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	<title>Arquivos Grande Sertão - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Grande Sertão - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>28º Festival Cine PE: Grande Sertão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jun 2024 01:52:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por vezes, intenso, emocionante e avassalador. Por vezes, histriônico, descuidado e constrangedor. Grande Sertão, de Guel Arraes e Flávia Lacerda, é uma montanha russa de sensações. Em sua visualidade lavada e cheia de CGI aqui e ali, a intenção desta adaptação de Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, é a de atualizar a discussão sobre questões sociais profundas, do crime e da desigualdade, levando a pauta para o contexto urbano. No entanto, a estética visual é artificial, a escolha pela [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Por vezes, intenso, emocionante e avassalador. Por vezes, histriônico, descuidado e constrangedor. <em>Grande Sertão</em>, de Guel Arraes e Flávia Lacerda, é uma montanha russa de sensações. Em sua visualidade lavada e cheia de CGI aqui e ali, a intenção desta adaptação de <em>Grande Sertão Veredas</em>, de Guimarães Rosa, é a de atualizar a discussão sobre questões sociais profundas, do crime e da desigualdade, levando a pauta para o contexto urbano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a estética visual é artificial, a escolha pela manutenção da linguagem original do livro não bate com a qualidade do trabalho de todo o elenco e a direção esquece de criar ritmo para a produção. </span><span style="font-weight: 400;">Mais uma vez, esta que vos escreve precisa lembrar para o mundo que o frenesi das batalhas e das emoções dilacerantes só podem ser sentidos pela plateia caso hajam contrastes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A aceleração incessante dissolve o estabelecimento de tensão, que parece ser o que Arraes e Lacerda desejam. </span><span style="font-weight: 400;"> A decupagem e a mise-en-scène exploram todos os níveis, campos, ângulos e movimentos – incluindo o uso do Dolly Zoom, que é um efeito sensacional, mas nem sempre necessário –, o que é bom e ruim ao mesmo tempo, porque a</span><span style="font-weight: 400;"> inventividade dos cineastas envolvidos na produção é nítida, cristalina, mas a utilização frenética de recursos afasta a equipe do longa-metragem do mais importante aqui: a narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sessão se transforma em exaustiva, as personagens perdem a força e o tom elevado ganha espaço. Não há organicidade na tela. Há uma suposta vontade em mostrar, em criar algo novo e criativo., porém sem gradação, no vazio do entregar por entregar, para dizer que fizeram algo novo &#8211; que nem é tão novo assim. Nessa trajetória torta, o foco principal se esvai. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É bastante complicado criar empatia com as personagens, por exemplo. </span><span style="font-weight: 400;">Sem torcer por alguém, ou quase ninguém, o desafio de chegar até o final da exibição se intensifica, principalmente em termos de escrita. </span><span style="font-weight: 400;">A manutenção das estruturas da obra original, versus a inabilidade de alguns atores de dar conta desta estilística, influencia diretamente nesta impressão de artificial, entediante e, ainda, é pretensiosa.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18274" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-2.png" alt="Grande Sertão" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-2.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-2-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-2-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa carga, porém, tem dois pólos. De um lado, Caio Blat, Eduardo Sterblitch e Luís Miranda, procurando encontrar uma fisicalidade e vozes para seus papéis, que se encaixem na dinâmica do longa, mas que não percam a qualidade básica de construção. </span><span style="font-weight: 400;">Não importa se estamos falando de qualquer tipo de estética e linguagem ou de formato, seja no cinema, no teatro, na TV, comédia, tragédia etc., existe a verdade da personagem e é nessa onda que o intérprete precisa mergulhar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto mais externalizado, mais é notável sua falta de coesão com a obra. Caio, Eduardo e Luís não. Eles dão o tom farsesco e convocam o corpo não cotidiano para a cena – são os que mais fazem isso, inclusive –, mas o sentido geral da produção permanece e isso faz com que suas ações e textos verbais façam sentido e sejam críveis. </span><span style="font-weight: 400;">Do outro lado, temos Rodrigo Lombardi e Luísa Arraes, que fazem seus papeis de fora para dentro, em uma externalização que evoca mais uma representação do que uma interpretação, de fato.