida 2</strong></em> segue um programa melhor do que a maioria dos filmes em cartaz nos cinemas ou das sequências caça-níqueis que chegam a rodo nas salas a cada mês. No entanto, não deixa de ser frustrante constatar que um longa como este, com um elenco com o timing cômico que tem, vê seu potencial desperdiçado por decisões que o enfraquecem narrativamente e só demonstram a insegurança do seu roteiro em alçar voos mais ambiciosos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guel Arraes, Flavia Lacerda</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Matheus Nachtergaele, Selton Mello, Luis Miranda, Taís Araújo</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/ke4x5ywVhiw?si=MtKiY3jN8gZiKzYI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Clube das Mulheres de Negócio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Dec 2024 18:26:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em O Clube das Mulheres de Negócio, Anna Muylaert dirige uma sátira sobre um grupo de mulheres poderosas que se reúne ocasionalmente em um resort construído para isso. Nesse encontro específico, um jovem jornalista e um fotógrafo querem realizar uma matéria com algumas das sócias dessa organização, mas as coisas fogem do controle e uma ameaça externa põe em risco a vida de todos que estão nesse local. O Clube das Mulheres de Negócio funciona como um comentário ácido sobre o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em><strong>O Clube das Mulheres de Negócio</strong></em>, Anna Muylaert dirige uma sátira sobre um grupo de mulheres poderosas que se reúne ocasionalmente em um resort construído para isso. Nesse encontro específico, um jovem jornalista e um fotógrafo querem realizar uma matéria com algumas das sócias dessa organização, mas as coisas fogem do controle e uma ameaça externa põe em risco a vida de todos que estão nesse local.</p>
<p><em><strong>O Clube das Mulheres de Negócio</strong></em> funciona como um comentário ácido sobre o patriarcado no qual Muylaert inverte os papéis e coloca as personagens femininas como detentoras do poder oprimindo os homens da história. Todas as mulheres da trama são extremamente ricas, vinculadas a áreas como o agronegócio, a indústria de armas, a religião e a política. Em suas relações com o sexo oposto, elas objetificam os homens silenciando esses personagens ou mesmo realizando assédio moral e sexual. A representação masculina da comédia fica por conta sdos atores Rafael Vitti e Luís Miranda, especialmente o primeiro, o jovem herdeiro de uma das ricas da história que escolhe romanticamente uma profissão distante do seu círculo social e é alvo de abordagens inconvenientes pela sua bela aparência.</p>
<p>À primeira vista, a troca de papéis sugerida por Muylaert parece um fator original da história, mas, no fundo, <em><strong>O Clube das Mulheres de Negócio</strong></em> tem uma ideia que só aparenta ser singular. No desenvolvimento, o comentário do longa sobre a lógica de opressão do patriarcado não sai da superfície, apoiando-se no estranhamento primário do público com situações como a &#8220;rainha do gado&#8221; interpretada por Grace Gianoukas escancaradamente assediando o &#8220;foca&#8221; vivido por Rafael Vitti e, posteriormente, este personagem assimilando os efeitos psicológicos desta terrível e traumática experiência.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18984" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-5.png" alt="O Clube das Mulheres de Negócio" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-5.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-5-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-5-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Com a sátira de <em><strong>O Clube das Mulheres de Negócio</strong></em>, Anna Muylaert sinaliza como o patriarcado tem mais relação com as estruturas de poder do que com o gênero. O gênero é mais uma questão de quem historicamente consegue ter mais acesso às instâncias de poder. Assim, as mulheres do longa são capazes de cometer os mesmos atos que vemos muitos homens realizarem na realidade fora da tela porque encontram uma realidade que as privilegia. De certa forma, é um ponto de vista didático para quem nega o tópico como um problema social que merece atenção (especialmente homens), mas fica o desejo de que a realidade alternativa criada pela cineasta fosse um pouco além do óbvio.</p>
