<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos LGBT - Coisa de Cinéfilo</title>
	<atom:link href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/lgbt/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://coisadecinefilo.com.br/tag/lgbt/</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Thu, 27 Jun 2019 15:18:14 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/cropped-favicon3-5-32x32.png</url>
	<title>Arquivos LGBT - Coisa de Cinéfilo</title>
	<link>https://coisadecinefilo.com.br/tag/lgbt/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Especial: Melhores Filmes sobre Mulheres LGBT</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/especial-melhores-filmes-sobre-mulheres-lgbt/</link>
					<comments>https://coisadecinefilo.com.br/especial-melhores-filmes-sobre-mulheres-lgbt/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jun 2019 15:18:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Lista]]></category>
		<category><![CDATA[A Criada]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Desobediência]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Flores Raras]]></category>
		<category><![CDATA[Imagine Eu e Você]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Livrando a Cara]]></category>
		<category><![CDATA[Transamerica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://coisadecinefilo.com.br/?p=10753</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em junho, é quando se comemora o mês do orgulho LGBTQ+ (Lésbica, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e mais). A escolha do período está ligada à revolta de Stonewall, nos Estados Unidos, que aconteceu em 1969. Foi a partir dali que a comunidade decidiu enfrentar a amplamente a violência que sofria por policiais. Pensando na temática, o Coisa de Cinéfilo traz, agora, uma lista com as melhores dicas de filmes sobre Mulheres LGBTQ+! Confira!!! 5 – Livrando a Cara (2004): [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-melhores-filmes-sobre-mulheres-lgbt/">Especial: Melhores Filmes sobre Mulheres LGBT</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em junho, é quando se comemora o mês do orgulho LGBTQ+ (Lésbica, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e mais). A escolha do período está ligada à revolta de <em>Stonewall</em>, nos Estados Unidos, que aconteceu em 1969. Foi a partir dali que a comunidade decidiu enfrentar a amplamente a violência que sofria por policiais.</p>
<p>Pensando na temática, o <em><strong>Coisa de Cinéfilo</strong></em> traz, agora, uma lista com as melhores dicas de filmes sobre Mulheres LGBTQ+! Confira!!!</p>
<p style="text-align: center;"><strong><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10816" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/SAVING-FACE-LEGENDADO-1-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/SAVING-FACE-LEGENDADO-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/SAVING-FACE-LEGENDADO-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/SAVING-FACE-LEGENDADO-1-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></strong><br />
<strong>5 – <em>Livrando a Cara</em> (2004):</strong></p>
<p>Muitos aspectos das escolhas narrativas fazem com que o filme ocupe um lugar nesta lista. A começar pelo fato da produção contar com a direção e o roteiro de uma artista mulher, a Alice Wu &#8211; que, por enquanto, apenas comandou este longa em sua carreira. O segundo destaque é o fato do protagonismo elevado feminina. Com a temática voltada para tradições familiares chinesas, a produção mostra o moralismo que é perpetuado na família das personagens. A história mostra uma mãe, Ma (Joan Chen), que, aos 40 anos, se vê grávida e solteira e sua filha, Wil (Michelle Krusiec) que é lésbica e namora uma mulher. A representação das angústias delas, juntamente com o tom de comédia romântica, equilibram a projeção.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10817" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Flores_Raras_8-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Flores_Raras_8.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Flores_Raras_8-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Flores_Raras_8-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></strong><br />
<strong>4 – <em>Flores Raras</em> (2013):</strong></p>
<p>Sob a direção de Bruno Barreto, o filme conta a história da arquiteta brasileira, Lota (Glória Pires). A mulher se apaixona por uma estrangeira, Elizabeth (Miranda Otto), e as duas vivem uma história de amor intensa, mas também cheia de delicadeza. A impressão de que elas possuem estas características citadas, além de uma conexão profunda, se dá por algumas questões postas durante a projeção. Primeiramente, o roteiro &#8211; que é baseado no livro <em>Flores Raras e Banalíssimas – A História de Lota de M. Soares e Elizabeth Bishop</em>, de Carmen Lucia Oliveira, obra baseada em fatos reais – revela em seus diálogos a inteligência discursiva feminina, que distancia as palavras do óbvio. Em seguida, os recursos estéticos utilizados são bem executados. A direção de arte, o figurino e a fotografia brincam com as nuances sentimentais próprias de quem está em um relacionamento amoroso, principalmente com jogos de temperatura. Porém, a permanecia de tonalidade é a azul, o que carrega uma melancolia para tela.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10815" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/transamerica-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/transamerica.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/transamerica-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/transamerica-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></strong><br />
