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	<title>Arquivos Guto Parente - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Guto Parente - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Morte e Vida Madalena</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 00:42:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Construção de personagem, trama redonda e elaborada, timing cômico, elenco coeso, criatividade, decupagem à serviço da narrativa, Morte e Vida Madalena é bom longa-metragem. Se não contasse com algumas pequenas barrigas, a produção teria ainda mais êxito. O que acontece aqui é que alguns conflitos e situações são esticados, tornando-se prolixos dentro da história, o que, consequentemente, cansa o espectador. Mas, a verdade é que esses instantes são poucos e não fazem do longa uma obra ruim. Na realidade, Vida [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Construção de personagem, trama redonda e elaborada, timing cômico, elenco coeso, criatividade, decupagem à serviço da narrativa, Morte e Vida Madalena é bom longa-metragem. Se não contasse com algumas pequenas barrigas, a produção teria ainda mais êxito.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O que acontece aqui é que alguns conflitos e situações são esticados, tornando-se prolixos dentro da história, o que, consequentemente, cansa o espectador. Mas, a verdade é que esses instantes são poucos e não fazem do longa uma obra ruim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Na realidade, <em>Vida e Morte Madalena</em> é entretenimento de excelência, porque consegue realizar uma boa comédia no seu sentido mais primevo da história das artes.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ou seja, mesclando crítica social, com aprofundamento das relações humanas, o público cria uma noção de intimidade com as personagens e distanciamento pelo ridículo que elas convocam, ampliando o estado reflexivo.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A junção do debate sobre os desafios de se gravar um filme, de ser uma mulher contemporânea, lidar com homens criados por um sistema que os deixa mimados e incapazes de serem funcionais em sua totalidade e sobreviver ao sistema capitalista está lá na narrativa, de forma inteligente, porque é direto/gritante, porém também sutil ou através de alegorias</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Além disso, é importante que o cinema sempre reforce para o público geral como fazer audiovisual não é fácil. Há todo esse caos normalizado, que artistas precisam lidar enquanto criam suas obras, com toda a pressão para pagar as contas, fazer um bom trabalho e ainda ter que lidar com todas as idiossincrasias de seus colegas de set.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A escolha de Guto Parente em inserir um universo realista/naturalista das filmagens de Madalena versus a trama intergalática que a protagonista grava aumenta a potencialidade dessa reflexão sobre o que está sendo mostrado na tela. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Porque há, de um lado, um estranhamento quando a textura da imagem muda ou quando os figurinos do filme dentro do filme levam a plateia para uma distopia fantástica que parece fazer mais sentido que a realidade. Todos os absurdos da vida de Madalena são muito maiores do que esse do mundo fantástico que ela filma.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Curiosamente, pode-se criar aqui um paralelo para outros mundos, pessoais e da sociedade, no qual a distopia mais insana não será tão dantesca quanto o cotidiano sistemático do pagar boletos e do não importa se você ama cinema ou não, a vida e a morte estão acontecendo.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, é necessário destacar o brilhantismo de Noá Bonoba ao construir sua Madalena. Entre perplexidade diante do que ocorre com ela e costume em ser o esteio da vida de todos que a cercam, Madalena apresenta uma certeza titubeante e é nisso que a atuação de Bonoba se mostra genial.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Noá faz isso nas pausas verbais e corporais, em seus olhos que circulam pelo espaço, como se ela buscasse uma resposta no infinito e lembrasse que está tudo dentro dela. A intérprete também profere as palavras dos diálogos do roteiro com uma consciência de construção de papel que se vê pouco nos palcos ou no ecrã.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A dinâmica entre aceleração, lentidão e retenção é a chave para retratar essa mulher exausta, porém criativa, feita por Bonoba. E ela não deixa essa dança cênica ficar apenas para si.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Noá leva tudo isso para a contracena desta maneira também. E quando seus colegas estão com ela todos entram nesta mesma sintonia. </span><span style="font-weight: 400;">Assim, a “brincadeira” de relacionar com o espaço, e entre si, funciona. Um exemplo forte disso é quando Madalena descobre que o pai de Natasha (Nataly Rocha), assistente de direção do filme dentro do filme e uma das melhores amigas da protagonista, faleceu, e quase todos do set a abraçam. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">As temporalidades de locomoção e de fala fluem entre velozes e prolongadas, e que vão se extendendo até viraram conforto para Madalena, o que também acaba criando quase uma impressão sensorial no público.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Dentro desta lógica, o trabalho de Parente fomenta essas impressões. </span><span style="font-weight: 400;">É curioso observar como a seleção dos enquadramentos e movimentos dos atores aumenta a fluidez do enredo. A equipe do filme dentro do filme aparece mais em planos gerais, com gestos mais contidos e de ações mais cotidianas. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Madalena é vista de perto, com efeitos de câmera que a cercam, que se aproximam e se afastam. Ela está constantemente em análise e a escolha de investigar esta mulher com calma e pluralidade de ângulos e movimentos ampliam essa intimidade com a história.</span></p>
