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	<title>Arquivos Juliana Rojas - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Juliana Rojas - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Entrevista (XIII Panorama): Juliana Rojas e Marco Dutra, de As Boas Maneiras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Nov 2017 12:00:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[As Boas Maneiras]]></category>
		<category><![CDATA[Juliana Rojas]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[XIII Panorama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na abertura da 13ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema, que acontece em Salvador e Cachoeira entre os dias 08 e 15 de novembro, foi exibido As Boas Maneiras, que já passou pela recente edição do Festival do Rio e pelo Festival de Locarno, angariando alguns prêmios. Os diretores e roteiristas do longa Juliana Rojas e Marco Dutra estiveram em Salvador para promover o filme e participar dos debates após a sessão. Aproveitamos a oportunidade e conversamos brevemente com os realizadores [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/entrevista-xiii-panorama-juliana-rojas-e-marco-dutra-de-as-boas-maneiras/">Entrevista (XIII Panorama): Juliana Rojas e Marco Dutra, de As Boas Maneiras</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na abertura da 13ª edição do <b>Panorama Internacional Coisa de Cinema</b>, que acontece em Salvador e Cachoeira entre os dias 08 e 15 de novembro, foi exibido <i>As Boas Maneiras</i>, que já passou pela recente edição do Festival do Rio e pelo Festival de Locarno, angariando alguns prêmios. Os diretores e roteiristas do longa Juliana Rojas e Marco Dutra estiveram em Salvador para promover o filme e participar dos debates após a sessão.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Aproveitamos a oportunidade e conversamos brevemente com os realizadores sobre o filme, suas carreiras e sobre a recente leva de filmes de terror. Confira abaixo o nosso bate-papo:</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><b>Coisa de Cinéfilo: </b>Em <i>As Boas Maneiras </i>vocês têm como questão norteadora da história a gravidez de uma das personagens. Inevitavelmente irão surgir paralelos entre o filme e <i>O Bebê de Rosemary </i>do Roman Polanski no público que se deparar com a sinopse do filme. Como vocês enxergam essa comparação?</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><b>Juliana Rojas: </b><i>O Bebê de Rosemary </i>não foi uma referência direta para o filme. Acho que uma das principais inspirações foi uma peça do Brecht chamada <i>O Círculo de Giz Caucasiano</i> na qual ele discute a maternidade adquirida, a adoção e a biológica. Esta foi uma das inspirações para nós. Eu entendo que as pessoas estabeleçam essa relação com o filme do Polanski porque tem uma gravidez e é um filme de horror, mas acho que vai para um caminho totalmente diferente porque o <i>As Boas Maneiras </i>é um longa que fala de uma relação com essa criatura que está sendo gestada por uma das personagens e é um filme sobre concessão de maternidade, sobre um afeto. <i>O Bebê de Rosemary </i>é mais um filme de paranoia da personagem sobre a própria vivência dela, do que a cerca. O filme do Polanski é muito interessante mas o público vai perceber que ele trabalha com outras questões. Não foi uma das nossas principais referências.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><b>Coisa de Cinéfilo: </b>Vocês estão voltando a trabalhar juntos com <i>As Boas Maneiras</i>. O que existe nesse projeto que fez com que vocês se unissem novamente? Como ele foi pensado?</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><b>Marco Dutra: </b>Esse filme é anterior aos filmes que fizemos separadamente. Começamos a discuti-lo na época do <i>Trabalhar Cansa. </i>Eu compartilhei um sonho que tive com a Ju, era uma imagem de duas mulheres cuidando de um bebê num lugar isolado. Nós discutimos um pouco essa imagem e a vontade de fazer um filme sobre maternidade, sobre a relação dessa família estranha, do que seria esse bebê. As ideias foram desenvolvidas até virar esse filme. A primeira versão era bem diferente, mas as ideias base da história que a gente vê hoje já estavam lá. Conforme a gente se envolvia com outros filmes, a Ju com o <i>Sinfonia da Necrópole </i>e eu com <i>Quando eu era vivo </i>e <i>O Silêncio do Céu</i>, nunca paramos de desenvolver o roteiro e captar dinheiro pro <i>As Boas Maneiras</i>. Foi um filme que levou tempo, tivemos co-produção com a França&#8230; Então o tempo de gestação foi longo, mas foi uma ideia que surgiu quando fizemos o primeiro filme juntos a partir desse sonho que eu tive.