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	<title>Arquivos Gustav Lindh - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Gustav Lindh - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Homem do Norte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 May 2022 15:24:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Robert Eggers é um dos cineastas mais cultuados pela atual geração de fãs do cinema de horror. O diretor de A Bruxa e O Farol faz sua primeira grande concessão à indústria com O Homem do Norte. Eggers é cria da A24, a mais renomada casa do cinema independente na atualidade, e construiu sua fama como um dos principais nomes do horror contemporâneo com filmes de baixo orçamento e apurado senso artístico. Em O Homem do Norte, o cineasta sai [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Robert Eggers é um dos cineastas mais cultuados pela atual geração de fãs do cinema de horror. O diretor de A Bruxa e O Farol faz sua primeira grande concessão à indústria com <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>. Eggers é cria da A24, a mais renomada casa do cinema independente na atualidade, e construiu sua fama como um dos principais nomes do horror contemporâneo com filmes de baixo orçamento e apurado senso artístico. Em <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>, o cineasta sai da A24 e concebe com a Focus Features, subsidiária da Universal Studios, um épico viking com um orçamento de cerca de US$ 60 milhões cuja história teria inspirado William Shakespeare a escrever Hamlet, peça sobre um príncipe que retorna para o seu reino para vingar a morte do pai, assassinado brutalmente pelo seu próprio tio.</p>
<p>O mais incrível desta primeira incursão de Eggers por um &#8220;cinema de estúdio&#8221; é que ele consegue encontrar um equilíbrio interessante entre oferecer um filme mais palatável para o grande público com aspiração para o clássico, algo que A Bruxa e O Farol não foram (se é que podemos classificar <em><strong>O Homem do Norte</strong></em> como um filme agradável para uma audiência média), mas que não perde em momento algum a sua autenticidade. Na tela, é inegável que o longa possui os vestígios da assinatura do seu cineasta. Isso contraria os boatos de que o estúdio tinha interferido bastante em O Homem do Norte a ponto de incomodar o próprio cineasta, que, dizem, parece não estar mais interessado nesse tipo de experiência. Se foi como dizem, isso não é sentido na tela, o épico viking do diretor é uma obra bem consistente.</p>
<p><em><strong>O Homem do Norte</strong></em> é inegavelmente &#8220;cria&#8221; de Eggers com toda a sua ação bruta, ríspida, crua e violenta. A violência é gráfica e o cineasta enche o filme de vestígios da brutalidade dos ritos dos guerreiros vikings com imagens que causam repulsa tal qual alguns dos mais emblemáticos momentos de A Bruxa e O Farol. O diretor ainda consegue trazer para o seu épico uma atmosfera fria (não só pelo clima) e até suas inclinações para o folk horror, com a presença determinante de bruxas, uma encarnada por Anya Taylor-Joy e outra por Björk, em participação especial que não dura mais que cinco minutos.</p>
<p><em><strong>O Homem do Norte</strong></em> acompanha a saga de Amleth (Alexander Skarsgard), príncipe que testemunha a morte do pai, o rei Aurvandil (Ethan Hawke) pelas mãos do tio Fjölnir (Claes Bang). O ardil parente do príncipe não só assassina o irmão e toma o reino do seu pai, como se torna o novo marido da sua mãe, a rainha Gudrún (Nicole Kidman). Quando adulto, Amleth se infiltra nos domínios da sua família como um escravo e passa a colocar em prática seu plano de vingança com a ajuda de Olga (Anya Taylor-Joy), uma jovem bruxa por quem acaba se apaixonando.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15505" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor-.jpg" alt="O Homem do Norte" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor-.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>O Homem do Norte</em> </strong>consegue capturar com verossimilhança o seu contexto histórico em elementos plásticos como fotografia, direção de arte e figurino, mas também em toda a preparação que seu elenco teve que se submeter. Os homens do filme são verdadeiras massas brutas, preparados para causar e suportar qualquer ato de violência com objetividade e sem remorso. As mulheres, por sua vez, exibem uma certa melancolia por serem relegadas a segundo plano ao passo que igualmente ganham uma &#8220;casca&#8221; na medida em que criam as suas próprias armas para sobreviver nesse contexto.</p>
