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	<title>Arquivos Helena Ignez - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Helena Ignez - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: A Mãe</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Nov 2022 00:56:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando retorna para casa depois de um dia cansativo de trabalho como vendedora ambulante nas ruas de São Paulo, Maria (Marcélia Cartaxo) se dá conta de que o filho Valdo ainda não voltou da rua. No dia seguinte, ao acordar, ela percebe que o rapaz não dormiu em casa. A mãe do jovem o procura no colégio, na vizinhança, conversa com os chefes do tráfico no seu bairro, vai à delegacia e até no IML. Valdo desapareceu, deixando a sua [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando retorna para casa depois de um dia cansativo de trabalho como vendedora ambulante nas ruas de São Paulo, Maria (Marcélia Cartaxo) se dá conta de que o filho Valdo ainda não voltou da rua. No dia seguinte, ao acordar, ela percebe que o rapaz não dormiu em casa. A mãe do jovem o procura no colégio, na vizinhança, conversa com os chefes do tráfico no seu bairro, vai à delegacia e até no IML. Valdo desapareceu, deixando a sua mãe aflita à procura de alguma resposta.</p>
<p>Diretor por trás da trilogia composta por filmes como Construção (2007), Mataram meu irmão (2013) e Elegia de um Crime (2018), Cristiano Burlan conhece bem as dinâmicas da periferia de São Paulo com a polícia e o tráfico e sabe o que é ter um familiar tirado do seu convívio pelo contexto brutal dessa realidade. Assim, ao dirigir <strong><em>A Mãe</em></strong>, Burlan emprega todos os seus esforços na perspectiva dos que ficam, no caso, a mãe do rapaz desaparecido. Através desta personagem, Burlan pincela elementos reconhecíveis para o público, a história da mulher nordestina que vai para São Paulo com um filho pequeno em busca de melhores condições de vida e que anos mais tarde tem esse único filho tragado pela violência da metrópole.</p>
<p>Burlan costura essa história com um foco especial no desempenho de Marcélia Cartaxo, toda a peregrinação da sua personagem, as reações de Maria diante da ausência de respostas para o sumiço de Valdo. A atriz aproveita os termos do seu diretor para <strong><em>A Mãe</em></strong> e entrega um desempenho que dimensiona muito bem para o espectador toda a aflição dessa mulher. O isolamento de Maria em <strong><em>A Mãe</em> </strong>é construído em uma crescente, na medida em que policiais, traficantes e vizinhos tripudiam ou reagem com indiferença à sua dor, deixando seu caso no mais completo desamparo. O luto de Maria é solitário e o contexto impõe que ela viva essa dor dilacerante em silêncio.</p>
<p>Burlan também sabe como e quando exibir eventos que não são do conhecimento dessa protagonista, a maior parte deles protagonizado por seu filho Valdo, interpretado por Dustin Farias. Assim como Cartaxo, mas, claro, em circunstâncias pontuais, Farias também oferece para o espectador uma interpretação carregada de emoção na tela, sobretudo quando interpreta um rap composto por Valdo em uma cena do longa na qual, sem cortes, Burlan deixa o quadro quase que exclusivamente no rosto do ator.</p>
<p>Como esperado pela filmografia pregressa do cineasta, <strong><em>A Mãe</em></strong> não é um filme que se contenta com a dimensão particular do drama enfrentado pela sua protagonista. Cristiano Burlan vincula toda a situação às ações desumanas e arbitrárias da polícia militar na periferia de São Paulo, compreendendo esse histórico como uma extensão da nossa mal expurgada ditadura militar. Burlan é firme no endereçamento de suas denúncias, atribuindo explicitamente a responsabilidade desse cenário desolador para as famílias a instituições (PM) e até mesmo a governantes, como é o caso do ex-governador de São Paulo João Dória. Nesse sentido, <strong><em>A Mãe</em></strong> é um longa corajoso e que não tem meias palavras na hora de apontar os culpados.</p>
