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	<title>Arquivos Frances McDormand - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Frances McDormand - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: A Tragédia de Macbeth (Apple TV+)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jan 2022 13:45:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Macbeth é uma das tragédias mais famosas do mundo inteiro. Escrita por William Shakespeare, no período do teatro elisabetano, a peça já foi remontada incontáveis vezes e, obviamente, adaptada para o cinema também. Diretores como Orson Welles (1948), Akira Kurosawa (1957) e Roman Polanski (1971) entregaram as suas intensas versões da obra, no século XX. Agora, é a vez de Joel Coen (Bravura Indômita) – que dirige e roteiriza A Tragédia de Macbeth – trazer a sua visão sobre uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Macbeth</strong> é uma das tragédias mais famosas do mundo inteiro. Escrita por William Shakespeare, no período do teatro elisabetano, a peça já foi remontada incontáveis vezes e, obviamente, adaptada para o cinema também. Diretores como Orson Welles (1948), Akira Kurosawa (1957) e Roman Polanski (1971) entregaram as suas intensas versões da obra, no século XX. Agora, é a vez de Joel Coen (<em>Bravura Indômita</em>) – que dirige e roteiriza <em><strong>A Tragédia de Macbeth</strong></em> – trazer a sua visão sobre uma história tão emblemática e forte.</p>
<p>Com tanto peso e vigor que parece sair das páginas de Shakespeare, é curioso observar a leveza que Coen imprime na tela. Em preto e branco e com uma névoa presente quase a projeção inteira, são as personagens e o que elas têm a dizer que ganham destaque aqui.  A direção é assertiva e está ali a serviço dos intérpretes que, com suas caminhadas e gestos meticulosamente marcados, são quem criam a maioria das movimentações. Um exemplo é a sequência na qual Lady Macbeth (Frances McDormand) está no fundo do quadro, em um plano geral.</p>
<p>Enquanto McDormand caminha, é como se o quadro fosse fechando, até ficar em close. Esta estratégia não é nova, porém neste contexto é destacável, pois se trata de uma produção shakesperiana, que consegue, assim, englobar a teatralidade, juntamente com a técnica cinematográfica. Isto porque o foco é o texto e a atuação em cima dele. A câmera de Coen parece observar atentamente as ações filmadas, deixando que a seleção do tamanho dos quadros e que a mise-en-scène sejam pensadas para dar destaque ao que precisa ser mostrado: as emoções das personagens, a sordidez de seus atos e o grau de intimidade que possuem.</p>
<p>Desta maneira, o cenário contribui para fomentar a forma como esta narrativa será transmitida. Existem dois aspectos marcantes neste sentido. O primeiro é o fato da cenografia remeter ao que se é feito em um palco teatral, pois, novamente, direciona o foco para as interpretações e para outras sensações presentes na dramaturgia de <em>Macbeth</em>, como a fragilidade e artificialidade das relações. A segunda é a escolha de se pautar na geometria para pensar todo o espaço cênico.</p>
<p>A lógica da perspectiva joga com a profundidade dos locais, principalmente nas sequências de encontros entre o Macbeth (Denzel Washington) e a Lady. É como se o espectador de <em><strong>A Tragédia de Macbeth </strong></em>conseguisse ir fundo na trama, no que a dupla esconde e planeja a cada ato escuso. Ao mesmo tempo, ao redor deles e todos os coadjuvantes que os cercam, estão as formas geométricas literalmente. Quadrados, retângulos e arcos fazem os sentidos borbulharem na tela e aumentam as possibilidades de construção dos papéis dentro do longa-metragem.</p>
