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	<title>Arquivos Javier Drolas - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Abraço de Mãe</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Nov 2024 19:47:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Abraço de Mãe, Marjorie Estiano interpreta Ana, uma oficial do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro que acaba de sair de um período turbulento. Ana foi afastada do serviço devido a um desempenho preocupante durante um incêndio. Na operação, a oficial paralisou diante do fogo e não conseguiu concluir a ação que deveria realizar. Em função disso, a personagem é transferida para o serviço administrativo dos bombeiros e teve que passar por um longo tratamento psiquiátrico para cuidar de traumas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em><strong>Abraço de Mãe</strong></em>, Marjorie Estiano interpreta Ana, uma oficial do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro que acaba de sair de um período turbulento. Ana foi afastada do serviço devido a um desempenho preocupante durante um incêndio. Na operação, a oficial paralisou diante do fogo e não conseguiu concluir a ação que deveria realizar. Em função disso, a personagem é transferida para o serviço administrativo dos bombeiros e teve que passar por um longo tratamento psiquiátrico para cuidar de traumas que guardavam relação com o episódio. Sentindo-se preparada para voltar à ativa, Ana encara imediatamente um estranho caso envolvendo um asilo com problemas em sua edificação cujos internos insistem em não abandonar o local.</p>
<p><em><strong>Abraço de Mãe</strong></em> é uma produção original da Netflix dirigida pelo argentino Cristian Ponce com um elenco majoritariamente brasileiro, a exceção é o ator Javier Drolas que interpreta o gerente do asilo. A missão da oficial dos bombeiros vivida por Estiano logo é convertida em uma grande representação da superação dos traumas da protagonista. Quando pequena, Ana teve que lidar com a instabilidade psicológica da sua mãe que culminou em um incêndio provocado por ela quando a personagem era ainda muito pequena. Assim, o longa dirigido e roteirizado por Ponce apresenta diversos elementos do horror, como a habitação caindo aos pedaços, seitas esquisitas e até mesmo criaturas &#8220;lovecraftianas&#8221;, tudo serve como base para o projeto explorar a jornada psicológica da sua protagonista. O problema é que a junção de tantas referências traz para o filme problemas na resolução da história. Cristian Ponce lida com muitas frentes em sua trama, mais do que deveria.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18922" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-1-4.png" alt="Abraço de Mãe" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-1-4.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-1-4-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-1-4-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ponce emprega uma direção competente ao projeto, lidando bem com efeitos, jump scares, o suspense e os elementos fantásticos da sua história. O cineasta também conta com uma atriz com talento acima de qualquer suspeita para viver a sua protagonista. Marjorie Estiano está ótima como a heroína deste terror, dosando bem as emoções variadas da personagem e servindo à trama como o seu fio condutor. Além disso, podemos dizer que é um dos poucos integrantes do elenco que consegue superar a artificialidade de algumas falas do roteiro do longa.</p>
<p>No terceiro ato, <em><strong>Abraço de Mãe</strong></em> se perde na intensa variedade de recursos que tem à sua disposição para construir sua história de horror, não satisfazendo por completo em nenhuma das vias abertas: do sobrenatural ao culto que se manifesta na ação de determinados personagens em dado momento da narrativa. Não fosse a direção e a sensibilidade com a qual Estiano conduz sua personagem, provavelmente, o público teria uma experiência mais &#8220;emperrada&#8221; dada as lacunas deixadas pelo seu roteiro inflado de elementos do gênero.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Cristián Ponce</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Marjorie Estiano, Javier Drolas, Thelmo Fernandes</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/YPXAEKFaoZ8?si=jxH5jW4XGHMQKXFt" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Livro dos Prazeres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Sep 2022 21:24:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[O Livro dos Prazeres]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A prosa de Clarice Lispector é um desafio para qualquer cineasta que se arrisca adaptá-la para as telas. A autora possui obras de um existencialismo intenso que demandam habilidade na conversão para mídias audiovisuais. A diretora e roteirista Marcela Lordy mergulha nessa corajosa empreitada e é muito bem-sucedida com a versão para as telas de Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, que na versão cinematográfica ganha o título de O Livro dos Prazeres apenas. Com o roteiro escrito em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A prosa de Clarice Lispector é um desafio para qualquer cineasta que se arrisca adaptá-la para as telas. A autora possui obras de um existencialismo intenso que demandam habilidade na conversão para mídias audiovisuais. A diretora e roteirista Marcela Lordy mergulha nessa corajosa empreitada e é muito bem-sucedida com a versão para as telas de Uma Aprendizagem ou <em><strong>O Livro dos Prazeres</strong></em>, que na versão cinematográfica ganha o título de <em>O Livro dos Prazeres</em> apenas.</p>
