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	<title>Arquivos Leandra Leal - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Leandra Leal - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>29º Cine PE: Os enforcados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Jun 2025 12:02:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma mistura de premissas shakespeareanas, Fernando Coimbra (O Lobo atrás da Porta) utiliza suas referências para falar de amor, corrupção e traição. Em uma trama cheia de jogo de poder, a obra é corajosa ao abordar uma violência crua, principalmente em termos imagéticos. O sangue, a pancadaria, a agressão gráfica também fazem parte da narrativa e são utilizados como propulsores para a afirmação do argumento de que o ser humano é capaz de tudo pelo dinheiro. Ok, não há [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em uma mistura de premissas shakespeareanas, Fernando Coimbra (<em>O Lobo atrás da Porta</em>) utiliza suas referências para falar de amor, corrupção e traição. Em uma trama cheia de jogo de poder, a obra é corajosa ao abordar uma violência crua, principalmente em termos imagéticos.</p>
<p>O sangue, a pancadaria, a agressão gráfica também fazem parte da narrativa e são utilizados como propulsores para a afirmação do argumento de que o ser humano é capaz de tudo pelo dinheiro.</p>
<p>Ok, não há nada de muito novo nisso, mas aqui essa ganancia é bem explorada, pelo menos, na maior parte do tempo e de elementos. No entanto, alguns signos usados são tão óbvios, que a qualidade do roteiro se esvai um pouco na visualidade do longa.</p>
<p>A insistência do verde e do vermelho cria uma símbolo um tanto óbvio: o dinheiro e o sangue vão mover a trama. As tonalidades estão nos figurinos, nas paredes e nos objetos de cena. Isso é reiterar o que já está presente nas ações práticas do roteiro.</p>
<p>Talvez, se a utilização destes tons fosse mais sutil, a estratégia funcionasse melhor e as temperaturas fossem mais uma sugestão do que qualquer coisa. Neste sentido de obviedades, até a metade da projeção, a história é bastante previsível.</p>
<p>Bom, pelo menos para quem leu ou viu <em>Hamlet</em>, <em>Macbeth</em> ou qualquer uma das principais tragédia de Shakespeare. Está tudo ali, o irmão que mata o outro irmão, os assassinatos pelo poder, o banquete com os corpos dos filhos etc.</p>
<p>A única distinção do dramaturgo europeu para o roteirista brasileiro é que aqui se fala de corrupção no Brasil e os malandros da mafia do jogo do bicho. No entanto, o que faz a obra crescer e elevar sua qualidade é a segunda metade da exibição.</p>
<p>Com todos os elementos das relações entre as personagens estabelecidos — o casal central, a mãe da protagonista, o melhor amigo do antagonista etc. —, o espectador ganha as ferramentas para embarcar no estabelecimento de tensão.</p>
<p>Apesar do início ser óbvio, ele consegue criar uma imersão importante para que o restante da sessão funcione. Isto porque o enredo coloca quem assiste para acompanhar detalhes da vida íntima de Regina (Leandra Leal) e Valério (Irandhir Santos).</p>
<p>Assim, a proximidade e a cumplicidade com a dupla fica estabelecida e , até um dado momento da sessão, protegida por essa espécie de cumplicidade construída por Coimbra, entre consumidor e obra.</p>
<p>Mas, são as reviravoltas da história o ponto alto do longa, porque elas são impactantes e a encenação brinca com a elaboração de suspensão. Coimbra usa a movimentação do elenco e a câmera parada para aumentar a atmosfera de medo, tensão e violência.</p>
<p>Ao lado da mise-en-scène, o longa também possui um desenho de som que fomenta todas estas emoções. Um exemplo é a sequência do primeiro assassinato. Leal está enquadrada e se mexe pelo espaço.</p>
<p>O público segue a sua perspectiva e escuta apenas os ruídos do crime. Esse tipo de escolha da equipe de <em><strong>Os enforcados</strong></em> revela uma consciência de como o sonoro pode impactar muito mais do que mostrar graficamente algo, sobretudo quando combinado com a imagem correta.</p>
<p>Quando quem assiste observa a angustia de Regina (Leal),  a elaboração sobre o processo do ato de violência é imaginado por cada receptor, a partir de suas referências do que é o mais violento. Essa estratégia pode elevar a potencialidade do discurso de um produto audiovisual.</p>
<p>Dentro desta lógica de potencialidades bem exploradas, é preciso destacar o trabalho de Leandra Leal. Ainda que todo elenco esteja coeso e com construções que mostram a consciência de todos sobre contracena, é Leal que mais impressiona.</p>
<p>Através de um trabalho de corpo que mescla um relaxamento ativo com um rosto cheio de tensões, há uma complexidade grande em Regina. E estas camadas estão na interpretação de Leal e no roteiro também.</p>
<p>Regina é fútil, porém nem sempre. Regina é mau caráter, porém nem sempre. Não é inteligente o tempo inteiro, nem burra o tempo inteiro. Ela é uma rede de complexidades, na qual todos ao seu redor, que a subestimam, vão cair.</p>