<p>O filme é, claro, dominado pela performance dedicada do seu protagonista Alexander Skarsgard. O ator convence o espectador desde o momento em que surge na tela vestido de lobo uivando com olhar obsessivo para o vazio. A performance de Skarsgard de certa forma acaba assumindo o próprio tom do filme, uma narrativa seca repleta de personagens que perderam a humanidade ou estão com ela por um fio. É claro que Skarsgard se preparou fisicamente para o papel, mas, diferente da composição de alguns dos seus colegas para papéis similares &#8211; basta pensarmos nos filmes da Marvel -, o ator não reduz a ideia de transformar o seu protagonista em uma besta humana simplesmente pela aquisição de massa muscular. Alexander Skarsgard trabalha toda a brutalidade do personagem, uma verdadeira muralha em forma de gente, na expressão corporal encurvada e ameaçadora que exibe durante boa parte de <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>. Skarsgard consegue traduzir essa brutalidade de Amleth até mesmo na seara afetiva do personagem, já que o protagonista se revela um sujeito com extrema dificuldade de comunicar sentimentos &#8211; algo perfeitamente compreensível dado o background do personagem. Com isso, Amleth tem dificuldade para ceder espaço a emoções mais à flor da pele, mesmo quando parece senti-las, como acontece em diversos momentos nos quais divide a cena com as personagens de Kidman e Taylor-Joy, sua mãe e namorada, respectivamente.</p>
<p>Os demais atores do filme têm grandes momentos (Taylor-Joy, Claes Bang, Ethan Hawke, Willem Dafoe), mas não poderíamos deixar de mencionar a grande oportunidade que Robert Eggers dá a Nicole Kidman de protagonizar a cena de maior impacto de toda a história ao lado de Skarsgard. Durante todo <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>, a rainha Gudrún parece ficar em segundo plano nos reinados dos seus maridos (Hawke e Bang), no entanto, é em um monólogo para o filho já adulto que a personagem revela por completo a sua natureza e como é interessante ver a atriz dominar com maestria cada linha daquele texto.</p>
<p>Quem estava com receio de Robert Eggers desvirtuar o cunho autoral do seu cinema com <strong><em>O Homem do Norte</em></strong> pode respirar aliviado por o longa é tão macabro e místico quanto suas obras anteriores. Com um visual caprichado, o filme abusa da violência e oferece cenas de ação que prendem o espectador na poltrona (destaque para o duelo final entre os personagens de Skarsgard e Bang em meio às lavas de um vulcão prestes a entrar em erupção). Ao mesmo tempo, quem tinha um certo receio de se aventurar pelo cinema do cineasta por sua inclinação para o horror e por isso evitou A Bruxa e O Farol, terá nesse longa uma ótima oportunidade para conhecer o trabalho do cineasta.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Robert Eggers</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Alexander Skarsgård, Nicole Kidman, Claes Bang, Anya Taylor-Joy, Ethan Hawke, Björk, Willem Dafoe, Gustav Lindh</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/59iAzYuo2Qk" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Entrevista: Gustav Lindh, ator sueco do longa Rainha de Copas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Sep 2019 15:20:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Chegou aos cinemas esta semana o longa dinamarquês/sueco Rainha de Copas, um drama que fala sobre a relação de uma advogada de direito das crianças e dos adolescentes com seu enteado. Ela acaba se envolvendo romanticamente com o jovem rebelde e os dois vivenciam emoções profundas e necessárias para cada um. O longa é uma ótima análise sobre as relações parentais, contextos sociais e obsessões afetivas. Confira a nossa crítica