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><b>Coisa de Cinéfilo: </b>Vocês têm sido apontados como referência para uma nova geração no gênero, sobretudo quando ele estreita essa relação com a crítica social. A gente vem numa crescente de títulos que conseguiram êxito internacional nesse sentido, como a própria obra de vocês, recentemente o <i>Corra! </i>do Jordan Peele&#8230; A que vocês atribuem esse movimento e como vocês percebem o cinema que fazem nesse contexto?</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><b>Juliana Rojas: </b>Eu acho que o horror existe desde o cinema mudo e sempre vai existir. Tem um fascínio humano por isso, por sentir medo, por investigar a morte, o sobrenatural. Isso é meio o que mantém a gente vivo a isso, a nossa curiosidade. Acho que é da natureza humana se sentir atraído por esse tipo de narrativa. Mesmo antes do cinema tinha a literatura, os mitos e as lendas. No cinema tem os ciclos. Há momentos em que o gênero está muito em alta, depois ele é renegado e tratado como filme menor, daí volta a ter uma alta. É uma alta mais no sentido comercial do que no reconhecimento artístico porque o cinema de horror ainda sofre muito preconceito, como se não fosse propriamente cinema, mas &#8220;cinema de horror&#8221;. Acho que a gente está num ciclo de alta, um momento no qual os filmes estão muito populares. Você percebe isso pelo número séries de TV e filmes feitos e recepcionados. São os títulos que fazem grande sucesso. Então está sendo muito bom viver essa fase na qual o que a gente gosta de fazer tá sendo reconhecido. Espero também que seja uma fase que possibilite um fomento maior de produções brasileiras desse conteúdo para cinema e TV e que a gente fortaleça mais a nossa cinematografia de horror.</p>
<p><b>Créditos da imagem que abre a matéria:</b> Divulgação (Patrícia Almeida)</p>
</div>
</div>
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		<title>Crítica (XIII Panorama): As Boas Maneiras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Nov 2017 11:48:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[As Boas Maneiras]]></category>
		<category><![CDATA[Isabél Zuaa]]></category>
		<category><![CDATA[Juliana Rojas]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[Marjorie Estiano]]></category>
		<category><![CDATA[XIII Panorama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O terror não pode ser confinado ao show de atrações do cinema dos sustos e violência gráfica adolescente, ainda que não haja problema algum quando ele ocasionalmente se restrinja a isso. Quando consciente da sua potência simbólica, o gênero e suas histórias flertam com o fantástico para explorar problemas sociais ou se debruçar sobre a psicologia fragilizada dos seus protagonistas num exercício de estudo de personagem, mergulhando sua narrativa na zona perigosa dos medos humanos. Desde Trabalhar Cansa, Marco Dutra e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O terror não pode ser confinado ao show de atrações do cinema dos sustos e violência gráfica adolescente, ainda que não haja problema algum quando ele ocasionalmente se restrinja a isso. Quando consciente da sua potência simbólica, o gênero e suas histórias flertam com o fantástico para explorar problemas sociais ou se debruçar sobre a psicologia fragilizada dos seus protagonistas num exercício de estudo de personagem, mergulhando sua narrativa na zona perigosa dos medos humanos.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Desde <i>Trabalhar Cansa</i>, Marco Dutra e Juliana Rojas intentam esse tipo de comunicação com o público através das suas histórias. Com <i>As Boas Maneiras</i>, a dupla de cineastas encontra uma forma de compor um inspirado conto de horror sobre lendas brasileiras que em alguns momentos flerta com a fábula &#8211; e até mesmo com o musical &#8211; para costurar a história de uma natureza reprimida que gradualmente dá sinais da necessidade de externar seus instintos. A ideia central é que nenhum sujeito consegue viver muito tempo lutando contra suas vontades por receio dos estragos que as mesmas possam fazer na sociedade que o cerca. Ao mesmo tempo, <i>As Boas Maneiras </i>quer abordar a maternidade biológica e adotiva e como os vínculos criados com o ser que está sendo gestado no corpo de uma de suas personagens é estabelecido de diferentes maneiras por suas protagonistas.