<p>Quem está em posição de fragilidade? E de poder? Quem mente ou quem está cercado? Ao tempo, o recurso também configura a clausura ainda mais intensificada de alguma figura dramática* ou um destaque para ela. Com a razão de aspecto mais restrita (4&#215;3), quando os quadrados surgem no ecrã, eles se sobressaem ainda mais, como na última aparição das três bruxas, num contra-plongée. Macbeth, aqui, já está esmagado por suas ações e quase sem escapatória, ainda que sem notar a proximidade de sua derrota.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15136" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/A-Tragedia-de-Macbeth-O-Rei-Duncan-e-o-seu-sequito.jpg" alt="A Tragédia de Macbeth" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/A-Tragedia-de-Macbeth-O-Rei-Duncan-e-o-seu-sequito.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/A-Tragedia-de-Macbeth-O-Rei-Duncan-e-o-seu-sequito-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/A-Tragedia-de-Macbeth-O-Rei-Duncan-e-o-seu-sequito-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/A-Tragedia-de-Macbeth-O-Rei-Duncan-e-o-seu-sequito-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>São nestes caminhos que Joel e seu diretor de fotografia, Bruno Delbonnel (<em>Eterno Amor</em>), conseguem ampliar os significados transmitidos no filme. Bruno, ainda, trabalha a iluminação com sagacidade, também investido na investigação dos sentimentos e intenções das personagens, bem como na conferência de poder e a sua ausência. Onde a luminosidade estará alocada é uma pista do quão perdido, bem ou mal estão todes.</p>
<p>Por fim, mas não menos relevante, pode-se apontar as interpretações de Frances McDormand (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nomadland/"><em>Nomadland</em></a>) e Denzel Washington (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-limite-entre-nos/"><em>Um Limite entre Nós</em></a>) em <em><strong>A Tragédia de Macbeth</strong></em>. Ambos demonstram uma consciência espacial e corporal ao tensionar os músculos corretos e ao se deslocarem com bastante precisão. O corpo trágico possui as suas especificidades e o tônus da cintura para cima é uma delas.</p>
<p>Com as tensões postas nos lugares exatos, com olhares que mal piscam e uma tonalidade na fala, que mescla imponência e pavor, a dupla capta a complexidade do casal Macbeth. Há um jogo de velocidades na forma de dizer o texto, que diversas vezes está quase “cuspido”, juntamente com os passos lentos, corpo retilíneo e teso que os deixam com mais camadas.</p>
<p>É neste trabalho de Frances e Denzel que o público pode captar o caráter dos Macbeth e como eles são pérfidos e cruéis. O que eles sentem não combina com o que eles expõem para os inimigos, nem mesmo na morte, nem mesmo na loucura derradeira. Ainda assim, falta um pouco de tempo para que a dinâmica entre o casal ganhe um contorno maior. Talvez, este seja um dos poucos defeitos do longa, a presença menor da Macbeth e da Lady arquitetando na serenidade e menos no caos.</p>
<p>A loucura dos Macbeth é progressiva, bem como o desespero que vai se instalando na trajetória dele. Aqui não, ela está constante, desde o início da exibição e poderia ganhar uma subida, porque da forma como Joel a adapta em seu texto, a derrota deles já está anunciada e o triunfo soa passageiro demais. Além disso, na metade de <em><strong>A Tragédia de Macbeth</strong></em>, alguns efeitos ficam repetitivos, como as caminhadas para a mudança do enquadramento. Contudo, estas questões não comprometem a totalidade da produção.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Joel Coen</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Denzel Washington, Frances McDormand, Brendan Gleeson.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/0exRGGBDKoM" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>*Dramático aqui no sentido aristotélico.</p>