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Em algumas sequências, como na com Diadorim ensinando Riobaldo a atirar, o constrangimento pode se espalhar pelo corpo. Não há um gesto, movimentação ou fiscalização de Luísa que não seja preenchida de micromovimentos sujos, que ocorrem porque ela subestima a plateia e se desespera em demarcar que ela não performando feminilidade, mais do que se conectar com a trajetória de Diadorim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro de toda essa lógica caótica, é admirável a tentativa de atualizar o discurso de Guimarães Rosa &#8211; que revela que ainda somos os mesmos -, é a admirável a tentativa de criar um épico eletrizante e é admirável que a distribuidora tenha tido coragem de lançar o longa. Ainda assim, é uma pena ver tantos talentos desperdiçados e gastar quase 2h de vida para consumir uma obra tão engessada e caótica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Guel Arraes, Flávia Lacerda</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Caio Blat, Luísa Arraes, Luís Miranda</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/O9Q-6VSzQCw?si=wCYxvpa1SDXHRena" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Grande Sertão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 May 2024 12:45:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fora das telonas por mais de uma década, Guel Arraes (O Auto da Compadecida, de 2000, e O Bem Amado, de 2010) retorna aos cinemas com seu mais novo filme. Grande Sertão, inspirado no livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, foi dirigido pelo cineasta pernambucano e co-escrito por ele e Jorge Furtado (Vai Dar Nada, de 2022).  Assim, o longa-metragem da Paranoïd Filmes em coprodução com a Globo Filmes marca esse momento de Guel voltando a fazer seu [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Fora das telonas por mais de uma década, Guel Arraes (<em>O Auto da Compadecida</em>, de 2000, e <em>O Bem Amado, de 2010</em>) retorna aos cinemas com seu mais novo filme. <em><strong>Grande Sertão</strong></em>, inspirado no livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, foi dirigido pelo cineasta pernambucano e co-escrito por ele e Jorge Furtado (<em>Vai Dar Nada</em>, de 2022).  Assim, o longa-metragem da Paranoïd Filmes em coprodução com a Globo Filmes marca esse momento de Guel voltando a fazer seu cinema fantástico e sensível.</p>
<p>Com estreia marcada nos cinemas brasileiros para esta quinta-feira (30), <strong><em>Grande Sertão</em></strong> transforma o texto modernista de Guimarães Rosa e remonta a história em um futuro distópico sobre a periferia urbana. Essa mudança, por si só, já é um risco que merece ser observado. Adaptar um clássico literário e deslocar completamente a sua história e seu tempo é uma difícil e delicada missão. Por um lado, essa atualização vestida de fantasia futurista é extremamente interessante por dialogar ainda mais com temas sociais atuais. Por outro, gera um certo estranhamento ao deslocar uma história tão sertaneja para algo tão eixo Rio-São Paulo.</p>
<p>A escolha dos roteiristas, no entanto, é bem paga por conseguirem imprimir o resultado visual e textual dessa periferia (ainda mais) refém da violência, do crime e da política. E, para completar as escolhas arriscadas do roteiro, Arraes e Furtado ainda escolhem manter parte do texto original inalterado, o que pode gerar um estranhamento inicial, mas que tem uma força cênica absurda. Por essa razão, <strong><em>Grande Sertão</em></strong> acaba se aproximando de <em>Romeu + Julieta (1996)</em>, de Baz Luhrmann (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><em>Elvis</em></a>, de 2022). A diferença entre as duas obras é que, no longa de Guel Arraes, a inserção desse texto mais clássico é incorporada de uma forma mais eficaz e convincente &#8211; mérito também do elenco extraordinário.</p>