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">No filme, Ana, personagem de Marjorie Estiano, está prestes a dar a luz ao seu primeiro filho e para isso conta com a ajuda de Clara, a ótima Isabél Zuaa. Ana contrata Clara para ser sua empregada após uma exaustiva rodada de entrevistas com diversas candidatas. A relação entre as duas fica cada vez mais próxima e Clara começa a perceber que a gravidez de Ana não é uma gestação como outra qualquer, sobretudo quando a patroa passa a apresentar estranhos sinais, como sonambulismo e, consequentemente, outros atos bizarros sob a luz da lua cheia. Os laços entre Ana e Clara ficam ainda mais fortes quando a primeira dá luz à criança e sua cuidadora se depara com uma importante decisão a ser tomada.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8391" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/11/AsBoas-Maneiras.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O centro da narrativa de Dutra e Rojas é, até certo ponto, a dinâmica entre Ana e Clara, suas personalidades distintas, mas também complementares. A faísca entre as personagens fica por conta dos desempenhos inspirados da dupla de atrizes Marjorie Estiano e Isabél Zuaa. Como Ana, Estiano explora a inconsequência e a falta de rumo de uma mulher que de repente se vê tendo que administrar uma gravidez inesperada e indesejada por sua família. Lidando com a frustração do seu destino e não sabendo administrá-lo, Ana encontra suporte em Clara, vivida com fibra, mas também ternura adquirida por uma fenomenal Isabél Zuaa, que brilha na tela, sobretudo quando assume a maternidade adotiva no segundo momento da história. Mais do que isso prometo não contar para não estragar as surpresas.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O roteiro de Rojas e Dutra traça um percurso fluido para seu conto de horror que apesar de estender-se um pouco no terceiro ato desenvolve toda uma cadeia de acontecimentos capaz de manter o espectador grudado na tela, envolvido com as personagens que preenchem <i>As Boas Maneiras </i>de afeto. Mesmo os momentos mais graficamente violentos da trama não são marcados pelo vazio dos gratuitos litros de sangue, mas por uma relevância dentro do universo da história contada e são alternados por circunstâncias que fortalecem a relação de Ana e Clara com o bebê, tornando o espectador cúmplice de sentimentos que ganham complexidade e âncoras muito bem construídas.  Ao mesmo tempo, o olhar da dupla de realizadores para os eventos narrados é sofisticado do ponto de vista estético, com uma atenção aos elementos que compõem os quadros como objetos cênicos e a paleta de cores adotada, mas também evitando que isso se sobreponha ao evidente enfoque narrativo do filme.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Ao mesmo tempo em que fornece ao espectador uma história marcada por simbologias, <i>As Boas Maneiras </i>pode ser vivenciado como uma narrativa destacada do terreno semiológico com suas relações e personagens que funcionam por afetos bem estabelecidos no universo proposto na tela. Para além dos elementos soturnos que transformam <i>As Boas Maneiras </i>num conto urbano com traços tipicamente barasileiros (e nesse sentido a ambiência da história no São João e no universo rural  foram certeiros), a jornada de Clara é humana pelos conflitos que a mesma vivencia ao se afeiçoar de maneira tão visceral pelas personagens que conhece ao longo da história. Independente do olhar que se tenha para o filme, <i>As Boas Maneiras</i> deixa ótimas impressões no espectador pelo esmero com que sua narrativa é lapidada por seus realizadores e pela qualidade do desempenho dos seus atores, especialmente Isabél Zuaa, o coração desse filme.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Filme assistido no XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema. Para mais informações sobre a programação do evento que vai até dia 15 de novembro,<a href="http://coisadecinema.com.br/xiii-panorama/" data-blogger-escaped-target="_blank"> clique aqui. </a></p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/2x4vMoyqzkE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-xiii-panorama-as-boas-maneiras/">Crítica (XIII Panorama): As Boas Maneiras</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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