<p>Desta forma, <strong><em>Os enforcados</em></strong> é, majoritariamente, um bom filme, mas com alguns elementos negativos, que reduzem um pouco de sua qualidade. No entanto, é uma obra que vale a pena de assistir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Direção</em></strong>: Fernando Coimbra</p>
<p><strong><em>Elenco</em></strong>: Leandra Leal, Irandhir Santos, Irene Ravache</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="Os Enforcados | Trailer Oficial" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/0FAUiuDM6m8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>29º Cine PE tem abertura no Teatro do Parque e anúncio de novo projeto do MinC</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Jun 2025 04:02:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta segunda-feira, 09, o Teatro do Parque, em Recife, recebeu a abertura do maior festival de cinema de Pernambuco: o 29º Cine PE &#8211; festival audiovisual. Na primeira noite do evento, a mestre de cerimônias Nínive Caldas deu boas-vindas ao público geral e aos convidados. Além de celebrar mais uma edição de Cine PE e exibir 03 curtas-metragens e um longa, a noite contou com figuras políticas ilustres e com a divulgação do novo edital do MinC: o Arranjos regionais. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta segunda-feira, 09, o Teatro do Parque, em Recife, recebeu a abertura do maior festival de cinema de Pernambuco: o 29º Cine PE &#8211; festival audiovisual. Na primeira noite do evento, a mestre de cerimônias Nínive Caldas deu boas-vindas ao público geral e aos convidados.</p>
<p>Além de celebrar mais uma edição de Cine PE e exibir 03 curtas-metragens e um longa, a noite contou com figuras políticas ilustres e com a divulgação do novo edital do MinC: o <em>Arranjos regionais</em>.</p>
<p>Estavam presentes no palco a ministra da cultura, Margareth Menezes, a secretária do audiovisual, Joelma Gonzaga, o secretário de financiamento da Ancine, Leandro Mendes, o prefeito de Recife, João Campos, as secretárias de Cultura de Pernambuco e do Recife, Cacau de Paula e Milu Megale, o diretor do Cinepe, Alfredo Bertini, entre outras figuras.</p>
<p>De acordo com a ministra Margareth Menezes, o Ministério da Cultura investirá R$300 milhões para a apoiar o audiovisual fora do eixo Rio-São Paulo. “Estamos nos dedicando no audiovisual, mas também nas outras políticas, para potencializar essa força, essa riqueza, que significa a diversidade natural do nosso povo”, salienta.</p>
<p>Alfredo Bertini, que é diretor e coordenador festival, ao lado de Sandra Bertini, subiu ao palco e saudou as presenças das autoridades na abertura do evento. Além disso, Bertini ressalta a importância da valorização da cultura e da necessidade de investimento na mesma.</p>
<p>Sobre o projeto do Arranjos Regionais, Bertini salienta a relevância e a expectativa do intento para o desenvolvimento do setor do audiovisual. Em seguida, Alfredo destaca que outros incentivos culturais foram fundamentais para a existência e manutenção do Cin PE. “Eu faço sempre questão de dizer, esse evento tem patrocínio da Lei Rouanet &#8211; pode aplaudir &#8211; e esse dispositivos fez com esse e tantos outros festivais, e tantos outros projetos culturais, eles pudessem se concretizar”.</p>
<p>A importância do festival e do apoio a pluralidade no cinema também foi abordado por Priscila Urpia. Espectadora cativa do evento, ela acredita que esta é uma realização cada vez mais consolidada no mercado. &#8220;Mais uma edição em que pude ver na tela a pluralidade dos filmes, com temas diversos.  O destaque especial para produções femininas, que reforçam a importância e visibilidade no cinema feito em nosso país”, explica.</p>
<p>Após todos os discursos da noite, as sessões se iniciaram. Foram exibidos quatro curtas-metragens: Eu preciso dizer que te amo (PE), Esconde-Esconde (PE), Liberdade sem conduta (RN) e Cavalo marinho (PE). Em seguida, o longa-metragem A melhor mãe do mundo de Anna Muylaert foi projeto.</p>
<p>No total, o festival exibe 21 produções na sua mostra competitiva, sendo 05 longas-metragens, 09 curtas-metragens nacionais e 07 da pernambucana. Além disso, o festival também conta com projeções das mostras paralelas, no Cine São Luiz.</p>
<p>Anualmente, Recife também recebe artistas importantes para o cinema nacional, que recebem a Calunga de Ouro, como um ato de homanagem. Em 2025, o Cine PE celebra Leandra Leal e Júlio Andrade. Para maiores informações, acesse o site do festival: https://festivalcinepe.com.br</p>
