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	<title>Arquivos Guillermo Del Toro - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Guillermo Del Toro - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Beco do Pesadelo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jan 2022 14:08:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Beco do Pesadelo é uma adaptação do Guillermo Del Toro para o romance homônimo de William Lindsay Gresham publicado em 1946 e que, por sua vez, já tinha rendido um filme muito famoso dirigido por Edmund Goulding em 1947. Del Toro teve o primeiro contato com o romance quando o ator Ron Perlman, que está no filme como uma figura paterna para a personagem de Rooney Mara, o presenteou com um exemplar do livro em 1992 no set de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> é uma adaptação do Guillermo Del Toro para o romance homônimo de William Lindsay Gresham publicado em 1946 e que, por sua vez, já tinha rendido um filme muito famoso dirigido por Edmund Goulding em 1947.</p>
<p>Del Toro teve o primeiro contato com o romance quando o ator Ron Perlman, que está no filme como uma figura paterna para a personagem de Rooney Mara, o presenteou com um exemplar do livro em 1992 no set de Cronos, primeira parceria dos dois nas telas antes mesmo de Hellboy.</p>
<p>O romance de Gresham é um material que faz todo sentido cair nas mãos do diretor. Toda a sua trama de corrupção apresenta uma atmosfera sobrenatural, mesmo que paire uma dúvida sobre a presença dessas manifestações na tela. Além disso, um dos cenários de <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> é um circo na tradição freakshow, tipo de atração bem comum na primeira metade do século passado e que rendeu obras do horror como Monstros de Todd Browning e a quarta temporada de American Horror Story. E lidar com essa temática é uma das especialidades do diretor, vide seu último longa, o vencedor do Oscar A Forma da Água.</p>
<p><em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> acaba sendo um conto moral à moda antiga, no qual o cineasta reverencia obras do passado, a própria primeira adaptação do romance e o cinema noir, trazendo essa história de um homem que cai em desgraça a partir do momento em que cede à ambição e ao enriquecimento a partir da exploração da fé alheia.</p>
<p>Bradley Cooper vive um rapaz que vai trabalhar em um circo e aprende alguns truques com um grande ilusionista interpretado por David Strathairn (Boa Noite e Boa Sorte). Mesmo alertado pelo seu mentor de que o uso indevido desse conhecimento pode levá-lo à desgraça, o personagem de Cooper utiliza tudo o que aprende para enganar gente poderosa quando vai para cidade grande. Só que ele acaba se encrencando cada vez mais, sobretudo quando ele começa a se deparar com figuras mais ardilosas que ele.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15139" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539.jpg" alt="O Beco do Pesadelo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Desde que migrou em definitivo para o grande esquema de produção cinematográfica hollywoodiano, o cinema de Del Toro passou por uma adaptação. É evidente que filmes como A Forma da Água, A Colina Escarlate ou <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> estão à sombra de obras como A Espinha do Diabo ou O Labirinto do Fauno, indubitavelmente mais espontâneos e menos pasteurizados. Ainda assim, Del Toro consegue encontrar brechas em <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em>.</p>
<p>Aqui, Del Toro acerta sobretudo por não ter grandes ambições com sua história, querer extrair grandes temáticas ou se preocupar excessivamente em mostrar o poder de fogo do cineasta com composições imagéticas mais estilísticas. Em <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em>, Del Toro não tem vergonha alguma de abraçar o clássico. Mesmo que no começo, o momento em que o protagonista tem sua experiência no circo, o filme soe perdido em suas diversas histórias paralelas, sempre em busca de algum fiapo de trama central, <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> acaba nos levando a um resultado claramente mais satisfatório que títulos como A Forma da Água e A Colina Escarlate.</p>
<p>Um dos pontos altos do longa é o desempenho de Bradley Cooper, que faz um sujeito completamente desprezível. É interessante como Del Toro segura até o fim a verdadeira natureza desse personagem, tudo para nos seduzir com aquela figura. Desde trabalhos como O Lado Bom da Vida, Sniper Americano e Nasce uma Estrela, Bradley só se supera. Aqui o ator tem a oportunidade de interpretar um grande vilão, um homem inescrupuloso e sem redenção, mostrando assim uma faceta inesperada para o público. No fim das contas, através desse personagem tão bem delineado pelo ator, Del Toro nos apresenta o processo gradual de bestificação do homem em uma jornada desenhada com muito esmero e didatismo por Cooper.</p>