<p>Muitas vezes, em prol do protagonismo do drama humano, alguns cineastas diluem a contextualização desses eventos, ou quando se pensa em um filme denúncia, a conexão com as personagens é suprimida pela força raivosa da crítica. <em><strong>A Mãe</strong></em> é o caso raro de um filme que consegue ser sensível e humano na encenação do seu drama, articulando muito bem a linguagem audiovisual em prol da construção da sua narrativa e, ao mesmo tempo, é incisivo e relevante no seu caráter político de denúncia da violência e da realidade da periferia brasileira em sua relação com a polícia e o tráfico.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Cristiano Burlan</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Marcelia Cartaxo, Mawusi Tulani, Helena Ignêz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/KL4ZQMSsWos" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial: Curtas da 15ª CineOP &#8211; Mostra de Cinema de Ouro Preto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2020 23:57:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Galocha]]></category>
		<category><![CDATA[CineOP]]></category>
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		<category><![CDATA[Helena Ignez]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra de Cinema de Ouro Preto]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos Tecnopobres]]></category>
		<category><![CDATA[Sinai Sganzerla]]></category>
		<category><![CDATA[Tem um monstro na loja]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De 03 a 07 de setembro aconteceu a 15ª CineOP (Mostra de Cinema de Ouro Preto). Com exibições de curtas e longas-metragens brasileiros e internacionais, a Mostra trouxe todo seu conteúdo de maneira remota, através de seu próprio site. O evento que tem o foco na “preservação, história e educação audiovisual brasileiro” também apresentou lives com debates sobre o cinema e shows musicais. A Televisão foi centro da discussão na Temática Histórica, tendo como filme de abertura da CineOP a [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">De 03 a 07 de setembro aconteceu a <strong>15ª CineOP</strong> (<em>Mostra de Cinema de Ouro Preto</em>). Com exibições de curtas e longas-metragens brasileiros e internacionais, a Mostra trouxe todo seu conteúdo de maneira remota, através de seu próprio site. O evento que tem o foco na “preservação, história e educação audiovisual brasileiro” também apresentou lives com debates sobre o cinema e shows musicais. A Televisão foi centro da discussão na Temática Histórica, tendo como filme de abertura da CineOP a obra <em>Avesso Festa Baile</em>, de Tadeu Jungle.<br /><br />Dentro da semana de programação da CineOP, o <strong>Coisa de Cinéfilo</strong> conseguiu acompanhar algumas projeções. Separamos aqui um especial com os curtas assistidos no festival. Confira!</p>
<p style="text-align: center;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13152" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/99ae839e8558678ffea00193eefc077c_15701327635753_1266014167.jpg" alt="Extratos, Coisa de Cinéfilo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/99ae839e8558678ffea00193eefc077c_15701327635753_1266014167.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/99ae839e8558678ffea00193eefc077c_15701327635753_1266014167-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/99ae839e8558678ffea00193eefc077c_15701327635753_1266014167-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><strong><em>Extratos (2019)</em></strong></p>
<p>“Será que vou chegar a algum lugar?” A pergunta é feita por Helena Ignez e é uma indagação que ela fazia para si mesma, em sua juventude. O público descobre esta e outras angústias e memórias de Ignez neste curta-metragem, que reúne imagens feitas pela artista juntamente com Rogério Sganzerla, no período em que eles estavam em exílio, na Ditadura Militar, entre 1970 e 1972. Em imagens de locais como Marrakesh, Salvador e Londres, os cortes ditam as rupturas que parecem ter sido sentidas pelas personagens. As emoções e sensações são narradas por Ignez e possuem um tom que revela a profundidade das emoções vividas no passado. Este é também um mérito da direção de Sinai Sganzerla (<em>A Mulher de Luz Própria</em>), que montou o curta ao lado de Claudio Tammela (<em>Elogio da Graça</em>). Nesta junção de elementos intensos, a obra consegue revelar diversas camadas e deixa quem assiste imerso naquele universo de recordações. Tudo isto em apenas 7 minutos de duração.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13154" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/e142c316b5a85baf2b64c954001857b7_15978766369931_264127166.jpg" alt="Tem Um Monstro na Loja, Coisa de Cinéfilo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/e142c316b5a85baf2b64c954001857b7_15978766369931_264127166.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/e142c316b5a85baf2b64c954001857b7_15978766369931_264127166-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/e142c316b5a85baf2b64c954001857b7_15978766369931_264127166-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><em>Tem Um Monstro na Loja (2019)</em></strong></h5>