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		<title>Crítica: O Livro dos Prazeres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Sep 2022 21:24:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A prosa de Clarice Lispector é um desafio para qualquer cineasta que se arrisca adaptá-la para as telas. A autora possui obras de um existencialismo intenso que demandam habilidade na conversão para mídias audiovisuais. A diretora e roteirista Marcela Lordy mergulha nessa corajosa empreitada e é muito bem-sucedida com a versão para as telas de Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, que na versão cinematográfica ganha o título de O Livro dos Prazeres apenas. Com o roteiro escrito em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A prosa de Clarice Lispector é um desafio para qualquer cineasta que se arrisca adaptá-la para as telas. A autora possui obras de um existencialismo intenso que demandam habilidade na conversão para mídias audiovisuais. A diretora e roteirista Marcela Lordy mergulha nessa corajosa empreitada e é muito bem-sucedida com a versão para as telas de Uma Aprendizagem ou <em><strong>O Livro dos Prazeres</strong></em>, que na versão cinematográfica ganha o título de <em>O Livro dos Prazeres</em> apenas.</p>
<p>Com o roteiro escrito em co-autoria com Josefina Trotta, mexendo na medida do necessário na obra original de Lispector, afinal estamos falando de um romance que por mais transgressor que fosse na sua época foi pensado há mais de 50 anos atrás, <strong><em>O Livro dos Prazeres</em></strong> traz a história de Lóri, personagem assumida pela sempre radiante Simone Spoladore, para os nossos tempos. No longa, Lóri é uma professora infantil que se apaixona por um professor universitário de Filosofia, papel do argentino Javier Drolas, mas esbarra na sua própria dificuldade de se entregar a uma relação mais estável e íntima.</p>
<p><em><strong>O Livro dos Prazeres</strong></em> de Marcela Lordy não tem pudores ao abordar de forma extremamente franca a sexualidade feminina. Tampouco de explorar a realização amorosa como uma possibilidade legítima para uma personagem tão transgressora e independente. Lóri opta por preencher sua vida com relações sexuais sem compromisso com desconhecidos e quando não encontra um parceiro, não tem pudores em recorrer à masturbação. Tudo isso é abordado sem condenações pela obra e vivenciado em plenitude pela protagonista. Acontece que a Lóri de <em>O Livro dos Prazeres</em> começa a passar por uma profunda crise existencial, se dando conta de que, naquele estágio da sua vida, isso talvez já não lhe satisfaça por completo ou que talvez precise de um novo componente para que a sua vida sexual volte a fazer sentido. A descoberta do amor de Ulisses acaba sendo um ponto desestabilizador para Lóri.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15917" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM.png" alt="O Livro dos Prazeres" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Marcela Lordy tem uma sensibilidade ímpar para captar a densidade da turbulência de pensamentos e sentimentos que tomam conta da sua protagonista, algo que poderia ser difícil de transpor para as telas. A diretora consegue isso sobretudo por valorizar os recursos dramáticos de sua protagonista, a atriz Simone Spoladore. Como Lóri, Spoladore interpreta uma mulher esquiva, que não gosta de aprofundar suas relações, parecendo estar sempre ausente nos ambientes e nas interações. É interessante que mesmo que Spoladore traga de maneira tão sobressalente esses traços da personagem, em momento algum ela afasta o público da protagonista de<strong><em> O Livro dos Prazeres</em></strong>, a atriz evita torná-la fria a ponto do espectador não conseguir se conectar com Lóri. Fica evidente desde o princípio que apesar de Lóri ser uma personagem tão transgressora, ela é marcada por diversos medos, sobretudo o de se machucar ao se entregar afetivamente, ainda mais que do outro lado da relação está um homem &#8211; e, bem, a história da humanidade depõe muito contra esse tipo de indivíduo.</p>
<p>Em tempos de soft porns que preenchem o tempo de um longa-metragem com um amontoado de cenas de sexo sem vida, <strong><em>O Livro dos Prazeres</em></strong> resolve muito bem esse pudor do cinema com a sexualidade das personagens ao conciliar o afetivo e o carnal no terceiro ato da jornada de Lóri. E mesmo antes dessa catarse final, quando vemos uma protagonista feminina se apresentar na tela para o público através da sua sexualidade com uma economia sensível de diálogos, o longa subverte uma lógica longeva nas narrativas audiovisuais de anular os desejos carnais de mulheres quando toda a história deve conduzir à realização amorosa, assim aprendemos que funciona uma comédia romântica, por exemplo. Amor e sexo parecem não se conciliar na nossa criação ocidental cristã, o cinema, como outros produtos culturais foi reflexo dessa mentalidade por anos. O Livro dos Prazeres desconstrói todos esses paradigmas ao mergulhar com propriedade na complexa teia de anseios da sua protagonista, alguém que, no final das contas, para ser quem se é, não anula seus prazeres ou seus afetos, mas os concilia.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Marcela Lordy</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Simone Spoladore, Javier Drolas, Felipe Rocha, Gabriel Stauffer, Leandra Leal</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6Z6rKY2W2TY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Bingo &#8211; O Rei das Manhãs</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Aug 2017 20:08:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Bingo: O Rei das Manhãs]]></category>