<strong>3 – <em>Transamerica</em> (2005):</strong></p>
<p>Estrelado por Felicity Huffman (<em>Magnólia</em>), o filme conta a história de Bree, uma mulher transgênero que precisa encarar alguns conflitos de sua vida pregressa para se tornar a pessoa que sonha ser. Dois pontos chaves estão presentes aqui: a interpretação de Huffman – que lhe rendeu indicação ao Oscar e o prêmio de Melhor Atriz de drama no Globo de Ouro, ambos em 2006 -; a trajetória dela com o recém-descoberto filho e a relação que a personagem tem com seu corpo. Aqui, a utilização das cores também é importante. As paletas do que a sociedade chama de femininas estão presentes durante toda projeção (rosa, roxo, lilás)  e os símbolos do que se é dito como masculino são evocados para deixá-la desconfortável. Apesar da atriz ser cisgênero, a maneira como a temática é discutida em 2005 já possui alguma relevância.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10814" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/disobedience10-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/disobedience10.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/disobedience10-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/disobedience10-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></strong><br />
<strong>2 – <em>Desobediência</em> (2017):</strong></p>
<p>O filme mostra duas mulheres da comunidade judeu ortodoxa. Ronit (Rachel Weisz), acabou sendo afastada do grupo por “mau comportamento”; Esti (Rachel McAdams), permaneceu por lá. As duas foram amigas de infância e apresentam sentimentos românticos uma pela outra. Porém, possuem diversos empecilhos no caminho delas. Com as cores mais sóbrias e enquadramentos mais fechados, a equipe do filme consegue transmitir a sensação de sufocamento, angústia e pressão que a dupla passa, bem como o nível de sentimentos reprimidos que têm. As construções das personagens também entram em um dos fatores de qualidade do longa. Os olhares de Weisz para McAdams são o ponto alto desta dinâmica.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10813" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/still-the-handmaiden-1-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/still-the-handmaiden-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/still-the-handmaiden-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/still-the-handmaiden-1-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></strong><br />
<strong>1 – <em>A Criada</em> (2016):</strong></p>
<p>Dirigido por Chan-wook Park (<em>Oldboy</em>), o filme conta a história de uma herdeira, Lady Hideko (Min-hee Kim). Ela sente atração por mulheres e, mesmo sem ser dito, existem pessoas que sabem disso. Visando roubar sua fortuna, um grupo infiltra uma criada, Sook-Hee (Tae-ri Kim), na casa dela. O primeiro elemento destacável é a forma como a narrativa acontece. O espectador tem contato com ângulos diversos, de personagens distintas e isto vai acontecendo lentamente. Inclusive, a fotografia de Chung-hoon Chung (<em>Oldboy</em>) é inteligente ao usar as mudanças enquadramentos combinadas com as transformações das perspectivas que estão sendo mostradas na tela. Os elementos da história vão sendo revelado aos poucos. Outro fator importante é a forma como a contradição entre os cenários belos e bucólicos e toda a trama armada durante o longa é utilizada.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10812" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/936592424d6336828459cbbbf91f6f4c-1-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/936592424d6336828459cbbbf91f6f4c-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/936592424d6336828459cbbbf91f6f4c-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/936592424d6336828459cbbbf91f6f4c-1-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></strong><br />
<strong>Bônus: <em>Imagine Eu e Você</em> (2005):</strong></p>
<p>Estrelada por Lena Headey (300) e Piper Perabo (Doze é demais), a comédia romântica é um dos melhores filmes de seu gênero. Isto acontece justamente porque o filme consegue equilibrar as tensões das idas e vindas do entrelaçamento do casal protagonista da história com os momentos fofos de interação entre a dupla. Esta característica faz com que o espectador torça intensamente para que o <em>ship</em>* aconteça. No longa, Rachel (Perabo) está se casando, mas acaba conhecendo o amor de sua vida durante o matrimonio. Ela e Luce passam a sair e tornam-se amigas. Aos poucos, elas vão notando que aquilo é mais do que uma amizade. É uma ótima projeção para ver no inverno, comendo pipoca e doces!</p>