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		<title>Crítica: Nomadland</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Apr 2021 16:32:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A busca reflexiva sobre novos propósitos, depois que a vida te impõe grandes e impactantes mudanças. Esta é a premissa de Nomadland, filme que conta com seis indicações ao Oscar 2021 (Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Montagem). Com a Frances McDormand (Três Anúncios Para Um Crime) no papel principal, este é um longa que merece toda a sua atenção pelo cuidado e qualidade do roteiro. Fern é uma mulher de 60 anos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A busca reflexiva sobre novos propósitos, depois que a vida te impõe grandes e impactantes mudanças. Esta é a premissa de <em><strong>Nomadland</strong></em>, filme que conta com seis indicações ao <a href="https://coisadecinefilo.com.br/confira-a-lista-completa-de-indicados-ao-oscar-2021/"><em>Oscar 2021</em></a> (Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Montagem). Com a Frances McDormand (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tres-anuncios-para-um-crime/"><em>Três Anúncios Para Um Crime</em></a>) no papel principal, este é um longa que merece toda a sua atenção pelo cuidado e qualidade do roteiro.</p>
<p>Fern é uma mulher de 60 anos que foi demitida com o fechamento de uma grande empresa durante o colapso econômico de uma cidade na zona rural de Nevada, além de ainda lidar com o luto da morte do marido, seu companheiro de vida. Sem perspectiva do futuro, ela agora mora em sua van e decide levar uma vida nômade, experimentando novas possibilidades que vão surgindo ao longo da estrada. E é ao longo desta estrada que vamos conhecendo as nuances da personagem, suas demandas e anseios, e o que a vida reserva para ela à cada curva.</p>
<p>O roteiro e direção da novata Chloé Zhao são completamente contrários a ideia de que experiência é fundamental na construção de uma boa obra. Ela imerge o espectador numa aura de autoconhecimento e descoberta, como se estivéssemos dentro das reflexões que a personagem vai tendo ao longa da sua viagem sem ponto final. Compreendemos a falta de expectativa e tão longo não sentimos mais a necessidade de um grande ápice na história.</p>
<p>Zhao toma decisões muito acertadas ao insinuar certos caminhos na trama, mas sem necessariamente tomá-los. O foco ali, o tempo todo, é a jornada de Fern e não um objetivo específico a ser alcançado. A medida que a história evolui, entendemos um pouco mais sobre o estilo de vida nômade, que é relativamente comum nos Estados Unidos, especialmente pela existência mais massiva de trailers que facilitam a vida na estrada. <em><strong>Nomadland</strong> </em>(que pode ser traduzido como &#8220;lugar nenhum&#8221;) tenta traçar o perfil das pessoas que escolhem este modelo de residência e o que as levas até ali. Além de normalizar e tirar o estereótipo que porventura possamos ter sobre os nômades modernos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14007" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/nomadland-filme-estados-unidos.jpg" alt="Nomadland" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/nomadland-filme-estados-unidos.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/nomadland-filme-estados-unidos-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/nomadland-filme-estados-unidos-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/nomadland-filme-estados-unidos-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Na imersão que temos com Fern, seu jeito pacato e pouco efusivo, compreendemos suas emoções como mais contidas, mas não menos intensas. Ela vai mostrando sua personalidade e vontades a medida que vai se conhecendo e assumindo suas demandas. Frances faz um trabalho extraordinário de equilibrar a leveza de personagem com o peso do luto, a tensão da ausência de rumo inicial, etc. É um papel que parece que foi criado para ela e se beneficiou 100% por essa combinação. Ela reina absoluta pela trama, onde alguns coadjuvantes vão surgindo e passando, assim como os cenários da estrada.</p>
<p>Cenários esses que funcionam como um outro personagem em <strong><em>Nomadland</em></strong>. Não é à toa que recebeu indicação de Melhor Fotografia. Todas as paisagens que surgem no caminho de Fern são inseridos na trama de modo a complementar as emoções que estão sendo vivenciadas pela protagonista. Um trabalho impecável do começo ao fim.</p>