<p>O filme tem no elenco três atrizes formidáveis: Rooney Mara, Toni Collete e Cate Blanchett, mas as todas elas são subaproveitadas pelo tratamento raso que o roteiro dá as suas personagens. Entre elas, Blanchett tem os seus momentos como uma psicóloga que seduz o personagem do Cooper, mas é um tipo de papel que a gente já espera ver a atriz dominar como ninguém na tela e é um pouco frustrante para o espectador notar que ela não extrapola essa expectativa. Ainda assim, há momentos brilhantes da atriz, sobretudo quando Del Toro sequer registra o rosto de Blanchett no quadro e ela só tem a voz como instrumento de expressão nas sessões de análise do personagem de Cooper.</p>
<p>De uma maneira geral é um super-produção, um ótimo entretenimento adulto fugindo das opções usuais do cinema atual, como filmes de super heróis e derivados. <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> é bem dirigido por Guillermo Del Toro e, sobretudo, confirma Bradley Cooper como um intérprete versátil.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guillermo del Toro</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Bradley Cooper, Cate Blanchett, Toni Collette, Willem Dafoe, Richard Jenkins, Rooney Mara, Ron Perlman, Mary Steenburgen</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6mifhKKpHTI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Especial Oscar 2018 &#8211; Direção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Mar 2018 01:10:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas tem o costume de deixar dúvidas em algumas de suas principais categorias. Na 90º edição, entretanto, o tão estimado prêmio de &#8220;Melhor Direção&#8221; parece ser algo certo. Dentre as diversas performances interessantes do ano de 2018, a que tem um destaque maior pelo conjunto da obra entregue ao público foi feita pelo gênio mexicano Guillermo Del Toro. Dos seus colegas nomeados, aquele cujo mais se aproxima de sua qualidade no projeto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas tem o costume de deixar dúvidas em algumas de suas principais categorias. Na 90º edição, entretanto, o tão estimado prêmio de &#8220;Melhor Direção&#8221; parece ser algo certo. Dentre as diversas performances interessantes do ano de 2018, a que tem um destaque maior pelo conjunto da obra entregue ao público foi feita pelo gênio mexicano Guillermo Del Toro. Dos seus colegas nomeados, aquele cujo mais se aproxima de sua qualidade no projeto recente é Jordan Peele, diretor de <i>Corra!</i>. Apesar de suas grandiosas e importantes apresentações em seus respectivos trabalhos, Greta Gerwig, Christopher Nolan e Paul Thomas Anderson não representam uma forte ameaça a vitória do mexicano. Peele poderá ser a única &#8220;surpresa&#8221; da noite quanto aos diretores indicados.</p>
<p>O olhar usado pela Academia para escolher seus vencedores é algo subjetivo e situacional, fazendo com que a missão de criar um padrão para estudo ou previsões 100% certas seja quase impossível. Às vezes surpreendente, outras, nem tanto, mas sempre é um dos momentos-chave da belíssima cerimônia. E nessa edição de aniversário, nada será diferente. Os indicados se encaixam em diversas opções de acontecimentos anteriores cujo levaram outros artistas a conquistarem a estatueta. Existe a revelação que surpreende com simplicidade e inteligência, mas falta maturidade temática; tem o mestre da técnica que usa a beleza para mascarar uma obra que falta no conteúdo; e há o diretor prestigiado, porém, estéril. Esses são os indicados cuja probabilidade de ganhar nas atuais circunstancias é menor. Já os dois que disputam a estatueta são duas outras adaptações de outros eventos anteriores: como o diretor que saiu da zona de conforto e impressionou a todos e o estrangeiro que teve o mundo e todo o preconceito tendo que reconhecer o seu brilhantismo.</p>
<p>Com toda a sua pompa e circunstância, Christopher Nolan chega ao Oscar carregando o seu novo filho, mas com muito cuidado porque ele é bem frágil. Sua falta de força e liga não são suficientes para contornar as faltas que existem e, muito menos, para serem compensadas apenas com uma beleza técnica admirável. O trabalho de direção de <i>Dunkirk</i> deixa mais a desejar do que em qualquer uma de suas obras. A falta de sentimentalidade em suas películas finalmente afetou o cineasta. E a queda desse gigante será estrondosa e tão agoniante como a falta de sensibilidade na obra sobre a Operação Dínamo.</p>