<p>Os desenhos de Ana Galocha já existiam antes deste curta-metragem. Inclusive, há um perfil no <em>Youtube</em> que publica vídeos de, aproximadamente, um minuto com várias animações de aventuras da menina. A intenção aparente é ser um conteúdo educativo para crianças, através de tramas sobre Ana e seus amigos. Na produção exibida na CineOP, o enredo foca em contar a história das carrancas, através do encontro da garota com o objeto dentro de uma loja. A narrativa é redonda e bem amarrada, pois consegue introduzir bem o contexto da pequena cidade ficcional e da protagonista, ambientando o espectador em poucos minutos. Além disso, a inserção do conflito e a apresentação do desenlace acontecem de maneira orgânica, tendo eles uma ligação com a personalidade de Ana e com o local onde ela mora. Há uma queda, porém, na qualidade da obra próximo de seu desfecho. Depois que Ana já entendeu tudo sobre aquela figura que lhe causou pânico e como ela é importante para a cultura, vem a explicação disto para as outras crianças. Em seguida, fica uma sensação de dilatação do tempo até que a chegada do desfecho. Outro incômodo é a voz que narra o filme. Há apenas uma pessoa que dubla a narração e todas as personagens. Isto não é um demérito, mas a intérprete poderia colorir mais o texto e criar vozes mais diferentes uma das outras. A coisa monocórdica acaba tirando um pouco da personalidade das personagens. Mas, no geral, é uma sessão leve e educativa para o público infantil, como parece ser o seu objetivo.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13153" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/0e27efc195f5d162e5187fadc6e7999c_15725669238468_1416524868.jpg" alt="Relatos Tecnopobres, Coisa de Cinéfilo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/0e27efc195f5d162e5187fadc6e7999c_15725669238468_1416524868.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/0e27efc195f5d162e5187fadc6e7999c_15725669238468_1416524868-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/0e27efc195f5d162e5187fadc6e7999c_15725669238468_1416524868-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>Relatos Tecnopobres (2019)</em></strong></p>
<p>Evocando tensões políticas contemporâneas, <em>Relatos Tecnopobres</em> se vale de uma distopia para criar a sua argumentação. Em 2035, numa sociedade dominada pelos militares, os investimentos financeiros vão todos para inovações tecnológicas, revoltando o povo, que passa a entrar em conflito direto com as autoridades. O diretor, João Batista Silva, consegue colocar o espectador imerso no universo dos guerrilheiros, buscando mostrar a luta deles e como foram as opressões sentidas pelo grupo, até que a guerra fosse a única saída. No geral, há poucos movimentos de câmera, mas, talvez isto ajude a causar certa angústia em alguns planos mais fechados, quando o espectador ouve os relatos do protagonista. Em alguns momentos, é possível ver algumas imagens de cobertura, com uma floresta e as personagens caminhando por ela. Estes detalhes fazem com que a sensação de um mundo em clima bélico se estabeleça, ainda que o valor de produção não seja tão alto. Outro recurso usado por Silva é a utilização de filmagens de outras pessoas, de situações da vida. Nos créditos aparece uma cartela avisando que a equipe não sabe quem são os donos das gravações utilizadas durante o curta. Esta escolha do cineasta faz sentido dentro do enredo, pois ilustra situações que o orçamento talvez não permitisse. Mas, ao mesmo tempo, gera alguns incômodos, principalmente quando se reconhece os eventos que aparecem nos vídeos. Isto desconecta um pouco quem assiste da história que está sendo contada. Outro fator um tanto negativo é que nunca se vê o rosto do protagonista, o que afasta um pouco o público, que não consegue criar totalmente uma empatia com ele.</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-curtas-da-15a-cineop-mostra-de-cinema-de-ouro-preto/">Especial: Curtas da 15ª CineOP &#8211; Mostra de Cinema de Ouro Preto</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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