<p>Há ótimos momentos para o seu talentoso elenco, com três destaques específicos: Grace Gianoukas como a inescrupulosa dona de cabeças de gado Yolanda, conduzindo uma das cenas de maior impacto do filme; Cristina Pereira tem bons diálogos como a presidente do clube Cesárea; e Katiuscia Canoro está completamente delusional como a fêmea alfa armamentista Zarife.</p>
<p>Para um filme que flerta com a subversão de lógicas e com o absurdo das situações, <em><strong>O Clube das Mulheres de Negócio</strong></em> é extremamente contido. Até mesmo o humor é algo que o projeto encontra dificuldade para manejar e isso espanta por falarmos de um filme que flerta desde o primeiro instante com a crítica social e com a construção de uma realidade hipotética. Assim, além de outras faltas, o longa perde a chance de explorar o timing cômico de um elenco com grande experiência no gênero, completando assim o rol de oportunidades perdidas por esta história.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Anna Muylaert</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Rafael Vitti, Luis Miranda, Irene Ravache</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/WDhgFWd9p3Y?si=bjpD3ygyi5nCjNuM" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>28º Festival Cine PE: Grande Sertão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jun 2024 01:52:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por vezes, intenso, emocionante e avassalador. Por vezes, histriônico, descuidado e constrangedor. Grande Sertão, de Guel Arraes e Flávia Lacerda, é uma montanha russa de sensações. Em sua visualidade lavada e cheia de CGI aqui e ali, a intenção desta adaptação de Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, é a de atualizar a discussão sobre questões sociais profundas, do crime e da desigualdade, levando a pauta para o contexto urbano. No entanto, a estética visual é artificial, a escolha pela [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Por vezes, intenso, emocionante e avassalador. Por vezes, histriônico, descuidado e constrangedor. <em>Grande Sertão</em>, de Guel Arraes e Flávia Lacerda, é uma montanha russa de sensações. Em sua visualidade lavada e cheia de CGI aqui e ali, a intenção desta adaptação de <em>Grande Sertão Veredas</em>, de Guimarães Rosa, é a de atualizar a discussão sobre questões sociais profundas, do crime e da desigualdade, levando a pauta para o contexto urbano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a estética visual é artificial, a escolha pela manutenção da linguagem original do livro não bate com a qualidade do trabalho de todo o elenco e a direção esquece de criar ritmo para a produção. </span><span style="font-weight: 400;">Mais uma vez, esta que vos escreve precisa lembrar para o mundo que o frenesi das batalhas e das emoções dilacerantes só podem ser sentidos pela plateia caso hajam contrastes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A aceleração incessante dissolve o estabelecimento de tensão, que parece ser o que Arraes e Lacerda desejam. </span><span style="font-weight: 400;"> A decupagem e a mise-en-scène exploram todos os níveis, campos, ângulos e movimentos – incluindo o uso do Dolly Zoom, que é um efeito sensacional, mas nem sempre necessário –, o que é bom e ruim ao mesmo tempo, porque a</span><span style="font-weight: 400;"> inventividade dos cineastas envolvidos na produção é nítida, cristalina, mas a utilização frenética de recursos afasta a equipe do longa-metragem do mais importante aqui: a narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sessão se transforma em exaustiva, as personagens perdem a força e o tom elevado ganha espaço. Não há organicidade na tela. Há uma suposta vontade em mostrar, em criar algo novo e criativo., porém sem gradação, no vazio do entregar por entregar, para dizer que fizeram algo novo &#8211; que nem é tão novo assim. Nessa trajetória torta, o foco principal se esvai. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É bastante complicado criar empatia com as personagens, por exemplo. </span><span style="font-weight: 400;">Sem torcer por alguém, ou quase ninguém, o desafio de chegar até o final da exibição se intensifica, principalmente em termos de escrita. </span><span style="font-weight: 400;">A manutenção das estruturas da obra original, versus a inabilidade de alguns atores de dar conta desta estilística, influencia diretamente nesta impressão de artificial, entediante e, ainda, é pretensiosa.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18274" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-2.png" alt="Grande Sertão" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-2.