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	<title>Arquivos Gillian Jacobs - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Rua do Medo: 1666 – Parte 3</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Aug 2021 14:12:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Após dois filmes instaurando todos os mistérios a cerca do universo amaldiçoado de Shadyside, a Netflix lança a parte final da trilogia Rua do Medo, com Rua do Medo: 1666 – Parte 3. É curioso observar aqui como foram evocadas duas narrativas distintas. A primeira é onde são revelados os acontecimentos da vida pregressa da suposta bruxa Sarah Fier, em 1666. A segunda é o retorno para o ano de 1994 e toda a conclusão da história. É possível elaborar [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Após dois filmes instaurando todos os mistérios a cerca do universo amaldiçoado de Shadyside, a Netflix lança a parte final da trilogia <em>Rua do Medo</em>, com <em><strong>Rua do Medo: 1666 – Parte 3</strong></em>. É curioso observar aqui como foram evocadas duas narrativas distintas. A primeira é onde são revelados os acontecimentos da vida pregressa da suposta bruxa Sarah Fier, em 1666. A segunda é o retorno para o ano de 1994 e toda a conclusão da história. É possível elaborar dois pontos de vistas para argumentar sobre o filme.</p>
<p>Uma questão forte é esta duplicação de enredo que acaba por trazer dois longas bem diferentes. Se em 1666 encontra-se uma trama coesa, com ritmo e progressão, bem como uma boa apresentação de personagens e desenvolvimento delas, em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rua-do-medo-1994-parte-1/"><em>Rua do Medo: 1994 – Parte I</em></a>, tudo parece corrido e apressado para dar conta de finalizar a obra. Desta maneira, há um resultado irregular e é complicado avaliar a produção negativamente por sua qualidade técnica e discursiva presentes na metade um. Todavia, é inegável a queda qualitativa a partir do retorno para os anos 1990.</p>
<p>No entanto, é apropriado ressaltar alguns elementos bem realizados. A coesão do elenco é um delas. A forma como os intérpretes, que apareceram nas sequências anteriores, criam novos papéis, trazendo novas personalidades e características marcantes, é bastante forte. Toda a construção para contar quem eram aquelas figuras, fundadoras de Shadyside, e como elas seriam peças fundamentais para toda a realidade da cidade posteriormente é significativa, pois os textos são ditos com entonações que pontuam momentos cruciais, sem deixar as cenas artificiais. Além disso, alguns traços de suas personagens anteriormente permanecem, o que mantém a empatia criada pelo público.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14358" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/rua-do-medo-parte-3-plano-critico.jpg" alt="Rua do Medo: 1666 – Parte 3" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/rua-do-medo-parte-3-plano-critico.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/rua-do-medo-parte-3-plano-critico-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/rua-do-medo-parte-3-plano-critico-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/rua-do-medo-parte-3-plano-critico-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Outro fator importante é a parte técnica, vista no período de 1666. A decupagem fomenta os elementos de tensão, sobretudo por esta terceira parte ser menos sanguinolenta e quase sem <em>jumpscares.</em> A fotografia combinada com a arte e a direção tornam o ambiente soturno e perturbador, através de cores azuladas, do trabalho com sombras e a caracterização das personagens. O jogo entre quem parece externamente sujo e limpo fomenta a complexidade das situações e do olhar do espectador para aqueles habitantes do vilarejo misterioso. Por fim, ainda, existe algo ainda mais impressionante aqui.</p>
<p>A escolha da trajetória e morte de Sarah Fier é um grande impacto não apenas para o gênero terror como para o cinema como um todo. Além da representatividade impressa em 1994 e 1978 – seja pela protagonista sáfica, pelo <em>ship</em> central ser LGBTQIAP+, pelas personagens negras em destaque ou pelas mulheres fortes que assumem todo o desenvolvimento narrativo etc –, em 1666 a decisão de trazer como vilão um homem branco que, no auge de seus privilégios, se livra da culpa pelo pacto do diabo e faz uma garota lésbica morrer enforcada é, sem dúvidas um <em>plot twist</em> que apresenta consigo uma mensagem intensa.</p>
<p>O reforço disto vem com a sua conclusão, no qual o bem vence o mal, criando uma atmosfera utópica e esperançosa para se pensar os rumos da sociedade. Há uma discussão, tanto na academia, como na cinefilia e nos espaços artísticos e culturais, sobre o universo das artes, sobre se a vida a imita ou vice-versa. Contudo, independentemente da resposta para esse dilema, ver novos caminhos – um tanto mais condizentes com a realidade, inclusive – é um respiro e um ato que merece ser repetido, principalmente quando se analisa como o fim de mulheres sáficas em obras audiovisuais tendem a ser trágicos e infelizes.</p>
<p>Desta forma, é uma pena que <em><strong>Rua do Medo: 1666 – Parte 3</strong></em> não consiga segurar o rojão da sua virada em seu regresso para 1994 e possua tanta pressa para contar tudo de uma vez. Em sua ambição em percorrer diversas épocas, faltou nele amarrar mais apropriadamente seu desenlace, para que o encerramento fosse menos abrupto. No entanto, ele e toda sua franquia merecem ser assistidos, seja pelas homenagens ao terror, pelas seleções progressistas ou, meramente, por ser divertido, no final das contas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Leigh Janiak</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Kiana Madeira, Olivia Scott Welch, Gillian Jacobs</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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