<p>Com o roteiro escrito em co-autoria com Josefina Trotta, mexendo na medida do necessário na obra original de Lispector, afinal estamos falando de um romance que por mais transgressor que fosse na sua época foi pensado há mais de 50 anos atrás, <strong><em>O Livro dos Prazeres</em></strong> traz a história de Lóri, personagem assumida pela sempre radiante Simone Spoladore, para os nossos tempos. No longa, Lóri é uma professora infantil que se apaixona por um professor universitário de Filosofia, papel do argentino Javier Drolas, mas esbarra na sua própria dificuldade de se entregar a uma relação mais estável e íntima.</p>
<p><em><strong>O Livro dos Prazeres</strong></em> de Marcela Lordy não tem pudores ao abordar de forma extremamente franca a sexualidade feminina. Tampouco de explorar a realização amorosa como uma possibilidade legítima para uma personagem tão transgressora e independente. Lóri opta por preencher sua vida com relações sexuais sem compromisso com desconhecidos e quando não encontra um parceiro, não tem pudores em recorrer à masturbação. Tudo isso é abordado sem condenações pela obra e vivenciado em plenitude pela protagonista. Acontece que a Lóri de <em>O Livro dos Prazeres</em> começa a passar por uma profunda crise existencial, se dando conta de que, naquele estágio da sua vida, isso talvez já não lhe satisfaça por completo ou que talvez precise de um novo componente para que a sua vida sexual volte a fazer sentido. A descoberta do amor de Ulisses acaba sendo um ponto desestabilizador para Lóri.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15917" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM.png" alt="O Livro dos Prazeres" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/Screen-Shot-2022-08-29-at-12.38.48-PM-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Marcela Lordy tem uma sensibilidade ímpar para captar a densidade da turbulência de pensamentos e sentimentos que tomam conta da sua protagonista, algo que poderia ser difícil de transpor para as telas. A diretora consegue isso sobretudo por valorizar os recursos dramáticos de sua protagonista, a atriz Simone Spoladore. Como Lóri, Spoladore interpreta uma mulher esquiva, que não gosta de aprofundar suas relações, parecendo estar sempre ausente nos ambientes e nas interações. É interessante que mesmo que Spoladore traga de maneira tão sobressalente esses traços da personagem, em momento algum ela afasta o público da protagonista de<strong><em> O Livro dos Prazeres</em></strong>, a atriz evita torná-la fria a ponto do espectador não conseguir se conectar com Lóri. Fica evidente desde o princípio que apesar de Lóri ser uma personagem tão transgressora, ela é marcada por diversos medos, sobretudo o de se machucar ao se entregar afetivamente, ainda mais que do outro lado da relação está um homem &#8211; e, bem, a história da humanidade depõe muito contra esse tipo de indivíduo.</p>
<p>Em tempos de soft porns que preenchem o tempo de um longa-metragem com um amontoado de cenas de sexo sem vida, <strong><em>O Livro dos Prazeres</em></strong> resolve muito bem esse pudor do cinema com a sexualidade das personagens ao conciliar o afetivo e o carnal no terceiro ato da jornada de Lóri. E mesmo antes dessa catarse final, quando vemos uma protagonista feminina se apresentar na tela para o público através da sua sexualidade com uma economia sensível de diálogos, o longa subverte uma lógica longeva nas narrativas audiovisuais de anular os desejos carnais de mulheres quando toda a história deve conduzir à realização amorosa, assim aprendemos que funciona uma comédia romântica, por exemplo. Amor e sexo parecem não se conciliar na nossa criação ocidental cristã, o cinema, como outros produtos culturais foi reflexo dessa mentalidade por anos. O Livro dos Prazeres desconstrói todos esses paradigmas ao mergulhar com propriedade na complexa teia de anseios da sua protagonista, alguém que, no final das contas, para ser quem se é, não anula seus prazeres ou seus afetos, mas os concilia.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Marcela Lordy</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Simone Spoladore, Javier Drolas, Felipe Rocha, Gabriel Stauffer, Leandra Leal</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6Z6rKY2W2TY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-livro-dos-prazeres/">Crítica: O Livro dos Prazeres</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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