<figure id="attachment_8722" aria-describedby="caption-attachment-8722" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-8722" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/02/gettyimages-844916070.jpg" alt="" width="610" height="348" /><figcaption id="caption-attachment-8722" class="wp-caption-text">Guillermo Del Toro é um dos favoritos na premiação deste ano</figcaption></figure>
<p>Paul Thomas Anderson traz um problema diferente. Seus filmes costumam impactar, emocionar e levar o público a loucura com sua perfeição técnica e olhar delicado sobre o mundo. Com trabalhos comumente conhecidos por sua estética diferenciada, <i>Trama Fantasma</i> se destaca da mesma forma no quesito design e figurino, uma pena que a narrativa deixe a desejar. E por se tratar de um diretor cujo também roteiriza suas obras, a coesão textual e da imagem são quesitos fortemente cobrados pela Academia. O inovador Paul Thomas pode estar consagrado no meio da sétima arte com filmes como <i>Magnólia</i>, de1999, e <i>Sangue N</i><i>egro</i>, de 2007, mas o indicado desse ano falta uma consistência nos fatos que faça jus a sua carreira, tornando-se incompleto. Paul muito se preocupou com a forma do seu croqui e esqueceu do conteúdo dele.</p>
<p>A estreia de Greta Gerwig foi perfeita. A temática e a simplicidade de seu primeiro longa-metragem como roteirista e diretora fizeram com que ela pudesse encontrar a sua estrada de tijolos amarelos. Com modéstia e talento, Greta prova que sua capacidade vai muito além do que pessoas podem imaginar; ela é o que ela quiser. Com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça &#8211; como já disse o sábio Glauber Rocha – ela é capaz de alçar grandes voos. <i>Lady Bird &#8211; </i><i>A Hora de Voar</i> não é, entretanto, o trabalho que lhe renderá o seu primeiro Oscar por direção; Gerwig precisa de uma proposta mais madura para mostrar tudo o que ela é capaz. O seu espaço vai apenas crescer agora que o mundo já viu do que ela é capaz e, num futuro próximo, ler o nome de mulheres na disputa por prêmios como o de &#8220;Melhor Direção&#8221; será algo do cotidiano. Greta Gerwig: um nome para ser gravado.</p>
<p>Jordan Peele se mostrou um caso à parte dos demais citados. <i>Corra!</i>, obra dirigida, roteirizada e produzida por Peele se mostrou um trabalho maduro – em especial para alguém que está estreando como diretor. Além do debute à frente de uma película, Jordan também entra num universo completamente diferente do seu. Conhecido por seus trabalhos no Comedy Central, o diretor toma para si o comando de um projeto onde o foco é um terror. Com um roteiro invejável, a trama tem fluidez e qualidade para prender o espectador do início ao fim. E, no final das contas, Jordan Peele não seria uma má escolha da academia para premiar.</p>
<figure id="attachment_8724" aria-describedby="caption-attachment-8724" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-8724" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/02/poltrona-Jordan-Peele-Get-Out.jpg" alt="" width="610" height="348" /><figcaption id="caption-attachment-8724" class="wp-caption-text">Jordan Peele marcou presença forte com o longa Corra!</figcaption></figure>
<p>Guillermo Del Toro é o mestre das fábulas sombrias. O homem que reinventou o universo da ficção fantástica é o candidato mais forte na disputa pelo Oscar de &#8220;Melhor Direção&#8221; de 2018. Com seu romance que percorre todos os gêneros da sétima arte, <i>A Forma da Água</i> é uma perspectiva encantadora e irreal sobre a vida e todas as opressões que as pessoas sofrem. Por fazer uma ode aos humilhados, nada mais justo do que sua indicação viesse seguida de uma vitória bela e merecedora. Há cerca de 15 anos que o mundo cinematográfico tem contato com a magia e beleza de suas criaturas e lugares. Del Toro criou seu nome há muito e já está mais do que na hora de tê-lo sendo ovacionado por algo conservador como o Oscar. Anunciar que ele é o diretor campeão no Academy Awards é uma forma de reafirmar a mensagem que o seu roteiro passa: não importa como você seja ou se pareça, você será agraciado como merece. O momento de exaltação chegou para este homem que é um mexicano cuja história é uma inspiração para todos os que sofrem um preconceito ou queiram desistir de seus sonhos. Guillermo del Toro e seu longa são a prova viva de que onde há amor e fantasia, tudo é possível.</p>