		<category><![CDATA[Emanuelle Araújo]]></category>
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		<category><![CDATA[Vladimir]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Inspirado na vida de Arlindo Barreto, que durante anos viveu o palhaço Bozo, Bingo: O Rei das Manhãs indicava ser uma espécie de biografia controversa, tendo em vista que a história do seu personagem central é marcada por uma série de eventos polêmicos. Para quem não se recorda, Bozo era um palhaço que apresentava uma atração matinal no SBT e chegou por diversas vezes a ultrapassar a audiência da Rede Globo. Por trás da maquiagem do personagem estava o ator Arlindo Barreto, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Inspirado na vida de Arlindo Barreto, que durante anos viveu o palhaço Bozo, <i>Bingo: O Rei das Manhãs </i>indicava ser uma espécie de biografia controversa, tendo em vista que a história do seu personagem central é marcada por uma série de eventos polêmicos. Para quem não se recorda, Bozo era um palhaço que apresentava uma atração matinal no SBT e chegou por diversas vezes a ultrapassar a audiência da Rede Globo. Por trás da maquiagem do personagem estava o ator Arlindo Barreto, que durante um bom tempo estrelou títulos da pornochanchada. Nos auge do sucesso na TV, Barreto consumiu diversos tipos de drogas e saiu com muitas mulheres. Depois de chegar no fundo do poço, o ator conheceu a Igreja e virou pastor. Ou seja, não é pouca coisa e tudo o que fora divulgado sobre <i>Bingo</i> indicava um material tão explosivo quanto a vida do próprio Arlindo. Parecia que estávamos diante de um material extremamente anárquico, uma abordagem coerente, inclusive, com o próprio personagem &#8220;biografado&#8221;.</p>
</div>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Não que <i>Bingo: O Rei das Manhãs </i>deixe de ter a sua dose de anarquia com o choque entre a figura tradicional do palhaço no imaginário do circo e tudo o que o seu intérprete representava fora das câmeras, porém, o longa de Daniel Rezende, conhecido e premiado internacionalmente por seu trabalho como editor em filmes como <i>Tropa de Elite </i>e <i>Cidade de Deus</i>, é uma biografia  extremamente convencional como tantas outras no circuito, &#8220;careta&#8221; até. Isso não chega a ser um indício de catástrofe, mas coloca o filme num patamar aquém daquilo que se esperava e exibe um longa que parece não compreender o tom da abordagem que seu personagem principal demanda. O que o espectador verá em <i>Bingo: O Rei das Manhãs </i>é toda uma sucessão de acontecimentos na vida do seu Augusto Mendes (o Arlindo Barreto do filme, interpretado por Vladimir Brichta) sem tirar nem pôr, representando o já conhecido arco de filmes do gênero com a ascensão, derrocada e redenção do seu protagonista.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Estruturalmente, <i>Bingo: O Rei das Manhãs </i>não é inventivo, irônico ou corrosivo, esqueça essa promessa. O longa é &#8220;quadradão&#8221;, do tipo que não condiz com a própria natureza irreverente do seu protagonista e que também não encontra eco na própria carreira de Rezende até então, um editor que surpreendeu a todos (aqui e lá fora) com o resultado incomum de seu trabalho na montagem de <i>Cidade de Deus</i>, por exemplo. Mesmo que você não conheça patavinas da vida de Barreto, a trajetória do personagem no filme é semelhante a de tantos outros artistas &#8220;polêmicos&#8221; cuja vida e carreira foram retratadas no cinema em biografias marcadas pela sucessão linear de eventos e por um olhar levemente pasteurizado para seu protagonista. Além disso, <i>Bingo </i>oferta muito pouco do que já não saibamos sobre o ator que vivera o Bozo, no filme em si não há muito ineditismo.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8133" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/08/9.png" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O fato de ser formatado como uma cinebiografia convencional, no entanto, não significa que o público não terá bons momentos no cinema. É interessante o trabalho de arte do filme, que nos insere de fato nos anos 1980, tendo cuidado com detalhes de figurino e direção de arte, mas também sacadas como seus créditos e legendas que nos remetem ao videotape. O longa também conseguiu contornar muito bem o fato de não usar os nomes dos principais envolvidos na história, realizando substituições proporcionam leituras curiosas, como chamar a Rede Globo de TV Mundial. Além disso, <i>Bingo: O Rei das Manhãs </i>é guiado pela ótima interpretação de Vladimir Brichta no papel título, um desempenho exitoso ao se comprometer em oferecer nuances particulares para o personagem durante toda a sua conturbada trajetória .