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	<title>Arquivos Leandro Neri - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Leandro Neri - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Carnaval (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Jun 2021 15:54:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Difícil saber por onde começar quando o assunto é Carnaval, a nova produção brasileira da Netflix. Existe nele, obviamente, todos os clichês esperados tanto de comédias que envolvem viagens, quanto de produções que se passam na cidade de Salvador, na Bahia. No entanto, ainda que fosse um longa-metragem óbvio, sem grandes pretensões, quando uma obra se trata de uma “farofa”, ela necessita ser divertida, ter alguma lógica interna ou uma narrativa, minimamente, coesa. Não é o que ocorre aqui. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Difícil saber por onde começar quando o assunto é <strong><em>Carnaval</em></strong>, a nova produção brasileira da Netflix. Existe nele, obviamente, todos os clichês esperados tanto de comédias que envolvem viagens, quanto de produções que se passam na cidade de Salvador, na Bahia. No entanto, ainda que fosse um longa-metragem óbvio, sem grandes pretensões, quando uma obra se trata de uma “farofa”, ela necessita ser divertida, ter alguma lógica interna ou uma narrativa, minimamente, coesa. Não é o que ocorre aqui.</p>
<p>A premissa parte da lógica de que a protagonista, Nina (Giovana Cordeiro), fará uma viagem para fomentar a sua carreira como influencer, levando mais três amigas junto com ela: Michelle (Gessika Kayane), Mayra (Bruna Inocencio) e Vivi (Samya Pascotto). Cada membro do quarteto representa um estereótipo e é cansativo acompanhar cada cena na qual estas marcas de personalidades são representadas. A questão central aqui é que nada aparece de maneira orgânica e, através de diálogos expositivos, estas características são apresentadas.</p>
<p>A dinâmica de comicidade de <strong><em>Carnaval</em></strong> também não funciona por esta razão. Tudo acaba sendo previsível e entediante, no final das contas. Porque além de inserir tipos já conhecidos por suas ações e falas dentro do enredo, falta direção de ator ou talento das intérpretes para segurar um texto de baixa qualidade e equivocado. Estes incômodos vindos do roteiro são ainda mais salientes após a chegada em Salvador. É perceptível a ausência de uma pesquisa ou uma vontade básica de localizar o espectador na cidade. Um exemplo forte é quando Mayra está perdida no bairro da Barra e surge abruptamente, na sequência posterior, no Pelourinho.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14183" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/2420371.jpg" alt="Carnaval" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/2420371.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/2420371-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/2420371-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/2420371-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Esta vontade de mostrar apenas cartões postais distancia o público que conhece meramente Salvador. Obviamente, existe uma licença na ficção para apresentar qualquer tipo de absurdo, se ele se encaixa na trama e não quebra o pacto com o espectador. Contudo, muito da cultura e das localizações soteropolitanas são jogadas na tela de maneira rasa. As situações apresentadas não fomentam o desenvolvimento da história, como colocar questões de espiritualidade de maneira banal. Inclusive, esta escolha pode ser ofensiva para algumas pessoas que assistirem.</p>
<p>É difícil ver perpetuações de uma imagem sobre baianos no audiovisual. Falta estudo, compreensão da realidade do local e trato da linguagem. A sensação é de que as cenas foram construídas sem costura, deixando a impressão de que existem várias sketches sobre o mesmo tema, mas em blocos. A artificialidade presente na produção está colocada em múltiplos aspectos, deixando pouco espaço para o encontro de pontos positivos. Talvez, alguns momentos de Kayane funcionem. Apesar de seu papel possuir complicações para a criação de instantes engraçados, ela consegue achar saídas, ainda que fáceis, para causar o efeito necessário. O que ajuda a artista é saber como trabalhar algumas frases que se destacam, por meio de pausas ou respirações, que fazem com que as intenções de sua Michelle sejam mais notadas.</p>
<p>Desta maneira, seja na falta de veracidade ao tratar sobre Salvador e seus habitantes ou na própria construção das personagens e de suas relações, <strong><em>Carnaval </em></strong>é preguiçoso e desleixado. A base do entretenimento barato é divertir. Ao ir ao cinema ou ligar a TV, o besteirol tem a função elementar de fazer rir e ser leve. Mas, com ausência de traquejo para criar piadas efetivas, dirigir intérpretes para jogar em cena, escrever um roteiro com o mínimo de lógica interna, a sessão é cansativa e, para muitos, irritante.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Leandro Neri</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Giovana Cordeiro, Gessica Kayane, Bruna Inocencio</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/gleiLQO-rh4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Socorro, Virei uma Garota!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Aug 2019 17:51:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estreia esta quinta-feira, 22 de agosto, a nova comédia adolescente brasileira Socorro, Virei Uma Garota!. Dirigido por Leandro Neri (Agora Que São Elas) e escrito por Paulo Cursino (De Pernas pro Ar), o filme poderia ter sido um divertido, leve e sem pretensão longa do gênero. No entanto, o espectador pode ir ao cinema procurando um besteirol para se distrair e sair espumando de raiva. Já de cara, nos primeiros minutos de projeção, é fácil saber o que irá acontecer [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Estreia esta quinta-feira, 22 de agosto, a nova comédia adolescente brasileira <strong><em>Socorro, Virei Uma Garota!</em></strong>. Dirigido por Leandro Neri (<em>Agora Que São Elas</em>) e escrito por Paulo Cursino (De Pernas pro Ar), o filme poderia ter sido um divertido, leve e sem pretensão longa do gênero. No entanto, o espectador pode ir ao cinema procurando um besteirol para se distrair e sair espumando de raiva.</p>