<ul>
<li><strong>Ship:</strong> vem do inglês &#8220;<em>relationship</em>&#8220;, que quer dizer relacionamento. O termo é utilizado para denominar pares românticos ou não em narrativas ficcionais ou não, celebridades etc.</li>
</ul>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-melhores-filmes-sobre-mulheres-lgbt/">Especial: Melhores Filmes sobre Mulheres LGBT</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://coisadecinefilo.com.br/especial-melhores-filmes-sobre-mulheres-lgbt/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>As feminilidades de Xavier Dolan</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/as-feminilidades-de-xavier-dolan/</link>
					<comments>https://coisadecinefilo.com.br/as-feminilidades-de-xavier-dolan/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Oct 2014 12:00:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Laurence Sempre]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Mommy]]></category>
		<category><![CDATA[Xavier Dolan]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://coisadecinefilo.com.br/?p=2123</guid>

					<description><![CDATA[<p>O canadense Xavier Dolan vem se destacando no cinema internacional como um pródigo diretor, roteirista e ator nos últimos anos. Colecionando premiações a cada filme lançado, este ano, o jovem dividiu o prêmio dado pelo júri no 67º Festival de Cannes com o consagrado Jean-Luc Godard graças a sua última produção, Mommy. Marcado por uma estética bem autoral, tanto nos aspectos narrativos quanto nos audiovisuais, os filmes de Dolan atravessam a temática LGBT a partir de personagens complexos e cinzentos [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/as-feminilidades-de-xavier-dolan/">As feminilidades de Xavier Dolan</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/j-ai-tue-ma-mere_2.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-2140 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/j-ai-tue-ma-mere_2.jpg" alt="j ai tue ma mere_2" width="610" height="348" /></a></p>
<p>O canadense <strong>Xavier Dolan</strong> vem se destacando no cinema internacional como um pródigo diretor, roteirista e ator nos últimos anos. Colecionando premiações a cada filme lançado, este ano, o jovem dividiu o prêmio dado pelo júri no 67º Festival de Cannes com o consagrado Jean-Luc Godard graças a sua última produção, <em>Mommy</em>.</p>
<p>Marcado por uma estética bem autoral, tanto nos aspectos narrativos quanto nos audiovisuais, os filmes de Dolan atravessam a temática LGBT a partir de personagens complexos e cinzentos que carregam o fardo da castração de seus desejos – e aqui, destaca-se, não apenas sexuais, mas até mesmo do que eles considerariam uma vida, uma relação familiar e amor ideais.</p>
<p>Talvez, esta seja a maior diferença do diretor quando comparado a outras produções recentes que abordam a temática LGBT. Em Dolan, o tema serve apenas como um plano de fundo, uma base de construção de seus personagens, porém, não é este universo e seus conflitos (a saída do armário, a homofobia, o despertar da sexualidade etc.) o eixo principal de seus filmes.</p>
<p>Apesar desses tópicos também serem tratados em suas obras, eles não são o centro da narrativa. Em <em>Eu Matei Minha Mãe</em> (<em>J&#8217;ai tué ma mère</em>), por exemplo, o centro narrativo é a conflituosa relação entre o protagonista e sua mãe; já em <em>Amores Imaginários</em> (<em>Les amours imaginaires</em>), o enfoque se dá sobre a relação de amizade entre um rapaz e uma moça que começa a colapsar a partir do momento em que os dois começam a disputar a paixão por uma mesma pessoa.</p>
<p>Curiosamente, o filme que trato nesta edição da coluna, <em>Laurence Sempre</em> (Laurence Anyways), é o que, como exceção à regra, a sexualidade e a identidade de gênero surge com um peso maior no enredo do filme – apesar de, Dolan, novamente, surpreender pela abordagem original com que ensaia sobre a temática em sua produção (outra curiosidade que vale ressaltar é a ausência dele como ator principal no filme, uma exceção que se repete apenas em <em>Mommy</em>).</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/0f94d4a82_465714061112.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-2141 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/0f94d4a82_465714061112.jpg" alt="0f94d4a82_465714061112" width="610" height="348" /></a></p>
<p>No filme, Laurence Alia (Melvil Poupaud) e Frédérique (Fred) Belair (Suzanne Clément) formam um jovem casal de adultos apaixonados que, como a maioria dos casais, possuem seus diversos rituais particulares, como a produção de uma lista de coisas que lhes tiram o tesão. Levam uma vida romântica e feliz, apesar das coisas no emprego (ele é professor, ela é produtora de audiovisual) e com os familiares de ambos não irem tão bem assim.</p>
<p>Porém, Laurence começa a se sentir cada vez mais pressionado a viver uma identidade que sempre reprimiu: sua feminilidade. Em meio aos trinta e poucos anos, ele resolve assumir sua identidade trans e iniciar a transformação para o sexo feminino. Mas ele não quer deixar seu relacionamento com Fred, que passa a se sentir bastante confusa e, ao longo do filme, que atravessa a década de 1990, vai passar por um questionamento de seus padrões identitários talvez ainda maior que os de Laurence. A partir daí, Xavier Dolan realiza um ensaio bastante instigante sobre identidade e desejo, normalidade e marginalidade.</p>