</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Como parte das produções do nosso tempo, talvez o maior erro de <i>Bingo: O Rei das Manhãs </i>tenha sido se vender como uma obra tão controversa quanto a vida do próprio personagem que a inspira. No final das contas, o longa segue a esquemática cartilha de biografias cinematográficas que, independente da correspondência dos eventos com a vida de Arlindo Barreto (não é isso que está em jogo aqui), parece lutar contra a própria rebeldia, intensidade e natural subversão do seu próprio protagonista, que parece ser maior do que o próprio filme que habita. Não chega a ser uma obra descartável e me parece correta no alcance dos objetivos que propõe, mas fica latente em cada momento do longa que estamos diante de uma história protagonizada por um personagem que parece desejar romper os filtros impostos pela própria obra.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/UVDdfjlunUg" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Divinas Divas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Jul 2017 16:24:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Divinas Divas]]></category>
		<category><![CDATA[Leandra Leal]]></category>
		<category><![CDATA[Rogeria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Maquiagem, figurino, o palco do teatro Rival e a voz da atriz e diretora Leandra Leal ao fundo. Esses são os primeiros elementos que o espectador tem contato na sequência de abertura do documentário Divinas Divas. Em cena, o público vê as personagens que serão retratadas durante o documentário, as oito travestis mais antigas e famosas do Brasil, são elas: Rogéria, Marquesa, Divina Valéria, Jane di Castro, Brigitte de Búzios, Fujica de Holiday, Eloína e Camille K. Com um olhar [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Maquiagem, figurino, o palco do teatro Rival e a voz da atriz e diretora Leandra Leal ao fundo. Esses são os primeiros elementos que o espectador tem contato na sequência de abertura do documentário<em> Divinas Divas</em>. Em cena, o público vê as personagens que serão retratadas durante o documentário, as oito travestis mais antigas e famosas do Brasil, são elas: Rogéria, Marquesa, Divina Valéria, Jane di Castro, Brigitte de Búzios, Fujica de Holiday, Eloína e Camille K.</p>
<p>Com um olhar sensível e apurado, Leal mostra a preparação das artistas para um último espetáculo juntas no Rival, local onde atuaram no início de suas carreiras e é mostrado como um espaço que sempre as aceitou, apesar do pré-conceito da sociedade. A discussão sobre os percalços, alegrias e amores é bem explorada. A projeção percorre todos os âmbitos da vida das protagonistas do filme, desvendando cuidadosamente cada detalhe que precisa ser explorado.</p>
<p>É curioso notar a forma como o roteiro é bem costurado. Entre idas e vindas das salas de ensaio e palco, aos poucos o espectador é levado para a noite de estreia. A sensação que o filme passa é de que ele também está se preparando para aquele momento, quando a plateia vai finalmente ter contato com a celebração de carreiras tão belas, mas banhadas de luta, dor e busca pela compreensão.</p>
<p>A fotografia também é um ponto alto de Divinas Divas, principalmente quando as artistas estão em cena. Enquanto performam, a câmera passa ao redor delas, revelando uma iluminação tocante e cheia de cores, conseguindo capturar a essência das personagens retratadas no documentário. A cena parece crescer, quando a música se instala e a luz bate no corpo das intérpretes.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7913" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/07/divinas2.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>Mesmo repleto de qualidades, o longa apresenta algumas questões que podem incomodar o espectador mais exigente. O primeiro quesito a ressaltar é a falta de ouvir o ponto de vista do outro lado, dos conservadores. Obviamente, essa não era a intenção de Leandra Leal, que demonstra tentar trazer um filme poético, uma ode a estas artistas. Contudo, ainda que fosse extremamente desprazeroso, seria importante escutar a voz dos incomodados. Os relatos das travestis e as páginas de jornal ilustram um pouco do olhar pré-conceituoso para a comunidade da qual fazem parte, porém isto não é o suficiente para dimensionar a luta e o confronto.</p>
<p>Outra questão, e talvez esta seja amenizada pela idade das principais, algumas frases machistas e racistas ardem nos ouvidos e descem como um gole amargo de decepção. Uma das interpretações é a de que a diretora queria mostrar as oito mulheres como elas são, seus defeitos e qualidades, ganhos e perdas, escolhas acertadas e o final da vida de uma delas.</p>
<p>Apesar dos pequenos problemas, <em>Divinas Divas</em> é uma realização que vale ser conferida. Vencedor do prêmio do público no SXSW (South by Southwest) e no Festival do Rio – no qual também recebeu o prêmio Félix – o documentário é importante pelas discussões, pelo olhar poético, por personagens tão cativantes e pela representatividade.</p>