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-2-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-2-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa carga, porém, tem dois pólos. De um lado, Caio Blat, Eduardo Sterblitch e Luís Miranda, procurando encontrar uma fisicalidade e vozes para seus papéis, que se encaixem na dinâmica do longa, mas que não percam a qualidade básica de construção. </span><span style="font-weight: 400;">Não importa se estamos falando de qualquer tipo de estética e linguagem ou de formato, seja no cinema, no teatro, na TV, comédia, tragédia etc., existe a verdade da personagem e é nessa onda que o intérprete precisa mergulhar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto mais externalizado, mais é notável sua falta de coesão com a obra. Caio, Eduardo e Luís não. Eles dão o tom farsesco e convocam o corpo não cotidiano para a cena – são os que mais fazem isso, inclusive –, mas o sentido geral da produção permanece e isso faz com que suas ações e textos verbais façam sentido e sejam críveis. </span><span style="font-weight: 400;">Do outro lado, temos Rodrigo Lombardi e Luísa Arraes, que fazem seus papeis de fora para dentro, em uma externalização que evoca mais uma representação do que uma interpretação, de fato.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Em algumas sequências, como na com Diadorim ensinando Riobaldo a atirar, o constrangimento pode se espalhar pelo corpo. Não há um gesto, movimentação ou fiscalização de Luísa que não seja preenchida de micromovimentos sujos, que ocorrem porque ela subestima a plateia e se desespera em demarcar que ela não performando feminilidade, mais do que se conectar com a trajetória de Diadorim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro de toda essa lógica caótica, é admirável a tentativa de atualizar o discurso de Guimarães Rosa &#8211; que revela que ainda somos os mesmos -, é a admirável a tentativa de criar um épico eletrizante e é admirável que a distribuidora tenha tido coragem de lançar o longa. Ainda assim, é uma pena ver tantos talentos desperdiçados e gastar quase 2h de vida para consumir uma obra tão engessada e caótica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Guel Arraes, Flávia Lacerda</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Caio Blat, Luísa Arraes, Luís Miranda</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/O9Q-6VSzQCw?si=wCYxvpa1SDXHRena" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Grande Sertão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 May 2024 12:45:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Fora das telonas por mais de uma década, Guel Arraes (O Auto da Compadecida, de 2000, e O Bem Amado, de 2010) retorna aos cinemas com seu mais novo filme. Grande Sertão, inspirado no livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, foi dirigido pelo cineasta pernambucano e co-escrito por ele e Jorge Furtado (Vai Dar Nada, de 2022).  Assim, o longa-metragem da Paranoïd Filmes em coprodução com a Globo Filmes marca esse momento de Guel voltando a fazer seu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Fora das telonas por mais de uma década, Guel Arraes (<em>O Auto da Compadecida</em>, de 2000, e <em>O Bem Amado, de 2010</em>) retorna aos cinemas com seu mais novo filme. <em><strong>Grande Sertão</strong></em>, inspirado no livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, foi dirigido pelo cineasta pernambucano e co-escrito por ele e Jorge Furtado (<em>Vai Dar Nada</em>, de 2022).  Assim, o longa-metragem da Paranoïd Filmes em coprodução com a Globo Filmes marca esse momento de Guel voltando a fazer seu cinema fantástico e sensível.</p>
<p>Com estreia marcada nos cinemas brasileiros para esta quinta-feira (30), <strong><em>Grande Sertão</em></strong> transforma o texto modernista de Guimarães Rosa e remonta a história em um futuro distópico sobre a periferia urbana. Essa mudança, por si só, já é um risco que merece ser observado. Adaptar um clássico literário e deslocar completamente a sua história e seu tempo é uma difícil e delicada missão. Por um lado, essa atualização vestida de fantasia futurista é extremamente interessante por dialogar ainda mais com temas sociais atuais. Por outro, gera um certo estranhamento ao deslocar uma história tão sertaneja para algo tão eixo Rio-São Paulo.</p>