<p>Vale ressaltar que o longa já ganhou nas categorias de Melhor Filme de Drama e Melhor Direção no <a href="https://coisadecinefilo.com.br/confira-a-lista-completa-de-vencedores-do-globo-de-ouro-2021/"><em>Globo de Ouro</em></a>. Então é com boa expectativa que aguardamos o reconhecimento dele no Oscar deste ano, mesmo que não seja exatamente o favorito. Ele ainda não está disponível nas plataformas de streaming, mas logo será lançado para locação.</p>
<p>Com seu clima mais monótono de construção de trama, <em><strong>Nomadland</strong> </em>é uma excelente análise sobre a vida do nômade moderno e a jornada de autoconhecimento de uma mulher de meia idade. O que somos? O que queremos da vida? São reflexões que surgem e ficam no personagem e no espectador.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Chloé Zhao<br />
<strong>Elenco:</strong> Frances McDormand, David Strathairn, Gay DeForest, Linda May, Charlene Swankie, Bob Wells, Cat Clifford</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/_nOeh677C8U" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Três Anúncios Para Um Crime</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-tres-anuncios-para-um-crime/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Feb 2018 18:31:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Três Anúncios Para Um Crime, uma mãe revoltada com a falta de interesse da polícia em resolver a morte de sua filha coloca três outdoors na estrada falando sobre o crime e citando o nome do xerife da cidade. Ela acaba causando o maior alvoroço no pequeno município, chamando a atenção não apenas para aquele caso, como para outras questões inerentes àquela sociedade. Frances McDormand vive a protagonista Mildred Hayes. Aliás, o faz de maneira formidável. Toda a brutalidade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em>Três Anúncios Para Um Crime</em>, uma mãe revoltada com a falta de interesse da polícia em resolver a morte de sua filha coloca três outdoors na estrada falando sobre o crime e citando o nome do xerife da cidade. Ela acaba causando o maior alvoroço no pequeno município, chamando a atenção não apenas para aquele caso, como para outras questões inerentes àquela sociedade.</p>
<p>Frances McDormand vive a protagonista Mildred Hayes. Aliás, o faz de maneira formidável. Toda a brutalidade necessária para aquela mãe, assim como a suavidade de seu sofrimento, são explorados muito bem por Frances, cena após cena deste filme que prende o espectador com muita facilidade. Ela traz muita força para Mildred.</p>
<p>Não apenas a história é interessante e cativante, como a maneira como a narrativa é conduzida. O enredo vai crescendo de maneira gradativa e bem explicada, dando cada ponto nos personagens, sem deixar nenhum fio solto. Não é à toa que o longa foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Aliás, <em>Três Anúncios Para Um Crime</em> acumula boas indicações, como Melhor Filme, Melhor Atriz para Frances, Melhor Ator Coadjuvante para Woody Harrelson e Sam Rockwell, além de Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora Original.</p>
<p>O roteiro conduz a história com um toque de humor negro. Apesar de uma temática pesada e cenas fortes, o espectador consegue rir (às vezes um pouco de desespero, sim). É preciso dar destaque à Woody Harrelson. Ele vive o xerife da cidade que é acusado por Mildred e intensifica cada momento do personagem com maestria. Vale muito a indicação ao Oscar, assim como Sam Rockwell, que vive o instável policial preconceituoso, que tem uma reviravolta importante na trama.</p>
<p>Aliás, o filme mostra muito a importância de desfecho de um tema, mas também como a vingança não dá conforto à ninguém e ainda pode piorar as coisas. É deixado claro em muito momentos como o ódio só alimenta mais ódio e as questões não serão resolvidas por esse sentimento. Embora tenha uma lição muito importante no filme, esse não é o propósito primordial dele. O que torna tudo muito melhor e menos forçado.</p>