<p><strong>Assista a um trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/HxahJR71wJY" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Rastro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 May 2017 15:26:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Domingos Montagner]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Camargo]]></category>
		<category><![CDATA[J. C. Feyer]]></category>
		<category><![CDATA[Jonas Bloch]]></category>
		<category><![CDATA[Leandra Leal]]></category>
		<category><![CDATA[O Rastro]]></category>
		<category><![CDATA[Rafael Cardoso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há algum tempo gêneros que flertam com o fantástico têm ganhado força entre as produções brasileiras e O Rastro segue na esteira desse filão construído gradualmente com êxito pelos realizadores daqui, superando aquele preconceito de que nosso cinema atual não é capaz de fazer obras de terror ou suspense sobrenatural de qualidade. O filme de J.C. Feyer tem seus percalços na maneira como constroi a relação entre seus personagens e caídas de ritmo entre o seu segundo e terceiro ato, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Há algum tempo gêneros que flertam com o fantástico têm ganhado força entre as produções brasileiras e <i>O Rastro </i>segue na esteira desse filão construído gradualmente com êxito pelos realizadores daqui, superando aquele preconceito de que nosso cinema atual não é capaz de fazer obras de terror ou suspense sobrenatural de qualidade. O filme de J.C. Feyer tem seus percalços na maneira como constroi a relação entre seus personagens e caídas de ritmo entre o seu segundo e terceiro ato, mas nada que faça com que não reconheçamos os inúmeros méritos desse longa, entre eles o de oferecer uma trama repleta de sobressaltos para a plateia.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>No filme, o ator Rafael Cardoso (de <i>Do Começo ao Fim</i>) interpreta um médico que assumiu funções burocráticas no serviço público e trabalha na transferência de internos de um hospital no Rio de Janeiro. A esposa do protagonista, papel de Leandra Leal (de <i>O Lobo Atrás da Porta</i>), está grávida do primeiro filho do casal e se preocupa com a incumbência do marido pois o supervisor do hospital em questão é um médico cujo trabalho foi fundamental na sua formação profissional. Quando começa a articular a operação, o personagem de Cardoso se afeiçoa a uma das garotas que está se tratando no hospital e promete protegê-la. Com o passar do tempo a menina desaparece, o que faz com que ele fique obstinado em encontrar o seu paradeiro.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-7670" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/05/orastro2.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Existe uma qualidade latente no cinema que Feyer propõe em <i>O Rastro. D</i>o início ao fim, vemos no filme uma preocupação com a história que está sendo contada. Com seu longa, o realizador não quer oferecer um espetáculo de sangue, sustos e toda sorte de elementos grotescos, mas narrar uma história bem amarrada que tem componentes soturnos em seus meandros. Há uma qualidade técnica e estética no filme que servem aos propósitos do cineasta e que até nos fazem esquecer de algumas pontas que poderiam ser amarradas com mais firmeza, como o próprio vínculo afetivo do protagonista com a menina que o aborda no hospital.</p>
<p>O que fica como lembrança de <i>O Rastro</i>, contudo, é a maneira como Feyer e seus roteiristas foram é atentos e cuidadosos no desenlace da história que pretenderam contar e ao desempenho do seu competente elenco, que inclui ainda Cláudia Abreu, Felipe Camargo, Jonas Bloch e uma última aparição do falecido Domingos Montagner. Assim, <i>O Rastro </i>acaba reservando ao seu espectador uma experiência cujo retorno é bem gratificante.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/gJA9Wbaeq1U" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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		<title>Crítica: La Vingança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Mar 2017 00:19:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Furlan]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[La Vingança]]></category>
		<category><![CDATA[Leandra Leal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Co-produção entre Brasil e Argentina, La Vingança é um longa que tem um objetivo bem claro desde o princípio. Os diretores Fernando Fraiha e Jiddu Pinheiro pretenderam explorar a rivalidade entre brasileiros e argentinos, típica do futebol, no campo amoroso através de uma comédia na estrada com marcações dramáticas típicas do gênero. Ciente de que não dá para esperar nenhuma subversão do formato, o espectador consegue arrancar ao menos uma experiência descompromissada no cinema com La Vingança. A trama do [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Co-produção entre Brasil e Argentina, <i>La Vingança </i>é um longa que tem um objetivo bem claro desde o princípio. Os diretores Fernando Fraiha e Jiddu Pinheiro pretenderam explorar a rivalidade entre brasileiros e argentinos, típica do futebol, no campo amoroso através de uma comédia na estrada com marcações dramáticas típicas do gênero. Ciente de que não dá para esperar nenhuma subversão do formato, o espectador consegue arrancar ao menos uma experiência descompromissada no cinema com <i>La Vingança</i>.</p>