<p>A escolha dos roteiristas, no entanto, é bem paga por conseguirem imprimir o resultado visual e textual dessa periferia (ainda mais) refém da violência, do crime e da política. E, para completar as escolhas arriscadas do roteiro, Arraes e Furtado ainda escolhem manter parte do texto original inalterado, o que pode gerar um estranhamento inicial, mas que tem uma força cênica absurda. Por essa razão, <strong><em>Grande Sertão</em></strong> acaba se aproximando de <em>Romeu + Julieta (1996)</em>, de Baz Luhrmann (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><em>Elvis</em></a>, de 2022). A diferença entre as duas obras é que, no longa de Guel Arraes, a inserção desse texto mais clássico é incorporada de uma forma mais eficaz e convincente &#8211; mérito também do elenco extraordinário.</p>
<p>Com esse texto e pano de fundo, Guel pôde fazer o que faz de melhor: mergulhar no fantástico. A filmografia do diretor pernambucano sempre flertou com as possibilidades desse gênero, mas agora, graças ao contexto criado para o filme, Guel conseguiu cair de cabeça nesse universo. O resultado desse mergulho é um trabalho visual extremamente cuidadoso e impactante. Existem cenas que falam por si só e, como já disse Villeneuve (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna-parte-2/"><em>Duna: Parte 2</em></a>, de 2024), no cinema, as imagens devem bastar &#8211; e Guel faz isso como ninguém em <em><strong>Grande Sertão</strong></em>.</p>
<figure id="attachment_18202" aria-describedby="caption-attachment-18202" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-18202 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-750x500.jpg" alt="Grande Sertão (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18202" class="wp-caption-text">Eduardo Sterblitch em cena de &#8216;Grande Sertão&#8217; (2023) | Foto: Divulgação/Helena Barreto</figcaption></figure>
<p>Existe uma teatralidade e espetacularização em cena que só Guel consegue criar. Assim como vemos em filmes anteriores do diretor, existe um quê de exagero milimetricamente calculado, que compõe e guia a narrativa e suas performances. E é justamente nesse campo que o elenco e os departamentos de fotografia e arte conseguem brilhar. <em><strong>Grande Sertão</strong></em> é uma produção que chama atenção. Seja pelo seu texto original, pelas suas escolhas de adaptação ou pelas suas cores e dores em cena. Não há como sair da sessão sem sentir esse impacto.</p>
<p>O elenco é quem complementa e coloca em cena esse universo distópico-fantástico. Com conhecidos nomes das telinhas e telonas como Luisa Arraes (<em>Aos Teus Olhos</em>, de 2017), Caio Blat (<em>O Debate</em>, de 2022), Rodrigo Lombardi (<em>Carcereiros: O Filme</em>, de 2019), Luis Miranda (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-pai-o-2/"><em>Ó Paí, Ó 2</em></a>, de 2023) e Eduardo Sterblitch (<em>Dois é Demais em Orlando</em>, de 2024), as performances merecem uma atenção especial. Sob essa rege da teatralidade tão gueliniana, os artistas entregam cenas com emoções viscerais. É palpável cada dor e conquista vista em tela. Essa troca só engrandece ainda mais o texto e o resultado de <strong><em>Grande Sertão</em></strong>.</p>
<p>É preciso, portanto, pontuar algumas pessoas que se destacam no elenco. Mariana Nunes (<em>Alemão 2</em>, de 2022), apesar de ter uma rápida participação, consegue entregar uma performance de tirar o fôlego. Ao seu lado, narrativamente e cenicamente falando, está Blat que brilha como Riobaldo, especialmente nos segmentos sobre o futuro em <strong><em>Grande Sertão</em></strong>. O público se encanta e teme, porém, pelos personagens vividos por Miranda e Sterblitch. Os dois no campo no vilania, cada um com suas camadas de desejos e anseios &#8211; e até com momentos de redenção -, ambos personagens chamam o público para uma conexão imediata (ainda que essa seja de repulsa).</p>
<p>A força do elenco em cena é a responsável por concretizar toda a parte técnica e a direção. A materialidade expressa pelos trechos originais do texto ou criada por determinado cenário, fotografia e enquadramento são resultado dessa cooperação completa da produção. <strong><em>Grande Sertão</em></strong> conta com uma força expressiva arrebatadora e esse é o seu maior diferencial. Faz, por momentos, até mesmo com que o espectador mais atento (ou talvez, preocupado) esqueça do sequestro da história para uma periferia que parece estar localizada no Rio de Janeiro. Seja como for essa dinâmica entre-espectador-filme, uma coisa é certa: o longa não vai ser facilmente esquecido por quem o assiste.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guel Arraes</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Luisa Arraes, Caio Blat , Rodrigo Lombardi, Luis Miranda, Mariana Nunes, Lucas Oranmian e Eduardo Sterblitch</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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