<p>Ainda que muito equilibrado, com roteiro bom e elenco coeso, a alma do filme é realmente Frances McDormand, que respira cada segundo da dor da personagem e seus sentimentos mais fortes. Escolha fundamental para o produto final, que é incrível. Vale cada indicação ao Oscar!</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/DaG5ICpyGDM" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Ave, César!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Apr 2016 20:27:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O cinema dos irmãos Joel e Ethan Coen é daquele tipo que possui características tão constantes que até mesmo o público eventual consegue reconhecer as marcas dos títulos do diretor se ao menos teve contato com um de seus filmes. Do irônico, discreto e corrosivo humor com que os cineastas constroem os seus personagens e as situações nas quais eles são inseridos, até às suas incisivas críticas a valores e ciclos da sociedade norte-americana, filmes como Fargo, O Grande Lebowski, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O cinema dos irmãos Joel e Ethan Coen é daquele tipo que possui características tão constantes que até mesmo o público eventual consegue reconhecer as marcas dos títulos do diretor se ao menos teve contato com um de seus filmes. Do irônico, discreto e corrosivo humor com que os cineastas constroem os seus personagens e as situações nas quais eles são inseridos, até às suas incisivas críticas a valores e ciclos da sociedade norte-americana, filmes como <i>Fargo</i>, <i>O Grande Lebowski</i>, <i>Inside Llewyn Davis &#8211; Balada de um Homem Comum</i> e até empreitadas mais &#8220;sérias&#8221; dos realizadores como o vencedor do Oscar <i>Onde os fracos não têm vez </i>são títulos unificados e singularizados na recente filmografia norte-americana por apresentarem propostas estilísticas e narrativas bem peculiares dos diretores. <i>Ave, César!</i>, mais recente longa da dupla, claro, segue o mesmo caminho. Portanto, não decepciona em nada os fãs dos cineastas.</p>
<p>No filme, os Coen nos insere nos bastidores do cotidiano dos estúdios de cinema Capitol Pictures na Hollywood dos anos de 1950. Em meio às filmagens de produções grandiosas da época de ouro do cinema norte-americano e o temperamento instável de estrelas e diretores de cinema, acompanhamos a rotina de Edward Mannix (vivido por Josh Brolin), &#8220;cabeça&#8221; do estúdio que, entre suas várias funções, afasta as principais atrações da casa de escândalos midiáticos que possam arruinar suas carreiras e manchar a imagem da Capitol Pictures. Acontece que Mannix não terá um dia de trabalho nada fácil quando descobre que o famoso astro da produção épica &#8220;Ave, César!&#8221;, cujas filmagens estão em andamento, desapareceu misteriosamente após uma ação bem sucedida de uma organização secreta chamada &#8220;Futuro&#8221;.</p>
<p>Funcionando muito bem em duas frentes específicas, a comédia e o suspense policial (ambos adaptados às perspectivas que os cineastas possuem dos dois gêneros, claro), <i>Ave, César! </i>é uma verdadeira ode ao cinema do período que pretende retratar. Além dos gêneros com os quais sua trama central dialoga, <i>Ave, César! </i>oferece ao espectador uma compilação de homenagens interessantes a produções populares do período, como os <i>westerns</i>, os musicais com sapateado, os épicos históricos/religiosos, os melodramas, os filmes com acrobacias e coreografias aquáticas etc. Tudo está em <i>Ave, César! </i>na medida em que acompanhamos a rotina da Capitol Pictures em sequências produzidas com disciplina pelos Coen (cujo estudo de elementos como a fotografia, o tipo de performance dos atores etc. é visível na execução dessas cenas), que contam com o suporte do competente diretor de fotografia Roger Deakins, da equipe de direção de arte e dos figurinos de Mary Zophres.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5899" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/04/HAIL-CAESAR-12Outubro2015-3.jpg" alt="HAIL-CAESAR-12Outubro2015-3" width="610" height="348" /></p>