</div>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">A trama do filme tem início quando Caco (Felipe Rocha, de <i>Nise: O Coração da Loucura</i>), um dublê de cinema, recebe no seu celular uma mensagem da sua namorada (Leandra Leal, de <i>O Lobo Atrás da Porta</i>) dizendo que tem urgência em vê-lo. Quando finalmente consegue se encontrar com ela, Caco a flagra com um chef de cozinha argentino famoso por sua participação em um <i>reality show</i>. Ele e seu melhor amigo, Vadão (Daniel Furlan, de <i>A Noite da Virada</i>), resolvem partir para a Argentina para que Caco se vingue da traição.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Comparado com outras comédias que possuem pretensões semelhantes, atingir o público mais amplo possível, <i>La Vingança </i>é um produto correto no mercado nacional. O longa possui um roteiro que não cria armadilhas para si com tramas ambiciosas, não possui grandes furos. É certo que apresenta personagens rasos e calcados em estereótipos, mas que também não apresentam nenhuma falha grave em suas representações, fugindo do humor ofensivo e dos lugares que costumam ser reservados a homens e mulheres no tipo de filme que ele é, uma narrativa que conta a história de amigos dispostos a &#8220;enfiar o pé na jaca&#8221; após uma desilusão amorosa.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7488" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/03/35008.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Acontece que isso também não redime <i>La Vingança </i>de certos deslizes. Apesar de Felipe Rocha conseguir fazer de Caco um protagonista crível e eficiente em cena, sempre com um semblante de frustração (a típica <i>persona </i>do <i>looser</i>), Daniel Furlan, seu principal parceiro na aventura <i>on the road</i>, tem uma presença que beira a irritação. Coadjuvante no longa, o personagem de Furlan parece sempre disposto a tomar o protagonismo do seu parceiro de cena se escorando na sua função de alívio cômico do filme o tempo inteiro, algo que jamais funciona tendo em vista que o ator tem um <i>timing </i>cômico questionável e cansa o espectador com sua verborragia inquieta e difícil de acompanhar.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Com participações de Leandra Leal e das argentinas Ana Pauls (<i>O Médico Alemão</i>) e  Aylin Prandi (<i>Gianni e le donne</i>), <i>La Vingança </i>rende uma sessão inofensiva ao público. E em se tratando de tempos nos quais alguns realizadores cinematográficos acreditam que para fazer comédia popular é necessário apelar para todo tipo de grosseria isso é muito.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p class="separator" style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ugiJUANH5RE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Lobo atrás da Porta</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-lobo-atras-da-porta/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Jun 2014 21:50:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Fabiula Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Coimbra]]></category>
		<category><![CDATA[Juliano Cazarré]]></category>
		<category><![CDATA[Leandra Leal]]></category>
		<category><![CDATA[Milhem Cortaz]]></category>
		<category><![CDATA[O Lobo atrás da Porta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Durante uma entrevista na recente edição do Festival de Cannes, o cineasta iraniano Abbas Kiarostami afirmou que, no cinema, a inovação ou o brilho da carreira de um realizador devem ser procuradas nos seus primeiros filmes. A declaração do diretor tem coerência se pararmos para pensar nos inúmeros casos de cineastas que não conseguem superar suas primeiras obras e se, ao visitarmos a filmografia completa de certos diretores, repararmos como seus primeiros projetos apresentam marcas muito particulares que se [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1129" aria-describedby="caption-attachment-1129" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/O-Lobo-atrás-da-Porta-2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1129 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/O-Lobo-atrás-da-Porta-2-620x312.jpg" alt="O-Lobo-atrás-da-Porta-2" width="620" height="312" /></a><figcaption id="caption-attachment-1129" class="wp-caption-text">Relação doentia: Bernardo (Milhem Cortaz) coloca Rosa (Leandra Leal) contra a parede, ou será o contrário?</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Durante uma entrevista na recente edição do Festival de Cannes, o cineasta iraniano Abbas Kiarostami afirmou que, no cinema, a inovação ou o brilho da carreira de um realizador devem ser procuradas nos seus primeiros filmes. A declaração do diretor tem coerência se pararmos para pensar nos inúmeros casos de cineastas que não conseguem superar suas primeiras obras e se, ao visitarmos a filmografia completa de certos diretores, repararmos como seus primeiros projetos apresentam marcas muito particulares que se repetirão ao longo das suas respectivas carreiras. Sendo <em>O Lobo atrás da Porta </em>o primeiro longa de Fernando Coimbra, podemos supor (e aqui ficamos no terreno da suposição mesmo) que sua assinatura como realizador, e que o diferencia da produção comercial brasileira corrente, traz consigo tramas de suspense ambientadas no subúrbio carioca e articuladas com muita precisão através de um excelente roteiro e do trabalho entrosado do seu elenco.</p>