clicando aqui! O Coisa de Cinéfilo teve a oportunidade de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Chegou aos cinemas esta semana o longa dinamarquês/sueco <em><strong>Rainha de Copas</strong></em>, um drama que fala sobre a relação de uma advogada de direito das crianças e dos adolescentes com seu enteado. Ela acaba se envolvendo romanticamente com o jovem rebelde e os dois vivenciam emoções profundas e necessárias para cada um. O longa é uma ótima análise sobre as relações parentais, contextos sociais e obsessões afetivas. Confira a nossa crítica <em><strong><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rainha-de-copas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">clicando aqu</a></strong></em>i!</p>
<p>O Coisa de Cinéfilo teve a oportunidade de entrevistar o ator <strong>Gustav Lindh</strong>, sueco de 25 anos e protagonista do longa. Gustav é vencedor de prêmios, como de Melhor Ator na categoria &#8220;Competição de Cinema Jovem&#8221; no Festival Internacional de Hong Kong (2019) e Estrela em Ascensão, no Festival de Stockholm (2017).</p>
<p><strong>Confira a entrevista realizada no Rio de Janeiro!</strong></p>
<h5><strong>Então, minha primeira pergunta é sobre o quão desafiante foi para você interpretar uma figura masculina inocente em relacionamento, pois estamos tão acostumados a ver nos filmes de Hollywood a situação inversa, onde mulheres são seduzidas. </strong></h5>
<p><b>Gustav Lindh: </b><span style="font-weight:400;">Foi um grande desafio para mim. Eu nunca pensei nisso como uma perspectiva de gênero. Eu só queria interpretar esse personagem. Eu sempre faço pesquisas sobre quem é esse cara, de onde ele vem, o que está acontecendo com ele. Foi realmente interessante trabalhar com esse material porque ele tem tantas áreas cinzas</span><span style="font-weight:400;">, muitas impressões sobre a vida, poder, responsabilidade e as consequências de não tomar responsabilidade em certas situações.</span></p>
<h5><strong>Você enxerga que Anne (interpretada por </strong><strong><em>Trine Dyrholm</em></strong><strong>) sente inveja de sua juventude e ela quer estar com você porque está velha e entediada?</strong></h5>
<p><b>Gustav Lindh: </b><span style="font-weight:400;">Eu acho que há razões diferentes. Eu não quero dar muito </span><span style="font-weight:400;"><i>spoiler</i></span><span style="font-weight:400;">, mas ele é muito malandro </span><span style="font-weight:400;"><b>e não confia em muitos adultos. Ele está sozinho e sempre foi desse jeito, e por isso eu acho que ele quer foder as coisas. Eu não sei se posso falar palavrão. </b></span><span style="font-weight:400;"><b>Mas é claro eu acho que ele é pego de surpresa em um certo momento. É complicado, ele muda durante a história e eu não quero contar muito do filme. É complexo ser um ser humano.</b></span></p>
<figure id="attachment_11283" aria-describedby="caption-attachment-11283" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-11283 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/WhatsApp-Image-2019-09-14-at-12.05.44-750x500.jpeg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/WhatsApp-Image-2019-09-14-at-12.05.44.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/WhatsApp-Image-2019-09-14-at-12.05.44-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/WhatsApp-Image-2019-09-14-at-12.05.44-360x240.jpeg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-11283" class="wp-caption-text">Foto: Michel Gutwilen</figcaption></figure>
<h5><strong>Como foi trabalhar com essa maravilhosa atriz que é Trine Dyrholm?</strong></h5>
<p><b>Gustav Lindh: </b><span style="font-weight:400;">Foi fantástico, foi o melhor momento de minha carreira até agora. Ela é uma das melhores atrizes no mundo e ela melhorou meu desempenho. E</span><span style="font-weight:400;">la sempre me levou muito a sério desde o início. Quando trabalhávamos, nós trabalhávamos. Viramos amigos e eu não acho que não seria muito estimulante trabalhar se ela me tratasse como um jovem iniciante, então nós realmente nos demos bem e foi minha melhor experiência até agora em um </span><span style="font-weight:400;"><i>set</i></span><span style="font-weight:400;">. </span></p>