<p>Acontece que tudo isso é adorno &#8211; um belíssimo e interessante adorno, é preciso reconhecer &#8211; diante do que parece ser a força motriz de <i>Ave, César!</i>. Através da sua trama policial, os Coen, com a inteligência e perspicácia que lhes são peculiares, nos insere em uma rede de conspirações a respeito dos &#8220;braços&#8221; comunistas que se &#8220;infiltraram&#8221; nos estúdios naquela época, os roteiristas. Nesse mesmo ano, o tema foi tratado no filme que rendeu uma indicação ao Oscar para Bryan Cranston, <i>Trumbo</i>, de uma maneira bem burocrática, é verdade, mas em <i>Ave, César! </i>ganha um tratamento mais interessante e inusitado. A fusão entre a homenagem à era de ouro de Hollywood e o deboche dos realizadores com a paranoia comunista que tomou conta dos EUA naquele período faz de <i>Ave, César! </i>um interessante mosaico sobre a produção cinematográfica do período, mas também da sociedade norte-americana da época e o do <i>modus operandi </i>dos estúdios de cinema.</p>
<p>Com um elenco muito bem em cena, composto por antigos colaboradores dos diretores, como George Clooney (funcionando sempre na medida para os tipos que os realizadores costumam escalá-lo), Josh Brolin, Scarlett Johansson (cada vez mais saindo da moldura na qual foi colocada nos primeiros anos da sua carreira), Frances McDormand e Tilda Swinton, como também novas adições em seus currículos, é o caso de Ralph Fiennes, Christopher Lambert (!!!!), Jonah Hill e Channing Tatum (excelente em sua breve mas importante participação), o destaque ficou para o novato do grupo, o jovem ator de nome praticamente impronunciável, Alden Ehrenreich, conhecido por sua participação em <i>Tetro</i>, filme de Francis Ford Coppola de 2009. Ehrenreich interpreta uma jovem estrela de <i>westerns</i>, marcada por sua inocência e pela sua dificuldade de interpretar, mas que passa a ser a &#8220;galinha dos ovos de ouro&#8221; da Capitol Pictures dirigida pelo personagem de Josh Brolin. Alden Ehrenreich faz um tipo interessante que não só funciona bem no universo dos Coen, atuando na mesma voltagem dos restante dos personagens do filme, como também consegue conferir uma dimensão humana ao criar uma forte empatia com o público desde a sua primeira sequência.</p>
<p>Entre a reverência à antiga Hollywood e a crítica à paranoia comunista, <i>Ave, César! </i>consegue ser mais um acerto de Joel e Ethan Coen. Nada fora da curva, mas nem precisava ser. O filme é coerente com tudo o que os realizadores têm feito até aqui com seus comentários irônicos sobre a sociedade americana e com suas apropriações bem particulares da gramática cinematográfica. É preciso ter muito fôlego, coragem e repertório para chegar tão longe e com tanta maturidade na constância produtiva que os Coen vêm apresentando desde que surgiram no cinema e <i>Ave, César! </i>é outro momento muito bom dos realizadores.</p>
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		<title>Assista ao trailer de Hail, Caesar!, novo filme dos Coen com grande elenco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2015 17:31:51 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/85342243_everest.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-3788" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/85342243_everest-620x305.jpg" alt="_85342243_everest" width="620" height="305" /></a></p>
<p>Previsto para estrear no primeiro semestre de 2016, a nova comédia dos irmãos Coen <strong><em>Hail, Caesar!</em> </strong>acaba de ganhar o seu primeiro trailer. No longa, Clooney vive um homem especializado em proteger celebridades de escândalos da imprensa na Hollywood da década de 1950. Ele é contratado pelos grandes estúdios, interessados em não sujar a carreira dos seus filmes com notícias negativas sobre as suas principais estrelas.</p>
<p>Entre velhos conhecidos e novas parcerias dos realizadores, o trailer de <em>Hail, Caesar!</em> dá o devido destaque ao seu elenco de atores do primeiro escalão do cinema: George Clooney, Scarlett Johansson, Tilda Swinton, Josh Brolin, Channing Tatum, Ralph Fiennes, Frances McDormand e Jonah Hill.</p>
<p>O filme tem previsão de chegar aos cinemas brasileiros em fevereiro de 2016.</p>
<p>Veja o trailer abaixo:</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/kMqeoW3XRa0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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