<p>Essa lógica faz com que seja nítido durante a exibição quem comada a trama e qual é o foco da produção.  Apesar de em alguns momentos, como o da greve, esses recursos ficarem repetitivos, na maior parte da sessão eles funcionam.</p>
<p>Assim, <em>Morte e Vida Madalena</em> é um bom título do cinema brasileiro. Com criação de proximidade com o enredo e suas figuras dramáticas, o longa diverte e angústia na medida.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Além do mais, é sempre bom ver Marcus Curvelo, mesmo que como coadjuvante, fazendo o seu clown de sempre, que basta aparecer na tela para que gargalhadas ecoem na sala de cinema. </span></p>
<p><br style="font-weight: 400;" /><strong>Direção</strong>: Guto Parente</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Noá Bonoba, Nataly Rocha, Marcus Curvelo</p>
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		<title>Crítica: Estranho Caminho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Aug 2024 22:53:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Francisco]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Guto Parente]]></category>
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		<category><![CDATA[Rita Cabaço]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A relação entre os homens e seus filhos tem uma tradição complexa na sociedade. Entre práticas pautadas na masculinidade tóxica, abandono parental e tantas outras estruturas advindas do patriarcado &#8211; como aquela do pai que foi comprar o cigarro e nunca mais voltou -, Estranho Caminho convida o espectador para olhar o que pode mais lhe doer. Talvez exista uma camada do longa-metragem que apenas aquelas pessoas que possuem conflitos com a figura paterna, tenha passado pela perda de um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A relação entre os homens e seus filhos tem uma tradição complexa na sociedade. Entre práticas pautadas na masculinidade tóxica, abandono parental e tantas outras estruturas advindas do patriarcado &#8211; como aquela do pai que foi comprar o cigarro e nunca mais voltou -, <strong><em>Estranho Caminho</em></strong> convida o espectador para olhar o que pode mais lhe doer. Talvez exista uma camada do longa-metragem que apenas aquelas pessoas que possuem conflitos com a figura paterna, tenha passado pela perda de um pai ou ambos, vão alcançar. Ainda assim, a produção é feliz, acima de tudo, na investigação das relações, de tudo aquilo que não é dito.</p>
<p>São nos olhares trocados pelo protagonista, David (Lucas Limeira), com seu pai, Geraldo (Carlos Francisco), que a construção ampla de sentido é estabelecida. Há muito subtexto elaborado pelo não verbbal e completado com algumas frases sutis, que ambientam o público sobre o passado e o presente daquelas personagens. O fato da trama se passar no período do início da pandemia da Covid-19, convoca este entre encontro entre David e Geraldo e também amplia a clausura e as chances de embate.</p>
<p>O roteiro de Guto Parente (<em>Inferninho</em>) &#8211; que também é diretor do longa &#8211; não tem pressa em explorar cada peripécia vivida por David, revelando as camadas do que está, de fato, ocorrendo na trama com paciência. Este é um filme que olha, sobretudo, para os relacionamentos, em tudo que eles podem trazer de perdas, ganhos, distâncias e aproximações e a calma para explorar mais este fator do que qualquer outro aumenta a intensidade da verdade que está por trás do aparente plot principal.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18529" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-6.png" alt="Estranho Caminho" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-6.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-6-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-6-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Um outro elemento que chama a atenção em <strong><em>Estranho Caminho</em></strong> é  iminência da morte, que ronda toda a história, imprime um tom suave de suspense. Além disso, esta característica põe as personagens acuadas, fazendo com que elas precisem encarar a realidade, principalmente David. A potência do que é construído se fortalece no trabalho da arte, principalmente ao que referem aos objetos de cena e à cenografia no geral. Os lugares são apertados e cheios de elementos espalhados pelos espaços. O mesmo pode ser dito da direção, que tenta convocar quadros mais fechados, criando a impressão de sufocamento até mesmo em locais abertos.</p>
<p>A dinâmica da contracena entre Lucas e Carlos completam este cenário. Ainda que o primeiro seja mais verde que o segundo e peque em algumas intenções, o jogo cênico da dupla é essencial para a história. Os atores criam as conexões e os constragimentos entre os dois, através das respirações e pausas. Estes são diálogos do silêncio, que impactam quem assiste mais ainda à medida em que a projeção vai se aproximando do seu desfecho. Por este motivo, de uma maneira geral, Estranho Caminho possui um bom resultado. Ainda assim, a fotografia e a direlçao poderiam ter realizado uma concepção mais coesa.</p>
<p>Algumas sequências são mal iluminadas e decupadas em <strong><em>Estranho Caminho</em></strong>, fazendo com que a plateia perca as emoções das personagens. Apesar disso, por contar com um roteiro inteligente, que flerta com o absurdo e convoca o realismo fantástico, pelo talento e carisma do elenco e por inserir pautas sociais atravé de discussões sentimentais, o longa de Guto Parente é bem sucedido!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guto Parente</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Lucas Limeira, Carlos Francisco, Rita Cabaço</p>
<p>Assista ao trailer!</p>
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