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	<title>Arquivos Festival do Rio no Telecine - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Festival do Rio no Telecine - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Festival do Rio no Telecine: A Boa Esposa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Aug 2021 17:56:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A sessão de A Boa Esposa já começa com um aviso. Em uma cartela, há aviso contando que alguma mudança intensa acontecerá durante a narrativa. No entanto, não há especificações! As únicas informações precisas que são evocadas são: 1) o maio de 1968 está próximo; 2) ainda existiam as tradicionais escolas francesas, que possuíam o intento de preparar esposas para seus maridos. Assim, o filme mostra de cara qual é a contraposição que ele deseja evocar. Contudo, logo após ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A sessão de <strong><em>A Boa Esposa</em></strong> já começa com um aviso. Em uma cartela, há aviso contando que alguma mudança intensa acontecerá durante a narrativa. No entanto, não há especificações! As únicas informações precisas que são evocadas são: 1) o maio de 1968 está próximo; 2) ainda existiam as tradicionais escolas francesas, que possuíam o intento de preparar esposas para seus maridos. Assim, o filme mostra de cara qual é a contraposição que ele deseja evocar. Contudo, logo após ao texto inicial, há um mergulho intenso naquele mundo banal, que faz parte de todo primeiro ato, deixando no ar, constantemente, quando a ligação de um ponto com o outro irá acontecer.</p>
<p>Entre as angústias das adolescentes condenadas a um matrimônio sem vontade e os ensinamentos cotidianos sobre o lar e os afazeres domésticos, há uma progressão muito sutil empregada ali. As personalidades de cada personagem é impressa fortemente e menos através dos diálogos e mais a partir das imagens. São nos detalhes que elas são construídas, seja no diretor do local que espia as alunas por um quadro ou na freira que fuma enquanto abre as janelas, a composição destas figuras é bem elaborada. Isto porque seus desejos e percepções são explorados, com alguns textos e com o cuidado da direção na mise-en-scène, que permite que a observação das emoções de todos em cena sejam percebidas.</p>
<p>Além disso, as situações postas no começo de <em><strong>A Boa Esposa</strong></em> soam imutáveis para que, depois, avancem e fique nítida a jornada das personagens.  O longa vai transformando cada pessoa dentro do enredo de forma lenta até a sua explosão em seu desfecho. Os absurdos presentes nas falas de Paulette (Juliette Binoche) e Marie-Thérèse (Noémie Lvovsky), por exemplo, vão sendo inundados de bom senso, até que ela e todas as que a cercam rompem com suas amarras. É bem verdade que a produção pode passar uma ideia de que demora a engatar. Esta é uma sensação que ocorre durante a sessão. Mas, após o seu final, o sentido de cada sequência é fomentado, pois é perceptível como o roteiro de Martin Provost (<em>Violette</em>) – também diretor aqui – e Séverine Werba (<em>Cannabis</em>) foi elaborado para que as cenas tivessem dois tipos de momento: o antes do despertar de Paulette e o depois disto. Assim, se ela se sente entediada e violada na cama com o marido, com André (Edouard Baer), o seu antigo amor, tudo é mais leve e iluminado<a href="https://centrodecirurgiagenital.com.br/">.</a></p>
<p>Neste sentido, a direção de Provost em <em><strong>A Boa Esposa</strong></em> contribui para ampliar esta transformação da protagonista, de suas vivências e sua realidade. As movimentações de câmera, os enquadramentos, o uso da luz e até a estilística de seu próprio gênero vão mudando, se tornando mais dinâmicos. O ápice desta estratégia está em seu desfecho, quando todo o elenco feminino performa um número musical, no qual elas cantam sobre romper com as amarras misóginas e machistas da sociedade e caminhar para a libertação. Esta é a grande questão da obra, cada instante sufocante vivido pelas personagens, todas as regras proferidas dentro do rígido e conservador estabelecimento de ensino e a estagnação da vida destas mulheres vai se quebrando e esta descoberta de Paulette vem junto com as mudanças políticas francesas. A forma como todos estes elementos são amarrados por Provost e Werba é o grande ganho aqui.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14414" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/A-Boa-Esposa-filme-critica-resenha-e1624108582733.jpg" alt="A Boa Esposa" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/A-Boa-Esposa-filme-critica-resenha-e1624108582733.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/A-Boa-Esposa-filme-critica-resenha-e1624108582733-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/A-Boa-Esposa-filme-critica-resenha-e1624108582733-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/A-Boa-Esposa-filme-critica-resenha-e1624108582733-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O que poderia ser uma comédia romântica banal – que focasse na redescoberta do amor por Paulette, por exemplo – ou um drama de sessão da tarde – caso o olhar fosse direcionado apenas para os conflitos destas mulheres quase condenadas a uma vida insuportável pela sociedade de seu tempo sem houvesse uma quebra deste aprisionamento –, acaba por ganhar força em sua mescla de abordagens, em sua calma em direcionar as personagens para as suas trocas de pele e na forma como traz a política, mostrando seus efeitos na humanidade de maneira interior e exterior.</p>
<p>Desta maneira, pode-se dizer que <strong><em>A Boa Esposa</em></strong> apresenta um resultado geral coeso. Ainda que demore para revelar até onde irá chegar e qual é o ponto central de seu argumento, em seu desenlace há a recompensa de ter visto jornadas que fazem sentido na trama como um todo, justificando cada posição ocupada por aquelas figuras ficcionais do início ao fim, com uma atenção em não ter pressa para imprimir esta mudança nelas. Para completar, ainda há Binoche, que constrói uma Paulette pudica, tesa e de musculatura enrijecida, até o seu relaxamento total, no qual ela dança, com as expressões faciais leves e um olhar de quem desafia o mundo, gerando uma empatia com a sua Paulette e ampliando o que a obra desejar passar.</p>