<p><em>O Lobo atrás da Porta </em>tem início quando Sylvia (Fabiula Nascimento) vai buscar sua filha Clara na escola e descobre que uma moça simpática de cabelo curto levou a garota. Sylvia vai a polícia e presta depoimento sobre o sequestro junto com seu marido Bernardo (Milhem Cortaz). Na delegacia, o caso acaba sendo vinculado a Rosa (Leandra Leal), amante de Bernardo que há um tempo rondava a casa da família buscando uma estranha aproximação com Sylvia. Mais que isso não vale a pena contar já que <em>O Lobo atrás da Porta </em>é o tipo de experiência cinematográfica cujos meandros da história devem ser descobertos pelo espectador no mesmo ritmo e instante que eles vão sendo revelados na tela.</p>
<figure id="attachment_1130" aria-describedby="caption-attachment-1130" style="width: 619px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/o-lobo-atras-da-porta.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1130 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/o-lobo-atras-da-porta.jpg" alt="o-lobo-atras-da-porta" width="619" height="337" /></a><figcaption id="caption-attachment-1130" class="wp-caption-text">Casamento fragilizado: Bernardo (Milhem Cortaz) e Sylvia (Fabiula Nascimento) não conseguem acertar os ponteiros desde que a filha dos dois nasceu.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Coimbra constrói uma trama relativamente simples, sem grandes afetações, mas muito bem costurada, com uma ascendente tensão que  proporciona o interesse do espectador no desenrolar da história e na descoberta da natureza de cada uma das peças dessa trama, ou seja, os seus personagens. Ao mesmo tempo que demonstra uma habilidade de artesão com muita precisão nos objetivos e nos caminhos que traça, Fernando Coimbra mostra-se um diretor muito eficiente ao conseguir equilibrar o seu próprio ego não colocando suas pretensões acima da própria obra, oferecendo soluções técnicas elegantes para a narrativa e extraindo o melhor de todo o seu elenco, qualidade cada vez mais rara em diretores.</p>
<p>Já que tocamos no trabalho do elenco, esse aspecto da produção merece um parágrafo especial. Não há um desempenho sequer de <em>O Lobo atrás da Porta </em>que destoe da condução do seu realizador e que não se revele como uma interessante composição psicológica para o espectador. Até mesmo a desbocada suburbana interpretada por Thalita Carauta se justifica em seus excessos, jamais soando como um ponto dissonante e incomodo na história. Como o de Carauta há outros desempenhos soberbos e certeiros na produção como os de Milhem Cortaz, Fabiula Nascimento, Juliano Cazarré e, claro, sua protagonista, Leandra Leal. A jovem atriz que acompanhamos no cinema desde <em>A Ostra e o Vento</em>, de Walter Lima Jr., e que sempre foi um destaque nas telenovelas da Rede Globo, está afiada naquele que provavelmente é um dos seus melhores trabalhos. Rosa é uma personagem cheia de camadas, de intenções mascaradas e turvas, e a atriz conduz toda essa combustão emocional da protagonista do longa com muita segurança e equilíbrio.</p>
<figure id="attachment_1132" aria-describedby="caption-attachment-1132" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/00101.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1132 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/00101-620x307.jpg" alt="00101" width="620" height="307" /></a><figcaption id="caption-attachment-1132" class="wp-caption-text">Fora de controle: Qual a ligação de Rosa com o sequestro? Onde Clara foi parar?</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>O Lobo atrás da Porta </em>é um daqueles filmes que conseguem lidar com demandas tratadas como excludente por alguns daqueles que pensam  o nosso cinema. É um filme muito bem executado, atendendo a todos os requisitos de uma obra tecnicamente e artisticamente empenhada, mas que apresenta na condução de sua narrativa, simples e engenhosa, seu meio de conquistar o grande público (e assim esperamos). Quanto ao diretor Fernando Coimbra, agora que foi responsável por um filme tão intenso e vibrante na sua estreia em longas, terá nas mãos o &#8220;abacaxi&#8221; que a primeira obra sempre representa na carreira de um cineasta, a superação de um grande trabalho anterior.</p>
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