<h5><strong>Eu acho que Rainha de Copas possui uma interação interessante com o espectador, porque ao mesmo tempo nós sabemos que a relação de vocês dois é algo errado, mas também é fascinante. Você tem momentos lindos com ela, como na cena do lago ou quando estão conversando e usando o gravador.  O que você acha disso? </strong></h5>
<p><b>Gustav Lindh: </b><span style="font-weight:400;">É definitivamente problemático, mas eu não quero moralizar sobre isso. Eu sempre tento não moralizar meus personagens. Eu tenho uma responsabilidade de estar em diálogo com a nossa diretora e todo mundo sobre qual o contexto e a história que estamos trabalhando, mas quando se trata de apenas fazer o personagem não posso ter nenhuma resposta moral sobre como ele age.</span></p>
<h5><strong>Você acha que esse filme pode colocar o cinema dinamarquês em um outro nível? Eu acho que o último filme dinamarquês de notoriedade internacional foi </strong><strong><i>A Caça (2013)</i></strong><strong>. [</strong><strong><i>ERRATA: existe também </i></strong><i>o ótimo Culpa, de 2018]</i></h5>
<p><span style="font-weight:400;"><b>Gustav Lindh: </b>Huh, esse é um filme muito bom. Bem, eu sou um grande fã do cinema dinamarquês. Eu só me sinto muito agradecido por ser parte disso. Está sendo muito bem recebido e na Dinamarca também está sendo um sucesso de bilheteria. Eu acho que os dinamarqueses são uma grande nação fazendo filmes e sou estou muito orgulhoso de fazer parte dessa família.</span></p>
<h5><strong>Você está trabalhando em algum novo projeto?</strong></h5>
<p><b>Gustav Lindh: </b><span style="font-weight:400;">Sim, eu estou. Desde que acabamos as filmagens de <em>Rainha de Copas</em> estive em três séries de TV, sendo que duas delas não posso falar sobre. Uma delas é chamada <em>Love Me</em>, que está recebendo um </span><span style="font-weight:400;"><em>remake</em></span><span style="font-weight:400;"> americano e a primeira temporada estreará daqui a 1 mês na Suécia, então fique ligado.</span></p>
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		<title>Crítica: Rainha de Copas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Sep 2019 14:45:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Esta crítica foi originalmente publicada no site Canal Claquete e você pode acessar o conteúdo clicando aqui! &#8212;&#8212;- Existem pessoas que aceitam o processo de envelhecimento como parte natural do ciclo da vida. A pele enruga, o cotidiano é tedioso, não há mais tempo para aventuras e a paixão pelo cônjuge se esvanece. Em Rainha de Copas (Dronnigen, no original), dirigido pela dinamarquesa May el-Toukhy, Anne (Trine Dyrholm), mãe de duas filhas e uma advogada bem sucedida, decide reacender a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;">Esta crítica foi originalmente publicada no site <strong>Canal Claquete</strong> e você pode acessar o conteúdo <a href="https://canalclaquete.com.br/title/rainha-de-copas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em><strong>clicando aqui</strong></em></a>!</span><br />
&#8212;&#8212;-</p>
<p>Existem pessoas que aceitam o processo de envelhecimento como parte natural do ciclo da vida. A pele enruga, o cotidiano é tedioso, não há mais tempo para aventuras e a paixão pelo cônjuge se esvanece. Em <em><strong>Rainha de Copas</strong></em> (<em>Dronnigen</em>, no original), dirigido pela dinamarquesa May el-Toukhy, Anne (Trine Dyrholm), mãe de duas filhas e uma advogada bem sucedida, decide reacender a chama do fogo que apagou dentro de si.</p>
<p>Quando seu esposo, Peter (Magnus Krepper), anuncia que Gustav (Gustav Lindh), seu filho de outro casamento, irá morar um tempo com a família, Anne recebe a notícia com insegurança. Afinal, ele era problemático e infrator. Como esperado, o menino começa introspectivo e com atitudes de rebeldia.</p>
<p>Posteriormente, a situação desconfortável chega ao ápice quando Anne descobre que Gustav forjou um assalto na casa da família. Assim, a madrasta dá uma escolha ao jovem: ser mais aberto e interagir mais com ela e suas duas meias-irmãs ou ela contaria para seu pai e a polícia do roubo. Entretanto, inesperadamente, Gustav se aproxima até demais de Anne e os dois desenvolvem um romance escondido. Sim, estou falando de uma relação quase incestuosa.</p>