<p>Por todo este conjunto, resta esta impressão de que há um chamado forte neste filme. Um grito musicado para quem assiste, para que cada um se mexa, se levante e perceba que não há nenhuma posição ocupada que não possa ser ressignificada. Sempre existe tempo de despertar e tentar quebrar com as estruturas hegemônicas de poder. Ainda que seja sabido que a luta é mais complexa e complicada para alguns grupos e que esta obra soe destinada a uma parte muito específica do público – mulheres brancas –, o convite para fazer ruir o patriarcado branco pode ser sentido por todes.</p>
<p>Há contradições aqui? Como a direção ser de um homem, por exemplo? Sim. Contudo, esta discussão é larga e o que cabe dizer nesta crítica – que já se alongou mais do que deveria – é que <em><strong>A Boa Esposa</strong></em> tem uma coerência técnica e uma potência discursiva, que pode mexer com o espectador e fazer as quase 2 horas de exibição valerem.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Martin Provost</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Juliette Binoche, Noémie Lvovsky, Yolande Moreau</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/uC13o4ezwLA" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Festival do Rio no Telecine: O Mauritano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Aug 2021 13:48:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Baseado na trajetória de Mohamedou Ould Slahi (Tahar Rahim, Maria Madalena), O Mauritano contém um ganho bastante importante quando se pensa na história do cinema mundial. Além de servir com uma recordação eterna dos erros cometidos pelos estadunidenses, ao lidar com os muçulmanos, principalmente depois do 11 de setembro, o filme chega como uma inversão da costumeira lógica de que são os Estados Unidos que irão salvar o dia. Aqui, eles são os vilões. Não à toa, este é um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Baseado na trajetória de Mohamedou Ould Slahi (Tahar Rahim, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-maria-madalena/"><em>Maria Madalena</em></a>), <strong><em>O Mauritano</em></strong> contém um ganho bastante importante quando se pensa na história do cinema mundial. Além de servir com uma recordação eterna dos erros cometidos pelos estadunidenses, ao lidar com os muçulmanos, principalmente depois do 11 de setembro, o filme chega como uma inversão da costumeira lógica de que são os Estados Unidos que irão salvar o dia. Aqui, eles são os vilões. Não à toa, este é um enredo que se pauta na realidade.</p>
<p>Através da decupagem, é possível enxergar o olhar do protagonista para os seus algozes. Ainda que ele não esteja em cena, por meio de planos detalhes e movimentações de câmera – como o <em>travelling in</em>, que passa da fresta da grade até o mar ou na cena do restaurante, com o quadro fechado nos pratos –, os militares e os políticos dos EUA conferem perigo e são demonstrados em toda sua sordidez. De um lado, se vê a pequenez, a insegurança e o abuso do poder de uma nação que se enxerga como dona do mundo, do outro, um cidadão que não pôde, por muito tempo, contar com um julgamento, que sofreu tortura e passou quatorze anos preso.</p>
<p>Entre idas e vindas do sofrimento de Mohamedou, as tentativas das advogadas humanistas Nancy Hollander (Jodie Foster, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-hotel-artemis/"><em>Hotel Artemis</em></a>) e sua parceira de trabalho Teri Duncan (Shailene Woodley, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-ultima-carta-de-amor-netflix/"><em>A Última Carta de Amor</em></a>), que desejam comprovar a ausência de seu envolvimento na queda das Torres Gêmeas, o roteiro, ainda que traga consigo informações relevantes, falha ao não trazer uma narrativa fluída e de ritmo contínuo. A força da trama está majoritariamente em seu início. Ao chegar à sua metade, <strong><em>O Mauritano</em></strong> passa a se tornar repetitivo, com situações semelhantes. Após o estabelecimento da atmosfera e a compreensão dos fatos, talvez o ideal fosse avançar, progressivamente, nos acontecimentos mostrados.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14387" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ir-the-mauritian.jpg" alt="O Mauritano" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ir-the-mauritian.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ir-the-mauritian-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ir-the-mauritian-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/ir-the-mauritian-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>No entanto, o que ocorre é o oposto. Dando voltas para chegar ao ponto central, o julgamento de Mohamedou, no momento no qual o público se depara com o tão esperado momento, tudo precisa ser corrido para que o desfecho chegue. É por esta razão que alguns detalhes necessitam ser amarrados em uma cartela em seu encerramento. Esta é uma solução comum no cinema, porém, ainda que restassem detalhes futuros para complementar o enredo, o esgarçamento temporal anterior, juntamente com a corrida para alcançar sua conclusão, dão uma ideia de que falta uma mão mais certeira para uma seleção mais apropriada do que foi colocado na tela.</p>
<p>Ainda assim, é notável o desempenho da direção, que mescla sequências mais simples, com closes e plano e contraplano, e cenas com mais deslocamentos e inventividade. Além disso, Foster e Woodley apresentam construções contidas, mas efetivas. Seja em seus gestos ou olhares, há precisão e tônus em seus corpos. Ambas parecem ter feito uma pesquisa sobre Hollander e Duncan, respectivamente, porém não convocam uma representação delas, mas a própria interpretação de cada uma das duas figuras. Desta maneira, no geral, <strong><em>O Mauritano</em></strong> é um importante relato sobre os absurdos de um governo sem limites e apresenta qualidades técnicas e de discurso. Mas, ele carrega consigo algumas irregularidades, que enfraquecem um pouco de seu resultado.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kevin Macdonald</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Tahar Rahim, Jodie Foster, Shailene Woodley, Benedict Cumberbatch</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/AFB2eqX2ovo" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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