<p>Nomes que não foram nem citados, como o de Joe Wright por <i>O Destino de Uma Nação</i> ou Martin McDonagh pelo maravilhoso <i>Três anúncios para um </i><i>crime</i>, são sentidos nessa categoria. Até mesmo o gênio Spielberg e seu belo filme jornalístico (<i>The </i><i>Post – A Guerra Secreta</i>) ficou de fora dessa corrida pelo ouro. Contudo, por mais que esses nomes façam falta, há uma nuvem de aceitação quanto os indicados. Com ou sem defeitos; perfeitas ou não, as direções das películas foram bem ricas. Por essas e outras &#8216;n&#8217; questões, o óbvio pode vir a não acontecer. A imprevisão e as surpresas estão sempre presentes nas últimas edições dessa premiação e esse ano podem estar ainda mais. Como dito anteriormente, nada é 100% certeza quando se trata da Academia, agora o que resta é esperar até o dia 4 de março para que o mundo saiba o resultado desse glorioso embate.</p>
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		<title>Crítica: A Forma da Água</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jan 2018 21:21:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Forma da Água]]></category>
		<category><![CDATA[Guillermo Del Toro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Normalmente, cineastas com larga reputação no cinema blockbuster como Steven Spielberg ou Christopher Nolan têm que fazer algumas &#8220;concessões&#8221; ou buscar novas chaves de comunicação com o público e preocupações temáticas em seus filmes para serem bem recepcionados no Oscar. Não estou fazendo esta observação com o intuito de alegar que filmes como A Lista de Schindler de 1993 (Spielberg) ou o recente Dunkirk (2017) tenham partido de movimentos calculados dos seus diretores, mas é fato amplamente conhecido que a Academia só costuma reconhecer esses [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Normalmente, cineastas com larga reputação no cinema <i>blockbuster </i>como Steven Spielberg ou Christopher Nolan têm que fazer algumas &#8220;concessões&#8221; ou buscar novas chaves de comunicação com o público e preocupações temáticas em seus filmes para serem bem recepcionados no Oscar. Não estou fazendo esta observação com o intuito de alegar que filmes como <i>A Lista de Schindler </i>de 1993 (Spielberg) ou o recente <i>Dunkirk (</i>2017) tenham partido de movimentos calculados dos seus diretores, mas é fato amplamente conhecido que a Academia só costuma reconhecer esses cineastas quando eles saem do fantástico. Não foi o caso de Guillermo Del Toro com <i>A Forma da Água. </i>Ainda que o realizador de filmes como <i>O Labirinto do Fauno</i>, <i>A Espinha do Diabo </i>e <i>Hellboy</i> traga em seu novo filme referências ao cinema canonizado e flerte com alguns gêneros bem queridos pela Academia (drama, musical, espionagem, romance etc), del Toro não teve que realizar um movimento de 180º para fazer com que <i>A Forma da Água </i>conquistasse o número de indicações ao Oscar que conseguiu, 13 no total.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">É certo que o filme &#8220;conversa&#8221; com preocupações do nosso tempo ao trazer pra dentro da sua história um evidente embate entre personagens oprimidos socialmente (uma muda, um homossexual, uma negra e um estrangeiro) contra um grande vilão americano. É um cinema da era Trump, como alguns têm dito. Contudo, também é louvável que del Toro consiga fazer isso com um tipo de cinema que sempre fez.  <i>A Forma da Água </i>funciona dentro dos termos no qual a obra do cineasta sempre operou, sendo até mais coerente com sua filmografia pregressa do que o <i>blockbuster Círculo de Fogo</i> que dirigiu em 2013, por exemplo. <i>A Forma da Água </i>recepciona elementos do horror, romance, conto de fadas, espionagem e musicais porque sua história centrada na relação entre uma faxineira muda de um laboratório americano e um monstro marinho acaba ocasionalmente solicitando elementos desses gêneros, como na cena em que a protagonista consegue expressar fantasiosamente seus sentimentos pela criatura através de um grande número musical da era de ouro de Hollywood ou no constante (e necessário) clima de conspiração propiciado por uma trama de espionagem da Guerra Fria que atravessa a história central do filme, e tudo é muito natural, orgânico&#8230; Ainda assim, é interessante notar como <i>A Forma da Água </i>tem semelhanças e sustentações muito sólidas na filmografia do seu próprio cineasta. O filme surge como um movimento natural na sua carreira, não como um desvio completo.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O filme se passa na década de 1960 e traz um grande e secreto laboratório americano que recebe em suas instalações uma criatura marinha objeto de estudos e experimentos do governo americano. Uma das faxineiras do local, a muda Elisa (Sally Hawkins, de <i>Blue Jasmine</i>), começa a se afeiçoar pela criatura e passa a estabelecer uma relação de muita cumplicidade com ela. Ao perceber que o monstro passa a ser vítima de maus tratos por homens mal intencionados, Elisa arquiteta um plano junto com seus amigos para tirar a criatura do laboratório e devolvê-la a seu <i>habitat</i> natural.