<p>No entanto, este amor proibido é apenas a camada exterior de <em><strong>Rainha de Copa</strong></em>s. O filme escandinavo é, em suas raízes, um grande estudo sobre relações de poder em um microcosmo e uma celebração da figura feminina. A sensibilidade como a diretora captura a brilhante Trine Dyrholm diz muito, quer em momentos sutis, quando a coloca repetidamente passando hidratante na mão, quer em sequências mais explícitas, como a protagonista estudando sua nudez diante de um espelho.</p>
<p>A busca de Anne em Gustav vai além de uma satisfação sexual, sendo uma forma de se rejuvenescer e ter o controle das coisas novamente. De fato, isso é perceptível, em contraste, nas cenas (explícitas) de sexo com o marido e o enteado. Em uma ela é dominada, enquanto na outra ela domina. Ademais, todos os diálogos dos amantes possuem como tema recorrente o escapismo e lembranças da juventude. Eles relembram quando foi a primeira vez de cada um e também brincam sobre fazer uma tatuagem.</p>
<p style="text-align: left;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11277" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/MV5BNjQyMDBlOTUtOTEzOC00ZTEwLWIxZGEtNWE5Y2U5MDMzYWM2XkEyXkFqcGdeQXVyMzU4NjY1NQ@@._V1_SX1776_CR001776969_AL_-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/MV5BNjQyMDBlOTUtOTEzOC00ZTEwLWIxZGEtNWE5Y2U5MDMzYWM2XkEyXkFqcGdeQXVyMzU4NjY1NQ@@._V1_SX1776_CR001776969_AL_.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/MV5BNjQyMDBlOTUtOTEzOC00ZTEwLWIxZGEtNWE5Y2U5MDMzYWM2XkEyXkFqcGdeQXVyMzU4NjY1NQ@@._V1_SX1776_CR001776969_AL_-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/MV5BNjQyMDBlOTUtOTEzOC00ZTEwLWIxZGEtNWE5Y2U5MDMzYWM2XkEyXkFqcGdeQXVyMzU4NjY1NQ@@._V1_SX1776_CR001776969_AL_-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda que jamais se cruze com a trama principal, a vida profissional de Anne é fundamental para entendermos melhor sua moralidade. A protagonista trabalha como advogada de vítimas frágeis e jovens, geralmente em casos como agressão e estupro. Em uma cena, ela até confronta diretamente um dos acusados de sua cliente. Isso mostra uma grande complexidade na figura de Anne, pois ela possui uma espécie de bússola moral e também parece ter uma fixação por estar com pessoas mais novas.</p>
<p>Um dos grandes méritos de <em><strong>Rainha de Copas</strong></em> é a criação de toda essa ambiguidade da relação extraconjugal. É, ao mesmo tempo, repugnante e fascinante, causando um conflito moral na mente de quem assiste. Inegavelmente, o que está acontecendo é errado, mas há, de fato, sequências bonitas entre os dois, como a que brincam no lago, belissimamente filmada e iluminada. Outro aspecto que chama a atenção é a presença de uma marcante trilha sonora (Jon Ekstrand), trazendo urgência e antecipação de forma crescente para a história, quase transformando o filme em um suspense.</p>
<p>Por fim, nenhuma das conquistas do longa-metragem seria possível sem a poderosa atuação de Trine Dyrholm. Com diversas camadas em sua atuação, a atriz, em uma mesma cena, consegue mostrar força e dominância na sua voz, enquanto seus olhos mostram fragilidade e medo. Diferente de certas atrizes de Hollywood, a dinamarquesa aceita a sua pele e, com o rosto marcado pela idade, encaixa-se perfeitamente dentro de seu papel. O sueco Gustav Lindh permeia perfeitamente entre o orgulho e instabilidade emocional, características conflitantes e normais para um jovem.</p>
<p><em><strong>Rainha de Copas</strong></em> se mostra uma sensível e intimista obra sobre poder, amadurecimento e sexualidade. Com uma temática moralmente polêmica, o filme incomoda seu espectador, mas também o fascina, seja por seu crescente suspense ou por uma atuação digna de premiação por Trine Dyrholm.</p>
<p><strong>Direção:</strong> May el-Toukhy<br />
<strong>Elenco:</strong> Trine Dyrholm, Gustav Lindh, Magnus Krepper, Preben Kristensen, Frederikke Dahl Hansen</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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