<p>Já de cara, nos primeiros minutos de projeção, é fácil saber o que irá acontecer na tela. Um jovem nerd, o Júlio (Victor Lamoglía), deseja ser uma pessoa popular e acaba acordando no corpo de uma menina, Júlia (Thati Lopes). A jovem na qual ele passa a ser é uma blogueirinha fútil, infantil e mimada. Ambas as atuações ficam no lugar comum de arquétipo do que é um menino sem popularidade e muito estudioso, mas os problemas não param por aqui . Já no começo da exibição, fica a sensação estranha de o roteiro foi escrito em 2001. Com marcas extremamente estereotipadas, as personagens são forçadamente encaixadas em padrões que apenas poderiam ter saído da cabeça de um homem branco.</p>
<p>Não à toa, o comando da direção e do roteiro é ocupado por duas figuras que se encaixam nessa categoria. Logo, as moças amam roupas, histórias melosas de amor e ter namorados ricos e sarados. Meninos curtem <em>Star Wars</em>, matemática e querem ser fortes e pegadores. A planificação continua com a garota lésbica que, além da vestimenta do que a equipe deve achar ser obrigatória para todas as mulheres homossexuais, o gosto musical se baseia em Ana Carolina. É como se precisassem reforçar a todo instante ainda mais a sexualidade da moça, mas tom é sempre de piada. O gosto fica amargo justamente por isso, como se a orientação sexual dela virasse motivo de riso.</p>
<p>A tiradas ofensivas não param por aí. Quando o pai da protagonista &#8211; interpretado por um preguiçoso Nelson Freitas, jogando uma atuação bem na sua chave, com o corpo solto e sem aparente vontade de estar ali – revela que já foi apaixonado por um homem. Neste momento, uma música que parece entrar no gênero conga começa a tocar. A parti dali, todas as vezes que a relação dele com esse amor do passado aparece, esse tema se repete, como se houvesse um tipo de ritmo gay. Por fim, além da produção não ter escalado nenhum negro para o elenco, o racismo com orientais deixa a alma cansada, pois quando o público começar a achar que nada mais de equivocado surgirá, o mesmo acontece quando um garoto asiático, adorador de matemática e nerd é mostrado.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11116" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3871415-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3871415.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3871415-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3871415-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Para além dos traços de repetição de preconceitos da sociedade, mascarados de piadas daquele “seu amigo gente boa”, o filme ainda peca por não ter coragem de colocar um beijo entre mulheres em nenhum momento, marginalizando a relação LGBT. Mesmo que o discurso seja de aceitação, este elemento fica apenas na fala “toda forma de amor é válida”, que, além de ser clichê, deveria ser comprovada dentro da trama, nas ações e/ou diálogos, porém deixam como algo que não pode ser mostrado, deve ser censurado e cortado com algum efeito de luz ou som.</p>
<p>Por fim, em questões técnicas o longa é fraco, como já era de se esperar. A direção não traz nada muito criativo. Planos mais fechado, a câmera passa a maior parte do tempo parada, a <em>mise-em-scène</em> é um tanto bagunçada, o que tira o foco das sequências em alguns momentos. As atuações não são expressivas.</p>
<p>A maioria dos jovens intérpretes são verdes, dizem o texto de forma monocórdica, fazendo uma espécie de música com a voz e não parecem possuir a noção de método para corpo em cena. Com exceção dos artistas que fazem o/a principal Thati Lopes/Victor Lamoglia), que não são ruins em outros trabalhos. Contudo, neste projeto não vão além do não passar vergonha, pois possuem o entendimento do que estão dizendo, buscam colorir o texto e criar uma personalidade para Júlio/Júlia.</p>
<p>A única salvação real de <strong><em>Socorro, Virei Uma Garota!</em></strong> é a presença de Vanessa Gerbelli que chega apresentando uma atuação sutil, naquele universo cansativamente exagerado, fora de tom (para mais ou para menos). No papel de mãe de Júlio/Júlia, com tranquilidade, ela conseguiu dar uma diluída nos diálogos expositivos, fazendo com que os momentos em que ela aprece ficassem emocionantes e sensíveis, porque ela teve cuidado com os olhares que criou, que mesclam ternura e cuidado maternal e um corpo consciente, com tônus.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Leandro Neri<br />
<strong>Elenco:</strong> Thati Lopes, Victor Lamoglia, Leo Bahia, Manu Gavassi, Vanessa Gerbelli, Nelson Freitas, Kayky Brito</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/KlwVnLALnRo" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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