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8651" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/01/The-Shape-of-water.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Sustentado na habilidade com que Guillermo del Toro transita entre a poesia cinematográfica e o bizarro universo dos seus personagens através da estranha hipótese de um relacionamento entre uma mulher e um monstro aquático, <i>A Forma da Água</i> é um longa capaz de oferecer ao espectador sensações muito díspares em questão de segundos. Trazendo como preocupação um olhar para excluídos sociais e a maneira que todos encontram de burlar os esquemas orquestrados por um vilão interpretado por Michael Shannon (<i>Animais Noturnos</i>), uma representação propositalmente estereotipada de um americano médio (machista, cheio de complexos e recalques), o longa de del Toro quer, no fundo, abordar o desejo que todos nós temos de sermos aceitos socialmente.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Os atores brilham nesse filme, talvez mais do que em nenhum outro exemplar da carreira de del Toro. Sally Hawkins consegue ser a alma do filme ao interpretar uma mulher que pela sua deficiência física e por conseguir se relacionar com pouquíssimas pessoas vive boa parte do tempo na solidão. Hawkins constrói um gradual desabrochar dessa heroína na medida em que a mesma se descobre como mulher e se sente parte do mundo ao encontrar alguém que se comunica como ela  &#8211; e como é interessante ver uma mulher como Hawkins, uma atriz bem distante do padrão de beleza hollywoodiano, ser sexualizada e não erotizada com o seu corpo nu em cena. A atriz tem ótimos coadjuvantes, como Richard Jenkins, que interpreta o melhor amigo da protagonista, um homossexual que enfrenta a dificuldade de se relacionar afetivamente na maturidade, a colega de trabalho vivida pela sempre divertida Octavia Spencer ou ainda o cientista infiltrado interpretado pelo versátil Michael Stuhlbarg.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Ao transitar pelas diversas possibilidades de comunicação da sua história, Guillermo del Toro pode até não fazer um filme perfeito, mas chega perto e conquista o espectador com uma jornada bem construída para a sua protagonista e com o desempenho exemplar do seu talentoso elenco. <i>A Forma da Água </i>é exemplo de como a fantasia tem muito a dizer sobre a realidade ao apontar para uma série de possíveis leituras contemporâneas da sociedade no nosso tempo. Numa época em que as pessoas parecem buscar uma involução da humanidade com uma crescente intolerância e violência (física e verbal), uma história sobre pessoas à margem da sociedade lutando contra os mecanismos ciclicamente criados para tolher direitos consegue encontrar uma potência comunicativa fora dos estratagemas do realismo. É mágica que nos conecta à realidade e nos faz olhar para aquilo que nos faz seres humanos: a capacidade de dar, acolher e retribuir afeto.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer:</strong></p>
<p style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/-DTVuQTZr3E" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Colina Escarlate</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2015 19:20:14 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_3799" aria-describedby="caption-attachment-3799" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/mia-crimson-peak.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3799 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/mia-crimson-peak-620x349.jpg" alt="mia-crimson-peak" width="620" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-3799" class="wp-caption-text">Atmosfera: Del Toro explora a estética gótica uma das marcas de toda a sua filmografia</figcaption></figure>
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<p>Se formos enquadrar <i>A Colina Escarlate </i>em um gênero, o filme poderia ser classificado com mais propriedade como um romance de horror ou romance gótico. A força motriz do novo longa de Guillermo Del Toro (<i>O Labirinto do Fauno</i>) são as paixões que mobilizam todos os seus personagens, toda a história é centrada no amor vivido por Edith Cushing (Mia Wasikowska) e Thomas Sharpe (Tom Hiddleston). Contudo, o caminho dos amantes é atravessado por medos da infância, fantasmas, uma casa repleta de segredos e violentos assassinatos, enfim, tudo com o &#8220;gostinho de sangue&#8221; que Del Toro adora. Esta mistura de romance vitoriano e terror, no entanto, funciona parcialmente. Se, por um lado, existe toda uma atmosfera que parece contribuir para as intenções do realizador e sua trama consegue prender o espectador até a metade da sua projeção com manutenção dos segredos por trás da relação entre os irmãos Sharpe (Hiddleston e Jessica Chastain), por outro, Del Toro perde-se na contemplação do seu próprio estilo e oferece ao espectador revelações previsíveis e um romance que não empolga em nenhum momento o público.</p>
