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	<title>Arquivos Lee Ji-hye - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Parasita</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Nov 2019 18:14:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Se pegarmos as três produções cinematográficas que mais tiveram eco com o público em 2019, cada qual de origem diversa e retratando realidades muito distintas, em continentes de culturas praticamente opostas por sua história, podemos perceber uma mensagem bem clara e uníssona sobre alguns dos mais destacáveis problemas da contemporaneidade. Coringa nos Estados Unidos (América do Norte), Bacurau no Brasil (América do Sul) e agora Parasita na Coreia do Sul (Ásia) têm como preocupação estruturas sociais que provocam mal estar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Se pegarmos as três produções cinematográficas que mais tiveram eco com o público em 2019, cada qual de origem diversa e retratando realidades muito distintas, em continentes de culturas praticamente opostas por sua história, podemos perceber uma mensagem bem clara e uníssona sobre alguns dos mais destacáveis problemas da contemporaneidade. <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Coringa</em> </a>nos Estados Unidos (América do Norte), <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bacurau/"><em>Bacurau</em> </a>no Brasil (América do Sul) e agora <strong><em>Parasita</em> </strong>na Coreia do Sul (Ásia) têm como preocupação estruturas sociais que provocam mal estar em indivíduos e grupos marginalizados. Todd Phillips, Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles e Bong Joon-ho não sentaram em uma mesa de bar para conversar sobre política e questões sociais, mas a sensação é que os cinemas desses realizadores se encontraram e, como acontece em tempos tão complicados de se entender como o nosso, a arte acaba expurgando esses incômodos e sendo abraçada pelo público como representação das suas principais angústias.</p>
<p><strong><em>Parasita</em> </strong>conta a história de uma família de poucos recursos que enxerga oportunidades de subir na vida quando começam a prestar serviços para uma família rica. Sem saber do parentesco dos novos empregados, o grupo mais abastado acaba acolhendo pai, mãe e filhos em funções como tutores, motorista e empregada doméstica. As relações começam a ficar complexas durante uma viagem que os ricaços fazem deixando o grupo de empregados à vontade para usufruir os privilégios da mansão onde trabalham.</p>
<p>Em <strong><em>Parasita</em></strong>, Bong Joon-ho faz algo semelhante àquilo que fez com uma de suas obras mais populares, <em>Expresso do Amanhã</em>, converte as disposições dos estratos sociais em cenários de arquitetura simbólica. Enquanto no <em>sci-fi</em> distópico de 2013 o cineasta utilizava os vagões de um trem para representar as tensões de grupos sociais, em <strong><em>Parasita</em></strong>, Bong Joon-ho explora a intensa dinâmica entre o casarão de design <em>clean</em> da casa dos ricaços com o porão da mansão e a casa quase que subterrânea dos empregados no subúrbio coreano.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12368" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/2119c0ce1d.jpg" alt="Parasita" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/2119c0ce1d.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/2119c0ce1d-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/2119c0ce1d-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Com um roteiro que tem fôlego para apresentar novas facetas da sua história até o último segundo do filme, o diretor desenvolve gradualmente seu corpo de personagens, que funcionam de maneira fantástica como coletivo, até chegar ao principal ponto de virada da trama. Há um determinado momento no qual a presença simultânea de praticamente todos os personagens do filme no mesmo imóvel promovem uma espécie de coreografia na qual os protagonista se movimentam entre os cômodos e se escondem em uma dinâmica tensa que simula um balé orquestrado por edição, movimentação de câmeras e encenação.</p>
<p>A capacidade que <strong><em>Parasita</em> </strong>tem de prender o público a cada segundo oferecendo facetas diversificadas de uma mesma história que oscilam entre a comédia, o melodrama, o discurso social, o horror, o <em>nonsense</em> é fabulosa. Bong Joon-ho já demonstrou em outros momentos que tem repertório e gosta de surpreender o público com suas inusitadas perspectivas a respeito de histórias que julgamos a princípio convencer. O desfecho de Parasita se opõe por completo à ironia do seu início e é por essa chave que o filme funciona durante toda a sua projeção, oferecendo uma perspectiva melancólica sobre a utopia da ascensão social.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Bong Joon-ho<br />
<strong>Elenco:</strong> Song Kang-ho, Lee Sun-kyun, Jo Yeo-jeong, Choi Woo-sik, Jang Hye-jin, Park So-dam, Jung Ji-So, Lee Ji-hye, Park Myeong-hoo, Park Seo-joon, Park Keun-rok</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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