<p>Com esse texto e pano de fundo, Guel pôde fazer o que faz de melhor: mergulhar no fantástico. A filmografia do diretor pernambucano sempre flertou com as possibilidades desse gênero, mas agora, graças ao contexto criado para o filme, Guel conseguiu cair de cabeça nesse universo. O resultado desse mergulho é um trabalho visual extremamente cuidadoso e impactante. Existem cenas que falam por si só e, como já disse Villeneuve (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna-parte-2/"><em>Duna: Parte 2</em></a>, de 2024), no cinema, as imagens devem bastar &#8211; e Guel faz isso como ninguém em <em><strong>Grande Sertão</strong></em>.</p>
<figure id="attachment_18202" aria-describedby="caption-attachment-18202" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-18202 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-750x500.jpg" alt="Grande Sertão (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18202" class="wp-caption-text">Eduardo Sterblitch em cena de &#8216;Grande Sertão&#8217; (2023) | Foto: Divulgação/Helena Barreto</figcaption></figure>
<p>Existe uma teatralidade e espetacularização em cena que só Guel consegue criar. Assim como vemos em filmes anteriores do diretor, existe um quê de exagero milimetricamente calculado, que compõe e guia a narrativa e suas performances. E é justamente nesse campo que o elenco e os departamentos de fotografia e arte conseguem brilhar. <em><strong>Grande Sertão</strong></em> é uma produção que chama atenção. Seja pelo seu texto original, pelas suas escolhas de adaptação ou pelas suas cores e dores em cena. Não há como sair da sessão sem sentir esse impacto.</p>
<p>O elenco é quem complementa e coloca em cena esse universo distópico-fantástico. Com conhecidos nomes das telinhas e telonas como Luisa Arraes (<em>Aos Teus Olhos</em>, de 2017), Caio Blat (<em>O Debate</em>, de 2022), Rodrigo Lombardi (<em>Carcereiros: O Filme</em>, de 2019), Luis Miranda (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-pai-o-2/"><em>Ó Paí, Ó 2</em></a>, de 2023) e Eduardo Sterblitch (<em>Dois é Demais em Orlando</em>, de 2024), as performances merecem uma atenção especial. Sob essa rege da teatralidade tão gueliniana, os artistas entregam cenas com emoções viscerais. É palpável cada dor e conquista vista em tela. Essa troca só engrandece ainda mais o texto e o resultado de <strong><em>Grande Sertão</em></strong>.</p>
<p>É preciso, portanto, pontuar algumas pessoas que se destacam no elenco. Mariana Nunes (<em>Alemão 2</em>, de 2022), apesar de ter uma rápida participação, consegue entregar uma performance de tirar o fôlego. Ao seu lado, narrativamente e cenicamente falando, está Blat que brilha como Riobaldo, especialmente nos segmentos sobre o futuro em <strong><em>Grande Sertão</em></strong>. O público se encanta e teme, porém, pelos personagens vividos por Miranda e Sterblitch. Os dois no campo no vilania, cada um com suas camadas de desejos e anseios &#8211; e até com momentos de redenção -, ambos personagens chamam o público para uma conexão imediata (ainda que essa seja de repulsa).</p>
<p>A força do elenco em cena é a responsável por concretizar toda a parte técnica e a direção. A materialidade expressa pelos trechos originais do texto ou criada por determinado cenário, fotografia e enquadramento são resultado dessa cooperação completa da produção. <strong><em>Grande Sertão</em></strong> conta com uma força expressiva arrebatadora e esse é o seu maior diferencial. Faz, por momentos, até mesmo com que o espectador mais atento (ou talvez, preocupado) esqueça do sequestro da história para uma periferia que parece estar localizada no Rio de Janeiro. Seja como for essa dinâmica entre-espectador-filme, uma coisa é certa: o longa não vai ser facilmente esquecido por quem o assiste.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guel Arraes</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Luisa Arraes, Caio Blat , Rodrigo Lombardi, Luis Miranda, Mariana Nunes, Lucas Oranmian e Eduardo Sterblitch</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/O9Q-6VSzQCw?si=BqF3spAaoVWeP8X3" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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