<p>Ambientado nos EUA e na Inglaterra do século XIX, <i>A Colina Escarlate </i>traz a história de Edith Cushing (Mia Wasikowska), uma jovem escritora que se apaixona por Thomas Sharpe (Hiddleston), um inglês misterioso que logo ganha a antipatia do pai da moça. Edith insiste na relação e se casa com Sharpe, partindo para a Inglaterra junto com ele e sua fria irmã mais velha, Lucille (Jessica Chastain). Os três passam a morar no casarão da família Sharpe e Edith começa a presenciar eventos sobrenaturais que confirmam premonições que ela teve na infância: o lugar não é nada amistoso e sua vida corre um sério risco se ela permanecer lá.</p>
<figure id="attachment_3800" aria-describedby="caption-attachment-3800" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/film_crimson_peak_1600x900_gallery_1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3800 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/film_crimson_peak_1600x900_gallery_1-620x349.jpg" alt="film_crimson_peak_1600x900_gallery_1" width="620" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-3800" class="wp-caption-text">Destaque: Interpretação de Jessica Chastain é um dos pontos altos do longa</figcaption></figure>
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<p>Talvez a grande &#8220;sacada&#8221; de <i>A Colina Escarlate </i>seja salientar que o mundo dos vivos é muito mais assustador, perigoso e doentio do que o mundo dos mortos, mas o grande problema do filme é lidar com o seu romance central. A história de Edith e Thomas não chega a ser inspiradora e isso é problemático para o filme sobretudo se pensarmos que trata-se do seu grande mote. Apesar de toda a atmosfera gótica que Del Toro sabe oferecer como ninguém ao público, o realizador não consegue sustentar sua história de amor, detectada pela plateia apenas pelas palavras proferidas pelos personagens, jamais ela é de fato sentida por quem está do outro lado da tela.</p>
<p>Tecnicamente, <i>A Colina Escarlate </i>enche os olhos, fazendo do seu visual um dos elementos responsáveis por conferir a atmosfera sombria que virou marca do Del Toro, mas nada que surpreenda. Trata-se de uma variação daquilo que já conhecemos em <i>O Labirinto do Fauno</i>, <i>A Espinha do Diabo </i>e a franquia <i>Hellboy</i>. Sobre o elenco, Mia Wasikowska, Tom Hiddleston e Charlie Hunnam estão corretos em seus respectivos papéis, mas não resta dúvidas ao final da projeção que a grande performance desse longa é a de Jessica Chastain. A despeito das revelações em torno da sua personagem não serem nada surpreendentes, a atriz consegue ser precisa na composição de Lucille, uma mulher que tenta esconder suas obsessões por trás de uma persona fria e austera.</p>
<figure id="attachment_3801" aria-describedby="caption-attachment-3801" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/crimson-peak-10-1500x844.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3801 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/crimson-peak-10-1500x844-620x349.jpg" alt="crimson-peak-10-1500x844" width="620" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-3801" class="wp-caption-text">Calcanhar de Aquiles: Aspecto fundamental da história, romance entre os personagens de Mia Wasikowska e Tom Hiddleston é fraco</figcaption></figure>
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<p>Falhando por uma certa falta de sensibilidade do realizador naquilo que deveria ser mais à flor da pele na história, <i>A Colina Escarlate </i>não é um desastre na carreira de Guillermo Del Toro, trata-se de um filme no qual a sintonia do cineasta não está na mesma frequência da sua narrativa. <i>A Colina Escarlate </i>não evoca a passionalidade que deveria evocar e por vezes fica emperrado no admirável senso estético do realizador. Se em <i>O Labirinto do Fauno </i>ou <i>A Espinha do Diabo</i>, Del Toro soube lidar com o choque entre o universo inocente da infância e os monstros e fantasmas do nosso imaginário, em <i>A Colina Escarlate </i>o romance de Edith e Thomas causa indiferença no espectador e o horror fica somente na exposição visual, sendo poucas vezes sentido. Em suma, falta sensorialidade e sobra estilo.</p>
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