<p>O grande trunfo do diretor aqui é problematizar a questão identitária de maneira mais ampla do que apenas centrar-se na transição de gênero realizada por Laurence, que serve apenas como estopim do centro narrativo, que é o relacionamento extremamente passional entre ela e Fred, assim como a própria crise de identidade que esta começa a viver.</p>
<p>Apesar de a princípio tomarmos Laurence como protagonista, é a crise identitária vivenciada por Fred que acaba roubando a cena. Tanto é que nos lapsos temporais que marcam as fases da transformação de Laurence, pouco nos é mostrado de suas questões internas – Laurence surge como uma trans confusa e insegura no início do filme, mas se torna determinada com o avançar do longa, e pouco é problematizado sobre isso. Em curtos momentos (e nem por isso, menos importantes para a nossa compreensão da personagem), temos uma visão de seu relacionamento com a mãe, com quem compartilha uma conflituosa relação, em princípio, mas uma terna cumplicidade posteriormente, assim como sua vivência com um clã de senhoras – as Rose – que a integra como membro da família.</p>
<p>Assombrada pelos padrões identitários normalizados pela sociedade do que é ser mulher, de seus desejos e do que se espera de uma (casar, ter filhos etc.), Fred se encontra dividida entre viver seu amor com Laurence ou seguir uma vida “normal”. E Suzanne Clément nos entrega uma interpretação próxima do sublime com Fred – a atriz consegue representar de forma maravilhosa a culpa e o medo da personagem, assim como sua confusão entre viver aquilo que sempre acreditou ser uma mulher ideal ou se libertar de suas amarras identitárias e se permitir viver sua paixão por Laurence.</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/f127bfe9f_165614061112.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-2143 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/f127bfe9f_165614061112.jpg" alt="f127bfe9f_165614061112" width="610" height="348" /></a></p>
<p>No começo, a moça ainda tenta dar continuidade ao seu relacionamento com Laurence, servindo, inclusive com um dos principais apoios na transformação dela – é Fred que incentiva Laurence a ir trabalhar vestida de mulher pela primeira vez na escola – aliás, pontos para a excelente cena da entrada de Laurence em sala de aula e em seguida sua caminhada pelos corredores do colégio (que também faz referência a outra ótima cena da abertura do filme), encarando os olhares de espanto, surpresa, cumplicidade, e outros mais variados sentimentos pelos alunos e funcionários do colégio que indicam o jogo identitário que envolve a indiferença, a aceitação ou a repulsa ao diferente.</p>
<p>O ponto decisivo para Fred se dá, no entanto, quando se descobre grávida e decide fazer um aborto justamente por se sentir culpada e confusa com relação aos seus papéis identitários enquanto mulher e o papel de pai de Laurence, que não mais se identifica enquanto homem. Fred entra em depressão e o relacionamento com Laurence começa a decair até o momento em que, após sofrerem um constrangimento num restaurante e conhecer um outro homem em um baile, ela decide romper a relação. Daí em diante, encontros e desencontros entre as duas protagonistas seguem até o final do longa, com uma tensão cada vez maior entre elas.</p>
<p>Mais do que falar sobre a identidade trans, Dolan parece querer discutir algo mais amplo que é a noção de feminilidade, ou o que nossa sociedade e cultura considera enquanto feminino e modos de vida femininos. Isso se evidencia tanto pela centralidade em tornos dos personagens femininos quanto do modo com que ele projeta essas vivências femininas: temos Fred que vê sua vida se confrontando com o que sempre considerou ser mulher ao amar uma pessoa que nasceu homem mas tem uma identidade feminina; temos Laurence numa busca de uma identidade feminina que sempre reprimiu na sua vivência masculina; temos a mãe de Laurence que se vê aprisionada a um casamento infeliz e o papel de dona de casa, mas encontra outra maneira de viver sua feminilidade a partir da coragem da filha; temos a mãe e a irmã de Fred que tentam defender um padrão ideal do que é ser mulher.</p>
<p>Com<em> Laurence Sempre</em>, em suas quase três horas de duração, Xavier Dolan entrega um filme belo, complexo e profundo que, com a premissa de seu enredo, poderia facilmente cair numa proposta batida do amor impossível, mas acaba tomando o caminho contrário e apresenta uma odisseia das diversas formas de vivências femininas dentro de uma sociedade sexista que, em grande parte, reprime, subalterniza e violenta essa identidade.</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/as-feminilidades-de-xavier-dolan/">As feminilidades de Xavier Dolan</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://coisadecinefilo.com.br/as-feminilidades-de-xavier-dolan/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
